QUINTA-FEIRA santa

1 de Abril de 2021

 

Missa da Ceia do Senhor

 

Segundo uma antiquíssima tradição da Igreja, são proibidas neste dia todas as Missas sem participação do povo.

De tarde, à hora mais conveniente, celebra-se a Missa da Ceia do Senhor, com plena participação de toda a comunidade local; nela, todos os sacerdotes e ministros exercem o seu ofício próprio.

Os sacerdotes que tiverem concelebrado na Missa crismal, ou tiverem celebrado para utilidade dos fiéis, podem novamente concelebrar nesta Missa vespertina.

Onde o exigir o interesse pastoral, o Ordinário do lugar pode permitir a celebração de outra Missa nas igrejas, oratórios públicos ou semipúblicos nas horas vespertinas e, em casos de verdadeira necessidade, até da parte da manhã, mas só para os fiéis que de nenhum modo podem tomar parte na Missa vespertina. Deve evitar-se, no entanto, que tais celebrações se façam em proveito de pessoas particulares ou possam prejudicar a Missa vespertina principal.

A sagrada comunhão só pode ser distribuída aos fiéis dentro da Missa. Aos doentes, porém, pode levar-se a comunhão a qualquer hora do dia.

O sacrário deve estar completamente vazio. Para a comunhão do clero e dos fiéis, consagre-se nesta Missa pão suficiente para hoje e amanhã.

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Toda a nossa glória – M. Simões, NRMS, 25

cf. Gal 6, 14

Antífona de entrada: Toda a nossa glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. N'Ele está a nossa salvação, vida e ressurreição. Por Ele fomos salvos e livres.

 

Diz-se o Glória. Enquanto se canta este hino, tocam-se os sinos, que não voltarão a tocar-se até à Vigília Pascal, a não ser que a Conferência Episcopal ou o Ordinário do lugar julguem oportuno estabelecer outra coisa.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

“Desejei ardentemente celebrar esta Páscoa convosco”. Eis chegado o dia intenso e síntese do seu amor e da sua entrega: ao Pai e a nós.

Jesus deseja ardentemente mostrar-nos até onde chega o seu amor para connosco; deseja ardentemente lavar os nossos pecados com seu sangue; deseja ardentemente ficar sempre connosco; deseja ardentemente a nossa fidelidade à Eucaristia: mistério recebido e mistério transmitido; deseja ardentemente fazer-nos participantes na sua Morte e Ressurreição; deseja ardentemente que compreendamos o que significa celebrar a Eucaristia e suas consequências na vida concreta e quotidiana: expressão de serviço, de imolação, entrega e missão; deseja ardentemente que nos amemos uns aos outros; deseja que ardentemente o outro entre em nosso coração e em nossa vida.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que nos reunistes para celebrar a Ceia santíssima em que o vosso Filho Unigénito, antes de Se entregar à morte, confiou à Igreja o sacrifício da nova e eterna aliança, fazei que recebamos, neste sagrado banquete do Seu amor, a plenitude da caridade e da vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A celebração da Páscoa do Antigo Testamento abre caminho até à Páscoa da Nova e Eterna Aliança, celebrada em Jesus Cristo.

 

 

Êxodo 12,1-8.11-14

 

1Naqueles dias, o Senhor disse a Moisés e a Aarão na terra do Egipto: 2«Este mês será para vós o princípio dos meses; fareis dele o primeiro mês do ano. 3Falai a toda a comunidade de Israel e dizei-lhe: No dia dez deste mês, procure cada qual um cordeiro por família, uma rês por cada casa. 4Se a família for pequena demais para comer um cordeiro, junte-se ao vizinho mais próximo, segundo o número de pessoas, tendo em conta o que cada um pode comer. 5Tomareis um animal sem defeito, macho e de um ano de idade. Podeis escolher um cordeiro ou um cabrito. 6Deveis conservá-lo até ao dia catorze desse mês. Então, toda a assembleia da comunidade de Israel o imolará ao cair da tarde. 7Recolherão depois o seu sangue, que será espalhado nos dois umbrais e na padieira da porta das casas em que o comerem. 8E comerão a carne nessa mesma noite; comê-la-ão assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. 11Quando o comerdes, tereis os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. Comereis a toda a pressa: é a Páscoa do Senhor. 12Nessa mesma noite, passarei pela terra do Egipto e hei-de ferir de morte, na terra do Egipto, todos os primogénitos, desde os homens até aos animais. Assim exercerei a minha justiça contra os deuses do Egipto, Eu, o Senhor. 13O sangue será para vós um sinal, nas casas em que estiverdes: ao ver o sangue, passarei adiante e não sereis atingidos pelo flagelo exterminador, quando Eu ferir a terra do Egipto. 14Esse dia será para vós uma data memorável, que haveis de celebrar com uma festa em honra do Senhor. Festejá-lo-eis de geração em geração, como instituição perpétua».

 

Temos aqui, num texto de tipo catequético-litúrgico, a promulgação da lei da Páscoa judaica como «instituição perpétua», a ser festejada por todas as gerações (v. 14). Na origem desta festa da «Páscoa» – dum étimo semítico psh: salto festivo – parece estar uma antiga festa de pastores nómadas, própria da Primavera, a época em que nascem os cordeiros; então sacrificavam um cordeiro recém-nascido e com o seu sangue faziam ritos a implorar protecção e a fecundidade. Também pela época da Primavera parece que havia outra festa, a dos «Ázimos», com o sentido de novidade e rotura com o passado (o fermento). As duas festas vieram a fundir-se numa só. A Torá terá assumido estas duas festas, dando-lhes o novo e profundo significado que neste texto legal fica bem assinalado, para celebrar a libertação do Egipto.

A ceia pascal é celebrada na noite de 14 para 15 do mês de Nisan (Março/Abril), a noite da lua cheia que se seguia ao equinócio da primavera, pois o 1° dia do mês era o 1º dia da lua nova; então se comiam os pães ázimos, isto é, sem fermento (do grego a-zymê, em hebraico, os matsôth) durante os sete dias da festa, de 15 a 21 de Nisan. O cordeiro imolado recordava aquele outro cordeiro com cujo sangue os israelitas marcaram as suas portas para que o «o flagelo exterminador» ali não atingisse ninguém. A própria palavra «Páscoa», como já foi dito, pode significar saltar, passar por cima de, prestando-se a significar o flagelo mortal que passou ao largo das casas dos israelitas (cf. Ex 12,27) na região de Guéssen ou Góxen. Neste texto a palavra é entendida como a passagem do Senhor, a fim de libertar o seu povo. O pão sem fermento lembrava a pressa com que os israelitas saíram do Egipto, tendo de levar consigo a massa do pão antes de ter fermentado (Ex 12,34.39; Dt 16,3).

No entanto, a celebração da Páscoa não era para os israelitas uma mera recordação agradecida da libertação duma escravidão passada, mas era algo que os orientava para uma libertação futura completa e definitiva, que se haveria de dar com a vinda do Messias. Havia mesmo uma crença judaica em que o Messias viria numa noite de Páscoa: «nesta noite foram libertados, e nela também serão libertos». Esta alegre esperança manifestava-se no costume, que ainda hoje se mantém, de deixar um lugar vazio à mesa, para alguém que chegue na última hora, que afortunadamente poderia ser o profeta Elias, precursor do Messias. De facto, um dia o próprio Messias havia de se pôr à mesa da ceia pascal, rodeado dos seus discípulos, para então inaugurar a era da autêntica e definitiva libertação. Jesus é o verdadeiro cordeiro pascal (1Cor 5,7; Jo 19,36) que se oferece em sacrifício, com cujo sangue somos redimidos e com cuja carne somos alimentados no banquete eucarístico, prelúdio do banquete celeste (cf. Mc 14,25). Os samaritanos ainda hoje celebram a Páscoa como se descreve neste texto do Êxodo, sem refeição solene, sem vinho e à pressa. Os judeus celebram-na como refeição solene; já era assim no tempo de Jesus, em razão de já terem saído da escravidão para a liberdade; mas, em vez de comerem sentados como habitualmente, comiam recostados sobre esteiras ou divãs, apoiando-se sobre o braço esquerdo, a partir da época helenística (cf. Lc 22,14).

 

Salmo Responsorial    Sl 115 (116), 12-13.15-16bc.17-18 (R. cf. 1 Cor 10, 16)

 

Monição: Cantemos com gratidão a celebração do amor de Deus. Elevemos com alegria o cálice da salvação, comunhão no Sangue de Cristo.

 

Refrão:        O cálice de bênção é comunhão do Sangue de Cristo.

 

Como agradecerei ao Senhor

tudo quanto Ele me deu?

Elevarei o cálice da salvação,

invocando o nome do Senhor.

 

É preciosa aos olhos do Senhor

a morte dos seus fiéis.

Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva:

quebrastes as minhas cadeias.

 

Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor,

invocando, Senhor, o vosso nome.

Cumprirei as minhas promessas ao Senhor,

na presença de todo o povo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O texto desta leitura é um convite à fidelidade ao grande dom da Eucaristia. Nossa fé e nosso amor se diga pela eucaristia celebrada e vivida.

 

1 Coríntios 11,23-26

 

Irmãos: 23Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: o Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou o pão e, dando graças, 24partiu-o e disse: «Isto é o meu Corpo, entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim». 25Do mesmo modo, no fim da ceia, tomou o cálice e disse: «Este cálice é a nova aliança no meu Sangue. Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de Mim». 26Na verdade, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha.

 

Temos aqui o relato da última Ceia, o mais antigo dos quatro que aparecem no N. T., escrito apenas uns 26 anos após o acontecimento. São Paulo diz que isto mesmo já o tinha pregado aos cristãos (v. 23) uns cinco anos atrás, durante os 18 meses em que evangelizou a cidade de Corinto, por ocasião da sua segunda viagem.

23 «Recebi do Senhor»: O original grego (com o uso da preposição apó e não pará) deixa ver que S. Paulo recebeu esta doutrina pela tradição que remonta ao Senhor e não directamente dele, por meio de alguma revelação, como alguém poderia pensar.

«Na noite em que ia ser entregue»: Celebramos hoje uma dupla entrega do Senhor, a sua entrega às mãos dos seus inimigos, para a morrer pelos nossos pecados e nos ganhar a vida divina, e a entrega no Sacramento da SS. Eucaristia, como alimento desta mesma vida divina. Para o seu amor infinito, é pouco dar-se todo uma só vez por todos; quer dar-se todo a cada um de nós todas as vezes que nos disponhamos a recebê-lo!

24 «Isto é o Meu Corpo»: A expressão de Jesus é categórica e terminante, sem deixar lugar a mal-entendidos. Não diz «aqui está o meu corpo», nem «isto simboliza o meu corpo», mas sim: «isto é o meu corpo», como se dissesse: este pão já não é pão, mas é o meu corpo, isto é, sou Eu mesmo. Todas as tentativas heréticas de entender estas palavras num sentido meramente simbólico, fazem violência ao texto e não têm seriedade. É certo que o verbo «ser» também pode ter o sentido de «ser como», «significar», mas isto é só quando do contexto se possa depreender que se trata duma comparação, o que não se dá aqui, pois não se vê como o pão seja como o Corpo de Jesus, ou como é que o pode significar. Atenda-se a que Jesus, com a palavra isto não se refere à acção de partir o pão, pois não pronuncia estas palavras enquanto parte o pão, mas depois de o ter partido; portanto não tem sentido dizer que, com a fracção do pão, o Senhor queria representar o despedaçar do seu corpo por uma morte violenta (o corpo entregue). Jesus não podia querer dizer uma tal coisa, pois, se o quisesse dizer, havia de o explicitar, uma vez que o gesto de partir o pão era um gesto usual do chefe da mesa em todas as refeições, não sendo possível ver um outro sentido; por outro lado, o beber do cálice de modo nenhum se podia prestar a um tal sentido.

Os Apóstolos vieram a entender as palavras de Jesus no seu verdadeiro realismo, como aparecem no discurso do Pão da Vida (Jo 6,51-58). Se Jesus não quisesse dar este sentido realista às suas palavras, também os seus discípulos e a primitiva Igreja não lho podiam dar, porque beber o sangue era algo sumamente escandaloso para gente criada no judaísmo, que ia ao ponto de proibir a comida de animais não sangrados. Se S. Paulo não entendesse estas palavras de Jesus num sentido realista, não teria podido afirmar no v. 27 (omitido na leitura): «quem comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor»; e no v. 29 fala de «distinguir o corpo do Senhor».

Paulo VI, na encíclica Misterium fidei, rejeitou explicações teológicas (como a da transignificação e a da transfinalização) que não respeitem suficientemente o realismo da presença real: «Mas para que, ninguém entenda erroneamente este modo de presença, que supera leis da natureza e constitui o maior dos milagres no seu género, é preciso seguir com docilidade a voz da Igreja docente e orante. Pois bem, esta voz, que é um eco perene da voz de Cristo, assegura-nos que Cristo se torna presente neste Sacramento pela conversão de toda a substância do pão no seu corpo e de toda a substância no vinho no seu sangue; conversão admirável e singular à qual a Igreja justamente e com propriedade chama transubstanciação» (atenda-se a que aqui a noção de substância não é a da Física ou da Química, mas a da Metafísica).

24-25 «Fazei isto em memória de Mim». Com estas palavras, Jesus entrega aos Apóstolos (e aos seus sucessores) o poder ministerial de celebrar o Mistério Eucarístico; por isso, Quinta-Feira Santa é o dia do sacerdócio e dos sacerdotes.

25 «A Nova Aliança com o meu Sangue»: Jesus compara o seu sangue, que vai derramar na cruz, ao sangue do sacrifício da Aliança do Sinai (cf. Ex 24,8), como sendo o novo sacrifício com que se ratifica a Nova Aliança de Deus com a Humanidade, aliança anunciada pelos profetas (Jer 31,31-33). Na Ceia temos o mesmo sacrifício do Calvário antecipado sacramentalmente através das palavras do próprio Jesus. Na Missa temos igualmente o mesmo sacrifício da Cruz renovado e representado sacramentalmente através da dupla consagração feita pelo sacerdote que actua na pessoa e em nome de Cristo, sendo Ele o mesmo oferente principal, a mesma vítima e sendo os merecimentos os mesmos do único Sacrifício redentor a serem aplicados, Sacrifício oferecido de uma vez para sempre (efápax: cf. Hebr 9,25-28; 10,10.18).

26 «Anunciareis a Morte do Senhor»: No altar já não se derrama o sangue de Cristo, como na Cruz, mas anuncia-se oferecendo, de modo incruento, o mesmo sacrifício, renovando e representando sacramentalmente o mistério da mesma Morte que se deu no Calvário. Estamos em face dum grande mistério, que transcende o nosso entendimento, mas não contradiz a razão; com efeito, Jesus ressuscitado já não está preso a um tempo e a um espaço, mas transcende-o, por isso não se multiplica o seu ser ao estar presente atrás da cortina das espécies consagradas.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 13, 34

 

Monição: O Evangelista São João realça o gesto síntese do amor de Cristo: “Amou-os até ao fim”! Que surpreendente e belo este amor, sempre vivo e atual, na Eucaristia. Seja nosso centro, nossa máxima referência e nosso estilo de vida.

 

Cântico: Louvor e glória a Vós – B. Salgado, NRMS, 32

 

Dou-vos um mandamento novo, diz o Senhor:

amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.

 

 

Evangelho

 

São João 13,1-15

 

1Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. 2No decorrer da ceia, tendo já o Demónio metido no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, a ideia de O entregar, 3Jesus, sabendo que o Pai Lhe tinha dado toda a autoridade, sabendo que saíra de Deus e para Deus voltava, 4levantou-Se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha que pôs à cintura. 5Depois, deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura. 6Quando chegou a Simão Pedro, este disse-Lhe: «Senhor, Tu vais lavar-me os pés?» 7Jesus respondeu: «O que estou a fazer, não o podes entender agora, mas compreendê-lo-ás mais tarde». 8Pedro insistiu: «Nunca consentirei que me laves os pés». Jesus respondeu-lhe: «Se não tos lavar, não terás parte comigo». 9Simão Pedro replicou: «Senhor, então não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça». 10Jesus respondeu-lhe: «Aquele que já tomou banho está limpo e não precisa de lavar senão os pés. Vós estais limpos, mas não todos». 11Jesus bem sabia quem O havia de entregar. Foi por isso que acrescentou: «Nem todos estais limpos». 12Depois de lhes lavar os pés, Jesus tomou o manto e pôs-Se de novo à mesa. Então disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? 13Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. 14Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. 15Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também».

 

1. «Antes da festa da Páscoa». A ceia de que aqui se fala (v. 2) não é descrita como sendo a Ceia Pascal dos Sinópticos (Mt 26,17-35; Mc 14,12-31; Lc 22,7-39), mas não pode ser outra, por se tratar da mesma da noite em que Jesus foi preso. S. João limita-se a dizer «antes da festa da Páscoa». Não entramos a discutir a cronologia da Última Ceia, mas Jesus adiantou a Ceia pascal em um dia (seguiria a tradição de algum grupo judaico restrito). A morte de Jesus coincide com a imolação do cordeiro pascal, no dia da Preparação (19,31.42) para a festa. Sendo assim, evita dar à Última Ceia carácter pascal como os Sinópticos; e pensamos que esta pode ser uma razão para não falar da instituição da Eucaristia, aliás referida no discurso do Pão da Vida (cf. Jo 6,51-58). (Para a cronologia da Última Ceia veja-se a discussão em Jesus de Nazaré II de Bento XVI, pp. 94-100).

«Amou-os até ao fim», isto é, até à consumação (19,30), indicando o seu amor de total entrega, até à morte (cf. 15,13; 1Jo 3,16; Gal 2,20), embora com esta não termine o seu amor, pois «não só até aqui nos amou quem nos ama sempre e sem fim» (Santo Agostinho); a expressão poderia aludir também ao amor posto na realização da Eucaristia de que S. João não conta a instituição, naturalmente por já lhe ter dedicado todo o capítulo VI. Outra tradução possível: «levou o seu amor por eles até ao extremo», ou como prevê a nova tradução da CEP: «amou-os até à consumação». Jesus não só amou os seus até ao último momento da sua vida terrena, mas não podia amá-los mais: amou-nos até à loucura da Cruz e da Eucaristia.

3 «Jesus, sabendo...». Lavar os pés era um ofício exclusivo de escravos (1Sam 25,41) e os rabinos chegavam a explicitar que só se devia impor esse humilhante serviço a escravos que não fossem da raça hebraica, baseando-se em Lv 25,39. Jesus, ao sujeitar-se a esse trabalho humilhante, tem bem presente o seu poder e a sua dignidade de Filho de Deus. A oposição decidida de Pedro mostra o profundo choque causado pela atitude do Senhor. Não se pode estabelecer o momento exacto do lava-pés, pois não estavam previstas lavagens dos pés na Ceia, mas apenas o lavar das mãos; o que Jesus realiza é antes de mais uma acção simbólica, à maneira dos profetas. Talvez a discussão travada na Ceia sobre quem seria o maior dos Apóstolos (cf. Lc 22,24) tenha levado Jesus a dar-lhes uma lição com o seu gesto: é maior aquele que mais serve. Aparecem dois significados no gesto de Jesus: um simbólico e outro de exemplo a imitar. Nos vv. 6-11, sobressai mais o valor simbólico: Jesus é quem purifica os seus dos seus pecados e sem isso não se pode ter parte com Ele (v. 8), purificação que é um efeito da sua Morte redentora. Nos vv. 14-15, Jesus propõe o seu exemplo para ser imitado: «Eu vos lavei os pés, sendo Mestre e Senhor, também vós deveis lavar os pés uns aos outros», isto é, prestar aos outros todos os serviços, mesmo os mais humildes e humilhantes. Ter autoridade na Igreja (e também na sociedade civil) não é ter à disposição os outros para ser servido, mas é estar à disposição de todos para os servir eficazmente. A vida cristã consiste em imitar o exemplo de Jesus Cristo: 1Pe 2,21; 1Jo 2,6; Fil 2,5; 1Cor 11,1; Ef 5,1; 1Tes 1,6...

 

Sugestões para a homilia

 

O Dom da Eucaristia. Aliança Nova e Eterna.

O Dom do Sacerdócio Ministerial

O Dom do Mandamento Novo/Caridade Fraterna.

O Dom de São José

 

Homilia

 

Dom da Eucaristia. Aliança Nova e Eterna.

O nosso Deus é o Deus da Aliança, pacto e relação de amor. Apesar das infidelidades do seu povo, o Coração deste Deus encontra sempre motivos para amar e servir. Assim estimula à renovação do coração dos homens, à vida nova, à justiça, à partilha, à profundidade da existência, à santidade.

Páscoa foi acontecimento memorável pela gesta da intervenção de Deus na História da salvação.

Apesar da fragilidade do seu Povo, nunca se cansa de sensibilizar, com ternura e docilidade, a abertura das portas do coração e da vida, na opção de caminho de fé, de liberdade, de dignidade, de humanidade.

Uma Páscoa de Êxodo, em caminho, até à Pascoa de Cristo Jesus. Jesus nossa Páscoa, Nova Aliança, celebrada no Seu Sangue, expressão máxima do seu amor e entrega. Aqui Jesus resume a sua vida e missão e a vida e missão dos discípulos: ser pão partido, ser eucaristia.

A Páscoa de Jesus tem o gesto de lavar os pés. Ensino revelador a dizer-nos que celebrar o mistério da sua morte e ressurreição implica compreender que é preciso acolher o outro e ser capaz de servir e amar. Ajoelhando-se a lavar os pés, olhos nos olhos, vínculo de amor sincero, ensina a eficácia do amor, e como é o acontecer do serviço.

Há uma expressão “calcanhar de Aquiles” que faz referência aos problemas e dificuldades mais difíceis de resolver, ao ponto nevrálgico das dificuldades. Lavar os pés significa que Jesus Cristo desceu ao âmago dos nossos problemas e dos nossos pontos mais sensíveis e frágeis. Desceu ao nosso mundo sujo, mundo de miséria, de fraqueza e de pecado, a necessitar de água pura do Seu Espírito e Sangue de amor: para lavar, curar, salvar.

Em cada Eucaristia eu sou envolvido neste mistério e testemunha de um Deus que vem, numa profunda humildade, para servir, amar e dar a vida. E sendo assim a Eucaristia é missão e compromisso.

 

O Dom do Sacerdócio Ministerial

Em Pedro, o primeiro, o líder dos doze, estão todos representados. Pedro necessita compreender que na sua vida pessoal, na experiência mais profunda de fragilidade, ele é amado, está seguro. Deve perceber que o amor de Deus é gratuito, e que apesar da sua fragilidade, Jesus Cristo, quer levantá-lo e erguê-lo pelo dom do seu amor.

Quando estiver a afundar-se nas águas de Tiberíades, há-de crer na segurança da presença amorosa de Jesus Cristo. Em breve perceberá a força do Seu olhar amoroso, ao confrontá-lo com a sua tríplice negação. Depois compreenderá que amando a Cristo, e crendo nesse amor, estará apto para apascentar os seus cordeiros, as suas ovelhas.

Jesus Cristo escolheu os seus Apóstolos, os seus Papas, Bispos, Padres e Diáconos. Escolheu não como distinção de superioridade, mas como servidores frágeis que devem servir sempre com humildade, verdade, generosidade e espirito de unidade e comunhão. É ministério de exigência e de santidade porque ministério de serviço, outorgado no momento mais solene da Sua vida.

No dom do sacerdócio ministerial quer vincar que a autoridade vem do serviço e do amor. Que a eficácia dos trabalhos apostólicos está na vida de profunda oração, no fazer tudo na proximidade de Cristo, em navegar com a consciência de que Ele vai com os seus. Quer que compreendam que a eficácia brota da unidade e da comunhão, do acolhimento e do perdão, do ir ao encontro do frágil ou da “ovelha” tresmalhada. Quer que sujam as mãos lavando, purificando e curando, na unção da salvação dos homens e mulheres por quem dá a vida.

 

O Dom do Mandamento Novo/Caridade Fraterna.

A palavra de Deus provoca unidade, comunhão e vínculo profundo de amor com outro e com a comunidade. Celebrar juntos, comer juntos, caminhar juntos, transmitir em fidelidade são cores da beleza que a Eucaristia deixa transparecer.

Na Nova Aliança, Jesus, revela o amor incondicional de Deus para com todos e quer que cada um seja testemunha viva desse amor partilhado, doado. Amor cheio de misericórdia e compaixão. Mesmo sabendo quem o ia entregar, não deixa de exprimir até ao fim o seu amor. Até com ele partilha do mesmo pão e do mesmo prato. E com todos, na sua fragilidade, negação e fuga não deixa de revelar o seu amor incondicional.

Depois no gesto de lavar os pés, de se tornar totalmente disponível e feito escravo de todos, revela como devem ser os seus discípulos para os seus irmãos e para com todos. Esta é a força do mandamento novo: amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Essa será a motivação para que o mundo creia que Deus Pai O enviou e acolha a salvação que quer oferecer a todos.

Convite a entrar na lógica do mandamento novo e acolher o amor que Jesus vive- e pede que vivamos- caminhando para ir e sair ao encontro de todos, em amor serviçal.

Quem não sabe amar não consegue evangelizar e nem pode estar nos postos de governo e liderança. Esta é a força que renova a Igreja, que dá vitalidade aos sacramentos, que vitaliza o Povo de Deus, que refresca a humanidade, que nos torna na verdade irmãos. Sem amor tudo se torna frio, complicado, demasiado engrenado, prepotência, autoritarismo, desumanidade.

 

O Dom de S. José.

Neste ano dedicado a S. José podemos ver em sua vida e missão o belo alcance da Palavra de Deus na sua vida. Na sua pessoa, cheia de maturidade humana e divina, verificamos a encantadora unidade de vida. O enamorado de Maria e de Jesus, que acolheu com obediência afável e confiante as indicações de Deus.

 No seu caminhar sábio, com Maria e Jesus, interpretou e leu com profundidade o caminho de Belém, depois o caminho para o Egipto e por fim o caminho do Egipto até à Terra do cumprimento pleno da promessa. Palmilhou a sábia estrada de sonhos, de trabalhos, de obstáculos, de silêncio, mas de coração cheio de amor, saboreando a profunda alegria da História da Salvação da qual também é fiel colaborador!

Ele é servidor, em serviço total, em abandono total à providência inconfundível de Deus. Em José tudo é ternura, sabedoria, paternidade. A sua fé robusta, a sua sólida esperança, os seus pés de peregrino, as suas mãos calejadas, fizeram dele um mestre que encantava o Filho de Deus e era a alegria de Maria! E que nos encanta!

José sabe da nossa fragilidade, dos obstáculos que surgem, da adaptação a novas realidades, mas sabe que se nos deixarmos enamorar de Deus tudo tem sentido e a nossa vida será fecunda.

Também nos ensina a ser prudentes, a ser ativos, a fugir do perigo, a encontrar soluções, a defender a vida, a confiar em Deus sem esperar mudanças mágicas. E mais ainda: a vivenciar um amor sem limites, uma fé inquebrantável, uma sabedoria humana de sensatez e de inteligência cultivada.

São José caminha connosco e intercede por nós. Nos faça celebrar a entrega de Jesus e o seu amor pelos pobres e pequeninos, pelos frágeis e os desamparados. Ele Sabe que há muitos que têm já as suas seguranças, os seus palácios, os seus títulos, as suas rotinas cheias de quase tudo, e não faltam quem se interesse demais por eles. Mas sabe que como Ele há quem não tenha poiso seguro, há quem seja emigrante e refugiado. Ele sabe que há pessoas e povos sem segurança, porque o ódio à vida humana é monstruoso; Ele sabe e conhece multidões que se abrigam com a manta do nosso esquecimento, indiferença e distanciamento egoísta; Ele conhece muitas pessoas que sofrem com a solidão das nossas técnicas, do nosso poderio económico e da nossa burocracia desumana.

São José nos ensine a proposta de amor que Jesus nos propõe. Nos ensine a saborear a Paternidade de Deus, a sabedoria do Espirito Santo, o testemunho de Maria. Nos ensine a ser irmãos de verdade, expressão concreta da eucaristia que celebramos.

 

Na homilia comentam-se os grandes mistérios que neste dia se comemoram: a instituição da sagrada Eucaristia e do sacramento da Ordem e o mandato do Senhor sobre a caridade.

 

Lava-pés

 

Fala o Santo Padre

 

 «Jesus quis desempenhar este serviço [de lavar os pés],

para nos dar um exemplo do modo como nos devemos servir uns aos outros.»

Jesus termina o seu discurso, dizendo: «Dei-vos o exemplo para que, como Eu vos fiz, assim o façais também vós» (Jo 13, 15). Lavar os pés. Naquela época, os pés eram lavados pelos escravos: era uma tarefa de escravo. As pessoas percorriam as estradas, não havia asfalto, não havia calçadas; naquele tempo havia a poeira das estradas e as pessoas sujavam os pés. E na entrada das casas havia escravos que lavavam os pés. Era um trabalho de escravo. Mas tratava-se de um serviço: um serviço feito por escravos. E Jesus quis desempenhar este serviço, para nos dar um exemplo do modo como nos devemos servir uns aos outros.

Certa vez, quando estavam a caminho, dois dos discípulos que queriam fazer carreira, pediram a Jesus para ocupar lugares importantes, um à sua direita e o outro à sua esquerda (cf. Mc 10, 35-45). E Jesus fitou-os com amor — Jesus olhava sempre com amor — e disse: “Vós não sabeis o que pedis” (v. 38). Os chefes das Nações — diz Jesus — dão ordens, fazem-se servir e sentem-se bem (cf. v. 42). Pensemos naquela época de reis, de imperadores tão cruéis, que se faziam servir pelos escravos... Mas entre vós — diz Jesus — não deve ser assim: quem manda deve servir. O vosso chefe deve ser o vosso servidor (cf. v. 43). Jesus inverte a tradição histórica, cultural daquela época — até a de hoje — aquele que manda, para ser um bom chefe, seja onde for, deve servir. Penso muitas vezes — não neste tempo, porque todos ainda estão vivos e têm a oportunidade de mudar de vida, e não podemos julgar, mas pensemos na história — se tantos reis, imperadores, chefes de Estado tivessem entendido este ensinamento de Jesus e, em vez de mandar, de ser cruéis, de matar as pessoas, tivessem feito isto, quantas guerras se teriam evitado! Serviço: na realidade há pessoas que não facilitam esta atitude, pessoas soberbas, odiosas, pessoas que talvez nos desejem o mal; mas nós somos chamados a servi-los mais. E há também pessoas que sofrem, que são descartadas pela sociedade, pelo menos por um período, e Jesus vai ter com elas e diz-lhes: tu és importante para mim. Jesus vem para nos servir, e o sinal de que Jesus nos serve hoje aqui, no cárcere de Regina Coeli, é que quis escolher doze de vós, como os doze Apóstolos, para lavar os pés. Jesus aposta em cada um de nós. Pois bem: Jesus chama-se Jesus, não Pôncio Pilatos. Jesus não sabe lavar-se as mãos: só sabe arriscar! Olhai para esta imagem, tão bonita: Jesus inclinado entre os espinhos, correndo o risco de se ferir para salvar a ovelha tresmalhada.

Hoje eu, que sou pecador como vós, mas represento Jesus, sou embaixador de Jesus. Hoje, quando me inclino diante de cada um de vós, pensai: «Jesus apostou neste homem, um pecador, para vir ter comigo e para me dizer que me ama». Este é o serviço, assim é Jesus: nunca nos abandona, nunca se cansa de nos perdoar. Ama-nos muito! Vede como Jesus arrisca!

E portanto, com estes sentimentos, vamos em frente com esta celebração, que é simbólica. Antes de nos oferecer o seu Corpo e o seu Sangue, Jesus aposta em cada um de nós, arrisca por cada um de nós, e arrisca no serviço, porque nos ama muito. [...]

Papa Francisco, Homilia, Cárcere "Regina Coeli", Roma, 29 de março de  2018

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Elevemos as nossas súplicas ao Senhor Jesus

que lavou os pés dos Apóstolos

nos deu o sacerdócio e a Eucaristia,

e nos pediu para servir e amar.

Rezemos com toda a confiança:

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

Ou. Cristo, tende piedade de nós.

Ou. Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

1-Pelo Papa Francisco pelo nosso Bispo N. e seus presbíteros

para que vivam o sacerdócio como um serviço

e se dêem inteiramente aos seus irmãos,

oremos ao Senhor.

 

2-Por todo o povo santo de Deus,

para que em Cristo, lavando os pés aos seus Apóstolos,

descubra o que quer dizer “servir”,

oremos ao Senhor.

 

3- Pelos cristãos divididos entre si,

para que o memorial da Ceia de Jesus

seja para eles um ardente apelo de unidade,

oremos ao Senhor.

 

4- Pelos doentes, moribundos e agonizantes,

para que recebam a santa Unção e a Eucaristia

e o auxílio da nossa caridade,

oremos, irmãos.

 

5- Por todos nós, que celebramos esta Páscoa,

para que a comunhão do Corpo e Sangue de Jesus,

nos leve um dia a participar na Páscoa eterna,

oremos ao Senhor.

 

 

Senhor Jesus Cristo,

neste dia em que nos convidais como amigos

a comer convosco a Santa Páscoa,

tornai-nos dignos de participar

no banquete eterno do vosso Reino.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Ao iniciar-se a liturgia eucarística, pode organizar-se uma procissão dos fiéis com oferta para os pobres.

Entretanto, canta-se a antífona Ubi caritas ou outro cântico apropriado.

 

Cântico do ofertório: Ó Verdadeiro Corpo do Senhor – C. Silva, NRMS, 42

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, a graça de participar dignamente nestes mistérios, pois todas as vezes que celebramos o memorial deste sacrifício realiza-se a obra da nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Santíssima Eucaristia: p. 1254 [658-770]

 

Santo: C. Silva/A. Cartageno – COM, (pg 194)

 

Monição da Comunhão

 

Deus confiou-nos o Mistério mais sublime. A participação no mistério Pascal de Jesus Cristo, Morte e ressurreição, deve dispor-nos à doação da nossa vida.

Como Mestre e Senhor, despojado para servir, Jesus, toca a nossa fragilidade e nos salva. Ele pede-nos que que a Eucaristia que celebramos faça acender em nós o mais genuíno amor e serviço aos irmãos.

E neste tempo de pandemia, difícil para tantas pessoas, a Eucaristia nos desperte ainda mais para a partilha, com gestos, atitudes concretas, oportunas e eficazes no serviço dos irmãos.

 

Cântico da Comunhão: Isto é o meu corpo – C. Silva, OC, (pg 138)

1 Cor 11, 24.25

Antífona da comunhão: Isto é o meu Corpo, entregue por vós; este é o cálice da nova aliança no meu Sangue, diz o Senhor. Fazei isto em memória de Mim.

 

Terminada a distribuição da comunhão, deixa-se sobre o altar a píxide com as partículas para a comunhão do dia seguinte. A Missa conclui com a oração depois da comunhão:

 

Cântico de acção de graças: O Corpo de Jesus é alimento – A. Cartageno, NRMS, 60 

 

Oração depois da comunhão: Deus eterno e omnipotente, que hoje nos alimentastes na Ceia do vosso Filho, saciai-nos um dia na ceia do reino eterno. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Trasladação do Santíssimo Sacramento

 

Terminada a oração, o sacerdote, de pé, diante do altar, põe incenso no turíbulo e, de joelhos, incensa por três vezes o Santíssimo Sacramento. Em seguida, toma o véu de ombros, pega na píxide e cobre-a com as extremidades do véu.

Organiza-se a procissão, com círios e incenso, indo à frente o cruciferário com a cruz, e leva-se o Santíssimo Sacramento, através da igreja, para o lugar da reserva, preparado numa capela convenientemente ornamentada. Entretanto canta-se o hino Pange, lingua (Canta, Igreja, o Rei do mundo) – excepto as duas últimas estrofes – ou outro cântico apropriado.

Chegada a procissão ao lugar da reserva, o sacerdote depõe a píxide. Seguidamente, põe incenso no turíbulo e, de joelhos, incensa o Santíssimo Sacramento. Entretanto canta-se o Tantum ergo sacramentum. Depois fecha-se o tabernáculo ou urna da reserva.

Depois de algum tempo de oração em silêncio, o sacerdote e os ministros fazem a genuflexão e retiram-se para a sacristia.

Segue-se a desnudação do altar e, se possível, retiram-se as cruzes da igreja. Se algumas ficam na igreja, é conveniente cobri-las.

Os que tomaram parte na Missa vespertina não são obrigados à celebração das Vésperas.

Exortem-se os fiéis, tendo em conta as circunstâncias e as diversas situações locais, a dedicar algum tempo da noite à adoração do Santíssimo Sacramento. A partir da meia noite, porém, esta adoração faz-se sem solenidade.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Que a presença de Jesus na minha vida, a relação e a comunhão intensa que Deus estabelece comigo, não se fique por alguns minutos de ação de graças ou alguns pensamentos emotivos de consolo, mas me leve a percorrer o caminho de páscoa que gera libertação, conversão, vida, partilha e comunhão.

Que a minha vida se torne verdadeiro sacrário do altíssimo e abrigo de paz e conforto para todos os que sofrem no corpo ou no espírito. Que a luz da presença de Deus seja a minha vida que ilumina os becos e caminhos mais tortuosos, sombrios ou de trevas. Que o amor que brota do meu coração enamorado faça fecundar todas as margens e todos os espaços de deserto, transformando em primavera de vida e destruindo o ódio, a mentira, a traição e a morte.

Maria de Nazaré me ensine, me ajude a saber estar, a saber responder e a fazer-me servidor no Getsémani e Calvário dos irmãos.

 

Cântico final: Vós sereis meus amigos – M. Faria, NRMS, 29

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:               José Carlos Azevedo

 


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