S. José, Esp. da V. Santa Maria

19 de Março de 2021

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Outrora S. José – M. Faria, NRMS, 05 (I)

Lc 12, 42

Antífona de entrada: Este é o servo fiel e prudente, que o Senhor pôs à frente da sua família.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Igreja consagra a S. José o mês de Março. Mas é sobretudo neste dia que os católicos de todo o mundo o festejam.

Vamos viver santamente esta Missa com S. José. Ontem como hoje a sua mensagem continua atual.

 

Oração colecta: Deus todo-poderoso, que na aurora dos novos tempos confiastes a São José a guarda dos mistérios da salvação dos homens, concedei à vossa Igreja, por sua intercessão, a graça de os conservar fielmente e de os realizar até à sua plenitude. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: S. José escutou a Palavra do Senhor. Nunca deixou de orientar por ela a sua vida. Assim deve acontecer connosco.

 

2 Samuel  7,4-5a.12-14a.16

4Naqueles dias, o Senhor falou a Natã, dizendo: 5a«Vai dizer ao meu servo David: Assim fala o Senhor: 12Quando chegares ao termo dos teus dias e fores repousar com os teus pais, estabelecerei em teu lugar um descendente que nascerá de ti e consolidarei a tua realeza. 13Ele construirá um palácio ao meu nome e Eu consolidarei para sempre o seu trono real. 14aSerei para ele um pai e Ele será para Mim um filho. 16A tua casa e o teu reino permanecerão diante de Mim eternamente e o teu trono será firme para sempre».

 

Este texto, respigado da célebre profecia dinástica do profeta Natã, em que se garante a estabilidade da descendência de David à frente do povo de Israel – «o teu trono será firme para sempre» (v. 16) –, irá alimentar a esperança de restauração messiânica, após o desterro de Babilónia e justifica o título de «Filho de David» dado a Jesus ao longo do Novo Testamento (cf. Mt 1,1; 9,27; 12,23; 15,22; 20,30-31; 21,9; 22,42; Act 2,30; 13,22-23; Rom 1,3; 2Tim 2,8; Apoc 5,5; 22,16). O texto é escolhido para a solenidade de S. José, por ser ele quem garante a Jesus a sua descendência de David (Mt 1,1; Lc 1,31-33: «reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reino não terá fim»); com efeito, segundo a lei, José era pai de Jesus, um dado suficiente para Ele ser considerado descendente de David, embora também Maria devesse ser descendente de David, dado o costume de os casamentos se fazerem dentro da parentela.

4 Naqueles dias, isto é, na mesma noite em que o profeta Natã tinha apoiado a resolução do rei David de vir a construir uma casa digna para a arca da aliança, que substituísse o modesto tabernáculo feito de cortinados. A mensagem divina para David é que não vai ser ele a conseguir uma casa (templo) para Deus, mas vai ser o próprio Deus a erguer-lhe uma casa (descendência) que permanecerá eternamente. O profeta joga com o duplo sentido da palavra hebraica «báyit», casa e dinastia (v. 11-12).

 

Salmo Responsorial    Sl 88 (89), 2-3.4-5.27 e 29 (R. 37)

 

Monição: Quem vive com o Senhor é feliz e pode cantar a Sua misericórdia, agradecendo e pedindo novas graças.

 

Refrão:        A sua descendência permanecerá eternamente.

 

Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor

e para sempre proclamarei a sua fidelidade.

Vós dissestes: «A bondade está estabelecida para sempre»,

no céu permanece firme a vossa fidelidade.

 

Concluí uma aliança com o meu eleito,

fiz um juramento a David meu servo:

Conservarei a tua descendência para sempre,

estabelecerei o teu trono por todas as gerações.

 

Ele Me invocará: «Vós sois meu Pai,

meu Deus, meu Salvador».

Assegurar-lhe-ei para sempre o meu favor,

a minha aliança com ele será irrevogável.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Nesta segunda leitura S. Paulo elogia a fé de Abraão. Também S. José, mesmo nas horas de incerteza e dor, permaneceu sempre fiel a Deus.

 

Romanos 4,13.16-18.22

Irmãos: 13Não foi por meio da Lei, mas pela justiça da fé, que se fez a Abraão ou à sua descendência a promessa de que receberia o mundo como herança. 16Portanto a herança vem pela fé, para que seja dom gratuito de Deus e a promessa seja válida para toda a descendência, não só para a descendência segundo a Lei, mas também para a descendência segundo a fé de Abraão. 17Ele é o pai de todos nós, como está escrito: «Fiz de ti o pai de muitos povos». Ele é o nosso pai diante d’Aquele em quem acreditou, o Deus que dá vida aos mortos e chama à existência o que não existe. 18Esperando contra toda a esperança, Abraão acreditou, tornando-se pai de muitos povos, como lhe tinha sido dito: 22«Assim será a tua descendência». Por este motivo é que isto «lhe foi atribuído como justiça».

 

A leitura é um extracto do capítulo 4 de Romanos, onde S. Paulo, depois de ter explicado que a obra salvadora de Jesus (a justificação) não procedia das práticas da Lei do A. T., procura mostrar como a nova economia divina não contradiz a antiga; pelo contrário, já Abraão, o pai do antigo povo de Deus se tornou justo, não por ter cumprido a lei da circuncisão (que ainda não lhe tinha sido imposta), mas por ter acreditado nas promessas de Deus.

A atitude de fé de Abraão foi-lhe creditada na conta de justiça: «foi-lhe atribuída como justiça» (v. 22). «E isto foi escrito… também por nossa causa» (v. 24): é que nós não somos justificados por observâncias legais (da Lei de Moisés), mas sim pela fé em Deus, a qual é idêntica à de Abraão, não só pela atitude interior que pressupõe, como também se assemelha à dele quanto ao seu objecto; com efeito, ele acreditou que Deus lhe faria suscitar um filho, a ele já morto para a geração; e nós cremos que Deus fez ressuscitar a Jesus, morto pelos nossos pecados.

O texto presta-se a ser aplicado a S. José. Se na 1.ª leitura se falava de David, ascendente de S. José, nesta fala-se de outro ascendente mais longínquo, Abraão, o primeiro Patriarca do antigo povo de Deus. S. José é o Santo Patriarca do novo Povo de Deus, pois tem sobre Jesus os direitos legais de pai. Assim como Abraão foi pai de muitas nações (v. 17) também o Patriarca S. José é Pai e Patrono da Igreja de Cristo. Por outro lado, ele tornou-se, como Abraão, um modelo de vida de fé para todos os crentes, com uma fé bem provada em tantas e tão duras circunstâncias, como a piedade cristã recorda na devoção das 7 dores e 7 gozos de S. José.

 

Aclamação ao Evangelho        Sl 83 (84), 5

 

Monição: S. José aceita o mistério. A Virgem Maria foi escolhida para Mãe do Filho de Deus. Que felicidade viver com Maria e Jesus!

 

Cântico: Louvor a Vós Rei da eterna glória – M. Simões, NRMS, 40

 

Felizes os que habitam na vossa casa, Senhor:

eles Vos louvarão pelos tempos sem fim.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 1,16.18-21.24a

16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo. 18O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. 19Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». 24aQuando despertou do sono, José fez como lhe ordenara o Anjo do Senhor.

 

(Ver mais notas na Missa da Vigília do Natal: nº 1, pp. 79-81)

18 «Antes de terem vivido em comum»: Maria e José já tinham celebrado os esponsais (erusim), que tinham valor jurídico de um matrimónio, mas ainda não tinham feito as bodas solenes (nissuim ou liqquhim), em que o noivo trazia festivamente a noiva para sua casa, o que costumava ser cerca de um ano depois.

«Encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo»: isto conta-se em pormenor no Evangelho de S. Lucas (1,26-38), lido na festa da Imaculada Conceição (ver comentário então feito). Ao dizer-se «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai, pois Ele é puro espírito. Também isto nada tem que ver com os relatos mitológicos dos semideuses, filhos dum deus e duma mulher. Além do mais, é evidente o carácter semítico e o substrato judaico e vétero-testamentário das narrativas da infância de Jesus em Mateus e Lucas; ora, nas línguas semíticas a palavra «espírito» (rúah) não é masculina, mas sim feminina. Isto chegava para fazer afastar toda a suspeita de dependência do relato relativamente aos mitos pagãos. Por outro lado, na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera criaturas, Deus cria-as. As narrativas de Mateus e Lucas têm tal originalidade que excluem qualquer dependência dos mitos.

19  «Mas José, seu esposo…». Partindo do facto real e indiscutível da concepção virginal de Jesus, aqui apresentamos uma das muitas explicações dadas para o que se passou. A verdade é que não dispomos da crónica dos factos, pois a intenção do Evangelista era primordialmente teológica, embora sem inventar histórias, pois em face dos dados das suas fontes nem sequer disso precisava. Do texto parece depreender-se que Maria nada tinha revelado a José do mistério que nela se passava. José vem a saber da gravidez de Maria por si mesmo ou pelas felicitações do paraninfo (o amigo do esposo»), e o que devia ser para José uma grande alegria tornou-se o mais cruel tormento. Em circunstâncias idênticas, qualquer outro homem teria actuado drasticamente, denunciando a noiva ao tribunal como adúltera. Mas José era um santo, «justo» (v. 19), por isso, não condenava ninguém sem ter as provas evidentes da culpa. E aqui não as tinha e, conhecendo a santidade singular de Maria, não admite a mais leve suspeita, mas pressente que está perante o sobrenatural, já sentido por Isabel… (ou não teria tido alguma iluminação divina acerca da profecia de Isaías 7,14?…). Então só lhe restava deixar Maria, para não se intrometer num mistério em que julgava não lhe competir ter parte alguma. É assim que «resolveu repudiá-la em segredo» (v. 19), evitando, assim, «difamá-la» (colocá-la numa situação infamante) ou simplesmente «tornar público» («deigmatísai») o mistério messiânico. Mas podemos perguntar: porque não interrogava antes Maria para ser ela a esclarecer o assunto? É que pedir uma explicação já seria mostrar dúvida, ofendendo Maria; a sua delicadeza extrema levá-lo-ia a não a humilhar ou deixar embaraçada. E porque razão é que Maria não falou, se José tinha direito de saber do sucedido? Mas como é que Maria podia falar de coisas tão colossalmente extraordinárias e inauditas?! Como podia provar a José a Anunciação do Anjo? Maria calava, sofria e punha nas mãos de Deus a sua honra e as angústias por que José iria passar por sua causa; e Deus, que tinha revelado já a Isabel o mistério da sua concepção, podia igualmente vir a revelá-lo a José. De tudo isto fica para nós o exemplo de Maria e de José: não admitir suspeitas temerárias e confiar sempre em Deus.

20 «Não temas receber Maria, tua esposa». O Anjo não diz: «não desconfies», mas: «não temas». Segundo a explicação anterior, José deveria andar amedrontado com algo de divino e misterioso que pressentia: julga-se indigno de Maria e decide não se imiscuir num mistério que o transcende. Como explica S. Bernardo, S. José «foi tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério, que a quis deixar ocultamente [...] José tinha-se, por indigno...». Segundo alguns exegetas modernos (Zerwick), o texto sagrado poderia mesmo traduzir-se: «embora o que nela foi gerado seja do Espírito Santo, Ela dar(-te-)á à luz um filho ao qual porás o nome de Jesus, exercendo assim para Ele a missão de pai». Assim, o Anjo não só elucida José, como também lhe diz que ele tem uma missão a cumprir no mistério da Incarnação, a missão e a dignidade de pai do Salvador. Comenta Santo Agostinho: «A José não só se lhe deve o nome de pai, mas este é-lhe devido mais do que a qualquer outro. Como era pai? Tanto mais profundamente pai, quanto mais casta foi a sua paternidade... O Senhor não nasceu do germe de José. Mas à piedade e amor de José nasceu um filho da Virgem Maria, que era Filho de Deus».

23 «Será chamado Emanuel». No original hebraico de Isaías 7,14, temos o verbo no singular (forma aramaica para a 3ª pessoa do singular feminino: weqara’t referido a virgem, que é a que põe o nome = «e ela chamará»). Mateus, porém, usa o plural, que não aparece na tradução litúrgica, (kai kalésousin: «e chamarão»), um plural de generalização, a fim de que o texto possa ser aplicado a S. José, para pôr em evidência a missão de S. José, como pai «legal» de Jesus (notar que a célebre profecia isaiana, ao dizer que seria a virgem a pôr o nome ao seu filho até parece prestar-se a significar que este não nasceria de germe paterno). Mateus, em face do papel providencial desempenhado por S. José, não receia adaptar o texto à realidade maravilhosa muito mais rica do que a letra do anúncio profético. Contudo, esta técnica do Evangelista para «actualizar» um texto antigo (chamada deraxe) não é arbitrária, pois baseia-se na regra hermenêutica rabínica chamada al-tiqrey («não leias»), a qual consiste em não ler um texto consonântico com umas vogais, mas com outras (o hebraico escrevia-se sem vogais). Neste caso, trata-se de «não ler» as consoantes do verbo (wqrt) com as vogais que correspondem à forma feminina (tanto da 3ª pessoa do singular na forma aramaica, como da 2ª pessoa do singular da tradução dos LXX: weqara’t «e tu chamarás»), mas de ler com as vogais que correspondem à 2ª pessoa do singular masculino (weqara’ta «e tu chamarás» – em hebraico há diferentes formas masculina e feminina para as 2ª e 3ª pessoas dos verbos). Como pensa Alexandre Díez Macho, «com este deraxe oculto, mas real, Mateus confirma as palavras do anjo do Senhor no v. 21: «e (tu, José) o chamarás».

Eis, a propósito, o maravilhoso comentário de S. João Crisóstomo, apresentando Deus a falar a José: «Não penses que, por ser a concepção de Cristo obra do Espírito Santo, tu és alheio ao serviço desta divina economia; porque, se é certo que não tens nenhuma parte na geração e a Virgem permanece intacta, não obstante, tudo o que pertence ao ofício de pai, sem atentar contra a dignidade da virgindade, tudo to entrego a ti, o pôr o nome ao filho. [...] Tu lhe farás as vezes de pai, por isso, começando pela imposição do nome, Eu te uno intimamente com Aquele que vai nascer» (Homil. in Mt, 4).

 

 

Evangelho alternativo:

São Lucas 2,41-51a

41Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. 42Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. 43Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. 44Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. 45Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. 46Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. 47Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. 48Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». 49Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». 50Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso.

 

Quando faziam 12 anos, os rapazes israelitas começavam a ter os deveres e direitos da Lei mosaica, incluindo o dever de peregrinar a Jerusalém. Os judeus costumavam deslocar-se em caravanas e em grupos separados de homens e de mulheres, as crianças podiam fazer viagem em qualquer dos grupos; nas paragens do caminho, as famílias reuniam-se. É neste contexto que se desenrola o relato. A atitude de Jesus de ficar em Jerusalém é deveras surpreendente. Não deveria ter avisado os pais ou outros familiares? O que não faz sentido é buscar a explicação do sucedido numa rebeldia ou na irresponsabilidade dum adolescente – este rapaz é o Filho de Deus –, embora o relato evangélico possa fornecer luzes aos pais que se deparam com situações similares de filhos perdidos.

A teologia de Lucas talvez nos possa dar alguma pista para a compreensão do episódio narrado. «Jerusalém» não é simplesmente o centro da vida religiosa de Israel. Para os evangelistas, e de modo singular para Lucas, Jerusalém representa o culminar de toda a obra salvadora de Jesus, por ocasião da Páscoa da Paixão, Morte e Ressurreição. É por isso que Lucas, ao pôr em evidência a tensão de Jesus para a sua Paixão, apresenta grande parte do seu ensino «a caminho de Jerusalém», onde Jesus tem de padecer para ir para o Pai e entrar na sua glória (cf. Lc 24,26). A teologia de Lucas não é abstracta e desligada da realidade. Ora a realidade é que Jesus não é apenas «o Mestre», Ele é «o Profeta», e, por isso mesmo, não ensina apenas quando exerce a função de rabi, mas, em todos os passos da sua vida, actua como Profeta, ensinando através dos seu agir, mormente através de acções simbólicas de profundo alcance, por vezes bem chocantes. O «Menino perdido» – já não é tão menino, pois é um jovem no pleno uso dos seus direitos como judeu – é um Profeta que realiza uma acção simbólica para proclamar quem é e qual é a sua missão: «Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?» Ele é o Filho de Deus, e tem de cumprir a missão que o Pai lhe confiou – «em Jerusalém» –, ainda que isto lhe custe bem e tenha de fazer sofrer aqueles que mais ama – «aflitos à tua procura» (v. 48). O episódio passa-se em Jerusalém, como prenúncio e paralelo de um sofrimento bem maior, também em Jerusalém. A lição é clara: não se pode realizar plenamente a vontade do Pai do Céu e, ao mesmo tempo, evitar todo o sofrimento tanto o próprio como o dos seres mais queridos; subir a Jerusalém é subir à Cruz, e subir à Cruz é «elevar-se» ao Céu, também em Jerusalém (cf. Lc 24,50-51).

41 «Os pais de Jesus». «Teu pai» (v. 48). Uma vez que Lucas tinha acabado de falar tão explicitamente da concepção virginal de Jesus, não tem agora qualquer receio de nomear S. José como pai (virginal) do Senhor.

49 «Eu devia estar na Casa de Meu Pai». A tradução de «tá toû Patrós mou» pode significar tanto «a casa de meu Pai», como «as coisas (assuntos, vontade) de meu Pai». A verdade é que o redactor pode ter querido dar à resposta de Jesus uma certa ambiguidade: «Não sabíeis que Eu tenho de estar nas coisas de meu Pai» (e que, por isso, me deveria encontrar aqui no Templo)»?

50 «Eles não entenderam». A resposta do Menino envolvia um sentido muito profundo que ultrapassava uma simples justificação da sua «independência». Não alcançam ver até onde iria este «estar nas coisas do Pai», mas também não se atrevem a fazer mais perguntas. Estamos postos perante o mistério do ser e da missão de Jesus; é mais um «sinal» e mais uma «espada» (cf. Lc 2,34-35).

 

Sugestões para a homilia

 

Dia de S. José

Imitemos e invoquemos S. José

Dia do Pai

 

Dia de S. José

Quem no mundo teve a felicidade de ser escolhido desde sempre para esposo da Mãe de Jesus?!...

Não foi escolhido nem o sábio, nem o rico, nem o importante, nem o famoso, mas sim um homem humilde, íntegro e exemplar: S. José.

Não tinha conhecimento dos mistérios anunciados a Maria. Por isso, sem a agredir, sem a ofender, respeitando-a e amando-a, decide, com imensa dor, deixá-la em segredo. Foi necessária a mensagem do Anjo para ele aceitar, sem reservas, Aquela que concebeu em seu seio, por obra e graça do Espírito Santo, a Jesus, Salvador do Mundo.

Não se aproveitou de tão nobre missão para subir de posição na sociedade. Continuou a trabalhar, como carpinteiro exímio, para que nada faltasse a Maria e a Jesus.

 

Imitemos e invoquemos S. José

Quando se encontra com Maria em Belém para o recenseamento obrigatório, S. José vê fechadas todas as portas a ele e a Maria, prestes a ser mãe. Não compreende esta recusa mas aceita-a, perplexo.

Jesus não vai nascer num palácio ou numa casa luxuosa e rica mas sim na gruta de Belém. É aí que S. José fica encantado com as pessoas que vêm visitar Jesus, desde os simples pastores até aos Magos, vindos do Oriente, oferecendo o necessário para que aquela família pudesse viver com dignidade.

Os mistérios continuam…Jesus, Senhor do Céu e da Terra, tem que ser levado por ele e por Maria para o exílio no Egipto pois Herodes quer matá-l’O.

Após a notícia da morte daquele monstro, vem para Nazaré. Vive dias monótonos a trabalhar, de manhã à noite. Brinca com o Menino Jesus. Ensina-lhe a sua arte. E Maria contempla, agradecida, essa ternura de pai e filho, enquanto cuida das lides de casa.

S. José despediu-se deste mundo com o abraço de Maria e Jesus. No Céu continua a interceder por todos nós, abençoando-nos.

 Recordemos essa cena bonita, ocorrida em Fátima na última aparição em 13 de Outubro de 1917. Enquanto a multidão assistia, extasiada, ao milagre do sol, Lúcia, Francisco e Jacinta viam S. José com Nossa Senhora e com Jesus a abençoar o mundo…

 

Dia do Pai

Hoje celebra-se o Dia do Pai. Data muito bem escolhida quando celebramos S.José, pai adotivo de Jesus.

Que os pais imitem S. José no amor a Maria e a Jesus! Que transformem, como ele, o trabalho em oração!

Que os pais amem seus filhos, acompanhando-os durante a vida com seus conselhos!

Que os filhos respeitem sempre seus pais, não os abandonando na velhice ou na doença!

Que os pais peçam à Sagrada Família bênçãos para o seu lar!

Assim nunca mais assistiremos à violência doméstica, aos maus tratos entre pais e filhos mas ficaremos contentes ao vermos famílias felizes como a Sagrada Família de Nazaré.

Glorioso S. José, ajuda-nos, como Tu, a oferecer o nosso coração a Jesus! Glorioso S. José, ajuda-nos, como Tu, a amar sempre a Virgem Maria! Glorioso S. José, pedimos-te para que, na hora da nossa morte, nos acompanhes com Maria ao encontro de Jesus para sermos felizes eternamente no Céu! Amém!

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus Omnipotente

e imploremos a Sua misericórdia,

dizendo confiadamente:

Escutai, Senhor, a nossa oração.

 

1.     Pelos discípulos de Jesus Cristo,

para que alcancem com S. José

a graça da perfeição e santidade,

oremos

 

2.     Pelos pobres, exilados e privados da liberdade,

para que alcancem com S. José,

conforto na vida e esperança num futuro melhor,

oremos.

 

3.     Pelos trabalhadores e pelos desempregados,

para que alcancem com S. José,

emprego seguro e com justa remuneração,

oremos.           

 

4.     Pelos idosos, doentes e por todos os que sofrem,

para que alcancem com S. José,

alívio nos momentos de dor,

oremos.

 

5.     Pelos fiéis aqui reunidos,

para que alcancem com S. José,

bênçãos e graças durante toda avida,

oremos.

 

6.     Pelos nossos familiares e amigos falecidos,

para que alcancem com S. José,

a esperança e a certeza da salvação,

oremos.

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai,

dignai-Vos atender estas súplicas

e, por intercessão da Virgem Santa Maria,

concedei-nos o que for melhor para nós.

Por N. S. J. C. Vosso Filho que é Deus Convosco

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Nós vos louvamos José – M. Carneiro, NRMS, 89

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, a graça de servir ao vosso altar de coração puro, imitando a dedicação e fidelidade com que São José serviu o vosso Filho Unigénito, nascido da Virgem Maria. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de São José [na solenidade]: p. 492

 

Santo: A. Cartageno – COM, (pg 189)

 

Monição da Comunhão

 

Recebamos Jesus na Comunhão como S. José O recebeu na sua vida. Não nos afastemos d’Ele pelo pecado. Vivamos sempre em Graça. Com Ele nada nos faltará.

 

Cântico da Comunhão: Este é o servo fiel e prudente – A. Cartageno, NRMS, 59

Mt 25, 21

Antífona da comunhão: Servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor.

 

ou

Mt 1, 20-21

Não temas, José: Maria dará à luz um Filho e tu lhe darás o nome de Jesus.

 

Cântico de acção de graças: Bem-aventurados os que têm fome – Az. Oliveira, NRMS, 63

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que na solenidade de São José alimentastes a vossa família à mesa deste altar, defendei-a sempre com a vossa protecção e velai pelos dons que lhe concedestes. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O Senhor veio ao nosso encontro nesta Eucaristia. Agora vamos dar testemunho d’Ele na família, na sociedade, na profissão, na Igreja, em toda a parte. Não tenhamos medo. Connosco está o esposo virginal de Nossa Senhora e Pai adotivo de Jesus, o glorioso São José!

 

Cântico final: Os justos viverão eternamente – M. Faria, NRMS, 36

 

 

Homilia FeriaL

 

Sábado, 20-III: O Servo sofredor e o Cordeiro Pascal.

Jer 11, 18-20 / Jo 7, 40-53

Eu era como dócil cordeiro levado ao matadouro, sem saber da conjura contra mim.

Depois desta profecia de Jeremias (LT), foi João Baptista que assinalou o Cordeiro de Deus. Jesus é, ao mesmo tempo o servo sofredor, que se deixa levar ao matadouro (LT), sem abrir a boca, carregando os pecados das multidões, e o Cordeiro Pascal, símbolo da redenção de Israel na primeira Páscoa.

A morte de Cristo é, ao mesmo tempo, o sacrifício pascal, por meio do Cordeiro, que tira o pecado do mundo, e o sacrifício da nova Aliança, que restabelece a comunhão entre Deus e o homem. Senhor, meu Deus, em vós me refugio (SR).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Aurélio Araújo Ribeiro

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:               José Carlos Azevedo

 


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