4.º Domingo dA QUARESMA

14 de Março de 2021

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios para o Baptismo dos adultos, neste domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Alegra-te, Jerusalém – J. P. Martins, CEC I, pg 91

cf. Is 66, 10-11

Antífona de entrada: Alegra-te, Jerusalém; rejubilai, todos os seus amigos. Exultai de alegria, todos vós que participastes no seu luto e podereis beber e saciar-vos na abundância das suas consolações.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Depois duma semana de trabalho, canseiras, preocupações, cansaço, temos necessidade de parar para refletir, meditar, rezar e continuar a viver bem…

Na Eucaristia recebemos as graças necessárias para cumprirmos a missão que o Senhor nos confiou.

 

Oração colecta: Deus de misericórdia, que, pelo vosso Filho, realizais admiravelmente a reconciliação do género humano, concedei ao povo cristão fé viva e espírito generoso, a fim de caminhar alegremente para as próximas solenidades pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus escolheu o Seu Povo, cumulando-o de bênçãos e graças. Muitas pessoas, em vez de agradecer, ofendiam-n’O com a ingratidão e o pecado. Não procedamos assim. Vivamos sempre para o Senhor.

 

2 Crónicas 36,14-16.19-23

 

Naqueles dias, 14odos os príncipes dos sacerdotes e o povo multiplicaram as suas infidelidades, imitando os costumes abomináveis das nações pagãs, e profanaram o templo que o Senhor tinha consagrado para Si em Jerusalém. 15O Senhor, Deus de seus pais, desde o princípio e sem cessar, enviou-lhes mensageiros, pois queria poupar o povo e a sua própria morada. 16Mas eles escarneciam dos mensageiros de Deus, desprezavam as suas palavras e riam-se dos profetas, a tal ponto que deixou de haver remédio, perante a indignação do Senhor contra o seu povo. 19Os caldeus incendiaram o templo de Deus, demoliram as muralhas de Jerusalém, lançaram fogo aos seus palácios e destruíram todos os objectos preciosos. 20O rei dos caldeus deportou para Babilónia todos os que tinham escapado ao fio da espada; e foram escravos deles e de seus filhos, até que se estabeleceu o reino dos persas. 21Assim se cumpriu o que o Senhor anunciara pela boca de Jeremias: «Enquanto o país não descontou os seus sábados, esteve num sábado contínuo, durante todo o tempo da sua desolação, até que se completaram setenta anos». 22No primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, para se cumprir a palavra do Senhor, pronunciada pela boca de Jeremias, o Senhor inspirou Ciro, rei da Pérsia, que mandou publicar, em todo o seu reino, de viva voz e por escrito, a seguinte proclamação: 23«Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do Céu, deu-me todos os reinos da terra e Ele próprio me confiou o encargo de Lhe construir um templo em Jerusalém, na terra de Judá. Quem de entre vós fizer parte do seu povo ponha-se a caminho e que Deus esteja com ele».

 

Esta leitura, extraída do final das Crónicas, é grandemente apropriada ao tempo da Quaresma. Com efeito, os livros dos Paralipómenos («coisas omitidas», na designação dos LXX), ou Crónicas (título hebraico), são uma recapitulação de toda a história da Salvação desde Adão até ao edito de Ciro, em particular da dinastia davídica e da organização do culto. S. Jerónimo chamou-lhes «Chronicon totius divinæ historiæ». Esta recapitulação tem por fim fazer tomar consciência ao povo de que as promessas divinas não caíram no esquecimento de Deus e que as desgraças que se abateram sobre o povo não eram definitivas, mas o justo castigo pela infidelidade dos reis e do povo (vv. 14-16). Assim, o autor (talvez um levita) incitava a gente à conversão, a condição indispensável para de novo se beneficiar do favor divino. A reconstrução do templo favorecida pelo próprio Ciro era um grande sinal de esperança, a garantia de que, a seu tempo, viria o esperado «rebento de David», pois a sua linhagem não tinha sido destruída com o exílio, e ela ali estava no meio deles (1Cr 3,17-24).

Esta recapitulação provoca-nos hoje a também nós fazermos uma revisão da nossa vida e das nossas infidelidades, à luz do «grande amor que Deus nos consagrou». (2.ª leitura) a ponto de que por nós «entregou o seu Filho único» à morte e morte de cruz (Evangelho de hoje).

 

Salmo Responsorial    Salmo 136 (137), 1-2.3.4-5.6 (R. 6a)

 

Monição: As pessoas, afastando-se de Deus e vivendo em pecado, sentem o remorso, arrependem-se e voltam de novo para os braços de Deus misericordioso.

 

Refrão:        Se eu me não lembrar de ti, Jerusalém,

                     fique presa a minha língua.

 

Sobre os rios de Babilónia nos sentámos a chorar,

com saudades de Sião.

Nos salgueiros das suas margens,

dependurámos nossas harpas.

 

Aqueles que nos levaram cativos

queriam ouvir os nossos cânticos

e os nossos opressores uma canção de alegria:

«Cantai-nos um cântico de Sião».

 

Como poderíamos nós cantar um cântico do Senhor

em terra estrangeira?

Se eu me esquecer de ti, Jerusalém,

esquecida fique a minha mão direita.

 

Apegue-se-me a língua ao paladar,

se não me lembrar de ti,

se não fizer de Jerusalém

a maior das minhas alegrias.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Quem não quer salvar-se?! A salvação, porém, é dom de Deus. Peçamos essa graça durante a vida no mundo até o Senhor nos chamar para vivermos com Ele na eternidade.

 

Efésios 2,4-10

 

Irmãos: 4Deus, que é rico em misericórdia, pela grande caridade com que nos amou, 5a nós, que estávamos mortos por causa dos nossos pecados, restituiu-nos à vida com Cristo – é pela graça que fostes salvos – e com 6Ele nos ressuscitou e nos fez sentar nos Céus com Cristo Jesus, 7para mostrar aos séculos futuros a abundante riqueza da sua graça e da sua bondade para connosco, em Cristo Jesus. 8De facto, é pela graça que fostes salvos, por meio da fé. 9A salvação não vem de vós: é dom de Deus. Não se deve às obras: ninguém se pode gloriar. 10Na verdade, nós somos obra sua, criados em Cristo Jesus, em vista das boas obras que Deus de antemão preparou, como caminho que devemos seguir.

 

A leitura é extraída da primeira parte do ensino doutrinal da Carta (capítulos 1 a 3), em que o autor se detém a expor o plano divino da salvação (1,3 – 2,22). Nestes vv. 4-10, o autor sagrado põe em evidência «a grande caridade com que nos amou» Deus: a salvação deve-se pura e exclusivamente ao dom gratuito de Deus, por isso insiste: «é pela graça que fostes salvos» (v.5), «a salvação não vem de vós, é dom de Deus» (v. 9). Nunca é demais insistir no primado absoluto da graça divina (cf. Carta Apostólica Novo millennio inneunte, nº 38).

5-6 A obra da salvação inclui a Morte, Ressurreição e Ascensão de Jesus, mistérios dos quais participamos, ao sermos «criados em Cristo Jesus» (v. 10) como membros seus (alusão ao Baptismo: cf. Rom 6); daí os três aoristos de verbos gregos do texto original compostos da preposição «com» (syn): «con-vivificou-nos» («restituiu-nos à vida com Cristo»), «con-ressuscitou-nos» («com Ele nos ressuscitou»), «con-sentou-nos» («nos fez sentar nos Céus com Cristo»), dificilmente traduzíveis em vernáculo.

8-10 «As boas obras… como caminho que devemos seguir»: A salvação não procede das nossas obras nem dos nossos esforços, mas são um caminho indispensável a seguir para que com elas corresponder livremente à graça de Deus. E as nossas boas obras são, antes de mais, obras de Deus, da sua graça que actua em nós.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 3, 16

 

Monição: Deus não quer a condenação de ninguém. Não O ofendamos. Cumpramos a Sua vontade e alcançaremos a graça da salvação.

 

Cântico: Louvor e glória a Vós – B. Salgado, NRMS, 32

 

Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho Unigénito:

quem acredita n’Ele tem a vida eterna.

 

 

Evangelho

 

São João 3,14-21

 

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 14«Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, 15para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. 16Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. 17Porque Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. 18Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus. 19E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras. 20Todo aquele que pratica más acções odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas. 21Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus.

 

Estamos no contexto do discurso (dialogado) de Jesus a Nicodemos (Jo 3,1-21). As palavras de Jesus foram tão profundamente meditadas que não se pode distinguir onde acabam as palavras de Jesus e onde começa a reflexão do evangelista.

14 «A serpente no deserto». Desde os primeiros tempos da Igreja que a serpente de bronze erguida na haste (Nm 21,4-9) foi considerada, a partir destas palavras de Jesus, como o «tipo», ou figura, da morte de Cristo na Cruz (Pseudo-Barnabé, 12,5-7; S. Justino, Apol. I, 60; Dial. 91; 94; 112; Tertuliano, Adv. Marc. 3, 18). A serpente de bronze, que se diz que era venerada em Jerusalém, foi destruída por Ezequias (2Re 18,4), para evitar o perigo de idolatria. Note-se como o livro da Sabedoria (16,6-7) sublinha que a serpente não era mais do que um «sinal de salvação», que salvava «não porque se contemplava», mas pela virtude de Deus, «Salvador Universal»: salvava através da fé em Deus. Também para que Cristo nos salve com a sua Morte é indispensável acreditar: ter a fé vem a ser a condição de nos ser aplicado o efeito salvífico da Redenção realizada. «Também o Filho do Homem será elevado», na Cruz, entenda-se. S. João joga com os dois sentidos da elevação, na Cruz e na glória. E isto não é um simples artifício literário, mas encerra um mistério profundo, pois é então que se manifesta todo o amor de Jesus (cf. Jo 13,1), todo o seu poder divino salvífico de dar o Espírito e a vida eterna (cf. Jo 7,38; 12,23-24; 17,1.2.19), numa palavra, a sua glória, que culmina na Ressurreição (Jo 12,16). Para a alusão à serpente de bronze, ver Nm 21,4-9; Sb 16,5-15 e o Targum (tradução aramaica), que fala mesmo dum lugar elevado onde Moisés a colocou.

16 «Deus amou tanto o mundo…» Esta frase é um dos pontos culminantes de todo o Evangelho: a morte de Cristo é a suprema manifestação do amor que Deus nos tem; aqui o mundo aparece no sentido positivo de criatura de Deus, noutros lugares de S. João tem o sentido oposto, como obra do maligno (cf. 1Jo 5,19).

17-21 «Deus não enviou o Filho… para condenar o mundo…». O judaísmo dos tempos de Jesus concebia o Messias como um juiz que, antes de mais, vinha para julgar e condenar todos os que ficavam fora do Reino de Deus ou se lhe opunham. Jesus insiste no amor de Deus ao mundo e no envio do Filho para que este venha a ser salvo e não condenado: o Filho é o «Salvador do mundo» (Jo 4,42). Se há quem se condene, isto só pode suceder porque esse se coloca numa situação de condenação, ao rejeitar o Único que pode salvar: «porque não acreditou no Nome (isto é, na Pessoa) do Filho Unigénito de Deus». Esta é uma situação verdadeiramente dramática – crítica (krisis=juízo) –, bem posta em evidência no IV Evangelho: «quem não acredita já está condenado» (v. 18): o amor de Deus revelado em Jesus é de tal ordem que o homem não se pode alhear, à espera do que possa vir a acontecer-lhe, mas a pessoa é colocada perante um dilema inevitável e urgente; daí que em S. João o juízo de condenação costuma aparecer como algo actual (ver vv. 36; 5,24; 12,31).

 

Sugestões para a homilia

 

O Senhor veio salvar o mundo

Muitas pessoas rejeitam o Senhor

Cremos que o Senhor nos salvará

 

O Senhor veio salvar o mundo

« Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele » ( Jo 3, 17 ) .

Esta passagem do Evangelho é tão reconfortante para nós! Queremos ser bons, ser perfeitos, ser santos, mas ficamos sempre aquém do que desejamos.

Jesus chama por nós. O demónio apressa-se a tentar-nos para a infidelidade. E há quem desespere, quem viva em angústia constante…E isso é o que o demónio quer.

Voltemo-nos para Jesus. Ele veio ao mundo para nos acolher, curar e salvar.

 Perdoou a Maria Madalena, à Samaritana, à pecadora pública, a Pedro…a todos os que, arrependidos, Lhe pediam perdão.

Curou muitos doentes, dizendo uma só palavra, permitindo que O tocassem ou impondo-lhes as Suas mãos milagrosas.

Restituiu a vida aos que faleceram. Recordemos a filha de Jairo, o filho da viúva de Naim, o seu amigo Lázaro…

Obrigado, Jesus! Vamos corresponder ao Teu amor por nós. Ninguém nos afastará de Ti. Fica sempre connosco, Senhor!

Muitas pessoas rejeitam o Senhor

Há quem não aceite viver como Deus quer. Sem Ele vem a solidão, a tristeza, o exílio…

Foi o que aconteceu aos crentes do Antigo Testamento. « Eles escarneciam dos mensageiros de Deus, desprezavam as Suas palavras e riam-se dos Profetas » ( Primeira Leitura ).

Que pena terem procedido assim! Entre todos os povos da terra, aquele foi o escolhido desde Abraão, para acolher o Messias Salvador.

No mundo atual quantos homens voltam as costas a Deus, zombam dos Seus ensinamentos e sentem prazer em fazer o contrário!...

Consequências destas blasfémias?!... A violência, os atentados, as guerras, a desagregação da família, o assassínio dos inocentes com o aborto, a morte causada pela eutanásia…

Jesus, vieste ao mundo há vinte e um séculos! Tem compaixão da humanidade e vem de novo chamá-la à conversão e salvação!

 

Cremos que o Senhor nos salvará

« A salvação não vem de vós, é dom de Deus » ( Segunda Leitura ). Agradeçamos e procuremos dar testemunho d’Ele .

Queremos viver sempre bem na nossa família. Viemos ao mundo numa família. Fomos educados em família. É na família que gostaríamos de partir deste mundo…

Queremos viver sempre bem na Igreja. Fomos por ela acolhidos no dia do nosso Batismo. Ali rezamos. Ali recebemos os sacramentos. Ali encontramos a felicidade que nosso coração anseia.

Queremos viver sempre bem na sociedade. Não vivemos numa ilha isolada. Aceitemos a dedicação com que somos acarinhados.

Queremos viver sempre bem no mundo. Estamos todos no mesmo barco. Agradeçamos às gerações que nos precederam terem-nos deixado um mundo tão belo. Façamos tudo o que estiver ao nosso alcance para que as gerações seguintes se sintam felizes como nós no mundo.

Queremos viver sempre bem no universo. Não causemos alterações climáticas. Respeitemos a natureza. Amemos a nossa terra. Sonhemos com a imensidão do mar. Contemplemos o azul do céu. Continuemos a receber gratuitamente a luz do sol, o encanto da lua, o brilho das estrelas…

Querida Mãe do Céu, caminha sempre connosco! Indica-nos o caminho seguro. Ampara-nos com Teu amor e carinho! A vida no mundo é passageira. Fica connosco agora e sempre! Amém!

 

Fala o Santo Padre

 

«Não vos esqueçais disto: Deus é maior do que as nossas debilidades, infidelidades e pecados.

Assim, demos a mão ao Senhor, fitemos o Crucificado e vamos em frente!»

Neste quarto domingo de Quaresma, chamado domingo “laetare”, ou seja, “alegra-te”, porque assim reza a antífona de entrada da liturgia eucarística, que nos convida à alegria: «Alegra-te, Jerusalém [...] — deste modo, é uma chamada à alegria — exultai e rejubilai, vós que vivíeis na tristeza». Assim começa a Missa. Qual é a razão deste júbilo? O motivo é o grande amor de Deus pela humanidade, como nos indica o Evangelho de hoje: «Com efeito, Deus amou o mundo de tal modo, que lhe deu o seu único Filho, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16). Estas palavras, pronunciadas por Jesus durante o diálogo com Nicodemos, resumem um tema que está no cerne do anúncio cristão: até quando a situação parece desesperada, Deus intervém, oferecendo ao homem a salvação e a alegria. Com efeito, Deus não permanece à parte, mas entra na história da humanidade, “mistura-se” na nossa vida, entra, para a animar com a sua graça e para a salvar.

Somos chamados a prestar ouvidos a este anúncio, rejeitando a tentação de nos considerarmos seguros de nós mesmos, de desejar renunciar a Deus, reivindicando uma liberdade absoluta dele e da sua Palavra. Quando encontramos a coragem de nos reconhecermos por aquilo que somos — é preciso ter coragem para isto! — compreendemos que somos pessoas chamadas a fazer as contas com a nossa fragilidade e com os nossos limites. Então, pode acontecer que somos levados pela angústia, pela inquietação em relação ao futuro, pelo medo da doença e da morte. Isto explica por que razão tantas pessoas, procurando uma saída, por vezes tomam atalhos perigosos, como por exemplo o túnel da droga, ou aquele das superstições, ou de ruinosos rituais de magia. É bom conhecer os próprios limites, as nossas fragilidades; devemos conhecê-los, e não para nos desesperarmos, mas para os oferecermos ao Senhor; e Ele ajuda-nos no caminho da cura, pega-nos pela mão e nunca nos deixa sozinhos, nunca! Deus está connosco, e é por isso que hoje me “alegro”, nos “alegramos”: «Alegra-te, Jerusalém», diz, porque Deus está connosco.

E nós temos a verdadeira e grande esperança em Deus Pai, rico de misericórdia, que nos ofereceu o seu Filho para nos salvar, e esta é a nossa alegria. Temos também muitas tristezas, mas quando somos verdadeiros cristãos, temos aquela esperança, a qual é uma pequena alegria que cresce e nos dá segurança. Não devemos desanimar, quando vemos os nossos limites, os nossos pecados, as nossas debilidades: Deus está ali perto, Jesus está na Cruz para nos curar. Nisto consiste o amor de Deus. Fitemos o Crucificado e digamos dentro: “Deus ama-me”. É verdade, existem estes limites, estas debilidades, estes pecados, mas Ele é maior do que os limites, as debilidades e os pecados. Não vos esqueçais disto: Deus é maior do que as nossas debilidades, infidelidades e pecados. Assim, demos a mão ao Senhor, fitemos o Crucificado e vamos em frente!

Maria, Mãe de misericórdia, infunda no nosso coração a certeza de que somos amados por Deus. Permaneça perto de nós nos momentos em que nos sentimos sós, quando somos tentados a render-nos às dificuldades da vida. Que Ela nos comunique os sentimentos do seu Filho Jesus, para que o nosso caminho quaresmal se torne experiência de perdão, de acolhimento e de caridade!

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 11 de março de de 2018

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus Omnipotente

e imploremos a Sua misericórdia,

dizendo confiadamente:

Escutai, Senhor, a nossa oração.

 

1.     Com o Papa, os Bispos, Sacerdotes, Diáconos,

Religiosos, Catequistas e Leigos responsáveis

que dão testemunho na Santa Igreja,

oremos.

 

1.     Com os homens de boa vontade

que se esforçam por tornar o mundo melhor

onde todos possam viver felizes e em paz,

oremos.

 

2.     Com as famílias onde se vive o amor,

com as famílias a passarem dificuldades,

necessitando da nossa atenção e ajuda,

oremos.

 

3.     Com todos os que temos presentes na nossa oração

e que também rezam por nós ao Senhor,

vivendo deste modo em comunhão de santos,

oremos.           

 

4.     Com os doentes e aqueles que sofrem,

com os abandonados e marginalizados,

com os idosos que esperam gratidão,

oremos.

 

5.     Com os familiares e amigos falecidos

que no Céu esperam por nós

para com eles vivermos eternamente,

oremos.

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai,

dignai-Vos atender estas súplicas

e, por intercessão da Virgem Santa Maria,

concedei-nos o que for melhor para nós.

Por N. S. J. C. Vosso Filho que é Deus Convosco

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Clamai pelo Senhor – M. Luís, CAC, pg 138

 

Oração sobre as oblatas: Ao apresentarmos com alegria estes dons de vida eterna, humildemente Vos pedimos, Senhor, a graça de os celebrar com verdadeira fé e de os oferecer dignamente pela salvação do mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: A. F. Santos – BML, 27

 

Monição da Comunhão

 

Jesus que a todos perdoa e acolhe, vem até nós na Sagrada Comunhão para atender as nossas preces, para nos abençoar e salvar. Que felicidade! Que grandeza! Que alegria!

 

Cântico da Comunhão: Jerusalém, cidade santa – J. Santos, NRMS, 49

Salmo 121, 3-4

Antífona da comunhão: Jerusalém, cidade de Deus, para ti sobem as tribos do Senhor, para celebrar o seu santo nome.

 

Cântico de acção de graças: Provai e vede como o Senhor é bom – J. Santos, NRMS, 1 (I)

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, luz de todo o homem que vem a este mundo, iluminai os nossos corações com o esplendor da vossa graça, para que pensemos sempre no que Vos é agradável e Vos amemos de todo o coração. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Estivemos reunidos na Celebração da Eucaristia. Agora o Senhor vai connosco para ser conhecido e amado pelos povos do mundo inteiro.

Esta é a melhor forma de continuarmos a viver santamente a Quaresma, a caminho da Páscoa da Ressurreição.

 

Cântico final: Salve ó Cruz – M. Faria, 20 cânticos para a missa

 

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira, 15-III: A renovação pessoal e a alegria.

Is 65, 17-21 / Jo 4, 43-54

Olhai que vou criar novos céus e nova terra... Vai haver alegria e júbilo sem fim.

Esta é a grande notícia: a renovação da face da terra (LT). Esta renovação consiste, por um lado em sair do pecado e das suas consequências, em que se encontra a humanidade; por outro lado, disse o Senhor: Olhai que eu vou criar novos Céus e nova Terra. É o que rezamos actualmente na oração ao Espírito Santo. Vinde Espírito Santo e renovareis a face da terra.

Jesus dá um pequeno contributo, através da ajuda nas bodas de Caná e na cura do filho de um funcionário (EV). Vinde em nosso auxílio Senhor (SR). O caminho da renovação passa pela Cruz, tal como fez Jesus. Pode ser o nosso contributo, vivendo bem esta Quaresma.

 

3ª Feira, 16-III: A água viva e o rio da vida.

Ez 47, 1-9. 12 / Jo 5, 1-3. 5-16

É que, aonde chegar, a água tornará tudo são, e haverá vida em todo o lugar que o rio atingir.

Do Templo (LT) e do trono de Deus e do Cordeiro, corre o rio da vida que cura as nossas enfermidades espirituais e materiais, como aconteceu na piscina de Betsaida (EV). Os braços de um rio alegram a cidade de Deus (SR).

A água passa a ser uma nova criatura no Baptismo de Jesus, quando o Espírito desce sobre Cristo, como prelúdio de uma nova criação. Passa a ser a água viva, com a paixão e a morte de Jesus. De facto, o Sangue e a água que manaram do lado aberto do crucificado são tipos do Baptismo e da Eucaristia, sacramentos da nova vida.

 

4ª Feira, 17-III: Meios para recebermos a vida sobrenatural.

Is 49, 8-15 / Jo 5, 17-30

Tal como o Pai ressuscitou dos mortos e os fez viver, assim o Filho faz viver aqueles que entende.

O Senhor está sempre disposto a ajudar-nos (LT). E chega a dizer-nos que nunca nos abandona, nem nos esquecerá, pois o seu amor é mais forte do que o de uma mãe para com os seus filhos (LT). O Senhor é bom para com todos e misericordioso para com todos (SR).

Esse amor leva-o a comunicar-nos a sua vida através alimentos adequados (LT), concretizados na palavra de Deus: quem ouve a minha palavra tem a vida eterna (EV). E também através dos sacramentos, obras primas de Deus na Nova e Eterna Aliança, que saem do Corpo de Cristo, sempre vivo e vivificante, que opera no seu corpo, que é a Igreja.

 

5ª Feira, 18-III: As intercessões de Moisés e de Jesus.

Ex 32, 7-14 / Jo 5, 31-47

Moisés: deixai cair a vossa ardente indignação, renunciai ao castigo que quereis dar ao vosso povo.

Depois do terrível acto de idolatria, que foi a adoração do bezerro de ouro (LT), Moisés tornou-se um poderoso intercessor diante de Deus, para salvar o povo que o Senhor lhe tinha confiado. Deus pensava em os exterminar, se Moisés não intercedesse junto dEle (SR).

O intercessor agora é Cristo, que se ofereceu ao Pai, uma vez por todas, morrendo sobre o altar da Cruz, para realizar una redenção eterna a favor dos homens. Depois, Ele deixou à Igreja um sacrifício visível, a Santa Missa, que durará até ao fim dos tempos, e outro para a remissão dos pecados, que nós cometemos cada dia.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Aurélio Araújo Ribeiro

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               José Carlos Azevedo

 


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