5.º Domingo Comum

7 de Fevereiro de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde, prostremo-nos em terra – Az. Oliveira, NRMS, 48

Salmo 94, 6-7

Antífona de entrada: Vinde, prostremo-nos em terra, adoremos o Senhor que nos criou. O Senhor é o nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O sofrimento humano é um problema para o qual as pessoas têm procurado uma resposta, sem conseguirem encontrá-la.

Para os que têm fé, explicar a razão de ser do sofrimento implica também uma dúvida: Se Deus é infinitamente bom e nosso amigo e, ao mesmo tempo, omnipotente, porque não acaba com o sofrimento, ao menos o dos inocentes?

A Liturgia da Palavra deste 5.º Domingo do Tempo Comum ilumina este grande problema que nos preocupa.

 

Acto penitencial

 

Por nossa culpa, o sofrimento que aparece na nossa vida para mais nos aproximarmos de Deus, leva-nos a afastarmo-nos d’Ele, porque desconfiamos, porque não o aceitamos ou porque não o sabemos oferecer e, no fim de tudo, porque é débil a nossa fé.

Por tudo queremos pedir perdão ao Senhor e prometer emenda de vida, ajudados pela Sua graça.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Quando temos algum sofrimento físico ou moral,

    desconfiamos do Vosso amor em vez de Vos implorarmos ajuda.

    Senhor, misericórdia.

 

    Senhor, misericórdia.

 

•   Cristo: O egoísmo em que nos encerramos muitas vezes na vida,

    torna-nos insensíveis ao sofrimento daqueles com quem vivemos.

    Cristo, tende misericórdia.

 

    Cristo, tende misericórdia.

 

•   Senhor Jesus: O horror que sentimos ao que nos pede sacrifício

    leva-nos a deixar de fazer o bem e a desobedecer à Vossa Lei.

    Senhor, misericórdia.

 

    Senhor, misericórdia.

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Guardai, Senhor, com paternal bondade a vossa família; e, porque só em Vós põe a sua confiança, defendei-a sempre com a vossa protecção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Job, gravemente doente da lepra, depois de ter perdido tudo, lamenta o seu sofrimento diante do Senhor.

Procuremos o Senhor quando a cruz pesar mais sobre os nossos ombros, e seremos confortados.

 

Job 7, 1-4.6-7

1Job tomou a palavra, dizendo: «Não vive o homem sobre a terra como um soldado? Não são os seus dias como os de um mercenário? 2Como o escravo que suspira pela sombra e o trabalhador que espera pelo seu salário, 3assim eu recebi em herança meses de desilusão e couberam-me em sorte noites de amargura. 4Se me deito, digo: ‘Quando é que me levanto?’ Se me levanto: ‘Quando chegará a noite?’ e agito-me angustiado até ao crepúsculo. 6Os meus dias passam mais velozes que uma lançadeira de tear e desvanecem-se sem esperança. 7Recordai-Vos que a minha vida não passa de um sopro e que os meus olhos nunca mais verão a felicidade».

 

Temos aqui um precioso texto do livro de Job, livro que não só põe dramaticamente o problema da dor, mas também a descreve de modo patético e com alto valor literário, como este dorido lamento na presente leitura.

1 «Vive… como um soldado». Uma outra tradução possível é a de S. Jerónimo seguida pela Nova Vulgata, mais expressiva, como a da recente tradução da Difusora Bíblica: «A vida do homem sobre a terra, não é uma vida de luta?» De facto, a palavra hebraica «tsabá» tanto pode significar serviço militar, como guerra ou luta. A tradução escolhida parece empobrecer o texto, pois nós hoje entendemos por vida de soldado uma coisa mais suave e pacífica do que então se entendia, ao passo que naquela época implicava grande sacrifício e grandes riscos.

 

Salmo Responsorial    Salmo 146 (147), 1-2.3-4.5-6 (R. cf. 3a ou Aleluia)

 

Monição: O Espírito Santo convida-nos a procurar refúgio no Senhor que sara e conforta os corações dilacerados pelo sofrimento.

Dóceis à inspiração do Senhor, façamos deste salmo a nossa oração confidente nas horas difíceis.

 

Refrão:        Louvai o Senhor, que salva os corações atribulados.

Ou:               Aleluia.

 

Louvai o Senhor, porque é bom cantar,

é agradável e justo celebrar o seu louvor.

O Senhor edificou Jerusalém,

congregou os dispersos de Israel.

 

Sarou os corações dilacerados

e ligou as suas feridas.

Fixou o número das estrelas

e deu a cada uma o seu nome.

 

Grande é o nosso Deus e todo-poderoso,

é sem limites a sua sabedoria.

O Senhor conforta os humildes

e abate os ímpios até ao chão.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo rejubila pela missão que lhe foi confiada pelo Senhor, depois da sua conversão às portas de Damasco.

Como ele, chamados a evangelizar, também nós havemos de repetir as suas palavras: Ai de mim se não anunciar o Evangelho!

 

1 Coríntios 9, 16-19.22-23

Irmãos: 16Anunciar o Evangelho não é para mim um título de glória, é uma obrigação que me foi imposta. Ai de mim se não anunciar o Evangelho! 17Se o fizesse por minha iniciativa, teria direito a recompensa. Mas, como não o faço por minha iniciativa, desempenho apenas um cargo que me está confiado. 18Em que consiste, então, a minha recompensa? Em anunciar gratuitamente o Evangelho, sem fazer valer os direitos que o Evangelho me confere. 19Livre como sou em relação a todos, de todos me fiz escravo, para ganhar o maior número possível. 22Com os fracos tornei-me fraco, a fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, a fim de ganhar alguns a todo o custo. 23E tudo faço por causa do Evangelho, para me tornar participante dos seus bens.

 

A leitura insere-se no contexto da questão da legitimidade de comer carnes sacrificadas aos ídolos e vendidas no mercado (1Cor 8, 1 – 10, 33); S. Paulo insiste na liberdade de espírito, que não se opõe à renúncia a legítimos direitos, dando o seu exemplo de prescindir de receber estipêndio pelo seu trabalho apostólico; no exercício da sua missão, ele não reivindica direitos, mas apenas considera o ingente dever de evangelizar, que o leva a exclamar: «ai de mim se não anunciar o Evangelho!», seguindo à risca o ensinamento de Jesus – «somos servos inúteis: fizemos apenas o que devíamos fazer» (Lc 17,10).

22-23 O zelo do Apóstolo fica patente em expressões lapidares, um lema para todos os apóstolos de todos os tempos: «tudo faço por causa do Evangelho». E de que maneira? Sendo «tudo para todos».

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 8, 17

 

Monição: Aclamemos o Senhor que Se deixou submergir no mar do sofrimento humano, para nos abrir as portas do Céu e nos ensinar a levar a nossa cruz.

Aclamemos o Evangelho da Salvação que proclama para nós estas maravilhas de Deus, cantando aleluia.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – Az. Oliveira, NRMS, 36

 

Cristo suportou as nossas enfermidades

e tomou sobre Si as nossas dores.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 1, 29-39

Naquele tempo, 29Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André. 30A sogra de Simão estava de cama com febre e logo Lhe falaram dela. 31Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los. 32Ao cair da tarde, já depois do sol-posto, trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos 33e a cidade inteira ficou reunida diante da porta. 34Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demónios. Mas não deixava que os demónios falassem, porque sabiam quem Ele era. 35De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu. Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar. 36Simão e os companheiros foram à procura d’Ele 37e, quando O encontraram, disseram-Lhe: «Todos Te procuram». 38Ele respondeu-lhes: «Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que Eu vim». 39E foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demónios.

 

Na primeira parte da leitura temos a cura da sogra de Simão, entenda-se Pedro, na sua terra, Cafarnaúm (vv. 30-31), uma cidade completamente destruída e hoje despovoada, que guarda as ruínas da casa de Pedro, sobre as quais se construiu recentemente uma bela igreja suspensa em forma de barco. Nunca se fala nos Evangelhos da mulher de Pedro, o que faz pensar que era viúvo; de qualquer modo, Pedro e os Apóstolos deixaram tudo para seguirem a Jesus. O celibato dos ministros da Igreja procede da genuína tradição apostólica, que se manteve íntegra na Igreja latina (ver estudo exaustivo de C. COCHINI, Origines apostoliques du célibat sacerdotal, Ed. Lethielleux, Paris-Namur 1981) .

31 «A febre deixou-a», isto é, foi curada imediatamente duma doença física; outra interpretação carece de base textual.

34 «Não deixava que os demónios falassem». A atitude de Jesus corresponde ao chamado segredo messiânico, muito sublinhado nos Sinópticos, mas mais insistentemente em Marcos. O facto de Jesus contrariar a publicidade não revela apenas a sua humildade, mas sobretudo o cuidado para que a sua missão não viesse a ser interpretada como um messianismo terreno; assim evita de raiz a agitação popular à sua volta. Também se pode ver uma certa intencionalidade teológica de Marcos ao insistir tanto no segredo messiânico, se consideramos que a estrutura do seu Evangelho referente ao ministério na Galileia aparece dividida em duas grandes partes à volta do tema da incompreensão e cegueira: na 1ª parte, a dos homens (1, 14 – 8, 30), na 2ª, a dos discípulos (8,31 – 10,52). É possível que a insistência no segredo correspondesse à intencionalidade teológica do redactor Marcos ao pôr em relevo a incompreensão acerca da pessoa e missão de Jesus, mas sem viciar em nada o valor do relato, como pretendia o crítico protestante alemão W. Wrede no princípio do sec. XX.

35 «Retirou-se para um sítio ermo e aí começou a orar». Teoricamente Jesus não teria necessidade de se retirar para estar em diálogo com o Pai, mas os Evangelhos não se cansam de anotar os «retiros» de Jesus para orar (Lucas é quem mais sublinha esta atitude); estamos perante uma referência necessária para todos os seus seguidores, ao anunciarem o Evangelho. São João Paulo II confidenciava: «a oração é para mim a primeira tarefa e é como o primeiro anúncio; é a primeira condição do meu serviço à Igreja e ao mundo» (alocução em 7/10/79).

 

Sugestões para a homilia

 

• O mistério do sofrimento

A dor, nossa companheira

Dor, porquê?

Dor, para quê?

• Jesus ilumina o mistério da dor

O serviço do sofrimento

O cristão perante a dor

Sofrimento e vida interior

 

1. O mistério do sofrimento

 

a) A dor, nossa companheira. «Não vive o homem sobre a terra como um soldado? Não são os seus dias como os de um mercenário? Como o escravo que suspira pela sombra e o trabalhador que espera pelo seu salário, assim eu recebi em herança meses de desilusão e couberam-me em sorte noites de amargura».

O Livro de Job é um dos livros didáticos ou sapienciais do Antigo Testamento. Nele procura o Espírito Santo dar-nos a resposta possível antes da vinda de Cristo, à razão de ser do sofrimento humano, sobretudo do que padecem os inocentes.

Tratado sobre o sofrimento. Continuamos a perguntar: Porque sofremos? Para que sofremos? Que significado tem o sofrimento da nossa vida?

O Senhor apresenta-nos Job – um personagem misterioso e possivelmente fictício, do Antigo Testamento – e ao longo da narrativa tenta dar-nos luz sobre o problema.

Job é um homem que teve uma vida farta, confortável e feliz, mas perdeu os bens materiais, os filhos e a própria saúde, pois contrai a lepra, doença incurável naquela época.

Depois dos bens materiais, perdeu também o bom nome, porque a esposa e os amigos pensam que sofre o castigo de crimes secretos.

O homem sofredor queixa-se a Deus e compara a sua vida à de um soldado mercenário, assalariado. Um homem assim é continuamente mandado e tem o sustento garantido na medida em que obedecer. Nunca sabe nada do seu futuro, mas luta cada dia, sem conhecer o que vai ser o seu amanhã.

Soldados somos todos, afinal, porque a vida é um combate contra as nossas más inclinações e combatemos continuamente, para nos mantermos fiéis ao Senhor. Esta vida de soldado deve terminar em cada um de nós pela morte física, por uma vitória e um prémio.

O escravo suspira pela sombra que o defenda do sol abrasador; e procura o descanso de um trabalho sem horário. Somos um pouco de tudo isto, se nos olharmos sem a luz da fé.

Procurar o Senhor. No meio de tudo isto, Job dá-nos um grande exemplo: ele queixa-se a quem se deve queixar: ao Senhor. Animemo-nos a procurar o Senhor, passando algum tempo na Sua Presença, a pedir luz e coragem para levarmos a cruz.

Muitas vezes não somos confortados, sofremos sós e vivemos incompreendidos porque não procuramos o Único que nos podia compreender e consolar, porque nos ama infinitamente.

Algumas pessoas, mesmo quando têm boa vontade, desorientam-nos, porque olham para o que sofremos sem a luz da fé. Mais seguro é fazer oração e procurar no Senhor a razão e o conforto das nossas dores.

 

b) Dor, porquê? «Se me deito, digo: ‘Quando é que me levanto?’ Se me levanto: ‘Quando chegará a noite?’ E agito-me angustiado até ao crepúsculo

Esta inquietação contínua de Job aumenta com a incompreensão dos que lhe são mais próximos.

A dor não é castigo do pecado. Somos propensos a pensar, quando vemos alguém que sofre, que isto é castigo dos pecados pessoais. Assim julgava a mulher de Job. Em vez de o confortar, diz-lhe que, finalmente, ficou a descoberto a vida pecaminosa que ele ocultava. Na mesma linha de pensamento estão os amigos que o visitam.

Job protesta, em vão, contra estes julgamentos precipitados e injustos, pois não oculta qualquer maldade cometida.

A dor, na verdade, não é castigo do pecado. Neste mundo, tudo o que de menos agradável nos acontece, não pode ter qualquer sentido de castigo. Esta terra não é a pátria do castigo, mas da misericórdia. Tudo quanto nos acontece será um chamamento de Deus à fidelidade e ao amor, ou um pedido de ajuda solidária aos que precisam, mas nunca é um castigo.

Mesmo quando a pessoa teceu o sofrimento pelas suas próprias mãos, por uma conduta desregrada ou falta de cuidado, nem assim a doença e o sofrimento são castigo, mas chamamento divino ao amor e à fidelidade.

Deixam de ter sentido, portanto, certas formas de lamentação. As pessoas julgam que Deus é injusto, ao permitir que sofram.

As causas do sofrimento. Há o sofrimento físico e o sofrimento moral; e as causas dele podem ser muitas.

Consequência da natureza limitada. Não somos deuses, mas criaturas limitadas. Envelhecemos e o organismo começa a ter deficiências. A mesma limitação de compreender pode causar-nos dor. Cansamo-nos, temos fome e sede, adoecemos e sofremos moralmente.

No caso de Job, a maldade de Satanás foi a causa do seu sofrimento. Ele lançou um desafio a Deus sobre a paciência do santo varão do Antigo Testamento, e ele mortificou Job com a lepra, uma doença incurável, naquela época.

O comportamento dos outros para connosco, mesmo involuntário, pode ser outra das causas do nosso sofrer. A mulher e os amigos de Job aumentaram o seu sofrimento, ao julgá-lo injustamente.

O nosso próprio comportamento, cheio de erros, pode explicar algumas doenças e sofrimentos. Também o uso errado da liberdade humana é causa de sofrimento.

Não a indiferença ou impotência de Deus. Quando se encontram a braços com a cruz, alguns estranham que Deus os não oiça e cure e, como consequência, ou duvidam do Seu amor ou do Seu poder: ou não quer, “ou não pode curar-me ou resolver este problema.”

Por sua vez, o Inimigo aproveita a ocasião para inocular neles o veneno da dúvida e da desconfiança de Deus.

 

c) Dor, para quê? «Os meus dias passam mais velozes que uma lançadeira de tear e desvanecem-se sem esperança. – Recordai-Vos que a minha vida não passa de um sopro e que os meus olhos nunca mais verão a felicidade.»

Parece que Job perdeu toda a alegria de viver, e a vida aparece-lhe como inútil. Não nos acontece o mesmo, quando a cruz do sofrimento pesa sobre os nossos ombros?

Contemplada apenas com o olhar humano, a dor parece estar contra a bondade de Deus para connosco. Na hora da cruz, muitos perguntam: Se Deus é omnipotente e misericordioso, porque não acaba com o sofrimento, pelo menos o dos inocentes?

Não admira que à luz do Antigo Testamento, sem a luz que irradia da Cruz do Calvário, as pessoas não conseguissem ver mais nada no sofrimento do que um castigo dos pecados. Por isso, os Apóstolos perguntavam a Jesus, ao verem o cego de nascença? Quem pecou, para que este nascesse cego, ele ou os seus pais?

Para aqueles que não têm fé, a dor, moral ou física, é uma desgraça, uma maldição de que nos devemos libertar quanto antes. Somente na Paixão de Cristo o sofrimento humano recupera toda a riqueza do seu significado.

Mesmo assim, depois de três anos de catequese, Pedro protesta, quando Jesus anuncia a Sua Paixão e Morte e os três – Pedro, Tiago e João – que estiveram presentes no Tabor, durante a Transfiguração de Jesus, ao ouvirem Jesus falar da futura Paixão, não entenderam nada e guardaram um silêncio comprometedor.

À luz do Calvário, podemos vislumbrar a riqueza do sofrimento humano, quando acolhido como Deus quer.

Espaço de encontro com Deus. A dor é um momento muito próprio para repensarmos a nossa vida e nos reencontrarmos com Deus. Foi pregado na cruz que o bom ladrão se encontrou com Jesus Cristo.

Quantas pessoas correram desorientadas pelos caminhos do pecado e da mentira e se converteram quando se enfrentaram com uma doença ou uma contrariedade!

Fonte de merecimentos. Tudo quanto passa pela nossa vida, neste mundo, pode ser fonte de merecimento e bênção de Deus ou de condenação. Tudo depende do modo como o acolhemos. O martírio sofrido por amor, abre diretamente a porta do Céu ao mártir. Também as pequenas ou grandes cruzes de cada dia, aceites com resignação e amor, são uma fonte de merecimentos para nós e para os outros.

Fonte de reparação. Esta pode ser dos pecados próprios ou alheios. Deus fez da Sua Igreja um Corpo solidário no qual mutuamente nos ajudamos.

Na Mensagem e Fátima aparece com clareza uma verdade: a dor pode ser uma ajuda preciosa dada aos que estão em perigo de salvação. Além disso, Deus aceita-a como reparação pelos pecados próprios ou alheios, reparando o desequilíbrio que o mesmo pecado causou.

•  Identificação com Jesus crucificado. Quando abraçamos generosamente a cruz duma doença ou de uma contrariedade, identificamo-nos com Jesus Cristo na Cruz.

Depois de todas estas considerações, vale a pena ter presente que a repugnância ao sofrimento é natural. Só com uma graça especial podemos amar a cruz.

 

2.  Jesus ilumina o mistério da dor

 

a) O serviço do sofrimento. «Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama com febre e logo Lhe falaram dela. Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los.»

À luz da razão, o sofrimento pode parecer uma coisa descabida e até prejudicial, nas nossas relações com Deus e com as outras pessoas; mas à luz da fé, o sofrimento é um verdadeiro tesouro que devemos aproveitar o melhor possível.

É preciso pedir ajuda ao Espírito Santo para descobrir o seu valor e estudá-lo na oração, e não a ouvir o que as pessoas sem fé pensam dele, porque nos desorientam.

Tempo de solidariedade. Quando a cruz faz o seu aparecimento numa vida, Deus convida uns e outros a viverem mais intensamente a solidariedade.

– É uma ocasião propícia para viver a caridade para com os que sofrem, ouvindo-os e atendendo-os nas suas necessidades elementares. Uma doença estreita a comunhão das pessoas e perseveram nela quando a caridade é verdadeira.

– Também o que sofre pode viver uma providencial solidariedade, oferecendo o sofrimento pelas grandes intenções da Igreja.

Vale a pena recordar aqui o que Nossa Senhora dizia aos Pastorinhos de Fátima: “Vão muitas almas para o inferno, por não haver quem reze e se sacrifique por elas.”

 • Tempo de humildade. Quando sofremos tocamos mais de perto as nossas limitações e vemos mais claramente que precisamos de ajuda. Isto esvazia-nos de falsos complexos de superioridade e leva-nos a dobrar a cerviz, perdendo a falsa importância com que, por vezes, nos apresentamos diante dos outros.

Escola da paciência. As limitações a que nos vemos reduzidos pelo sofrimento físico e moral levam-nos a descobrir que a revolta contra a cruz nada adianta e que a impaciência agrava a situação.

Na doença, quando prolongada, há duas fases: uma inicial em que domina o desejo de se ver curado e se encara com impaciência o tempo de cura que se prolonga; numa segunda fase, a pessoa entra num certo abandono que poderia tornar-se indiferença perante a vida.

Espaço de encontro com Deus. Muitas pessoas, afastadas do caminho da salvação, acabam por se encontrarem com Deus na Cruz. O primeiro exemplo foi o do bom ladrão. A partir daí, os casos sucedem-se continuamente.

Isto acontece por graça do Senhor e também porque o sofrimento conduz-nos a encarar a vida com realismo. Dissipam-se muitos sonhos banais e sem sentido; e compreendemos então que a vida é caminho para a eternidade.

Muitas vezes, este encontro pode ser preparado por uma pessoa amiga que lealmente ajuda a pessoa doente ou em sofrimento moral a reencaminhar a sua vida.

 

b) O cristão perante a dor. «Ao cair da tarde, já depois do sol-posto, trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos e a cidade inteira ficou reunida diante da porta. Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demónios.»

Devemos procurar a saúde. Quando os Pastorinhos se entregaram generosamente à mortificação, pela conversão dos pecadores e atavam fortemente uma corda à cintura, de modo que não conseguiam dormir, por causa das dores que ela causava, Nossa Senhora apressou-se a instruí-los, na aparição de setembro: “Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que dormais com a corda.”

Mas há momentos em que o sofrimento é inevitável, se queremos não ofender ao Senhor. Neste caso, a opção deve ser pela cruz. A virtude e o dom da fortaleza levam-nos a enfrentar situações difíceis para vivermos a fidelidade à nossa aliança batismal.

Sem medo à dor. Vivemos numa época de autêntico pavor ao que nos pede algum incómodo.

Este ambiente acaba por deformar a consciência. Muitos cristãos partem do princípio de que Deus não pode pedir algo que nos custa, porque – dizem – não estaria de acordo com a Sua bondade infinita. Como consequência, estabelecem deste modo os seus critérios: “Deus não pode pedir uma coisa que custa sacrifício; portanto, não me pede isto.” É um raciocínio errado.

Resignação. A Igreja não nos recomenda passivismo diante do sofrimento. Havemos de procurar todos os meios lícitos para o eliminar. Deus quer que procuremos remédio para os nossos males. Quando estamos doentes, devemos consultar o médico e submeter-nos às suas indicações. Quando há um mal entendido que nos faz sofrer, devemos procurar esclarecer tudo, se é possível.

Mas se for da vontade de Deus que continue, então havemos de o aceitar com resignação e abraçar a cruz com alegria.

Partilhar. Somos membros de uma família solidária na qual recebemos e damos ajuda uns aos outros.

Também o nosso sofrimento – ou melhor, os merecimentos que nos traz – podem ser partilhados, oferecendo-os pelas grandes intenções que a Igreja nos recomenda.

Os Pastorinhos de Fátima deram-nos um exemplo luminoso sobre isto, oferecendo os sofrimentos voluntários e involuntários pela conversão dos pecadores e em desagravo dos sagrados Corações de Jesus e de Maria.

Caridade para com os outros. É muito importante evitar lamentações exageradas a quem não pode resolver os nossos problemas.

Evitemos também, quando sofremos, dar trabalho desnecessário. Às vezes nasce em nós um desejo secreto de nos tornarmos o centro das atenções, quando sofremos, buscando as consolações dos homens, e não as de Deus.

 

c) Sofrimento e vida interior. «De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu. Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar. Simão e os companheiros foram à procura d’Ele e, quando O encontraram, disseram-Lhe: “Todos Te procuram”. Ele respondeu-lhes: “Vamos a outros lugares»

Depois de atender as multidões em tudo o que Lhe pediam, Jesus retirou-se para um lugar solitário onde pudesse fazer oração.

Recebemos d’Ele o bom exemplo de entrelaçar a Sua atividade apostólica com a oração, ajudando-nos a compreender o quanto ela é importante e imprescindível na nossa vida.

A necessidade dela aparece-nos mais premente quando sofremos ou precisamos de ajudar os que sofrem. Sem a visão sobrenatural que a oração nos dá, cairíamos facilmente numa visão superficial da nossa vida.

Oração e sofrimento. Em vez de nos queixarmos às outras pessoas, quando tivermos uma contrariedade ou doença, façamos oração. Ela dá-nos uma visão de fé desta realidade e levantar-nos-emos mais animados e corajosos para levar a nossa cruz.

Foi na cruz do leito, com uma paralisia progressiva que a imobilizou durante anos, que a Beata Alexandrina Maria descobriu o valor da oração e, por ela, do seu sofrimento.

Quando Deus permite que nos aflija uma contrariedade ou doença, não o faz para que nos afastemos d’Ele, mas para que avancemos na intimidade com Ele, por meio da oração humilde e confiante.

Muitas vezes, pensamos que a nossa oração, quando estamos doentes ou temos uma dificuldade que nos mortifica, tem de ser exclusivamente de petição, de súplica para que Deus retire a cruz dos nossos ombros.

Havemos de pedir também que aumente a nossa fé, dizendo como o cego: Senhor, que eu veja! Agradeçamos a cruz e peçamos a graça de se realizarem em nós os Seus desígnios de misericórdia.

Ao serviço dos que sofrem. Os Apóstolos diziam a Jesus que todos andavam à Sua procura. Andam também à nossa procura os que têm alguma cruz, para que os confortemos com as verdades da fé e com a ajuda possível nas suas dores.

Que nunca ninguém ao nosso lado possa queixar-se, como o paralítico da piscina probática: Não tenho ninguém que me ajude!

Por sua vez, os que sofrem podem oferecer uma ajuda à Igreja e aos seus irmãos, oferecendo a cruz por intenções concretas. Deste modo, descobrem que a sua vida não é inútil, nem muito menos um peso para os que os tratam.

Confiemos no amor de Deus. A fé na nossa filiação divina ensina-nos que nada nos acontece na vida sem que o Senhor, pelo menos, o consinta. E quando Ele consente é porque vê que daí podemos extrair um tesouro para nós e para os outros.

Se não nos deixarmos embalar por esta confiança elementar, a dor acabará por nos desorientar e encher de dúvidas contra a fé.

Jesus deixou-nos um exemplo luminoso: quando a Paixão estava a ponto de desabar sobre os Seus ombros, refugiou-Se no Pai, orando confiadamente no Horto das Oliveiras.

Repitamos ao Senhor, na nossa oração, as palavras da Santíssima Virgem quando encontrou Jesus no templo, depois de um sofrimento imenso ao procurá-l’O durante três dias e três noites: Senhor, porque me fizeste assim?

 

 

Fala o Santo Padre

 

«O anúncio do Reino de Deus por parte de Jesus reencontra o seu lugar mais apropriado no caminho.

O caminho, coloca a missão da Igreja sob o sinal do “ir”, do “movimento” e nunca da imobilidade.»

 

O Evangelho deste domingo continua a descrição de um dia de Jesus em Cafarnaum, um sábado, festa semanal para os judeus (cf. Mc 1, 21-39). Desta vez o Evangelista Marcos põe em relevo a relação entre a atividade taumaturga de Jesus e o despertar da fé nas pessoas que encontra. De facto, com os sinais de cura que realiza para os doentes de todos os tipos, o Senhor quer suscitar a fé como resposta.

O dia de Jesus em Cafarnaum começa com a cena do povo da cidade inteira que se concentra diante da casa onde Ele estava alojado, para lhe levar todos os doentes. A multidão, marcada por sofrimentos físicos e por misérias espirituais, constitui, por assim dizer, “o ambiente vital” no qual se realiza a missão de Jesus, feita de palavras e de gestos que curam e confortam. Jesus não veio trazer a salvação a um laboratório; não faz pregações de laboratório, afastado das pessoas: está no meio da multidão! No meio do povo! Pensai que a maior parte da vida pública de Jesus foi vivida na rua, entre as pessoas, para pregar o Evangelho, para curar as feridas físicas e espirituais. É uma humanidade sulcada por sofrimentos, esta multidão, da qual o Evangelho fala tantas vezes. É uma humanidade sulcada por sofrimentos, fadigas e problemas: é a esta humanidade pobre que se destina a ação poderosa, libertadora e renovadora de Jesus. Assim, no meio da multidão até noite funda, conclui-se aquele sábado. E o que faz depois, Jesus?

Antes da alvorada do dia seguinte, Ele, sem ser visto, sai pela porta da cidade e retira-se num lugar apartado para rezar. Jesus reza. Desta maneira subtrai também a sua pessoa e a sua missão a uma visão triunfalista, que interpreta mal o sentido dos milagres e do seu poder carismático. Com efeito, os milagres são “sinais”, que convidam à resposta da fé; sinais que estão sempre acompanhados pelas palavras, que os iluminam; e juntos, sinais e palavras, suscitam a fé e a conversão mediante a força divina da graça de Cristo.

A conclusão do excerto de hoje (vv. 35-39) indica que o anúncio do Reino de Deus por parte de Jesus reencontra o seu lugar mais apropriado no caminho. Aos discípulos que o procuram para o reconduzir à cidade — os discípulos foram ter com Ele onde rezava e queriam que voltasse para a cidade — o que responde Jesus? «Vamos às aldeias vizinhas, para que eu ali também pregue» (v. 38). Foi este o caminho do Filho de Deus e será este o caminho dos seus discípulos. E deverá ser o caminho de cada cristão. O caminho, como lugar da boa nova do Evangelho, coloca a missão da Igreja sob o sinal do “ir”, do caminho, sob o sinal do “movimento” e nunca da imobilidade.

A Virgem Maria nos ajude a ser abertos à voz do Espírito Santo, que estimula a Igreja a armar cada vez mais a sua tenda no meio das pessoas para levar a todos a palavra restabelecedora de Jesus, médico das almas e dos corpos.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 4 de fevereiro de 2018

 

Oração Universal

 

Caríssimos fiéis da Igreja de Jesus Cristo:

Oremos por todos os que sofrem no mundo,

cheios de angústias, desânimos e tristezas,

e elevando ao Pai celeste a nossa voz suplicante,

Oremos (cantando), de coração sincero:

 

    Escutai, Senhor, a oração do vosso povo.

 

1. Pelo Santo Padre e pelo nosso Bispo com o seu presbitério,

    para que iluminem com a doutrina a vida dos que sofrem,

    oremos, irmãos.

 

    Escutai, Senhor, a oração do vosso povo.

 

2. Pelos missionários e missionárias enviados a outros povos,

    para que a fé o amor a Jesus Cristo fortaleça a sua esperança.

    oremos, irmãos.

 

    Escutai, Senhor, a oração do vosso povo.

 

3. Por todos nós aqui reunidos na Celebração da Santa Missa,

    para que nos ajudemos a aliviar a cruz daqueles que sofrem,

    oremos, irmãos.

 

    Escutai, Senhor, a oração do vosso povo.

 

4. Pelas nossas famílias e por todos que estão em dificuldades,

    para que a sua cruz a todos aproxime do amor de Jesus Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Escutai, Senhor, a oração do vosso povo.

 

5. Pelas viúvas e pelos órfãos, e pelos que são doentes incuráveis,

    para que descubram no sofrimento o sinal do amor de Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Escutai, Senhor, a oração do vosso povo.

 

6. Pelos nossos irmãos defuntos à espera dos nossos sufrágios,

    para que o Senhor os acolha quanto antes na alegria do Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Escutai, Senhor, a oração do vosso povo.

 

Deus omnipotente e cheio de misericórdia,

que, em vosso Filho, percorrestes os nossos caminhos

e libertastes dos males os doentes que O procuravam,

ouvi a súplica da vossa Igreja aqui em oração

e socorrei-nos sem demora no que Vos suplicamos.

Por Nosso Senhor Jesus cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Jesus Cristo, a presidir a esta celebração da Santa Missa, tornado visível aos nossos olhos, pelo sacerdote ministerial, prepara agora o pão e o vinho que levamos ao altar para o transubstanciar no Seu Corpo e Sangue e oferecer-no-lo como Alimento divino.

 

Cântico do ofertório: Aceitai, Senhor, a nossa alegria – M. Carneiro, NRMS, 73-74

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que criastes o pão e o vinho para auxílio da nossa fraqueza concedei que eles se tornem para nós sacramento de vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 14

 

Saudação da Paz

 

A guerra, não apenas a que se estabelece entre as nações, mas também entre as pessoas e as famílias, difunde muita injustiça e sofrimento desnecessários. 

Procuremos construir a paz no meio em que vivemos, evitando tudo o que pode levar o sofrimento desnecessário aos outros.

 

Monição da Comunhão

 

Cristo morre na Cruz para ser nosso Alimento divino na Santíssima Eucaristia e, ao mesmo tempo, fortalece-nos para levarmos a cruz de cada dia.

Comunguemos todas as vezes que nos for possível, desde que estejamos em condições de o fazer. A sagrada Comunhão não um prémio, mas uma necessidade de todos os dias.

 

Cântico da Comunhão: Brilhe a vossa luz diante dos homens – M. Simões, NRMS, 63

Salmo 106, 8-9

Antífona da comunhão: Dêmos graças ao Senhor pela sua misericórdia, pelos seus prodígios em favor dos homens, porque Ele deu de beber aos que tinham sede e saciou os que tinham fome.

 

Ou

Mt 5, 5-6

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

 

Cântico de acção de graças: Dêmos graças ao Senhor – A. Cartageno, CEC II, (pg 27)

 

Oração depois da comunhão: Deus de bondade, que nos fizestes participantes do mesmo pão e do mesmo cálice, concedei que, unidos na alegria e no amor de Cristo, dêmos fruto abundante para a salvação do mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Evitemos aumentar o sofrimento dos no dia a dia com o nosso mau humor, a incompreensão ou o esquecimento dos seus problemas.

 

Cântico final: Eu quero viver na tua alegria – H. Faria, NRMS, 11-12

 

 

Homilias Feriais

 

5ª SEMANA

 

2ª Feira, 8-II: Um mundo melhor.

Gen 1, 1-19 / Mc 6, 53-56

No princípio, Deus criou o céu e a terra.

Fruto da bondade divina, a criação partilha dessa bondade. Deus viu que era bom (LT). Porque a criação é querida por Deus como um dom orientado para o homem, como herança que lhe é destinada e confiada. Como são grandes as vossas obras (SR). A Igreja já em várias ocasiões recordou a bondade da criação, mesmo a do mundo material.

Com a ajuda de Cristo podemos colaborar na edificação de um mundo melhor. Quantos lhe tocaram ficaram curados (EV). Precisamos aproximar-nos dEle, para que as coisas da terra readquiram a sua bondade original, especialmente através do trabalho.

 

3ª Feira, 9-II: A dignidade do homem.

Gen 1, 20- 2. 4 / Mc 7, 1-13

Disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.

O relato da criação inteira, e do homem em particular (LT), constitui uma manifestação do amor de Deus. Fizestes dele quase um ser divino, destes-lhe poder sobre a obra das vossas mãos (SR). De algum modo, Deus uniu o homem à obra da criação.

Esta dignidade do homem alcança o seu ponto mais alto, com a Encarnação do Senhor. Com efeito, pela sua Encarnação, o Filho de Deus uniu-se de alguma maneira a todo o homem, porque Ele trabalhou com mãos humanas, agiu com vontade humana e amou com um coração humano.

 

4ª Feira, 10-II: A dignidade do trabalho.

Gen 2, 4-9. 15-17 / Mc 7, 14-23

O Senhor Deus plantou um jardim no Éden, a Oriente, e aí colocou o homem que formara.

Sinal da familiaridade do homem com Deus é o facto de Deus o colocar no jardim do Éden. E o homem ali viveu a fim de o cultivar e guardar (LT). Se mandais o vosso Espírito renovais a face da terra (SR). O trabalho não é um castigo, mas a colaboração do homem e da mulher com Deus no aperfeiçoamento da criação visível.

 Além desta colaboração material, é também um instrumento ao serviço da Redenção, a partir do momento em que Cristo trabalhou com mãos humanas. O mesmo sucedeu com Nossa Senhora e S. José e, mais tarde, com os primeiros discípulos.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Fernando Silva

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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