Apresentação do Senhor

2 de Fevereiro de 2021

 

Festa

 

BÊNÇÃO E PROCISSÃO DAS VELAS

 

 

Primeira forma: Procissão

 

 

1.   À hora marcada, reúnem-se os fiéis numa igreja secundária ou noutro local apropriado, fora da igreja para a qual se dirigirá a procissão. Os fiéis têm nas mãos as velas apagadas.

 

2.   O sacerdote aproxima-se, acompanhado dos ministros, revestido com paramentos brancos como para a Missa. Em vez da casula pode levar o pluvial, que deporá no fim da procissão.

 

3.   Enquanto se acendem as velas, canta-se a antífona: O Senhor virá com poder e iluminará os olhos dos seus servos. Aleluia, ou outro cântico apropriado.

 

4.   O sacerdote saúda a assembleia como habitualmente e em seguida faz uma breve admonição para exortar os fiéis a celebrarem activa e conscientemente este rito festivo. Para isso, pode dizer estas palavras ou outras semelhantes:

 

Caríssimos irmãos:

Celebrámos com muita alegria, há quarenta dias, a solenidade do Natal do Senhor.

Hoje é o santo dia em que Jesus foi apresentado no templo por Maria e José. Exteriormente cumpria as prescrições da lei, mas na realidade vinha ao encontro do seu povo fiel.

Aqueles dois santos velhos, Simeão e Ana, tinham vindo ao templo sob a inspiração do Espírito Santo; iluminados pelo Espírito, reconheceram o Senhor e anunciavam-no a todos com entusiasmo.

Também nós, aqui reunidos pelo Espírito Santo, caminhemos para a casa do Senhor ao encontro de Cristo. Aí O encontraremos e O reconheceremos na fracção do pão, enquanto aguardamos a sua vinda gloriosa.

 

 

5.   Terminada a admonição, o sacerdote procede à bênção das velas, dizendo de mãos juntas:

 

Oremos:

Senhor nosso Deus, fonte e origem de toda a luz, que neste dia mostrastes ao santo velho Simeão a luz que veio para se revelar às nações, humildemente Vos suplicamos: santificai com a vossa + bênção estas velas e ouvi a oração do vosso povo que se reuniu para as levar solenemente em honra do vosso nome, de modo que, seguindo sempre o caminho da virtude, chegue um dia à luz que jamais se extingue. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Ou então

 

Oremos:

Senhor Deus, fonte e origem da luz eterna, infundi no coração dos fiéis a claridade da luz que não tem ocaso, para que todos nós, iluminados no vosso templo santo pelo esplendor destas luzes, mereçamos chegar um dia à luz da vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

E asperge as velas com água benta sem dizer nada.

 

6.   Seguidamente, o sacerdote recebe a vela que está preparada para ele e dá início à procissão, dizendo:

 

Caminhemos em paz ao encontro de Cristo.

 

7.   Durante a procissão, canta-se a seguinte antífona com o respectivo cântico, ou outro cântico apropriado:

 

Antífona:     Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

Agora, Senhor, segundo a vossa palavra,

deixareis ir em paz o vosso servo.

 

Antífona:     Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

Os meus olhos viram a salvação

que oferecestes a todos os povos.

 

Antífona:     Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

8.   Ao entrar a procissão na igreja, canta-se a antífona de entrada da Missa. O sacerdote, depois de chegar ao altar, faz a devida reverência e, se parecer oportuno, incensa-o. Depois vai para a sua sede; ali, depõe o pluvial (se foi usado na procissão) e veste a casula.

 

Segue-se o canto do Glória, depois do qual, como de costume, diz a Oração Colecta. A Missa continua na forma habitual.

 

 

Segunda forma: Entrada Solene

 

9.   Os fiéis reúnem-se na igreja com as velas na mão. O sacerdote, revestido de paramentos brancos, acompanhado dos ministros e de uma representação da assembleia, dirige-se para o lugar mais conveniente, à porta da igreja ou dentro dela, onde ao menos uma grande parte dos fiéis possa ver facilmente o rito e participar nele.

 

10. Quando o sacerdote tiver chegado ao lugar destinado para a bênção das velas, acendem-se as velas, enquanto se canta a antífona O Senhor virá com poder, ou outro cântico apropriado.

 

11. Em seguida, o sacerdote, depois da saudação e da admonição, procede à bênção das velas, como acima se indica (nn. 4-5). Segue-se a procissão em direcção ao altar, durante a qual se canta a antífona própria ou um cântico apropriado (nn. 6-7). Para a Missa, observe-se o que está indicado no n. 8.

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Recordamos, ó Deus – C. Silva, OC, pg 222

Salmo 47, 10-11

Antífona de entrada: Recordamos, Senhor, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Toda a terra proclama o louvor do vosso nome, porque sois justo e santo, Senhor nosso Deus.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Neste dia da Apresentação do Senhor somos convidados a acolher Jesus Cristo de forma responsável, autêntica e frutuosa.

É também “Dia da Vida Consagrada”, em que à maneira de Jesus, todos os consagrados e consagradas são convidados a acolher Jesus Cristo com docilidade e alegria e a fazer da própria vida um dom de amor, um testemunho comprometido.

Em cada Eucaristia, Jesus, de maneira ainda mais despojada, humilde e pobre se torna presente, vivo. Ele quer o teu coração semelhante ao de Maria, ao de José, ao de Simeão e ao de Ana.

Felizes são os teus olhos porque O vêem; felizes as tuas mãos porque tocam os sinais da Sua entrega; feliz a tua boca, que de forma encantadora, fala com desassombro dEle a todos; formosa é a tua vida que aquece e ilumina; formoso o teu testemunho. Cristo precisa de ti!

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, humildemente Vos suplicamos que, assim como o vosso Filho Unigénito foi neste dia apresentado no templo, revestido da natureza humana, assim também, de alma purificada, nos apresentemos diante de Vós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Eis o Senhor, o Anjo da Aliança. Eis o nosso libertador e salvador.

 

Malaquias 3, 1-4

2Assim fala o Senhor Deus: «Vou enviar o meu mensageiro, para preparar o caminho diante de Mim. Imediatamente entrará no seu templo o Senhor a quem buscais, o Anjo da Aliança por quem suspirais. Ele aí vem–diz o Senhor do Universo –. 2Mas quem poderá suportar o dia da sua vinda, quem resistirá quando Ele aparecer? Ele é como o fogo do fundidor e como a lixívia dos lavandeiros. 3Sentar-Se-á para fundir e purificar: purificará os filhos de Levi, como se purifica o ouro e a prata, e eles serão para o Senhor os que apresentam a oblação segundo a justiça. 4Então a oblação de Judá e de Jerusalém será agradável ao Senhor, como nos dias antigos, como nos anos de outrora.

 

A leitura é um pequeno extracto da passagem (2,17 – 3,5) relativa aos tempos escatológicos – o dia do Senhor –, em que se dará uma radical purificação do sacerdócio («os filhos de Levi», v. 3). A ária do Messias de Händel, But who may abide seguida do coro destaca esta vinda para purificar.

1 «O mensageiro» e o «Anjo da Aliança». Este texto, que poderia ter várias interpretações no original, vem a ser decodificado no Novo Testamento. Em Mc 1,2; 11,10; 7,27, «o mensageiro» é Elias como a figura do Baptista. Por outro lado, «o Senhor», «o Anjo da Aliança por quem suspirais», é Jesus (Lc 2,22-40), cuja Apresentação no Templo hoje festejamos; a Liturgia também dá a Cristo o titulo de Santo Anjo (cânone romano). Tenha-se em conta que, por vezes, no Antigo Testamento, se designa com o nome de Anjo o próprio Deus que se manifesta: assim em Gn 16,7.13 e Ex 3,2, etc.. Nestes casos, «anjo» não tem o sentido corrente de enviado de Deus, mas o de presença ou manifestação visível de Deus.

 

Salmo Responsorial    Salmo 23 (24), 7.8.9.10 (R. 10b)

 

Monição: Descobre esse Rei na simplicidade, na humildade e nas vidas que irradiam Sua luz. Ama, segue e serve esse Rei!

 

Refrão:        O Senhor do Universo é o Rei da Glória

 

Levantai, ó portas, os vossos umbrais,

alteai-vos, pórticos antigos,

e entrará o Rei da glória.

 

Quem é esse Rei da glória?

O Senhor forte e poderoso,

o Senhor poderoso nas batalhas.

 

Levantai, ó portas, os vossos umbrais,

alteai-vos, pórticos antigos,

e entrará o Rei da glória.

 

Quem é esse Rei da glória?

O Senhor dos Exércitos,

é Ele o Rei da glória.

 

 

Segunda Leitura

 

Monição: Jesus participou da nossa natureza para ajudar, expiar e libertar.

 

 

Hebreus 2,14-18

14Uma vez que os filhos dos homens têm o mesmo sangue e a mesma carne, também Jesus participou igualmente da mesma natureza, para destruir, pela sua morte, aquele que tinha poder sobre a morte, isto é, o diabo, 15e libertar aqueles que estavam a vida inteira sujeitos à escravidão, pelo temor da morte. 16Porque Ele não veio em auxílio dos Anjos, mas dos descendentes de Abraão. 17Por isso devia tornar-Se semelhante em tudo aos seus irmãos, para ser um sumo sacerdote misericordioso e fiel no serviço de Deus, e assim expiar os pecados do povo. 18De facto, porque Ele próprio foi provado pelo sofrimento, pode socorrer aqueles que sofrem provação.

 

Este trecho de Hebreus – para ser lido nos anos em que a festa coincide com um domingo – foi escolhido tendo em vista que em Jesus se cumpre plenamente o anúncio de Malaquias (cf. 1ª leitura) de uma renovação radical do sacerdócio, com a instituição da nova aliança com o seu sangue, tendo já entrado de uma vez para sempre no santuário (8,1-2), figurado no Templo. A apresentação de Jesus no Templo tem um profundo significado simbólico.

18 Aqui está uma ideia em que se insiste na Epístola aos Hebreus: Jesus Cristo, sujeitando-se à provação e padecendo, tomando sobre Si todas as nossas fraquezas, excepto o pecado (4,15), está em condições de nos prestar ajuda a nós que sofremos as mesmas contrariedades. É este um extraordinário motivo de confiança em Jesus Cristo, na sua ajuda omnipotente, na sua mediação em que concilia a misericórdia para connosco com a fidelidade para com o Pai, na sua missão de expiar os pecados do povo (v. 17). ]

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 2, 32

 

Monição: Maria e José apresentam o Dom do Filho de Deus. Ficam maravilhados pelo que Deus opera nas suas vidas e nas vidas de tantas pessoas que se deixam envolver pela Sua luz e ternura.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – J. Berthier, COM, pg 112

 

Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

 

Evangelho *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Lucas 2, 22-40          Forma breve: São Lucas 2, 22-32

22Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, 23como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», 24e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. 25Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel e o Espírito Santo estava nele. 26O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor 27e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, 28Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: 29«Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, 30porque os meus olhos viram a vossa salvação, 31que pusestes ao alcance de todos os povos: 32luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo».

[33O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. 34Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição – 35e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». 36Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada 37e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. 38Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. 40Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.]

 

A ida de Maria a Jerusalém para cumprir a lei da purificação das parturientes (Lv 12) serve de ocasião para que José e Maria procedam a um gesto que não estava propriamente prescrito pela Lei. Apresentar ali o Menino ao Senhor, é um gesto de oferta que mostra que Ele não lhes pertence e que se sentem meros depositários dum tesoiro de infinito valor. Pode também ver-se o sentido de imitação do gesto de Ana, mãe de Samuel (1Sam 1,11.22-28). Mas se a lei não preceituava a «apresentação», obrigava ao resgate do primogénito varão (não pertencente à tribo de Levi). Segundo Ex 13, o primogénito animal devia ser oferecido em sacrifício, ao passo que o primogénito humano devia ser resgatado, tudo isto em reconhecimento pelos primogénitos dos israelitas não terem sido sacrificados juntamente com os dos egípcios. O preço do resgate eram 5 siclos do santuário. Cada siclo de prata, no padrão do santuário, constava de vinte grãos com o peso total de 11,4 gramas. S. Lucas não fala deste resgate de 57 gramas de prata, que podia ser pago a qualquer sacerdote em qualquer parte da nação judaica; o evangelista apenas faz uma referência genérica ao cumprimento da Lei (v. 23; cf. Ex 13,2.12-13).

24 A lei da purificação atingia toda a parturiente, a qual contraía impureza legal durante 7 dias, se dava à luz um rapaz, (Ex 12,28, mas a jurisprudência judaica já tinha acrescentado mais 33 dias, um total de 40) e durante 14 dias, se tinha uma menina (tinha subido na época para 80 dias). No fim desse tempo, devia ser declarada pura mediante a oferta no templo duma rês menor (podia ser um cordeiro) e duma pomba ou rola. Quando a mãe não dispunha de meios para oferecer uma rês menor, podia oferecer um par de pombas ou rolas, como aqui se refere.

Tenha-se em conta que a «impureza legal ou ritual» não incluía a noção de pecado, ou de impureza moral. De modo particular todas as coisas relativas à transmissão da vida, mesmo no caso de serem moralmente boas, como a maternidade e o uso legítimo do matrimónio, ou moralmente indiferentes, como a menstruação e a polução nocturna, tornavam a pessoa impura, isto é, inapta para o culto de Deus Santo. A razão disto estava no carácter sagrado da vida e da sua transmissão. Parece que tudo isto implicava alguma perda de vitalidade, que devia ser reparada mediante certos ritos, para de novo poder entrar em comunhão com Deus, a plenitude e a fonte da vida. Estas leis tinham uma finalidade eminentemente didáctica: o povo de Israel era um povo santo, especialmente dedicado a Deus e ao seu culto, e em comunhão com Ele (cf. Ex 19,5-6; Lv 19,2). Todas as normas de pureza ritual faziam-no tomar constantemente consciência das suas relações particularíssimas com Deus e do sentido cultual da sua vida diária. A verdade é que a frequência e abundância dos ritos nem sempre foi alicerçada num coração dedicado a Deus, tendo degenerado no formalismo religioso tão denunciado pelos profetas e por Jesus Cristo (cf. Is 29,13; Mt 15,7-9).

Em face disto, o rito da Purificação de Maria, não pressupõe a aparência sequer de qualquer imperfeição moral ou legal da parte da SSª Virgem, como se poderia pensar. O gesto de Maria aparece como uma singular lição de naturalidade, de obediência e de pureza, cumprindo uma lei a que não estava sujeita, por ser a aeiparthénos, a sempre Virgem; Maria, a tão privilegiada, não quer para si um regime de excepção e privilégio.

25 «Simeão», de quem não temos mais notícias (em parte nenhuma se diz que era velho), aparece como um dos «piedosos» do judaísmo que esperava não um messias revolucionário (como os zelotas), mas o verdadeiro Salvador – «a consolação de Israel». Apesar do que se diz no v. 34, não parece ser sacerdote, não estando no serviço do templo, mas tendo vindo lá «movido pelo Espírito» (v. 27). Há quem o considere filho do grande rabino Hillel e pai do célebre Gamaliel I (Vacari; cf. Act 5,34; 22,3), mas sem provas convincentes.

33 A naturalidade com que S. Lucas chama a S. José «pai de Jesus» não implica qualquer contradição com o que antes afirmou em 1,26-38. Aqui visa o poder e missão paterna, de modo nenhum a ascendência carnal.

35 «Assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Estas palavras ligam-se a «sinal de contradição». É que, diante de Jesus, não há lugar para a neutralidade: a sua pessoa, a sua obra e a sua mensagem fazem com que os homens revelem o seu interior, tomando uma atitude pró ou contra; a aceitação e a fé será, para muitos, motivo de salvação, ou «ressurgimento espiritual» (de que «se levantem»), ao passo que a rejeição culpável será motivo de que muitos se condenem (de que «muitos caiam»).

36-37 Põe-se em relevo a longa viuvez de Ana, como algo digno de veneração.

38 Não se afasta do Templo: hipérbole para indicar a frequência diária.

39 Este v. corresponde a Mt 2,23, mas Lucas não relata a fuga para o Egipto.

40 A Teologia explicita que «o Menino crescia», não só na manifestação da sabedoria, mas também no conhecimento experimental.

 

Sugestões para a homilia

 

Apresentação do Filho de Deus e nossa apresentação.

Maria e José vivem a fé que molda todos os seus gestos, ritmos e atitudes. Eles têm consciência como Deus irrompe nas suas vidas de forma maravilhosa. Eles obedecem e se entregam em total confiança.

A cada passo são envolvidos por surpresas que os confirmam no grande mistério em que são agraciados, vinculados e comprometidos. Eles, sempre e sem reservas, doam as suas vidas ao serviço deste Menino, do Filho de Deus. Desde a Incarnação até à sua ressurreição acompanham todos os seus passos, crescendo na fé e entrega, sobretudo Maria, testemunha privilegiada e participante activa no mistério do Filho de Deus e Seu Filho.

A Apresentação do Senhor interpela profundamente cada um dos que se encontram com Ele. Assim necessariamente cada um se apresenta, diz de si, do sentido mais belo e profundo da sua pessoa e missão. Ou do sentido trágico da sua vida, na negação desta Luz e deste Amor. Ninguém ficará indiferente perante Ele: “Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição”.

Na incarnação foi o coração acolhedor, dócil, amável e disponível de Maria. Depois o coração de José. Certamente que o de Ana e Joaquim. Depois no nascimento, os Pastores, os Magos e tanta gente simples que se alegraram com as maravilhas deste nascimento. Agora, na apresentação deste Menino, recebem de Simeão e Ana gestos de ternura e palavras proféticas sobre o Filho do Altíssimo e Sua Mãe.

 

A lógica de Deus: Simeão e Ana.

Simeão espera a consolação de Israel. Personifica o “resto de Israel”: fiel, dócil ao Espírito Santo, capaz de ver as maravilhas de Deus e encher-se de profunda alegria pelo Deus feito Homem. Compreendeu bem a pessoa e a missão do Messias. Desse encontro essencial e fundamental já a sua vida se encheu em plenitude: “Agora, Senhor, deixareis ir em paz o vosso servo”.

As palavras de Simeão enchem o Coração de Maria de profunda alegria e de mistério profético. Tais palavras foram para Ela um estímulo para percorrer serenamente o caminho de Jesus, envolto desde os primeiros momentos, em sinais de mistério pascal, do qual Maria nunca se separaria, prosseguindo valente até à Cruz, e tornando-se Mãe de todos nós.

Assim também Ana, mulher frágil e pobre, servidora de Deus. Foi profundamente tocada por este Menino e foi incapaz de calar a sua profunda alegria e entusiasmo diante da Sua presença.

José viveu com intensidade estes momentos. Bebeu todas as palavras ditas e não ditas! Ficou marcado pelos gestos de Simeão e de Ana. Amou ainda mais Maria percebendo que lhe cabia uma parte exigente de dor e cruz. Sentiu imenso júbilo e ficou mais perplexo guardando em seu coração sábio as palavras de Simeão.

 

Hoje somos nós!

A descoberta de Deus que vem ao nosso encontro, o acolhimento da sua pessoa e missão, o compromisso pessoal com o seu mistério pascal, supõe:

Docilidade ao Espírito Santo que tem como missão ajudar-nos a descobrir a presença viva de Cristo. A fazer-nos saborear a grandeza de Deus, Senhor e Rei do universo, apresentado em nossa humanidade, para nos auxiliar, libertar, para ser sumo-sacerdote misericordioso que se oferece como vítima de expiação por nós. Ele torna-nos Jesus Cristo acessível, próximo e amigo.

Docilidade à Palavra de Deus que nos abre os horizontes da relação profunda que Deus estabelece connosco. Do fio condutor de uma história longa e fiel do seu amor. Da beleza de um Messias à maneira de Deus que vence pelo despojamento e pelo amor.

Docilidade para construir a vida e a sua caminhada na fé, na esperança, na piedade, na oração e nos sacrifícios. Isto é, crescer na robustez da personalidade, na sabedoria e na graça de Deus. A robustez da nossa personalidade que implica uma “vontade firme” revestida de misericórdia e ternura frente a um ambiente insosso, indiferente, frio e calculista.

Anunciar Jesus Cristo com desassombro, entusiasmo apostólico, santidade de vida. Sabendo que mais que as técnicas, os processos, a atração pelo novo, os meios, que sempre tudo isso importa, é sumamente importante a lógica de Deus que opera a partir do que aparentemente pouco vale e quase inútil, para a seu tempo dar frutos belos e duradoiros.

Ter um olhar como o de Simeão e de Ana. Mas esse olhar é cultivado pelo Espírito Santo, pela oração e pela graça. Olhar para ver num Menino pobre o próprio Deus: “no lugar onde vives, acolhendo os irmãos e irmãs com as suas pobrezas, como Simeão acolheu Jesus simples e pobre. Há muitos, hoje, que só veem nos outros obstáculos e complicações. Há necessidade de olhares que procurem o próximo, que aproximem quem está distante. Como homens e mulheres que vivem para imitar Jesus, os religiosos e as religiosas são chamados a tornar presente no mundo o olhar d’Ele, o olhar da compaixão, o olhar que vai à procura dos distantes, que não condena, mas encoraja, liberta, consola” (Papa Francisco, 02/02/2020).

 

 

Oração Universal

 

Convocados pelo Espírito Santo

para celebrar a Apresentação do Senhor,

unamo-nos a Maria e a José,

a fim de sermos nós também apresentados a Deus Pai,

dizendo (ou: cantando), com alegria:

R. Iluminai-nos, Senhor, com a luz de Cristo.

Ou: Iluminai, Senhor, o vosso povo.

 

1. Para que a Igreja, templo santo do Senhor

e sinal do encontro entre Deus e o homem,

leve às nações o Evangelho e a luz de Cristo,

oremos.

 

2. Para que Maria, mulher atenta à voz de Deus,

Esposa dedicada e Mãe solícita,

nos ensine a ser fiéis como ela,

oremos.

 

3. Para que os responsáveis pelas nações e suas leis

respeitem a igualdade dos cidadãos

e promovam o bem-estar de todos,

oremos.

 

4. Para que os idosos das nossas comunidades (paroquiais)

vejam em Cristo a salvação que Deus nos deu

e recebam o carinho dos seus filhos,

oremos.

 

5. Para que as jovens mães cristãs de todo o mundo

saibam oferecer os seus filhos ao Senhor

e ser para eles o que Maria foi para Jesus,

oremos.

 

6. Para que os membros da nossa família paroquial

e os que já partiram deste mundo

cantem sempre os louvores do Rei da glória,

oremos.

 

(Outras intenções).

 

Senhor, nosso Deus,

que em vosso Filho, apresentado no templo,

manifestastes ao mundo a luz das nações,

fazei que a vossa Igreja, iluminada pelo Espírito Santo,

cresça em santidade e se encha de sabedoria.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O Pão da vida eterna prometido – B. Salgado, C. T.

 

Oração sobre as oblatas: Senhor, que na vossa bondade quisestes que o vosso Filho Unigénito Se oferecesse a Vós como Cordeiro sem mancha pela vida do mundo, fazei que Vos seja agradável a oblação da vossa Igreja em festa. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente,

é verdadeiramente nosso dever,

é nossa salvação dar-Vos graças,

sempre e em toda a parte.

Hoje o vosso Filho, eterno como Vós,

é apresentado no templo

e proclamado pelo Espírito Santo

glória de Israel e luz das nações.

Por isso, vamos com alegria ao encontro do Salvador

e com os Anjos e os Santos proclamamos a vossa glória,

cantando numa só voz:

Santo, santo, santo…

 

Santo: A. Cartageno – ENPL, 15

 

Monição da Comunhão

 

Sou participante do encontro pessoal com Jesus Cristo, dom excelente que o Pai me confia e o Espírito Santo O torna vivo e presente, despertando todo o meu ser para O acolher e me comprometer com Ele.

Que eu saiba com toda a profundidade apreciar este mistério de grandeza inefável, na aparência da maior humildade, simplicidade e pobreza. Que me deixe envolver pela sabedoria da gratidão, pela alegria jubilosa e por um estilo de vida à maneira de Jesus Cristo.

Para isso posso fixar o meu olhar em Maria, José, Simeão e Ana. Assim terei um olhar que vê para além das aparências, dos preconceitos e das barreiras. Assim saberei também olhar e servir aqueles com quem Deus mais se identifica.

 

Cântico da Comunhão: Os meus olhos viram – C. Silva, OC, pg 204

Lc 2, 30-31

Antífona da comunhão: Os meus olhos viram a salvação que oferecestes a todos os povos.

 

Cântico de acção de graças: Senhor Tu és a luz – J. F. Silva, NRMS, 6

 

Oração depois da comunhão: Deus de bondade, que respondestes à esperança do santo Simeão, confirmai em nós a obra da vossa graça: assim como lhe destes a alegria de receber em seus braços, antes de morrer, a Cristo vosso Filho, concedei que também nós, fortalecidos por estes sacramentos, caminhemos ao encontro do Senhor e alcancemos a vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Depois desta celebração não poderei calar o Evangelho de Jesus Cristo. Devo proclamar em todos os âmbitos e espaços a maravilha que é Jesus Cristo. As pessoas e o mundo precisam desta Luz.

Que a minha vida de oração, de penitência, de alegria e de serviço aos pequeninos se torne uma luz que aquece e ilumina os corações, e os leva a apaixonarem-se por Jesus, Filho de Deus e de Maria.

Aprenda eu de Maria e de José, de Simeão e de Ana e de tantos outros, as maravilhas de Deus e a maravilha de uma vida tocada por esta Luz que tudo aquece, ilumina e incendeia.

 

Cântico final: Nossa Senhora da Luz – M. Faria, SP

 

 

Homilias Feriais

 

4ª Feira, 3-II: Fé e provações.

Heb 12, 4-7. 11-15 / Mc 6, 1-6

E não pode fazer ali nenhum milagre. Estava admirado pela falta de fé daquela gente.

Jesus entristece-se com a falta de fé dos seus conterrâneos (EV) e da pouca fé dos seus discípulos.

Como aceitamos as provações habituais? Não esqueçamos os seus conselhos. O Senhor corrige aquele que ama e castiga o filho que toma a seu cuidado. É para vossa correcção que tendes provações; é como filhos de Deus que vos trata (LT). A bondade do Senhor permanece para sempre (SR). Que a fé nos ajude a descobrir que as provações são uma prova do amor de Deus para connosco. Ele só quer o nosso bem.

 

5ª Feira, 4-II: Uma nova visão da doença e dos doentes

Heb 12, 18-19 / Mc 6, 7-13

 Os Apóstolos partiram e pregaram que era preciso cada um arrepender-se. Expulsavam muitos demónios, ungiam com óleo muitos doentes e curavam-nos.

Ao seguirem Jesus, os Apóstolos adquirem uma nova dimensão da doença e dos doentes (EV). Jesus associa-os à sua vida pobre e servidora. E fá-los participar do seu ministério de compaixão e de cura.

Com a doença e os sofrimentos aproximamo-nos da cidade da Jerusalém celeste (LT), isto é, da vida eterna: É o monte de Sião, a mansão divina (SR). Ajudemos os que padecem graves enfermidade, ou estão moribundos, animando-os a receberem a Unção dos doentes, insinuada nesta passagem: ungiam com óleo numerosos doentes (EV).

 

6ª Feira, 5-II: Participação no sacrifício de Cristo

Heb 13, 1-8 / Mc  6, 14-19

 E mandou imediatamente um guarda, com a ordem de trazer a cabeça de João Baptista.

Recordamos o martírio de João Baptista (EV), um relato que sempre emociona. O mesmo acontece com qualquer martírio. Mas devemos ficar igualmente impressionados com a Santa Missa, memoria da Paixão e Morte do Senhor, e com o banquete sagrado do Corpo e Sangue de Cristo, derramado pela remissão dos nossos pecados.

A Missa é também mais um sinal de que Deus está sempre ao nosso lado, oferecendo-se como vítima em vez de nós. Deus disse: Eu não te abandonarei nem te desampararei (LT). O Senhor é o protector da minha vida (SR)

 

Sábado, 6-II: O grande Pastor.

Heb 13, 15-17. 20-21 / Mc 6, 30-34

Foi o Deus da paz que retirou dos mortos aquele que, pelo sangue de uma Aliança eterna, é o Pastor das ovelhas.

A Missa é o santo sacrifício porque actualiza o único sacrifício do Salvador e inclui a oferenda da Igreja, ou ainda, o sacrifício da Missa, sacrifício de louvor (LT).

Pelo sangue derramado, Cristo é o Grande Pastor (LT). O Senhor é meu pastor, nada me faltará (SR). Meditando na sua entrega, procuremos ser mais capazes de fazer tudo o que é bom para cumprir sua vontade. E deixemos que Ele também nos instrua com a sua palavra (EV), o outro alimento por excelência da santa Missa.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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