3.º Domingo Comum

24 de Janeiro de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cantai ao Senhor um cântico novo – F. Santos, BML, 75-76 

Salmo 95, 1.6

Antífona de entrada: Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, terra inteira. Glória e poder na sua presença, esplendor e majestade no seu templo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Vimos encontrar-nos com Jesus nesta missa. Ele continua a anunciar-nos o Reino de Deus.

Preparemos o nosso coração convertendo-nos dos nossos pecados e avivando a nossa fé.

 

Oração colecta: Deus todo-poderoso e eterno, dirigi a nossa vida segundo a vossa vontade, para que mereçamos produzir abundantes frutos de boas obras, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus manda o profeta Jonas a Nínive, capital da Assíria, pregar o arrependimento dos pecados e aquela cidade pagã toma a sério a sua palavra e faz penitência. Deus desiste dos castigos que anunciara. É uma lição bem actual para nós.

 

 

Jonas 3, 1-5.10

1A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas nos seguintes termos: 2«Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive e apregoa nela a mensagem que Eu te direi». 3Jonas levantou-se e foi a Nínive, conforme a palavra do Senhor. Nínive era uma grande cidade aos olhos de Deus; levava três dias a atravessar. 4Jonas entrou na cidade, caminhou durante um dia e começou a pregar nestes termos: «Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída». 5Os habitantes de Nínive acreditaram em Deus, proclamaram um jejum e revestiram-se de saco, desde o maior ao mais pequeno. 10Quando Deus viu as suas obras e como se convertiam do seu mau caminho, desistiu do castigo com que os ameaçara e não o executou. 

 

O pequeno livro de Jonas é uma grande parábola em acção, para mostrar como Deus quer usar de misericórdia para com todo e qualquer pecador, mesmo estranho ao povo judeu, com a condição de que este se arrependa; para grandes males, grandes remédios, como é o caso do recurso a ameaças, que são uma pedagogia divina: «Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída» (v. 10). É deveras curioso, singular e significativo, que um livro situado no cânone dos Profetas não registe mais do que esta frase da pregação de Jonas. A verdade é que o ensinamento da obra não reside em palavras pregadas, mas nos factos relatados. A grande lição do livro está aqui: Deus tem misericórdia de todos os pecadores e quer que todos se salvem (cf. 1Tim 2,4), mesmo os mais afastados e rebeldes, de quem Nínive, a capital da antiga Assíria, ficou como uma figura emblemática. Este Jonas faz a figura do «filho bom» – mas realmente o mau – da parábola do filho pródigo.

Tudo leva a crer que este livro é uma fina sátira contra a personagem central, um fictício profeta Jonas, que nada tem a ver com a figura histórica do profeta deste nome no séc. VIII (cf. 2Re 14,25-27). O facto de haver uma coincidência no nome – Jonas, filho de Amitai – levou a que a tradição judaica viesse a colocar a obra no grupo dos escritos proféticos. A verdade é que não se considera como uma obra histórica, mas sapiencial, como já S. Jerónimo gostava de imaginar. O Jonas deste livro inspirado materializa a mentalidade da dita habdaláh («separação»), que se difundiu após a reforma de Esdras e Neemias, uma mentalidade fechada e hostil a todo o estrangeiro. Esta maneira de pensar nacionalista e exclusivista é posta a ridículo na figura de Jonas; a obra tem, pois, um carácter de sátira. Com efeito, na primeira parte do livro (Jon 1 – 2) ele nega-se a ir a Nínive (não vá ela converter-se!) e na segunda (Jon 3 – 4), quando, após a sua pregação, a cidade se converte, ele entra em furor contra Deus, porque Ele se mostrou misericordioso perdoando à cidade arrependida.

 

Salmo Responsorial    Salmo 24 (25), 4bc-5ab.6-7bc.8-9 (R. 4a)

 

Monição: No salmo pedimos ao Senhor que nos mostre os Seus caminhos e nos perdoe os nossos pecados.

 

Refrão:        Ensinai-me, Senhor, os vossos caminhos.

 

Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,

ensinai-me as vossas veredas.

Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,

porque Vós sois Deus, meu Salvador.

 

Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias

e das vossas graças, que são eternas.

Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência,

por causa da vossa bondade, Senhor.

 

O Senhor é bom e recto,

ensina o caminho aos pecadores.

Orienta os humildes na justiça

e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S.Paulo lembra-nos que o tempo da nossa vida passa depressa. Temos de aproveitá-lo bem pondo em Deus o nosso coração sem nos apegarmos às coisas deste mundo.

 

1 Coríntios 7, 29-31

29O que tenho a dizer-vos, irmãos, é que o tempo é breve. Doravante, os que têm esposas procedam como se as não tivessem; 30os que choram, como se não chorassem; os que andam alegres, como se não andassem; os que compram, como se não possuíssem; 31os que utilizam este mundo, como se realmente não o utilizassem. De facto, o cenário deste mundo é passageiro.

 

O Apóstolo, no capítulo 7 da 1ª aos Coríntios, responde à pergunta que lhe tinha sido feita sobre a virgindade e o celibato. Pensa-se que a pergunta provinha de alguns que consideravam as relações matrimoniais como algo mau ou impróprio para um cristão. S. Paulo, depois de expor a doutrina sobre a legitimidade e indissolubilidade do matrimónio (vv. 1-16), recomenda que cada um siga a vocação a que foi chamado (vv. 17-24), passando a fazer a apologia do celibato e a dar razões da excelência da virgindade (vv. 25-38). Desta parte é que são extraídos os 3 versículos da leitura. S. Paulo tira partido da consideração da brevidade desta vida – «o tempo é breve!» –, para que, na hora de se tomar uma decisão, ninguém se deixe levar pelo apego às coisas passageiras e efémeras. Outras motivações são apresentadas a seguir, que pertencem à leitura do próximo Domingo.

 

Aclamação ao Evangelho        Mc 1, 15

 

Monição: Jesus continua a repetir-nos o anúncio de há dois mil anos: arrependei-vos e acreditai no Evangelho. Ouçamo-Lo com atenção.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – J. F. Silva, NRMS,46

 

Está próximo o reino de Deus;

arrependei-vos e acreditai no Evangelho.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 1, 14-20

14Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: 15«Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho». 16Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. 17Disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens». 18Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. 19Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; 20e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus.

 

Começamos neste Domingo a leitura seguida e respigada do Evangelista do Ano B, S. Marcos. E tudo começa com o início da pregação de Jesus na «Galileia», a zona norte da Palestina, politicamente separada da Judeia, onde Jesus tinha mais liberdade de movimentos para a sua pregação, por estar mais ao abrigo da oposição das autoridades judaicas de Jerusalém (cf. Jo 4,1-3).

14-15 «Depois de João ter sido preso», à letra, «entregue». Mais do que uma nota cronológica, parece que S. Marcos visa uma precisão teológica; com efeito, abre-se agora uma nova etapa da história da salvação. Às promessas de salvação vai seguir-se agora o seu cumprimento em Jesus – «cumpriu-se o tempo» anunciado. O v. 15 é como uma espécie de sumário ou síntese, diríamos, o «programa», do Evangelho de Jesus: o «Reino de Deus» está a chegar, e isto exige uma conversão interior, a metánoia, isto é, uma renovação do entendimento e da vontade – «arrependei-vos» – e uma atitude de fé – «acreditai no Evangelho».

16-20 Embora socialmente Jesus apareça a pregar em público com um mestre entre tantos outros que então havia, Marcos, desde o início, quer deixar bem claro que Jesus não é mais um rabi, em cuja escola qualquer candidato que o deseje se pode inscrever como discípulo, mas que, pelo contrario, é Jesus quem escolhe quem quer, chamando com autoridade; por isso a resposta é pronta, o que merece ser bem sublinhado: «e eles deixaram logo…» – tudo, as redes, o barco, o pai… – «e seguiram Jesus».

 

Sugestões para a homilia

 

Arrependei-vos e acreditai no Evangelho

O tempo é breve

Deixaram as redes e seguiram-No

 

 Arrependei-vos e acreditai no Evangelho

 

O Senhor começou a pregar o Seu Evangelho nas margens do Mar da Galileia com estas palavras:  arrependei-vos e acreditai no Evangelho. Elas são como que o resumo da Sua pregação futura. É preciso reconhecer os nossos pecados e arrepender-nos para acolher a mensagem de Jesus-

Ele quer salvar-nos, encher-nos da Sua graça, mas para isso é preciso limpar o nosso coração e isso depende de nós. Não se pode encher uma vasilha com um licor precioso se está cheia de terra. Tem se limpar primeiro bem limpa.

Jesus veio à terra trazer a Boa Nova. Deus quer salvar-nos, libertando-nos do pecado e revestindo-nos da Sua graça, que nos torna participantes da Sua natureza divina e faz de nós Seus filhos. É uma transformação maravilhosa. Mas conta com a nossa cooperação: a nossa contrição dos pecados e a nossa fé, querer aceitar o que nos ensina. São as duas atitudes fundamentais para acolher a felicidade que deseja comunicar-nos.

Podemos abrir-nos ao Seu amor ou fechar-nos na nossa indiferença ou em nossa maldade. Vale a pena dizer sim a Jesus. Evangelho quer dizer boa notícia. É de facto a mensagem mais maravilhosa que a humanidade pode receber. Mas muitos homens fecharam-se a ela porque as suas obras eram más, como lembra S.João, no princípio do Seu Evangelho ( Jo,3,19 ).

Na primeira leitura fala-se de Jonas e dos habitantes de Nínive. Jonas avisa-os que daí a quarenta dias Deus destruirá a cidade por causa dos seus pecados. Os ninivitas tomam a sério os avisos do profeta e começam a fazer penitência para que Deus lhes perdoe. Ao ver como se arrependem Deus retira o castigo que pairava sobre eles.

Se com a pandemia que hoje nos aflige os homens do nosso tempo reconhecessem tantas maldades que se fazem no mundo e fizessem penitência também o Senhor teria compaixão da humanidade.

Uma vez e outra temos de converter-nos. Como o automobilista que vai pela estrada precisa de afinar a direção do volante para não se despistar. Temos de lavar a nossa alma uma vez e outra como fazemos com a roupa quando a sujamos.

Jesus quer ajudar-nos. Deixou-nos o sacramento da Penitência para perdoar os nossos pecados e renovar a nossa alma.

Deu-nos a fé juntamente com a graça no baptismo para podermos acreditar nas maravilhas que nos revela.

 

 

 O tempo é breve

 

Temos de aproveitar bem a nossa vida. O tempo é breve –lembra-nos o Apóstolo na 2ª leitura. Temos de aproveitá-lo bem. Temos de procurar aquilo que é mais importante e desprender-nos das outras coisas mesmo que sejam boas. O que importa de verdade é amar a Deus em nossa vida de cada dia, sabendo encaminhar para Ele tudo o que fazemos.

Temos de guiar a nossa vida pelas luzes da fé vivendo-a à luz do Evangelho, meditando os ensinamentos de Jesus, olhando para a Sua vida e fazendo por imitá-Lo. Ele veio à terra, fez-se igual a nós em tudo menos no pecado. Ele é para nós o modelo que temos de copiar.

S.Paulo lembra: “Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus” ( Filip 2,5 ). Temos de pensar à maneira de Jesus, sentir à maneira de Jesus, viver à maneira de Jesus. Assim seremos santos.

Havemos de ler os Evangelhos uma e outra vez, fazer deles o nosso guia, copiando a Jesus. Ele é o homem novo em contraposição com Adão, o homem velho corrompido pelo pecado.

 

Deixaram as redes e seguiram-No

 

 Jesus passa por Pedro e André e convida-os a segui-Lo. O mesmo faz com Tiago e João. E eles foram valentes: deixaram as redes e o seu ganha-pão. Deixaram a família para andarem com Jesus. São para nós exemplo de saber estar desprendidos de tudo, de saber renunciar a tudo por causa de Jesus.

Ele iria prepará-los para os enviar pelo mundo fora a pregar o Evangelho. Através daqueles homens rudes Ele iria espalhar a Sua doutrina por todas as partes da terra.

O Senhor continua hoje a servir-se de homens como nós para nos guiar neste mundo. Temos de ouvi-los, vendo neles a Jesus. Ele prometeu à Sua Igreja que estaria com ela até ao fim dos tempos e que o Espírito Santo a guiaria na verdade.

Temos de acreditar no que nos ensina através do papa, sucessor de Pedro e dos bispos e sacerdotes a ele unidos. Das suas bocas escutamos o Evangelho de Jesus. Através deles nos guia. Através deles nos dá a abundância da Sua graça nos sacramentos.

Havemos de pedir a Deus que muitas crianças e jovens escutem o chamamento de Jesus para que não faltem na Igreja esses instrumentos de Jesus para nos guiarem em Seu nome. E rezar também para que os sacerdotes saibam ser generosos e sacrificados no cumprimento da sua missão.

Amanhã celebramos a conversão de S.Paulo, que perseguia os cristãos. Ia para Damasco para prender os que lá houvesse. Mas o Senhor trocou-lhe as voltas. Apareceu-lhe no caminho e disse-lhe: Saulo, Saulo, porque me persegues? E aquele homem acreditou em Jesus. E irá gastar a sua vida a espalhar a fé em muitas terras sem poupar-se a sacrifícios. Muitos cristãos rezaram por ele. Santo Estevão, o primeiro mártir, deve ter oferecido por ele o seu sangue.

Precisamos hoje de muitos homens como Paulo, que saibam converter-se e entregar-se ao serviço de Jesus.

Peçamos a Nossa Senhora que nos ajude a converter-nos, a viver a nossa fé no dia a dia e a despertar vocações para o sacerdócio.

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus chamou os seus discípulos a viverem, no hoje da história,

algo que tem sabor a eternidade: o amor a Deus e ao próximo.»

 

«Levanta-te e vai a Nínive, à grande cidade, e apregoa nela o que Eu te ordenar» (Jon 3, 2): com estas palavras, o Senhor dirige-se a Jonas encaminhando-o para aquela grande cidade, que estava prestes a ser destruída pelos seus muitos malefícios. No Evangelho, vemos também Jesus a caminho da Galileia para pregar a sua Boa Nova (cf. Mc 1, 14). Ambas as leituras nos mostram Deus em movimento para as cidades de ontem e de hoje. O Senhor põe-Se a caminho: vai a Nínive, à Galileia, a Trujillo, a Puerto Maldonado, a Lima... O Senhor vem aqui. Põe-Se em movimento para entrar na nossa história pessoal e concreta. Como celebramos há pouco [no Natal], Ele é o Emanuel, o Deus que quer estar sempre connosco. Sim, aqui em Lima ou onde quer que estejas a viver, na vida quotidiana do trabalho rotineiro, na educação esperançosa dos filhos, no meio dos teus anelos e desvelos; na intimidade do lar e no ruído ensurdecedor das nossas estradas. É lá, no meio dos caminhos poeirentos da história, que o Senhor vem ao teu encontro.

Às vezes, pode suceder-nos como a Jonas. As nossas cidades, com as situações de sofrimento e injustiça que se repetem dia-a-dia, podem suscitar em nós a tentação de fugir, de nos escondermos, de desertar. E razões, não faltam nem a Jonas nem a nós. Contemplando a cidade, poderíamos começar a constatar que «há citadinos que conseguem os meios adequados para o desenvolvimento da vida pessoal e familiar, [e isso nos alegra; o problema é que] muitíssimos são também os “não-citadinos”, os “meio-citadinos” ou os “resíduos urbanos”»[1] que se encontram na beira dos nossos caminhos, que vão viver à margem das nossas cidades sem condições necessárias para levar uma vida digna, e custa ver que muitas vezes, entre estes «resíduos» humanos, se encontram rostos de tantas crianças e adolescentes; se encontra o rosto do futuro.

E, ao ver estas coisas nas nossas cidades, nos nossos bairros – que poderiam ser lugares de encontro e solidariedade, de alegria –, gera-se em nós o que poderíamos chamar a síndrome de Jonas: um espaço infido, donde fugir (cf. Jon 1, 3). Um espaço para a indiferença, que nos torna anónimos e surdos face aos demais, torna-nos seres impessoais de coração assético e, com esta atitude, amarfanhamos a alma do povo, deste nobre povo. Como nos fazia notar Bento XVI, «a grandeza da humanidade determina-se essencialmente na [sua] relação com o sofrimento e com quem sofre. (…) Uma sociedade que não consegue aceitar os que sofrem e não é capaz de contribuir, mediante a com-paixão, para fazer com que o sofrimento seja compartilhado e assumido mesmo interiormente é uma sociedade cruel e desumana».[2]

Quando prenderam João [Batista], Jesus foi para a Galileia proclamar o Evangelho de Deus. Ao contrário de Jonas, Jesus, perante um acontecimento doloroso e injusto como foi a prisão de João, entra na cidade, entra na Galileia e começa, partindo daquela insignificante população, a semear o que seria o início da maior esperança: o Reino de Deus está perto, Deus está no meio de nós. E o próprio Evangelho nos mostra a alegria e a reação em cadeia que isso produz: começou com Simão e André, depois Tiago e João (cf. Mc 1, 14-20) e depois, passando por Santa Rosa de Lima, São Toríbio, São Martinho de Porres, São João Macías, São Francisco Solano, chegou até nós anunciado por esta nuvem de testemunhas que acreditaram n’Ele. Chegou até Lima, até nós, para se comprometer novamente, como um antídoto renovado, contra a globalização da indiferença. Com efeito, perante este Amor, não se pode ficar indiferente.

Jesus chamou os seus discípulos a viverem, no hoje da história, algo que tem sabor a eternidade: o amor a Deus e ao próximo. E fá-lo da única maneira que Lhe é possível: à maneira divina, suscitando a ternura e o amor misericordioso, suscitando a compaixão e abrindo os seus olhos para aprenderem a ver a realidade à maneira divina. Convida-os a gerar novos vínculos, novas alianças portadoras de eternidade.

Jesus atravessa a cidade; fá-lo com os seus discípulos e começa a ver, a escutar, a prestar atenção àqueles que sucumbiram sob o manto da indiferença, lapidados pelo grave pecado da corrupção. Começa a desvendar muitas situações que sufocavam a esperança do seu povo, suscitando uma nova esperança. Chama os seus discípulos e convida-os a ir com Ele, convida-os a atravessar a cidade, mas muda-lhes o ritmo, ensina-os a fixarem o que até agora passavam por alto, indica-lhes novas urgências. Convertei-vos: dizia-lhes Ele. O Reino dos Céus é encontrar, em Jesus, Deus que mistura a sua vida com a vida do seu povo, que Se envolve e envolve outros para que não tenham medo de fazer desta história uma história de salvação (cf. Mc 1, 15.21ss.).

Jesus continua a atravessar as nossas estradas, continua, hoje como ontem, a bater às portas, a bater aos corações para reacender a esperança e os anseios: que a degradação seja superada pela fraternidade, a injustiça vencida pela solidariedade e a violência apagada com as armas da paz. Jesus continua a chamar e quer ungir-nos com o seu Espírito para que também nós saiamos para ungir com esta unção capaz de curar a esperança ferida e renovar o nosso olhar.

Jesus continua a atravessar e desperta a esperança que nos liberta de relações vazias e análises impessoais e chama a envolver-nos como fermento onde quer que estejamos, onde nos toca viver, naquele cantinho de todos os dias. O Reino dos Céus está no meio de vós – diz-nos Ele –, está onde sabemos usar um pouco de ternura e compaixão, onde não temos medo de criar espaços para que os cegos vejam, os coxos andem, os leprosos fiquem limpos e os surdos ouçam (cf. Lc 7, 22) e, deste modo, todos aqueles que dávamos por perdidos gozem da Ressurreição. Deus não Se cansa nem Se cansará de andar para chegar junto dos seus filhos; junto de cada um deles. Como acenderemos a esperança, se faltam profetas? Como enfrentaremos o futuro, se nos falta unidade? Como chegará Jesus a tantos lugares, se faltam ousadas e válidas testemunhas?

Hoje o Senhor chama-te a atravessar com Ele a cidade, convida-te a atravessar com Ele a tua cidade. Chama-te a ser seu discípulo missionário, tornando-te assim participante desse grande sussurro que quer continuar a ressoar nos mais variados ângulos da nossa vida: Alegra-te, o Senhor está contigo!


Papa Francisco, Homilia, Lima (Peru), 21 de janeiro de 2018

 

Oração Universal

 

Jesus fala-nos e reza connosco em cada missa. Um dos fins da Eucaristia é pedir.

Na oração universal apresentamos com Jesus ao Pai as necessidades de todos os homens.

Vamos fazê-lo cheios de fé e confiança, dizendo: Convertei, Senhor, os nossos corações.

 

1-Pela Santa Igreja Católica,

para que todos vejam nela a Cristo presente entre os homens,

que nos convida a conhecer e amar a Deus cada dia mais, oremos ao Senhor

Convertei, Senhor, os nossos corações.

 

2-Pelo Santo Padre, para que seja instrumento dócil do Espírito Santo

na condução do Rebanho de Cristo e todos vejam nele a Jesus, oremos ao Senhor.

Convertei, Senhor, os nossos corações.

 

3-Pelos bispos e sacerdotes, para que se gastem generosamente ao serviço das almas

e todos saibam acolhê-los com fé e visão sobrenatural, oremos ao Senhor.

Convertei, Senhor, os nossos corações.

 

4-Por todos os cristãos, para que rezem e trabalhem

pela união de todos na única Igreja de Cristo, oremos ao Senhor.

Convertei, Senhor, os nossos corações.

 

5-Para que aumentem em toda a Igreja as vocações de entrega total ao Senhor

e os casados saibam viver o matrimónio como caminho de santidade, oremos ao Senhor.

Convertei, Senhor, os nossos corações.

 

6-Pelos jovens de todo o mundo e sobretudo da nossa comunidade paroquial para que,

seguindo a Jesus, se deixem guiar pelo Seu Espírito para renovarem o mundo , oremos ao Senhor.

Convertei, Senhor, os nossos corações.

 

7-Para que todos os cristãos procurem com mais fé e assiduidade o Sacramento da Confissão,

onde o Espírito Santo renova os corações pelo perdão de Deus, oremos ao Senhor.

Convertei, Senhor, os nossos corações.

 

Senhor, que nos encheis da Vossa graça em Cristo, presente na Eucaristia,

fazei-nos viver da vida nova em Cristo.

Pelo mesmo N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Fiz de ti a luz das nações — Carlos Silva, OC, pg 357

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, e santificai os nossos dons, a fim de que se tornem para nós fonte de salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: C. Silva - OC (pg 537)

 

Monição da Comunhão

 

Jesus veio até nós nesta missa. Saibamos acolhê-Lo na comunhão com a fé, a humildade e o amor de Nossa Senhora.

 

Cântico da Comunhão: Voltai-vos para o Senhor – S. Marques, NRMS, 58

Salmo 33, 6

Antífona da comunhão: Voltai-vos para o Senhor e sereis iluminados, o vosso rosto não será confundido.

 

Ou

Jo 8, 12

Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor. Quem Me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida.

 

Cântico de acção de graças: Senhor, Tu és a Luz – Az. Oliveira, NRMS, 6

 

Oração depois da comunhão: Deus omnipotente, nós Vos pedimos que, tendo sido vivificados pela vossa graça, nos alegremos sempre nestes dons sagrados. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Queremos guardar a palavra de Jesus e guiar por ela todo o nosso viver. Servindo alegremente a Deus e aos outros à nossa volta.

 

Cântico final: Cantai ao Senhor um cântico novo – Az. Oliveira, NRMS, 48

 

 

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 25-I: A Conversão de S. Paulo.

Act 22, 3-16 ou Act 9, 1-22 / Mc 16, 15-18

Caiu por terra e ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?

S. Paulo deduzirá destas palavras a doutrina do Corpo Místico de Cristo. Partindo do princípio de que os nossos pecados atingem Cristo em pessoa (LT), a Igreja não hesita em imputar as ofensas a Deus, e aos cristãos, as mais graves responsabilidades no suplício de Cristo. Mas, no entanto, é firme a sua misericórdia para connosco (SR).

A conversão de S. Paulo contribuirá para a expansão da Igreja, que alcançará todos os povos. Ide por todo o mundo e proclamai a Boa Nova a todas as criaturas (EV).

 

3ª Feira, 26-I: S. Timóteo e S. Tito. Como actuar em ambientes difíceis.

2 Tim 1, 1-8 ou Tit 1, 1-5 / Lc 10, 1-9

Ide, e olhai que vos mando como cordeiros no meio de lobos.

Timóteo e Tito foram dois discípulos de S. Paulo. Começaram a aparecer doutrinas erróneas (LT). E S. Paulo, desde a sua prisão em Roma, escreve estas cartas pastorais, pedindo-lhes que cuidem dos pastores e dos fiéis, para eles se manterem firmes na fé. Estavam como cordeiros no meio de lobos (EV).  Nos nossos tempos, impera o relativismo, com dramáticas consequências. Precisamos melhorar os nossos conhecimentos doutrinais.

Cada um de nós há-de sentir-se responsável de se manter firme na fé e ajudar os outros a fazer o mesmo.  Anunciai a todos os povos as maravilhas do Senhor (SR).

 

4ª Feira, 27-I: Quando Deus nos fala.

Heb 10, 11-18 / Mc 4, 1-20

Não entendeis esta parábola?? O que o semeador semeia é a palavra.

Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra igualmente o seu alimento e a sua força, porque não recebe uma palavra humana, mas a palavra de Deus (EV). Nos Livros sagrados, com efeito, o Pai que está nos Céus vem amorosamente ao encontro dos seus filhos, para conversar com eles.

Além deste modo, Deus quis também deixar escrito nas nossas almas a sua Lei. Hei-de pôr-lhes as minhas leis no coração e gravar-lhas na inteligência. O Senhor estenderá desde Sião o seu poder e tu dominarás no meio dos teus inimigos (SR).

 

5ª Feira, 28-I: A Palavra do Senhor é luz para os meus caminhos

Heb 10, 19-25 / Mc 4, 21-25

Quem traz uma lâmpada, é para a pôr debaixo do alqueire ou debaixo da cama?

Jesus, nosso Senhor, veio à terra para iluminar o nosso caminho. Essa luz não pode esconder-se (EV), mas tem que estar presente durante todo o dia, para iluminar o nosso caminho, que está cheio de trevas.

Para nos obter essa luz, o Senhor não hesitou em derramar o seu Sangue para nos indicar este caminho novo e vivo, que Ele inaugurou (LT). Queremos fazer parte da geração dos que procuram esse caminho (SR). Tenhamos esperança, pois aquele que fez a promessa é fiel (LT).

 

6ª Feira, 29-I: Crescimento e perseverança.

Heb 10, 32-39 / Mc 4, 26-34

O reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado no terreno, é a menor de todas as sementes. Mas, depois de semeada, começa a crescer.

Como o grão de mostarda (EV), tudo o que é grande começa por ser pequeno. Assim acontece com a nossa correspondência à graça que Deus lança nas nossas almas. Com o amadurecimento de cada um de nós, e com a consistência das nossas virtudes, crescerá ao longo do tempo.

Para que este crescimento produza os seus frutos é preciso rezarmos e sermos perseverantes. É pela oração que podemos discernir qual é a vontade de Deus e obter perseverança para cumprir a Lei . O Senhor consolida os passos dos homens (SR).

 

Sábado, 30-I: Como avalia Deus a nossa fé?

Heb 11, 1-2. 8-19 / Mc 4, 35-41

Jesus disse-lhes: Por que estais assim assustados? Como é que não tendes fé?

 Jesus entristece-se por causa da pouca fé que encontra nos seus discípulos (EV).

Pelo contrário, louva-se a fé de Abraão. Pela fé, Abraão obedeceu ao chamamento de Deus, e partiu para uma terra que viria a receber como herança: partiu sem saber para onde iria (LT). A Abraão, nosso pai, Deus tinha jurado que havia de cumprir a promessa (SR). Procuremos não somente guardar a fé e dela viver, mas também professá-la, dar testemunho dela e propagá-la. O Senhor poderia alegrar-se ao ver como vivemos a nossa fé? Peçamos-lhe, como fizeram os Apóstolos: Aumenta-nos a fé.

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Celestino Correia

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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