2.º Domingo Comum

17 de Janeiro de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Toda a terra vos adore – F. Santos, BML, 54

Salmo 65, 4

Antífona de entrada: Toda a terra Vos adore, Senhor, e entoe hinos ao vosso nome, ó Altíssimo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Como seres inteligentes que somos, todos desejamos que a nossa vida seja proveitosa, seja bem vivida, bem aproveitada. O Senhor, que nos chamou à vida e nos ama com Amor infinito, vai neste Domingo, indicar-nos o caminho pelo qual devemos seguir, para que tal aconteça. Vamos pois ouvir, com muita atenção e fé, os apelos que o Senhor, na Sua bondade infinita nos indica que devemos seguir para não corrermos o risco de desperdiçarmos esta única vida terrena que o Senhor nos concedeu viver.

 

Ato penitencial

 

    Porque tantas vezes nos afastamos dos apelos amorosos do Senhor, trocando-os, por ignorância, engano e pouca fé, por outras seguranças terrenas tão enganadoras, comecemos por LHE pedir perdão.

 

    (Tempo de silêncio, ou em alternativa a sugestão que se segue)

 

    Senhor Jesus, que, por leviandade, com tanta facilidade nos afastamos de Vossa amável companhia, e de apelos tão ternos e claros que nos fazeis, tende misericórdia.

 

    Cristo, misericórdia!

 

    Jesus Cristo, que nos revelastes o Amor infinito do Pai do Céu

    e n’Ele tão pouco temos meditado e correspondido, tende misericórdia.

 

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor Jesus, que não quereis que o pecador viva triste e se condene,

    mas que se arrependa e viva para sempre, cheio de alegria, tende misericórdia.

 

    Senhor, misericórdia! 

 

    Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

    perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que governais o céu e a terra, escutai misericordiosamente as súplicas do vosso povo e concedei a paz aos nossos dias. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Esta leitura apresenta-nos a história do chamamento de Samuel. Ele ouve a voz de Deus que o chama e, aconselhado pelo sacerdote Heli, inicia um diálogo com Deus que acompanhará toda a vida do profeta. A cada um de nós é pedido que nos coloquemos numa atitude de total disponibilidade para escutar a voz e os desafios de Deus.

 

1 Samuel 3, 3b-10.19

Naqueles dias, 3bSamuel dormia no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus. 4O Senhor chamou Samuel e ele respondeu: «Aqui estou». 5E, correndo para junto de Heli, disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Mas Heli respondeu: «Eu não te chamei; torna a deitar-te». E ele foi deitar-se. 6O Senhor voltou a chamar Samuel. Samuel levantou-se, foi ter com Heli e disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Heli respondeu: «Não te chamei, meu filho; torna a deitar-te». 7Samuel ainda não conhecia o Senhor, porque, até então, nunca se lhe tinha manifestado a palavra do Senhor. 8O Senhor chamou Samuel pela terceira vez. Ele levantou-se, foi ter com Heli e disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Então Heli compreendeu que era o Senhor que chamava pelo jovem. 9Disse Heli a Samuel: «Vai deitar-te; e se te chamarem outra vez, responde: ‘Falai, Senhor, que o vosso servo escuta’». Samuel voltou para o seu lugar e deitou-se. 10O Senhor veio, aproximou-Se e chamou como das outras vezes: «Samuel, Samuel!» E Samuel respondeu: «Falai, Senhor, que o vosso servo escuta». 19Samuel foi crescendo; o Senhor estava com ele e nenhuma das suas palavras deixou de cumprir-se.

 

Como em todos os anos, A, B e C, sempre se inicia o tempo comum tendo como 2ª leitura respigos da 1ª aos Coríntios; neste ano B, começa-se no cap. 6; no próximo ano C. no cap. 12.

A leitura é tirada do fim da primeira parte de 1Cor, na qual S. Paulo procura remediar vários abusos verificados naquela comunidade nascente. É bem conhecida a má fama da capital da província romana da Acaia: «viver em Corinto» – korinthiázein – era sinónimo de levar vida libertina. O próprio vício era divinizado: no templo de Afrodite havia mais de mil sacerdotisas dedicadas à prostituição sagrada. É, pois, fácil de compreender que, para alguns convertidos, fosse difícil abandonar uma mentalidade generalizada que legitimava a fornicação. E, para a justificarem, chegariam mesmo, segundo se depreende do v. 12, a torcer as próprias palavras de S. Paulo: «tudo me é permitido» (cf. 1Cor 10,23), e a dizer que se tratava duma simples necessidade corporal, como comer e beber (cf. v. 13), e não como algo que encerra um sentido superior que envolve toda a pessoa. O Apóstolo, para levar estes maus cristãos ao bom caminho e impedir que os outros se deixem perverter, não se detém a dar-lhes um curso de educação sexual, nem a insistir na fealdade do vício e das suas funestas consequências para o indivíduo e para a sociedade. Apela para os motivos da fé: «o corpo… é para o Senhor» (v. 13); ele há-de ressuscitar (v. 14); é membro de Cristo (v. 15); é «templo do Espírito Santo» (v. 19); «resgatados» por Cristo, já «não pertencemos a nós mesmos» (v. 20a); a castidade é uma afirmação cheia de alegria: «glorificai a Deus no vosso corpo» (v. 20b). S. Paulo não se limita a condenar a prostituição sagrada dos santuários idolátricos, pois não trata aqui da idolatria, mas da castidade; fala sem os eufemismos: «fornicação», traduzida pelo termo vago, «imoralidade» (v. 18), tendo-se omitido na leitura litúrgica os bem fortes versículos 15b-16: «como é possível tomar os membros de Cristo para fazer deles membros duma prostituta?…»

 

Salmo Responsorial    Salmo 39 (40), 2.4ab.7-8a.8b-9.10-11 (R. 8a.9a)

 

Monição: O Verbo de Deus Incarnado, Jesus Cristo, é o nosso Salvador e Mestre por excelência. Como tal, ensina-nos fazendo Ele primeiro: “Eu venho, Senhor, para fazer a Vossa vontade”.

 

Refrão:        Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.

 

Esperei no Senhor com toda a confiança

e Ele atendeu-me.

Pôs em meus lábios um cântico novo,

um hino de louvor ao nosso Deus.

 

Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações,

mas abristes-me os ouvidos;

não pedistes holocaustos nem expiações,

então clamei: «Aqui estou».

 

«De mim está escrito no livro da Lei

que faça a vossa vontade.

Assim o quero, ó meu Deus,

a vossa lei está no meu coração».

 

«Proclamei a justiça na grande assembleia,

não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.

Não escondi a justiça no fundo do coração,

proclamei a vossa bondade e fidelidade».

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na segunda Leitura, Paulo convida os cristãos de Corinto a viverem de forma coerente com o chamamento que Deus lhes fez para que se manifeste sempre a vida nova de Deus.

 

1 Coríntios 6, 13c-15a.17-20

Irmãos: 13cO corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor é para o corpo. Deus, que ressuscitou o Senhor, também nos ressuscitará a nós pelo seu poder. 15aNão sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? 17Aquele que se une ao Senhor constitui com Ele um só Espírito. 18Fugi da imoralidade. Qualquer outro pecado que o homem cometa é exterior ao seu corpo; mas o que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo. 19Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus? Não pertenceis a vós mesmos, 20porque fostes resgatados por grande preço: glorificai a Deus no vosso corpo.

 

Como em todos os anos, A, B e C, sempre se inicia o tempo comum tendo como 2ª leitura respigos da 1ª aos Coríntios; neste ano B, começa-se no cap. 6; no próximo ano C. no cap. 12.

A leitura é tirada do fim da primeira parte de 1Cor, na qual S. Paulo procura remediar vários abusos verificados naquela comunidade nascente. É bem conhecida a má fama da capital da província romana da Acaia: «viver em Corinto» – korinthiázein – era sinónimo de levar vida libertina. O próprio vício era divinizado: no templo de Afrodite havia mais de mil sacerdotisas dedicadas à prostituição sagrada. É, pois, fácil de compreender que, para alguns convertidos, fosse difícil abandonar uma mentalidade generalizada que legitimava a fornicação. E, para a justificarem, chegariam mesmo, segundo se depreende do v. 12, a torcer as próprias palavras de S. Paulo: «tudo me é permitido» (cf. 1Cor 10,23), e a dizer que se tratava duma simples necessidade corporal, como comer e beber (cf. v. 13), e não como algo que encerra um sentido superior que envolve toda a pessoa. O Apóstolo, para levar estes maus cristãos ao bom caminho e impedir que os outros se deixem perverter, não se detém a dar-lhes um curso de educação sexual, nem a insistir na fealdade do vício e das suas funestas consequências para o indivíduo e para a sociedade. Apela para os motivos da fé: «o corpo… é para o Senhor» (v. 13); ele há-de ressuscitar (v. 14); é membro de Cristo (v. 15); é «templo do Espírito Santo» (v. 19); «resgatados» por Cristo, já «não pertencemos a nós mesmos» (v. 20a); a castidade é uma afirmação cheia de alegria: «glorificai a Deus no vosso corpo» (v. 20b). S. Paulo não se limita a condenar a prostituição sagrada dos santuários idolátricos, pois não trata aqui da idolatria, mas da castidade; fala sem os eufemismos: «fornicação», traduzida pelo termo vago, «imoralidade» (v. 18), tendo-se omitido na leitura litúrgica os bem fortes versículos 15b-16: «como é possível tomar os membros de Cristo para fazer deles membros duma prostituta?…»

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Jo 1, 41.17b

 

Monição: O Evangelho descreve o encontro de Jesus com os seus primeiros discípulos, que foi de tal maneira marcante nas suas vidas que João, que era um deles, até registou na sua memória a hora de tão feliz encontro: “Era por volta das quatro horas da tarde.”

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – M. Faria, NRMS, 16

 

Encontramos o Messias, que é Jesus Cristo.

Por Ele nos veio a graça e a verdade.

 

 

Evangelho

 

São João 1, 35-42

35Naquele tempo, estava João Baptista com dois dos seus discípulos 36e, vendo Jesus que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus». 37Os dois discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus. 38Entretanto, Jesus voltou-Se; e, ao ver que O seguiam, disse-lhes: «Que procurais?» Eles responderam: «Rabi que quer dizer ‘Mestre’ onde moras?» Disse-lhes Jesus: 39«Vinde ver». Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Era por volta das quatro horas da tarde. 40André, irmão de Simão Pedro, foi um dos que ouviram João e seguiram Jesus. 41Foi procurar primeiro seu irmão Simão e disse-lhe: «Encontrámos o Messias» que quer dizer ‘Cristo’; 42e levou-o a Jesus. Fitando os olhos nele, Jesus disse-lhe: «Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas» que quer dizer ‘Pedro’.

 

Os três Sinópticos apresentam os primeiros discípulos noutro contexto, o do chamamento (Mt 4,18-22; Mc 1,16-20; Lc 5,1-11), ao passo que o IV Evangelho se limita a relatar um primeiro encontro, cheio de vivacidade e encanto.

35 «João». A tradução litúrgica, para desfazer equívocos, acrescentou: «Baptista». A verdade é que o 4.° Evangelho só conhece um João, por isso nunca o adjectiva de Baptista. Neste relato não se fala do nome do companheiro de André, que seria o próprio evangelista (cf. 13,23; 18,15; 19,26.35; 20,2; 21,2.20.24), o qual, por humildade, nunca fala do seu próprio nome, o que é um sinal de que a ele se deve a autoria deste Evangelho.

36 «Eis o Cordeiro de Deus» (cf. Jo 1,20). A Liturgia e a iconografia cristã dão grande relevo a este testemunho do Baptista. A expressão é muito rica de significado e faz referência não só ao cordeiro pascal (cf. 1Cor 5,7; Jo 19,36), como também ao Servo de Yahwéh Sofredor, comparado em Is 57, a um manso cordeiro levado à morte (a própria palavra aramaica certamente usada pelo Baptista, «talyá», significa tanto cordeiro como servo).

37-40 O relato conserva a frescura e o encanto de quem viveu intensamente aquele momento único e decisivo da vida, docemente subjugado pela atracção humana e o fascínio divino da pessoa de Jesus. Cerca de setenta anos depois, João recorda exactamente a hora e, em pormenor, aquela inolvidável e tímida troca de palavras. Eis o comentário de Santo Agostinho: «Não O seguiram para ficar definitivamente com Ele. [...] Quiseram somente ver onde habitava… O Mestre mostrou-lhes onde habitava e eles foram e permaneceram com Ele. Que dia feliz e que feliz noite passaram! Quem poderá dizer-nos o que eles ouviram da boca do Senhor? Façamos nós também uma habitação no nosso coração, e venha o Senhor até junto de nós para nos ensinar e falar connosco!» (In Ioh. tract. 7,9).

41-42 «Encontrámos o Messias!» (Eurêkamen ...) O grande achado da vida, que os faz exclamar mais exultantes que o sábio grego Arquimedes ao descobrir o seu célebre princípio da Física: «êureka!». E não se pode conhecer Cristo sem transmitir a outros essa grande e feliz notícia. «Messias», é uma palavra hebraica (em grego «Cristo»), que significa aquele que foi ungido, designando-se assim um novo rei David, esperado para restaurar o reino de Israel no fim dos tempos (cf. 2Sam 7,12-16.19.25.29; 1Cr 17,11-14; Is 11,1-9; Act 2,30; Lc 1,32-33). Cefas não era um nome, mas um apelativo original, pedra (em aramaico), para indicar, neste caso, não uma característica pessoal (Simão não se distinguia pela firmeza da rocha: cf. 18,17.25.27), mas a missão a que Deus o destinava, vir a ser a pedra em que Jesus assenta a sua Igreja (cf. Jo 21,15-18; Mt 16,18-19; Lc 22,31-33).

 

Sugestões para a homilia

 

1.      “Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade”.

2.      A importância da nossa vocação.

3.      Os cuidados que nos aconselham os Santos.

 

1.      “Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade”.

 

“Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade”. Foi o plano da vida de Jesus, plano que Ele, com Sua vida, nos quis ensinar. É importante aprendê-lo, pois este plano, por ser de Deus Pai, que nos ama com amor infinito, é caminho de felicidade terrena e eterna. Se queremos que a nossa vida seja válida, frutuosa e feliz, temos que descobrir esse caminho que o Senhor nos propõe. É a nossa vocação, que por ter sido dada por Deus é a melhor que temos para viver. Para esse tão feliz acerto temos que estar com muita atenção ao Seu chamamento. Samuel teve dificuldade nessa descoberta. “Falai Senhor, que o vosso servo escuta”, foi a resposta dada por ele, depois de consultar o sacerdote Heli.

 

2.      A importância da nossa vocação.

 

Este chamamento de Samuel, lembra-nos o nosso próprio chamamento. De fato todos nós somos chamados. A vocação é esse chamamento do Senhor, que Ele faz de uma forma individual, pessoal a cada um, já que cada um, é uma pessoa única e irrepetível. Somos tratados pelo nosso Pai Deus como verdadeiros filhos únicos. Ele chama Samuel pelo nome. Pelo nome nos chama também a nós. E chama-nos para quê? Para a felicidade. Ele é um Pai terníssimo, que quer o bem de Seus filhos.

Esta felicidade, para a qual todos somos chamados tem também nome de santidade. Todos fomos chamados a ser santos. E sê-lo-emos na medida em que cumprirmos com generosidade a Sua santíssima vontade. Fugir da vontade de Deus é fugir da felicidade. “Eu venho Senhor, para fazer a vossa vontade”. Como é importante estar atento a esse chamamento, sempre amoroso, do Senhor! Para esse acerto, teremos por vezes, que recorrer a quem nos possa ajudar nessa descoberta. Samuel recorreu ao sacerdote Heli. Nós temos o diretor espiritual, que poderá ser também o nosso confessor. Como está em jogo tanta felicidade, não devemos correr riscos nessa tão importante descoberta.

 

3.      Os cuidados que nos aconselham os Santos.

 

S. Paulo recorda-nos na Segunda Leitura da Missa de hoje, os riscos que corremos quando entramos em becos sem saída: “Fugi da imoralidade” “Não pertenceis a vós mesmos”. Só os puros de coração verão a Deus e consequentemente terão mais facilidade de ouvir o Seu chamamento.

Pelo contrário, aqueles que têm a felicidade de encontrar o Senhor, jamais O poderá esquecer. S. João quis registar no Evangelho o momento dessa descoberta, desse encontro tão feliz “Era por volta das quatro horas da tarde”.

Para termos a felicidade de encontros tão marcantes na nossa vida, é importante fazer experiências com o Senhor, na oração, no diálogo íntimo com Ele.

Quem cumprir, com generosidade, a vocação que Deus lhe concedeu será feliz no tempo e sê-lo-á, por toda a eternidade e a sua vida e exemplo será luz para outros acertarem também pelo caminho da felicidade que todos desejam. Foi o caminho sempre seguido por Nossa Senhora “Eis a escrava do Senhor”. Aprendamos também com a nossa boa Mãe do Céu.

 

Fala o Santo Padre

 

«A vida de fé consiste no desejo de estar com o Senhor e,

portanto, numa busca contínua do lugar onde Ele mora.

Procurar Jesus, encontrar Jesus, seguir Jesus: este é o caminho.»

 

Como nas festas da Epifania e do Batismo de Jesus, também a página do Evangelho de hoje (cf. Jo 1, 35-42) propõe o tema da manifestação do Senhor. Desta vez é João Batista que o indica aos seus discípulos, como «o Cordeiro de Deus» (v. 36), convidando-os deste modo a segui-lo. E assim é para nós: Aquele que contemplamos no mistério do Natal, agora somos chamados a segui-lo na vida quotidiana. Portanto, o Evangelho hodierno introduz-nos perfeitamente no tempo litúrgico comum, um tempo que serve para animar e averiguar o nosso caminho de fé na vida habitual, numa dinâmica que se move entre epifania e seguimento, entre manifestação e vocação.

A narração do Evangelho indica as caraterísticas essenciais do itinerário de fé. Existe um itinerário de fé, e trata-se do percurso dos discípulos de todos os tempos, também nosso, a partir da pergunta que Jesus dirige aos dois que, impelidos por João Batista, se põem a segui-lo: «Que procurais?» (v. 38). É a mesma pergunta que, na manhã de Páscoa, o Ressuscitado dirigirá a Maria Madalena: «Mulher, quem procuras?» (Jo 20, 15). Como seres humanos, cada um de nós está à procura: em busca de felicidade, de amor, de vida boa e repleta. Deus Pai concedeu-nos tudo isto no seu Filho Jesus.

Nesta busca é fundamental o papel de uma verdadeira testemunha, de uma pessoa que primeiro percorreu o caminho e encontrou o Senhor. No Evangelho, João Batista é esta testemunha. Por isso, pode orientar os discípulos para Jesus, que os leva a participar numa nova experiência, dizendo: «Vinde ver» (v. 39). E aqueles dois já não poderão esquecer a beleza de tal encontro, a ponto que o evangelista menciona até a hora: «Era por volta da hora décima» (ibid.). Somente um encontro pessoal com Jesus gera um caminho de fé e de discipulado. Poderíamos viver muitas experiências, fazer muitas coisas, estabelecer relações com numerosas pessoas, mas só o encontro com Jesus, na hora que Deus conhece, pode dar sentido pleno à nossa vida e tornar fecundos os nossos projetos e as nossas iniciativas.

Não é suficiente construir para si uma imagem de Deus baseada em boatos; é preciso ir à procura do Mestre divino e ir onde Ele habita. A pergunta dos dois discípulos a Jesus: «Onde moras?» (v. 38), tem um forte sentido espiritual: exprime o desejo de saber onde mora o Mestre, para poder estar com Ele. A vida de fé consiste no desejo de estar com o Senhor e, portanto, numa busca contínua do lugar onde Ele mora. Isto significa que somos chamados a superar uma religiosidade rotineira e óbvia, reavivando o encontro com Jesus na oração, na meditação da Palavra de Deus e na frequência dos Sacramentos, para estar com Ele e dar frutos graças a Ele, à sua ajuda, à sua dádiva.

Procurar Jesus, encontrar Jesus, seguir Jesus: este é o caminho. Procurar Jesus, encontrar Jesus, seguir Jesus.

A Virgem Maria nos sustenha neste propósito de seguir Jesus, de ir e estar onde Ele mora, para ouvir a sua Palavra de vida, para aderir Àquele que tira o pecado do mundo, para nele encontrar esperança e impulso espiritual.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 14 de janeiro de 2018

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs,

neste dia, em que somos desafiados

a estar disponíveis aos chamamentos de Deus,

digamos com fé.

 

R. Senhor, faça-se a vossa vontade1

 

1.      Pelo Papa, Bispos, Sacerdotes e Diáconos,

Seminaristas, Catequistas e Leigos

para que sejam cada vez mais generosos

na doação das suas vidas a Deus e à Igreja.

oremos, irmãos.

 

R. Senhor, faça-se a vossa vontade!

 

2.      Pelas nossas crianças,

para que saibamos ensiná-las a escutar os chamamentos

que Deus nos faz perceber no interior de nossos corações,

oremos, irmãos.

 

    R.  Senhor, faça-se a vossa vontade!

 

3.      Pelos jovens

para que descubram com entusiasmo

a sua missão no mundo

e a vivam com coragem e determinação,

oremos, irmãos.

 

    R.  Senhor, faça-se a vossa vontade.

 

4.      Para que a vida humana

seja respeitada desde a conceção até á morte natural,

oremos, irmãos.

 

    R.  Senhor, faça-se a vossa vontade.

 

5.      Por todos nós,

para que escutemos o convite do Senhor

para que bem fieis à vocação que cada um d’Ele recebeu

sejamos felizes e contribuamos para o bem dos outros.

oremos, irmãos.

 

    R.  Senhor, faça-se a vossa vontade.

 

    Ouvi, Senhor, a nossa oração,

    não olheis aos nossos pecados,

    mas à fé com que Vos pedimos.

    Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A tua voz chama por nós – J. Santos, NRMS, 46

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, a graça de participar dignamente nestes mistérios, pois todas as vezes que celebramos o memorial deste sacrifício realiza-se a obra da nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. Silva, NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

Porque nunca poderemos merecer o dom da Sagrada Comunhão, repetimos como o centurião de Cafarnaum “Senhor eu não sou digno....”. Com muita fé, humildade, amor e gratidão, vamos receber Jesus, onde encontraremos a força para sempre, com generosidade seguirmos a nossa vocação.

 

Cântico da Comunhão: Felizes os convidados – M. Luís, NRMS, 4 (I)

Salmo 22, 5

Antífona da comunhão: Para mim preparais a mesa e o meu cálice transborda.

 

Ou

1 Jo 4, 16

Nós conhecemos e acreditámos no amor de Deus para connosco.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear – J. F. Silva, NRMS, 17

 

Oração depois da comunhão: Infundi em nós, Senhor, o vosso espírito de caridade, para que vivam unidos num só coração e numa só alma aqueles que saciastes com o mesmo pão do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Alimentados com a Palavra de Deus e o Pão da Vida, voltemos aos nossos lares, continuando o nosso encontro com Jesus Cristo, sendo sempre fieis vocação, que Ele nos deu. Com estes propósitos,  ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Anunciai com brados de alegria – A. Oliveira, NRMS, 68 

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

2ª Feira, 18-I: Oitavário: A Igreja, esposa de Cristo.

Heb 5, 1-10 /Mc 2, 18-22

Podem os companheiros do esposo jejuar, enquanto o noivo está com eles?

Os profetas já tinham referido esta imagem do esposo e do povo eleito. Agora, é Cristo que se designa como 'Esposo' da Igreja, novo povo de Deus, e de cada um dos seus fiéis (EV). O Senhor é sacerdote para sempre (SR).

Nesta união não cabem remendos que podem estragar todo o tecido. A Igreja é o vestido novo, sem rasgões, santa. Neste Oitavário, procuremos rezar para que não haja remendos na sua doutrina. Vivamos de acordo com os seus ensinamentos, imitando Cristo. Apesar de ser Filho aprendeu, quanto sofrera, o que é a obediência (LT).

 

3ª Feira, 19-I: A esperança, âncora da alma.

Heb, 6, 10-20 / Mc 2, 23-28

Nessa esperança, nós temos uma espécie de âncora da alma, inabalável e segura.

A esperança mantém vivas as promessas feitas por Deus sobre a vida eterna e os meios para alcançá-la. Deus fez uma promessa a Abraão. O Senhor jamais esquecerá a sua Aliança (SR). Abraão teve esperança e obteve uma descendência abundante (LT).

A esperança é como uma âncora da alma, inabalável e segura que, nos mantém bem firmes, como os navios ancorados, embora as marés sejam fortes. É essa esperança que temos pela unidade dos cristãos, porque se apoia no poder de Deus. O Filho do Homem é também Senhor do Sábado (EV).

 

4ª Feira, 20-I: A unidade e as infidelidades.

Heb 7, 1-3. 15-17 / Mc 3, 1-6

Jesus disse ao homem: estende a mão. Ele estendeu e a mão ficou curada.

Jesus encontra a oposição dos fariseus, por ter realizado este milagre em dia de Sábado, e pela dureza dos seus corações (EV). Mas não deixa de fazê-lo.

A unidade dos cristãos é um desejo do Senhor. Para que todos sejam um. Mas encontra muita dureza nos corações. É necessária a conversão do coração, para que possa viver de acordo com o Evangelho, pois a causa das divisões é a infidelidade aos ensinamentos de Cristo. Surgiu um sacerdote, com vida imortal, do qual se dá este testemunho: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec (LT e SR).

 

5ª Feira, 21-I: O pecado e a unidade dos cristãos.

Heb 7, 25- 8, 6 / Mc 3, 7-12

Veio ter com Jesus uma grande multidão, por ouvir contar tudo o que Ele fazia.

Jesus cura as doenças e perdoa igualmente os pecados. Como Médico divino pode salvar de uma maneira definitiva aqueles que, por seu intermédio, se aproximaram de Deus (LT). Alegrem-se e exultem em Vós, todos os que vos procuram (SR).

Para obter a unidade dos cristãos é necessária uma luta mais decidida contra o pecado. Onde há pecado, aí se encontra a multiplicidade, o cisma, a heresia, o conflito. E onde há virtude, encontramos unicidade e união.

 

6ª Feira, 22-I: Povo novo, Aliança nova.

Heb 8, 6-13 / Mc 3, 13-19

Olhai que virão dias em que hei-de concluir uma Aliança Nova com a casa de Israel e a casa de Judá.

Jesus escolheu os doze para andarem com Ele e participarem da sua missão (EV). De entre eles, Simão Pedro ocupa o primeiro lugar. Foi-lhe confiada uma missão única, para defender a fé.

Para que haja um só povo e uma só fé, Jesus vai estabelecer uma Aliança Nova com o novo povo de Deus. Hei-de imprimir minhas leis no seu espírito e gravá-las no seu coração. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo (LT). O Senhor dará o que é bom e dará fruto a nossa terra (SR).

 

Sábado, 23- I: A unidade e a Eucaristia.

Heb 9, 2-3. 11-14 / Mc 3, 20-21

Cristo é, pois, Mediador de uma Aliança nova: uma vez que morreu para remir as faltas cometidas durante a primeira aliança.

Jesus quer estabelecer uma Aliança nova com o novo Povo de Deus (LT). No entanto, os seus parentes achavam que era um disparate (EV).

Na Antiga Aliança, tinha-se erguido um tabernáculo, onde estavam o lampadário, a mesa e os pães (LT). Na Nova Aliança, Cristo fez muito mais. Ofereceu-se a Deus como vítima sem mancha e o seu Sangue nos purificará. No sacrifício eucarístico, a Igreja pede a Deus que conceda aos seus filhos o Espírito Santo, para que se tornem um só corpo e um só Espírito. Aclamemos a Deus com júbilo (SR).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Alves Moreno

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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