Baptismo do Senhor

10 de Janeiro de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cristo desceu às águas do Jordão – J. F. Silva, NRMS, 80

cf. Mt 3, 16-17

Antífona de entrada: Depois do Baptismo do Senhor, abriram-se os Céus. Sobre Ele desceu o Espirito Santo em figura de pomba e fez-Se ouvir a voz do Pai: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Com a Festa do Batismo de Jesus, que hoje celebramos, encerramos as lindas e sempre ternas solenidades do Natal. Esta festa litúrgica é ocasião para também refletirmos no nosso batismo e na importância que ele deve ter na nossa vida.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que proclamastes solenemente a Cristo como vosso amado Filho quando era baptizado nas águas do rio Jordão e o Espírito Santo descia sobre Ele, concedei aos vossos filhos adoptivos, renascidos pela água e pelo Espírito Santo, a graça de permanecerem sempre no vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ou

 

Deus omnipotente, cujo Filho Unigénito Se manifestou aos homens na realidade da nossa natureza, concedei-nos que, reconhecendo-O exteriormente semelhante a nós, sejamos por Ele interiormente renovados. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Este texto do profeta Isaías fala-nos do Servo de Javé. Os discípulos de Jesus, perante o desconcerto de O verem condenado à morte, identificaram-no com este Servo. Desta missão, repleta de amor e doação, participam todos aqueles que a Jesus se unem pelo Sacramento do Batismo.

 

Isaías 42, 1-4.6-7

Diz o Senhor: 1«Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações. 2Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; 3não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega: 4proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam. 6Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, 7para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas».

 

Este texto pertence ao primeiro dos quatro «cantos do Servo de Yahwéh», dispersos pelo Segundo Isaías (Is 40 – 55), mas que, na origem, talvez fizessem parte de um único poema.

«Eis o meu servo». Trata-se de um mediador através do qual Deus levará a cabo o seu plano de salvação. Torna-se difícil determinar quem é designado em primeiro plano, se é uma personalidade individual (um rei de Judá, o profeta, ou o messias), ou uma colectividade (todo o povo de Israel ou parte dele), ou um indivíduo como símbolo de todo o povo. O nosso texto deixa ver uma personagem deveras misteriosa, humilde (vv. 2-3) e poderosa (vv. 4.7), escolhida por Deus e com uma missão universal (vv. 1.6). Pondo de parte a complexa e discutida questão da personalidade originária deste magnífico poema, o certo é que o Novo Testamento está cheio de ressonâncias deste texto, vendo mesmo nesta figura singular um anúncio do Messias, com pleno cumprimento na pessoa de Jesus. Assim temos v. 1: cf. Mt 3,17 e Lc 9,35; vv. 2-4: cf. Mt 12,15-21; v. 6: Lc 1,78-79 e 2,32 e Jo 8,12 e 9,5; v. 7: Mt 11,4-6 e Lc 7,18-22. É evidente que foi escolhida esta leitura para hoje porque é assim que Deus, pelo Profeta, apresenta o seu servo «enlevo da minha alma», sobre quem «fiz repousar o meu espírito»; é por isso que também no Jordão Jesus é apresentado (cf. Evangelho de hoje e paralelos).

 

Salmo Responsorial    Salmo 28 (29), 1a.2.3ac-4.3b.9b-10 (R. 11b)

 

Monição: Como filhos de Deus pelo batismo, somos convidados a louvar e adorar o Senhor, nosso Pai, que manifesta o Seu poder, com a grandiosa obra da Criação.

 

Refrão:        O Senhor abençoará o seu povo na paz.

 

Tributai ao Senhor, filhos de Deus,

tributai ao Senhor glória e poder.

Tributai ao Senhor a glória do seu nome,

adorai o Senhor com ornamentos sagrados.

 

A voz do Senhor ressoa sobre as nuvens,

o Senhor está sobre a vastidão das águas.

A voz do Senhor é poderosa,

a voz do Senhor é majestosa.

 

A majestade de Deus faz ecoar o seu trovão

e no seu templo todos clamam: Glória!

Sobre as águas do dilúvio senta-Se o Senhor,

o Senhor senta-Se como Rei eterno.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Deus não faz aceção de pessoas. Todos os batizados, independentemente da sua raça, origem ou cor, pelo batismo passam a fazer parte da Sua Família.

 

 

Actos dos Apóstolos 10, 34-38

Naqueles dias, 34Pedro tomou a palavra e disse: «Na verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, 35mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável. 36Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. 37Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: 38Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demónio, porque Deus estava com Ele».

 

Temos aqui uma pequenina parte do discurso de Pedro em casa do centurião Cornélio em Cesareia, quando recebeu directamente na Igreja os primeiros gentios, sem serem obrigados a judaizar. É surpreendente que um discurso dirigido a não judeus contenha alusões (não citações explícitas) ao Antigo Testamento: v. 34 – «Deus não faz acepção de pessoas» (cf. Dt 10,17); v. 36 – «Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel» (cf. Salm 107,20); «anunciando a paz» (cf. Is 52,7); v. 38 «Deus ungiu com… Espírito Santo» (cf. Is 61,1). Isto corresponde a que se está num ponto crucial da vida da Igreja, em que ela entra decididamente pelos caminhos da sua universalidade intrínseca, em confronto com o nacionalismo judaico. Por isso era importante recorrer àquelas passagens do A. T. que se opõem a qualquer espécie de privilégio de raça ou cultura: «a palavra aos filhos de Israel» deixa ver como Deus é o «Senhor de todos», imparcial, «não faz acepção de pessoas», e que a «paz» – a súmula de todos os bens messiânicos – Deus a destina a toda a humanidade.

O discurso tem um carácter kerigmático evidente. E Lucas – o historiador-teólogo –, ao redigi-lo, quaisquer que possam ter sido as fontes utilizadas, terá em vista, mais ainda do que a situação concreta em que foi pronunciado, o efeito a produzir nos seus leitores. Convém notar que, no entanto, ao redigir os discursos – o grande recurso de Actos –, Lucas não os inventa; embora não sejam uma reprodução literal, considera-se que correspondem aos temas da pregação primitiva.

38 «Ungiu do Espírito Santo». Estamos aqui em face de uma expressão simbólica tipicamente hebraica, alusiva à união misteriosa com o Espírito Santo (algo que pertence ao mistério trinitário, o verdadeiro ser e missão de Jesus, que se torna visível na sua Humanidade, na teofania do Jordão). É clara a referência a textos do A. T. de grande densidade messiânica, como Is 11,2; 61,1 (cf. Lc 2,18).

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Mc 9, 6

 

Monição: A Santíssima Trindade manifesta-se no momento solene do Batismo de Jesus. Com este ato de profunda humildade, Jesus dá início, na Galileia, à Sua vida pública que o conduzirá à morte e à ressurreição.

 

Aleluia

 

Cântico: C. Silva/A. Cartageno, COM, (pg 114)

 

Abriram-se os céus e ouviu-se a voz do Pai:

«Este é o meu Filho muito amado: escutai-O».

 

 

Evangelho

 

São Marcos 1, 7-11

Naquele tempo, 7João começou a pregar, dizendo: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. 8Eu baptizo na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo». 9Sucedeu que, naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi baptizado por João no rio Jordão. 10Ao subir da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito, como uma pomba, descer sobre Ele. 11E dos céus ouviu-se uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complacência».

 

São Marcos inicia o seu Evangelho com os brevíssimos relatos da pregação do Baptista no deserto, do Baptismo e das tentações de Jesus.

7-8 O contraste entre as duas personalidades, Jesus e João, reforça a superioridade de Jesus e do seu Baptismo: «não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias»; note-se que este gesto era considerado de tal modo humilhante, que nem sequer um judeu o podia impor a um criado da sua raça. É o próprio Baptista (assim chamado, sem mais, nos Sinópticos e também por Flávio Josefo) que estabelece o confronto entre o seu baptismo (banho) e o de Jesus: o seu apenas significava a graça e dispunha para a conversão; o de Jesus não só significa a graça purificadora e regeneradora, mas também a produz eficazmente: «Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo». Ver nota a Jo 1,26 (supra, 3º Domingo do Advento).

9 Jesus quer ser baptizado, mas não é para se inscrever como discípulo na escola do Baptista, nem sequer para ensinar a acatar a missão dum extraordinário enviado de Deus, nem mesmo simplesmente para nos deixar um exemplo de humildade; é sobretudo para realizar uma espécie de «acção simbólica», à maneira dos antigos profetas, como a entendeu a tradição patrística da Igreja: Ele que era a Vida (cf. Jo 1,4; 14,6), entra em contacto com a água para lhe dar a força vivificante de vir a ser a matéria do nosso Baptismo. Por outro lado, logo no início da vida pública, é-nos dado um sinal da divindade de Jesus, constituindo, por assim dizer, a sua apresentação pública como Messias e Filho de Deus, a inauguração solene do seu ministério público, credenciado pelas restantes Pessoas divinas. Também a SS. Trindade – que se manifesta no Baptismo do Senhor – toma posse da alma do fiel que é baptizado.

10 A «pomba», representa o Espírito Santo, porque os rabinos da época costumavam representar o Espírito de Deus por esta ave, a adejar sobre as águas na obra da criação (cf. Gn 1,1). Segundo os Santos Padres, ela é o símbolo da paz e da reconciliação entre Deus e a Humanidade.

 

Sugestões para a homilia

 

1.      O Senhor abençoará o seu povo na paz.

2.      O Batismo recebido por Jesus.

3.       O nosso batismo.

4.      Como deve ser a nossa coerência batismal.

 

1.      O Senhor abençoará o seu povo na paz

 

A paz é o maior bem que todos desejamos possuir. O Senhor, nosso Amigo, a todos quer conceder esta tão grande riqueza. Só Ele verdadeiramente no-la pode dar, pois só Ele é a Fonte da Paz. Ela chega até nós com a Sua Bênção. Para recebermos tão grande dádiva é necessário pertencer ao Seu povo. E temos essa impensável honra, mediante a receção do Sacramento do Batismo, que pela misericórdia do Senhor um dia recebemos. Por isso com o refrão do Salmo intercalar afirmámos “O Senhor abençoará o Seu povo na paz”.

 

2.      O Batismo recebido por Jesus.

 

O Batismo ministrado por João e que Jesus quis receber, era diferente daquele que nós, um dia, pela misericórdia infinita de Deus, recebemos. O de João, tal como de outras seitas religiosas, era simplesmente um rito de aceitação de pessoas no respetivo grupo de discípulos. Recebiam este batismo os que se decidiam mudar de vida, deixando de ser pecadores. Os Saduceus e Fariseus, visto considerarem-se justos, não aceitavam o referido batismo.

Jesus que é a própria Santidade, quis receber o batismo de João. Foi Sua vontade assumir os pecados de todos nós e colocar-se, desde o início, ao lado dos pecadores, para juntamente connosco, percorrer o caminho que conduz à verdadeira libertação dos homens. “Aprendi de Mim que sou manso e humilde de coração”, dirá Ele mais tarde. É nesta atitude paciente e de profunda humildade que Ele dá início à Sua vida pública. “Não gritará, nem levantará a voz... não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega...” lembra a 1ª Leitura da Missa de hoje.

 

3.      O nosso batismo

 

Ao celebrarmos a Festa do Batismo de Jesus, somos convidados também a refetir no Batismo que um dia recebemos. Este, não foi um simples rito penitencial, mas algo muito mais importante, visto tratar-se de um Sacramento, que, como tal, é um ato divino. Com ele fomos enxertados em Cristo, passamos a ser UM SÓ com Ele. No Filho, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, tornamo-nos filhos de Deus. Maior grandeza e dignidade não é possível desejar, pois nem pode existir. Com este Sacramento passamos a fazer parte da Família de Deus, a ser verdadeiramente o Seu Povo. É a este povo, que Ele quer verdadeiramente abençoar e dar a Sua paz. Teremos acesso a tais riquezas, se verdadeiramente aceitarmos a Sua Bênção, assumindo de uma forma consciente e voluntária o batismo. Deus não se impõe. Respeita a liberdade humana. Como é importante tomar consciência da gradeza deste Sacramento para o assumir com muita gratidão e entusiasmo!

 

4.      Como deve ser a nossa coerência batismal.

 

A dignidade batismal exige de cada membro um comportamento próprio de filhos de Deus. Como tais, importa cumprir sempre com muita fidelidade a vontade deste Pai, que é amorosíssimo. Os Seus mandamentos são expressão clara dessa vontade, e tem sempre em mente a verdadeira felicidade de cada um de nós, com grandes implicações sociais e o verdadeiro progresso de toda a humanidade. Fugir a cumprir a vontade do Pai é como renegar o Batismo, é caminhar por caminhos errados, de verdadeiras ilusões, que a experiência pessoal e social, tristemente, confirma.

Os dez mandamentos resumem-se em amar a Deus sobre todas as ciosas e o próximo como a nós mesmos, por amor do mesmo Pai do Céu. No batismo radica assim o mandamento fundamental do cristão, que é o mandamento do amor. Para não nos equivocarmos neste caminhar de coerência vital, é urgente e necessário ser humilde. Só aos humildes é dada a capacidade de discernir e apreciar as verdades sublimes da fé.

Jesus, pelo Seu batismo, aproximou-se dos pecadores e, com toda a humildade, nos fala, com toda a Sua vida desde o nascimento no presépio de Belém, até à morte na cruz. No evangelho de hoje vemos o Senhor a ser batizado no meio dos pecadores.

O batismo que nos configura com Jesus Cristo, deve levar-nos a amar, saber compreender e sempre desculpar as fraquezas do nosso próximo. O amor aos outros deverá traduzir-se sobretudo por um verdadeiro espírito de serviço, de doação. Tal vivência deve começar logo na família, que, em si mesma, é já um dom de Deus. Por amor, os pais dão-se aos filhos quando começam por os aceitar com generosidade, colaborando na obra maravilhosa da Criação, quando estão atentos à sua educação integral, quando os procuram batizar logo após o nascimento e os acompanham com amor e atenção pela vida fora. Educados nesta escola de amor, os filhos respeitarão os seus pais a quem, depois de Deus, tudo sabem dever. Servir assim é ser coerente com o batismo, para, pela misericórdia do mesmo Senhor, um dia podermos ser aceites junto do Pai, na Família celeste.

 

Fala o Santo Padre

 

«[No Batismo do Senhor compreendemos] a disponibilidade de Jesus a imergir-se no rio da humanidade,

a assumir sobre si as faltas e as debilidades dos homens,

a compartilhar o seu desejo de libertação e de superação de tudo o que afasta de Deus.»


 

A hodierna festa do Batismo do Senhor encerra o tempo do Natal e convida-nos a pensar no nosso batismo. Jesus quis receber o batismo pregado e administrado por João Batista no Jordão. Tratava-se de um batismo de penitência: quantos se aproximavam dele manifestavam o desejo de ser purificados dos pecados e, com a ajuda de Deus, comprometiam-se a encetar uma nova vida.

Então compreendemos a grande humildade de Jesus, Aquele que não tinha pecado, ao pôr-se em fila com os penitentes, misturando-se entre eles para ser batizado nas águas do rio. Quanta humildade tem Jesus! E, agindo assim, Ele manifestou aquilo que celebramos no Natal: a disponibilidade de Jesus a imergir-se no rio da humanidade, a assumir sobre si as faltas e as debilidades dos homens, a compartilhar o seu desejo de libertação e de superação de tudo o que afasta de Deus e nos torna alheios aos irmãos. Assim como em Belém, também ao longo das margens do Jordão, Deus mantém a promessa de assumir o destino do ser humano, e disto Jesus é o Sinal tangível e definitivo. Ele cuidou de todos nós, cuida de todos nós durante a vida, ao longo dos dias.

O Evangelho de hoje ressalta que Jesus, «no momento em que saía da água... viu abrir-se os céus e descer sobre Ele o Espírito em forma de pomba» (Mc  1, 10). O Espírito Santo, que tinha agido desde o princípio da criação, guiando Moisés e o povo no deserto, agora desce em plenitude sobre Jesus para lhe infundir a força para cumprir a sua missão no mundo. O Espírito é o artífice do Batismo de Jesus, e também do nosso batismo. Ele abre os olhos do nosso coração para a verdade, para toda a verdade. Impele a nossa vida pela vereda da caridade. Ele é o dom que o Pai ofereceu a cada um de nós no dia do nosso batismo. Ele, o Espírito, transmite-nos a ternura do perdão divino. E é ainda Ele, o Espírito Santo, quem faz ressoar a Palavra reveladora do Pai: «Tu és o meu Filho» (v. 11).

A festa do Batismo de Jesus convida cada cristão a fazer memória do próprio batismo. Eu não vos posso perguntar, se vos recordais do dia do vosso batismo, porque a maioria de vós éreis crianças, como eu; fomos batizados quando éramos crianças. Mas faço-vos outra pergunta: sabeis a data do vosso batismo? Sabeis em que dia fostes batizados? Cada um pense nisto. E se não souberdes a data, ou se a esquecestes, quando voltardes para casa, perguntai à mãe, à avó, ao tio, à tia, ao avô, ao padrinho, à madrinha: que data? E devemos conservar aquela data sempre na memória, porque se trata de uma data de festa, é o dia da nossa santificação inicial, é a data em que o Pai nos concedeu o Espírito Santo que nos impele a caminhar, é a data do grande perdão. Não vos esqueçais: qual é a data do meu batismo?

Invoquemos a proteção maternal de Maria Santíssima, a fim de que todos os cristãos possam compreender cada vez mais o dom do Batismo e se comprometam a vivê-lo com coerência, dando testemunho do amor do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 7 de janeiro de 2018

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos,

recordando o Batismo de Jesus,

o Filho muito amado de Deus Pai,

oremos por todos os homens e mulheres da terra,

dizendo, cheios de confiança:

 

R.  Confirmai-nos, Senhor, no vosso Espírito.

 

1.      Pela santa Igreja espalhada pelo mundo,

pelos ministros do Evangelho e do Batismo,

pelas crianças, por seus pais e padrinhos,

oremos, irmãos,

   

   R. Confirmai-nos, Senhor, no vosso Espírito.

 

2.      Pelos que ainda não receberam o batismo,

para que o Senhor faça deles, quanto antes

membros vivos da Sua Igreja,

oremos, irmãos,

 

R. Confirmai-nos Senhor, no vosso Espírito.

 

3.      Pelos que se afastaram da casa paterna,

Para que o Senhor lhes dê força para renovar

a Aliança de amor que fizeram no batismo,

oremos, irmãos.

 

R. Confirmai-nos Senhor, no vosso Espírito.

 

4.      Pelas famílias cristãs,

para que correspondam com generosidade,

à missão criadora que Deus lhes confiou,

oremos, irmãos.

 

R. Confirmai-nos Senhor, no vosso Espírito.

 

5.      Por nós que recebemos o Batismo,

para que o Senhor nos conceda a graça

e sermos sempre e coerentes, com tão grande dádiva,

oremos, irmãos.

 

R.  Confirmai-nos Senhor, no vosso Espírito.

  

6.      Pelos que já partiram deste mundo,

para que a graça batismal, um dia recebida,

lhes possibilite já ver a Deus face a face,

oremos, irmãos.

 

R. Confirmai-nos Senhor, no vosso Espírito.

 

Senhor, nosso Deus e nosso Pai,

reavivai em nós, pelo Espírito Santo,

o dom e a alegria do batismo,

para que Vos chamemos, com ternura e confiança, nosso Pai,

e nos sintamos de verdade, vossos filhos.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,

 que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Este é o meu Filho – F. Lapa, BML, 60

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que a Igreja Vos oferece, ao celebrar a manifestação de Cristo vosso Filho, para que a oblação dos vossos fiéis se transforme naquele sacrifício perfeito que lavou o mundo de todo o pecado. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio

 

O Baptismo do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

v. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

v. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Nas águas do rio Jordão, realizastes prodígios admiráveis, para manifestar o mistério do novo Baptismo: do Céu fizestes ouvir uma voz, para que o mundo acreditasse que o vosso Verbo estava no meio dos homens; pelo Espírito Santo, que desceu em figura de pomba, consagrastes Cristo vosso Servo com o óleo da alegria, para que os homens O reconhecessem como o Messias enviado a anunciar a boa nova aos pobres.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 38

 

Monição da Comunhão

 

Pelo Batismo somos um só com Jesus Cristo. A Sagrada Comunhão realça esta unidade com Ele e com os irmãos que recebem o mesmo Senhor. Vamos comungar com muita fé e amor, para crescermos na unidade com Ele e uns com os outros.

 

Cântico da Comunhão: Abriram-se os Céus – Az. Oliveira, NRMS, 80

Jo 1, 32.34

Antífona da comunhão: Eis Aquele de quem João dizia: Eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus.

 

Cântico de acção de graças: Águas das fontes, louvai o Senhor – A. Cartageno, NRMS, 80

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais com este dom sagrado, ouvi benignamente as nossas súplicas e concedei-nos a graça de ouvirmos com fé a palavra do vosso Filho Unigénito para nos chamarmos e sermos realmente vossos filhos. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos partir com o propósito de vivermos mais intensamente a nossa condição de filhos de Deus e irmãos uns dos outros. Cresceremos na alegria e santidade, experimentaremos a paz que só Ele nos pode e quer dar, agradeceremos ao Senhor o dom extraordinário que é pertencer à Sua Família e consequentemente estaremos mais atentos às necessidades do nosso próximo. Com estes propósitos, ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: A voz do Senhor ressoa sobre as águas – S. Marques, NRMS,

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

1ª SEMANA

 

2ª Feira, 11-I: Como seguir Jesus.

Heb 1, 1-6 / Mc 1, 12-20

Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar a Boa Nova...o reino de Deus está próximo.

Cristo, o Filho de Deus feito homem, é a palavra do Pai. Nele o Pai disse tudo (LT).  Depois, escolheu os Apóstolos (EV). E assim começou a implantação na terra do reino dos Céus. Vós sois o Altíssimo sobre toda a terra (SR).

Todo somos convidados para O seguirmos (EV). Este convite tem as seguintes características: o arrependimento, para podermos andar pelo bom caminho; acreditar na Boa Nova; seguir as pegadas do Mestre, indicadas no Evangelho e a prontidão para pôr de lado o que estorva.

 

3ª Feira, 12-I: Colaboração na obra da Redenção.

Heb 2, 5-12 / Mc 1, 21-28

Que tens que ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos perder? Eu sei quem tu és, o Santo de Deus.

Jesus não vem perder, mas salvar todos os homens. Este mistério da Redenção está presente em todos os momentos da vida de Cristo: na Encarnação, na Vida oculta, nas suas palavras, nas curas e expulsões de demónios (EV).

Está especialmente presente na sua paixão e morte. Se Ele experimentou a morte, foi pela graça de Deus, para proveito de todos (LT). Destes-lhe poder sobre a obra das vossas mãos (SR). Somos corredentores com a nossa vida diária e corrente: vida de trabalho, vida familiar, vida de oração e sacrifício.

 

4ª Feira, 13-I: A libertação das 'escravidões'.

Heb 2, 14-18 / Mc 1, 29-39

Jesus curou muitas pessoas que sofriam de vária doenças e expulsou muitos demónios.

No início da sua vida pública, Jesus curou muitas doenças e libertou da escravidão do demónio (EV). E fê-lo através da sua morte. Libertou quantos, por meio da morte, se encontravam sujeitos à escravidão (LT). O Senhor recorda sempre a sua Aliança (SR).

Pedimos ao Senhor que nos ajude a libertar das 'escravidões' da nossa vida: preguiça sensualidade, orgulho, egoísmo, vício da NET, etc. Para isso, precisamos também recorrer a um meio que Ele utilizou: a oração. De manhãzinha retirou-se para um sítio ermo e aí começou a orar (EV).

 

5ª Feira, 14-I: Importância do 'hoje' e do 'agora'.

Heb 3, 7-14 / Mc 1, 40-15

Exortai-vos antes uns aos outros, enquanto se puder falar desse dia de hoje, para que nenhum de vós endureça, seduzido pelo pecado.

Quando a Igreja celebra o mistério de Cristo, há uma palavra que aparece frequentemente: Hoje! Em cada Pai-nosso, fazemos pedidos para o dia de hoje; em cada Avé-Maria, pedimos ajuda de Nossa Senhor para o Agora. Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações (SR).

O Hoje deve estar igualmente presente na nossa vida. Por um lado, porque o coração endurece, quando é seduzido pelo pecado (LT). Por outro lado, precisamos estar muito atentos à voz do Senhor. Vou curar-te (EV).

 

6ª Feira: 15-I: A actuação do Médico divino.

Heb 4, 1-5, 11 / Mc 2,  1-12

Embora se mantenha a promessa de entrarmos no repouso de Deus, devemos recear que alguns de vós suponha ter ficado para trás.

Embora se mantenha a promessa da entrada no repouso de Deus (a vida eterna) e da promessa feita pelo Senhor, há muitos que se esquecem dessa realidade e, pelas suas obras, serão objecto da indignação de Deus (LT).

No entanto, Deus envia-nos o Médico divino para nos ajudar. O Senhor perdoou os pecados ao paralítico e restitui-lhe a saúde do corpo (EV)). Ponham em Deus a sua confiança (SR). O Médico divino continua a actuar através do sacramento da Penitência (o perdão dos pecados) e o da Unção dos Enfermos.

 

Sábado, 16-I: O seguimento de Cristo.

Heb 4, 12-16 / Mc 2, 13-17

Jesus, ao prosseguir, viu Levi, filho de Alfeu, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: Segue-me'. Ele ergueu-se e seguiu Jesus.

Para que todos os que estão afastados e possam seguir Cristo, esta é a solução: ouvir a sua Palavra e levá-la à prática (EV). Assim sucedeu com Alfeu (S. Mateus).

A Palavra de Deus tem umas propriedades extraordinárias. É viva, mais eficaz que toda a espada de dois gumes, penetra até onde se dividem a vida do corpo e da alma.  Vamos, pois, cheios e confiança, ao trono da graça a fim de alcançarmos um auxílio oportuno (LT). As vossas palavras são espírito e vida (SR). Sirva-nos de exemplo Nª Senhora: Faça-se em mim segundo vossa palavra.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Alves Moreno

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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