Epifania do Senhor

3 de Janeiro de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Levanta-te Jerusalém, eis a tua luz – A. F. Santos, BML, 9

cf. Mal 3, 1; 1 Cr 19, 12

Antífona de entrada: Eis que vem o Senhor soberano. A realeza, o poder e o império estão nas suas mãos.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebrámos no Natal o nascimento de Jesus. Muitas pessoas O foram visitar…

Hoje, recordando a visita dos Magos, somos chamados, como eles, a ir ao encontro de Jesus que veio ao mundo para nos salvar.

 

Oração colecta: Senhor Deus omnipotente, que neste dia revelastes o vosso Filho Unigénito aos gentios guiados por uma estrela, a nós que já Vos conhecemos pela fé levai-nos a contemplar face a face a vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Já no Antigo Testamento o Povo Eleito, instruído pelos Profetas, vivia animado pela fé, esperando o Messias Salvador.

 

Isaías 60, 1-6

1Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. 2Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina. 3As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora. 4Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços. 5Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. 6Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá; hão-de trazer ouro e incenso e proclamarão as glórias do Senhor.

 

O texto canta a glória da Jerusalém renovada, figura da «Jerusalém nova descida do Céu» (cf. Apoc 21,2.23-24). A visão universalista que o poema apresenta corresponde à realidade da Igreja, que é católica, universal.

3 «As nações caminharão à tua luz, e os reis ao esplendor da tua aurora». Não há dúvida de que se pode adaptar perfeitamente este texto isaiano ao mistério hoje celebrado: os «magos» – este texto terá contribuído para se lhes chamar «reis» –, que seguem a «luz» da estrela, são os pioneiros de entre os povos gentios a acorrer ao encontro do Messias.

6 A menção de povos do Oriente – «Madiã e Efá» –, dos ricos comerciantes de «Sabá», a sul da Arábia (Yémen) e, sobretudo, os produtos que trazem – «ouro e incenso» – fazem lembrar o que nos relata o Evangelho: a vinda dos Magos do Oriente que trazem «oiro, incenso e mirra».

 

Salmo Responsorial    Salmo 71 (72), 2.7-8.10-11.12-13 (R. cf. 11)

 

Monição: Adoremos o Senhor com os crentes de todos os tempos, pedindo-Lhe nos ajude a mantermos viva a nossa fé.

 

Refrão:        Virão adorar-Vos, Senhor,

                     todos os povos da terra.

 

Ó Deus, concedei ao rei o poder de julgar

e a vossa justiça ao filho do rei.

Ele governará o vosso povo com justiça

e os vossos pobres com equidade.

 

Florescerá a justiça nos seus dias

e uma grande paz até ao fim dos tempos.

Ele dominará de um ao outro mar,

do grande rio até aos confins da terra.

 

Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes,

os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas.

Prostrar-se-ão diante dele todos os reis,

todos os povos o hão-de servir.

 

Socorrerá o pobre que pede auxílio

e o miserável que não tem amparo.

Terá compaixão dos fracos e dos pobres

e defenderá a vida dos oprimidos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O Apóstolo São Paulo, chamado pelo Senhor, confiou-Lhe  a sua vida, chamando as outras pessoas para ir ao Seu encontro.

 

Efésios 3, 2-3a.5-6

Irmãos: 2Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor: 3apor uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo. Nas gerações passadas, 5ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: 6os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.

 

Nesta passagem de Efésios, S. Paulo define em que consiste o «mistério de Cristo» (v. 4). Os gentios, que vêm à Igreja, estão no mesmo pé de igualdade que os judeus procedentes do antigo povo de Deus: não há lugar para cristãos de primeira e cristãos de segunda! O texto original é muito expressivo: os gentios vêm a ser co-herdeiros («recebem a mesma herança que os judeus», assim temos a tradução litúrgica), com-corpóreos (traduzido por: «pertencem ao mesmo Corpo», o Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja una), e com-participantes (traduzido por: «beneficiam da mesma promessa» de salvação). E é este o mistério que também se celebra na Festa da Epifania: Cristo igualmente Salvador de gentios e judeus.

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 2, 2

 

Monição: Os Magos foram ao encontro de Jesus Menino para O adorar e oferecer-Lhe ouro, incenso e mirra. Adoremo-l’O também nós, oferecendo-Lhe o nosso coração.

 

Aleluia

 

Cântico: C. Silva/A. Cartageno, COM, (pg 114)

 

Vimos a sua estrela no Oriente

e viemos adorar o Senhor.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 2, 1-12

1Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. 2«Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». 3Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. 4Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. 5Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo profeta: 6‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». 7Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. 8Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». 9Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. 10Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. 11Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, caindo de joelhos, prostraram-se diante d’Ele e adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. 12E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.

 

O Evangelho da adoração dos Magos foi objecto das mais belas reflexões teológico-espirituais ao longo da história: já nos fins do séc. II, Tertuliano via nas ofertas dos Magos símbolos do reconhecimento de quem era Jesus: oferecem-lhe «ouro» como Rei, «incenso» como Deus, «mirra» (outra resina aromática, usada na sepultura) como Homem. Santo Ambrósio fixa-se em que os Magos vão por um caminho e voltam por outro, porque regressam melhores, depois do encontro com Cristo. Santo Agostinho vê nos Magos as primitiæ gentium, a par dos pastores que são as primícias dos judeus, etc. Mas ainda hoje os comentadores retomam e actualizam os temas do relato: Cristo como verdadeira luz, o caminho dos gentios para Cristo, o simbolismo das ofertas, a fé e a perseverança dos Magos, a busca do sentido da Escritura, o sentido de procura do caminho, etc.

O próprio relato encerra um grande alcance teológico: Jesus é o verdadeiro «rei» que merece ser procurado e adorado por todos; a Ele acorrem, vindas de longe, gentes guiadas por uma estrela e pela Escritura; ainda menino e sem falar, já divide os homens a favor e contra Ele; a homenagem que Lhe prestam os Magos é a resposta humana ao «Emanuel, Deus connosco»; n’Ele se cumprem as profecias que falavam da vinda de reis e de todos os povos a Jerusalém, assim em Is 60 e Salm 72(71),10. Mais ainda, ao nível da própria redacção de Mateus, o relato ilustra a teologia específica do evangelista: sendo este Evangelho dirigido a judeo-cristãos, confrontados com a Sinagoga, que não aceita Jesus, o episódio dos Magos documenta bem a teologia do «messias rejeitado», pois Jesus, logo ao nascer, encontra a hostilidade do poder e a indiferença das autoridades religiosas; é também uma ilustração das palavras de Jesus, «virão muitos do Oriente…» (Mt 8,11).

Em face de tudo isto, o estudioso não pode deixar de se interrogar se não estaremos perante um teologúmeno, uma criação de Mateus para dar corpo a uma ideia teológica. A verdade é que em toda a tradição cristã se deu grande valor à adoração dos Magos e à festa da Epifania. Se detrás disto não há realidade nenhuma, o significado de tudo fica privado da sua base mais sólida.

Nota sobre a questão da historicidade do relato: A crítica bíblica moderna tem proposto teorias bastante discordantes; por um lado, temos um grupo em que R. E. Brown reúne as objecções que se têm levantado contra a historicidade do relato, que denotam – diz – «uma inverosimilhança intrínseca»: o movimento da estrela de Norte para Sul (Jerusalém – Belém), a sua paragem sobre a casa, a consulta de Herodes aos escribas e sacerdotes, seus inimigos, a indicação de Belém como um dado desconhecido ao contrário de Jo 7,42, a imperdoável ingenuidade de Herodes que não manda espiar os Magos, o facto de não se ter identificado o menino após a visita de homens de fora a uma pequena povoação, o silêncio de Lucas sobre a visita; estes autores concluem que se trata, então, de uma construção artificial feita com textos do Antigo Testamento.

Por outro lado, temos autores mais recentes como R. T. France (The Gospel according to Mathew) que defendem a credibilidade histórica do relato, demonstrando que as dificuldades contra têm solução. Com efeito, embora estejam subjacentes no relato vários textos do A. T., apenas um é citado, podendo mesmo ser suprimido sem interromper o discurso (vv. 5b-6), o que é sinal de que a citação foi acrescentada a um relato preexistente, não sendo a citação a dar origem ao relato. Os pretensos traços duma lenda edificante, ou midraxe hagadá, nada têm de historicamente improvável, fora o caso da estrela que pára sobre a casa, mas já S. João Crisóstomo observava que a estrela não vinha de cima, mas de baixo, pois não era uma estrela natural e não é provável que a Igreja, que bem cedo entrou em conflito com a astrologia, tivesse inventado uma história a favorecê-la. O facto de Herodes não ter mandado espiar os Magos não revela ingenuidade, mas prudência para que os seus guardas não viessem a dificultar a descoberta do Menino, e também uma plena confiança em que os Magos voltassem; finge colaborar com eles, a fim de obter mais dados.

Também René Laurentin sublinha a credibilidade histórica de certos pormenores, como a existência de astrólogos viajantes («magos») no Oriente, ou a astúcia e crueldade de Herodes (matou a maior parte das suas 10 mulheres, vários filhos e muitas pessoas influentes na política); e, sobretudo, Mateus revela «sensibilidade histórica», ao não fazer coincidir bem os factos que narra com as citações e alusões ao A. T.: se os factos fossem inventados, teriam sido forjados de molde a que se adaptassem bem às passagens bíblicas (a estrela da profecia de Balaão – Nm 24,17 – não é a estrela que indica o Messias, mas sim o próprio Messias, etc.). Também a propaganda religiosa judaica tinha despertado a expectativa do nascimento do Messias (ver, por ex., a IV écloga de Virgílio) e fervorosos aderentes entre os gentios, o que torna mais compreensível a visita destes estranhos. A. Díez Macho afirma que «a intenção de Mateus é narrar história confirmada com profecias ou paralelos vétero-testamentários», e descobre no episódio dos Magos uma grande quantidade de «alusões» ao A. T. (o chamado rémez, figura retórica muito do gosto dos semitas e frequente na Bíblia). Este célebre biblista espanhol (assim também G. Segalla) diz que o fenómeno da estrela pode muito bem corresponder à conjunção de Júpiter e Saturno que se deu na constelação de Peixe, e que teve lugar três vezes no ano 7 a. C., data provável de nascimento de Cristo.

Bento XVI também afirma que as semelhanças da narrativa de Mateus com a Hagadá de Moisés que se conta em Flávio Josefo, posterior ao Evangelho, «não bastam para tornar a narrativa de Mateus uma simples variante cristã da hagadá de Moisés» (A Infância de Jesus, p. 93).

Mas a verdade é que não se pode negar o carácter popular do relato, pouco preocupado com o rigor das coisas, pois até dá a entender que havia uma estrela a deslocar-se de Norte para Sul até parar sobre a casa.

 

Sugestões para a homilia

 

Os Magos foram ao encontro de Jesus

Nós encontrámos Jesus

Que todos encontrem Jesus

 

Os Magos foram ao encontro de Jesus

Pelo Seu infinito amor por nós, Deus veio ao encontro da humanidade para a salvar ( Primeira Leitura ).

 O mundo tinha-se afastado do bom caminho. Em vez de O adorar, cumprindo a Sua vontade, os homens abandonaram-n’O, preferindo a vida de pecado.

Mas Deus não abandonou o Seu Povo. Desde toda a eternidade escolheu a Virgem Maria para ser a Mãe do Salvador.

Jesus veio ao mundo. Senhor de tudo quanto existe, nasceu pobre e humilde em Belém.

 Muitos O vieram adorar. O Evangelho descreve uma dessas visitas importantes: a visita dos Magos que O adoraram e Lhe ofereceram ouro, incenso e mirra…

 

 

Nós encontrámos Jesus

Sim.! Nós encontrámos Jesus porque Ele veio ao nosso encontro. Desde o dia do nosso Batismo pertencemos à Sua Igreja

Depois foram e são tantos os encontros!...

Encontramos Jesus, vivo como no Céu, quando O recebemos na Sagrada Comunhão. Sempre que pudermos participemos na Santa Missa!

Às vezes procuramos Jesus por caminhos que ainda nos afastam mais d’Ele. Isso acontece sempre que O ofendemos, transgredindo a Sua Lei.

E Jesus está tão próximo de nós! Está no nosso coração. Não O afastemos! Com Ele nada nos faltará.

Quando rezamos, quando trabalhamos, quando descansamos, estejamos sempre com Jesus. Ele é tudo na nossa vida.

Avivemos a nossa fé e vejamo-l’O também nas crianças inocentes, nos jovens que alimentam sonhos de esperança, nos homens e mulheres que trabalham tornando o mundo melhor, nos velhinhos que deixam belos testemunhos de vida, nos doentes que oferecem a sua cruz pela salvação da humanidade…

 

Que todos encontrem Jesus

Os Magos não sabiam o caminho para encontrar Jesus. Mas de noite nós contemplamos a maravilha das estrelas no Céu… Pois foi uma dessas estrelas que lhes apontou o caminho para Jesus.

Como essa misteriosa estrela também nós somos chamados a apontar o caminho para Jesus junto dos que O procuram e não O encontram.

São Paulo anima-nos com o seu exemplo a sermos apóstolos de Jesus ( Segunda Leitura ).

Vamos então anunciá-l’O aos que ainda nem sequer sabem que Ele existe.

Vamos então anunciá-l’O aos que ouviram falar d’Ele mas as dúvidas que os atormentam impedem-nos de O amar.

Vamos então anunciá-l’O aos que O negam. Pode ser que reflitam e a graça de Deus fará o que a nós é impossível.

Vamos então anunciál’O aos que contribuíram para que o Senhor viesse até nós para jamais nos separarmos d’Ele.

Vamos então anunciá-l’O aos que Lhe oferecem a sua vida em doação plena e para sempre. Juntemo-nos a eles para que Jesus seja conhecido e amado por todos os povos da terra!

Maria Santíssima, Mãe de Jesus, é também nossa querida Mãe. Que esteja connosco para amarmos, como Ela, Jesus agora e sempre! Amém!

 

Fala o Santo Padre

 

São estas as três atitudes que encontramos no Evangelho: busca amorosa dos Magos,

indiferença dos sumos sacerdotes, dos escribas, daqueles que conheciam a teologia; e medo, de Herodes.

E também nós podemos pensar e escolher: qual das três assumir?

 

Hoje, festa da Epifania do Senhor, o Evangelho (cf. Mt 2, 1-12) apresenta-nos três atitudes com as quais foram acolhidas a vinda de Cristo Jesus e a sua manifestação ao mundo. A primeira atitude: busca, busca amorosa; a segunda: indiferença; a terceira: medo.

Busca amorosa: os Magos não hesitam em pôr-se a caminho para procurar o Messias. Tendo chegado a Jerusalém perguntam: «Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente, e viemos adorá-lo (v. 2). Fizeram uma longa viagem e agora com grande solicitude procuram encontrar onde pode estar o Rei recém-nascido. Em Jerusalém dirigem-se ao rei Herodes, o qual pede aos sumos sacerdotes e aos escribas para se informarem acerca do lugar onde iria nascer o Messias.

A esta busca amorosa dos Magos, contrapõe-se a segunda atitude: a indiferença dos sumos sacerdotes e dos escribas. Estes não se incomodavam. Conheciam as Escrituras e eram capazes de dar a resposta certa sobre o lugar do nascimento: «Em Belém de Judeia; porque assim está escrito pelo profeta» (v. 5); sabem, mas não se dão ao trabalho de ir visitar o Messias. E Belém está à distância de poucos quilómetros, mas eles não se movem.

Ainda mais negativa é a terceira atitude, a de Herodes: o medo. Ele tem medo que aquele Menino o prive do poder. Chama os Magos para que lhe digam quando lhes apareceu a estrela, e envia-os a Belém dizendo: «Ide, e perguntai [...] pelo menino e, quando o achardes, participai-mo, para que também eu vá e o adore» (vv. 7-8). Na realidade, Herodes não queria ir adorar Jesus; Herodes quer saber onde se encontra o menino não para o adorar, mas para o eliminar, porque o considera um rival. E reparai bem: o medo leva sempre à hipocrisia. Os hipócritas são assim porque têm o medo no coração.

São estas as três atitudes que encontramos no Evangelho: busca amorosa dos Magos, indiferença dos sumos sacerdotes, dos escribas, daqueles que conheciam a teologia; e medo, de Herodes. E também nós podemos pensar e escolher: qual das três assumir? Quero ir com solicitude ao encontro de Jesus? “Mas a mim Jesus não diz nada... fico tranquilo...”. Ou tenho medo de Jesus e no meu coração gostaria de o eliminar?

O egoísmo pode induzir a considerar a vinda de Jesus na própria vida como uma ameaça. Procura-se então suprimir ou fazer silenciar a mensagem de Jesus. Quando se seguem as ambições humanas, as perspectivas mais confortáveis, as inclinações do mal, Jesus é sentido como um obstáculo.

Por outro lado, está sempre presente também a tentação da indiferença. Mesmo sabendo que Jesus é o Salvador — nosso, de todos nós — prefere-se viver como se ele o não fosse: em vez de se comportar em coerência com a própria fé cristã, seguem-se os princípios do mundo, que induzem a satisfazer as inclinações à prepotência, à sede de poder, às riquezas.

Ao contrário, somos chamados a seguir o exemplo dos Magos: ser amorosos na busca, prontos a incomodarmo-nos para encontrar Jesus na nossa vida. Procurá-lo para o adorar, para reconhecer que Ele é o nosso Senhor, Aquele que indica o verdadeiro caminho a seguir. Se tivermos esta atitude, Jesus realmente nos salva, e nós podemos viver uma vida bela, podemos crescer na fé, na esperança, na caridade em relação a Deus e aos nossos irmãos.

Invoquemos a intercessão de Maria Santíssima, estrela da humanidade peregrina no tempo. Com a sua ajuda materna, possa cada homem chegar a Cristo, Luz de verdade, e o mundo progredir pelo caminho da justiça e da paz.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 6 de janeiro de 2018

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus Omnipotente

e imploremos a Sua misericórdia,

dizendo confiadamente:

Escutai, Senhor, a nossa oração.

 

1.      Pela Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo,

pelos fiéis que a santificam, servindo os irmãos

e pelos que são perseguidos por amarem a Deus,

oremos.

 

2.      Pelas crianças que oferecem encanto e ternura,

pelos jovens que desejam renovar a sociedade

e pelas famílias onde há diálogo e amor,

oremos.

 

3.      Pelas pessoas que ainda não sabem quem é Jesus,

pelas que duvidam da Sua existência ou O negam

e pelas que Lhe consagram a sua vida,

oremos.

 

4.      Pelos pecadores arrependidos, a caminho da conversão,

pelos que deixam o vício, o mal e o pecado

e por aqueles que procuram a virtude, a perfeição e santidade,

oremos.

 

5.      Pelos pobres que se esforçam por viver com dignidade,

pelos abandonados que querem a reintegração na sociedade

e pelos doentes que precisam da nossa ajuda e companhia,

oremos.

 

6.      Pelos familiares e amigos que viveram connosco na Terra

e que o Senhor chamou para o Céu,

onde esperamos ser felizes com eles para sempre,

oremos.

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai,

dignai-Vos atender estas súplicas

e, por intercessão da Virgem Santa Maria,

concedei-nos o que for melhor para nós.

Por N. S. J. C. Vosso Filho que é Deus Convosco

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Ó vós que andais buscando, M. Simões, NRMS, 47

 

Oração sobre as oblatas: Olhai com bondade, Senhor, para os dons da vossa Igreja, que não Vos oferece ouro, incenso e mirra, mas Aquele que por estes dons é manifestado, imolado e oferecido em alimento, Jesus Cristo, vosso Filho, Nosso Senhor, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Epifania: p. 460 [592-704]

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Nas Orações Eucarísticas II e III faz-se também a comemoração própria.

 

Santo: C. Silva – COM, (pg 195)

 

Monição da Comunhão

 

Jesus Eucaristia está tão próximo de nós! Não recusemos recebê-l’O na Sagrada Comunhão, se estamos devidamente preparados. Com Ele em nós não haverá lugar para dúvidas porque nos torna imensamente felizes.

 

Cântico da Comunhão: Vimos a sua estrela – F. Silva, NRMS, 68

cf. Mt 2, 2

Antífona da comunhão: Vimos a sua estrela no Oriente e viemos com presentes adorar o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: O Verbo fez-se carne – Az. Oliveira, NRMS, 47 e 52

 

Oração depois da comunhão: Iluminai-nos, Senhor, sempre e em toda a parte com a vossa luz celeste, para que possamos contemplar com olhar puro e receber de coração sincero o mistério em que por vossa graça participámos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

No início deste novo ano somos chamados a viver em cada dia no Amor de Jesus.

Os Magos foram ao Seu encontro, guiados por uma estrela.

Nós vamos anunciá-l’O ao mundo com a Divina Estrela, a Mãe de Jesus e nossa querida Mãe!

 

Cântico final: Uns Magos vindos do além – J. F. Silva, NRMS, 76

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DEPOIS DA EPIFANIA

 

2ª Feira, 4-I: A 1ª mensagem de Cristo.

1 Jo 3, 22- 4, 6 / Mt 4, 12-17. 23-25

A partir de então, Jesus começou a dizer: Arrependei-vos pois o reino de Deus está próximo.

É esta a primeira mensagem de Cristo (EV), no começo do seu ministério Público, e que nos pode ajudar no começo do Novo Ano. Eu te darei os povos em herança (SR)

A nossa conversão há-de estar dirigida para Aquele que nos trouxe a luz. Infelizmente há muitos falsos profetas que semeiam a confusão. Caríssimos, não acrediteis em todo e qualquer espírito (LT). A má doutrina aparece muitas vezes revestida de aparente bondade. Mas a conversão exige uma alteração ao modo como estamos a viver. Pode ser acreditar no Evangelho, levar à prática o que o Senhor nos aconselha, etc.

 

3ª Feira, 5-I: O amor de Deus por nós.

1 Jo 4, 7-10 / Mc 6, 34-44

Assim se manifestou em nós o amor de Deus: Deus enviou ao mundo o seu Filho único para nós vivermos por Ele.

Foi Deus quem nos amou primeiro (LT). Esta é uma verdade muito consoladora e muito importante. A plenitude do amor de Deus para connosco manifesta-se na Encarnação do seu Filho (LT), a quem irão adorar todos os povos da terra (SR).

Apesar das nossas misérias Ele continua a procurar-nos, como o pastor à ovelha tresmalhada (EV). Vai ao encontro das nossas necessidades espirituais (Instruía-os demoradamente), e também nas necessidades materiais, pois todos comeram e ficaram saciados (EV). Voltemo-nos para Deus para começarmos de novo.

 

4ª Feira, 6-I: O medo e as ansiedades

1 Jo 4, 11-18 / Mc 6, 45-52

Ao verem Jesus andar sobre as águas os discípulos julgaram que era um fantasma e começaram a gritar.

O medo dos Apóstolos (EV) continua a ser muito corrente: medo do fim do mundo, da morte, das doenças, dos assaltos, etc. No caso dos Apóstolos era uma realidade autêntica. Só Jesus nos pode dizer: Não temais. Se há amor, não há temor (LT).

Quando viram a tempestade, pediram ajuda, e Jesus foi em seu auxílio (EV). Ele socorrerá o que pede auxílio (SR). É imprescindível o recurso a Deus nos momentos difíceis, nas circunstâncias dolorosas, quando o medo se apodera de nós. Recorramos também à ajuda nosso Anjo da Guarda, que nos protege de noite e de dia.

 

5ª Feira, 7-I: Quem ama a Deus, ame também o seu irmão.

1 Jo 4, 19- 5, 4 / Lc 4, 14-22

É este o mandamento que recebemos dEle: quem ama a Deus, ame igualmente seu irmão.

Deus é Amor, afirma S. João. O Pai enviou o seu Filho Unigénito, quando chegou a plenitude dos tempos. E Jesus deu-nos um exemplo deste amor, ao dar a sua vida por nós. Por isso, nos pede que, como Ele, amemos os outros, incluindo os inimigos e os pobres. Enviou-me a anunciar a Boa Nova aos pobres (EV). Ele governará o povo com justiça e os pobres com equidade (SR).

Quando não perdoamos aos outros, o nosso coração endurece e torna-se impermeável ao amor misericordioso do Pai. Quem não ama o seu irmão, não pode amar a Deus (LT).

 

6ª Feira, 8-I: Quem tem o Filho, tem a vida.

1 Jo 5, 5-13 / Lc 5, 12-16

Jesus estendeu a mão e tocou-lhe dizendo: Quero, fica curado.

 Precisamos aumentar a nossa fé no Médico divino (EV), que vem curar as doenças da nossa alma. Jesus procura os doentes espirituais, para os poder libertar da 'lepra' da alma, que é o pecado.

No sacramento da Penitência, Ele diz-nos a cada um de nós: Os teus pecados são perdoados. Muitos se aproximavam dEle para serem curados dos seus males (também pecados). Realmente quem tem o Filho, tem a vida; quem não tem o Filho, não tem a vida (LT). Ele envia à terra a sua palavra (SR).

 

Sábado, 9-I: Os combates com o Maligno.

1 Jo 5, 14-21 / Jo 3, 22-30

Foi com os seus discípulos para o território da Judeia, onde se demorou com eles a baptizar.

Jesus baptizava para perdoar todos os pecados (EV). Por este sacramento ficamos limpos. Mas, no entanto, permanecem em nós certas consequências, como a morte, a doença. E também uma tendência para pecado, chamada concupiscência.

O maligno, a quem está sujeito o mundo inteiro (LT), explora estas fraquezas. Por isso, na nossa vida precisamos travar diariamente muitos combates, para podermos chegar ao que é bem e bom, pedindo muita ajuda a Deus para cumprirmos a sua vontade (LT). Porque o Senhor ama o seu povo, coroa os humildes com a vitória (SR).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Aurélio Araújo Ribeiro

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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