Sagrada Família de Jesus, Maria e José

27 de Dezembro de 2020

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhor Jesus iluminai nossas famílias – J. F. Silva, NRMS, 71 – 72

Lc 2, 16

Antífona de entrada: Os pastores vieram a toda a pressa e encontraram Maria, José e o Menino deitado no presépio.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O Filho de Deus veio ao mundo numa família, e nela recebeu todo o amor de que eram capazes os corações de Maria Santíssima e São José. A eles confiamos, neste dia, as nossas famílias para que as guardem e as conduzam à Casa do Céu  

 

Oração colecta: Senhor, Pai santo, que na Sagrada Família nos destes um modelo de vida, concedei que, imitando as suas virtudes familiares e o seu espírito de caridade, possamos um dia reunir-nos na vossa casa para gozarmos as alegrias eternas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Escutemos a Palavra de Deus que nos indica como devemos viver o amor aos pais, especialmente na sua velhice. São exortações muito atuais que a todos nos interpelam.

 

Ben-Sira 3, 3-7.14-17a (gr. 2-6.12-14)

3Deus quis honrar os pais nos filhos e firmou sobre eles a autoridade da mãe. 4Quem honra seu pai obtém o perdão dos pecados 5e acumula um tesouro quem honra sua mãe. 6Quem honra o pai encontrará alegria nos seus filhos e será atendido na sua oração. 7Quem honra seu pai terá longa vida, e quem lhe obedece será o conforto de sua mãe. 14Filho, ampara a velhice do teu pai e não o desgostes durante a sua vida. 15Se a sua mente enfraquece, sê indulgente para com ele e não o desprezes, tu que estás no vigor da vida, 16porque a tua caridade para com teu pai nunca será esquecida 17ae converter-se-á em desconto dos teus pecados.

 

Esta leitura é extraída da Sabedoria de Jesus Ben Sira, título grego do livro do A.T. mais lido na Liturgia, depois do Saltério, o que lhe veio a merecer, na Igreja latina, o nome de Eclesiástico, como já lhe chamava S. Cipriano no séc. III. O autor inspirado escreve pelo ano 180 a. C., quando a Palestina acabava de passar para o domínio dos Selêucidas (198). Então, a helenização, favorecida pelas classes dirigentes, começava a tornar-se uma sedução para o povo da Aliança, com a adopção de costumes totalmente alheios à pureza da religião. Perante tão perigosa ameaça, Ben Sira vê na família o mais poderoso baluarte contra o paganismo invasor. Assim, os seus ensinamentos vão insistentemente dirigidos aos filhos, e estes são continuamente exortados a prestar atenção às palavras do pai.

O nosso texto é um belíssimo comentário inspirado ao 4.º mandamento do Decálogo (Ex 20,12; Dt 5,16), concretizando alguns deveres: o cuidado com os pais na velhice (v. 14a); não lhes causar tristeza (v. 14b); ser indulgente para com eles, se vierem a perder a razão (15a); nunca os votar ao desprezo (15b).

 

 

Salmo Responsorial     Salmo 127 (128), 1-2.3.4-5 (R. cf. 1)

 

Monição: Recordemos, com palavras do livro dos salmos, que o maior bem para uma família é a sincera piedade dos pais.

 

Refrão:         Felizes os que esperam no Senhor,

e seguem os seus caminhos.

Ou:                Ditosos os que temem o Senhor,

ditosos os que seguem os seus caminhos.

 

Feliz de ti, que temes o Senhor

e andas nos seus caminhos.

Comerás do trabalho das tuas mãos,

serás feliz e tudo te correrá bem.

 

Tua esposa será como videira fecunda

no íntimo do teu lar;

teus filhos serão como ramos de oliveira

ao redor da tua mesa.

 

Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.

De Sião te abençoe o Senhor:

vejas a prosperidade de Jerusalém

todos os dias da tua vida.

 

Segunda Leitura

 

Monição: São Paulo aconselha aos primeiros cristãos como devem viver as virtudes familiares para que reine no seu lar a paz de Cristo. Escutemos as suas palavras como dirigidas a nos próprios.

 

Colossenses 3, 12-21

Irmãos: 12Como eleitos de Deus, santos e predilectos, revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e paciência. 13Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, se algum tiver razão de queixa contra outro. Tal como o Senhor vos perdoou, assim deveis fazer vós também. 14Acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. 15Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados para formar um só corpo. E vivei em acção de graças. 16Habite em vós com abundância a palavra de Cristo, para vos instruirdes e aconselhardes uns aos outros com toda a sabedoria; e com salmos, hinos e cânticos inspirados, cantai de todo o coração a Deus a vossa gratidão. 17E tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras, seja tudo em nome do Senhor Jesus, dando graças, por Ele, a Deus Pai. 18Esposas, sede submissas aos vossos maridos, como convém no Senhor. 19Maridos, amai as vossas esposas e não as trateis com aspereza. 20Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. 21Pais, não exaspereis os vossos filhos, para que não caiam em desânimo.

 

A leitura é tirada da parte final da Carta, a parte parenética, ou de exortação moral, em que o autor fundamenta a vida moral do cristão na sua união com Cristo a partir do Baptismo: trata-se duma «vida nova em Cristo».

12-15 Temos aqui a enumeração de uma série de virtudes e de atitudes indispensáveis à vida doméstica, diríamos nós agora, para que ela se torne uma imitação da Sagrada Família de Nazaré. Estas virtudes são apresentadas com a alegoria do vestuário, como se fossem diversas peças de roupa, que, para se ajustarem bem à pessoa, têm de ser cingidas com um cinto, que é «a caridade, o vínculo da perfeição». Na linguagem bíblica, «revestir-se» não indica algo de meramente exterior, de aparências, mas assinala uma atitude interior, que implica uma conversão profunda.

17 «Tudo em nome do Senhor Jesus» como Jesus faria ou falaria no meu lugar.

18-21 O autor sagrado não pretende indicar aqui os deveres exclusivos de cada um dos membros da família, mas sim pôr o acento naqueles que cada um pode ter mais dificuldade em cumprir; com efeito, o marido também tem de «ser submisso» à mulher, e a mulher também tem de «amar» o seu marido.

 

 

 

Aclamação ao Evangelho        Col 3, 15a.16a

 

Monição: O exemplo de Nossa Senhora e S. José, que cumprem fielmente a Lei de Deus, nos faz compreender que o amor a Deus vai unido ao cumprimento da sua Santíssima Vontade.

 

Aleluia

 

Cântico: J. F. Silva, NRMS, 50-51 (II)

 

Reine em vossos corações a paz de Cristo,

habite em vós a sua palavra.

 

 

Evangelho *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Lucas 2, 22-40          Forma breve: São Lucas 2, 22-32

22Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, 23como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», 24e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. 25Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel e o Espírito Santo estava nele. 26O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor 27e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, 28Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: 29«Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, 30porque os meus olhos viram a vossa salvação, 31que pusestes ao alcance de todos os povos: 32luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo».

[33O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. 34Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição – 35e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». 36Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada 37e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. 38Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. 40Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.]

 

A ida de Maria a Jerusalém para cumprir a lei da purificação das parturientes (Lv 12) serve de ocasião para que José e Maria procedam a um gesto que não estava propriamente prescrito pela Lei. Apresentar ali o Menino ao Senhor é um gesto de oferta que mostra que Ele não lhes pertence e que se sentem meros depositários dum tesoiro de infinito valor. Pode também ver-se o sentido de imitação do gesto de Ana, mãe de Samuel (Sam 1,11.22-28). Mas, se a lei não preceituava a «apresentação», obrigava ao resgate do primogénito varão (não pertencente à tribo de Levi). Segundo Ex 13, o primogénito animal devia ser oferecido em sacrifício, ao passo que o primogénito humano devia ser resgatado, tudo isto em reconhecimento pelos primogénitos dos israelitas não terem sido sacrificados juntamente com os dos egípcios. O preço do resgate eram 5 siclos do santuário. Cada siclo de prata, no padrão do santuário, constava de vinte grãos com o peso total de 11,4 gramas. S. Lucas não fala deste resgate de 57 gramas de prata, que podia ser pago a qualquer sacerdote em qualquer parte da nação judaica; o evangelista apenas faz uma referência genérica ao cumprimento da Lei (v. 23; cf. Ex 13,2.12-13).

24 A lei da purificação atingia toda a parturiente, a qual contraía impureza legal durante 7 dias, se dava à luz um rapaz, (Ex 12,28, mas a jurisprudência judaica já tinha acrescentado mais 33 dias, um total de 40) e durante 14 dias, se tinha uma menina (tinha subido na época para 80 dias). No fim desse tempo, devia ser declarada pura mediante a oferta no templo duma rês menor (podia ser um cordeiro) e duma pomba ou rola. Quando a mãe não dispunha de meios para oferecer uma rês menor, podia oferecer um par de pombas ou rolas, como aqui se refere.

Tenha-se em conta que a «impureza legal ou ritual» não incluía a noção de pecado, ou de impureza moral. De modo particular todas as coisas relativas à transmissão da vida, mesmo no caso de serem moralmente boas, como a maternidade e o uso legítimo do matrimónio, ou moralmente indiferentes, como a menstruação e a polução nocturna, tornavam a pessoa impura, isto é, inapta para o culto de Deus Santo. A razão disto estava no carácter sagrado da vida e da sua transmissão. Parece que tudo isto implicava alguma perda de vitalidade, que devia ser reparada mediante certos ritos, para de novo poder entrar em comunhão com Deus, a plenitude e a fonte da vida. Estas leis tinham uma finalidade eminentemente didáctica: o povo de Israel era um povo santo, especialmente dedicado a Deus e ao seu culto, e em comunhão com Ele (cf. Ex 19,5-6; Lv 19,2). Todas as normas de pureza ritual faziam-no tomar constantemente consciência das suas relações particularíssimas com Deus e do sentido cultual da sua vida diária. A verdade é que a frequência e abundância dos ritos nem sempre foi alicerçada num coração dedicado a Deus, tendo degenerado no formalismo religioso tão denunciado pelos profetas e por Jesus Cristo (cf. Is 29,13; Mt 15,7-9), meras exterioridades.

Em face disto, o rito da Purificação de Maria, não pressupõe a aparência sequer de qualquer imperfeição moral ou legal da parte da SSª Virgem, como se poderia pensar. O gesto de Maria aparece como uma singular lição de naturalidade, de obediência e de pureza, cumprindo uma lei a que não estava sujeita, por ser a aeiparthénos, a sempre Virgem; Maria, a tão privilegiada, não quer para si um regime de excepção e privilégio.

25 «Simeão», de quem não temos mais notícias (em parte nenhuma se diz que era velho), aparece como um dos «piedosos» do judaísmo que esperava não um messias revolucionário (como os zelotas), mas o verdadeiro Salvador – «a consolação de Israel». Apesar do que se diz no v. 34, não parece ser sacerdote, não estando no serviço do templo, mas tendo vindo lá «movido pelo Espírito» (v. 27). Há quem o considere filho do grande rabino Hillel e pai do célebre Gamaliel I (Vacari; cf. Act 5,34; 22,3), mas sem provas convincentes.

33 A naturalidade com que S. Lucas chama a S. José «pai de Jesus» não implica qualquer contradição com o que antes afirmou em 1,26-38. Aqui visa o poder e missão paterna, de modo nenhum a ascendência carnal.

35 «Assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Estas palavras ligam-se a «sinal de contradição». É que, diante de Jesus, não há lugar para a neutralidade: a sua pessoa, a sua obra e a sua mensagem fazem com que os homens revelem o seu interior, tomando uma atitude pró ou contra; a aceitação e a fé será, para muitos, motivo de salvação, ou «ressurgimento espiritual» («se levantem»), ao passo que a rejeição culpável será motivo de que muitos se condenem («muitos caiam»).

36-37 Põe-se em relevo a sua longa viuvez, como algo digno de veneração.

38 Não se afasta do Templo: hipérbole para indicar a frequência diária.

39 Este v. corresponde a Mt 2, 23, mas Lucas não relata aqui a fuga para o Egipto.

40 A Teologia explicita que «o Menino crescia», não só na manifestação da sabedoria, mas também no conhecimento experimental.

 

Sugestões para a homilia

 

     1. Encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura

     2. Educar na fé na vida familiar

     3. A defesa da família

    

 

     1. A Sagrada família de Nazaré

 

A celebração do mistério do nascimento temporal do Filho de Deus, enche os nossos corações de admiração e de agradecimento. Mas também devemos considerar com a mesma admiração e agradecimento, o caminho que a Providencia divina escolheu para realizar a Encarnação. Deus encarnou para restaurar o projeto divino sobre o homem; e fê-lo numa família para restaurar o projeto divino para a família. Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito homem, é o modelo e o caminho para toda pessoa humana, e a Sagrada Família de Nazaré é modelo e caminho para todas as famílias.

Quando os pastores e os magos encontram o Filho de Deus encarnado, “encontraram-se diante não só do Menino Jesus, mas de uma pequena família: mãe, pai e filho recém-nascido. Deus quis revelar-se nascendo numa família humana, e por isso a família humana tornou-se ícone de Deus! Deus é Trindade, é comunhão de amor, e a família é, com toda a diferença que existe entre o Mistério de Deus e a sua criatura humana, uma expressão que reflete o Mistério insondável do Deus amor. O homem e a mulher, criados à imagem de Deus, tornam-se no matrimónio «uma única carne» (Gn 2, 24), isto é, uma comunhão de amor que gera vida nova. A família humana, num certo sentido, é ícone da Trindade pelo amor interpessoal e pela fecundidade do amor” (Bento XVI, Ângelus, 27-12-2009).

Na família, santuário da vida, torna-se presente a vida trinitária de Deus. Deus Pai Criador e Providente age por meio do amor fecundo dos esposos. Deus Filho Redentor que se entrega pela Igreja, a sua Esposa muito amada, está presente na doação mútua dos esposos, elevada a sacramento. Deus Espírito Santo faz da família uma “igreja doméstica”, unida pela caridade e onde as virtudes cristãs crescem e transmitem à sociedade o bom aroma de Cristo (cf. 2 Cor.2, 15).

A presença da Santíssima Trindade na Sagrada Família é de tal modo singular que S. Josemaria costumava, por vezes, fazer referência a ela como a “trindade da terra”. Queria assim pôr de relevo a profunda conexão entre a Santíssima Trindade e a Sagrada Família.

 

     2. Educar na fé na vida familiar

 

As leituras da liturgia de hoje, incidem sobre as relações familiares na sua dimensão humana e sobrenatural. A primeira leitura tem como pano de fundo o quarto mandamento do Decálogo. A segunda nos fala do amor conjugal e o amor paterno; e o Evangelho nos apresenta Nossa Senhora e São José levando o Menino ao templo, para cumprir, piedosamente, a Lei de Deus. Todas elas iluminam a grandeza da família cristã, e a sua dimensão humana e sobrenatural. Nosso Senhor está presente, com a sua graça, na família cristã para a tornar, como Jesus, humana e divina. Todas as realidades humanas que envolve devem ser vivificadas pela presença de Deus. Mas de modo especial a missão educadora na fé que Deus confia aos pais. Eles devem “levar os seus filhos ao templo”, ou seja, à Deus, a oração, aos sacramentos. E aquilo que de melhor poderão dar aos seus filhos será a receção atempada dos sacramentos, a catequese, e a participação consciente nas celebrações.

O Papa Francisco dizia numa festa como a de hoje: “como nos faz bem pensar que Maria e José ensinaram Jesus a rezar as orações! (…). E também nos faz bem saber que, durante o dia, rezavam juntos; depois, ao sábado, iam juntos à sinagoga ouvir as Sagradas Escrituras da Lei e dos Profetas e louvar o Senhor com todo o povo! (…) Que poderá haver de mais belo, para um pai e uma mãe, do que abençoar os seus filhos ao início do dia e na sua conclusão? Fazer na sua fronte o sinal da cruz, como no dia do Batismo? Não será esta, porventura, a oração mais simples que os pais fazem pelos seus filhos? Abençoá-los, isto é, confiá-los ao Senhor (…), para que seja Ele a sua proteção e amparo nos vários momentos do dia? Como é importante, para a família, encontrar-se também para um breve momento de oração antes de tomar as refeições juntos, a fim de agradecer ao Senhor por estes dons e aprender a partilhar o que se recebeu com quem está mais necessitado” (Papa Francisco, homilia, 27-12-2015).

Todos os que trabalhamos em paróquias temos a experiência, comovente, de ver entrar, a diferentes horas do dia, mães, avós, pais, empregadas, levando crianças pela mão, para visitar Jesus. Emociona ver essas simples e sábias catequeses, feitas de gestos, de breves orações, de beijos que as crianças lançam ao sacrário. Por vezes uma criança de poucos anos é quem arrasta o adulto que a acompanha para dentro da Igreja com a simples petição: “vamos ver O Jesus”. É a “Igreja domestica”, vivificada pelo Espírito Santo, que está a desenvolver todas as suas potencialidades de crescimento. Demos graças a Deus ao ver estas expressões da vitalidade da Igreja, e colaboremos com as famílias para à edificação na fé de todos os seus membros.

 

 

     3. A defesa da família

 

A família é uma realidade tão necessária, tão congruente com a natureza humana, tão vital para a sociedade e a Igreja, que não deve admirar-nos que o demónio (a serpente) procure destruir a sua harmonia desde os inícios da Humanidade. A tentação dos nossos Primeiros Pais, no paraíso, vai dirigida a desvinculá-los de Deus e, por isso a enfrentá-los entre si. Depois do pecado surge a vergonha, as acusações, as desculpas e o sofrimento entre os esposos.

O demónio não descansa desde então, e a família sofre, nos nossos dias, violentos ataques no plano doutrinal, jurídico, social e económico.

São muitos os erros sobre a instituição familiar que são difundidos por todo o mundo. E convêm recordar, antes de mais, que só as pessoas são capazes de constituir uma família. Os animais constituem modos de convivência (alcateias, enxames, etc.) que nada têm a ver com a família humana. A pessoa humana, por ser capaz de autodeterminação, pode constituir, livre e conscientemente, uma comunhão de vida, entre um homem e uma mulher, plena e indissolúvel, para o mútuo aperfeiçoamento e a procriação e educação dos filhos. Só este modo de relação da origem à verdadeira família.

Existem outros modos de relação humana, lamentáveis, com os quais é preciso ter muita compreensão, mas que não podem ser designados como família. Nesta situação se encontram as pessoas divorciadas que se uniram numa nova relação, as pessoas em união de facto e as pessoas do mesmo sexo que convivem sentimentalmente. As legislações que equiparam estes modos de relação com a família fundamentada no matrimónio legítimo, constituem agressões enormemente graves ao matrimónio e a família. A forte pressão exercida em tantos países para estabelecer este tipo de leis e outras parecidas, evidencia uma campanha sistemática e persistente de contornos globalizantes.

No mundo ocidental foram introduzindo-se normas cada vez mais permissivas dos comportamentos gravemente imorais. O divórcio, o aborto, a fecundação “in vitro”, o uso de embriões, considerados material não humano, para fins económicos ou de investigação, leis sobre a educação sexual que corrompem as crianças e a permissividade perante o profundo deterioro da moralidade pública, formam um quadro de comportamentos desestruturantes para a família.

Na cultura pós-moderna o novo paradigma apresentado como modelo a seguir passa pela superação da “família tradicional” (esta terminologia é já uma fórmula ideológica) que cederia o seu lugar a outros modos de convivência “abertos” e fundamentados na “ideologia do género”.

Graças a Deus também hoje encontramos em todo o mundo famílias firmes na fé que resistem, como as árvores das altas montanhas, às tempestades, ao frio, ao calor, a todas as agressões, porque estão profundamente enraizadas em Jesus Cristo. Também vemos surgir associações de famílias, cheias de dinamismo, que visam defender a verdade sobre a família exercendo os seus direitos cívicos. Apoiados na rocha firme da nossa fé acreditemos, com plena confiança no Senhor, que é possível uma mudança dos corações e da cultura por meio da oração e da paciente defesa dos verdadeiros valores da pessoa humana.

Como na primeira evangelização, também na evangelização do século XXI, serão as famílias cristãs o fermento que haverá de transformar, de novo, toda a massa da sociedade. Oremos, com fé, por todas estas intenções à Sagrada Família de Nazaré

 

Fala o Santo Padre

 

«Os pais de Jesus vão ao templo para atestar que o Filho pertence a Deus,

e que eles são os guardiões da sua vida e não os donos. E isto leva-nos a refletir.

Todos os pais são guardiões da vida dos filhos, não donos, e devem ajudá-los a crescer, a amadurecer.»

 

Neste primeiro domingo depois do Natal, celebramos a Sagrada Família de Nazaré, e o Evangelho convida-nos a refletir sobre a experiência vivida por Maria, José e Jesus, enquanto crescem juntos como família no amor recíproco e na confiança em Deus. Desta confiança é expressão o rito cumprido por Maria e José com a oferta do Filho Jesus a Deus. O Evangelho diz: «Levaram o Menino a Jerusalém para o apresentar ao Senhor» (Lc 2, 22), como exigia a lei mosaica. Os pais de Jesus vão ao templo para atestar que o Filho pertence a Deus, e que eles são os guardiões da sua vida e não os donos. E isto leva-nos a refletir. Todos os pais são guardiões da vida dos filhos, não donos, e devem ajudá-los a crescer, a amadurecer.

Este gesto sublinha que somente Deus é o Senhor da história individual e familiar; tudo nos vem dele. Cada família é chamada a reconhecer este primado, protegendo e educando os filhos a abrir-se a Deus, que é a própria nascente da vida. Passa por aqui o segredo da juventude interior, testemunhado paradoxalmente no Evangelho por um casal de idosos, Simeão e Ana. O velho Simeão, em particular, inspirado pelo Espírito Santo, a propósito do Menino Jesus diz: «Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de ressurreição para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições [...] a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações» (vv. 34-35).

Estas palavras proféticas revelam que Jesus veio para fazer cair as falsas imagens que nós criamos de Deus, e também de nós mesmos; para “contradizer” as seguranças mundanas sobre as quais pretendemos apoiar-nos; a fim de nos fazer “ressurgir” para um caminho humano e cristão verdadeiro, fundamentado nos valores do Evangelho. Não existe situação familiar que esteja excluída deste caminho novo de renascimento e de ressurreição. E cada vez que as famílias, até aquelas feridas e marcadas por fragilidades, fracassos e dificuldades, voltam à fonte da experiência cristã, abrem-se caminhos novos e possibilidades impensadas.

A narração evangélica de hoje refere que Maria e José, «após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. O Menino crescia — reza o Evangelho — e fortificava-se: era cheio de sabedoria, e a graça de Deus estava sobre Ele» (vv. 39-40). Uma grande alegria da família é o crescimento dos filhos, como todos sabemos. Eles estão destinados a desenvolver-se e a revigorar-se, a adquirir sabedoria e a receber a graça de Deus, exatamente como aconteceu com Jesus. Ele é verdadeiramente um de nós: o Filho de Deus faz-se Menino, aceita crescer, fortificar-se, é cheio de sabedoria, e a graça de Deus está sobre Ele. Maria e José têm a alegria de ver tudo isto no seu Filho; e esta é a missão para a qual a família está orientada: criar as condições favoráveis para o crescimento harmonioso e completo dos filhos, a fim de que eles possam levar uma vida boa, digna de Deus e construtiva para o mundo.

São estes os votos que dirijo a todas as famílias hoje, acompanhando-os com a invocação a Maria, Rainha da Família.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 31 de dezembro de 2017

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos e irmãs:

Por intercessão de Maria e de José,

peçamos a Deus que faça crescer em sabedoria e em graça

os membros de todas as famílias deste mundo,

dizendo (ou: cantando), com alegria:

R. Renovai, Senhor, todas as famílias.

Ou: Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Protegei, Senhor, todas as famílias.

 

1. Para que os avós sejam profetas de Jesus

e, a exemplo de Ana e Simeão,

falem d’Ele a seus netos e a toda a gente,

oremos, irmãos.

 R. Renovai, Senhor, todas as famílias.

 

2. Para que os pais consagrem ao Senhor

os seus filhos, os seus lares e as suas vidas,

como José e Maria, pais de Jesus,

oremos, irmãos.

R. Renovai, Senhor, todas as famílias.

 

3. Para que as crianças pensem nos meninos abandonados,

cheios de fome, maltratados e sem amor,

e dêem graças a Jesus pelos pais que têm,

oremos, irmãos.

R. Renovai, Senhor, todas as famílias.

 

4. Para que todos os jovens namorados

saibam amar-se e respeitar-se mutuamente

e opor-se ao paganismo que os rodeia,

oremos, irmãos.

R. Renovai, Senhor, todas as famílias.

 

5. Para que todos os cristãos da nossa comunidade (paroquial)

pensem naqueles para quem o ano foi difícil

e se empenhem em ações de entreajuda,

oremos, irmãos.

R. Renovai, Senhor, todas as famílias.

 

Pai de bondade e de amor,

fazei que, nas famílias deste mundo,

os maridos amem as esposas,

as esposas sejam o sol de cada lar

e os filhos imitem Jesus Cristo, vosso Filho.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Adeste Fideles – Harm. M. Faria, NRMS, 31

 

Oração sobre as oblatas: Nós Vos oferecemos, Senhor, este sacrifício de reconciliação e humildemente Vos suplicamos que, pela intercessão da Virgem, Mãe de Deus, e de São José, se confirmem as nossas famílias na vossa paz e na vossa graça. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Natal: p. 457[590-702] ou 458-459

 

No Cânone Romano, diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Nas Orações Eucarísticas II e III faz-se também a comemoração própria do Natal.

 

Santo: A. Cartageno – COM, (pg 189)

 

Monição da Comunhão

 

Peçamos a Nossa Senhora e a S. José que nos ajudem a receber Jesus na Sagrada Comunhão, com o amor com que eles O cuidaram na casa de Nazaré.

 

Cântico da Comunhão: O Verbo fez-se carne e habitou no meio de nós – C. Silva, OC, (pg 195)

cf. Br 3, 38

Antífona da comunhão: Deus apareceu na terra e começou a viver no meio de nós.

 

Cântico de acção de graças: Glória e louvor ao Verbo Divino – M. Faria, NRMS, 8 (I)

 

Oração depois da comunhão: Pai de misericórdia, que nos alimentais neste divino sacramento, dai-nos a graça de imitar continuamente os exemplos da Sagrada Família, para que, depois das provações desta vida, vivamos na sua companhia por toda a eternidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A bênção conclusiva da Santa Missa é sinal da bênção com que a Santíssima Trindade, por intercessão da Sagrada Família de Nazaré, abençoa hoje as nossas famílias

 

Cântico final: Como o lar de Nazaré – B. Salgado, NRMS, 8 (I)

 

 

Homilias Feriais

 

2ª Feira, 28-XII: Santos Inocentes: o mistério do sofrimento.

1 Jo 1, 5- 2, 2 / Mt 2, 13-18

Herodes mandou matar em Belém, e em todo o seu território, todos os meninos de dois anos ou menos.

Esta morte dos Inocentes (EV), coloca-nos perante o mistério do sofrimento: por que sofremos? Por que sofrem os inocentes?

Não esqueçamos que Jesus Cristo, o Justo, se ofereceu como vítima de expiação pelos nossos pecados e pelos do mundo inteiro (LT). Com os nossos sofrimentos, unimo-nos a Cristo pela salvação do mundo. Mas manifestam a oposição a Cristo e precisamos recorrer a Ele. A nossa protecção está no Senhor (SR). Actualmente há também a crueldade daqueles que querem eliminar os inocentes através do aborto.

 

3ª Feira, 29-XII: 5º dia da Oitava: Alegrias e sofrimentos.

1 Jo 2, 3-11 / Lc 2, 22-35

Porque os meus olhos viram a  vossa salvação...luz para se revelar aos pagãos e glória de Israel, vosso povo.

Quarenta dias depois do nascimento de Jesus, Maria e José levaram-no ao templo, conforme previa a lei de Moisés. (EV). Nessa altura, Simeão profetizou o aparecimento do Messias (a Luz). Alegrem-se os céus, exulte a terra (SR). Mas, juntamente com essa alegria, Nª Senhora ouve a profecia do seu sofrimento, extensiva a todos os discípulos de Cristo.

Quem quiser andar na luz tem, por exemplo, que amar o seu próximo (LT). Este amor também está marcado pela cruz do convívio diário e pelas dificuldades, que ajudam a fortalecer o verdadeiro amor.

 

4ª Feira, 30-XII: 6º dia da Oitava: Benefícios de um encontro especial.

1  Jo 2, 12-17 / Lc 2, 36-40

Estando Ana presente na mesma ocasião, começou, por sua vez, a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos.

A profetiza Ana passava o tempo ao serviço do Senhor no Templo de Jerusalém. E recebeu naquele dia uma recompensa: poder ver o Salvador (EV). A Liturgia bizantina designa esse encontro como o 'Encontro'.

Para encontrarmos o Senhor precisamos rejeitar as promessas já conhecidas: Desejos da carne, desejos dos olhos e orgulho da riqueza (LT). Agradeçamos a sua vinda. Levai-lhe oferendas; adorai o Senhor (SR). Comuniquemos esta alegria a muitos, como fez Ana, para que haja um ambiente alegre neste Natal.

 

5ª Feira, 31-XII: 7º dia da Oitava: Vida nova em Cristo

1 Jo 2, 18-21 / Jo 1, 1-18

E estes não nasceram do sangue nem da vontade do homem, mas nasceram de Deus.

Estes são os últimos momentos do ano, esta é a última hora (LT) É boa altura para agradecermos a Deus por tantas graças que nos concedeu, para pedirmos perdão pelo que não fizemos, e pedir ajuda para o novo Ano. Cantai ao Senhor a terra inteira (SR).

A partir do momento em que recebemos o Baptismo, temos uma vida nova, sobrenatural; começamos a vida de Cristo, somos filhos de Deus (EV). Procuremos começar o novo Ano com o propósito de vivermos e de nos comportarmos de acordo com esta dignidade em todas as nossas acções.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Carlos Santamaria

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo


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