NATAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 

Missa do Dia

25 de Dezembro de 2020

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cantem, Cantem os Anjos – M. Faria, NRMS, 56

Is 9,6

Antífona de entrada: Um Menino nasceu para nós, um Filho nos foi dado. Tem o poder sobre os seus ombros e será chamado Conselheiro admirável.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Depois de tantos anos de súplicas feitas por gerações de Patriarcas, de Profetas e de santos do Antigo Testamento, chegou finalmente a hora em que Deus veio ao nosso encontro para nos salvar.

Este é o grande acontecimento que celebramos hoje, ao mesmo tempo que pedimos ao Menino do Presépio que tome conta do lugar a que tem direito no coração de cada um de nós e na vida social.

 

Acto penitencial

 

Embora manifestemos a nossa alegria pelo nascimento do Salvador, muitas vezes fechamos o nosso coração pelo egoísmo, impedindo-O de entrar nele.

Peçamos-Lhe humildemente perdão e prometamos ser mais generosos a partir de agora.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos como sugestão o esquema A)

 

Confessemos os nossos pecados...

Senhor, tende piedade de nós...

 

Glória a deus nas alturas!

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que de modo admirável criastes o homem e de modo ainda mais admirável o renovastes, fazei que possamos participar na vida divina do vosso Filho que Se dignou assumir a nossa natureza humana. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías convida-nos a revestir o coração de festa e a enchê-lo de alegria.

Anuncia, como motivo para isso a chegada de Deus ao meio do seu Povo. com o rei que traz a paz e a salvação, proporcionando a todos nós uma era de felicidade sem fim.

 

Isaías 52, 7-10

7Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação e diz a Sião: «O teu Deus é Rei». 8Eis o grito das tuas sentinelas que levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria, porque vêem com os próprios olhos o Senhor que volta para Sião. 9Rompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém. 10O Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.

 

Esta página maravilhosa do segundo Isaías que se refere à boa nova da libertação do desterro trazida a Jerusalém pelos «belos pés do mensageiro que anuncia a paz», serve, na Liturgia de hoje, como de um hino triunfal a Cristo que vem à terra.

10 «O Senhor descobre o seu santo braço». Antropomorfismo que contém uma expressiva e frequente metáfora: o braço designa o poder e a força. Descobrir o braço é manifestar o poder.

 

Salmo Responsorial    Salmo 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4.5-6 (R. 3c)

 

Monição: Finalmente, a salvação de Deus brilhou aos olhos de todas as pessoas que a desejam acolher.

O salmista convida-nos a entoar um cântico de louvor e ação e graças ao Altíssimo, por tão inestimável dom.

 

Refrão:        Todos os confins da terra

                     viram a salvação do nosso Deus.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo

pelas maravilhas que Ele operou.

A sua mão e o seu santo braço

Lhe deram a vitória.

 

O Senhor deu a conhecer a salvação,

revelou aos olhos das nações a sua justiça.

Recordou-Se da sua bondade e fidelidade

em favor da casa de Israel.

 

Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.

Aclamai o Senhor, terra inteira,

exultai de alegria e cantai.

 

Cantai ao Senhor ao som da cítara,

ao som da cítara e da lira;

ao som da tuba e da trombeta,

aclamai o Senhor, nosso Rei.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Jesus Cristo é a última e definitiva Palavra do Pai dirigida aos homens de boa vontade.

Devemos, pois, estar atentos aos Seus ensinamentos, sem ficarmos à espera de mais novidades da revelação.

 

Hebreus 1, 1-6

1Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. 2Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo. 3Sendo o Filho esplendor da sua glória e imagem da sua substância, tudo sustenta com a sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, sentou-Se à direita da Majestade no alto dos Céus 4e ficou tanto acima dos Anjos quanto mais sublime que o deles é o nome que recebeu em herança. 5A qual dos Anjos, com efeito, disse Deus alguma vez: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei»? E ainda: «Eu serei para Ele um Pai e Ele será para Mim um Filho»? 6E de novo, quando introduziu no mundo o seu Primogénito, disse: «Adorem-n’O todos os Anjos de Deus».

 

Hebreus, o célebre escrito doutrinal e exortatório, começa com um prólogo solene que nos situa, sem rodeios, perante a suma dignidade da pessoa de Jesus Cristo, à semelhança do prólogo do Evangelho de S. João. Começa por mostrar que é n’Ele que o Pai nos fala e se revela de modo exaustivo e definitivo, em contraste com toda a revelação anterior, fragmentária, variada e feita numa fase da história da salvação já superada. «Falou-nos por seu Filho», por isso a história da salvação chegou ao seu apogeu e plenitude, de modo que já não há lugar para mais nenhuma revelação ulteriora (cf. DV, 4). Como observa S. João da Cruz, o Pai tendo-nos dito a sua própria Palavra, já não tem mais outra palavra para nos dizer (cf. Subida ao Monte Carmelo, 2,22).

3 «Esplendor da glória de Deus. Fórmula muito expressiva no original, mas dificilmente traduzível em toda a sua riqueza. O Filho é a irradiação da substância do Pai, distinto d’Ele, mas da mesma substância; é «Deus de Deus, luz de luz», como diz o símbolo de Niceia para exprimir a processão, ou origem do Filho no Pai, sendo com Ele um mesmo e único Deus.

«Imagem do ser divino». À letra, reprodução da sua essência, ou expressão do seu ser. Mais que imagem, quer significar, no original, a marca deixada pelo sinete no lacre, por um selo branco no papel, ou pela matriz na moeda cunhada. O Filho identifica-se com o Pai, quanto ao ser divino, mas esta imagem põe em evidência sobretudo a distinção de Pessoas na igualdade, como o cunho se distingue do objecto cunhado. A primeira expressão visa mais a identidade da natureza («esplendor», ou luz e irradiação).

 

Aclamação ao Evangelho

 

Monição: O Verbo de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, assumiu a nossa natureza humana para nos salvar.

Aclamemos o Evangelho que vai ser proclamado para nós, a falarmos deste infinito mistério de Amor.

 

Aleluia

 

Cântico: J. F. Silva, NRMS, 50-51 (I)

 

Santo é o dia que nos trouxe a luz.

Vinde adorar o Senhor.

Hoje, uma grande luz desceu sobre a terra.

 

 

Evangelho *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São João 1, 1-18              Forma breve: São João 1, 1-5.9-14

1No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, 2Ele estava com Deus. 3Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. 4N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. 5A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. 6(Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. 7Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.). 9O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. 10Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. 11Veio para o que era seu e os seus não O receberam. 12Mas, àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. 13Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. 14E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade. 15(João dá testemunho d’Ele, exclamando: «Era deste que eu dizia: ‘O que vem depois de mim passou à minha frente, porque existia antes de mim’». 16Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça. 17Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. 18A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer.)

 

A leitura evangélica de hoje é o prólogo do IV Evangelho, que constitui a chave para uma profunda compreensão de toda a obra do discípulo amado e da Pessoa adorável de Jesus Cristo: Ele é o Verbo incriado, o Deus Unigénito, que assumiu a nossa condição humana e nos oferece a possibilidade de ser filhos de Deus. Discute-se se o Evangelista compôs este texto para encabeçar a sua obra, ou se aproveitou algum hino litúrgico já existente (a que acrescentaria os vv. 6-9.13.15.17-18). Tem a forma dum poema em que os seus 18 versos se podem agrupar em 4 estrofes (vv. 1-5; 6-8; 9-13; 14-18), cada uma com uma ideia central, que se vai ampliando e esclarecendo progressivamente. Este prólogo é como uma solene abertura de uma grande obra musical, onde os grandes temas a desenvolver ao longo do Evangelho começam por ser apontados: o Verbo Incarnado, Luz e Vida dos homens, Messias e revelador do Pai, os testemunhos a seu favor, a resposta humana de aceitação ou de rejeição, bem como as consequências de transcendental importância que tem a dramática alternativa em que o homem é posto perante a pessoa de Jesus.

1 «No princípio». Esta expressão faz-nos pensar no início do Génesis, onde se falava da Primeira Criação, que culminou com a criação do homem; no IV Evangelho fala-se duma Nova Criação, a Redenção operada pelo Verbo Incarnado, que culmina na elevação do homem à dignidade de filho de Deus. A própria noção de «princípio» é diferente em Gn 1,1 e em Jo 1,1: lá designava o início do tempo, aqui exprime o princípio absoluto que transcende o tempo e nos situa na própria eternidade de Deus. É muito expressivo o imperfeito de duração do verbo grego «eimi» repetido no v. 1, com três matizes: havia ou existia, estava, era, em contraposição com o aoristo de verbo «gínomai» no v. 3: tudo «foi feito», ao passo que o Verbo «existia», permanecia na existência («havia o Verbo»)! Não é possível fazer uma afirmação mais forte e clara da divindade de Jesus – o Verbo que se fez homem (v. 14) –, do que esta frase com que S. João inicia o seu Evangelho: «O Verbo era Deus». Com razão, desde os Santos Padres, o IV Evangelista é figurado pela águia (cf. Ez 1,10), pois o seu voo sobe de chofre até às alturas da divindade de Cristo e o seu olhar aquilino penetra nas profundezas do mistério da Pessoa divina de Jesus, no seio da Santíssima Trindade.

«O Verbo», a Palavra por excelência, enquanto reveladora do Pai, é a tradução mais habitual do original grego, Logos, para designar a segunda pessoa da SS. Trindade. Na nova tradução teremos Palavra, em vez de Verbo.

3 «Tudo foi feito por Ele». Esta expressão não significa que o Verbo foi o meio ou instrumento de que o Pai se serviu para criar. Ele age juntamente com o Pai e com o mesmo e único poder. A preposição grega «diá» («por») não se usa com genitivo para indicar apenas a causa instrumental; também pode indicar a causa principal como é aqui o caso e em Rom 11,36. Esta expressão também evidencia que o Verbo não é criatura, uma vez que tudo o que foi feito, foi feito por Ele, em aberto contraste com a sabedoria, que Provérbios e Eclesiástico personificam (Prov 8,22ss; Sir 1,4; 24,8-9), a qual foi criada e nasceu.

4 «Vida». «Luz». São estes dois dos grandes temas do IV Evangelho (cf. Jo 8,12; 14,6). «A Vida era a Luz dos Homens»: o Verbo é a Luz da Vida (Jo 8,12), Luz que conduz à Vida, Vida que é Luz, e Luz que é Vida. São dois conceitos que caracterizam a esfera da divindade, em oposição antagónica com as trevas, que são o reino de Satanás e seus sequazes. Este antagonismo que está patente ao longo dos escritos paulinos e joaninos, era corrente na literatura da época tanto judaica (em especial de Qumrã), como depois na gnóstica.

5 «As trevas não a receberam». Também se pode traduzir «não a compreenderam»; ou talvez melhor «não a dominaram», tendo em conta o contexto joanino da luta entre a luz e as trevas; assim a nova tradução da CEP: «não se apoderaram dela».

6-8 João não se interessa no seu Evangelho por nos dar a conhecer a vida ou a pregação moral do seu antigo mestre (Jo 1,37 ss), mas não perde uma ocasião de pôr em realce o seu «testemunho» em favor de Jesus (Jo 1,16.19.29.35; 3,27; 5,33). A insistência, em especial nestes versículos do prólogo (6-8.15) que interrompem o ritmo do poema, concretamente ao dizer que João «não era a Luz», pode dever-se a querer refutar os «joanitas», uma espécie de seita que seguia o Baptista, sem ter chegado a aderir a Cristo (cf. Act 19,3-4).

9 Este versículo tem diversas traduções legítimas; a litúrgica segue a tradução da Nova Vulgata, ao passo que a Vulgata dizia: «era a luz verdadeira que ilumina todo o homem que vem a este mundo» e assim também a nova tradução da CEP.

10 «Não O conheceu», isto é, não O reconheceu como o Verbo de Deus e Salvador.

11 «Os seus» poderia designar o povo de Israel, enquanto propriedade de Deus (cf. Ex19, 5; Dt 7,6), mas parece designar, dado o paralelismo com o v. anterior, a humanidade no seu conjunto. A observação amarga de S. João (cf. Jo 12,37) não tem vigência só para o dia de Natal (cf. Lc 2,7), pois também cada um de nós sempre pode «acolher» melhor a Jesus.

12 «Deu-lhes o poder», isto é, concedeu-lhes a graça, dom e favor inteiramente gratuito que supera as possibilidades de qualquer criatura. «O Filho de Deus fez-se homem, para que os filhos dos homens, os filhos de Adão, se fizessem filhos de Deus... Ele é o Filho de Deus por natureza, nós pela graça» (Santo Atanásio).

13 «E estes». Textos muito antigos e de grande valor têm o singular – «Este» – (adoptado pela Bíblia de Jerusalém) referido a Jesus, indicando assim simultaneamente a concepção e o parto virginal da Santíssima Virgem (um nascimento sem sangue).

14 Duma penada, S. João exprime toda a riqueza do mistério do Natal, sem se deter a narrar os seus pormenores, como S. Lucas. «Fez-se carne» é um hebraísmo para dizer que Se fez homem; de qualquer modo, põe-se o acento no aspecto mortal e passível: o Verbo eterno, a Segunda Pessoa divina, torna-se um de nós, sem deixar de ser Deus, em tudo igual a nós, excepto no pecado (cf. Hbr 4,15).

«Habitou», literalmente significa: «estabeleceu a tenda entre nós» (Assim a nova tradução da CEP). Parece haver aqui uma alusão à presença de Deus no meio do seu povo, na nuvem branca que pairava, no deserto, sobre a Tenda da Reunião. Esta alusão torna-se mais clara, se temos em conta o texto original grego – «eskénôsen» (ergueu a tenda) – que tem uma certa assonância com «xekhiná» a presença de Deus no meio do Povo (cf. Ex 40,34-38). Esta presença misteriosa, mas real, continua-se na Santíssima Eucaristia, «Incarnação continuada».

A «Glória» do Verbo incarnado, que S. João e os demais viram, é a manifestação externa da sua divindade: os seus milagres, a sua transfiguração, a sua ressurreição, etc.

«Filho Unigénito». S. João, ao longo de todo o seu Evangelho, tem o cuidado de sempre reservar um termo grego para designar Jesus como Filho do Pai – yiós –, usando outra palavra para se referir a nós, enquanto filhos de Deus: téknon (cf. v. 12). Nós «tornamo-nos» filhos de Deus, (v. 12), ao passo que Jesus é o Filho por natureza, igual ao Pai, o «Unigénito» (vv. 14.18). O termo «Unigénito» (muitos traduzem por «Único») presta-se a exprimir o que a Teologia veio a explicitar como a «geração» eterna, intelectual e única do Verbo no Pai.

«Cheio de graça e de verdade». S. João aplica ao Verbo Incarnado a mesma definição que Yahwéh dá de Si mesmo a Moisés em Ex 34,6: «Deus de muito amor e fidelidade». Por um lado, é mais uma referência à divindade de Cristo, por outro, põe em relevo as qualidades que resumem a grandeza do seu Coração de «pontífice misericordioso e digno de confiança» (Hebr 2,17).

16 «Graça sobre graça», isto é, graças em catadupa, umas atrás das outras, procedentes da plenitude de Cristo, como duma fonte inexaurível (cf. Jo 7,37-39), ou também, como pensam alguns, «graça após graça», ou «graça em vez de graça» (Cristo/Moisés, Antiga/Nova Aliança), ou ainda «graça correspondente à graça» (a do Verbo: graça criada/graça incriada).

17 «Jesus Cristo» é aqui identificado explicitamente com o Verbo. A Lei mosaica limitava-se a dar normas, mas só por si não podia salvar ninguém, só a graça que Cristo nos trouxe a salvação.

18 «A Deus nunca ninguém O viu. Todas as «visões» de Deus eram indirectas, pois o homem não pode ver a Deus sem morrer (cf. Ex 19,21; Is 6,5), mas em Jesus temos a máxima manifestação de Deus à criatura nesta vida, a tal ponto que, mesmo sem contemplarmos a essência divina, quem vê a Jesus vê o Pai (Jo 14,9). Com a Incarnação do Verbo temos a maior revelação de Deus à Humanidade.

«O Filho Unigénito, que está no seio do Pai». Outra variante possível na transmissão do texto original: «Deus Unigénito» (adoptada pela Nova Vulgata) ou, como propõe a nova tradução, «o Unigénito divino».

 

Sugestões para a homilia

 

• Deus vem salvar-nos!

• Deus vem da eternidade

 

1. Deus vem salvar-nos!

 

O profeta Isaías consola Jerusalém, anunciando profeticamente a Salvação que vem do Senhor. Ele, em Pessoa, vem salvar-nos. Anuncia-lhe o fim do cativeiro de Babilónia e um novo Êxodo, a recordar a saída do Egito. Os dois concretizam-se num regresso à Terra da Promissão, com a alegria que acompanha esta reconquista da liberdade.

Deus vem salvar-nos. Encontramo-nos, de novo, oprimidos pelo mal, cercados por uma conspiração contra a Lei de Deus, no ambiente, nos costumes e nas leis.

Deus não Se esqueceu do Seu Povo, nem o pôs de lado, e Jerusalém, presentemente em ruínas, vai ser reconstruída, voltando a ser bela e cheia de vida, como uma noiva no dia do seu casamento.

Também não Se esquecerá de nós, que somos o Seu Povo da Nova Aliança, feita no Calvário com o Sangue de Jesus Cristo.

De onde vem esta força do mal que nos sufoca, impondo-nos um ambiente contra a vontade de Deus? Onde encontraremos a força para o vencer?

A libertação vem-nos por Jesus que acaba de nascer. Para quem está contente com este reino do pecado, da mentira e da desonestidade, o Natal não é motivo de festa.

Jesus oferece-nos a paz. Isaías canta a beleza do redentor do mundo que vem ao nosso encontro para nos oferecer a paz.

Como o Senhor respeita a nossa liberdade, é indispensável que acolhamos voluntariamente na vida a Sua oferta de paz. Queremos, de facto, a paz da consciência, pela vida em graça; e a paz entre nós pela reconciliação mútua?

«Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação

Cristo vem libertar-nos. Sentimo-nos prisioneiros do ambiente, das leis e dos costumes, além da conspiração que há dentro de nós. Como S. Paulo, não fazemos todo o bem que queremos e fazemos algum mal que não queremos.

Cristo vem libertar-nos de todas estas prisões, que quisermos acolher a libertação que Ele nos oferece.

«Eis o grito das tuas sentinelas que levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria, porque vêem com os próprios olhos o Senhor que volta para Sião

Temos de procurar a libertação onde o Senhor no-la oferece: na oração, nos Sacramentos e no esforço generoso para cumprirmos fielmente a Lei de Deus.

A alegria dos filhos de Deus. No tempo de Natal há muitas manifestações de uma saudável alegria: o repicar dos sinos, as luzes, o traje festivo das pessoas, as felicitações natalícias...

Mas onde encontramos uma alegria contagiosa é no rosto das crianças. Pouco basta para as contentar. Alegram-se com a história do natal e com todos os brinquedos que lhes oferecemos.

Participemos nesta alegria que reina à nossa volta, mas procuremos que seja autêntica, venha do mais profundo do nosso coração, e não apenas um sorriso postiço. Sorrimos porque amamos a Deus e aos irmãos.

«Rompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém

 

2. Deus vem da eternidade

 

S. João, no prólogo do seu Evangelho, num hino composta talvez para cantar nas primeiras comunidades de fiéis cristãos, fala-nos da eternidade do Verbo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

O Verbo Eterno sem começo. Nós começamos no tempo. Ele não. Houve um espaço em que ainda não existíamos, mas Ele existiu antes de todos os tempos.

Adoremos o Verbo Eterno, como o Pai e o Espírito Santo, porque, igualmente como estas duas Pessoas, é Deus, Omnipotente, infinitamente Bom e Sabedoria infinita.

É o nosso Deus e Senhor que vem ao nosso encontro para nos libertar da escravidão do pecado e nos ensinar o caminho do Céu.

«No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus

Criador do Céu e da terra. Nascemos do Seu Coração cheio de Amor por nós, da Sua bondade infinita e da Sua misericórdia sem limites.

Criou-nos para, depois de um tempo de prova na terra, partilhar connosco a Sua felicidade infinita no Céu, porque o Amor, a bondade e misericórdia divinas não se fecham em Si mesmas, mas comunicam-se em contágio divino. «Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito

Fonte da Vida e de Luz. Nele está a Vida verdadeira, a Vida divina que nos é comunicada no Batismo pela graça santificante, que há-de alcançar a sua plenitude na vida eterna.

Ele há ensinar-nos na Vida Pública: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.

Sem esta Luz divina andamos nas trevas e perdemo-nos no caminho do Céu. O tempo de prova é muito breve e não nos podemos resignar a estar para sempre fora do Paraíso, abandonados à infelicidade eterna.

Devemos caminhar enquanto é dia, enquanto Ele nos ilumina e está connosco, para não nos desorientarmos e perdermos no Caminho.

«A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam.» «O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem.»

Testemunhas do Amor de Deus. Testemunhar a divindade de cristo e o Seu Amor por nós, a partir do que vivemos, é a nossa missão.

A primeira testemunha foi João Batista, proclamando no deserto da Judeia que Jesus – o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo – já está no meio de nós. Proclamou e defendeu com o sangue a vida a doutrina de Jesus.

Enviou os seus discípulos ao encontro do Messias, para que O reconhecessem e O seguissem.

Nós damos testemunho de Jesus, não para atrair as pessoas ao nosso grupo, mas para que conheçam amem e sigam a Jesus Cristo.

Jesus, Palavra do Pai. Jesus é a última e definitiva Palavra do Pai. A Ele só havemos de ouvir e seguir com fiel docilidade.

Que pena, quando as pessoas correm atrás do que se apresenta como trazendo a verdade, a religião que Deus quer.

Só Jesus Cristo é Redentor e Salvador o único Caminho que nos pode levar à Casa do Pai.  Todas as outras confissões religiosas são enganos que nos fazem perder no caminho do Céu a não ser que estejamos com reta intenção e Deus venha em nosso socorro.

«Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho

À imitação de Maria e José, abramos o nosso coração de par em par, para acolhermos Jesus Salvador que vem ao nosso encontro.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Neste dia tão solene do Natal de Jesus,

contemplemos o Menino que nasceu

e apresentemos-Lhe as nossas orações.

Oremos (cantando), com alegria:

 

    Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

1. Pelo Santo Padre, pelos Bispos, Presbíteros, Diáconos e fiéis,

para que contemplem no Menino Quem nos fez filhos de Deus,

oremos, irmãos.

 

    Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

2. Pelos que que têm por missão fazer ou aprovar as nossas leis,

para que aprendam à luz do Natal a defender e promover a vida,   

oremos, irmãos.

 

    Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

3. Pelas crianças que perderam os pais ou foram abandonadas,

para que encontrem quem as ame e lhes fale do deus Menino,

oremos, irmãos.

 

    Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

4. Pelos que neste dia estão de luto, tristes e sós ou sem abrigo,

para que encontrem hoje pessoas que, em Jesus, os acolham,

oremos, irmãos.

 

    Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

5. Por todas as famílias desta nossa comunidade (paroquial),

para que sejam mensageiras deste Menino, Filho de Maria,

oremos, irmãos.

 

    Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

6. Pelos que partiram para a vida eterna e são purificados,

para que neste Dia de Natal sejam acolhidos no Paraíso,

oremos, irmãos.

 

    Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus Pai,

que fostes enviado ao mundo dos homens

para lhe trazer a luz do Céu e a Salvação,

acolhei as nossas súplicas deste dia de festa

pelos homens de quem Vos fizestes irmão.

Vós que viveis e reinais

por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Desde toda a eternidade que o Senhor fez para nós um plano de Salvação que é o nosso Caminho, nos ensina a Verdade e nos dá a Vida.

Na Mesa da Palavra foi nos comunicada a luz da Verdade; na Mesa da Eucaristia teremos como Alimento o próprio Jesus humanado.

 

Cântico do ofertório: É Natal em cada aldeia – M. Carneiro, NRMS, 108

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, a oblação que Vos apresentamos neste dia solene de Natal, em que nasceu para nós a verdadeira paz e reconciliação e se instituiu entre os homens a plenitude do culto divino. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Natal: p. 457[590-702] ou 458-459

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Pelo mistério do Verbo encarnado, nova luz da vossa glória brilhou sobre nós, para que vendo a Deus com os nossos olhos, aprendamos a amar asa coisas invisíveis.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Também nas Orações Eucarísticas II e III se faz a comemoração própria.

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 38

 

Saudação da Paz

 

Os Anjos cantaram sobre as campinas de Belém: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens amados por Deus.

Agramos a coração para o enchermos desta Paz e a comunicarmos aos que vivem ao nosso lado.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Depois de Se nos ter dado na Palavra, Jesus Menino oferece-Se a cada um de nós como Alimento divino, na Santíssima Eucaristia.

Examinemo-nos cuidadosamente, antes de nos aproximarmos da comunhão, para ver se estamos nas condições por Ele estabelecidas: Fé, Amor e respeito.

 

Cântico da Comunhão: Todos os confins da terra – M. Simões, BML, 34

Salmo 97, 3

Antífona da comunhão: Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus.

 

Cântico de acção de graças: Desde o nascer do Sol – M. Simões, NRMS, 56

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Deus misericordioso, que o Salvador do mundo hoje nascido, assim como nos comunicou a sua vida divina, nos faça também participantes da sua imortalidade. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Continuemos as festas deste Natal, com atenção especial às pessoas mais carenciadas.

 

Cântico final: Glória e louvor ao Verbo Divino – M. Faria, NRMS, 8 (I)

 

 

Homilia FeriaL

 

TEMPO DO NATAL

 

Sábado, 26-XII: Sto Estêvão: Aprender a perdoar.

Act 6, 8-10; 7. 54-59 / Mt 10, 17-22

Estêvão dizia a seguinte oração: Senhor Jesus recebe o meu espírito...e bradou com voz forte: Senhor, não os acuses deste pecado.

Santo Estêvão foi um dos primeiros sete diáconos, escolhidos pelos Apóstolos, e foi também o primeiro mártir. Na sua oração pedia a Deus que lhe concedesse a vida eterna e perdoasse os seus carrascos (LT). Em vossas mãos entrego meu espírito (SR).

O Senhor ensinou-nos a amar os nossos inimigos e, na nossa oração, devemos implorar o perdão para eles. Jesus tinha dito aos Apóstolos que haveriam de ser entregues aos tribunais (EV), e que recorressem ao Espírito Santo, que falaria neles (EV). O amor é mais forte do que o pecado e condição para a harmonia entre os homens.

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Fernando Silva

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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