3.º Domingo do Advento

13 de Dezembro de 2020

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Levanta-te Jerusalém – J. F. Silva, NRMS, 39

cf. Filip 4, 4.5

Antífona de entrada: Alegrai-vos sempre no Senhor. Exultai de alegria: o Senhor está perto.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O Natal está próximo e o terceiro domingo do Advento, conhecido como o Domingo Gaudete Domino (Alegrai-vos no Senhor), coloca-nos diante do testemunho sobre Cristo que deve suscitar em nós a alegria. A vela que devemos acender neste terceiro domingo é a do testemunho alegre. Como João, devemos testemunhar Cristo, o salvador prometido, ao nosso mundo.

 

Acto Penitencial

 

P: Senhor, que nos revelastes a alegria do Pai em perdoar, tende piedade de nós!

A: Senhor, tende piedade de nós!

 

P: Cristo, que perdoastes aos pecadores arrependidos enchendo-os de alegria, tende piedade de nós!

R: Cristo, tende piedade de nós!

 

P: Senhor, que através da Igreja continuais a reconciliar-nos, tende piedade de nós!

A: Senhor, tende piedade de nós!

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que vedes o vosso povo esperar fielmente o Natal do Senhor, fazei-nos chegar às solenidades da nossa salvação e celebrá-las com renovada alegria. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías entoa um canto de alegria aos que regressam do exílio, e que foram recebidos com frieza e hostilidade pelos habitantes de Jerusalém. Ele tem tanta certeza de que o amor de Deus libertará o seu povo, que manifesta a impressão de já estar presente na festa.

 

 

Isaías 61, 1-2a.10-11

1O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos pobres, a curar os corações atribulados, a proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, 2aa promulgar o ano da graça do Senhor. 10Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de justiça, como noivo que cinge a fronte com o diadema e a noiva que se adorna com as suas jóias. 11Como a terra faz brotar os germes e o jardim germinar as sementes, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor diante de todas as nações.

 

O texto da leitura é tirado daquilo que poderíamos chamar o cerne do Terceiro Isaías (Is 60,1 – 64,11): no centro de Is 56 – 66 situa-se o anúncio da salvação para todas as nações a partir da nova Jerusalém (Sião) ideal (símbolo de uma nova ordem universal: cf. Apoc 21,1 – 22,5). E é em Is 61 que está o cume deste esplendoroso anúncio: o capítulo começa com os primeiros versículos que integram a leitura de hoje, em que aparece a falar, num denso monólogo, o mensageiro da boa nova libertadora. Por um lado, estes dois vv. têm grande afinidade com os poemas messiânicos do Servo de Yahwéh (cf. Is 49,1-6 e 42,1) e, por outro lado, o sentido profético destas palavras aparece realçado na parafraseada tradução aramaica (Targum), de que Jesus se teria servido na sinagoga de Nazaré. Com efeito, esta acrescentava no início deste texto: «Assim diz o profeta»; deste modo, o texto na boca de Jesus adquiria uma força surpreendente, ao pôr em evidência que Ele era o profeta-mensageiro de que falava Isaías – «hoje cumpriu-se esta Escritura…» (Lc 4,21) – e o próprio Messias, isto é, o Ungido (Cristo) pelo Senhor.

«Anunciar a boa nova aos pobres». Estes pobres – em hebraico, anavim, um termo técnico do A. T. – não são propriamente os que sofrem de miséria material ou moral, mas os que vivem numa piedosa atitude de indigência e humildade diante de Deus, isto é, os que confiam na bondade e misericórdia de Deus e não nos seus próprios bens ou merecimentos. «Um ano de graça» encerra uma alusão ao ano sabático (cf. Ex 21,2-11; Jer 34,14; Ez 46,17), ou antes ao ano jubilar, cada ano cinquenta, em que os escravos eram restituídos à liberdade e a propriedade regressava aos seus antigos donos (cf. Lv 25).

10-11 «Exulto de alegria»… O texto adapta-se bem ao tema tradicional da alegria para este «Domingo Gaudete». A alegria a que se refere – uma alegria comparável à dos noivos na sua festa nupcial e à do lavrador em face duma boa colheita – corresponde à maravilhosa restauração de Jerusalém; é a alegria messiânica, pois o horizonte do oráculo é claramente escatológico, isto é, o de uma intervenção de Deus em ordem à salvação definitiva. É, pois, coerente que a Liturgia ver nesta alegria a da Igreja pelo nascimento de Cristo.

 

Salmo Responsorial    Lc 1, 46-48.49-50.53-54 (R. Is 61, 10b)

 

Monição: Apesar de termos tantos motivos para a tristeza, hoje somos convidados a ter a mesma confiança de Maria e a entoar um cântico de alegria por causa da salvação operada por Deus.

 

Refrão:        Exulto de alegria no Senhor.

Ou:               A minha alma exulta no Senhor.

 

A minha alma glorifica o Senhor

e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,

porque pôs os olhos na humildade da sua serva:

de hoje em diante me chamarão bem-aventurada

todas as gerações.

 

O Todo-poderoso fez em mim maravilhas:

Santo é o seu nome.

A sua misericórdia se estende de geração em geração

sobre aqueles que O temem.

 

Aos famintos encheu de bens

e aos ricos despediu-os de mãos vazias.

Acolheu a Israel, seu servo,

lembrado da sua misericórdia.

 

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo recomenda: "vivei sempre alegres". A alegria cristã não é uma atitude passageira de festas humanas, mas um estado permanente, de quem confia que a vida cristã é uma caminhada ao encontro do Senhor que vem.

 

1 Tessalonicenses  5, 16-24

Irmãos: 16Vivei sempre alegres, 17orai sem cessar, 18dai graças em todas as circunstâncias, pois é esta a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus. 19Não apagueis o Espírito, 20não desprezeis os dons proféticos; 21mas avaliai tudo, conservando o que for bom. 22Afastai-vos de toda a espécie de mal. 23O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser espírito, alma e corpo se conserve irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. 24É fiel Aquele que vos chama e cumprirá as suas promessas.

 

A leitura contém em parte recomendações finais da Carta. Entre os conselhos, S. Paulo insiste na alegria – «Vivei sempre alegres» – (v. 16), que é uma virtude profundamente cristã, consequência lógica da nossa condição de filhos de Deus. Daqui os apelos constantes do N. T. a viver a alegria: Filp 2,18; 3,1; 4,4; 2Cor 2,11; 7,4; Col 1,24; Mt 5,12; Jo 15,11; 16,22.24; 17,13.

18 «É esta a vontade de Deus»: que estejamos sempre alegres, rezemos sem cessar e demos acções de graças sempre; e isto «em Cristo Jesus», pois a vontade de Deus comunicada a nós pela palavra e exemplos de Jesus torna-se coisa praticável mediante a obra redentora do Senhor que nos dá forças para tanto com a sua graça.

19-21 «Não apagueis o Espírito... mas avaliai tudo, conservando o que é bom». Há aqui uma referência aos dons carismáticos – atribuídos ao Espírito Santo –, dons concedidos aos fiéis para o bem espiritual dos outros, concretamente ao dom da profecia; mais do que para adivinhar, este servia para «edificar, exortar e consolar» (cf. 1Cor 14,1-15). Parece que esta exortação vai dirigida aos chefes da comunidade, para que não se oponham sistematicamente aos carismas suscitados por Deus nos fiéis, uma recomendação fortemente expressiva, pois o Espírito Santo é por excelência luz e fogo. Não é a Hierarquia quem programa a acção do Espírito Santo, «que sopra onde quer» (Jo 3, 8), mas ela tem a missão de avaliar e discernir a genuinidade dos carismas (cf. Lumen Gentium, 12).

23 «O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo se conserve irrepreensível». A totalidade do ser da pessoa a tornar-se santa é expressa segundo uma concepção tricotómica do ser humano, como sendo composto de três princípios, à maneira da filosofia grega, a saber, o espírito, ou o princípio superior de vida intelectual (nous, que Filon substituiu por pneuma, a mesma designação que também Paulo adoptou), a alma, ou o princípio de vida sensitiva (psykhê), e o corpo, o elemento puramente material (sôma). Não é de excluir que aqui S. Paulo se tenha servido do modelo antropológico grego tripartido, mas fá-lo sem se comprometer com este modelo, pois não é um filósofo especulativo; o que lhe importa é utilizar a linguagem corrente, para se fazer entender; é assim que ele utiliza diversos modelos antropológicos, gregos ou semíticos, ao correr da pena.

24 «É fiel Aquele que vos chama». Aqui está a firme garantia da perseverança na graça e na vocação cristã. S. Paulo, na linha da doutrina já revelada no A. T., insiste frequentemente na fidelidade divina: 1Cor 1,9; 10,13; 2Cor 1,18; Filp 1,6; 2Tes 3,3; 2Tim 1,12…

 

Aclamação ao Evangelho        Is 61, 1

 

Monição: O Evangelho apresenta-nos João Baptista, a "voz" que prepara os homens para acolher Jesus. O objectivo de João não é centrar sobre si próprio o foco da atenção pública; ele está apenas interessado em levar os seus interlocutores a acolher e a conhecer Jesus, Aquele que o Pai enviou.

 

Aleluia

 

Cântico: J. F. Silva, NRMS, 50-51 (I)

 

O Espírito do Senhor está sobre mim:

enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres.

 

 

Evangelho

 

São João 1, 6-8.19-28

6Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. 7Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. 19Foi este o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas, para lhe perguntarem: «Quem és tu?» 20Ele confessou a verdade e não negou; ele confessou: «Eu não sou o Messias». 21Eles perguntaram-lhe: «Então, quem és tu? És Elias?», «Não sou», respondeu ele. «És o Profeta?». Ele respondeu: «Não». 22Disseram-lhe então: «Quem és tu? Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?» 23Ele declarou: «Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías». 24Entre os enviados havia fariseus 25que lhe perguntaram: «Então, porque baptizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?» 26João respondeu-lhes: «Eu baptizo em água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: 27Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias». 28Tudo isto se passou em Betânia, além Jordão, onde João estava a baptizar.

 

O texto evangélico é extraído das referências a João Baptista que aparecem no Prólogo do IV Evangelho e do início da narrativa joanina.

6-8 «Um homem… chamado João» O único João de que se fala no IV Evangelho é o Baptista, sem nunca contar a sua vida e pregação (como os Sinópticos: cf. Lc 3,1-22 par); apenas refere o seu testemunho a favor de Jesus (1,15.19-35; 3,27-30; 5,33), a fim de que todos acreditassem.

19-28 Nesta secção deixa-se ver o prestígio excepcional do Baptista e a sua humildade, bem como o ambiente de expectativa messiânica. É interessante notar como o IV Evangelho abre com o testemunho de João (Baptista), e termina com o do Evangelista (João), ambos apontando Cristo como o Cordeiro de Deus imolado: 19,35-36.

A propósito de Elias, ver Mal 3,23; Sir 48,10-11; Mt 11,14; 17,19; e de o Profeta, ver Dt 18,15; Jo 6,14; Act 3,22.

19 «Os judeus». S. João costuma designar assim os chefes judaicos, e geralmente com uma conotação de inimigos de Jesus. Isto explica-se pelo facto de escrever para cristãos vindos da gentilidade e a muitos anos de distância dos acontecimentos (estamos perto do ano 100), por isso não implica anti-judaísmo. Os «levitas», pertencentes à tribo sacerdotal de Levi, eram os auxiliares dos sacerdotes, e não podiam oferecer os sacrifícios.

20 «Ele confessou a verdade e não negou. Confessou...» Esta insistência do Evangelista põe em evidência a hombridade e rectidão do Baptista, assim como a especial força do seu testemunho. É também de supor que esta insistência tenha por objectivo animar os fiéis a confessarem a sua fé em Cristo, apesar do furor das perseguições.

21 «Elias… o profeta». Segundo a crença popular, Elias, elevado ao céu sem morrer (cf. 2Re 2,11-12), deveria regressar no fim dos tempos: Mal 3,23 (4,5); Sir 48,10; Mt 17,10-13. Note-se que não perguntam a João se ele é um profeta, mas o profeta. Com efeito, os judeus esperavam um profeta distinto do Messias para introduzir os tempos messiânicos, apoiados em Dt 18,15. Também a Regra da Comunidade, daquela época, achada nas grutas do Mar Morto, fala da chegada de um novo profeta que acompanhará os dois Messias esperados pelos essénios: um, sacerdote, da tribo de Levi, e outro, rei, da tribo de Judá.

26 «Eu baptizo em água». Baptizar era mergulhar na água. Tratava-se dum banho ritual que significava a purificação legal de alguma impureza prevista pela Torá escrita ou oral. Na época, existia também o baptismo dos prosélitos, para incorporar um gentio no judaísmo, e ainda o baptismo dos essénios, um rito de iniciação e purificação dos adeptos que entravam na seita de Qumrã. O baptismo de João não era um rito de incorporação ou de iniciação, mas de conversão interior; as palavras de exortação do Baptista e o reconhecimento público e humilde dos pecados dispunham o penitente para vir a receber a graça de Cristo, que já vivia entre o povo, mas que o povo não conhecia na sua qualidade de Messias. Os profetas tinham anunciado uma purificação com a água nos tempos messiânicos: Zac 13,1; Jer 4,14; Ez 36,25; 37,23. O baptismo de João dispunha para a limpeza da alma, mas o Baptismo de Jesus concede eficazmente o perdão dos pecados (cf. Mt 3,11; Mc 1,4). Dadas as circunstâncias da época, o simbolismo do rito de baptizar era então muito mais evidente do que nos nossos dias, mas a eficácia do Baptismo de Jesus só se pode captar pela fé.

28 «Em Betânia, além Jordão», em frente de Jericó, na margem esquerda do rio (cf. Jo 10,39-40), é diferente da terra de Lázaro (cf. Jo 11,1.18), a uns três quilómetros a leste de Jerusalém.

 

Sugestões para a homilia

 

Vivei alegres!

“Aquele que veio para dar testemunho da luz”

 

 

Vivei alegres!

 

Na segunda leitura deste domingo, Paulo dá alguns conselhos práticos aos cristãos sobre a forma de esperar a vinda do Senhor. O primeiro destes conselhos é a alegria. A vida dos cristãos deve ser marcada pela alegria. O próprio apóstolo Paulo, alguns anos mais tarde, na epístola aos filipenses recomendará: “Alegrai-vos sempre no Senhor! O Senhor está perto”. A alegria dos cristãos nasce da certeza que o Senhor está perto de todos nós. O Deus cristão não é o Deus longínquo do homem. O Deus cristão é aquele que está próximo, que faz-se próximo do homem para o salvar e libertar.

Além da alegria, o apóstolo Paulo também exorta os cristãos a uma vida de oração, em especial, a uma oração de acção de graças. Os cristãos devem ser pessoas agradecidas. Devem agradecer a Deus todos os bens que Ele nos concede. Para terminar, o apóstolo também recomenda que os cristãos abram os seus corações ao Espírito Santo e não desprezem os seus dons. Depois desta exortação, Paulo pede que Deus santifique a totalidade da pessoa (espírito, alma e corpo) de cada cristão para que assim se conservem irrepreensíveis para a vinda do Senhor.

Da alegria também nos fala a primeira leitura deste domingo, do profeta Isaías: “Exulto de alegria no Senhor”. Estamos na época do pós-exílio. São tempos complicados para a fé do povo de Deus. Na verdade, os exilados são recebidos em Jerusalém, por aqueles que tinham permanecido na cidade, com frieza e os inimigos continuam à espreita. Tudo isto abala a esperança do Povo e, neste contexto, aparece o profeta com a promessa de um futuro de vida e de salvação, com a promessa que Deus voltará a Jerusalém e que não só Jerusalém será reconstruída mas também os pobres serão libertados. Diante deste anúncio da salvação, o povo manifesta a sua alegria e o seu júbilo em Deus que vem salvar-nos.

 

“Aquele que veio para dar testemunho da luz”

 

O texto evangélico deste domingo apresenta-nos a imagem de João Baptista como o apresentador oficial de Jesus de Nazaré. Na verdade, o texto de hoje apresenta-nos o primeiro testemunho que João dá sobre Jesus ante os enviados das autoridades judaicas.

Diante de um povo que vive na expectativa da vinda do Messias, a figura e o testemunho de João eram inquietantes e faziam surgir a dúvida: será ele o Messias? Neste contexto, as autoridades judaicas enviam a João uma delegação para lhe perguntar se ele era o messias. No entanto, João afirma-lhes que não é nem o Messias, nem Elias (aquele que seria enviado por Deus para construir um mundo novo), nem nenhum dos profetas.

João não é o centro ou o protagonista. Ele é simplesmente a testemunha da luz, é a voz que clama no deserto pedindo que endireitem o caminho do Senhor. João não busca a sua glória ou a sua auto-afirmação. Ao definir-se como a voz, João diz que não é à voz mas à mensagem que ela anuncia que os homens devem prestar atenção. Mesmo ao ser interrogado sobre o seu baptismo, ele desvaloriza o seu baptismo e aponta para o Messias: “no meio de vós está alguém que não conheceis”.

A missão de João é dar testemunho da Luz, testemunho de Jesus. João é a voz que clama: “endireitai o caminho do Senhor”. João é aquele que testemunha o Messias e que nos pede que preparemos o caminho do Senhor. É aquele que pede que nos purifiquemos e mudemos de vida para acolhermos o Senhor que vem. Na verdade, o baptismo de João tinha esta marca de mudança de vida e de purificação.

Com João, todos nós temos de aprender a dar testemunho de Cristo. O cristão é chamado a ser mártir, testemunha, de Jesus neste mundo. Em todas as situações da nossa vida, com as palavras e obras, devemos dar testemunho de Cristo. É Ele a Luz e a salvação do mundo.

 

Fala o Santo Padre

 

«São Paulo convida-nos a preparar a vinda do Senhor assumindo três atitudes:

alegria constante, oração perseverante e ação de graças contínua.»

 

Nos domingos passados a liturgia frisou o que significa pôr-se em atitude de vigilância e o que comporta concretamente preparar o caminho do Senhor. Neste terceiro domingo de Advento, chamado “domingo da alegria”, a liturgia convida-nos a sentir o espírito com o qual tudo isto acontece, ou seja, precisamente, o júbilo. São Paulo convida-nos a preparar a vinda do Senhor assumindo três atitudes. Ouvi bem: três atitudes. Primeira, o júbilo constante; segunda, a oração perseverante; terceira, a ação de graças contínua. Alegria constante, oração perseverante e ação de graças contínua.

A primeira atitude, alegria constante: «Regozijai-vos sempre» (1 Ts 5, 16), diz São Paulo. Isto significa permanecer sempre na alegria, até quando as coisas não correm segundo os nossos desejos; mas há aquele júbilo profundo, que é a paz: também ela é júbilo, está dentro. E a paz é um júbilo “a nível terreno”, mas é um júbilo. As angústias, as dificuldades e os sofrimentos atravessam a vida de cada um, como todos sabemos; e muitas vezes a realidade que nos circunda parece ser inóspita e árida, semelhante ao deserto no qual ressoava a voz de João Batista, como recorda o Evangelho de hoje (cf. Jo 1, 23). Mas precisamente as palavras do Batista revelam que o nosso júbilo se baseia numa certeza, que este deserto é habitado: «no meio de vós — diz — está um a quem vós não conheceis» (v. 26). Trata-se de Jesus, o enviado do Pai que, como frisa Isaías, «leva a boa nova aos que sofrem, cura os de coração despedaçado, anuncia a amnistia aos cativos, e a liberdade aos prisioneiros; proclama um ano de graça da parte do Senhor» (cf. 61, 1-2). Estas palavras, que Jesus fará suas no sermão da sinagoga de Nazaré (cf. Lc 4, 16-19), esclarecem que a sua missão no mundo consiste na libertação do pecado e das escravidões pessoais e sociais que ele causa. Ele veio à terra para restituir aos homens a dignidade e a liberdade dos filhos de Deus, que só Ele pode comunicar, e dar júbilo para isto.

O júbilo que caracteriza a expetativa do Messias baseia-se na oração perseverante: esta é a segunda atitude. São Paulo diz: «rezai sem cessar» (1 Ts 5, 17). Por meio da oração podemos entrar numa relação estável com Deus, que é a fonte da verdadeira alegria. A alegria do cristão não se compra, não se pode comprar; vem da fé e do encontro com Jesus Cristo, razão da nossa felicidade. E quanto mais estivermos radicados em Cristo, quanto mais estivermos próximos de Jesus, tanto mais encontraremos a serenidade interior, mesmo no meio das contradições diárias. Por isso o cristão, tendo encontrado Jesus, não pode ser um profeta de desventura, mas uma testemunha e um arauto de alegria. Uma alegria a partilhar com os demais; uma alegria contagiosa que torna menos cansativo o caminho da vida.

A terceira atitude indicada por Paulo é a ação de graças contínua, ou seja, o amor grato a Deus. Com efeito, Ele é muito generoso connosco, e nós somos convidados a reconhecer sempre os seus benefícios, o seu amor misericordioso, a sua paciência e bondade, vivendo assim numa incessante ação de graças.

Júbilo, oração e gratidão são três atitudes que nos preparam para viver o Natal de maneira autêntica. Júbilo, oração e gratidão. Digamos todos juntos: júbilo, oração e gratidão [as pessoas na praça repetem]. Outra vez! [repetem]. Nesta última fase do tempo de Advento, confiemo-nos à materna intercessão da Virgem Maria. Ela é “causa do nosso júbilo”, não só por ter gerado Jesus, mas porque nos reconduz continuamente a Ele.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 17 de dezembro de 2017

 

Oração Universal

 

Elevemos para Jesus as nossas súplicas

pelos que esperam a sua vinda gloriosa

e também por aqueles que não tem esperança,

 dizendo (ou: cantando):

R. Vinde, Senhor, e salvai-nos.

Ou: Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Vinde, Senhor Jesus.

 

1.      Para que o Papa N., os bispos, presbíteros e diáconos

e todos aqueles que anunciam o Evangelho,

tenham a fé e a coragem de João Baptista,oremos.

 

2.      Para que os fiéis, os catecúmenos e todos os homens,

busquem a luz de Deus que brilha em Cristo

e redescubram a novidade do Natal,oremos.

 

3.      Para que o Espírito do Senhor, que tudo habita,

faça exultar de alegria a terra inteira

e encha o mundo de obras de paz e de justiça, oremos.

 

4.      Para que os pobres, os doentes, os idosos,

e aqueles que estão sozinhos e desanimados

encontrem quem os ajude e reanime, oremos.

 

5.      Para que o Deus da paz nos santifique totalmente,

nos leve a afastarmo-nos de todo o mal

e a viver em contínua ação de graças, oremos.

 

Senhor, nosso Deus,que enviastes o vosso Filho muito amado

a curar os corações atribulados,

fazei-nos anunciadores do Evangelho

e testemunhas da sua luz esplendorosa.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

 

Cântico do ofertório: Quando virá Senhor o dia – Az. Oliveira, NRMS, 39

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oblação deste sacrifício se renove sempre na vossa Igreja, de modo que a celebração do mistério por Vós instituído realize em nós plenamente a obra da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Advento I: p. 453 [586-698] ou II p. 455 [588-700]

 

Santo: C. Silva - OC pg 538

 

 

Monição da Comunhão

 

Aproxima-se a vinda de Jesus e os nossos caminhos são tortuosos, porque tem muitos obstáculos que são as nossas infidelidades. Que a comunhão sacramental do Corpo de Cristo nos ajude a preparar activamente esta vinda.

 

Cântico da Comunhão: Vinde Senhor, vinde visitar-nos – J. F. Silva, NRMS, 56

cf. Is 35, 4

Antífona da comunhão: Dizei aos desanimados: Tende coragem e não temais. Eis o nosso Deus que vem salvar-nos.

 

Cântico de acção de graças: Cantai um cântico novo – J. Santos, NRMS, 10

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, pela vossa bondade, que este divino sacramento nos livre do pecado e nos prepare para as festas que se aproximam. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Deus enviou João para "dar testemunho da Luz". Ainda hoje Deus continua a enviar pessoas para dar testemunho dessa Luz e tornar presente a proposta libertadora de Jesus. Tenho eu consciência de que Deus também me chama e me envia? Qual tem sido a nossa resposta a esse chamamento?

 

Cântico final: Desça o orvalho do alto do céu – J. Santos, NRMS, 15

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 14-XII: O Aparecimento de um Astro.

Num 24, 2-7. 15-17 / Mt 21, 23-27

Balaão: Eu vejo, mas não para já, e avisto, mas não de perto: um Astro sai de Jacob e um ceptro se ergue de Israel.

Balaão, inspirado pelo Espírito de Deus, anuncia o aparecimento de um Astro (LT), que viria a ser a estrela vista pelos Magos e que os conduziu até Jesus. Mostrai-nos, Senhor, os vossos caminhos (SR).

Quando Jesus foi ao Templo, perguntaram-lhe: Com que direito fazes tudo isto? Jesus não quis responder à pergunta, pois não tinha chegado ainda o tempo para dizer quem era (EV).  Podemos ir pedindo ao Senhor que nos dirija pelos seus caminhos, caminhos de Verdade e de Vida, pois Ele reconduz ao caminho os pecadores (SR).

 

3ª Feira, 15-XII: Atender os pedidos de Deus.

Sof 3, 1-2. 9-13 / Mt 21, 28-32

Ai da cidade rebelde e impura! Não escutou nenhum apelo, nem aceitou qualquer aviso! Não teve confiança no Senhor, nem se aproximou do seu Deus.

Deus, através do profeta Sofonias, faz-nos chegar esta lamentação: não é escutado nem têm confiança nEle (LT). Pelo contrário, O Senhor livrará os seus fiéis servidores, não será condenado quem nEle se refugia (SR).

Para entrar no reino de Deus é preciso ter confiança na sua palavra e arrepender-se. Mas, além disso, para adquirir o reino, só as palavras não bastam, exigem-se actos, como vemos na parábola evangélica: um dos filhos disse que ia trabalhar na vinha do Senhor e não foi. O outro disse que não ia, arrependeu-se, e foi (EV). Foi aquele que cumpriu a vontade de Deus.

 

4ª Feira,16-XII: O Messias virá fecundar a terra.

Is 45, 6-8. 18. 21-26 / Lc 7, 19-23

Ó céus, mandai o orvalho lá do alto, e as nuvens derramem a justiça; abra-se a terra, floresça a salvação.

Trata-se de uma profecia claramente messiânica (LT), tal como o salmo. Ó céus, dai-nos o justo, como orvalho (SR).

O Senhor dará o que é bom, e a nossa terra (cada um de nós) dará o seu fruto (SR). A vinda do Messias é um sinal de grande esperança, tendo em conta a fecundidade das primeiras actuações de Jesus, contadas a João Baptista: os cegos ouvem, os coxos andam, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam (EV). E, mais ainda, o Senhor vem visitar-nos e trazer-nos a paz e a justiça.

 

5ª Feira, 17-XII: Invocar o nome de Jesus.

Gen 49, 2. 8-10 / Mt 1, 1-17

Jacob: O ceptro não há-de fugir a Judá, até que venha Aquele que lhe tem direito e a quem os povos hão-de obedecer.

Jacob reúne os seus filhos e anuncia-lhes a vinda do Messias (LT).  E é precisamente da sua descendência que foi gerado, muitos séculos depois, sendo José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus (EV). Nos dias do Senhor, nascerá a justiça e a paz para sempre (SR).

O nome de Jesus significa Deus salva. E contém tudo: Deus, o homem e toda a economia da criação e da salvação. Está presente nas orações, que acabam por Nosso Senhor Jesus Cristo, na Avé-Maria, que nos recorda o bendito fruto do vosso ventre, Jesus.

 

6ª Feira, 18-XII: O nome de José.

Jer 23, 5-8 / Mt 1, 18-25

Dias virão em que farei surgir para David um rebento justo. Será um verdadeiro rei e agirá com justiça: Deus acrescentará

O profeta Jeremias anuncia a vinda do Salvador, como descendente messiânico de David (LT).

S. José, descendente de David, recebe a mensagem do Anjo, que lhe comunica o nascimento de Jesus. Diz-lhe: dar-lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos pecados (EV). Bendito seja para sempre o seu nome glorioso (SR). O nome de José significa em hebreu Deus acrescentará, isto é, aquele que cumpre a vontade do Senhor. E José assim fez. Façamos nós o mesmo no cumprimento dos nossos deveres diários.

 

Sábado, 19-XII: A missão de João Baptista.

Jz 13, 2-7. 24-25 / Lc 1, 5-25

O Anjo: Não temas Zacarias, porque a tua súplica foi atendida. Tua esposa, Isabel, dar-te-á um filho, a quem porás o nome de João.

Uma mulher estéril recebe a visita do Anjo do Senhor, que lhe anuncia o nascimento de um filho, Sansão (LT). O mesmo aconteceu a Isabel, esposa de Zacarias e parente de Nª Senhora, que deu à luz João Baptista (EV). Vós sois, Senhor, a minha esperança desde a juventude (SR).

João será enviado a preparar para o Senhor um povo bem disposto (EV). Cumpriu esta missão, preparando os primeiros discípulos para o encontro com o Senhor. Nós podemos fazer o mesmo, levando muitos amigos até junto do Menino, que vai nascer.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Bruno Barbosa

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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