Nosso Senhor Jesus Cristo

34.º Domingo COmum

22 de Novembro de 2020

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Celebremos, Cristãos, com hinos – M. Faria, NRMS, 3

Ap 5, 12; 1, 6

Antífona de entrada: O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder e a riqueza, a sabedoria, a honra e o louvor. Glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

No 34º Domingo do Tempo Comum, celebramos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Este é o último domingo do ano litúrgico. E, no final de um ano litúrgico, os nossos olhos estão postos no fim, «quando Cristo entregar o Reino a Deus, seu Pai». Somos confrontados por esta escolha: viver para ter na Terra… ou dar para ganhar o Céu.

Acolhamos a Cristo que virá na glória do fim dos tempos, e que vem a cada instante à nossa vida, de forma humilde e discreta.

 

 

Ato Penitencial

Invoquemos a misericórdia do Senhor para que tendo compaixão das nossas fraquezas nos julgue com amor.

 

Senhor, Vós sois o Rei Pastor que conduzis o Vosso Povo no Caminho da vida, Senhor tende piedade de nós!

 

Cristo, Vós sois o Rei e Senhor do Universo, que nos chamais ao serviço livre e generoso do Vosso Reino, Cristo, tende piedade de nós!

 

Senhor, Vós sois o primeiro ressuscitado de entre os mortos, despertai-nos para o dia do vosso amor eterno, Senhor tende piedade de nós.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que no vosso amado Filho, Rei do universo, quisestes instaurar todas as coisas, concedei, propício que todas as criaturas, libertas da escravidão, sirvam a vossa majestade e Vos glorifiquem eternamente. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Com a imagem do Bom Pastor, o profeta Ezequiel dá-nos uma consoladora imagem do Senhor. Ele é o Rei poderoso que conduz o seu povo pelos caminhos da história e o amigo misericordioso sempre pronto a ajudar-nos e a consolar-nos.

 

Ezequiel 34, 11-12.15-17

11Eis o que diz o Senhor Deus: «Eu próprio irei em busca das minhas ovelhas e hei-de encontrá-las. 12Como o pastor vigia o seu rebanho, quando estiver no meio das ovelhas que andavam tresmalhadas, assim Eu guardarei as minhas ovelhas, para as tirar de todos os sítios em que se desgarraram num dia de nevoeiro e de trevas. 15Eu apascentarei as minhas ovelhas, Eu as levarei a repousar, diz o Senhor. 16Hei-de procurar a que anda perdida e reconduzir a que anda tresmalhada. Tratarei a que estiver ferida, darei vigor à que andar enfraquecida e velarei pela gorda e vigorosa. Hei-de apascentá-las com justiça. 17Quanto a vós, meu rebanho, assim fala o Senhor Deus: Hei-de fazer justiça entre ovelhas e ovelhas, entre carneiros e cabritos».

 

A leitura é tirada da secção que contém uma série de oráculos animadores e de esperança de salvação, proferidos depois da queda de Jerusalém. A aplicação desta profecia a Jesus é uma forma de apresentar Jesus na sua condição divina: «Eu apascentarei as minhas ovelhas» (v. 15; cf. Jo 10,1-16); «Hei-de procurar a que anda perdida» (cf. Lc 15, 4-7). Também no A.T. o rei é chamado pastor; daqui se justifica a esta leitura da Solenidade de Cristo Rei. Também no Evangelho Jesus aparece como Rei-Pastor, a separar as ovelhas dos cabritos exercendo o papel de Rei (cf. Mt 25,34) e Juiz.

 

Salmo Responsorial     Sl 22 (23), 1-2a.2b-3.5-6 (R. 1)

 

Monição: O Senhor é um Pastor atento e amigo. Nunca nos abandona. Feliz de quem aceita o carinho que a todos Ele quer dar. Com Ele nada nos faltará.

 

Refrão:         O Senhor é meu pastor

                      nada me faltará.

 

O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas,

por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários;

com óleo me perfumais a cabeça

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida,

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Não temos aqui morada permanente. O fim último da nossa caminhada de crentes é a participação nesse “Reino de Deus” de vida plena, para o qual Cristo nos conduz.

 

 

1 Coríntios 15, 20-26.28

Irmãos: 20Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. 21Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos; porque, 22do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. 23Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias; a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai. 25É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. 26E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus «tudo submeteu debaixo dos seus pés». 28Quando todas as coisas Lhe forem submetidas, então também o próprio Filho Se há-de submeter Àquele que Lhe submeteu todas as coisas, para que Deus seja tudo em todos.

 

S. Paulo começando por se apoiar no facto real da Ressurreição de Cristo, procura demonstrar a verdade da ressurreição dos mortos (vv. 1-19). Nestes versículos 22 e 23, diz que «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (v. 20). As primícias eram os primeiros frutos do campo que se deviam oferecer a Deus e só depois se podia comer deles (cf. Ex 28; Lv 23,10-14; Nm 15,20-21). De igual modo, Cristo nos precede na ressurreição. Nós havemos de ressuscitar «por ocasião da sua vinda» (v. 23). Não se pode confundir esta ressurreição sobrenatural e misteriosa de que aqui se fala com a imortalidade da alma. O Credo do Povo de Deus de Paulo VI, no nº 28, diz: «Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - tanto as que ainda devem ser purificadas com o fogo do Purgatório, como as que são recebidas por Jesus no Paraíso logo que se separem do corpo, como o Bom Ladrão - constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída por completo no dia da Ressurreição, em que as almas se unirão com os seus corpos».

24 «Quando Cristo entregar o reino a Deus, seu Pai». Isto parece indicar que, na consumação dos tempos, cessará a função redentora de Jesus Cristo, quando todos os eleitos tiverem atingido a plenitude da salvação – fruto da obra do próprio Cristo. Com a ressurreição final a obra da Redenção fica plenamente cumprida. É este também o sentido do último versículo da leitura (v. 28).

26 «O último inimigo a ser aniquilado é a morte»: Paulo gosta de apresentar a morte como personificada: uma força viva que acaba por levar o golpe fatal com a ressurreição final (cf. 1Cor 15,54-55).

28 «Deus seja tudo em todos» (cf. v. 24 e nota). Com a vitória final de Cristo na consumação dos tempos, todos os redimidos pertencerão totalmente ao Pai, Deus que será tudo para eles. 

 

Aclamação ao Evangelho        Mc 11, 9.10

 

Monição: No fim seremos julgados pelo amor. A evocação do juízo por Mateus, como o elemento determinante da surpresa dos julgados, põe a nu o coração do homem, e leva o ouvinte do Evangelho a interrogar-se sobre a qualidade da sua práxis.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – Az. Oliveira, NRMS, 36

 

Bendito O que vem em nome do Senhor!

Bendito o reino do nosso pai David!

 

 

Evangelho

 

São Mateus 25, 31-46

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 31«Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso. 32Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; 33e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. 34Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. 35Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes; 36não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me’. 37Então os justos Lhe dirão: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? 38Quando é que Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos? 39Quando é que Te vimos doente ou na prisão e Te fomos ver?’. 40E o Rei lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes’. 41Dirá então aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o demónio e os seus anjos. 42Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; 43era peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive doente e na prisão e não Me fostes visitar’. 44Então também eles Lhe hão-de perguntar: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, peregrino ou sem roupa, doente ou na prisão, e não Te prestámos assistência?’ 45E Ele lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer’. 46Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna».

 

Cristo Rei é-nos apresentado hoje no exercício do seu supremo poder judicial no fim dos tempos, na célebre parábola de do Juízo Final.

32 «Todas as nações» Toda a humanidade – fiéis e infiéis – será julgada pela mesma medida, contra o que pensava o judaísmo da época, que privilegiava o povo eleito, à hora do juízo de Deus.

35-40 O Juízo Final é uma verdade de fé. «De facto, todos havemos de comparecer diante do tribunal de Deus (Rom 14,10). «É perante Cristo, que é a verdade, que será definitivamente posta a nu a verdade da relação de cada homem com Deus (…). O Juízo Final revelará até às suas últimas consequências o que cada um tiver feito, ou tiver deixado de fazer durante a sua vida terrena… O Pai …pronunciará então a sua palavra definitiva sobre toda a história» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1039-1040). Este Juízo é encenado na parábola de modo a pôr em evidência a caridade como virtude central e resumo de todas as virtudes e de toda a lei de Deus. Como diz S. João da Cruz, «seremos julgados pelo amor», pois Deus há-de pedir-nos contas não só do mal que fizemos, mas também do bem que devíamos ter feito e que omitimos, por falta de amor. «A Mim o fizestes»: Jesus como que se esconde no necessitado, por isso a caridade cristã não é mera beneficência ditada pela filantropia, mas é amor ditado pela fé, que nos faz descobrir no próximo um filho de Deus, um irmão, uma imagem de Cristo, ainda que muito desfigurada, por vezes.

46 «Para o suplício eterno». «A doutrina da Igreja afirma a existência do Inferno e a sua eternidade (…). As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno são um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar a sua liberdade tendo em vista o destino eterno. Constituem, ao mesmo tempo, um apelo urgente à conversão (…). Deus não predestina ninguém ao Inferno. Para ter semelhante destino, é preciso haver uma aversão voluntária a Deus (pecado mortal) e persistir nela até ao fim… A Igreja implora a misericórdia de Deus, ‘que não quer que alguns venham a perder-se, mas que todos se possam arrepender’ [2 Pe 2,9]» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1035-1037).

 

Sugestões para a homilia

 

A Festa de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, foi instituída pelo Papa Pio XI, em 11 de dezembro de 1925, com a Carta Encíclica Quas Primas. Eram tempos sombrios e nublados, como os de hoje, tendo esta festa com o intuito de promover a militância católica e ajudar a sociedade a revestir-se de valores cristãos.

Sabemos dos Evangelhos que Jesus rejeitou o título de rei quando ele tinha o significado político, à maneira dos “chefes das nações” (Cf Mt 20, 24). Ao contrário, durante a sua paixão, Ele reivindicou uma singular realeza diante de Pilatos, o qual o interrogou explicitamente: "Tu és rei?", e Jesus respondeu: "Tu o dizes, eu sou rei" (Jo 18, 37); mas pouco antes tinha declarado: "o meu reino não é deste mundo" (Jo 18, 36).

Então, ao viver a Solenidade e ao contemplarmos Jesus Cristo Rei e Senhor do Universo que, que vemos nós? Como nos vê Ele?

Não vemos um soberano deste mundo, com as vestes reais, sentado num trono dourado... Vemos um Rei, com as vestes de um simples pastor, que nos olha com amor, que nos guia com o seu cajado e que faz justiça, defendendo os mais frágeis…Pois a Sua realeza é de guia e de serviço. Vemos um Rei profundamente envolvido na nossa história, conduzindo-a para a reconciliação com o Pai, para a reconciliação dos homens entre si e para a reconciliação do homem com o universo até que seja possível tudo colocar nas mãos do Pai. Vemos um Rei que nos convida a olhar para os Seus “irmãos menores” pois a Sua realeza não estará completa enquanto estes não tiverem vida e liberdade.

 

Rei Pastor

1. Deste Rei Pastor, fala o profeta Ezequiel, na 1ª leitura. Aos exilados, a um povo cujos pastores humanos trataram mal, levando-o a experiências de dispersão, sofrimento e exílio, o profeta apresenta um tempo novo em que o próprio Deus vai a assumir pessoalmente este papel de Rei Pastor. Rei Pastor que sai para ir em busca da ovelha perdida e tresmalhada; Rei Pastor que se abaixa para cuidar de cada ovelha ferida, que encontra na beira da estrada; para curar as feridas, para tocar com ternura a carne sofredora dos homens, contraindo assim o cheiro de ovelha, fazendo também aí ouvir a sua voz. Rei Pastor, que acompanha, com muita paciência, a ovelha enfraquecida, para lhe dar vigor, para não a deixar cair na inércia, para não a deixar morrer aos poucos, para a reanimar, para a revitalizar, para a levantar da sua queda, para a fazer avançar no caminho. É um Rei Pastor que nos acompanha em todos os processos, por mais duros que sejam; conhece as longas esperas e suporta as nossas limitações (cf. EG 24), até nos poder reconduzir às fontes da vida e da felicidade.

Ao longo deste ano seguiste o Bom Pastor e deixaste-te seduzir e conduzir por Ele? Confiaste n’Ele para atravessar os vales sombrios? Deixaste que fosse Ele, nas debilidades e quedas, que te tomasse no seu colo como ovelha perdida e encontrada? Ou fugiste de Deus e agarrando-te a outros “pastores” fazendo deles a tua referência, o teu guia, o teu ídolo?

 

Rei dos Pobres

2. Precedem este último domingo do Ano Litúrgico três parábolas: a “parábola do mordomo fiel e do mordomo infiel”; a “parábola das jovens previdentes e das jovens descuidadas”; a “parábola dos talentos”, onde apareciam grupos de pessoas com comportamentos diversos enquanto esperavam a vinda do Senhor... No Evangelho deste domingo, que é a introdução da narração do juízo universal, São Mateus, mostra-nos qual será o “fim” de cada um desses grupos, segundo os critérios indicados por Cristo, Rei, Pastor e Juiz

Como percebemos para além de Rei Pastor Cristo é também o Rei dos pobres... o Rei que se identifica connosco, não quando estamos sadios e felizes, mas quando estamos em necessidade. É desta forma escondida que Ele se deixa encontrar e nos estende a mão como mendigo. E é assim que Jesus revela o critério decisivo do seu juízo, ou seja, o amor concreto pelo próximo em dificuldade...

Na verdade, nos arquivos de Deus não estão assinaladas as falhas, mas memorizados os gestos de amor e de bondade. Não são elencadas as nossas sombras, mas as sementes de amor, as lágrimas enxugadas e as vidas partilhadas. Diante dele mais do que temer os nossos pecados devemos temer as nossas mãos vazias... O Pai mais do que olhar para nós, olhará à nossa volta, olhará para a quantidade de lágrimas e pessoas que nos foram confiadas; olhará para aqueles que por nós foram consolados, os que de nós receberam esperança e força para continuar o caminho; os que se alegraram com o pão e a água que lhes demos, os que “ressuscitaram” com a coragem e ânimo recebidos... Sim; o exame será feito pelas vezes em que cada um de nós conseguiu ver no pobre que nos estende a mão Aquele que é Deus, o Verbo Eterno, a pedir-nos esmola (Santa Teresinha).

 

Rei Ressuscitado e Ressuscitador

3. Jesus Cristo é também o Rei ressuscitado e ressuscitador. Na verdade, diz São Paulo: depois será o fim, quando Cristo entregar o Reino a Deus, seu Pai (1 Cor 15, 24). Em Cristo, vivo e ressuscitado, começa um mundo novo, que chegará, um dia, à sua plenitude, que conhecerá, no fim e por fim, o seu toque e retoque final, «quando Deus for tudo em todos» (1 Cor 15, 28)! Trata-se de um fim, que é princípio definitivo, sem retorno e sem mácula, de uma nova criação, de um mundo novo, de uma nova vida, de uma vida eterna!

Já sabemos a matéria do exame final e as perguntas que nos serão feitas. Tornemo-nos, positivamente, interventivos na vida das pessoas despertando nelas a esperança e gerando um mundo mais humano e fraterno, mas sinal da proximidade do Reino de Deus... E então, escutaremos a promessa: “Recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo” (Mt 25, 34). Então também para nós acontecerá ressurreição.

 

Fala o Santo Padre

 

«No final da nossa vida, seremos julgados sobre o amor, ou seja, sobre o nosso compromisso concreto de amar

e servir Jesus nos nossos irmãos mais pequeninos e necessitados.»

 

Neste último domingo do ano litúrgico celebramos a solenidade de Cristo Rei do universo. A sua realeza é de guia, de serviço, e também uma realeza que no fim dos tempos se afirmará como o juízo. Hoje temos diante de nós Cristo como rei, pastor e juiz, que indica os critérios de pertença ao Reino de Deus. Aqui estão os critérios.

A página evangélica abre-se com uma visão grandiosa. Dirigindo-se aos seus discípulos, Jesus diz: «Quando o Filho do Homem voltar na sua glória, e todos os anjos com Ele, sentar-se-á no seu trono glorioso» (Mt 25, 31). Trata-se da solene introdução da narração do juízo universal. Depois de ter vivido a existência terrena em humildade e pobreza, Jesus apresenta-se agora na glória divina que lhe pertence, circundado pelos exércitos angélicos. A humanidade inteira é convocada perante Ele, e Ele exerce a sua autoridade separando uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.

Àqueles que colocou à sua direita, diz: «Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos foi preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e destes-me de comer; tive sede e destes-me de beber; era peregrino e acolhestes-me; nu e vestistes-me; enfermo e visitastes-me; estava na prisão e viestes ter comigo» (vv. 34-36). Os justos ficam surpreendidos, porque não se recordam de um dia ter encontrado Jesus, e muito menos de o ter ajudado desse modo; mas Ele declara: «Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes» (v. 40). Esta palavra nunca deixa de nos impressionar, porque nos revela até que ponto chega o amor de Deus: a ponto de se identificar connosco, contudo não quando estamos bem, quando estamos sadios e felizes, não, mas quando estamos em necessidade. É desta forma escondida que Ele se deixa encontrar, que nos estende a mão como mendigo. É assim que Jesus revela o critério decisivo do seu juízo, ou seja, o amor concreto pelo próximo em dificuldade. Revela-se assim o poder do amor, a realeza de Deus: solidário com quantos sofrem, para suscitar em toda a parte atitudes e obras de misericórdia.

A parábola do juízo prossegue, apresentando o rei que afasta de si quantos, durante a própria vida, não se preocuparam com as necessidades dos irmãos. Também neste caso, eles ficam surpreendidos e perguntam: «Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão, e não te socorremos?» (v. 44). Está subentendido: “Se te tivéssemos visto, certamente ter-te-íamos ajudado!”. Mas o rei responderá: «Todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim mesmo que o deixastes de fazer» (v. 45). No final da nossa vida, seremos julgados sobre o amor, ou seja, sobre o nosso compromisso concreto de amar e servir Jesus nos nossos irmãos mais pequeninos e necessitados. Aquele mendigo, esse necessitado que estende a mão é Jesus; aquele doente que devo visitar é Jesus; esse preso é Jesus; aquele faminto é Jesus. Pensemos nisto!

Jesus virá no fim dos tempos para julgar todas as nações, mas vem ter connosco todos os dias, de muitas maneiras, e pede-nos que o acolhamos. A Virgem Maria nos ajude a encontrá-lo e a recebê-lo na sua Palavra e na Eucaristia, e ao mesmo tempo nos irmãos e nas irmãs que sofrem a fome, a doença, a opressão e a injustiça. Que os nossos corações o acolham no hoje da nossa vida, para sermos por Ele recebidos na eternidade do seu Reino de luz e de paz.

 Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 26 de novembro de 2017

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Oremos pelos mais pobres deste mundo,

que têm um lugar privilegiado no coração do Pai,

e invoquemo-l’O, por Cristo, Rei do Universo,

dizendo (ou: cantando):

R. Senhor, venha a nós o vosso reino.

Ou: Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Ouvi, Senhor, a nossa oração.

 

1.     Pela santa Igreja e por todos os seus filhos,

pelos pobres e por aqueles que os assistem

na fome, na doença ou na prisão, oremos.

 

2.     Pelos bispos, presbíteros e diáconos

e por todos os que, imitando o Bom Pastor,

orientam os fieis para o seu Reino, oremos.

 

3.     Pelos doentes, prisioneiros e condenados,

pelos que esperam ver despontar a salvação,

e por todos os moribundos e defuntos, oremos.

 

4.     Pelos que veem Cristo em cada homem,

pelos servidores dos que mais sofrem

e pelos que têm fome e sede de justiça, oremos.

 

5.     Pelos fieis que vivem а luz do Evangelho,

pelos que nunca o descobriram nem viveram

e por aqueles que por ele dão a própria vida, oremos.

 

(Outras intenções: grandes problemas mundiais; acontecimentos nacionais

importantes; factos relevantes da vida paroquial ...).

 

Senhor, nosso Deus,que nos enviastes o vosso Filho,

não para condenar, mas para salvar todos os homens,

dai-nos a graça de O reconhecernos mais pobres e desprezados deste mundo.

Por Cristo Senhor nosso.

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Senhor meu Bom Jesus – Bach/M. Faria, NRMS, 23

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, este sacrifício da reconciliação humana e, pelos méritos de Cristo vosso Filho, concedei a todos os povos o dom da unidade e da paz. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

Cristo, Sacerdote e Rei do universo

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Com o óleo da alegria consagrastes Sacerdote eterno e Rei do universo o vosso Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor, para que, oferecendo-Se no altar da cruz, como vítima de reconciliação, consumasse o mistério da redenção humana e, submetendo ao seu poder todas as criaturas, oferecesse à vossa infinita majestade um reino eterno e universal: reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz.

Por isso, com os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

Na Sagrada Comunhão de hoje renovemos o nosso compromisso baptismal de fidelidade a Cristo Rei, observando os Seus Mandamentos e prometendo empenharmo-nos seriamente num apostolado pessoal que aproxime do Seu Coração Divino, na Santíssima Eucaristia, todas as pessoas de boa vontade.

 

Cântico da Comunhão: Benditos de meu Pai – A. Oliveira, NRMS, 92

Salmo 28, 10-11

Antífona da comunhão: O Senhor está sentado como Rei eterno; O Senhor abençoará o seu povo na paz.

 

Cântico de acção de graças: Exultai de alegria no Senhor – J. F. Silva, NRMS, 87

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da imortalidade, fazei que, obedecendo com santa alegria aos mandamentos de Cristo, Rei do universo, mereçamos viver para sempre com Ele no reino celeste. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Somos construtores do Reino de Jesus Cristo pela oração, pelo nosso testemunho de vida e pela acção apostólica.

Levemos todas as pessoas ao encontro d’Ele – o único que as pode tornar felizes na terra e na eternidade.

 

ORAÇÃO DE SANTA TERESA DE CALCUTÁ

(Poderá ser integrada na Homilia ou antes do Envio)

 

Senhor, quando eu tiver fome,

dai-me alguém que precise de comida.

 

Quando tiver sede,

dai-me alguém que precise de água.

 

Quando sentir frio,

dai-me alguém que precise de ser aquecido.

 

Quando estiver ferida,

dai-me alguém a consolar.

 

Quando a minha cruz se tornar pesada,

dai-me a cruz do outro a partilhar.

 

Quando me achar pobre,

conduzi-me a alguém necessitado.

 

Quando não tiver tempo,

dai-me alguém que possa ajudar por um instante.

 

Quando sofrer uma humilhação,

dai-me ocasião para elogiar alguém.

 

Quando estiver desencorajada,

dai-me alguém para lhe dar novo ânimo.

 

Quando sentir necessidade da compreensão dos outros,

dai-me alguém que precise da minha.

 

Quando sentir necessidade de que cuidem de mim,

dai-me alguém que eu tenha de atender.

 

Quando pensar em mim mesma,

voltai a minha atenção para outra pessoa.

 

Tornai-nos dignos, Senhor, de servir os nossos irmãos

que vivem e morrem pobres e com fome, no mundo de hoje.

 

Dai-lhes, através das nossas mãos, o pão de cada dia,

e dai-lhes, graças ao nosso amor compassivo, a paz e a alegria.

 

Cântico final: Glória a Jesus Cristo – A. Oliveira, NRMS, 92

 

 

Homilias Feriais

 

34ª SEMANA

 

2ª Feira, 23-XI: A Palavra de Deus e o desprendimento.

Ap 14, 1-3.4-5 / Lc 21, 1-4

Viu também uma pobrezinha deitar lá duas moedas. Esta viúva deitou mais do que todos.

Quem quiser ser discípulo de Jesus deve viver o desprendimento dos bens materiais por causa dEle e do Evangelho. De facto são eles que seguem o Cordeiro para onde quer que Ele vá (LT). Esta é a geração dos que procuram o Senhor (SR).

O desprendimento é também necessário para entrar no reino dos Céus. Pouco antes da Paixão, Jesus deu aos discípulos o exemplo da viúva pobre de Jerusalém que, da sua penúria, deu tudo o que tinha para viver (EV). Para vermos o valor do desprendimento, basta que nos lembremos da respectiva bem-aventurança.

 

3ª Feira, 24-XI: A Palavra de Deus e a vitória de Cristo.

Ap 14, 14-19 / Lc 21, 5-11

Mestre, por que será tudo isto? Que sinal haverá de que está para acabar?

Jesus profetiza a destruição do templo de Jerusalém, orgulho dos judeus (EV). Mas também se pode aplicar ao fim dos tempos. Quando acontecerá?  Mete a tua foice, pois chegou a hora de ceifar; a seara da terra está madura (LT). Haverá grandes terremotos; haverá fenómenos espantosos (EV).

Depois da Ascensão do Senhor aos Céus, o desígnio de Deus entrou na sua consumação. Esta renovação já está irrevogavelmente adquirida. E Ele julgará o mundo e os povos com fidelidade (SR).

 

4ª Feira, 25-XI: A Palavra de Deus e a firmeza nas dificuldades

Ap 15, 1-4 / Lc 21, 12-19

Deitar-vos-ão as mãos e hão-de perseguir-vos, para vos entregarem às sinagogas e prisões.

Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes. A perseguição, que acompanhará a sua peregrinação na terra (EV), manifestará o mistério da iniquidade.

No meio das dificuldades, procuremos ser fiéis, porque nos apoiamos em Deus. Porque só vós sois Santo e todas as nações virão prostrar-se diante de vós (LT). A sua mão e o seu santo braço lhe deram a vitória (SR). Sejamos fiéis nas coisas pequenas de cada dia; recomecemos depois de nos desviarmos, retirando os obstáculos que dificultam a união com Deus.

 

5ª Feira, 26-XI: A palavra de Deus, o juízo final e a conversão.

Ap 18, 1-2. 21-23; 19, 1-3. 9 / Lc 21, 20-28

Nessa altura verão o Filho do Homem vir numa nuvem com grande poder e glória.

A consumação do reino far-se-á por uma vitória de Deus sobre a última manifestação do mal (LT). Felizes os convidados para a Ceia das núpcias do Cordeiro (SR). Este triunfo de Deus tomará a forma de juízo final, após o último abalo cósmico deste mundo passageiro.

Quando se der esta vinda gloriosa de Cristo (EV) terá lugar o juízo final. A sua mensagem é um apelo à conversão, enquanto Deus dá ainda aos homens o tempo favorável, o tempo da salvação. Procuremos corresponder a esta mensagem, através de pequenas conversões diárias, manifestando o nosso arrependimento pelos afastamentos de Deus.

 

6ª Feira, 27-XI: A Palavra de Deus e os novos céus e a nova terra.

Ap20, 1-4, 11-21, 2 / Lc 21, 29-33

Vi então um novo céu e uma nova terra. Vi depois a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do Céu.

A Escritura chama a esta misteriosa renovação, que há-de transformar a humanidade e o mundo, os 'novos céus' e a 'nova terra' (LT).

O significado da 'cidade santa' é o seguinte: os que estiverem unidos a Cristo formarão a comunidade dos resgatados, a 'cidade santa de Deus' (LT). Ditoso o que caminha para Sião ao encontro de Deus (SR). Esta cidade não mais será atingida pelo pecado, pelo amor próprio, que destroem e ferem a comunidade terrena dos homens. A visão beatífica será fonte inexaurível da felicidade, da paz e da mútua comunhão.

 

Sábado, 28-XI: A Palavra de Deus e a vida para sempre com Cristo.

Ap 22, 1-7 / Lc 21, 34-36

O trono de Deus e do Cordeiro estará na cidade e os seus servos irão prestar-lhe culto: hão-de vê-lo frente a frente.

S. João refere-se à visão do Céu (LT). Os que morrem na graça e na amizade de Deus, e estiverem perfeitamente purificados, viverão para sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, porque o verão tal como Ele é. Vinde, aclamemos o rochedo da nossa salvação (SR).

Para chegarmos a esta meta precisamos lutar mais nesta vida, estar vigilantes, por exemplo, na oração: Velai e orai em todo o tempo (EV). E no campo da mortificação, lutando contra a intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida (LT).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Avelino dos Santos Mendes

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 

 


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