29.º Domingo Comum

D.M. das Missões

18 de Outubro de 2020

 

Nota: Onde se realizam celebrações especiais pelas missões, pode dizer-se a Missa “Pela evangelização dos povos” – (MR, p. 1208).

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cristo Jesus Tu me chamaste – H. Faria, NRMS, 30

Salmo 16, 6.8.9

Antífona de entrada: Respondei-me, Senhor, quando Vos invoco, ouvi a minha voz, escutai as minhas palavras. Guardai-me dos meus inimigos, Senhor. Protegei-me à sombra das vossas asas.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

 

 “Eis-me aqui, envia-me!” (Is 6, 8). A missão compromete e envolve todos nós. Deus chama-nos pelo nome e toma-nos pela mão (cf. Is 45, 1. 4). Como dizia Bento XVI, a missão é a “forma de vida cristã”. Hoje, em que comemoramos o Dia Mundial das Missões, celebramos a nossa forma de ser, louvando e servindo o Senhor, partilhando tudo o que temos e somos. Uma vida missionária é uma vida cheia de sentido, que enche de beleza, e de irmãos, o mundo.

 

Acto Penitencial

 

Neste Dia Mundial das Missões, a Palavra do Apóstolo desafia-nos a anunciar o Evangelho, não só com palavras, mas com obras poderosas e com a ação do Espírito Santo. Pelas vezes em que nos faltou a alegria do Evangelho e a coragem humilde do testemunho, peçamos perdão ao Senhor.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, dai-nos a graça de consagrarmos sempre ao vosso serviço a dedicação da nossa vontade e a sinceridade do nosso coração. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías, na primeira leitura deste domingo, recorda-nos que Deus vai actuando na nossa história através de homens que são seus instrumentos de salvação no nosso mundo.

 

Isaías 45, 1.4-6

1Assim fala o Senhor a Ciro, seu ungido, a quem tomou pela mão direita, para subjugar diante dele as nações e fazer cair as armas da cintura dos reis, para abrir as portas à sua frente, sem que nenhuma lhe seja fechada: 4«Por causa de Jacob, meu servo, e de Israel, meu eleito, Eu te chamei pelo teu nome e te dei um título glorioso, quando ainda não Me conhecias. 5Eu sou o Senhor e não há outro; fora de Mim não há Deus. Eu te cingi, quando ainda não Me conhecias, 6para que se saiba, do Oriente ao Ocidente, que fora de Mim não há outro. Eu sou o Senhor e mais ninguém».

 

A leitura é tirada do Segundo Isaías; apresenta o rei Ciro da Pérsia, que em 539 acabou com o reino de Babilónia. Este é chamado, à maneira dos reis do povo escolhido, como o «Ungido» de Yahwéh. Ele permitiu que os exilados hebreus regressassem à pátria, e reconstruíssem o templo de Jerusalém. Nesta passagem, o profeta dá-lhe os grandiosos títulos de «Pastor» e «Ungido» do Senhor. É saudado como instrumento de Deus para libertar Israel e difundir a fé em Yahwéh, o único Deus. Também no Evangelho se fala doutro imperador pagão, Tibério César, mas sem que seja elogiado, ou condenado.

 

Salmo Responsorial     Sl 95 (96), l.3.4-5.7-8.9-10a.c (R. 7b)

 

Monição: O salmista canta a “glória e o poder do Senhor”. É um delicioso hino de louvor que não se cansa de cantar a beleza e a bondade das maravilhas que Deus opera em nós.

 

Refrão:         Aclamai a glória e o poder do Senhor.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo,

cantai ao Senhor, terra inteira.

Publicai entre as nações a sua glória,

em todos os povos as suas maravilhas.

 

O Senhor é grande e digno de louvor,

mais temível que todos os deuses.

Os deuses dos gentios não passam de ídolos,

foi o Senhor quem fez os céus.

 

Dai ao Senhor, ó família dos povos,

dai ao Senhor glória e poder.

Dai ao Senhor a glória do seu nome,

levai-Lhe oferendas e entrai nos seus átrios.

 

Adorai o Senhor com ornamentos sagrados,

trema diante d’Ele a terra inteira.

Dizei entre as nações: «O Senhor é Rei»,

governa os povos com equidade.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O apóstolo Paulo chama a atenção para que o anúncio do evangelho não se faça apenas de palavras, mas com obras concretas. Contudo, acrescenta ainda um pormenor final, que faz toda a diferença: o evangelho é pregado não só com palavras e obras, mas também “com a ação do Espírito Santo”.

 

1 Tessalonicenses 1, 1-5b

1Paulo, Silvano e Timóteo à Igreja dos Tessalonicenses, que está em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: A graça e a paz estejam convosco. 2Damos continuamente graças a Deus por todos vós, ao fazermos menção de vós nas nossas orações. 3Recordamos a actividade da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em Nosso Senhor Jesus Cristo, na presença de Deus, nosso Pai. 4Nós sabemos, irmãos amados por Deus, como fostes escolhidos. 5bO nosso Evangelho não vos foi pregado somente com palavras, mas também com obras poderosas, com a acção do Espírito Santo.

 

É este o início daquele que é muitíssimo provavelmente primeiro de todos os escritos do Novo Testamento, e dos que são mais fáceis de datar: pelo ano 51, S. Paulo, em Corinto, recebe, através de Timóteo, boas notícias da comunidade fundada há pouco, no decurso desta 2.ª viagem apostólica, e escreve esta carta cheia de carinho, para os confirmar na fé. Temos a breve saudação inicial (v. 1), à boa maneira clássica; junto a Paulo estavam dois dos seus companheiros da 2ª viagem, Silvano (Silas) e Timóteo. Chamamos a atenção para o facto de que nas palavras de acção de graças a Deus pela fidelidade dos Tessalonicenses (vv. 3-10), o Apóstolo, uns 20 anos após a Morte e Ressurreição de Cristo, alude ao mistério central da nossa fé, ao referir o «Pai», ao Filho, «o Senhor Jesus» (v. 3) e ao «Espírito Santo» (v. 5).

 

Aclamação ao Evangelho        Filip 2, 15d.16a

 

Monição: O Evangelho deste domingo narra-nos uma controvérsia de Jesus com os fariseus e os partidários de Herodes relacionada com a licitude ou ilicitude de pagar os impostos ao Imperador de Roma que dominava aquela terra.

 

Aleluia

 

Cântico: J. F. Silva, NRMS, 50-51 (I)

 

Vós brilhais como estrelas no mundo,

ostentando a palavra da vida.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 22, 15-21

Naquele tempo, 15os fariseus reuniram-se para deliberar sobre a maneira de surpreender Jesus no que dissesse. 16Enviaram-Lhe alguns dos seus discípulos, juntamente com os herodianos, e disseram-Lhe: «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem te preocupares com ninguém, pois não fazes acepção de pessoas. 17Diz-nos o teu parecer: É lícito ou não pagar tributo a César?» 18Jesus, conhecendo a sua malícia, respondeu: «Porque Me tentais, hipócritas? 19Mostrai-me a moeda do tributo». Eles apresentaram-Lhe um denário e Jesus perguntou: 20«De quem é esta imagem e esta inscrição?» 21Eles responderam: «De César». Disse-Lhes Jesus: «Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus».

 

A questão proposta era uma hábil cilada em que Jesus deveria cair: se dissesse que se devia pagar o tributo a Tibério César, ali estavam os «fariseus» para O desacreditarem perante o povo, pois apoiava o domínio romano, ao qual os fariseus se opunham tenazmente; se Jesus dissesse que não, ali tinha os «herodianos», que O iriam denunciar a Pilatos como rebelde e agitador do povo contra os Romanos, pois os partidários de Herodes apoiavam o domínio romano.

19 «A moeda do tributo». Era o denário, que tinha a efígie do imperador com a inscrição: «Tibério César, filho do divino Augusto».

21 Jesus evita cair na armadilha, dando uma resposta que transcende a pergunta: a pergunta era política; a resposta é de ordem moral e religiosa e muito mais ampla. Se é certo que Jesus declara: «dai a César o que é de César», também é verdade que restringe imediatamente esta declaração, ao afirmar um princípio superior: «dai a Deus o que é de Deus». É como se dissesse: dai a César o que lhe pertence, mas não mais do que aquilo que lhe pertence, pois há direitos superiores e prioritários, os de Deus, Yahwéh, a quem César tem de servir.

 

Sugestões para a homilia

 

Introdução

A liturgia deste 29º Domingo do tempo comum convida-nos a reflectir sobre a nossa relação com a sociedade, com a política e com Deus. Tanto a primeira leitura como o evangelho deste dia nos apresentam várias pistas de reflexão sobre o perfil dos governantes e sobre a participação dos cristãos na vida política. 

 

A força de Deus que actua nos seus escolhidos

O profeta Isaías recorda-nos que Deus vai actuando na nossa história através de homens que são seus instrumentos de salvação no nosso mundo. O povo está no exílio da Babilónia. No entanto, o rei da Pérsia, Ciro, começa a alcançar uma série de vitórias militares que lhe dão um grande prestígio. A própria Babilónia, onde o povo de Deus estava exilado, será conquistada por Ciro e o povo vai recebê-lo como um libertador. No entanto, esta situação levanta um forte problema teológico. Na verdade, as vitórias de Ciro fazem com que o povo de Deus sonhe com a libertação. Por outro lado, o facto desta libertação vir de um rei estrangeiro e não de um membro do povo de Deus levanta algumas dúvidas teológicas: será que o Deus de Israel se esqueceu do seu povo? Será que o deus dos persas é mais poderoso do que o Deus de Israel? E se Ciro libertar o povo do domínio da Babilónia a quem se deve atribuir a vitória: ao Deus de Israel ou ao deus dos persas?

Isaías tenta responder a estas questões na leitura deste domingo. Este profeta não tem dúvidas que o Deus de Israel é o verdadeiro libertador do povo de Deus. Ciro é um ungido, um escolhido de Deus. Por amor de Jacob e Israel, Deus escolheu e chamou Ciro para desempenhar uma missão, no âmbito político e militar, em favor do povo de Deus. A leitura deste dia ensina-nos que o Deus de Israel é o Deus libertador e o Senhor da história. No entanto, ele actua na história através de homens concretos. No entanto, a leitura deste dia também nos ensina que as escolhas de Deus podem-nos surpreender. Na verdade, Ciro não era um membro do Povo de Deus, era um pagão. Assim sendo, fica claro que o mais importante não é a força e as capacidades do intermediário mas a força de Deus que “continua a procurar pessoas para enviar ao mundo e às nações, a fim de testemunhar o seu amor, a sua salvação do pecado e da morte, a sua libertação do mal” (Papa Francisco, Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2020).

 

A Deus o que é de Deus

O Evangelho deste domingo narra-nos uma controvérsia de Jesus com os fariseus e os partidários de Herodes relacionada com a licitude ou ilicitude de pagar os impostos ao Imperador de Roma que dominava aquela terra. Esta era uma questão muito delicada. Na verdade, se Jesus disse-se que não era lícito pagar o imposto a Roma seria acusado de revolucionário e de inimigo do império romano. Por outro lado, se defendesse que se devia pagar o imposto a Roma seria acusado de estar a colaborar com o império romano que estava a usurpar um poder que só pertencia a Deus. Com efeito, a questão da licitude ou ilicitude de pagar o imposto a Roma era uma questão quente no tempo de Jesus.

Ante uma pergunta sobre um tema tão complicado, Jesus dá uma resposta sábia e eleva a conversa a um nível mais profundo.

Jesus começa por pedir que lhe mostrem a moeda com a qual se pagava o imposto. Ao ver a moeda, Jesus nota que há uma imagem cunhada na moeda e pergunta de quem era essa imagem. À interpelação de Jesus os seus interlocutores respondem que aquela era a imagem do imperador César. Em seguida, Jesus profere a sua sentença: “dai a César o que é de César e a Deus e o que é de Deus”. Assim sendo, a moeda que tem a imagem de César deve ser dada a César, mas o homem que foi criado à imagem e semelhança de Deus é pertença de Deus. O homem deve reconhecer Deus como o seu único Senhor e só a Ele é que deve entregar-se.

Com a sua resposta Jesus afirma que os seus seguidores devem ser bons cidadãos e cumprir as suas obrigações políticas e sociais. Não há um bom cristão que não seja um bom cidadão. Quem é cristão tem de ser um bom cidadão e cumprir com as suas obrigações sociais e políticas. O cristão não pode demitir-se dos seus direitos e deveres para com a sociedade. O cristão não pode compactuar com sistemas de corrupção e com fugas aos impostos. O cristão tem de contribuir para o bem comum. No entanto, o cristão não se limita a ser um bom cidadão. Na verdade, o cristão é aquele que é criado à imagem e semelhança de Deus, é aquele que porta em si a imagem de Deus, é aquele que é pertença de Deus. Assim sendo, o cristão deve-se reconhecer como pertença do Senhor. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus e só seremos pessoas verdadeiramente felizes e realizadas na medida em que vivemos em comunhão com Deus.

No entanto, não são poucos aqueles que se esquecendo que foram criados à imagem e semelhança de Deus entregam a sua vida não a Deus mas a vários ídolos: o clube de futebol, a sua ideologia, o ter, o prazer, o poder, entre outros. Quando uma pessoa entrega a sua vida não a Deus mas a estes ídolos vê que a sua vida não é marcada pela felicidade mas que entra num esquema de escravidão e de infelicidade. Só seremos pessoas verdadeiramente felizes e realizadas quando entregarmos a nossa vida, toda a nossa existência a Deus. Criados por Deus e à imagem de Deus só seremos felizes se construirmos a nossa vida com Deus e em Deus.

 

«Eis-me aqui, envia-me» (Is 6, 8)

O apóstolo Paulo chama a atenção para que o anúncio do evangelho não se faça apenas de palavras, mas com obras concretas. Contudo, acrescenta ainda um pormenor final, que faz toda a diferença: o evangelho é pregado não só com palavras e obras, mas também “com a ação do Espírito Santo”.

Com este Espírito, não precisamos de muitas lições, ou longas instruções, para evangelizar. Ele mesmo nos dá sabedoria e ousadia, para anunciar o evangelho com alegria. O Espírito Santo torna missionária toda a Igreja e faz de todos nós “discípulos missionários” (EG 120), contudo só podemos sentir missionários “quando vivemos numa relação pessoal de amor com Jesus vivo na sua Igreja” e com toda a “disponibilidade interior para se conseguir responder a Deus: Eis-me aqui, Senhor, envia-me. E isto respondido não em abstrato, mas no hoje da Igreja e da história. (Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2020).

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE

O PAPA FRANCISCO

PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES DE 2020

 

«Eis-me aqui, envia-me» (Is 6, 8)

 

Queridos irmãos e irmãs!

Desejo manifestar a minha gratidão a Deus pelo empenho com que, em outubro passado, foi vivido o Mês Missionário Extraordinário em toda a Igreja. Estou convencido de que isso contribuiu para estimular a conversão missionária em muitas comunidades pela senda indicada no tema «Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo».

Neste ano, marcado pelas tribulações e desafios causados pela pandemia do covid-19, este caminho missionário de toda a Igreja continua à luz da palavra que encontramos na narração da vocação do profeta Isaías: «Eis-me aqui, envia-me» (Is 6, 8). É a resposta, sempre nova, à pergunta do Senhor: «Quem enviarei?» (Ibid.). Esta chamada provém do coração de Deus, da sua misericórdia, que interpela quer a Igreja quer a humanidade na crise mundial atual. «À semelhança dos discípulos do Evangelho, fomos surpreendidos por uma tempestade inesperada e furibunda. Demo-nos conta de estar no mesmo barco, todos frágeis e desorientados mas, ao mesmo tempo, importantes e necessários: todos chamados a remar juntos, todos carecidos de mútuo encorajamento. E, neste barco, estamos todos. Tal como os discípulos que, falando a uma só voz, dizem angustiados “vamos perecer” (cf. Mc 4, 38), assim também nós nos apercebemos de que não podemos continuar estrada cada qual por conta própria, mas só o conseguiremos juntos» (Francisco, Meditação na Praça de São Pedro, 27/III/2020). Estamos verdadeiramente assustados, desorientados e temerosos. O sofrimento e a morte fazem-nos experimentar a nossa fragilidade humana; mas, ao mesmo tempo, todos nos reconhecemos participantes dum forte desejo de vida e de libertação do mal. Neste contexto, a chamada à missão, o convite a sair de si mesmo por amor de Deus e do próximo aparece como oportunidade de partilha, serviço, intercessão. A missão que Deus confia a cada um faz passar do «eu» medroso e fechado ao «eu» resoluto e renovado pelo dom de si.

 

No sacrifício da cruz, onde se realiza a missão de Jesus (cf. Jo 19, 28-30), Deus revela que o seu amor é por todos e cada um (cf. Jo 19, 26-27). E pede-nos a nossa disponibilidade pessoal para ser enviados, porque Ele é Amor em perene movimento de missão, sempre em saída de Si mesmo para dar vida. Por amor dos homens, Deus Pai enviou o Filho Jesus (cf. Jo 3, 16). Jesus é o Missionário do Pai: a sua Pessoa e a sua obra são, inteiramente, obediência à vontade do Pai (cf. Jo 4, 34; 6, 38; 8, 12-30; Heb 10, 5-10). Por sua vez, Jesus – crucificado e ressuscitado por nós –, no seu movimento de amor atrai-nos com o seu próprio Espírito, que anima a Igreja, torna-nos discípulos de Cristo e envia-nos em missão ao mundo e às nações.

«A missão, a “Igreja em saída” não é um programa, um intuito concretizável por um esforço de vontade. É Cristo que faz sair a Igreja de si mesma. Na missão de anunciar o Evangelho, moves-te porque o Espírito te impele e conduz (Francisco, Sem Ele nada podemos fazer, 2019, 16-17). Deus é sempre o primeiro a amar-nos e, com este amor, vem ao nosso encontro e chama-nos. A nossa vocação pessoal provém do facto de sermos filhos e filhas de Deus na Igreja, sua família, irmãos e irmãs naquela caridade que Jesus nos testemunhou. Mas, todos têm uma dignidade humana fundada na vocação divina a ser filhos de Deus, a tornar-se, no sacramento do Batismo e na liberdade da fé, aquilo que são desde sempre no coração de Deus.

Já o facto de ter recebido gratuitamente a vida constitui um convite implícito para entrar na dinâmica do dom de si mesmo: uma semente que, nos batizados, ganhará forma madura como resposta de amor no matrimónio e na virgindade pelo Reino de Deus. A vida humana nasce do amor de Deus, cresce no amor e tende para o amor. Ninguém está excluído do amor de Deus e, no santo sacrifício de seu Filho Jesus na cruz, Deus venceu o pecado e a morte (cf. Rom 8, 31-39). Para Deus, o mal – incluindo o próprio pecado – torna-se um desafio para amar, e amar cada vez mais (cf. Mt 5, 38-48; Lc 23, 33-34). Por isso, no Mistério Pascal, a misericórdia divina cura a ferida primordial da humanidade e derrama-se sobre o universo inteiro. A Igreja, sacramento universal do amor de Deus pelo mundo, prolonga na história a missão de Jesus e envia-nos por toda a parte para que, através do nosso testemunho da fé e do anúncio do Evangelho, Deus continue a manifestar o seu amor e possa tocar e transformar corações, mentes, corpos, sociedades e culturas em todo o tempo e lugar.

A missão é resposta, livre e consciente, à chamada de Deus. Mas esta chamada só a podemos sentir, quando vivemos numa relação pessoal de amor com Jesus vivo na sua Igreja. Perguntemo-nos: estamos prontos a acolher a presença do Espírito Santo na nossa vida, a ouvir a chamada à missão quer no caminho do matrimónio, quer no da virgindade consagrada ou do sacerdócio ordenado e, em todo o caso, na vida comum de todos os dias? Estamos dispostos a ser enviados para qualquer lugar a fim de testemunhar a nossa fé em Deus Pai misericordioso, proclamar o Evangelho da salvação de Jesus Cristo, partilhar a vida divina do Espírito Santo edificando a Igreja? Como Maria, a Mãe de Jesus, estamos prontos a permanecer sem reservas ao serviço da vontade de Deus (cf. Lc 1, 38)? Esta disponibilidade interior é muito importante para se conseguir responder a Deus: Eis-me aqui, Senhor, envia-me (cf. Is 6, 8). E isto respondido não em abstrato, mas no hoje da Igreja e da história.

A compreensão daquilo que Deus nos está a dizer nestes tempos de pandemia torna-se um desafio também para a missão da Igreja. Desafia-nos a doença, a tribulação, o medo, o isolamento. Interpela-nos a pobreza de quem morre sozinho, de quem está abandonado a si mesmo, de quem perde o emprego e o salário, de quem não tem abrigo e comida. Obrigados à distância física e a permanecer em casa, somos convidados a redescobrir que precisamos das relações sociais e também da relação comunitária com Deus. Longe de aumentar a desconfiança e a indiferença, esta condição deveria tornar-nos mais atentos à nossa maneira de nos relacionarmos com os outros. E a oração, na qual Deus toca e move o nosso coração, abre-nos às carências de amor, dignidade e liberdade dos nossos irmãos, bem como ao cuidado por toda a criação. A impossibilidade de nos reunirmos como Igreja para celebrar a Eucaristia fez-nos partilhar a condição de muitas comunidades cristãs que não podem celebrar a Missa todos os domingos. Neste contexto, é-nos dirigida novamente a pergunta de Deus – «quem enviarei?» – e aguarda, de nós, uma resposta generosa e convicta: «Eis-me aqui, envia-me» (Is 6, 8). Deus continua a procurar pessoas para enviar ao mundo e às nações, a fim de testemunhar o seu amor, a sua salvação do pecado e da morte, a sua libertação do mal (cf. Mt 9, 35-38; Lc 10, 1-11).

Celebrar o Dia Mundial das Missões significa também reiterar que a oração, a reflexão e a ajuda material das vossas ofertas são oportunidades para participar ativamente na missão de Jesus na sua Igreja. A caridade manifestada nas coletas das celebrações litúrgicas do terceiro domingo de outubro tem por objetivo sustentar o trabalho missionário, realizado em meu nome pelas Obras Missionárias Pontifícias, que acodem às necessidades espirituais e materiais dos povos e das Igrejas de todo o mundo para a salvação de todos.

A Santíssima Virgem Maria, Estrela da Evangelização e Consoladora dos Aflitos, discípula missionária do seu Filho Jesus, continue a amparar-nos e a interceder por nós.

 

Papa Francisco, Roma, em São João de Latrão, na Solenidade de Pentecostes, 31 de maio de 2020.

 

Oração Universal

 

Cristo confiou aos discípulos a missão: «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.» (Mt 28,19-20). Este envio missionário chegou até nós. Uma Igreja Missionária é aquela que partilha a alegria do Evangelho, além das suas fronteiras. Com gratidão e confiança, apresentamos ao Senhor as nossas preces e a disponibilidade para a Missão, dizendo:

 

Eis-me aqui Senhor, envia-me.

 

1. Deus de amor e misericórdia protege a tua Igreja, chamada a “fazer discípulos de todos os povos”, para que continue fiel à sua missão de servir com ousadia e ardor missionário, até aos confins do mundo. Oremos.

Eis-me aqui Senhor, envia-me.

 

2. Acompanha, Senhor, com o Teu Espírito todos os missionários e missionárias, que deixam as suas famílias e a sua pátria e partem com a alegria de servir em missão Ad Gentes, para que mantenham vivo o entusiasmo e caminhem com fé e esperança até às periferias existenciais. Oremos.

Eis-me aqui Senhor, envia-me.

 

3. Pai Santo, guarda na fé e na caridade o Papa Francisco, Bispos, Diáconos e todo o Povo de Deus, para que, em Igreja comunhão, testemunhemos com a vida e anunciemos com entusiasmo o Evangelho da Alegria e da Paz. Oremos.

Eis-me aqui Senhor, envia-me.

 

4. Desperta nas nossas comunidades vocações Sacerdotais e Missionárias dispostas a servir a missão em qualquer continente mas, especialmente, onde Cristo ainda não é conhecido. Oremos.

Eis-me aqui Senhor, envia-me.

 

Presidente:

Senhor, Deus do universo, que acolheis as orações e acções de graças daqueles que se reúnem em Igreja, escutai os anseios do coração e as súplicas que Vos apresentamos com toda a confiança. Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A messe é grande – C. Silva, NRMS, 94

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que possamos servir ao vosso altar com plena liberdade de espírito, para que estes mistérios que celebramos nos purifiquem de todo o pecado. Por Nosso Senhor...

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 38

 

Monição da Comunhão

 

Na Mensagem para este dia, o Papa Francisco diz-nos o seguinte: “Celebrar o Dia Mundial das Missões significa também reiterar que a oração, a reflexão e a ajuda material das vossas ofertas são oportunidades para participar ativamente na missão de Jesus na sua Igreja. A caridade manifestada nas coletas das celebrações litúrgicas do terceiro domingo de outubro tem por objetivo sustentar o trabalho missionário, realizado em meu nome pelas Obras Missionárias Pontifícias, que acodem às necessidades espirituais e materiais dos povos e das Igrejas de todo o mundo para a salvação de todos.”

 

Cântico da Comunhão: Ide por todo o mundo – J. Santos, NRMS, 3659

Salmo 32, 18-19

Antífona da comunhão: O Senhor vela sobre os seus fiéis, sobre aqueles que esperam na sua bondade, para libertar da morte as suas almas, para os alimentar no tempo da fome.

 

Ou

Mc 10, 45

O Filho do homem veio ao mundo para dar a vida pela redenção dos homens.

 

Cântico de acção de graças: Não fostes vós que me escolhestes – A. Oliveira, NRMS, 59

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, que a participação nos mistérios celestes nos faça progredir na santidade, nos obtenha as graças temporais e nos confirme nos bens eternos. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A missão não é uma actividade confiada a meia dúzia de especialistas da evangelização, lá em terras longínquas. Não. A missão está no coração da fé cristã e pertence à essência da Igreja que é, por sua natureza, missionária. E por isso, a missão diz respeito a todos e a cada um dos baptizados, chamados a ser uma missão. Somos todos discípulos missionários e, consequentemente, estamos chamados a dizer: Eis-me aqui, Senhor, envia-me.

 

Cântico final: Ide por todo o mundo e ensinai…– M. Faria, NRMS, 23

 

 

Homilias Feriais

 

29ª SEMANA

 

2ª Feira, 19-X: A Palavra de Deus e a riqueza da Sua misericórdia.

Ef  2, 1-10 / Lc 12, 13-21

Depois direi à minha alma: Ó alma, tens muitos bens em depósito para longos anos. Descansa, como, bebe e regala-te.

Este homem rico (EV) pensava ter encontrado a felicidade na acumulação de bens materiais. No entanto, a verdadeira felicidade não reside na riqueza ou no bem estar, nem na glória humana ou no poder, nem em qualquer obra humana, por útil que seja, mas só em Deus, fonte de todo o bem e de todo o amor.

A riqueza está em Deus. Ele é rico em misericórdia (LT). O Senhor é bom, é eterna a sua misericórdia (SR). Recorramos com frequência a esta misericórdia. Deus quis manifestar a sua bondade, que teve connosco, em Cristo Jesus (LT). E também com a Mãe de misericórdia.

 

3ª Feira, 20-X: A Palavra de Deus e a necessidade da vigilância.

Ef 2, 12-22 / Lc 12, 35-38

Em Cristo, qualquer construção humana, bem ajustada, cresce para formar um templo santo do Senhor.

A Igreja é considerada muitas vezes como construção de Deus. O próprio Cristo se comparou à pedra angular que os construtores rejeitaram e que se tornou pedra angular (LT).

Nós também estamos integrados nesta construção: somos pedras vivas (LT). Para isso precisamos estar vigilantes. A vigilância do coração é lembrada com insistência (EV). O Espírito Santo procura incessantemente despertar-nos para esta vigilância. O Senhor dará o que é bom e a terra produzirá os seus frutos (SR). E invoquemos Nª Senhora como Mãe da Igreja, Ela que é um templo santo do Senhor.

 

4ª Feira, 21-X: A Palavra de Deus e a vigilância nos acontecimentos correntes

Ef 3, 2-12 / Lc 12, 39-48

Feliz daquele servo a quem o Senhor ao chegar, assim achar fazendo. Em verdade vos digo: há-de pô-lo à frente de todos os seus bens.

A vigilância que o Senhor nos pede (EV), está nas pequenas actividades de cada dia: vencer a preguiça ao levantar, cumprir o horário de trabalho, não dedicar muito tempo à TV ou NET, entrar e casa com boa disposição, etc. Ou adquirir mais confiança em Deus para nos aproximarmos mais dEle (LT). Tenho confiança no Senhor e nada temo (SR),

 Vencendo os pequenos inimigos, colocaremos uma pedra preciosa na coroa de glória que o Senhor preparou para nós (S. Francisco de Sales). Assim foi coroada Nª Senhora pela sua vida corrente de cada dia em Nazaré.

 

5ª Feira, 22-X: A Palavra de Deus e actuação do Espírito Santo.

Ef 3, 14-21 / Lc 12, 49-53

Eu vim trazer fogo à terra e só quero que ele seja ateado.

O fogo simboliza a acção transformadora do Espírito Santo, aquele de quem Jesus disse: Eu vim lançar fogo à terra (EV).

Pedimos a Deus que o fogo do seu amor robusteça a nossa alma. Ele vos dará por meio do seu Espírito a força de vos tornardes robustos no que há de mais íntimo em vós (LT). Cada um de nós há-de ser igualmente fogo, para aquecer o amor de Deus nos outros. Transmitir a largura, o comprimento, a altura e a profundidade deste mistério (LT). Recordemos a acção do Espírito Santo em Nª Senhora e nos Apóstolos no dia de Pentecostes.

 

6ª Feira, 23-X: A Palavra de Deus e os sinais dos tempos.

Ef 4, 1-6 / Lc 12, 54-59

Hipócritas, sabeis apreciar o aspecto da terra e do céu; mas este tempo, como é que não o apreciais?

O homem esforça-se por interpretar os dados da experiência e os sinais dos tempos (EV), graças à virtude da prudência, aos conselhos de pessoas sensatas e ao Espírito Santo.

Um dos sinais dos nossos tempos é recuperar a união, a unidade entre todos os cristãos e de todo o género humano. Há um único Senhor, uma única fé, um único baptismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos e em todos se encontra (LT). Peçamos a Maria, Mãe da Igreja, para que nos obtenha este dom da unidade.  O Senhor consolidou a terra e o que nela existe e o mundo e quantos nele habitam (SR).

 

Sábado, 24-X:  A Palavra de Deus e a vida cheia de frutos.

Ef 4, 7-16 / Lc 13, 1-9

Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar fruto a essa figueira, mas não o encontrou.

A figueira representa cada um de nós. E o Senhor espera encontrar frutos abundantes no campo das virtudes. Se os não encontrar, teremos que deitar adubo, para produzir mais frutos no futuro (EV). Este adubo fertilizante é o símbolo do Espírito Santo, Senhor que dá a vida. Passamos a ser orientados pela lei do Espírito, que dá a vida em Cristo.

Assim chegaremos ao estado adulto, à medida da estatura de Cristo (LT). Em Nª Senhora encontramos o bendito fruto do seu ventre, Jesus. Unido a Ela conseguiremos abundantes frutos espirituais para a nossa vida e a de muitos. Jerusalém (=Igreja), cidade bem edificada (SR).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Bruno Barbosa

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 


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