Arcanjos S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael

29 de Setembro de 2020

 

Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nós somos as pedras vivas – A. F. Santos, CNPL, 653

Sl 102, 20

Antífona de entrada: Bendizei ao Senhor todos os seus Anjos, poderosos executores das suas ordens, sempre atentos à sua palavra.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A existência dos seres espirituais, não corporais, a que Sagrada Escritura chama “Anjos”, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura a este respeito é tão claro, quanto a unanimidade da Tradição. Santo Agostinho diz acerca deles: «Anjo (mensageiro) é a designação do encargo, não da natureza. Se perguntares pela designação da natureza, é um espírito; se perguntares pelo encargo, é um anjo: é espírito por aquilo que é; é anjo por aquilo que faz.»[1] Os anjos são servidores e mensageiros de Deus. Porque contemplam «constantemente a face do Pai que está nos céus» (Mt 18,10), são «poderosos executores da sua palavra, obedientes ao som de sua palavra» (Sl 103,20).

 Os Anjos são Mensageiros enviados por Deus para guardar e proteger a humanidade. Entre «miríades de miríades de Anjos», hoje celebramos a festa dos Santos Arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael. Ao honrar os Santos Anjos, exaltamos o poder de Deus, Criador do Céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.

 

Oração colecta: Senhor Deus do universo, que estabeleceis com admirável providência as funções dos Anjos e dos homens, concedei, propício, que a nossa vida seja protegida na terra por aqueles que eternamente Vos assistem e servem no Céu. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: “Eu estava a olhar e contemplava as visões da noite: milhares de milhares serviam e miríades de miríades assistiam um Ancião, cujo poder é eterno.” (Daniel 7,9-10.13-14)

“Travou-se um combate no Céu: Miguel e os seus Anjos lutaram contra o Dragão e os seus anjos. Satanás e seus anjos foram derrotados e perderam o seu lugar no Céu para sempre.” (Apocalipse 12,7-12)

Através destas leituras podemos afirmar que o número de Anjos é incontável e que a Divina Providência os utiliza para assistir o Seu Povo, em todo o tempo e lugar.

 

 

Daniel 7, 9-10.13-14

9Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura. O seu trono eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo. 10Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele. Milhares de milhares o serviam e miríades de miríades o assistiam. O tribunal abriu a sessão e os livros foram abertos. 13Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. 14Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, que nunca passará, e o seu reino jamais será destruído.

 

Ver notas de CL, atrás, neste mesmo número, na Festa da Transfiguração do Senhor.

 

Salmo Responsorial    Sl 137 (138), 1-2a.2bc-3.4-5 (R. 1c)

 

Monição: “Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar e Vos adorarei, voltado para o Vosso templo santo. Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade.”

Quanta alegria é para nós vivermos sob a protecção dos Santos Anjos. Nenhum mal nos acontecerá porque o “Senhor mandará os seus Anjos que nos guardem em todos os caminhos.” Hoje oferecemos ao Senhor a nossa homenagem de gratidão e de louvor, cantando:

 

Refrão:        Na presença dos Anjos,

                     eu Vos louvarei, Senhor.

 

De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças,

porque ouvistes as palavras da minha boca.

Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar

e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.

 

Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,

porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.

Quando Vos invoquei, me respondestes,

aumentastes a fortaleza da minha alma.

 

Todos os reis da terra Vos hão-de louvar, Senhor,

quando ouvirem as palavras da vossa boca.

Celebrarão os caminhos do Senhor,

porque é grande a glória do Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Apocalipse 12, 7-12a

7Travou-se um combate no Céu: Miguel e os seus Anjos lutaram contra o Dragão. O Dragão e os seus anjos lutaram também, 8mas foram derrotados e perderam o seu lugar no Céu para sempre. 9Foi expulso o enorme Dragão, a antiga serpente, aquele que chamam Diabo e Satanás, que seduz o universo inteiro foi precipitado sobre a terra e os seus anjos foram precipitados com ele. 10Depois ouvi no Céu uma voz poderosa que dizia: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e a autoridade do seu Ungido, porque foi precipitado o acusador dos nossos irmãos, aquele que os acusava dia e noite diante do nosso Deus. 11Eles venceram-no, graças ao sangue do Cordeiro e à palavra do testemunho que deram, desprezando a própria vida, até aceitarem a morte. 12Por isso, alegrai-vos, ó Céus, e vós que neles habitais».

 

7 Houve um combate. É difícil determinar a que combate concreto se refere o texto sagrado. Não parece tratar-se aqui da rebelião dos Anjos maus no momento da sua criação (cf. Mt 25, 41; 2Pe 2,4), como alguns pensam, uma vez que o contexto nos situa nos tempos cristãos. Assim, prefere-se ver a luta tremenda desencadeada pelo demónio contra Cristo e os fiéis (os «nossos irmãos» - v. 10), a partir sobretudo da Morte, Ressurreição e Ascensão de Jesus (cf. v. 5b).

«Miguel» - em hebraico Mi-kha-el - quer dizer «quem como Deus?». Era o protetor do antigo povo de Deus (Dan 10,13.21), e que aparece agora como patrono e defensor da Igreja, o novo povo de Deus.

«O Dragão». É identificado no v. 9, com a «antiga serpente» que tentou os primeiros pais, por isso se chama antiga; é «aquele que chamam Diabo e Satanás». Diabo é um nome grego correspondente ao hebraico xatan (aramaico xataná), que significa caluniador, acusador, adversário.

 

Aclamação ao Evangelho        Sl 102 (103), 21

 

Monição: “Bendizei o Senhor todos os seus exércitos, poderosos executores da sua vontade.”

Com os Anjos e os Arcanjos, com todos os coros celestes louvemos o Senhor.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – M. Simões, NRMS, 9

 

Bendizei o Senhor todos os seus exércitos,

poderosos executores da sua vontade.

 

 

Evangelho

 

São João 1, 47-51

 

Naquele tempo, 47Jesus viu Natanael, que vinha ao seu encontro, e disse: «Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento». 48Perguntou-lhe Natanael: «De onde me conheces?». Jesus respondeu-lhe: «Antes que Filipe te chamasse, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira». 49-lhe Natanael: «Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel!». 50Jesus respondeu: «Porque te disse: ‘Eu vi-te debaixo da figueira’, acreditas. Verás coisas maiores do que estas». E acrescentou: 51«Em verdade, em verdade vos digo: Vereis o Céu aberto e os Anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem».

 

Filipe não tinha guardado para si a grande alegria de ter tido a dita de encontrar o Messias anunciado pelos Profetas, mas comunicara-a a seu amigo Natanael, que se mostrou incrédulo em face da procedência humilde de Jesus, filho dum carpinteiro de Nazaré, quando o Messias devia ser descendente de David e procedente de Belém. Filipe não se desmoraliza com as razoáveis objeções do amigo e também não confia nas explicações que o seu próprio engenho poderia excogitar; opta por convidar o amigo a aproximar-se pessoalmente de Jesus: «vem e verás» (v. 46).

47 «Natanael». Nome semítico que significa «dom de Deus». Deveu ser um dos Doze Apóstolos (cf. Jo 21,2); mas qual deles? Muito provavelmente era Bartolomeu, o qual teria dois nomes, sendo este último um nome patronímico (filho de Tolmay), como o patronímico de Simão Pedro, Baryona (filho de Jonas). Esta identificação é deduzida dos diversos catálogos dos Apóstolos que nos deixaram os Sinópticos, onde Bartolomeu sempre se segue a Filipe, aquele Apóstolo que levou Natanael a Jesus (cf. Mt 10,3; Mc 3,18; Lc 6,14).

48 «Eu vi-te, debaixo da figueira». Natanael sentiu que o olhar de Jesus penetrava os mais profundos recônditos da sua alma, pois algo de significativo devia ter passado no seu coração naquela hora e naquele local exato a que Jesus se referia, e que só Deus podia conhecer.

49 «Tu é o Filho de Deus… Rei de Israel» - títulos messiânicos procedentes do Salmo 2. A intencionalidade do Evangelista (cf. 20,31) evidencia-se ao apresentar, desde a primeira hora, confissões explícitas de fé em Jesus (cf. Mt 14,33; 16 16).

51 «Os Anjos de Deus subindo e descendo…» Trata-se duma forma muito expressiva de Jesus aparecer como Mediador entre o Céu e a terra, ficando assim os Céus abertos para a humanidade (Is 63,19; Apoc 19,11; Mt 3,16 par.), numa clara alusão à escada de Jacob, pela qual subiam e desciam os Anjos na visão de Jacob (Gn 28,12). É por isso que adotámos, na Bíblia da Difusora Bíblica, a tradução «por meio do Filho do Homem», em vez da tradução corrente «sobre o Filho do Homem», tendo em conta que aqui aparece a mesma preposição (epí) que no texto grego do sonho de Jacob, com o sentido de subir por.

 

Sugestões para a homilia

 

Vereis o Céu aberto e os Anjos de Deus, subindo e descendo

São Miguel, São Gabriel, São Rafael

 

Vereis o Céu aberto

1. “O Senhor fixou no Céu o seu trono e o seu reino estende-se sobre o universo. Bendizei o Senhor, todos os seus Anjos, poderosos executores das suas ordens, sempre atentos à sua palavra. Bendizei o Senhor todos os seus exércitos, que estais ao seu serviço e executais a sua vontade.” Salmo 102,19-21

São Pedro ao anunciar aos cristãos a vitória de Jesus sobre a morte que aceitou para nos conduzir a Deus, fala dos coros angélicos, dizendo: “Jesus morreu segundo a carne, mas voltou à vida pelo Espírito. Subiu ao Céu e está sentado à direita de Deus, tendo sob o seu domínio os Anjos, as Dominações e as Potestades.” (1 Pedro 3,21-22)

2. Deus é um Pai providente que tudo governa com sabedoria e equidade: “Deus preside a um conselho divino, no meio dos juízes faz um julgamento. Deus salva o indigente e o oprimido. Deus exerce o seu poder sobre todas as nações.” (Salmo 81, 1.3-4.8) O Salmista fala de Deus como “Pai dos órfãos e defensor das viúvas” e convida-nos a cantar hinos de louvor e gratidão: “Deus é o nosso salvador. Povos da terra cantai a Deus, entoai hinos ao Senhor. Reconhecei o poder de Deus. Sobre Israel resplandece a sua majestade e nas nuvens está o seu poder.” (Salmo 67, 6.20.33.36) Deus é o Senhor do universo e o Seu reino mantém-se firme e estável porque a Bondade e o Amor do Senhor duram para sempre. “A Misericórdia do Senhor não tem limites e renova-se todas as manhãs.” (Lamentações 3,22-23) Exultemos de alegria e celebremos a fidelidade do Senhor, que resplandece em todas as suas obras. Que felicidade para nós que acreditamos: “A terra está cheia da bondade do Senhor Deus. Feliz o povo que Ele escolheu para sua herança.” (Salmo 32, 5.12)

3. Hierarquia quer dizer governo sagrado. Segundo São Tomás de Aquino, governo compreende o chefe do governo e a multidão organizada sob o chefe. Deus é o Senhor dos Anjos e dos homens e de toda a criatura: “O Senhor, o Altíssimo, é o Rei soberano de toda aterra.” (Salmo 46) Para exercer o seu domínio amoroso e poderoso, Deus envia os seus Anjos para nos auxiliarem “nas lutas das humanas esperanças” que travamos nesta terra: “Solícitos e puros os Anjos são féis Mensageiros de Deus e da sua Palavra. São força de Deus, remédio nas fraquezas da vida, guias e companheiros desta humana jornada. No combate do mundo, guardai-nos, hoje e sempre, Anjos da nossa guarda, invisíveis e fortes.” (Liturgia das Horas, dia 2 de Outubro, Hinos)

4. Os Anjos estão presentes na história da salvação. A Bíblia fala com frequência nas suas aparições. O Profeta Daniel lembra-nos que os Anjos são em número incontável: “Miríades de miríades serviam a Deus.” O autor da Carta aos Hebreus, também nos conforta, afirmando que “os Anjos são mensageiros de Deus junto daqueles vão ser herdeiros do Reino dos Céus, herdeiros da salvação.” (Hebreus 1-14) No Livro do Êxodo, lemos estas palavras que nos enchem de tranquilidade: “Vou enviar um Anjo à tua frente, para te proteger no caminho e te conduzir ao lugar que te destinei.  Respeita a sua presença e escuta a sua voz; não lhe desobedeças.” (Êxodo, 23,20). E noutra passagem o salmista afirma: “Nenhum mal te acontecerá, nem a desgraça se aproximará da tua tenda, porque Ele mandará aos seus Anjos que te guardem em todos os teus caminhos.” Salmo 90, 10-11) Portanto, sejamos agradecidos: “Bendito seja o Senhor, que enviou o seu Anjo e libertou os seus servos, que n’ Ele confiaram.” [2]

5. “Vereis o céu aberto e os Anjos de Deus, subindo e descendo por sobre o Filho do Homem.” Estas palavras de Jesus remetem-nos para o livro do Génesis: “Jacob teve um sonho e viu uma escada, ligando a terra ao Céu. Por ela subiam e desciam os Anjos de Deus.” (Génesis 28,12) Jesus é o nosso Sumo Pontífice: Com a Cruz “fez a ponte” entre o Céu e a terra. Dito de outra maneira, a Cruz é a nova escada pela qual Deus desceu à terra e pela qual nós subimos ao Céu. A Cruz levantada no monte Calvário estabelece a ligação entre a terra e o Céu. O Bom ladrão foi o primeiro a subir por ela ao Reino do Céu. “A escada pela qual a humanidade pode subir ao Céu é a mesma pela qual Jesus, desceu à terra.”[3]

6. O Catecismo da Igreja Católica, nº 331 diz que Jesus Cristo é o centro do mundo angélico. São seus os Anjos: «Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus anjos.» (Mt 25,31) São seus porque foram criados por Ele e para Ele: «Por Ele e para Ele todas as coisas foram criadas, nos Céus e na Terra, as visíveis e as invisíveis: Tronos, Dominações, Principados, Potestades; tudo foi criado por Ele e para Ele» (Col 1,16).

7. Jesus confidenciou-nos que “o próprio Pai nos ama.” (João 16,27) Jesu deu a prova máxima do seu amor, morrendo por nós. Por isso, os Anjos nos amam, nos protegem e nos ajudam. Jesus, apesar da sua condição divina, veio para nos servir: “Eu estou no meio de vós como quem serve.”[4] Deste modo, afirma São Bernardo: “Não admira que os santos Anjos nos prestem assistência. Digo-vos isto para que tenhais maior confiança nos santos Anjos e invoqueis com maior familiaridade o seu auxílio. Há muitas coisas que agradam aos santos Anjos: sobriedade, castidade, pobreza voluntária e orações com lágrimas. Mas, o que acima de tudo exigem de nós, é a união e a paz. Será, porventura, estranho que eles ponham as suas delícias principalmente nestas virtudes que reproduzem uma certa imagem da sua cidade e que lhes permitem admirar uma nova Jerusalém na terra?” [5]

 

São Miguel, São Gabriel, São Rafael

8. Como criaturas puramente espirituais, os Anjos são dotados de inteligência e de vontade: são criaturas pessoais e imortais. Superam em perfeição todas as criaturas visíveis. Disto dá testemunho o fulgor da sua glória. Além das funções próprias de todos os Anjos, estes três Arcanjos aparecem-nos, na Sagrada Escritura, cumprindo uma missão superior: São Miguel protege o Povo de Deus. São Gabriel é o enviado das grandes embaixadas divinas: anuncia a Zacarias o nascimento de S. João Baptista e revela à Virgem Maria o mistério da encarnação de Jesus no seu seio. São Rafael, além de acompanhar o jovem Tobias, aparece ainda como um médico, que cura a cegueira do velho pai Tobite.

 

São Miguel

9. No Livro do profeta Daniel São Miguel Arcanjo é chamado de “grande príncipe, que se levanta em favor dos filhos do povo de Deus” (Dan 10,13). São Miguel Arcanjo ajudou os Israelitas durante os setenta anos de cativeiro, na cidade de Babilónia. O Profeta Daniel queria que o seu povo soubesse que Deus não se tinha esquecido deles: “Nos últimos tempos surgirá Miguel, o grande chefe dos Anjos, que protege os filhos do seu povo. Nesse tempo virá a salvação.” (Daniel 12,1) No Apocalipse, S. João narra a grande batalha no céu, quando os anjos perversos, comandados por Lúcifer, se revoltaram contra Deus. São Miguel Arcanjo, à frente dos Anjos fiéis, derrotou os anjos rebeldes e expulsou-os do Céu. “Houve uma grande batalha: Miguel e os seus Anjos lutaram contra o Dragão. O Dragão também lutou, juntamente com seus anjos, mas foram derrotados, e não houve mais lugar para eles no céu. (Apoc12,7-8)

São Miguel é o Anjo da humildade. O se nome significa “Quem é como Deus?” São Miguel Arcanjo defende e protege com sua espada o Povo de Deus da nova Aliança, como defendeu o Povo Bíblico: “O Príncipe do reino da Pérsia resistiu por vinte e um dias. Mas Miguel, um dos maiores Príncipes veio em meu auxílio.” (Dan 10,13) Em comunhão com toda a Igreja podemos rezar a oração escrita pelo Santo Padre Leão XIII: São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, contra as insídias e ciladas do demónio. Que Deus sobre ele impere, instante e humildemente vos pedimos. E vós, Príncipe da milícia celeste, pelo poder divino, que vos foi dado, precipitai no inferno a Satanás e aos outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perdição das almas. Amém.

 

São Gabriel

10. São Gabriel anunciou ao profeta Daniel a sucessão de vários impérios mundiais e a vinda do Messias: “Aqueles enormes animais são quatro reis que se hão-de erguer da terra. Os que irão receber o Reino, são os santos do Altíssimo. Possuirão esse Reino para sempre e eternamente.” (Dan 7,15-27) «Enquanto eu estava orando, apareceu Gabriel da parte de Deus e falou-me: Daniel presta atenção. Vim para te dar sabedoria e entendimento. Estão decretadas setenta semanas sobre o teu povo, para fazer cessar a transgressão, para expiar a iniquidade e trazer a justiça eterna e para ungir o Santo dos Santos (Dan 9,21-24)

São Gabriel foi o embaixador escolhido por Deus para trazer do Céu à terra a mais sublime de todas as mensagens: Veio anunciar o nascimento de Jesus, o Filho do Altíssimo. Antes da Anunciação à Virgem Maria, apareceu a Zacarias para lhe anunciar o nascimento de seu filho João, que havia de preparar os caminhos do Senhor: “Quando Zacarias exercia as funções sacerdotais diante de Deus, no turno da sua classe, coube-lhe em sorte, segundo o costume sacerdotal, entrar no Santuário do Senhor para oferecer o incenso.  Toda a assembleia do povo, durante a oblação do incenso, estava cá fora em oração.  Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e encheu-se de temor, mas o Anjo disse-lhe: «Não temas, Zacarias, porque a tua súplica foi atendida. Isabel, tua esposa, dar-te-á um filho, ao qual porás o nome de João. Será para ti motivo de grande alegria e muitos se hão-de alegrar-se com o seu nascimento, porque será grande aos olhos do Senhor. Eu sou Gabriel, o que está na presença de Deus e fui enviado para te dar esta Boa Nova.” [6]

Anunciação à Virgem Maria: “Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, a uma virgem chamada Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: ‘Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo'. Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: “Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e seu Reino não terá fim.” [7]

 

São Rafael

11. Rafael significa Medicina de Deus. O Arcanjo Rafael é citado no Livro de Tobias. No capítulo quinto encontramos o início das suas aparições.  “Tendo saído, deparou-se-lhe o Anjo Rafael, sem demonstrar, todavia, ser um anjo de Deus.” No capítulo seguinte, vemos o Arcanjo, dando instruções a Tobias para apanhar um grande peixe que o tentava devorar. O Anjo ordenou-lhe que o apanhasse e tirasse o fel, que, mais tarde, seria usado para curar o pai Tobite, devolvendo-lhe a visão. No fim da sua missão, o Arcanjo dá-se a conhecer. Apresenta-se como um dos sete Anjos de Deus: “Eu sou Rafael, um dos sete Anjos que estão diante da majestade do Senhor. Bendizei e cantai a Deus. É tempo de voltar para junto d’Aquele que me enviou.” (Tob 12,15.18)

Senhor, dirigi os nossos passos, por meio dos vossos Santos Anjos, no caminho da justiça e da paz!

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs, adoremos o Senhor,

em cuja presença estão multidões de Anjos, servindo-O dia e noite.

Digamos com alegria:

 

Bendizei o Senhor, todos os seus Anjos.

.

1.     Deus providente, que mandastes os vossos Anjos

para nos guardar em todos os nossos caminhos,

conduzi-nos pelos vossos caminhos sem mancha de pecado.

 

2.     Pai de bondade, cuja face os nossos Anjos dia e noite contemplam no Céu,

fazei que busquemos continuamente o vosso rosto.

 

3. Anjo da paz, Arcanjo São Miguel, defendei a Igreja com vossa mão amiga.

São Gabriel, núncio da Virgem Maria, trazei-nos a Boa Nova do Evangelho da alegria.

São Rafael, médico celeste, confortai e curai nossos enfermos.

 

 4. Deus de infinita santidade,

cujos filhos são como os Anjos do Céu, 

dai-nos a pureza de corpo e alma.

 

5. Enviai, Senhor,

o grande príncipe Miguel em auxílio do vosso povo,

para que o defenda no combate contra Satanás e seus anjos.

 

6. Arcanjo São Miguel

conduzi à luz da pátria celeste as almas de todos os fiéis defuntos.

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai,

acolhei as nossas orações e fazei de nós verdadeiros adoradores

e concidadãos dos Anjos do Céu.

Pedimos por Jesus Cristo vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Eu quero viver na tua alegriaH. Faria, NRMS, 11-12

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, este sacrifício de louvor e fazei que, pelo ministério dos Anjos, seja levado à presença da Vossa divina majestade e se torne para nós fonte de salvação eterna Por Nosso Senhor.

 

Prefácio dos Anjos: p. 491

 

Santo: A. Cartageno – COM, (pg 189)

 

Monição da Comunhão

 

“O Anjo do Senhor protege os que O temem e defende-o de todos os perigos.

 Saboreai e vede como o Senhor é bom. Feliz o homem que n’Ele se refugia.” (Salmo 33,8-9)

Desejemos ardentemente ser concidadãos dos Anjos. Já neste mundo, nós sabemos que fomos escolhidos e predestinados para sermos “um hino de louvor e de glória do nosso Deus.” [8] No Céu, na presença dos Anjos cantaremos eternamente as misericórdias do Senhor: “Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor e para sempre proclamarei a sua fidelidade. A bondade está estabelecida para sempre, no Céu permanece firme a vossa fidelidade.” Salmo 88,2-3

Depois do exílio nesta terra, virá a alegria completa na pátria celeste. Veremos face a face a glória de Deus. Veremos e ficaremos saciados, ao contemplar a glória divina. Jesus pediu-nos: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.” Ama e verás a glória de Deus. “Ama não como se amam os seres humanos, apenas como seres humanos, mas ama como se amam os filhos do Altíssimo. Deste modo nos tornamos irmãos de Jesus, o Filho Unigénito de Deus e seremos por Ele conduzidos à plenitude final, onde os nossos desejos serão completamente saciados. Então nada faltará à nossa felicidade, quando Deus for tudo em todos.” [9]

 

Cântico da Comunhão: Ó Anjos, cantai comigo – Pop., CT, 481

Sl 137, 1

Antífona da comunhão: De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças. Na presença dos Anjos Vos louvarei, meu Deus.

 

Cântico de acção de graças: Louvado seja o meu Senhor – J. Santos, NRMS, 30

 

Oração depois da comunhão: Senhor, nosso Pai, que nos fortalecestes com o pão do Céu, fazei que, protegidos pelos santos Anjos, sigamos firmemente o caminho da salvação. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

“Deveis saber que a palavra «Anjo» designa uma função, não uma natureza. Na verdade, aqueles santos espíritos da pátria celeste são sempre espíritos, mas nem sempre se podem chamar Anjos. Só são Anjos quando exercem a função de mensageiros. Os que transmitem mensagens de menor importância chamam-se Anjos; os que transmitem mensagens de maior transcendência chamam-se Arcanjos. Esta é a razão pela qual à Virgem Maria não foi enviado um Anjo qualquer mas o Arcanjo Gabriel; de facto, era justo que para esta missão fosse enviado um Anjo superior, porque vinha anunciar a maior de todas as mensagens.  É pela mesma razão que se lhes atribuem nomes particulares, que designam a missão respectiva que desempenham. Na santa cidade do Céu, onde a visão de Deus omnipotente dá um perfeito conhecimento de tudo, não precisam de nomes próprios para se distinguirem uns dos outros; mas quando vêm realizar alguma missão junto dos homens, são conhecidos pelo nome da função que exercem. Assim, Miguel significa «Quem como Deus?»; Gabriel, «Fortaleza de Deus»; e Rafael, «Medicina de Deus.» Quando se trata de realizar algum mistério que exige um poder especial, verifica se que é Miguel o enviado, para dar a entender, pela sua acção e pelo seu nome, que ninguém pode actuar como Deus. Por isso aquele antigo inimigo, que pela sua soberba pretendeu ser semelhante a Deus, dizendo: Subirei até ao céu, levantarei o meu trono acima dos astros do céu e serei semelhante ao Altíssimo, será abandonado a si mesmo no fim do mundo e condenado ao extremo suplício. É este que São João no Apocalipse nos apresenta a combater contra o Arcanjo Miguel: “Travou-se um combate no Céu contra o Arcanjo Miguel.”À Virgem Maria foi enviado Gabriel, que significa «Fortaleza de Deus», porque veio anunciar Aquele que, apesar da sua aparência humilde, havia de triunfar sobre os poderes superiores. Convinha, de facto, ser anunciado pela Fortaleza de Deus, Aquele que vinha ao mundo como Senhor dos Exércitos e poderoso nas batalhas.  Rafael, como dissemos, quer dizer «Medicina de Deus», como se compreende na missão que teve junto de Tobias: tocou-lhe os olhos como um médico e dissipou as trevas da sua cegueira. Por isso, aquele que foi enviado para curar, é chamado «Medicina de Deus.»[10]

 

São Tomás de Aquino

São Tomás de Aquino é conhecido como o “Doutor Angélico.” Diz-nos que existem nove ordens (ou coros) de Anjos, divididos em três hierarquias. Na primeira hierarquia estão os Anjos mais próximos de Deus; eles apreendem as razões das coisas no próprio Deus. Os seus nomes estão relacionados com Deus. É formada pelos Serafins, pelos Querubins e pelos Tronos. A segunda hierarquia é formada pelos coros dos Anjos que dirigem os planos da eterna Sabedoria, comunicando os projectos divinos aos Anjos da terceira hierarquia. Os Anjos da segunda hierarquia são responsáveis pelo governo e protecção de todo o Universo. Os nomes destes anjos indicam um certo modo de governo. A esta hierarquia pertencem os coros angélicos das Dominações, Potestades e Virtudes.[11] A terceira hierarquia é constituída pelos coros angélicos cujos nomes significam a execução da obra divina. Estes Santos Anjos executam as ordens do Altíssimo junto da humanidade. Estão mais próximos de nós e conhecem a natureza de cada pessoa que devem assistir. Exercem a sua influência em nós através de santas inspirações, insinuando, avisando ou castigando. Esta hierarquia é formada pelos coros dos Principados, Arcanjos e Anjos.

Serafim. Serafim é um nome hebraico, proveniente do verbo “seraph” que significa “queimar completamente”. Segundo o conceito hebraico, o Serafim não é apenas um ser que “queima”, mas “que se consome” no amor divino. “No fogo, o movimento para o alto é contínuo. Isto significa que os Serafins se movem de modo indeclinável para Deus. A força do fogo é activa e produz luz e calor. Isto significa a acção destes Anjos, que de modo poderoso, a exercem sobre aqueles que lhes estão sujeitos, incitando-os a um fervor semelhante ao seu, purificando-os totalmente no incêndio da caridade.” Outra característica do fogo é a claridade. Os Serafins têm uma luz inextinguível com a qual iluminam perfeitamente os outros. [12] Na Sagrada Escritura os Serafins aparecem uma única vez, na visão do profeta Isaías. Segundo a Bíblia, têm seis asas: um par para voar, um par para cobrir o rosto (em sinal de humildade) e o outro para cobrir os pés. Pela descrição bíblica, os Serafins têm a função de louvar e adorar a Deus: “Eu vi o Senhor sentado num trono… Os Serafins clamavam: Santo, santo, santo é o Senhor Deus dos Exércitos. A terra inteira proclama a sua glória. Ao som das suas vozes os batentes das portas tremeram e o Templo ficou repleto de fumo. Então bradei: Ai de mim que sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de impuros lábios e os meus olhos contemplaram o Rei, o Senhor dos Exércitos! Porém um dos Serafins voou na minha direcção, trazendo uma brasa viva, que havia tirado do altar com uma tenaz. Com ela tocou a minha boca e disse-me: Vê, isto tocou os teus lábios, o teu pecado ficou perdoado e a tua falta apagada.” (Isaías 6, 1-7)

Querubins: O nome “Querubim” traduz a plenitude da ciência em relação à perfeita visão de Deus: têm a plena recepção da luz divina, contemplam no próprio Deus a beleza das coisas derivadas de Deus e comunicam abundantemente aos outros o conhecimento de que estão repletos. Na Sagrada Escritura, os Querubins aparecem muitas vezes. Quando Adão e Eva foram expulsos do paraíso, “Deus colocou Querubins armados de uma espada flamejante para guardar o caminho da árvore da vida.” [13]

Quando Moisés recebeu as prescrições para a construção da Arca da Aliança, o trono Divino foi colocado entre dois Querubins: “Far-me-eis um santuário e habitarei no meio de vós. Construireis o santuário segundo o modelo que vou mostrar-vos. Farás dois Querubins de ouro, fixando-os de modo a formar uma só peça. Terão suas asas estendidas para o alto e protegerão com elas a tampa, sobre a qual terão a face inclinada.” [14] Segundo a visão do profeta Ezequiel, os Querubins são espíritos com quatro asas e quatro rostos. O primeiro rosto é de touro, o segundo de homem, o terceiro de leão e o quarto de águia. Seus corpos estão completamente cheios de olhos. Têm o privilégio de serem dedicados à expansão e protecção da chama do amor divino: “Um dos querubins estendeu a mão para o fogo que se encontrava no meio dos Querubins. Daí ele retirou brasas que colocou na mão do homem vestido de linho.” [15]

Tronos: Para São Tomás de Aquino a superioridade da ordem dos Tronos em relação aos Anjos dos coros inferiores consiste em que podem conhecer imediatamente em Deus as razões das obras divinas. Entretanto, os Querubins são superiores em ciência e os Serafins no ardor da caridade. A explicação do nome “Tronos” resulta da semelhança com os assentos materiais. São chamados “Sedes Dei,” ou seja, assentos de Deus. Primeiro, porque os assentos se elevam acima do chão; assim estes Anjos são elevados até ao conhecimento das razões das coisas de Deus. Segundo, nos assentos materiais considera-se a solidez, pois neles assenta-se com segurança. Estes anjos recebem a segurança de Deus. Terceiro, o assento recebe e transporta quem nele se senta. Assim os Tronos recebem Deus e levam-no aos Anjos das ordens inferiores. Quarto, por sua configuração: porque é aberto de um lado para receber quem se senta. Assim os Tronos, por sua prontidão, estão abertos para receber a Deus e servi-lo.

Dominações: Os Anjos deste coro são conhecidos também por “ministros” de Deus. Decidem o que deve ser feito para cumprir a vontade divina e fazem tudo para o Universo continuar em sua trajectória quotidiana. Dominação, Potestade e Principado são nomes que sugerem as diferentes maneiras de governar. São Gregório escreveu: “Algumas fileiras do exército angélico chamam-se Dominações, porque os restantes lhe são submissos, ou seja, lhe são obedientes.” São Anjos da alta nobreza celeste. Dionísio diz que em primeiro lugar Dominação significa liberdade da condição servil e da sujeição comum. Significa ainda um “governo rígido e inflexível que não se rebaixa a nenhum acto servil. Significa também o desejo e a participação no verdadeiro domínio que está em Deus.” [16]

Potestades: O nome Potestade designa uma certa organização concernente tanto à recepção das coisas divinas, como às acções divinas que os espíritos superiores exercem sobre os inferiores. Compete aos Anjos da ordem das Potestades organizar o que deve ser feito pelos súbditos. São Paulo escreveu: “Qui Potestati ressisti, Dei ordinationem resistit.” Traduzindo à letra: “Aquele que se opõe às Potestades (ao poder das Potestades, resiste à ordem de Deus.” (Romanos 13,2) 

Virtudes: A missão dos Santos Anjos deste Coro é semelhantes à dos Santos Anjos do Coro das Potestades, porque também eles transmitem aquilo que deve ser feito pelos outros Anjos, mas sobretudo, auxiliam no sentido de que as coisas sejam realizadas de modo perfeito. Virtude pode entender-se de duas maneiras. Primeiro no sentido de que a virtude é intermediária entre essência e operação. Assim, todos os Anjos são chamados virtudes e essências celestes. Segundo, no sentido de que implica certo excesso de força. Virtudes: é nome próprio deste coro angélico. Dionísio disse que o nome Virtude significa certa força viril e inquebrantável em relação a todas as operações divinas que lhes dizem respeito. Estes Anjos têm a força para remover os obstáculos que possam interferir no perfeito cumprimento das ordens divinas.

Principados: Os Santos Anjos do Coro dos Principados são guias dos mensageiros divinos. Exercer um Principado, segundo São Gregório, é ser o primeiro entre os outros e ser o primeiro na execução daquelas coisas que são prescritas. Os que conduzem os outros, sendo os primeiros, são chamados príncipes: “precediam os príncipes seguidos pelos músicos.” (Salmo 67,26) São enviados a príncipes, reis, províncias e dioceses. No livro de Daniel são também apresentados como protectores de povos. (Daniel 10,13) Significa que são aqueles Anjos que levam as instruções e os avisos divinos, ao conhecimento dos povos que lhes são confiados. Porém, quando esses mesmos povos recusam aceitar as mensagens do Senhor, os Principados transformam-se em Anjos que derramam as taças da ira Divina sobre eles, de forma a reconduzi-los de volta ao Deus de Amor e de Misericórdia, que eles abandonaram propositadamente. “Um Anjo dizia em alta voz: se alguém se prostrar diante do monstro e receber o seu sinal na fronte ou na mão, deverá também beber o vinho do furor de Deus, o cálice da sua ira e será torturado com fogo e enxofre.” (Apocalipse 14, 9-10)

 Arcanjos: São Tomás coloca os Arcanjos entre os Principados e os Anjos. Os Arcanjos são chamados príncipes dos Anjos. O Papa São Gregório pensa que os Arcanjos têm esse nome porque estão à frente dos coros dos Anjos e anunciam mensagens de maior importância. Neste coro dos Arcanjos encontram-se São Miguel, cujo nome significa “Quem como Deus?” (cf. Ap 12,10) São Gabriel, “Força de Deus.” ( Lc 1,26) São Rafael, “Deus cura” (cf. Tb 5,4) A respeito de São Rafael, no Livro de Tobias, ele mesmo confirma que está diante do trono de Deus: “Eu sou Rafael, um dos sete Anjos que assistimos na presença do Senhor.” (Tobias 12,15)

Anjos: Anjo significa mensageiro. Por isso todos os espíritos celestes, enquanto manifestam as coisas de Deus, são chamados Anjos. Assim o nome comum torna-se o nome próprio da ordem menos elevada. Os santos Anjos anunciam-nos, de modo imediato, as mensagens divinas. Estão junto de nós, velam por nós. Prestam-nos um serviço silencioso, mas preciosíssimo: “Eis que envio um Anjo diante de ti, para que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que te destinei. Respeita a sua presença e observa a sua voz e não lhe sejas rebelde, porque não perdoará a tua transgressão, pois nele está o Meu Nome. Mas se escutares fielmente a sua voz e fizeres o que te disser, então serei inimigo dos teus inimigos e adversário dos teus adversários”. (Ex 23, 20-22)

 

Harmonia e felicidade no Céu

Santa Francisca Romana foi favorecida com visões e revelações acerca dos Santos Anjos. Ela afirma que os lugares que ficaram vagos no Céu, quando os anjos rebeldes foram expulsos, serão ocupados pelos servos de Deus, que viverem uma vida de perfeição e santidade, inflamados no zelo pela gloria divina e no zelo pela salvação das almas.

Baseando-se nas revelações de Santa Francisca, o Doutor Plínio propõe-nos um interessante paralelo entre a harmonia existente no Céu e a beleza de uma sinfonia, na qual cada nota, distinta uma da outra, contribui com sua beleza própria, para formar um lindo e melodioso conjunto. No Céu, os Anjos e os bem-aventurados, unidos na diversidade de seus sons, entoam a Deus um magnífico hino de louvor. Para se entender o significado de “lugar” devemos pensar que cada coro angélico é como uma sinfonia de notas e algumas dessas notas abandonaram a partitura. Graças à misericórdia divina, as lacunas desse imenso concerto serão, preenchidas pelos santos, que completarão a harmonia do conjunto celestial.

Quanto mais a alma tem capacidade de compreender a bondade de Deus e quanto mais uma alma santa se deixar consumir pelo fogo do amor divino, enquanto está na terra, tanto mais será saciada na visão beatífica. Pela descrição de Santa Francisca podemos imaginar a alma de uma pessoa justa que ascende pelos vários coros angélicos até alcançar o seu lugar, na mais elevada categoria dos Anjos a que foi destinada. [17]

Obrigado, Senhor meu Deus: “De todo coração, Senhor, eu Vos dou graças. Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar e vos adorarei, no vosso templo santo.” (cf Salmo 137, 1-2)

São Francisco de Assis mereceu o título de seráfico. A sua santidade foi tão grande que mereceu ocupar um lugar, no mais alto coro celeste dos Serafins. E Santa Teresa de Jesus também é chamada a “seráfica Santa Teresa.”

São Tomás lembra duas passagens bíblicas para afirmar que os homens serão elevados às ordens angélicas. Jesus afirma no Evangelho de S. Mateus a respeito dos santos, que “serão como Anjos no Céu.” E em S. Lucas, Jesus promete que “os filhos da ressurreição serão iguais aos Anjos nos Céus.”[18]

 

Cântico final: Salve, salve S. Miguel – M. Faria, NRMS, 23

 

 

Homilias Feriais

 

4ª Feira, 30-IX: A Palavra de Deus e o seguimento de Cristo.

Job 9, 1-12. 14-16 / Lc 9, 57-62

Jesus respondeu-lhe: As raposas têm a suas tocas, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.

Jesus partilha a vida dos pobres, desde o presépio até à Cruz; sabe o que é sofrer a fome, a sede, a indigência, pois não tinha onde reclinar a cabeça (EV). Por isso, é exigente com todos os que querem segui-lo, pedindo-lhes uma maior disponibilidade.

No nosso dia, para cumprirmos os nossos deveres para com Deus, a família e o trabalho, encontraremos algumas vezes muitas desculpas, algumas razoáveis, para deixar de cumpri-los, Tenhamos confiança em Deus, pois o seu coração é sábio (LT), Eu, Senhor, clamo por vós, desde a aurora se eleva a minha prece (SR).

 

5ª Feira, 1-X: A Palavra de Deus e a eternidade.

Job 19, 21-27 / Lc 10, 1-12

Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: A paz a esta casa.

A paz é, sem dúvida, uma aspiração de qualquer pessoa. A Igreja também apela à paz e reconciliação, por exemplo, na Missa, no sacramento da Confissão (ou Reconciliação), apresentando-nos aquele que nos pode dar a verdadeira paz: Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz, não como mundo a pode dar (EV).

Job não tinha paz no seu coração e pedia a compaixão dos seus amigos. E pensava na vida eterna, onde finalmente veria Deus. Eu próprio hei-de vê-lo (LT). Um olhar para a eternidade também nos há-de ajudar. Procuro, Senhor, o vosso rosto (SR).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        José Roque

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               José Carlos Azevedo

 



[1] Para esta homilia servi-me Catecismo da Igreja Católica, números 328-331.

Catecismo Compêndio, nº 60

 

[2] Daniel 3, 28

[3] São João Clímaco, século VI, monge do Oriente, é conhecido por um livro que escreveu, chamado “Escada do Paraíso" onde explica a vida monástica, desde o abandono do mundo até a perfeição na caridade. Ele diz que a "Escada do Paraíso", antes de ser subida pelos homens, foi descida pelo próprio Deus.

[4] Lucas 22,27

[5] S. Bernardo, Liturgia das Horas, Ofício de Leituras, 10 de Junho.

 

[6] Lucas 1,5-17.19

[7] Lucas 1:26-38

[8] Efésios 1,12.14

9 Santo Agostinho, Liturgia das Horas, Ofício de Leituras, Quinta-feira da 4ª Semana da Páscoa.

[10] Liturgia das Horas, IV, Ofício Leituras, 29 Set. Homilias de São Gregório Magno

[11] São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Vol. II, Edição Loyola, Questão 108, a organização dos Anjos em Hierarquias e Ordens, p. 777: O Apóstolo S. Paulo apresenta a ordem dos coros angélicos de duas maneiras. Na Carta aos Efésios (1,20-21) ele diz que Deus ao ressuscitar Jesus de entre os mortos fê-lo sentar-se à sua direita, “acima de todo o Principado, Potestades, Virtudes e Dominações.” Na Carta aos Colossenses 1,16, diz que “Jesus é a imagem de Deus invisível, o Primogénito de toda a criatura. N’ Ele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, visíveis e invisíveis: Tronos e Dominações, Principados e Potestades, por Ele e para Ele tudo foi criado.”

[12] São Tomás, Suma Teológica, p. 775

[13] Génesis 3,24

[14] Cf Êxodo 25,8-9.18-20

[15] Ezequiel 10,1-12.14

[16] São Tomás pag.774

[17] Google: Harmonia e felicidade no Céu entre Anjos e Santos, (6.09.2019)

[18] Mateus 22,30. Lucas 20,36.

Pelo dom da graça, os homens poderão merecer uma glória tal que se igualem aos Anjos, de acordo com cada uma de suas ordens. Deus pode elevar-nos às ordens angélicas. Os Santos poderão ascender a um grau de graça, mas não ao grau da natureza.

No tempo de Santo Agostinho alguns diziam que essa possibilidade seria apenas para algumas pessoas (as virgens e os perfeitos). Os outros santos ficariam separados de toda a sociedade dos Anjos. Santo Agostinho diz que não faz sentido pensar assim, pois na bem-aventurança “não haverá duas cidades, uma dos Anjos e outra dos homens, mas somente uma única sociedade, porque a felicidade de todos consiste na adesão ao único Deus.” (São Tomás op cit p. 783-784)


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