21.º Domingo Comum

23 de Agosto de 2020

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Viemos com alegria – C. Silva, NRMS, 46

Salmo 85, 1-3

Antífona de entrada: Inclinai o vosso ouvido e atendei-me, Senhor, salvai o vosso servo, que em vós confia. Tende compaixão de mim, Senhor, que a Vós clamo dia inteiro.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A fé de Pedro e a fé de Paulo. Pedro confessa a sua fé, a fé de toda a Igreja: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”, Paulo professa a sua fé, a fé de todos os cristãos: "vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou a Si mesmo por mim" (Gl 2, 20). Nós reunimo-nos, na fé da Igreja, para celebrar a vitória do amor, sobre todas as forças do mal. Sobre o testemunho de fé dos Apóstolos ganha solidez a nossa pouca fé. E, na pobreza da nossa fé, ousamos invocar a misericórdia de Deus:

 

 

Ato penitencial

 

P. Senhor Jesus, a quem aclamamos como Cristo ou Messias,

Senhor tende piedade de nós!

 

R. Senhor tende piedade de nós!

 

P. Cristo, a quem aclamamos como Senhor, da vida, do mundo e da história,

Cristo, tende piedade de nós!

 

R. Cristo, tende piedade de nós!

 

P. Senhor, a quem aclamamos como Filho do Deus vivo,

Senhor, tende piedade de nós!

 

R. Senhor tende piedade de nós!

 

 

Oração colecta: Senhor Deus, que unis os corações dos fiéis num único desejo, fazei que o vosso povo ame o que mandais e espere o que prometeis, para que, no meio da instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontra as verdadeiras alegrias. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A primeira leitura fala-nos do poder das chaves, um símbolo que nos permitirá entender algumas palavras, daqui a pouco, no Evangelho.

 

Isaías 22, 19-23

Eis o que diz o Senhor: a Chebna, administrador do palácio: 19«Vou expulsar-te do teu cargo, remover-te do teu posto. 20E nesse mesmo dia chamarei o meu servo Eliacim, filho de Elcias. 21Hei-de revesti-lo com a tua túnica, hei-de pôr-lhe à cintura a tua faixa, entregar-lhe nas mãos os teus poderes. E ele será um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá. 22Porei aos seus ombros a chave da casa de David: há-de abrir, sem que ninguém possa fechar; há-de fechar, sem que ninguém possa abrir. 23Fixá-lo-ei como uma estaca em lugar firme e ele será um trono de glória para a casa de seu pai».

 

Quase a terminar a série de «oráculos conta as nações estrangeiras» (Is 13 – 23) aparecem no livro de Isaías dois oráculos, um contra Jerusalém (Is 22,1-14) e outro contra Chebna (Is 22,15-19) e contra o seu sucessor Eliaquim (vv. 24-25). O texto fala da entrega dos poderes da administração da cidade a este homem (vv. 20-22), inicialmente honesto (v. 23), mas que acaba de cair no mesmo vício do nepotismo: «penduram-se nele todos os nobres da casa de seu pai, filhos e netos» (v. 24), uma censura que já não aparece na leitura de hoje; esta limita-se a falar da investidura no cargo em termos solenes e simbólicos; como insígnia, tinha uma banda sobre o ombro na qual trazia uma chave, símbolo do poder de administrar; com esta mesma imagem e servindo-se da mesma expressão de Isaías, o Apocalipse representa assim Jesus Cristo (Apoc 3, 7). Certamente que 1ª leitura foi escolhida, como é frequente acontecer, em função do Evangelho do dia, que fala do poder das chaves dado a Pedro (cf. Mt 16,19).

 

Salmo Responsorial    Sl 137(138), 1-2a. bc-3.6. 8 bc (R. 8bc)

 

Monição: Com o salmista cantemos para sempre a fidelidade e a bondade do Senhor.

 

Refrão:        Senhor, a vossa misericórdia é eterna:

não abandoneis a obra das vossas mãos.

 

 Ou:              Pela vossa misericórdia,

não nos abandoneis, Senhor.

 

De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças

porque ouvistes as palavras da minha boca.

Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar

e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.

 

Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade

e fidelidade,

porque exaltastes acima de tudo o vosso nome

e a vossa promessa.

Quando Vos invoquei, me respondestes,

aumentastes a fortaleza da minha alma.

 

O Senhor é excelso e olha para o humilde,

ao soberbo conhece-o de longe.

Senhor, a vossa bondade é eterna,

não abandoneis a obra das vossas mãos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas». Que Cristo esteja no centro de tudo, como nos interpela São Paulo.

 

Romanos 11, 33-36

33Como é profunda a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus! Como são insondáveis os seus desígnios e incompreensíveis os seus caminhos! 34Quem conheceu o pensamento do Senhor? Quem foi o seu conselheiro? 35Quem Lhe deu primeiro, para que tenha de receber retribuição? 36D’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas. Glória a Deus para sempre.

 

S. Paulo desata em exclamações de louvor entusiástico a Deus, ao contemplar o seu plano salvífico: Deus escolhe Israel para seu povo; dada a infidelidade deste, chama os gentios à fé; e, por fim, todos formarão um só e mesmo povo no Reino de Deus.

36 «D’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas», uma expressão que introduz a doxologia final, com que se encerra a parte doutrinal da epístola: «Glória a Deus para sempre. Amen». Assim parafraseia a expressão J. M. Bover: «Todas as coisas procedem de Deus (d’Ele), pois é o Criador; subsistem por (Ele) Deus, que é o Conservador; olham e tendem para Deus (para Ele), como seu último fim».

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 16, 18

 

Monição: No Evangelho, Jesus faz um balanço da sua missão... com uma pergunta para nós.

 

Aleluia

 

Cântico: C. Silva/A. Cartageno, COM, (pg 113)

 

Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja

e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 16, 13-19

Naquele tempo, 13Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?». 14Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». Jesus perguntou: 15«E vós, quem dizeis que Eu sou?». 16Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». 17Jesus respondeu-lhe: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. 18Também Eu te digo: Tu és Pedro sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. 19Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».

 

O texto da leitura consta de duas partes distintas, mas intimamente ligadas: a confissão de fé de Pedro (vv. 13-16), comum a Marcos 8,27-30 e a Lucas 9,18-21 (cf. Jo 6,67-71), e a promessa feita a Pedro (vv. 17-19), exclusiva de Mateus (cf. Jo 21,15, 23).

13 «Cesareia de Filipe» era a cidade construída por Filipe, filho de Herodes, o Grande, em honra do César romano, nas faldas do Monte Hermon, a uns 40 quilómetros a Nordeste do Lago de Genesaré.

13-17 «Quem dizem os homens… E vós, quem dizeis que Eu sou?» É uma pergunta que, em face de Jesus, uma pessoa tão singular, surpreendente e apaixonante, não pode deixar de se fazer em todos os tempos. As respostas podem ser variadas e até contraditórias, mas só uma é a certa, a resposta de Pedro, a resposta esclarecida da fé, resposta que Jesus aprova: «Feliz de ti, Simão» (v. 17). «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo» (v. 16); Messias é a forma hebraica da palavra do texto original grego, Cristo, que quer dizer ungido (os reis eram ungidos com azeite na cabeça ao serem investidos). Jesus é o Rei (ungido) anunciado pelos Profetas e esperado pelo povo. Quando se diz Jesus Cristo é como confessar a mesma fé de Pedro, reconhecer que Jesus é o Cristo, isto é, o Messias, mas num sentido mais denso e profundo, a saber, o Filho de Deus, num sentido que ultrapassa o corrente e que só o dom divino da fé pode fazer descobrir, segundo as palavras de Jesus a Pedro: «Não foram a carne e o sangue que to revelaram» (v. 17). A fé de Pedro, como a nossa, não pode proceder dum mero raciocínio humano, da sagacidade natural, mas da luz, da certeza e da firmeza, que procede da revelação de Deus. «A carne e o sangue» é uma forma semítica de designar o homem enquanto ser débil e exposto ao erro e ao pecado.

18 «Tu és Pedro». É significativo que o texto grego não tenha conservado a palavra aramaica “kêphá”, aliás usada noutras passagens do N. T. sem ser traduzida, como é habitual com os patronímicos. Aqui o evangelista teve o cuidado de usar o nome correntemente dado ao Apóstolo Simão: Pedro. É expressivo o jogo de palavras: Pedro é a pedra sobre a qual assenta a solidez de toda a Igreja do Senhor. Note-se que o apelido de Pedro = Pedra não existia na época, nem em aramaico (Kêphá), nem em grego (Pétros), nem em latim (Petrus), uma circunstância que reforça o seu significado e originalidade. Além disso, este apelido também não era apto para caracterizar o temperamento ou o carácter do Apóstolo, pois aquilo que distingue a sua personalidade não é precisamente a dureza ou firmeza da pedra, mas antes a debilidade, mobilidade e até inconstância (cf. Mt 14,28-31; 26,33-35.69-75; Gal 2,11-14). Se Jesus assim o chama, é em razão da função ou cargo em que há-de investi-lo.

«Edificarei a minha Igreja». Jesus, ao dizer a minha, sugere com este singular que a sua Igreja é una e única, ao mesmo tempo que significa que Ele tem intenção de fundar algo de novo, uma nova comunidade de Yahwéh. «Ekklêsía» é a tradução grega corrente dos LXX para a designação hebraica da Comunidade (qehal) de Yahwéh, isto é, «o povo escolhido de Deus reunido para o culto de Yahwéh» (cf. Dt 23,2-4.9). Não é, portanto, a Igreja uma seita dentro do judaísmo, é uma realidade nova e independente. «Jesus pôde dizer minha, porque Ele a salva, Ele a adquire com o seu sangue, Ele a convoca, Ele realiza nela a presença divina, a aliança, o sacrifício». «As portas do inferno não prevalecerão». Numa linguagem tipicamente bíblica (cf. Is 38,10; Sab 16,13; cf. Job 38,17; Salm 9,14) temos uma sinédoque com que se designa a parte – as portas – pelo todo, o Inferno, que tanto pode designar a destruição e a morte (xeol=inferi=os infernos), como Satanás e os poderes hostis a Deus. Nos nossos tempos vê-se bem como estes poderes hostis à verdadeira Igreja de Cristo estão assanhados e e vêm causando graves estragos.

9 «Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus». Os poderes conferidos a Pedro não são para ele vir a exercer no Céu, mas aqui neste mundo, onde a Igreja, o Reino de Deus em começo e em construção, tem de ser edificada. No judaísmo e no Antigo Testamento (cf. Is 22,22), lidar com as chaves é uma atribuição de quem representa o próprio dono, significa adminis­trar a casa. Ligar/desligar significa tomar decisões com tal autoridade e poder supremo que serão consideradas válidas por Deus: «nos Céus». É de notar que Jesus diz a todos os Apóstolos esta mesma frase (Mt 18,18), mas sem que seja tirada qualquer força à autoridade suprema de Pedro, a quem é dado um especial poder de «ligar e desligar» na Igreja, enquanto pedra fundamental e pastor supremo a ser investido após a Ressurreição (Jo 21,15-17). Este primado de Pedro sobre toda a Igreja – que hoje se designa por ministério petrino – não é conferido apenas a ele mas, a todos os seus sucessores; com efeito Jesus fala a Pedro na qualidade de chefe duma edificação estável e perene, a Igreja; se o edifício é perene também o será a pedra fundamental. Como recorda o Catecismo da Igreja Católica, nº 882, «o Papa, Bispo de Roma e sucessor de S. Pedro, “é princípio perpétuo e visível, e fundamento da unidade que liga, entre si, todos os bispos com a multidão dos fiéis» (LG 23). Em virtude do seu cargo de vigário de Cristo e pastor de toda a Igreja, o Pontífice Romano tem sobre a mesma Igreja, um poder pleno, supremo e universal, que pode sempre livremente exercer» (LG 22). Este é um dos pontos cruciais do diálogo ecuménico, que terá uma saída feliz quando todos os que se consideram cristãos compreenderem que o carisma petrino, por vontade de Cristo, é o indispensável instrumento de união e unidade na legítima diversidade.

 

Sugestões para a homilia

 

1. Um único desejo

2. Onde havemos de ter o coração?

3. «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?».

 

 

1. Um único desejo

 

A Palavra de Deus hoje leva-nos a resumir num único desejo o amor do que Deus promete, para que, como diz a oração coleta, «no meio da instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias». Somos, por isso, convidados, a não separar a obediência da confiança, a nunca deixar de esperar no futuro, sinal de prudência e boa administração. «A chave da casa de David», representação simbólica do poder, vai ser dada a um administrador fiel, «Eliacim, filho de Elcias». Nele, já está presente aquele sobre quem Jesus vai edificar a sua Igreja, «Simão, filho de Jonas». As chaves, porém, são outras: não as temporais do palácio, mas as eternas do reino dos Céus.

 

 

2. Onde havemos de ter o coração?

 

Onde havemos de ter o coração? Iluminados pela palavra, sabemos que o melhor lugar será em Deus, o abismo insondável de riqueza, de sabedoria e de ciência, a meta dos caminhos desgarrados dos homens. Que âncora soltar no mar instável deste mundo? A do amor humilde. Paulo exalta a grandeza da providência, que governa como só Deus sabe: «Quem conheceu o pensamento do Senhor?». Não nos encontramos, porém, diante de um Rei que decreta e ordena. Antes, dentro do coração de um Pai a quem nada escapa, porque está atento à obra das suas «mãos», às «palavras» do mais humilde dos seus filhos: «Quando Vos invoquei, me respondestes, aumentastes a fortaleza da minha alma» (salmo responsorial).

 

 

3. «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?».

 

Por outro lado, Jesus pergunta aos seus discípulos e a nós também: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?». Quer saber o que os discípulos pensam d’Ele, para melhor ir ao encontro das suas expectativas e as poder orientar. Quando Simão, em nome de todos, O proclama «o Messias, o Filho de Deus vivo», Jesus confia na voz do Pai que fala pela boca do apóstolo. Nomeia, por sua vez, Simão «pedra» da Igreja. Somos nós que falamos em Pedro, quando nos deixamos guiar pelo Espírito Santo; somos nós que assumimos, em Pedro, as «chaves do reino dos Céus», quando estamos com Jesus. Onde está Pedro, está a Igreja, diziam os antigos. E onde estamos nós, estará sempre também a Igreja?

 

 

 

Fala o Santo Padre

 

«Cada um de nós é uma pequena pedra, mas nas mãos de Jesus toma parte na construção da Igreja.

E todos nós, por mais pequenos que sejamos, somos transformados em «pedras vivas»,

porque quando Jesus pega na sua pedra, a faz sua, a torna viva, cheia de vida do Espírito Santo.»

O Evangelho deste domingo (Mt 16, 13-20) narra um excerto-chave no caminho de Jesus com os seus discípulos: o momento em que Ele quer verificar a que ponto está a fé deles. Primeiro quer saber o que pensa d’Ele o povo; e o povo pensa que Jesus é um profeta, o que é verdade, mas não compreende o cerne da sua Pessoa, não capta o centro da sua missão. Depois, faz aos discípulos a pergunta que deveras lhe está mais a peito, ou seja, questiona-os diretamente: «E vós, quem dizeis que eu sou?» (v. 15). E com aquele «e vós» Jesus separa definitivamente os Apóstolos da multidão, como quem diz: e vós, que andais comigo todos os dias e me conheceis de perto, compreendestes algo mais? O Mestre espera dos seus uma resposta de uma certa envergadura e diversa em relação à da opinião pública. Com efeito, precisamente essa resposta brota do coração de Simão, chamado Pedro: «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo» (v. 16). Dos lábios de Simão Pedro saem palavras maiores do que ele, palavras que não vêm das suas capacidades naturais. Talvez ele não tenha frequentado a escola primária, e é capaz de proferir estas palavras, mais fortes do que ele! Mas são inspiradas pelo Pai celeste (cf. v. 17), o qual revela ao primeiro dos Doze a verdadeira identidade de Jesus: Ele é o Messias, o Filho enviado por Deus para salvar a humanidade. E desta resposta, Jesus compreende que, graças à fé doada pelo Pai, há uma base sólida sobre a qual pode construir a sua comunidade, a sua Igreja. Por isso diz a Simão: «Tu, Simão, és Pedro — ou seja, pedra, rocha — e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja» (v. 18).

Também connosco, hoje, Jesus quer continuar a construir a sua Igreja, esta casa com fundamentos sólidos, mas onde não faltam fendas, e que precisa continuamente de ser concertada. Sempre. A Igreja tem sempre necessidade de ser reformada, concertada. Sem dúvida não nos sentimos rochas, mas apenas pequenas pedras. Contudo, nenhuma pequena pedra é inútil, aliás, nas mãos de Jesus a pedra mais pequenina torna-se preciosa, porque Ele a recolhe, a conserva com grande ternura, a trabalha com o seu Espírito, e a coloca no lugar certo, que Ele desde sempre pensou e onde pode ser mais útil para toda a construção. Cada um de nós é uma pequena pedra, mas nas mãos de Jesus toma parte na construção da Igreja. E todos nós, por mais pequenos que sejamos, somos transformados em «pedras vivas», porque quando Jesus pega na sua pedra, a faz sua, a torna viva, cheia de vida, cheia de vida do Espírito Santo, cheia de vida do seu amor, e assim temos um lugar e uma missão na Igreja: ela é comunidade de vida, feita de tantíssimas pedras, todas diversas, que formam um único edifício no sinal da fraternidade e da comunhão.

Além disso, o Evangelho de hoje recorda-nos que Jesus quis para a sua Igreja também um centro visível de comunhão em Pedro — também ele, não é uma grande pedra, é uma pedra pequenina, mas nas mãos de Jesus torna-se centro de comunhão — em Pedro e em quantos lhe teriam sucedido na mesma responsabilidade primacial, que desde as origens foram identificados nos Bispos de Roma, a cidade onde Pedro e Paulo deram o testemunho do sangue.

Recomendemo-nos a Maria, Rainha dos Apóstolos, Mãe da Igreja. Ela estava no cenáculo, ao lado de Pedro, quando o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos e os impulsionou a sair, a anunciar a todos que Jesus é o Senhor. Hoje a nossa Mãe nos ampare e nos acompanhe com a sua intercessão, para que realizemos plenamente aquela unidade e comunhão pelas quais Cristo e os Apóstolos rezaram e deram a vida.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 27 de Agosto de 2017

 

Credo

 

É interessante que ao professar a fé, os cristãos dizem «creio na Igreja». O que significa que a realidade íntima e profunda da Igreja só pela fé se pode intuir, viver e captar. Uma nota interessante nesta profissão de fé do Povo de Deus. A Igreja é digna da nossa fé....

 

Oração Universal

 

P. A Deus Pai, cujos desígnios são insondáveis, confiamos as preces da Igreja, dizendo confiantes:

 

R. Ouvi-nos, Senhor!

 

1.     Pela Santa Igreja, para que unida ao Papa, sucessor de Pedro,

se fortaleça cada vez mais na única fé

e dê testemunho da misericórdia de Deus ao mundo. Oremos, irmãos.

 

2.     Pelos que exercem o poder, para que o façam

com o sentido de dignidade, de serviço e dedicação,

a fim de que as chaves do poder honrem aqueles que as usam. Oremos, irmãos.

 

3.     Pelos migrantes que estão entre nós ou caminham já para a pátria do seu trabalho,

para que sejam sempre reconhecidos como filhos de Deus

e amparados nas suas dificuldades maiores. Oremos, irmãos.

 

4.     Por todos nós aqui presentes neste encontro com Cristo,

para que vivamos uma experiência de relação íntima e pessoal com Ele e,

no meio da comunidade, sintamos fortalecida a nossa fé. Oremos, irmãos.

 

P. Ó Deus, como é profunda a vossa riqueza e sabedoria. Pois que de Vós tudo procede e a Vós tudo se destina, aceitai as nossas preces e dignai-Vos atender-nos no que vos pedimos. Por Jesus Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Antes da Epiclese:

 

Nós também queremos aprender a ajoelhar, tanto quanto a saúde e o espaço no-lo permitirem. Cuidaremos de não impedir ninguém de adorar Cristo, ao vê-lo real e presente nos sinais humildes do pão e do vinho consagrados.

 

Cântico do ofertório: Bendito Seja Deus – A. Oliveira, NRMS, 48

 

Oração sobre as oblatas: Senhor, que pelo único sacrifício da cruz, formastes para Vós um povo de adopção filial, concedei à vossa Igreja o dom da unidade e da paz. Por Nosso Senhor.

 

Santo: C. Silva – COM, (pg 193)

 

Monição da Comunhão

 

Cada um é chamado pelo nome no seio da grande família dos filhos de Deus. A cada um, Deus ama como se fosse único. Cada um, unido aos outros em Cristo, formamos um só corpo os que comungamos o mesmo Senhor.

 

Cântico da Comunhão: Senhor eu creio que sois Cristo – J. F. Silva, NRMS, 67

Salmo 103, 13-15

Antífona da comunhão: Encheis a terra, Senhor, com o fruto das vossas obras. Da terra fazeis brotar o pão e o vinho que alegra o coração do homem.

 

Ou

Jo 6, 55

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, diz o Senhor, e Eu o ressuscitarei no último dia.

 

Cântico de acção de graças: Louvado sejais Senhor – J. F. Silva, NRMS, 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Realizai em nós plenamente, Senhor, a acção redentora da vossa misericórdia e fazei-nos tão generosos e fortes que possamos ajudar-Vos em toda a nossa vida. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Mais do que procurar respostas claras, a perguntas difíceis, é preciso contemplar com assombro o rosto de Cristo e deixar-se apaixonar e interpelar por Ele. Esse rosto espelha-se nos evangelhos e reflecte-se na vida da Igreja. Desse fascínio amoroso é que brota a paixão pela missão e o entusiasmo na construção da Igreja. 

 

Cântico final: Irmãos, a missa não findou – J. F. Silva, NRMS, 4 (II)

 

 

Homilias Feriais

 

21ª SEMANA

 

2ª Feira, 24-VIII: S. Bartolomeu: A fonte da Verdade.

Ap 21, 9-14 / Jo 1, 45-51

 

A muralha da cidade tinha na base doze reforços salientes, e neles doze nomes: os doze Apóstolos do Cordeiro.

Jesus escolhe os doze Apóstolos, que são as pedras do alicerce da nova Jerusalém (LT). De S. Bartolomeu, referiu a veracidade. Nele não há fingimento (EV).

A verdade, ou veracidade, é a virtude que consiste em mostrar-se verdadeiro nos actos e em dizer a verdade nas palavras, evitando a duplicidade, a simulação e a hipocrisia (CIC, 2505). Verificamos que, no ambiente, pode haver falsidade e que alguns meios de comunicação social semeiam a confusão, chegando a alterar os critérios morais da sociedade. Apoiemo-nos mais na Verdade, que é Cristo, e veremos as coisas como Deus.

 

3ª Feira, 25-VIII: A Palavra de Deus e a limpeza do coração.

2 Tes 2, 1-3, 13-16 / Mt 23, 23-26

Fariseu cego! Purifica primeiro o interior do copo e do prato, para o exterior ficar também limpo.

Os fariseus dedicavam mais tempo às aparências e descuidavam o mais importante: a limpeza do coração (EV).

A limpeza do coração é muito importante para os nossos encontros com o Senhor, especialmente na Eucaristia. Os fiéis não podem esquecer-se de estar na graça de Deus para receberem a comunhão sacramental. Também é preciso fazer uma limpeza de tudo o que não está de acordo com o Evangelho. Permanecei firmes e prendei-vos solidamente ao que vos foi transmitido (LT). Julgará o mundo com justiça e os povos com equidade (SR).

 

4ª Feira, 26-VIII: A Palavra de Deus e a dignidade do trabalho.

2 Tes 3, 6-10. 16-18 / Mt 23, 27-32

Trabalhámos noite e dia de maneira esforçada e fatigante. Quisemos dar-nos a vós como exemplo.

S. Paulo não se dedicava ao trabalho apenas para ocupar o tempo. Fazia-o com muito empenho e esforço (LT).

O trabalho é um dever. Se algum de vós não quer trabalhar, também não coma (LT). Feliz o homem que teme o Senhor e segue os seus caminhos (SR). O trabalho tem também um aspecto redentor, na medida em que é feito em união com Cristo na sua obra redentora. Pode igualmente ser um meio de santificação e animação das realidades terrenas, tornando-as mais perfeitas, imitando a Deus na obra da criação: tudo fez bem.

 

5ª Feira, 27-VIII: A Palavra de Deus e a atitude vigilante.

1 Cor 1, 1-9 / Mt 24, 42-51

Vigiai, porque não sabeis o dia em que virá o Senhor. Por isso, estai vós também preparados.

Este mesmo apelo é o que S. Paulo faz aos fiéis de Corinto. Ele é que vos fará firmes até ao fim, no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo (LT).

Estaremos vigilantes quando nos esforçamos por melhorar a nossa vida, pondo mais empenho na oração pessoal, nos sacrifícios, no cuidado das coisas pequenas de cada dia. O Senhor traça o perfil do servo fiel e prudente, que cuida de tudo (EV). E, além disso, também poderemos ajudar a melhorar a vida da sociedade, trabalhando bem, cuidando da vida familiar, tornando mais dignos os ambientes em que vivemos.

 

6ª Feira, 28-VIII: A Palavra de Deus e as negligências.

1 Cor 1, 17-25 / Mt 25, 1-13

O reino dos Céus será semelhante a dez virgens que pegaram nas suas lâmpadas e saíram ao encontro do noivo.

Para alcançarmos a vida eterna, precisamos estar vigilantes como as cinco virgens prudentes (EV). Pelo contrário, as virgens insensatas foram excluídas do banquete nupcial, por se terem descuidado.

A negligência, ou falta de solicitude devida, procede de uma falta de vontade devida. Pelo contrário, a vigilância está ligada ao cuidado das coisas pequenas, como o azeite nas lâmpadas. E também à Cruz. Quanto a nós, pregamos Cristo crucificado, força e sabedoria de Deus (LT). Por sua vez, os sacrifícios ajudam-nos a ser mais fortes.

 

Sábado, 29-VIII: O Martírio de S. João Baptista.

Jer 1, 17-19 / Mt 6, 17-29

Ela: Quero que me dês, sem demora, num prato, a cabeça de João Baptista.

João Baptista, o precursor de Jesus, dá testemunho dEle, pela sua pregação, pelo seu baptismo de conversão e, finalmente, pelo seu martírio (EV).

Na sua pregação nunca temeu ninguém, nem o poderoso Herodes. Assim o preparou Deus. Não tremas diante daquele a quem te enviar (LT). Em vós, Senhor, me refugio, jamais serei confundido (SR). Orientou a pregação para a conversão, tal como Jesus: Convertei-vos e acreditai no Evangelho Ao recordarmos o seu martírio, aceitemos com fortaleza os nossos 'martírios diários', para nos santificarmos.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Nuno Westwood

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               José Carlos Azevedo

 


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