Assunção da Virgem Santa Maria

Missa do Dia

15 de Agosto de 2020

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nos Braços de Deus Forte – J. F. Silva, NRMS, 45

Ap 12, 1

Antífona de entrada: Um sinal grandioso apareceu no céu: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de estrelas na cabeça.

 

Ou:

Exultemos de alegria no Senhor, ao celebrar este dia de festa em honra da Virgem Maria. Na sua Assunção alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho de Deus.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Liturgia da Igreja reveste-se hoje de festa para celebrar a Assunção gloriosa da Virgem Santa Maria ao Céu.

É uma verdade da nossa fé, definida pelo Papa Pio XII em 1 de novembro de 1950, com estas palavras: «pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial».

Maria é a primeira criatura a ser revestida em corpo e alma da glória celestial.

Comunguemos esta alegria da Igreja e celebremos com a maior solenidade possível este mistério da vida de Nossa Senhora, Mãe de Deus e nossa Mãe.

 

Acto penitencial

 

Conscientes de que o pecado nos afasta do caminho glorioso de Maria, peçamos humildemente perdão de todos aqueles que cometemos, por pensamentos, palavras, obras e omissões.

Imploremos do Senhor a graça de nos emendarmos, para irmos ao encontro de Maria glorificada no Céu.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema A)

 

Confessemos os nossos pecados...

Senhor, tende piedade de nós...

Glória a Deus nas alturas...

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que elevastes à glória do Céu em corpo e alma a Imaculada Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, concedei-nos a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para merecermos participar da sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: No texto do Apocalipse que vai ser proclamado, Maria, resplandecente de glória, aparece como imagem da Igreja.

Como a Igreja, de quem é Mãe, Maria concebe na dor um mundo novo, defendendo os seus filhos dos assaltos do demónio.

 

Apocalipse 11, 19a 12, 1-6a.10ab

19aO templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da aliança foi vista no seu templo. 12, 1Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. 3E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas. 4A cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse. 5Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono 6ae a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. 10abE ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido».

 

Sob a imagem da Arca (v. 19) e da mulher (vv. 1-17) é-nos apresentada, na intenção da Liturgia, a Virgem Maria. Entretanto os exegetas continuam a discutir, sem chegar a acordo, se estas imagens se referem à Igreja ou a Maria. Sem nos metermos numa questão tão discutida, podemos pensar com alguns estudiosos que a Mulher simboliza, num primeiro plano, a Igreja, mas, tendo em conta as relações tão estreitas entre a Igreja e Maria - «membro eminente e único da Igreja, seu tipo e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade... sua Mãe amorosíssima» (Vaticano II, LG 53) – podemos englobar a Virgem Maria nesta imagem da mulher do Apocalipse. Tendo isto em conta, citamos o comentário de Santo Agostinho ao Apocalipse (Homilia IX):

4-5 «O Dragão colocou-se diante da mulher...»: «A Igreja dá à luz sempre no meio de sofrimentos, e o Dragão está sempre de vigia a ver se devora Cristo, quando nascem os seus membros. Disse-se que deu à luz um filho varão, vencedor do diabo».

6 «E a mulher fugiu para o deserto»: «O mundo é um deserto, onde Cristo governa e alimenta a Igreja até ao fim, e nele a Igreja calca e esmaga, com o auxílio de Cristo, os soberbos e os ímpios, como escorpiões e víboras, e todo o poder de Satanás».

 

Salmo Responsorial    Sl 44 (45), 10.11.12.16 (R. cf. 10b)

 

Monição: O Salmo que a Liturgia nos propõe como resposta à interpelação feita pelo texto do Apocalipse é um cântico de louvor à Filha do Rei.

Esta filha do Rei é Maria Santíssima, exaltada à glória eterna do Paraíso, sobre todos os corpos dos Anjos e dos Santos.

 

Refrão:        À vossa direita, Senhor, a Rainha do Céu,

                     ornada do ouro mais fino.

 

Ou:               À vossa direita, Senhor, está a Rainha do Céu.

 

Ao vosso encontro vêm filhas de reis,

à vossa direita está a rainha, ornada com ouro de Ofir.

 

Ouve, minha filha, vê e presta atenção,

esquece o teu povo e a casa de teu pai.

 

Da tua beleza se enamora o Rei

Ele é o teu Senhor, presta-Lhe homenagem.

 

Cheias de entusiasmo e alegria,

entram no palácio do Rei.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Jesus Cristo – diz-nos S. Paulo na Segunda Carta aos fiéis de Corinto – é o primeiro que Se levanta glorioso de entre os mortos.

Como Ele, porque é a cabeça do Corpo Místico a que todos pertencemos, ressuscitou Maria e ressuscitaremos todos nós.

 

1 Coríntios 15, 20-27

Irmãos: 20Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. 21Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos 22porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. 23Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai depois de ter aniquilado toda a soberania, autoridade e poder. 25É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. 26E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus tudo colocou debaixo dos seus pés. 27Mas quando se diz que tudo Lhe está submetido é claro que se exceptua Aquele que Lhe submeteu todas as coisas.

 

É a partir deste texto e do de Romanos 5 que os Padres da Igreja estabelecem a tipologia baseada num paralelismo antiético, entre Eva e Maria: Eva, associada a Adão no pecado e na morte; Maria, associada a Cristo na obra de reparação do pecado e na ressurreição.

20-23 S. Paulo, começando por se apoiar no facto real da Ressurreição de Cristo, procura demonstrar a verdade da ressurreição dos já falecidos (vv. 1-19). Nestes versículos, diz que «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (v. 20). As primícias eram os primeiros frutos do campo que se deviam oferecer a Deus e só depois se podia comer deles (cf. Ex 28; Lv 23,10-14; Nm 15,20-21). De igual modo, Cristo nos precede na ressurreição. Nós (excetuando pelo menos a Virgem Maria) havemos de ressuscitar «por ocasião da sua vinda» (v. 23). Não se pode confundir esta ressurreição sobrenatural e misteriosa de que aqui se fala com a imortalidade da alma. O Credo do Povo de Deus de Paulo VI, no nº 28, diz: «Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - tanto as que ainda devem ser purificadas com o fogo do Purgatório, como as que são recebidas por Jesus no Paraíso logo que se separem do corpo, como o Bom Ladrão - constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída por completo no dia da Ressurreição, em que as almas se unirão com os seus corpos». Por seu turno, a S. Congregação para a Doutrina da Fé, na carta de 17-5-79, declara: «A Igreja, ao expor a sua doutrina sobre a sorte do homem depois da morte, exclui qualquer explicação com que se tirasse o seu sentido à Assunção de Nossa Senhora, naquilo que esta tem de único, ou seja, o facto de ser a glorificação que está destinada a todos os outros eleitos».

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: A glorificação de Maria em casa de Isabel inicia um cântico de louvor em honra da Mãe de Deus que vai continuar por toda a eternidade.

Associemo-nos a este louvor, aclamando o Evangelho que via ser proclamado e nos descreve o que se passou nesta visita.

 

Aleluia

 

Cântico: C. Silva/A. Cartageno, COM, (pg 114)

 

Maria foi elevada ao Céu:

alegra-se a multidão dos Anjos.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 39-56

39Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. 40Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo 42e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? 44Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. 45Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor». 46Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. 49O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. 50A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. 51Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. 52Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. 53Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. 54Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, 55como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre». 56Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.

 

Os estudiosos descobrem neste relato uma série de ressonâncias vétero-testementárias, o que corresponde não apenas ao estilo do hagiógrafo, mas sobretudo à sua intenção teológica de mostrar como na Mãe de Jesus se cumprem as figuras do A.T.: Maria é a verdadeira e nova Arca da Aliança (comparar Lc 1,43 com 2Sam 6,9 e Lc 1,56 com 2Sam 6,11) e a verdadeira salvadora do povo, qual nova Judite (comparar Lc 1,42 com Jdt 13,18-19) e qual nova Ester (Lc 1,52 e Est 1 – 2).

39 «Uma cidade de Judá». A tradição documentada a partir do séc. IV diz que é Ain Karem (fonte da vinha), uma povoação a uns 6 Km a Oeste da cidade nova de Jerusalém. De qualquer modo, ficaria a uns quatro ou cinco dias de caminho em caravana desde Nazaré (130 Km). Maria empreende a viagem movida pela caridade e espírito de serviço. A «Mãe do meu Senhor» (v. 43) não fica em casa à espera de que os Anjos e os homens venham servir a sua rainha; e Ela mesma, que se chama «escrava do Senhor» (v. 38), «a sua humilde serva» (v. 48), apressa-se em se fazer a criada da sua prima e de acudir em sua ajuda. Ali permanece, provavelmente, até depois do nascimento de João, uma vez que S. Lucas nos diz que «ficou junto de Isabel cerca de três meses» (v. 56).

42 «Bendita és Tu entre as mulheres». Superlativo hebraico: a mais bendita de todas as mulheres.

43-44 «A Mãe do meu Senhor». As palavras de Isabel são proféticas: o mexer-se do menino no seu seio (v. 41) não era casual, mas «exultou de alegria» para também ele saudar o Messias e sua Mãe.

46-55 O cântico de Nossa Senhora, o Magnificat, é um poema de extraordinária beleza poética e elevação religiosa. Dificilmente poderiam ficar melhor expressos os sentimentos do coração da Virgem Maria – «a mais humilde e a mais sublime das criaturas» (Dante, Paraíso, 33, 2) –, em resposta à saudação mais elogiosa (vv. 42-45) que jamais se viu em toda a Escritura. É como se Maria dissesse que não havia motivo para uma tal felicitação; tudo se deve à benevolência, à misericórdia e à omnipotência de Deus. Sem qualquer referência ao Messias, refulge aqui a alegria messiânica da sua Mãe e a sua humildade num extraordinário hino de louvor e de agradecimento. O cântico está todo entretecido de reminiscências bíblicas, sobretudo do cântico de Ana (1Sam 2,1-10) e dos Salmos (35,9; 31,8; 111,9; 103,17; 118,15; 89,11; 107,9; 98,3); cf. também Hab 3,18; Gn 29,32; 30,13; Ez 21,31; Si 10,14; Mi 7,20. Ao longo dos tempos, muitos e belos comentários se fizeram ao Magnificat; mas também é conhecida a abordagem libertacionista, abundando leituras materialistas utópicas, falsificadoras do genuíno sentido bíblico, com base no princípio marxista da luta de classes. Com efeito, a transformação social que é urgente realizar, não se consegue com o inverter a ordem social, o «derrubar os poderosos dos seus tronos» e o «despedir os ricos de mãos vazias». Eis o comentário da Encíclica Redemptoris Mater, nº 36: «Nestas sublimes palavras… vislumbra-se a experiência pessoal de Maria, o êxtase do seu coração; nelas resplandece um raio do mistério de Deus, a glória da sua santidade inefável, o amor eterno que, como um dom irrevogável, entra na história do homem».

 

Sugestões para a homilia

 

• O triunfo de Maria

• O caminho de Maria

 

1. O triunfo de Maria

 

O Apóstolo S. João, autor humano do Livro do Apocalipse, descreve-nos uma visão de Maria Santíssima na glória do Céu.

A cheia de graça. Quando veio anunciar a Maria a sua maternidade divina, o Arcanjo não a tratou pelo nome que lhe deram os seus pais, mas como “cheia de graça.”

Talvez quisesse começar por lhe lembrar que todas as graças e privilégios que lhe tinham sido concedidos, em especial a sua Imaculada Conceição, foram-no porque Deus A escolhera desde toda a eternidade, para ser a Mãe do Redentor, a Mãe de Deus.

S. João descreve-a como «uma mulher vestida de sol.» Não foi assim que a viram e descreveram os Pastorinhos de Fátima?

Rainha do Universo. As imagens da Imaculada Conceição apresentam-na com a lua debaixo dos pés, para significar o seu domínio sobre toda a criação. Ela é a Rainha do Universo, porque é a Mãe do Rei e tomou parte na reconquista do mundo para o Pai, operada por Jesus.

 Quando rezamos a Ladainha de Nossa Senhor, detemo-nos a aclamar os seus títulos de Rainha: dos Anjos, dos Patriarcas, dos Profetas, dos Apóstolos, das Virgens...

Nós aclamamo-l’A nas orações – Salve, Rainha – e nos cânticos; coroamos as suas imagens e invocamo-l’A nas nossas necessidades.

Mãe da Igreja. Doze são as tribos de Israel, com os nomes dos filhos de Jacob.

O novo Povo de Deus é a Igreja com a qual o Pai fez uma Nova Aliança em Seu Filho, no Calvário, acolhendo-nos como filhos seus. Ostenta «uma coroa de doze estrelas na cabeça

Ela tem, pois, um lugar especial nesta família dos filhos de Deus que Jesus fundou e está na glória do Céu, na purificação do Purgatório e militando na terra.

O carinho que devotamos à nossa mãe é diferente de todos os outros amores. Assim a devoção a Nossa Senhora é diferente daquela que prestamos a todos os outros santos.

A vencedora do Dragão. Satanás, Lúcifer, revoltou-se contra Deus no Céu, por soberba, e arrastou na sua desgraça «um terço das estrelas do céu», isto é, uma terça parte dos Anjos.

Duas terças partes permaneceram fiéis, de modo mesmo numericamente, além de as armas dos anjos fiéis serem imensamente mais poderosas. Os que lutam pelo mal são inferiores em tudo aos que desejam permanecer fiéis ao amor de Deus e acabarão por vencer.

Este texto há-de ser contemplado à luz do Génesis, onde se descreve a queda dos nossos primeiros pais e a promessa do Redentor. Deus anuncia à serpente infernal que porá inimizades entre ela e a Mulher e ascendência dela – serpente – e a descendência do Mulher, isto é, entre os demónios e os que os seguem e Maria e a sua descendência: Jesus e todos quantos Lhe estão unidos pelo Batismo.

Com isto nos garante a revelação divina que Maria nunca esteve submetida ao poder de Satanás e, por isso, foi concebida, desde o primeiro momento, imune de pecado original e cheia da graça que nos torna participantes na natureza divina e filhos de Deus.

Consolação das nossas dores. Maria não sofreu as dores da maternidade, porque deu à luz virginalmente o Redentor.

Mas enquanto Mãe da Igreja, acolhe as dores de todos os mártires e santos da história. S. João escreveu o Apocalipse no tempo das perseguições oficiais ao cristianismo promovidas pelo Império Romano.

Maria, ao pé da Cruz, acolhe todas as dores dos filhos de Deus e enfrenta a crueldade do Inimigo do homem que tenta devorar a Igreja.

Não o conseguirá nunca. Pelo contrário, o sangue dos mártires é semente de cristãos.

«O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse

Perseguir os cristãos é o mesmo que perseguir Jesus, como ouviu Saulo às portas de Damasco.

Em todos os séculos da história da Igreja, o demónio promove perseguições aos cristãos, e o nosso não é exceção. Depois da cruel perseguição religiosa em Espanha (1931-1939), ela continua a ser perseguida na China, na Coreia e em muitos países de África.

Mesmo na Europa que se proclama livre, os que desejam seguir a Jesus Cristo com fidelidade sofrem perseguições de toda a ordem. No nosso país, a imagem de Cristo crucificado é retirada dos edifícios do Estado, em nome de uma falsa liberdade.

Defende-nos dos perigos. Maria veio a Fátima para nos prevenir contra o perigo das novas formas de escravidão que podem levar as pessoas à condenação eterna.

Nos nossos dias, o materialismo prático de vida tenta as pessoas a fugir de tudo o que pede sacrifício... e nós sabemos que não se pode levar vida limpa e honrada sem aceitar também a cruz.

«E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: “Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido”».

 

2. O caminho de Maria

 

Logo que recebeu do Arcanjo S. Gabriel a notícia de que, finalmente, a sua parente Isabel ia ter um filho, depois de tantos anos a suspirar por ele e que, para mais, este filho vinha já fora das leis normais da natureza, dada a idade avançada da mãe, Maria partiu apressadamente para a casa dos seus parentes.

«Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.»

Ela vai felicitar aquele ditoso casal e oferecer-lhe os seus humildes préstimos, durante os últimos três meses da gravidez de Isabel.

Mas Deus tem planos mais sublimes: ao ouvir a saudação de Maria, Isabel ficou cheia do Espírito Santo e o menino que trazia em seu seio foi libertado do pecado original e recebeu a graça santificante.

Aclamada como a Mãe de Deus. Isabel é a primeira pessoa do mundo, inspirada pelo Espírito Santo, a aclamar Maria como Mãe de Deus.

«Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?»

O Espírito Santo dá a conhecer a Isabel o mistério da Redenção. Maria é a “Mãe do meu Senhor – de Deus – porque o Verbo se uniu à nossa natureza humana no seu seio imaculado, formando uma só Pessoa – Jesus Cristo – verdadeiro Deus e verdadeiro Homem.

Ali ao lado, contemplando a felicidade de Isabel, estão Zacarias e, com toda a probabilidade, S. José. Começa aqui a sua longa noite de agonia, porque está certo da fidelidade de Maria, mas sabe também que não é o pai físico daquela criança que Maria concebeu.

Considera, pois, que é um intruso naquele grande mistério e que deve retirar-se em segredo, chamando sobre si o odioso deste passo, para evitar que a menor sombra de suspeição afete Maria.

Fé generosa de Maria. Isabel exalta a fé exemplar de Maria. Ela acreditou que Deus tronou fecundo Isabel em idade avançada e, por isso, veio ali; mas acreditou também que Deus a elegeu para Mãe do Redentor. Entregou assim a sua vida inteira, sem cálculos de qualquer segurança humana e lançou-se confiada nas mãos de Deus.

«Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

As nossas hesitações, demoras e recusas naquilo que o Senhor nos pede encontram a sua explicação na nossa falta de fé. Ter fé é fiar-se de alguém, confiar e, como consequência, entregar a vida. No nosso caso, fiamo-nos em Deus e confiamos n’Ele.

Surpreendemo-nos, muitas vezes, a discutir com Deus ou a procurar alguma desculpa que justifique o nosso adiamento naquilo que nos é pedido.

Um lição de humildade. Com a atitude que tomou neste momento, Maria deu-nos uma lição de humildade, ajudando-nos a compreender em consiste esta virtude.

Ela não nega que é “a Mãe do meu Senhor”, a Mãe de Deus, do verbo incarnado, porque a humildade é, antes de tudo, a aceitação da verdade.

O conhecimento próprio ajuda-nos a saber o que somos, para nos situarmos no nosso lugar.

Mas há uma segunda face da humildade que é um desdobramento da mesma verdade. Tudo aquilo que está realizado em Maria não lhe pertence, mas é obra do Altíssimo.

Esta verdade não é obstáculo a que Ele veja profeticamente o lugar único que tem na história da nossa salvação.

Um cântico ao Altíssimo. Por isso, Nossa Senhora entoa o belíssimo cântico do Magnificat que é um compêndio de humildade, com a coroa de todas as outras virtudes:

Alegria e júbilo. A santidade é alegre. «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador »

Gratidão. Maria está profundamente agradecida ao Senhor pelas maravilhas que n’Ela operou. «porque pôs os olhos» «»

Humildade profunda. A expressão que pronuncia a seu respeito pode traduzir-se por humildade, pequenez, insignificância. É o conceito que Maria tem de si mesma diante de Deus. «na humildade da sua serva».

– Justiça. Deve esta exaltação ao Senhor e a mais ninguém.

A grandeza da sua vida. Maria tem um lugar único na história da nossa salvação. «de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.»

Amor misericordioso de Deus. Foi por amor puro, por misericórdia infinita, que o Senhor operou maravilhas na história da salvação, porque ainda não existíamos quando nos elegeu.

«A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia».

Deus é fiel ao que nos promete. Ele nunca falta às Suas promessas, embora, por vezes, nos pareça que tarda em cumpri-las. Podemos confiar, viver serenos, e abandonarmo-nos nos seus braços.

Que bela oração para rezarmos quando somos tentados a pensar que o mundo desaba á nossa volta! Aprendamos com Maria.

 

Fala o Santo Padre

 

«As coisas grandes que o Senhor faz no mundo com os humildes,

porque a humildade é como um vazio que deixa espaço a Deus.

Gostaria de vos perguntar — e também a mim mesmo —: “Como está a minha humildade?”»

Hoje, solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, o Evangelho apresenta-nos a jovem de Nazaré que, tendo recebido o anúncio do Anjo, parte depressa para ir ter com Isabel, nos últimos meses da sua gravidez prodigiosa. Ao chegar à sua casa, Maria ouve dos seus lábios as palavras que compõem a oração da “Ave-Maria”: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre» (Lc 1, 42). Com efeito, o maior dom que Maria oferece a Isabel — e ao mundo inteiro — é Jesus, que já vive nela; e vive não só por fé e expetativa como em tantas mulheres do Antigo Testamento: da Virgem Jesus assumiu a carne humana para a sua missão de salvação.

Na casa de Isabel e do seu marido Zacarias, onde antes reinava a tristeza pela falta de filhos, agora há a alegria da chegada de um bebé: um menino que se tornará o grande João Batista, precursor do Messias. E quando Maria chega, a alegria transborda e rebenta dos corações, porque a presença invisível mas real de Jesus a tudo dá sentido: a vida, a família, a salvação do povo... Tudo! Esta alegria plena exprime-se com a voz de Maria na oração maravilhosa que o Evangelho de Lucas nos transmitiu e que, desde a primeira palavra latina, se chama Magnificat. É um canto de louvor a Deus que realiza grandes coisas através das pessoas humildes, desconhecidas ao mundo, como a própria Maria, o seu esposo José, e também o lugar no qual vivem, Nazaré. As grandes coisas que Deus realizou com as pessoas humildes, as coisas grandes que o Senhor faz no mundo com os humildes, porque a humildade é como um vazio que deixa espaço a Deus. O humilde é poderoso porque é humilde: não porque é forte. Esta é a grandeza do humilde e da humildade. Gostaria de vos perguntar — e também a mim mesmo — sem responder em voz alta, cada um responda no coração: “Como está a minha humildade?”.

O Magnificat canta o Deus misericordioso e fiel, que cumpre o seu desígnio de salvação com os pequenos e os pobres, com os que têm fé n’Ele, que confiam na sua Palavra, como Maria. Eis a exclamação de Isabel: «Feliz daquela que acreditou» (Lc 1, 45). Naquela casa, a vinda de Jesus através de Maria criou um clima não só de alegria e de comunhão fraterna, mas também de fé que leva à esperança, à oração e ao louvor.

Gostaríamos que tudo isto acontecesse também hoje nas nossas casas. Celebrando a Assunção de Maria Santíssima ao Céu, peçamos que Ela, mais uma vez traga a nós, às nossas famílias, às nossas comunidades, aquele dom imenso, única graça que devemos pedir sempre em primeiro lugar e acima das outras graças embora todas nos estejam a peito: a graça que é Jesus Cristo!

Dando-nos Jesus, Nossa Senhora oferece-nos também uma alegria nova, plena de significado; concede-nos uma nova capacidade de atravessar com fé os momentos mais dolorosos e difíceis; doa-nos a capacidade de misericórdia, para nos perdoar, nos compreender, nos apoiar reciprocamente.

Maria é modelo de virtude e fé. Ao contemplá-la hoje elevada ao Céu, ao cumprimento final do seu itinerário terreno, demos-lhe graças porque sempre nos precede na peregrinação da vida e da fé — é a primeira discípula. E peçamos-lhe que nos guarde e nos apoie; que possamos ter uma fé firme, jubilosa e misericordiosa; que nos ajude a ser santos, para nos encontrar com ela, um dia, no Paraíso.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 15 de Agosto de 2017

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos caríssimos em Maria, nossa Mãe:

Neste dia em que toda a Igreja exulta de alegria

com o triunfo de Santa Maria elevada ao Céu,

elevemos, por intercessão da Virgem cheia de graça,

ao nosso Deus uma oração cheia de confiança.

Oremos (cantando), com alegria filial:

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

1. Pela Igreja que nos fez renascer em Cristo, para a vida sobrenatural,

    para que tenha a alegria de gerar novos filhos que alcancem o Céu,

    oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

2. Pelos discípulos de Jesus Cristo que dão testemunho dele no mundo,

    para que sejam fiéis àao Evangelho e alcancem a felicidade eterna,

    oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

3.  Pelos que exercem as funções governo nos diversos povos da terra,

   para que usem o poder como um serviço e não como seu interesse,

     oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

4. Pelos que sofrem humilhações, passam fome ou são perseguidos,

    para que o Senhor os conforte, encha de bens e os acolha no Céu,

    oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

5. Pelas mães e pais, pelos doentes, os idosos, famintos e sem abrigo,

    para que tenham em Cristo a esperança e em Maria a sua advogada,

    oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

6. Por todos nós aqui a participar nesta Celebração desta Eucaristia,

    para que Deus nos faça humildes, à imitação de Maria Santíssima,

    oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

Senhor, nosso Deus e nosso Pai,

concedei à Igreja a graça

de imitar a Rainha do Céu,

que deu ao mundo o vosso Filho,

e de entrar um dia na glória

onde Ela já se encontra,

ornada do ouro mais fino.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Unamo-nos em espírito ao louvor que todas as gerações hão-de entoar em honra de Nossa Senhora da Assunção.

Jesus prepara agora para nós, pelo ministério do sacerdote, a Sagrada Comunhão, penhor da nossa ressurreição final.

 

Cântico do ofertório: Louvada seja na terra a Virgem Santa Maria – A. F. Santos, NRMS, 33-34

 

Oração sobre as oblatas: Suba até Vós, Senhor, a nossa humilde oferta e, pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, elevada ao Céu, fazei que os nossos corações, inflamados na caridade, se dirijam continuamente para Vós. Por Nosso Senhor.

 

 

Prefácio

 

A glória da Assunção de Maria

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e louvar-Vos, bendizer-Vos e glorificar-Vos na Assunção da Virgem Santa Maria.

Hoje a Virgem Mãe de Deus foi elevada à glória do Céu. Ela é a aurora e a imagem da Igreja triunfante, ela é sinal de consolação e esperança para o vosso povo peregrino. Vós não quisestes que sofresse a corrupção do túmulo aquela que gerou e deu à luz o Autor da vida, vosso Filho feito homem.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando com alegria:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: C. Silva – COM, (pg 195)

 

Saudação da Paz

 

Deus quis fazer de Maria elevada ao Céu em Corpo e Alma gloriosos, a Rainha da Paz.

Invoquemo-l’A, cheios de confiança, pedindo este dom que só do Céu nos pode vir.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A Sagrada Comunhão, feita como Jesus Cristo nos ensinou e a Igreja nos recorda, é penhor da ressurreição final.

Façamos cada uma das nossas Comunhões Sacramentais como se fosse a última da nossa vida.

 

Cântico da Comunhão: É celebrada a Vossa glória – A. F. Santos, BML, 33 

cf. Lc 1, 48-49

Antífona da comunhão: Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque o Senhor fez em mim maravilhas.

 

Cântico de acção de graças: O meu espírito exulta – C. Silva, NRMS, 38

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da vida eterna, concedei-nos, por intercessão da Virgem Santa Maria, elevada ao Céu, a graça de chegarmos à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Alegremo-nos com a glorificação da Mãe de Jesus e Nossa Mãe e peçamos-lhe nos ensine e ajude a seguir o caminho do Céu.

 

Cântico final: Quem vos escolheu, Rainha dos Céus – M. Valença, NRMS, 37

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:               José Carlos Azevedo

 


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