5º Domingo da Páscoa

10 de Maio de 2020

 

 

RITOS INICIAIS

 

Saudação inicial

 

Presidente (P): A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, que hoje se apresenta como o Caminho, a Verdade e a Vida, esteja sempre convosco!

Assembleia (A): Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!

 

Cântico de entrada: Cantai ao Senhor um cântico novo – J. F. Silva, CNPL, pg 273 

Salmo 97, 1-2

Antífona de entrada: Cantai ao Senhor um cântico novo, porque o Senhor fez maravilhas: aos olhos das nações revelou a sua justiça. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Depois de termos contemplado no domingo passado Jesus como a “porta das ovelhas” que dá acesso ao Reino dos Céus, neste V Domingo da Páscoa, Jesus é o caminho da verdade e da vida que nos conduz ao Pai. Por outro lado, a liturgia da Palavra deste Domingo é esclarecedora para a vida e missão da igreja. Na verdade, todas as três leituras oferecem-nos elementos para reflectirmos sobre a arquitectura da Igreja. Qual o seu fundamento? Qual a sua meta? Que caminho deve percorrer?

 

Acto Penitencial

 

P: Senhor, Caminho para o Pai, tende piedade de nós!

A: Senhor, tende piedade de nós!

 

P: Cristo, Verdade que liberta, tende piedade de nós!

R: Cristo, tende piedade de nós!

 

P: Senhor, Vida em abundância, tende piedade de nós!

A: Senhor, tende piedade de nós!

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos filhos adoptivos, atendei com paternal bondade as nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Continua a narração dos primeiros passos da comunidade primitiva. A leitura de hoje fala-nos da expansão da Igreja entre os helenistas e outros povos. Face ao seu crescimento e na incapacidade de chegar a todos, sobretudo aos mais frágeis, os discípulos, depois de invocarem o Espírito Santo, escolheram sete homens, os primeiros diáconos da Igreja, para os ajudar no serviço da caridade. 

 

Actos 6, 1-7

Naqueles dias, 1aumentando o número dos discípulos, os helenistas começaram a murmurar contra os hebreus, porque no serviço diário não se fazia caso das suas viúvas. 2Então os Doze convocaram a assembleia dos discípulos e disseram: «Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus, para servirmos às mesas. 3Escolhei entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para lhes confiarmos esse cargo. 4Quanto a nós, vamos dedicar-nos totalmente à oração e ao ministério da palavra». 5A proposta agradou a toda a assembleia; e escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. 6Apresentaram-nos aos Apóstolos e estes oraram e impuseram as mãos sobre eles. 7A palavra de Deus ia-se divulgando cada vez mais; o número dos discípulos aumentava consideravelmente em Jerusalém e submetia-se à fé também grande número de sacerdotes.

 

Este é o texto que refere a instituição dos diáconos, como colaboradores dos Apóstolos e participantes de uma parte da sua missão.

1 «Aumentando o número dos discípulos». A cada passo S. Lucas insiste no aumento dos cristãos. Temos outras insistências em Act 2,41; 5,14; 6,7; 9,31; 11,21.24; 12,24; 14,1; etc. Estes «helenistas» eram cristãos convertidos de entre os judeus emigrantes, que na diáspora falavam a língua grega e se encontravam agora na situação de retornados à Terra Santa. Pelos nomes gregos que têm, os primeiros 7 diáconos pertenceriam na generalidade a este grupo.

2-4 «Vamos dedicar-nos totalmente à oração…». Como a missão dos Apóstolos era ingente, impunha-se que estes não se dispersassem por actividades que outros podiam desempenhar. Foi a circunstância providencial para a primeira ordenação dos diáconos, que não eram meros agentes sociais, pois tinham também uma função sagrada, como a distribuição da Eucaristia, a pregação do Evangelho e a administração do Baptismo (cf. Act 8,5.7.16); constituíam um verdadeiro grau da hierarquia, distinto do presbiterado (cf. 1Tim 3,8). A oração, a que se dedicavam intensamente os Apóstolos, não era apenas a oração oficial das reuniões comunitárias, mas a oração pessoal, a sós com Deus, segundo se deduz de Act 10,9. Na oração intensa residia o segredo da sua eficácia apostólica e da transformação do mundo que operaram, um segredo cheio de actualidade.

 

Salmo Responsorial    Sl 32 (33), 1-2.4-5.18-19 (R. 22)

 

Monição: Com o salmista, somos convidados a cantar a misericórdia do Senhor. Aguardamos com esperança que o Senhor volte o seu olhar para nós, para aqueles que esperam e confiam na sua bondade.

 

Refrão:     Esperamos, Senhor, na vossa misericórdia.

 

Ou:           Venha sobre nós a vossa bondade,

                porque em Vós esperamos, Senhor.

 

Justos, aclamai o Senhor,

os corações rectos devem louvá-l'O.

Louvai o Senhor com a cítara,

cantai-Lhe salmos ao som da harpa.

 

A palavra do Senhor é recta,

da fidelidade nascem as suas obras.

Ele ama a justiça e a rectidão:

a terra está cheia da bondade do Senhor.

 

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,

para os que esperam na sua bondade,

para libertar da morte as suas almas

e os alimentar no tempo da fome.

 

Segunda Leitura

 

Monição: São Pedro apresenta a Igreja como templo de pedras vivas, da qual Jesus Cristo é a pedra angular, rejeitada pelos sumos-sacerdotes e pelos mestres da lei, convidando-nos a edificar este templo espiritual porque somos “geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus”.

 

1 São Pedro 2, 4-9

Caríssimos: 4Aproximai-vos do Senhor, que é a pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus. 5E vós mesmos, como pedras vivas, entrai na construção deste templo espiritual, para constituirdes um sacerdócio santo, destinado a oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo. 6Por isso se lê na Escritura: «Vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa; e quem nela puser a sua confiança não será confundido». 7Honra, portanto, a vós que acreditais. Para os incrédulos, porém, «a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular», 8«pedra de tropeço e pedra de escândalo». Tropeçaram por não acreditarem na palavra, à qual foram destinados. 9Vós, porém, sois «geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus, para anunciar os louvores» d'Aquele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável.

 

Temos aqui um texto de excepcional riqueza eclesiológica, em que os privilégios do antigo Povo de Deus são transpostos para o novo Povo de Deus, a Igreja, por meio dum método hermenêutico de actualização (deraxe) de textos do A. T., nomeadamente de Is 8,14; Ex 19,5-6; Os 1,6.9; 2,3.25. Esses privilégios são basicamente a eleição, a consagração e a missão de «anunciar os louvores d’Aquele que vos chamou…». Este texto é o ponto de partida para um dos ensinamentos nucleares do Vaticano II, sobre o sacerdócio comum dos fiéis e a dignidade e missão dos leigos: todas as realidades mundanas diárias transformadas em oferta – «sacrifícios espirituais» (v. 5) – a Deus (LG 34).

4 «Cristo, a Pedra viva…». O termo grego, lithos, designa uma pedra trabalhada, preparada; Jesus é a pedra escolhida por Deus, mas rejeitada pelos homens, o alicerce e a pedra angular sobre a qual repousa todo o edifício da Igreja (cf. Mt 16,18; 21,42-46; cf. Salm 117 (118),22; Is 8,14; Act 4,11).

5 «Vós mesmos, como pedras vivas, entrai…». Aqui temos uma das muitas imagens com que é representada a Igreja, «edifício de Deus» (cf. 1Cor 3,9.11), um edifício que cresce sempre, edificado por Deus, tendo Cristo como pedra angular e os Apóstolos como alicerce (cf. Ef 2,19-22).

9 «Sacerdócio real…». Ex 19,6 diz «reino de sacerdotes», que os LXX traduziram por «sacerdócio régio» (basileion hieráteuma); por sua vez, Apoc 1,5 diz: «reis e sacerdotes»; 1Pe 2,9 segue a Septuaginta.

 

Aclamação ao Evangelho       Jo 14, 6

 

Monição: É no ambiente da última ceia que o evangelista João apresenta-nos uma parte dos chamados “discursos de despedida” de Jesus. Jesus diz aos seus discípulos que vai partir e isto não os deve perturbar porque Ele vai preparar-lhes um lugar. Contudo, avisa que Ele é o caminho que dá acesso ao Pai, pois Nele “há muitas moradas”. 

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – C. Silva, OC (pg 534)

 

Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor;

ninguém vai ao Pai senão por mim.

 

 

Evangelho

 

São João 14, 1-12

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1«Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. 2Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vo-lo teria dito. 3Vou preparar-vos um lugar e virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. 4Para onde Eu vou, conheceis o caminho». 5Disse-Lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?» 6Respondeu-lhe Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. 7Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». 8Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta». 9Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: 'Mostra-nos o Pai'? 10Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras. 11Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras. 12Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará ainda maiores que estas, porque Eu vou para o Pai».

 

Temos na leitura uma pequena parte do chamado discurso do adeus, o início do capítulo 14 de S. João. As palavras de Jesus, «não se perturbe o vosso coração», aparecem com grande relevo, pois se repetem no v. 27.

2-3 Nestes versículos, que admitem diversas traduções, Jesus esclarece os seus discípulos de que a sua partida é para lhes abrir caminho para a casa do Pai, o Céu, a meta final para todos os fiéis, por isso diz que ali há «muitas moradas», isto é, lugar para todos (cf. Lc 16,9; Jo 13,36; 12,26.32; 17,24). A casa de Deus era o templo (2,16-17) que se tornou o símbolo da comunhão com Deus na bem-aventurança eterna; neste sentido esta é a única vez que a expressão «moradas» aparece em todo o N. T., além da alusão em Heb 6,19-20 (ver Henoc etiópico, 39,4; 41,2).

6-9 Jesus é o «caminho» não apenas pelos seus ensinamentos e exemplos, mas porque Ele mesmo se identifica com a «verdade» (é o Verbo, a expressão adequada do Pai – Jo 1,1.14.18) e a «vida» (Jo 1,4.14.16; 3,16; 6,47; 10,9-10; 11,25-26): Ele está no Pai e o Pai está n’Ele (vv. 10-11; 10,38; 17,21), fazendo Um com Ele (10,30; 17,11.21-22), por isso afirma que «quem Me vê, vê o Pai» (v. 9). Aqui radica o facto de Jesus ser não apenas caminho, mas o único caminho para o Pai, talvez por isso o cristianismo era designado inicialmente como o caminho (Act 9,2; 18,25; 24,22). Neste versículo a revelação de Jesus aos seus atinge o clímax e é uma das mais expressivas sínteses de todo o Evangelho.

12 A garantia das «obras maiores» dos discípulos (entendam-se as obras relativas à expansão da obra salvadora de Jesus) é a ida de Jesus para o Pai, que põe em acto o poder da sua mediação e o envio do Espírito Santo.

 

Sugestões para a homilia

 

Quando falamos de Igreja, vem logo à nossa mente os templos físicos onde os cristãos se reúnem, ou seja, as igrejas com “i” pequeno. No entanto, quando falamos aqui de Igreja referimo-nos à Igreja com “I” grande, ou seja, ao “povo que Deus convoca e reúne de todos os confins da terra, para constituir a assembleia daqueles que, pela fé e pelo Baptismo, se tornam filhos de Deus, membros de Cristo e templos do Espírito Santo.” (Catecismo da Igreja Católica, 147).

 

A arquitectura da Igreja

No entanto, o edifício físico da igreja pode-nos ajudar a compreender melhor a realidade da Igreja. Na verdade, o apóstolo Pedro, na segunda leitura deste domingo, usa a imagem da pedra angular e das outras pedras que se utilizam na construção de um edifício para se referir ao fundamento da Igreja e do lugar dos crentes na sua construção.

Para Pedro, a pedra angular da construção é Cristo. É Cristo o fundamento da Igreja. É sobre Cristo que se deve construir a vida dos crentes. No entanto, esta pedra angular foi “rejeitada pelos homens” e é “pedra de tropeço e de escândalo”. Na verdade, Cristo foi condenado à morte e crucificado e isso não deixa de ser escandaloso para a mentalidade de todos os tempos. Efectivamente, os cristãos são convidados a aproximarem-se de Cristo crucificado e ressuscitado - pedra angular - e a entrarem na construção deste templo espiritual.

Os cristãos são uma parte integrante na Igreja. Não são um adorno ou uma pedra de tropeço. Eles são chamados a ser pedras vivas edificadas sobre o fundamento que é Cristo. A presença de todos é importante na Igreja. São os cristãos que edificam, sobre a pedra angular que é Cristo, com a sua vida uma Igreja mais bela do que qualquer templo artístico. A missão de todo o Povo de Deus, missão que recebe pelo seu baptismo, é a de oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, ou seja, de desempenharem o seu sacerdócio comum “na celebração dos sacramentos, na oração, na acção de graças, no testemunho de uma vida Santa, pela abnegação e por uma caridade actuante” (Lumen Gentium, 10). Em suma, os fiéis devem ser testemunhas de Cristo ressuscitado no meio deste mundo sempre prontos a dar razões da sua fé e da sua esperança.

 

Sete construtores e servidores

“A palavra de Deus ia-se divulgando cada vez mais; o número dos discípulos aumentava consideravelmente” (Act 6,7), relata a primeira leitora do livro dos Actos dos Apóstolos. Que grande vitalidade tem esta comunidade primitiva! O número dos discípulos crescia de dia para dia e havia necessidade de buscar novos construtores, servidores desta Igreja a desabrochar. No entanto, bem sabiam os Apóstolos que nesta Igreja não há agentes de um lado e destinatários do outro, todos somos agentes e todos somos destinatários, todos temos a necessidade de ser evangelizados e todos o dever de evangelizar. Assim, para não se distanciarem-se do que é próprio do seu ministério, os Apóstolos escolheram “sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria” (Act 6,3). A estes caberia coordenar o serviço da caridade, o apoio aos mais carenciados para que os Apóstolos se dedicassem à oração e ao serviço do Palavra.

No fundo, este texto sugere-nos duas atitudes para que as comunidades possam, tal como a primitiva comunidade, crescer no número dos discípulos e no ensino da Palavra de Deus. Em primeiro lugar, a Igreja deve ser uma comunidade de serviço, tanto à Palavra de Deus como aos que mais necessitam, os frágeis, pois a fé não se separa da caridade mas exige-a. Em segundo lugar, deve ser uma comunidade onde o Espírito Santo está presente, porque é o Espírito que cria, anima e dinamiza a acção dos discípulos de ontem e de hoje.

 

Um caminho

Jesus vive horas decisivas da sua missão. Acaba de fazer a ceia com os seus discípulos e está prestes a viver a Sua paixão. As circunstâncias são especiais e os momentos geradores de expectativas. Os discípulos sentem-se incomodados e perplexos. Não se imaginam sozinhos. Estão confusos. Não “engolem” o falhanço da aposta de terem deixado tudo e, agora, verem ruir os projectos tão intensamente alimentados. Acham estranho que Jesus lhes acene com novos horizontes. Jesus diz aos seus discípulos que vai para a casa do Pai para nos preparar um lugar. No entanto, também nós, como Tomé, podemos interrogar Jesus: “Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?” (Jo 14,5). E também a nós responde Jesus como respondeu a Tomé: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim” (Jo 14,6).

O caminho de Jesus é claro. Nele se encontra a verdade. Por ele se alcança a vida. Com ele se vai ao Pai. Há outros caminhos que brilham em tantas luzes de sedução; mas esgotam-se depressa e, quase sempre, deixam o coração vazio e insatisfeito. Ganham em intensidade o que perdem em fugacidade. Santo Agostinho diz-nos num dos seus sermões: “Seguindo o caminho da sua humanidade, chegarás à Divindade. Ele te conduz a Ele mesmo. Não procures por onde ir fora Dele. Se Ele não tivesse querido ser caminho, sempre andaríamos extraviados. Ele se fez, pois, caminho, por onde ir. Portanto não te direi: Busca o caminho. O caminho mesmo é quem vem a ti. Levanta-te e anda! Anda com a conduta, não com os pés. Muitos andam bem com os pés e mal com a conduta. E inclusive os que andam bem, mas fora do caminho. Correm, mas não pelo caminho, e quanto mais andam, mais se extraviam, pois se afastam mais do caminho…Sem dúvida, é preferível ir pelo caminho, embora mancando, do que ir fora do caminho” (Santo Agostinho, Comentário sobre o evangelho de São João).

 

Uma proposta

Jesus não quer ver os discípulos com corações perturbados, amedrontados, paralisados pelo medo. Jesus define um caminho e encoraja-os. “Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim” (Jo 14, 1). E porquê? Porque Jesus é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6).

- “Eu sou o caminho”. O problema de muitas pessoas é não viverem perdidos ou equivocados, mas viverem sem um caminho, perdidos numa espécie de labirinto, num túnel sem saída, num caminho feito ao sabor dos slogans e das modas. Para quem segue o caminho de Jesus encontra, por vezes, muitos problemas e dificuldades mas está no caminho certo pois Ele é o caminho que nos leva ao Pai. Essa é a promessa de Jesus!

- "Eu sou a verdade". Este é um convite escandaloso para os ouvidos modernos. Nem tudo se resume à razão. O desenvolvimento da ciência não contém toda a verdade. O mistério de Deus não é observável num telescópio ou num laboratório científico. Deus não se impõe. Revela-se pela sua atracção e verdade. Jesus é a verdade porque mostra o verdadeiro amor do Pai. 

- “Eu sou a vida”. Jesus transforma as nossas vidas. Faz-nos viver. A minha vida ganha outra amplitude. Ganha sabor de eternidade, de vida em abundância.

Senhor Jesus, queremos seguir fielmente o Teu caminho, proclamar a Tua verdade e fazer com que todos os nossos irmãos vivam em Ti.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus Pai, que de nós fez o seu povo,

e, pela mediação do seu Filho Jesus Cristo,

peçamos-Lhe todas as graças para a Igreja e para o mundo,

dizendo (ou: cantando), com alegria:

R. Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Senhor, venha a nós o vosso reino.

Ou: Abençoai, Senhor, o vosso povo.

 

1.     Pelos pastores e pelos fiéis da santa Igreja,

para que sigam a Jesus ressuscitado,

caminho para o Pai, verdade e vida,

oremos.

 

2.     Pelos que prestam algum serviço aos cidadãos,

para que o façam com espírito fraterno

e estejam atentos às carências dos mais pobres,

oremos.

 

3.     Pelos cristãos perturbados e abatidos,

para que creiam em Deus Pai e no seu Reino

e nas promessas de vida eterna do Evangelho,

oremos.

 

4.     Por aqueles que o mundo põe de parte,

as viúvas, os idosos e os que já não produzem,

para que se olhe para eles como pessoas,

oremos.

 

5.     Por todos nós e pelos outros paroquianos,

para que o Espírito nos torne pedras vivas

deste templo que é a santa Igreja,

oremos.

 

6.     Pelos governantes e responsáveis das nações

para que se inspirem nos gestos e palavras de Jesus

e promovam uma cultura de respeito e valorização da vida humana,

desde a sua concepção até à sua morte natural,

oremos.

 

 

Senhor, nosso Deus e nosso Pai, que em vosso Filho nos mostrastes o caminho

para chegarmos até Vós e em Vós vivermos,

dai-nos a graça de sermos pedras vivas

do templo santo que é a vossa Igreja.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O templo de Deus é santo – C. Silva, OC, pg 192

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que, pela admirável permuta de dons neste sacrifício, nos fazeis participar na comunhão convosco, único e sumo bem, concedei-nos que, conhecendo a vossa verdade, dêmos testemunho dela na prática das boas obras. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio (Jesus, caminho para o Pai) e oração eucarística V/C (Missal Romano pág. 1169 e seguintes)

 

Santo: A. Cartageno – COM, (pg 189)

 

Monição da Comunhão

 

“Quem Me vê, vê o Pai” (Jo 14, 9). Olha para Jesus, vê como Ele vive, como ama, como acolhe, como sobe à cruz, como se entrega totalmente por amor, por mim e por ti. Também por amor recebe-o na sagrada comunhão e isso bastará para descobrires que Ele é o caminho que nos conduz ao Pai, a verdade que nos liberta e a vida que nos enche de alegria. 

 

Cântico da Comunhão: Senhor, Vós sois o caminho – C. Silva, OC, pg 240

Jo 15, 1.5

Antífona da comunhão: Eu sou a videira e vós sois os ramos, diz o Senhor. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, dá fruto abundante. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Vós sois o caminho – J. Santos, NRMS, 42

 

Oração depois da comunhão: Protegei, Senhor, o vosso povo que saciastes nestes divinos mistérios e fazei-nos passar da antiga condição do pecado à vida nova da graça. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Só Jesus é o caminho, só Jesus é a verdade, só Jesus é a vida e só por Jesus chegamos ao Pai. Aqui está a missão da Igreja e de cada um de nós, pedras vivas: mostrar o caminho a quem não o tem, fazer regressar a quem se perdeu nos caminhos da vida, promover a vida e a dignidade humana e comunicar aos outros esta grande Boa Nova.

 

Cântico final: Louvai ao Senhor com tudo o que vive e respira – M. Simões, NRMS, 2 (I)

 

 

Homilias Feriais

 

5ª SEMANA

 

2ª Feira, 11-V: A Palavra de Deus e as suas moradas.

Act 14, 5-18 / Jo 14, 21-26

Quem me ama guardará as minhas palavras e meu Pai o amará; nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada.

O fim da nossa vida é a união perfeita com a Santíssima Trindade no Céu. Mas Jesus revela-nos até onde chega a 'loucura do amor de Deus': aqui na terra a Trindade vem habitar dentro de nós (EV), prenúncio da união definitiva.

Paulo e Barnabé pedem aos gentios que abandonem os ídolos e se voltem para o Deus vivo (LT). Os ídolos dos gentios são o ouro e a prata (SR). Quais são os nossos ídolos, que ocupam o lugar de Deus? Em Nossa Senhora encontramos aquela que Deus preparou para ser uma digna morada do seu Filho. Procuremos imitá-la.

 

3ª Feira, 12-V: A Palavra de Deus e a entrada no seu Reino.

Act 14, 19-28 / Jo 14, 27-31

Através de muitas tribulações é que temos de entrar no reino de Deus.

S. Paulo tinha acabado de ser apedrejado e deram-no como morto. Por isso, nos diz que é preciso sofrer muito para se entrar no reino dos Céus (LT). O vosso reino é eterno (SR). E o príncipe deste mundo, o demónio, serve-se destes sofrimentos para que desistamos.

Para ultrapassarmos os obstáculos precisamos recorrer a Jesus. A nossa vitória já foi alcançada, de uma vez para sempre, quando Jesus se entregou à morte para nos dar a vida. Recorramos à 'Cheia de graça', contra a qual o demónio nada pode, e também a S. Miguel Arcanjo para que nos defenda neste combate contra as maldades e ciladas do demónio.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Bruno Barbosa

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               Duarte Nuno Rocha

 

 

 

 


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