4º Domingo da Páscoa

DIa MUndial De oração pelas vocações

3 de Maio de 2020

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ressuscitou o Bom Pastor, J. Santos, NRMS 57

 

Antífona de entrada: A bondade do Senhor encheu a terra, a palavra do Senhor criou os céus. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Jesus Ressuscitado terminou, com a Ascensão gloriosa, a Sua presença visível na terra, mas antes prometeu-nos: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos

Ele está presente de muitos modos e continua a ensinar-nos o caminho do Céu e a administrar-nos o Sacramentos – fontes de graça – por meio dos Seus sacerdotes. Em cada um deles está presente para nos anunciar o Evangelho, perdoar os pecados e consagrar o pão e o vinho para Se nos dar na Sagrada Comunhão.

Hoje a Igreja inteira levanta as mãos e o olhar ao Céu, pedindo que muitos jovens se ofereçam ao Bom Pastor para serem Seus sacerdotes, instrumentos da Sua ação salvadora.

 

Acto penitencial

 

(Sugere-se a aspersão da assembleia com a água lustral, como é recomendado pela Liturgia do tempo pascal).

 

Ou:

 

Peçamos humildemente ao Senhor nos perdoe o desinteresse e indiferença pelos problemas da Igreja a que temos a felicidade de pertencer:

• A falta de oração pelas vocações sacerdotais, religiosas e missionárias, como se não dependesse também da nossa oração a generosidade dos jovens;

• A crítica pessimista e destrutiva das atividades da Igreja e, muito em especial, dos seus sacerdotes, em vez de rezarmos pela sua fidelidade;

• E talvez mesmo a deslealdade para com o Senhor, ao desviar algum jovem de se entregar ao Senhor no sacerdócio ministerial.

De tudo peçamos perdão e prometamos sinceramente emenda de vida. 

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, conduzi-nos à posse das alegrias celestes, para que o pequenino rebanho dos vossos fiéis chegue um dia à glória do reino onde já Se encontra o seu poderoso Pastor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Na manhã do Pentecostes, junto do Cenáculo, Pedro dirige-se à multidão que ali acorreu atraída pelos sinais que acompanharam a vinda do Espírito Santo sobre a Igreja em oração.

Anuncia-lhes que Jesus Cristo, rejeitado pelos que detinham o poder na Terra Santa, era o Bom Pastor esperado por muitas gerações.

 

Actos 2, 14a.36-41

No dia de Pentecostes, 14aPedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: 36«Saiba com absoluta certeza toda a casa de Israel que Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes». 37Ouvindo isto, sentiram todos o coração trespassado e perguntaram a Pedro e aos outros Apóstolos: «Que havemos de fazer, irmãos?» 38Pedro respondeu-lhes: «Convertei-vos e peça cada um de vós o Baptismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados. Recebereis então o dom do Espírito Santo, 39porque a promessa desse dom é para vós, para os vossos filhos e para quantos, de longe, ouvirem o apelo do Senhor nosso Deus». 40E com muitas outras palavras os persuadia e exortava, dizendo: «Salvai-vos desta geração perversa». 41Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o Baptismo, e naquele dia juntaram-se aos discípulos cerca de três mil pessoas.

 

Temos hoje a continuação da leitura do discurso de S. Pedro no dia do Pentecostes. E continuaremos em todos os domingos pascais a ter trechos dos Actos dos Apóstolos como 1ª leitura.

36 «Deus fez Senhor e Messias esse Jesus». É evidente que Jesus não é feito Senhor, isto é, Deus e Messias, só após a prova a que foi sujeito (a Sua Paixão e Morte), mediante a sua Ressurreição e glorificação. No plano divino, era a Ressurreição de Jesus que devia manifestar plenamente a sua condição e poder divinos e fazê-Lo entrar no gozo perfeito da glória que Lhe competia como Pessoa divina e Messias (cf. Lc 24,26). O verbo grego «epóiêsen» (fez) parece ser a tradução do verbo hebraico «xamó»: «colocou-O como».

38 «O Baptismo em nome de Jesus Cristo». É chamado assim, «em nome de Jesus», para o distinguir de outros baptismos correntes na época, como o de João e o dos prosélitos. Chama-se «de Jesus», não só por ter sido instituído por Jesus, mas também porque nos faz pertencer a Cristo, incorporando-nos n’Ele (cf. Rom 6,3; Gal 3,27). Esta expressão nada nos diz da fórmula ritual usada na administração do Sacramento, que seria a trinitária, como que consta de Mt 28,19, exigida para a validade.

«Recebereis o dom do Espírito Santo». Não se designam aqui os chamados «sete dons do Espírito Santo», mas sim o dom (que é) o Espírito Santo (trata-se de um «genitivo epexegético, ou de aposição», como lhe chamam os gramáticos). Não é fácil de saber se o texto se refere à recepção do Espírito Santo mediante o Baptismo, ou mediante a imposição das mãos no Sacramento da Confirmação (cf. Act 8,17; 19,6).

39 «Quantos de longe». É uma referência aos gentios (cf. Act 22,21; Ef 2,13).

 

Salmo Responsorial    Sl 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6

 

Monição: O salmo da meditação que o Espírito Santo, pela voz da Liturgia, nos convida a entoar, canta a bondade do Senhor que procede para connosco como o melhor dos Pastores.

Na verdade, Ele proporciona-nos na Igreja todos os meios para sermos felizes na terra e na eternidade.

 

Refrão:     O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

 

Ou:           Aleluia.

 

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários;

com óleo me perfumais a cabeça

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida,

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Pedro, na sua Primeira Carta às Igrejas apresenta-nos Jesus Cristo como o Bom Pastor que guarda, defende e conduz as Suas ovelhas e anima-nos a seguir o Bom Pastor.

Este seguimento concretiza-se, no ambiente em que se encontram os destinatários desta carta, a responder à injustiça com o amor, ao mal com o bem.

 

1 São Pedro 2, 20b-25

Caríssimos: 20bSe vós, fazendo o bem, suportais o sofrimento com paciência, isto é uma graça aos olhos de Deus. 21Para isto é que fostes chamados, porque Cristo sofreu também por vós, deixando-vos o exemplo, para que sigais os seus passos. 22Ele não cometeu pecado algum e na sua boca não se encontrou mentira. 23Insultado, não pagava com injúrias; maltratado, não respondia com ameaças; mas entregava-Se Àquele que julga com justiça. 24Ele suportou os nossos pecados no seu Corpo, no madeiro da cruz, a fim de que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça: pelas suas chagas fomos curados. 25Vós éreis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes para o pastor e guarda das vossas almas.

 

Os vv. 21b-25 formam um hino a Cristo, muito belo, com uma alusão final ao cumprimento da profecia do Servo de Yahwéh (4º canto: Is 52,13 – 53,12) e ao Bom Pastor (cf. Jo 10,11-16; 21,15-19); também se pode ver uma alusão a Ez 34,11-16, onde é o próprio Deus que vem apascentar as suas ovelhas dispersas (alusão em que se pode ver um deraxe cristológico, isto é, a aplicação a Jesus do que no A. T. se diz de Yahwéh).

Os conselhos que aqui temos são dirigidos particularmente aos escravos (cf. v. 18). Não sendo possível então acabar com uma ordem social injusta, como era a escravatura, Pedro não desiste de ajudar os escravos a santificarem-se na condição a que estão sujeitos, imitando a Cristo – seguindo os seus passos – sofredor e obediente até à morte: sendo inocente «sofreu por vós» (v. 21), suportou os nossos pecados… pelas suas chagas fomos curados» (v. 24). Portanto, se os que são escravos forem tratados de modo injusto, que se deixem de lamentações inúteis, mas suportem tudo como Jesus, que «Se entregava Àquele que julga com justiça», que «não pagava com injúrias» e «não respondia com ameaças» (v. 23). Esta exortação mantém actualidade para nós, hoje, já que é frequente ter de «suportar sofrimentos por fazer o bem» (v. 30). E «isto é uma graça aos olhos de Deus» (v. 20b).

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 10, 14

 

Monição: Também nós queremos conhecer cada vez melhor o Bom Pastor que o Pai nos enviou, Jesus Cristo, Redentor nosso.

Por isso, vamos acolher, com espírito atento e agradecido, o Evangelho que vai ser proclamado.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – Az. Oliveira, NRMS, 36

 

Eu sou o bom pastor, diz o Senhor:

conheço as minhas ovelhas e elas conhecem-Me.

 

 

Evangelho

 

São João 10, 1-10

Naquele tempo, disse Jesus: 1«Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas entra por outro lado, é ladrão e salteador. 2Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3O porteiro abre-lhe a porta e as ovelhas conhecem a sua voz. Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as para fora. 4Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem, caminha à sua frente e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz. 5Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos». 6Jesus apresentou-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que queria dizer. 7Jesus continuou: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas. 8Aqueles que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os escutaram. 9Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo: é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem. 10O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância».

 

No capítulo 10 de S. João podem ver-se duas parábolas, as únicas do IV Evangelho: a parábola do pastor e o ladrão (1-6) e a do pastor e o mercenário (11-13), ambas explicadas por Jesus. Neste ano, temos a primeira.

1-5 Para uma recta compreensão da parábola devem-se ter presentes os costumes pastoris da Palestina. Durante o dia, os rebanhos dispersavam-se pelas poucas pastagens daquelas zonas pobres. À noite, especialmente a partir da Primavera, eram recolhidos em recintos descobertos, rodeados de uma sebe ou pequeno muro. Nesta cerca, que faz de «aprisco», era frequente reunirem-se vários rebanhos, que ficavam a ser vigiados de noite por algum guarda pago, um «mercenário», ao passo que os pastores se albergavam em cabanas armadas nas proximidades. De manhã, cada pastor vinha à porta do recinto chamar as suas próprias ovelhas, que já lhe conheciam o grito habitual e que vão atrás dele para as pastagens. Quem não entrar pela porta, mas saltar o muro, não vem para apascentar o rebanho, mas é «ladrão e salteador», e «não vem senão para roubar, matar e destruir» (v. 10).

7-10 O sentido da parábola é claro e fica explicado pelo Senhor. Parte do dado de que o Povo de Deus é o rebanho de Yahwéh (Ez 34). Aqueles que, sem mandato divino, vieram antes de Jesus são «ladrões e salteadores» (v. 8), que cuidam só dos interesses próprios, são inimigos e rivais de Jesus, causando destruição no rebanho (v. 10), ao passo que Jesus, e só Ele, que veio para dar a vida em abundância (v. 10), é o autêntico Pastor. Jesus apresenta-se como a «Porta» do redil, a porta por onde as ovelhas têm de passar para chegar à salvação e ter a vida eterna, «a vida em abundância» (v. 10). No v. 7, de acordo com os vv. 1-2, Jesus aparece como a porta que dá acesso ao aprisco, a sua Igreja; assim Jesus indica que só são legítimos pastores, os que passam por Cristo, recebendo d’Ele o mandato; os demais pastores só trazem ruína ao rebanho.

 

Sugestões para a homilia

 

• Jesus, o Enviado do Pai

Jesus, o Messias prometido

Chama-nos à Aliança com Ele

Uma Família em crescimento

• Jesus Cristo, o Bom Pastor

Enviado pelo Pai

Em missão de Bom Pastor

Seguir o Bom Pastor

 

1. Jesus, o Enviado do Pai

 

a) Jesus, o Messias prometido. «No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: “Saiba com absoluta certeza toda a casa de Israel que Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes”.»

No Seu projeto de salvação da humanidade escravizada pelo pecado original ocupava o centro o envio de um Libertador – o Messias – e a constituição de uma família dos filhos de Deus –a Igreja – que se encontra, até ao fim do mundo, em três estádios: na terra, em purificação e na felicidade definitiva e eterna do Céu.

Este Redentor foi prometido aos Patriarcas e anunciado pelos Profetas do Antigo Testamento. Ele viria fundar um Reino imortal, inaugurando uma era de paz e prosperidade.

Quando Deus prometeu a Abraão que o tornaria pai de um povo mais numeroso que as estrelas do Céu, anunciava a Igreja de Jesus Cristo a que temos a felicidade de pertencer. Prometeu a David que o seu reino – a sua família real – não teria limites de tempo nem de fronteiras, estava a prometer-lhe que um dos seus descendentes – Jesus Cristo – reinaria para sempre na Sua Igreja.

No tempo em que Jesus nasceu havia uma grande expectativa em todo o mundo, e o poeta latino Virgílio anunciava o nascimento de um menino que inauguraria uma idade de ouro.

Depois do nascimento de Jesus em Belém, um Anjo anunciou aos Pastores a grande notícia: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor

Os Magos vieram de terras distantes para O adorar e oferecer-lhes presentes. Herodes pensou que se tratava de um rei temporal que o vinha substituir e tentou matá-l’O.

A esperança do Messias no povo judeu, entretanto, tinha-se deformado. Em vez de um libertador do pecado e de um reino espiritual, instrumento de salvação universal, começaram a sonhar com a restauração do prestígio de Israel no tempo do rei David e de seu filho Salomão. Mas um “pequeno resto” acalentava a esperança verdadeira. Assim o entendiam o santo velho Simeão e a profetiza Ana, filha de Fanuel.

Quando Jesus começou a vida pública e anunciou um reino espiritual no qual se entraria pelo Baptismo e para ele se exigia a conversão pessoal, as pessoas dividiram-se. A inveja e a falta de fé levou os israelitas a darem a morte ao Filho de Deus.

Pouco antes da Ascensão de Jesus ao Céu, os Apóstolos continuavam a sonhar com a restauração do reino temporal de Israel, e perguntavam a Jesus: “É agora que vais restaurar o reino de Israel?” Mas depois de terem recebido o Espírito Santo, entenderam o projeto de Jesus e entregaram-se a ele, até à morte.

 

b) Chama-nos à Aliança com Ele. «Pedro respondeu lhes: «Convertei-vos e peça cada um de vós o Baptismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados. Recebereis então o dom do Espírito Santo, porque a promessa desse dom é para vós, para os vossos filhos [...]”. »

Pedro anunciou às pessoas que acorreram junto do Cenáculo, na manhã do Pentecostes as duas condições para entrar neste Reino – a Igreja – fundada por Jesus e nele ser salvo:

A conversão pessoal. Concretiza-se em voltarmo-nos para o sentido contrário àquele em que estávamos. O pecado põe-nos de costas voltadas para Deus e de rosto e coração para o mal. A conversão concretiza-se quando fazemos o contrário disto mesmo.

Pode ter causas muitas diversificadas: o medo, o interesse, o amor... Deus não quer forçados no Seu Reino, mas enamorados. A conversão deve ter como motivo o amor.

A vida nova da graça, pelo Baptismo. Antes do Baptismo, é-nos pedida a conversão: renúncia a Satanás, às suas obras e às suas pompas; e entrega a Jesus Cristo, pela fé. Depois disso, ao mesmo tempo que somos lavados pela água do Baptismo da mancha original e dos pecados pessoais, se os tivermos, é infundida em nosso coração uma vida nova: a graça santificante que nos torna filhos de Deus.

Uma Aliança de Amor. Pelo Baptismo, aceitamos a Aliança que o Pai fez em Jesus, no Calvário, com toda a humanidade. Deus assume-nos como filhos Seus, com todas as consequências – alimenta-nos com os Sacramentos, ilumina-nos com a Sua Palavra, ampara-nos e acolhe-nos na sua Casa – o Céu – depois desta vida.

Além disso, ao tornarmo-nos filhos de Deus, entramos para a Sua Família que é a Igreja e tornamo-nos irmãos de Jesus, de todos os batizados e bem-aventurados do Céu e filhos de Maria Santíssima.

A vida dos dons, caminho de santidade. à semelhança do que acontece com a vida natural, esta vida sobrenatural que recebemos deve desenvolver-se até alcançar o seu estado adulto. Somos vocacionados para nos tornarmos imagens vivas de Jesus Cristo. Chama-se a isto santidade pessoal e, para a alcançarmos, foi-nos dado o Espírito Santo como dom de Deus.

Ele nos ajudará a descobrir o nosso lugar no mundo e na Igreja, isto é, a nossa vocação pessoal.

 

c) Uma Família em crescimento. «Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o Baptismo, e naquele dia juntaram se aos discípulos cerca de três mil pessoas

Ao sermos Batizados, começamos a fazer parte desta grande família dos filhos de Deus. A Igreja cresce à imagem e semelhança de uma família natural.

Ela não pára de crescer, desde que Jesus a fundou no Calvário e a manifestou ao mundo no dia do Pentecostes. Vai-se renovando com novas vidas, enquanto outras entram na felicidade definitiva do Céu.

Cada membro com a sua função. No corpo humano, cada um dos membros tem a sua função que não pode ser desempenhada com eficiência por outro. Mesmo os pés, as mãos, os olhos, as orelhas, os rins, que são em duplicado, fazem falta os dois membros.

Todos os membros do corpo estão ao serviço, não de si próprios, mas dos outros. Também na Igreja deve acontecer assim. O que está exclusivamente voltado para si e só quer ser servido e nunca servir, é um egoísta. 

Também numa família, como numa sociedade, cada um tem nela o seu papel, a sua missão. Um é o papel do pai, outro o da mãe, e os filhos, à medida que vão crescendo, assumem responsabilidades: primeiro nos estudos e na ajuda nas tarefas de casa e depois no emprego, no serviço cívico, etc.

Vivemos para servir. Se alguém vive exclusivamente voltado para si mesmo, para os seus interesses, é um doente que dá pelo nome de narcísico.

Na Igreja a que pertencemos todos estamos de serviço, cada qual com a sua função. Ninguém pode querer apenas ser servido, viver do trabalho e do esforço dos outros.

Há, nesta comunidade, diversos ministérios, à semelhança de uma família, e são todos instituídos para servir os outros. O próprio Jesus dizia: «Eu não vim para ser servido, mas para servir e dar a minha vida por muitos (todos).»

 

2. Jesus Cristo, o Bom Pastor

 

Jesus Cristo explica-nos, no Evangelho, a natureza da Sua missão, pela parábola do Bom Pastor.

 

a) Enviado pelo Pai. «Naquele tempo, disse Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas entra por outro lado, é ladrão e salteador. Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas

Para compreendermos a figura usada por Jesus de “entrar pela porta”, precisamos de ler e meditar o que Ele diz mais adiante: «Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo: é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem

Entrar pela porta – Jesus Cristo, comporta diversas exigências:

Ser chamado por Ele. Para perpetuar a sua ação de Bom Pastor da Sua Igreja – o rebanho que o Pai Lhe confiou –, no tempo e no espaço, Jesus constituiu a todo os cristãos pastores e ovelhas do seu rebanho. Todos os fiéis participam no tríplice múnus de Cristo – Sacerdote, Profeta e Rei – embora cada um deva exercê-los de acordo com a vocação recebida. Ninguém pode arrogar-se a missão de bom pastor do rebanho de Cristo sem ser chamado pelo único Bom Pastor.

De entre todos os fiéis, Jesus Cristo chama alguns para Lhe proporcionarem uma presença visível no meio do rebanho. S. João Paulo II gostava de dizer que o sacerdote “impersona” Cristo, dá-Lhe visibilidade, porque Lhe cede a sua voz, o rosto, as mãos, os pés, a inteligência e o coração.

É Ele quem escolhe estes colaboradores e entrega-os à Igreja para que os prepare o melhor possível nos seminários.

Viver na intimidade com Ele. O sacerdote não é um funcionário da Igreja, mas um amigo de Cristo. Jesus dizia aos Doze: «Já não vos chamo servos, mas amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de Meu Pai

Para caminhar na intimidade com o Mestre, o sacerdote precisa das orações de todos. Foi uma constante dos santos a compreensão da necessidade de rezar e ajudar os sacerdotes: Santa Catarina de Sena, Beata Alexandrina de Balasar e Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Imaculado Coração de Maria...

Conformar-se com as Suas intenções e vida. O sacerdote vive numa tensão constante de imitar o Mestre em cada passo da sua vida, mas vê-se constantemente a uma distância infinita deste ideal.

Estamos sempre à espera de ver no sacerdote uma imagem fiel de Jesus Cristo e ficamos desanimados e até escandalizados quando isto não acontece. A verdade é que haverá sempre uma distância infinita entre o homem e Deus.

Não lhe peçais perfeição, mas coerência, isto é, que faça um esforço sincero para ele mesmo pôr em prática aquilo que anuncia em nome de Jesus.

O dom do celibato apostólico para uma dedicação plena, não apenas de tempo, mas ainda de coração virginal, é uma riqueza da Igreja.

 

b) Em missão de Bom Pastor. «O porteiro abre-lhe a porta e as ovelhas conhecem a sua voz. Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva as para fora. Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem, caminha à sua frente e as ovelhas seguem no, porque conhecem a sua voz

Embora tenha praticamente desaparecido no nosso meio o trabalho do pastor, nós compreendemos o que Jesus nos quer dizer quando afirma que é o nosso Bom Pastor.

Ao chamar os sacerdotes a torná-l’O visível no mundo, a Jesus traça o perfil que eles hão-de apresentar.

Empenha-se na nossa salvação. É o porteiro que abre a porta e não a fecha, quer dizer: ajuda as pessoas a vencer as dúvidas, dificuldades e hesitações; anima-as a caminhar sempre em frente, pedindo a cada dia um pouco mais, um passo mais em frente, porque sabe que a meta é a santidade pessoal.

Fidelidade doutrinal.  Se o pastor não estiver em comunhão fiel com a doutrina da Igreja, não é bom pastor de Cristo, porque leva as ovelhas para precipícios.

As pessoas estão frequentemente à espera que o sacerdote faça descontos doutrinais – dando a comunhão aos recasados; condescendendo com as uniões de facto; administrando absolvições coletivas; condescendendo com a falta de observância da Lei de Deus.

Ele, porém, não pode fazer nada disso porque «o que se requer do administrador é que seja fiel», sem se deixar cair na tentação de fazer descontos doutrinais.

Caminha à frente do rebanho. Quer isto dizer que procura fazer um esforço generoso para viver aquilo mesmo que anuncia pela palavra.

•  Serve.  Encara a sua vida como um serviço a Jesus Cristo na pessoa nos seus irmãos. Algum que se deixasse cair na tentação de procurar o prestígio pessoal, o dinheiro ou qualquer outra banalidade, não estaria a servir, mas a servir-se.

São estes os pastores que devemos pedir ao Senhor para conduzirem o rebanho da Sua Igreja: homens que se identifiquem na palavra e na vida com o Divino Mestre e Bom Pastor.

Viver em missão. Faz parte do nosso ADN viver em missão, como anuncia o Santo Padre na Sua Mensagem para este dia. Viver em missão concretiza-se, sobretudo, em preocupar-se com os que ainda não se aproximaram ou se afastaram de Deus.

 

c) Seguir o Bom Pastor. «Ele suportou os nossos pecados no seu Corpo, no madeiro da cruz, a fim de que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça: pelas suas chagas fomos curados

Depois de nos ter dito que é o nosso Bom Pastor, Jesus Cristo convida-nos a segui-l’O com docilidade. Ao longo da Sua vida pública, ensina-nos como havemos de O seguir pelos caminhos da vida até ao Céu.

Morrer para o pecado. Este desejo concretiza-se na conversão pessoal, abandonando tudo o que ofende, leve ou gravemente, a Deus.

Em primeiro lugar, havemos de procurar a reconciliação com Deus no Sacramento da Reconciliação e Penitência. Nunca Lhe agradeceremos suficientemente o ter-nos deixado este meio admirável de voltar à vida da graça.

E mesmo quando não cometemos pecados graves, recebemos, por este Sacramento, inúmeras graças que nos ajudam a seguir com fidelidade o Bom Pastor.

Viver para a justiça (santidade). No sentido bíblico, justiça é o mesmo que santidade. Quando, por exemplo, o Evangelho nos diz que José eram um homem justo, significa que era um homem santo, porque a justiça é o conjunto de todas as virtudes.

Para seguir com fidelidade o Bom Pastor no dia a dia, não nos podemos limitar a evitar o pecado mortal, mas havemos de procurar parecer-nos o mais possível com Ele, nas palavras, obras e atitudes.

Segui-l’O na doutrina e na vida. A fidelidade doutrinal é muito importante para a nossa orientação. Quem não conhece a doutrina cristã, continuamente aplicada às diversas circunstâncias da sua vida, não sabe como há-de cumprir a vontade de Deus. A doutrina nunca muda, mas as circunstâncias em que deve ser aplicada estão sempre a mudar. Precisamos que a Igreja, pelos seus pastores, nos diga como havemos de proceder.

Amá-l’O. A Vida Eterna no Paraíso será uma comunhão com a Santíssima Trindade e com todos os bem aventurados, na Verdade e no Amor. Temos necessidade de exercitar e crescer neste amor, durante a vida na terra. À semelhança do que acontece com o matrimónio, que é preparado por um tempo de namoro, o fiel deve crescer no amor de Deus e dos irmãos na vida da terra, preparando a comunhão eterna no Céu.

O Bom Pastor convoca-nos em cada Domingo para estar especialmente connosco e nos preparar para a felicidade eterna do Céu. Que Nossa Senhora nos ensine e ajude a alcançá-lo.

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO

PARA O 57º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

3 de maio de 2020 - IV Domingo da Páscoa

«As palavras da vocação»

 

A 4 de agosto do ano passado, no 160º aniversário da morte do Santo Cura d'Ars, quis dedicar uma Carta aos sacerdotes, que todos os dias, obedecendo à chamada que o Senhor lhes dirigiu, gastam a vida ao serviço do Povo de Deus.

Então escolhi quatro palavras-chave – tribulação, gratidão, coragem e louvor – para agradecer aos sacerdotes e apoiar o seu ministério. Acho que, neste 57º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, poder-se-iam retomar aquelas palavras e dirigi-las a todo o Povo de Deus, tendo como pano de fundo o texto evangélico que nos conta a experiência singular que sobreveio a Jesus e a Pedro durante uma noite de tempestade no lago de Tiberíades (cf. Mt 14, 22-33).

Depois da multiplicação dos pães, que entusiasmou a multidão, Jesus manda os discípulos subir para o barco e seguir à sua frente para a outra margem, enquanto Ele despedia o povo. A imagem desta travessia do lago sugere de algum modo a viagem da nossa existência. De facto, o barco da nossa vida avança lentamente, sempre preocupado à procura dum local afortunado de atracagem, pronto a desafiar os riscos e as conjunturas do mar, mas desejoso também de receber do timoneiro a orientação que o coloque finalmente na rota certa. Às vezes, porém, é possível perder-se, deixar-se cegar pelas ilusões em vez de seguir o farol luminoso que o conduz ao porto seguro, ou ser desafiado pelos ventos contrários das dificuldades, dúvidas e medos.

Assim acontece também no coração dos discípulos, que, chamados a seguir o Mestre de Nazaré, têm de se decidir a passar à outra margem, optando corajosamente por abandonar as próprias seguranças e seguir os passos do Senhor. Esta aventura não é tranquila: cai a noite, sopra o vento contrário, o barco é sacudido pelas ondas, e há o risco de sobrepor-se o medo de falhar e não estar à altura da vocação.

Mas, na aventura desta travessia não fácil, o Evangelho diz-nos que não estamos sozinhos. Quase forçando a aurora no coração da noite, o Senhor caminha sobre as águas tumultuosas e vai ter com os discípulos, convida Pedro a vir ao encontro d’Ele sobre as ondas e salva-o quando o vê afundar; finalmente, sobe para o barco e faz cessar o vento.

Assim, a primeira palavra da vocação é gratidão. Navegar pela rota certa não é uma tarefa confiada só aos nossos esforços, nem depende apenas dos percursos que escolhemos fazer. A realização de nós mesmos e dos nossos projetos de vida não é o resultado matemático do que decidimos dentro do nosso «eu» isolado; pelo contrário, trata-se, antes de mais nada, da resposta a uma chamada que nos chega do Alto. É o Senhor que nos indica a margem para onde ir e, ainda antes disso, dá-nos a coragem de subir para o barco; e Ele, ao mesmo tempo que nos chama, faz-Se também nosso timoneiro para nos acompanhar, mostrar a direção, impedir de encalhar nas rochas da indecisão e tornar-nos capazes até de caminhar sobre as águas tumultuosas.

Toda a vocação nasce daquele olhar amoroso com que o Senhor veio ao nosso encontro, talvez mesmo quando o nosso barco estava em balia da tempestade. «Mais do que uma escolha nossa, a vocação é resposta a uma chamada gratuita do Senhor» (Carta aos Presbíteros, 4/VIII/2019); por isso conseguiremos descobri-la e abraçá-la, quando o nosso coração se abrir à gratidão e souber individuar a passagem de Deus pela nossa vida.

Quando os discípulos veem aproximar-Se Jesus caminhando sobre as águas, começam por pensar que se trata dum fantasma e assustam-se. Mas, Jesus imediatamente os tranquiliza com uma palavra que deve acompanhar sempre a nossa vida e o nosso caminho vocacional: «Coragem! Sou Eu! Não temais!» (Mt 14, 27). Esta é precisamente a segunda palavra que gostaria de vos deixar: coragem.

Frequentemente aquilo que nos impede de caminhar, crescer, escolher a estrada que o Senhor traça para nós são os fantasmas que pululam nos nossos corações. Quando somos chamados a deixar a nossa margem segura para abraçar um estado de vida – como o matrimónio, o sacerdócio ordenado, a vida consagrada – muitas vezes a primeira reação é constituída pelo «fantasma da incredulidade»: não é possível que esta vocação seja para mim; trata-se verdadeiramente da estrada certa? Precisamente a mim é que o Senhor pede isto?

E pouco a pouco avolumam-se em nós todas aquelas considerações, justificações e cálculos que nos fazem perder o ímpeto, confundem-nos e deixam-nos paralisados na margem de embarque: julgamos ter sido um erro, não estar à altura, ter simplesmente visto um fantasma que se deve afugentar.

O Senhor sabe que uma opção fundamental de vida – como casar-se ou consagrar-se de forma especial ao seu serviço – exige coragem. Ele conhece os interrogativos, as dúvidas e as dificuldades que agitam o barco do nosso coração e, por isso, nos tranquiliza: «Não tenhas medo! Eu estou contigo». A fé na presença d’Ele que vem ao nosso encontro e nos acompanha mesmo quando o mar está revolto, liberta-nos daquela acédia que podemos definir uma «tristeza adocicada» (Carta aos Presbíteros, 4/VIII/2019), isto é, aquele desânimo interior que nos bloqueia impedindo-nos de saborear a beleza da vocação.

Na Carta aos Presbíteros, falei também da tribulação, que aqui gostaria de especificar concretamente como fadiga. Toda a vocação requer empenhamento. O Senhor chama-nos, porque nos quer tornar, como Pedro, capazes de «caminhar sobre as águas», isto é, pegar na nossa vida para a colocar ao serviço do Evangelho, nas formas concretas que Ele nos indica cada dia e, de modo especial, nas diferentes formas de vocação laical, presbiteral e de vida consagrada. À semelhança do Apóstolo, porém, sentimos desejo e ardor e, ao mesmo tempo, vemo-nos assinalados por fragilidades e temores.

Se nos deixarmos arrastar pelo pensamento das responsabilidades que nos esperam – na vida matrimonial ou no ministério sacerdotal – ou das adversidades que surgirão, bem depressa desviaremos o olhar de Jesus e, como Pedro, arriscamo-nos a afundar. Pelo contrário a fé permite-nos, apesar das nossas fragilidades e limitações, caminhar ao encontro do Senhor Ressuscitado e vencer as próprias tempestades. Pois Ele estende-nos a mão, quando, por cansaço ou medo, corremos o risco de afundar e dá-nos o ardor necessário para viver a nossa vocação com alegria e entusiasmo.

Por fim, quando Jesus sobe para o barco, cessa o vento e aplacam-se as ondas. É uma bela imagem daquilo que o Senhor realiza na nossa vida e nos tumultos da história, especialmente quando estamos a braços com a tempestade: Ele ordena aos ventos contrários que se calem, e então as forças do mal, do medo, da resignação deixam de ter poder sobre nós.

Na vocação específica que somos chamados a viver, estes ventos podem debilitar-nos. Penso em quantos assumem funções importantes na sociedade civil, nos esposos, que intencionalmente me apraz definir «os corajosos», e de modo especial penso nas pessoas que abraçam a vida consagrada e o sacerdócio. Conheço a vossa fadiga, as solidões que às vezes tornam pesado o coração, o risco da monotonia que pouco a pouco apaga o fogo ardente da vocação, o fardo da incerteza e da precariedade dos nossos tempos, o medo do futuro. Coragem, não tenhais medo! Jesus está ao nosso lado e, se O reconhecermos como único Senhor da nossa vida, Ele estende-nos a mão e agarra-nos para nos salvar.

E então a nossa vida, mesmo no meio das ondas, abre-se ao louvor. Esta é a última palavra da vocação, e pretende ser também o convite a cultivar a atitude interior de Maria Santíssima: agradecida pelo olhar que Deus pousou sobre Ela, superando na fé medos e perturbações, abraçando com coragem a vocação, Ela fez da sua vida um cântico eterno de louvor ao Senhor.

Caríssimos, especialmente neste Dia de Oração pelas Vocações, mas também na ação pastoral ordinária das nossas comunidades, desejo que a Igreja percorra este caminho ao serviço das vocações, abrindo brechas no coração de todos os fiéis, para que cada um possa descobrir com gratidão a chamada que Deus lhe dirige, encontrar a coragem de dizer «sim», vencer a fadiga com a fé em Cristo e finalmente, como um cântico de louvor, oferecer a própria vida por Deus, pelos irmãos e pelo mundo inteiro. Que a Virgem Maria nos acompanhe e interceda por nós.

Papa Francisco, Roma, São João de Latrão, no II Domingo da Quaresma, 8 de março de 2020

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs a caminho da felicidade eterna:

Neste domingo mundial de oração pelas vocações,

peçamos a Jesus Cristo, o nosso Bom Pastor,

que nos faça escutar a Sua voz, que nos chama

a segui-l’O, servindo a Igreja pela nossa vocação.

 Oremos (cantando), com alegria:

 

    Senhor, dai-nos muitos e santos sacerdotes.

 

1. Pelo Santo Padre, Bispos, Presbíteros e demais Pastores da Igreja,

    para que imitem Jesus Cristo, Bom Pastor, no amor pelas ovelhas,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, dai-nos muitos e santos sacerdotes.

 

2. Pelos cristãos perseguidos, por causa da sua fidelidade a Cristo,

    para que o Espírito Santo os encha de fortaleza, de paz e alegria,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, dai-nos muitos e santos sacerdotes.

 

3. Pelas famílias cristãs do mundo inteiro, com filhos ainda jovens,

    para que fomentem neles a escuta e resposta à chamada de Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, dai-nos muitos e santos sacerdotes.

 

4. Pelos catequistas e demais educadores da fé das crianças e jovens,

    para que saibam apresentar-lhes a formosura da vocação sacerdotal,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, dai-nos muitos e santos sacerdotes.

 

5. Pelos Seminários diocesanos do mundo inteiro e seus educadores,

    para que formem os Padres de que a Igreja precisa em nossos dias,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, dai-nos muitos e santos sacerdotes.

 

6. Pelos sacerdotes que Deus chamou à Vida Eterna durante este ano,

    para que, pela Sua misericórdia, os receba hoje na alegria do paraíso,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, dai-nos muitos e santos sacerdotes.

 

Senhor Jesus Cristo, Bom Pastor de todos os homens,

que nos alegrais com a solenidade da vossa Ressurreição,

ouvi as preces do povo que celebra os santos mistérios

e concedei aos que Vos imploram, os bens que desejam.

Vós que sois Deus, com o Pai, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O bom Pastor cuida de cada um de nós uma dedicação e um carinho divinos. Alimentou a nossa fé com a Sua Palavra e vai agora preparar a Mesa da Eucaristia, pelo ministério do sacerdote, para nos alimentar com o Seu Corpo e Sangue.

 

Saudação da Paz

 

A paz verdadeira é um dom que Jesus Cristo dava aos Apóstolos, quando lhes aparecia, depois de ressuscitado.

Desejemos esta mesma paz a todas as pessoas das nossas relações, de algum modo representadas pelos que estão ao nosso lado.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Cântico do ofertório: A Messe é Grande – C. Silva, NRMS, 94

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, que em todo o tempo possamos alegrar-nos com estes mistérios pascais, de modo que o acto sempre renovado da nossa redenção seja para nós causa de alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal: p. 469[602-714] ou 470-473

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

A Sagrada Comunhão, na qual recebemos verdadeiramente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, sob as aparências do pão, é o Alimento divino que o Bom Pastor nos dá, para que não nos faltem as forças, nesta caminhada para o Céu.

Se estamos, de verdade, preparados para comungar, observando as exigências do Senhor que a Igreja nos ensina, façamo-lo com fé viva, reverência profunda e amor ardente.

 

Cântico da Comunhão: O Eterno é meu Pastor – M. Faria, CT

 

Antífona da comunhão: Ressuscitou o Bom Pastor, que deu a vida pelas suas ovelhas e Se entregou à morte pelo seu rebanho. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Louvai, louvai o Senhor – J. F. Silva, NRMS, 85

 

Oração depois da comunhão: Deus, nosso Bom Pastor, olhai benignamente para o vosso rebanho e conduzi às pastagens eternas as ovelhas que remistes com o precioso Sangue do vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Levemos coração, para a vida desta semana, o ensinamento de Jesus, neste Domingo do Bom Pastor: «A messe – o mundo a evangelizar pela Igreja – é grande, mas os operários são poucos. Rogai, pois, ao dono da Messe que envie operários para a sua messe

 

Cântico final: Povos batei palmas – CS, NRMS, 48

 

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira, 4-V: A Palavra de Deus sobre o Bom Pastor.

Act 11, 1-18 / Jo 10, 11-18

Disse Jesus: Eu sou o Bom Pastor. O bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas.

Jesus é o bom Pastor que, por amor do Pai, dá a vida pelas suas ovelhas. O Pai ama-me porque eu dou a minha vida (EV).

Jesus pede a Pedro que prossiga a sua missão (LT). E confirmou este encargo, depois da sua Ressurreição: Apascenta as minhas ovelhas. E Pedro foi o único a quem confiou explicitamente as chaves do reino dos Céus. Mandai, Senhor, a vossa luz e a vossa verdade; sejam elas o guia (SR) para o Papa. Peçamos a Nossa Senhora, Mãe da Igreja, que confie abundantes graças a todos os bons Pastores.

 

3ª Feira, 5-V: A Palavra de Deus e a sociedade.

Act 11, 19-26 / Jo 10, 22-30

A mão do Senhor estava com eles e foi grande o número dos que abraçaram a fé e se converteram ao Senhor.

Depois de Jerusalém passaram a Antioquia, onde os discípulos se começaram a chamar cristãos (LT). Naquele tempo deu-se uma rápida expansão da Igreja e assim há-de continuar. Contamos sempre com a ajuda do Senhor. Dou-lhes a vida eterna; jamais hão-de perecer. E ninguém os há-de arrebatar da minha mão (EV).

Como eles, também nós temos que levar a Boa Nova a todas as pessoas e ambientes da sociedade. O Senhor marcará no livro dos povos: Estes são meus filhos (SR). As aparições de Nª Senhora têm contribuído muito para melhorar o ambiente de tantos países.

 

4ª Feira, 6-V: A Palavra de Deus e a actuação da Igreja.

Act 12, 24- 13, 5 / Jo 12, 44-50

Então, depois de terem jejuado e orado, impuseram-lhe as mãos e deixaram-nos partir.

A Igreja sempre se apoiou nestes dois pilares: a oração e a penitência (LT), imprescindíveis para ao seu crescimento. O Senhor nos dê a sua bênção, chegue o seu temor aos confins da terra (SR).

Cada um de nós há-de descobrir a presença do Senhor na oração; receberemos luz para que desapareçam as trevas da nossa vida e possamos compreender o significado dos acontecimentos (EV). Assim aconteceu com Nª Senhora, que meditava no seu coração todos os acontecimentos. E, na sua presença na Cruz, recebeu-nos a todos como filhos.

 

5ª Feira, 7-V: A Palavra de Deus e a evangelização.

Act 13, 13-25 / Jo 13, 16-20

Quem receber aquele que eu enviar é a mim que recebe; e, quem me receber, recebe aquele que me enviou.

Jesus é enviado pelo Pai. A seguir escolhe os Apóstolos. A partir de então são os seus enviados. Neles, Jesus continua a sua missão (EV). Assim actuaram S. Paulo e os seus companheiros, ao falar ao povo na sinagoga, resumindo a história da salvação (LT). E a todos nos compete: Cantarei eternamente a bondade do Senhor (SR).

Peçamos a Deus que suscite em nós esta urgência da evangelização, para contrariar o paganismo reinante. Peçamos Nª Senhora, Rainha dos Apóstolos, por esta expansão. E à Rainha da Família, para a defender de tantos ataques demolidores.

 

6ª Feira. 8-V: A Palavra de Deus e a casa do Pai.

Act 13, 26-33 / Jo 14, 1-6

Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar?

A Boa Nova apresenta uma extraordinária novidade: há uma morada no Céu para os filhos de Deus (EV).  Tu és meu filho, Eu hoje te gerei (SR). S. Paulo refere que esta mensagem de salvação está apoiada na morte e ressurreição de Cristo (LT).

Só com as nossas forças não conseguiríamos chegar à casa do Pai, isto é, à vida eterna. Mas Cristo é para nós um sinal de esperança. Ninguém vai ao Pai senão por mim (EV). E conduz-no até ao Pai, porque Ele é Caminho, Verdade e Vida (EV). Nós chegamos a Jesus por Maria, que é conhecida também como Porta do Céu, para chegarmos ao Pai.

 

Sábado, 9-V: A Palavra de Deus e a vida no seio da Trindade.

Act 13, 44-52 / Jo 14, 7-14

Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta.

É importante esta revelação do que se passa na vida da Santíssima Trindade. Acreditai-me: Eu estou no Pai e o Pai em mim (EV). Deste modo, as palavras, os actos, a maneira de ser, dão a conhecer o Pai.

Outra revelação da vontade do Pai é o desejo de que todos se salvem, incluídos os pagãos. Assim nos ensinou o Senhor: Fiz de ti luz das nações, para levares a salvação até aos confins da terra (LT). Aclamai o Senhor, terra inteira, exultai de alegria e cantai (SR). Jesus deu-nos a sua Mãe por nossa Mãe, participando na obra da salvação.

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               Duarte Nuno Rocha

 

 

 


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