Páscoa da Ressurreição do Senhor

 

Missa do Dia

12 de Abril de 2020

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor ressuscitou verdadeiramente – M. Faria, NRMS, 25

Salmo 138, 18.5-6

Antífona de entrada: Ressuscitei e estou convosco para sempre; pusestes sobre mim a vossa mão: é admirável a vossa sabedoria.

Ou:

Lc 24, 34; cf. Ap 1, 5

O Senhor ressuscitou verdadeiramente. Aleluia. Glória e louvor a Cristo para sempre. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Cristo vive. E quer-te vivo. Contempla Jesus feliz, transbordante de júbilo. Ele é o Eterno Vivente. Em Cristo, morto e ressuscitado, abriu-se para ti o porto da misericórdia e da paz. Ele é a âncora da tua esperança. O teu porto seguro. A vida em abundância.

E agora, irmãos, vamos aspergir sobre nós a água batismal. Que este rito reavive em nós a graça do Batismo por meio do qual participamos na morte redentora de Cristo a fim de ressuscitar com Ele para a vida nova. Esta água nos leve a participar na alegria dos nossos irmãos batizados na Páscoa de Cristo.

 

Rito da aspersão da água benta

 

Cântico: Vós que fostes batizados em Cristo, estais revestidos da Luz. Aleluia, Aleluia...

 

P. (cf. Missal, pág. 1365): Deus omnipotente nos purifique do pecado e, pela participação na Eucaristia, nos torne dignos de participar da mesa do Reino.

R. Amen.

 

Oração colecta: Senhor Deus do universo, que neste dia, pelo vosso Filho Unigénito, vencedor da morte, nos abristes as portas da eternidade, concedei-nos que, celebrando a solenidade da ressurreição de Cristo, renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos para a luz da vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A leitura dos Actos apresenta o exemplo de Cristo que “passou pelo mundo fazendo o bem” e que, por amor, Se deu até à morte; por isso, Deus ressuscitou-O. Os discípulos, testemunhas desta dinâmica, devem anunciar este “caminho” a todos os homens.

 

Actos dos Apóstolos 10, 34a.37-43

 

Naqueles dias, 34aPedro tomou a palavra e disse: 37«Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: 38Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com Ele. 39Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez no país dos judeus e em Jerusalém; e eles mataram-n’O, suspendendo-O na cruz. 40Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se, 41não a todo o povo, mas às testemunhas de antemão designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos. 42Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. 43É d’Ele que todos os profetas dão o seguinte testemunho: quem acredita n’Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados».

 

O texto faz parte do corpo do discurso de Pedro em Cesareia na casa do centurião Cornélio, o qual tinha mandado chamar Pedro a Jope, ilustrado por uma visão (cf. Act 10,1-33). Este discurso tem um carácter mais catequético e apologético do que propriamente missionário, como seria de esperar num primeiro anúncio da fé a um gentio (embora se tratasse dum «temente a Deus»: v. 2). Lucas redige este discurso a pensar mais nos leitores da sua obra, do que com a preocupação de reconstruir exactamente a cena originária e as mesmas palavras pronunciadas naquela circunstância; com efeito, começa por fazer referência ao Evangelho já antes pregado aos ouvintes: «vós sabeis o que aconteceu…», e também parece que dá por suposta a fé no valor salvífico da Cruz (cf. v. 39b) e não termina, como seria de esperar, com um apelo explícito à conversão. Assim, Lucas nos deixou mais uma bela síntese do que era o Evangelho pregado pela Igreja primitiva.

38 «Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus». Esta tradução litúrgica desfez a hendíadis tão própria da estilística hebraica (ungiu de Espírito Santo e de fortaleza), recorrendo, por motivo de clareza, a uma equivalência dinâmica, (a força que é o Espírito Santo). Deus (o Pai) concedeu à natureza humana de Jesus todos os dons do Espírito Santo, que Lhe competiam a partir do momento da Incarnação; estes dons manifestam-se visivelmente nos milagres de Jesus, nas teofanias do Baptismo e da Transfiguração e muito particularmente na Ressurreição. A unção era o rito que constituía os reis e os sacerdotes na sua função; assim, a união hipostática em Jesus aparece como uma unção da natureza humana de Jesus, «que passou fazendo o bem e curando a todos» (maravilho­so resumo da vida de Jesus, bem ao sabor do Evangelista da bondade).

41 «Não a todo o povo». Jesus não se mostra a todos depois de ressuscitado, não só para não violentar a liberdade das pessoas, mas também porque está nos planos divinos conduzir o mundo à salvação mediante o ministério dos seus discípulos (testemunhas de antemão designadas por Deus) e mediante a fé, que é meritória (cf. Rom 1,16-17). Note-se o acento que se põe no testemunho acerca da Ressurreição; não estamos apenas perante uns simples pregadores (cf. v. 42a) duma mensagem salvadora, mas diante de verdadeiras testemunhas (cf. v. 42b), que dão testemunho – o verbo grego tem um matiz forense – capaz de fazer fé em tribunal. A ideia de testemunho é fortemente acentuada neste breve texto, não só por ser repetida quatro vezes (vv. 39.41.42.43), mas também por se tratar de testemunhas escolhidas por Deus para esta missão (v. 41), que conviveram com o Ressuscitado, comendo e bebendo com Ele, o que exclui logo à partida a hipótese de se tratar de mera fantasia (Lucas mostra especial sensibilidade a este problema: cf. Lc 24,37-43).

 

Salmo Responsorial    Sl 117 (118), 1-2.16ab-17.22-23 (R. 24)

 

Monição: Chegou o dia tão esperado, o dia da nossa salvação. Exultemos e cantemos com toda a alegria!

 

Refrão:     Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria.

Ou:           Aleluia.

 

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,

porque é eterna a sua misericórdia.

Diga a casa de Israel:

é eterna a sua misericórdia.

 

A mão do Senhor fez prodígios,

a mão do Senhor foi magnífica.

Não morrerei, mas hei-de viver

para anunciar as obras do Senhor.

 

A pedra que os construtores rejeitaram

tornou-se pedra angular.

Tudo isto veio do Senhor:

é admirável aos nossos olhos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: São Paulo convida os cristãos, revestidos de Cristo pelo batismo, a continuarem a sua caminhada de vida nova até à transformação plena.

 

Colossenses 3, 1-4  (de manhã)

 

Irmãos: 1Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus. 2Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. 3Porque vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. 4Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar, também vós vos haveis de manifestar com Ele na glória.

 

Com estas palavras é introduzida a parte final da Carta, uma série de exortações morais para que os fiéis tenham um modo de viver coerente com a fé cristã. A sua conduta moral é uma consequência natural da profunda união com Cristo ressuscitado produzida pelo Baptismo recebido.

1 «Aspirai às coisas do alto» corresponde ao mesmo incitamento que, na Santa Missa, a Igreja sempre nos repete: Sursum corda! Corações ao alto!

3-4 «Vós morrestes». A nossa união a Cristo pressupõe a morte para o pecado, que não pode reinar mais em nós (cf. Rom 6). Com Cristo morto pelos nossos pecados, morremos para o pecado; com Cristo ressuscitado, vivemos vida de ressuscitados. É a «vida» da graça, uma vida toda interior, «escondida» no centro da alma, vida que ninguém nos pode arrebatar, vida que é toda feita de presença de Deus e de visão sobrenatural, levando-nos a santificar todos os afazeres diários, trabalhando com os pés bem firmes na terra, mas o coração e o olhar fixos no Céu.

 

Em vez da leitura anterior pode ler-se a seguinte:

 

1 Coríntios 5, 6b-8  (de tarde)

 

Irmãos: 6bNão sabeis que um pouco de fermento leveda toda a massa? 7Purificai-vos do velho fermento, para serdes uma nova massa, visto que sois pães ázimos. Cristo, o nosso cordeiro pascal, foi imolado. 8Celebremos a festa, não com fermento velho nem com fermento de malícia, mas com os pães ázimos da pureza e da verdade.

 

Parece haver aqui (v. 6b) uma referência ao incestuoso de que acaba de falar (vv. 1-5); um mau exemplo é um mau fermento. Mas S. Paulo faz imediatamente uma aplicação mais vasta da ideia de mau fermento, e isto talvez pela proximidade da festa da Páscoa, que já então, pelo ano 55, os cristãos celebravam em Corinto como festa da Ressurreição do Senhor, segundo o que se lê no v. 8: «celebremos pois a festa». Na exortação do Apóstolo há uma alusão ao costume judaico, que ainda hoje se conserva, de limpar escrupulosamente as casas de todo o fermento e pão fermentado durante os sete dias que duravam as festas pascais. Nós os cristãos, para celebrarmos a Páscoa – «Cristo, nosso Cordeiro pascal» (v. 7) –, temos que o fazer sem o fermento (o princípio corruptor) da malícia e da perversidade, mas «com os pães ázimos da pureza e da verdade», isto é, da sinceridade de vida. Poderia haver, nesta referência a Cristo como «Cordeiro imolado», uma alusão à própria celebração da Eucaristia.

 

Sequência

 

À Vítima pascal

ofereçam os cristãos

sacrifícios de louvor.

 

O Cordeiro resgatou as ovelhas:

Cristo, o Inocente,

reconciliou com o Pai os pecadores.

 

A morte e a vida

travaram um admirável combate:

Depois de morto,

vive e reina o Autor da vida.

 

Diz-nos, Maria:

Que viste no caminho?

Vi o sepulcro de Cristo vivo

e a glória do Ressuscitado.

 

Vi as testemunhas dos Anjos,

vi o sudário e a mortalha.

Ressuscitou Cristo, minha esperança:

precederá os seus discípulos na Galileia.

 

Sabemos e acreditamos:

Cristo ressuscitou dos mortos:

Ó Rei vitorioso,

tende piedade de nós.

 

Aclamação ao Evangelho        1 Cor 5, 7b-8a

 

Monição: O Evangelho coloca-nos diante de duas atitudes face à ressurreição: a do discípulo obstinado que se recusa a aceitá-la e a do discípulo ideal, que ama Jesus e que não se espanta que da cruz tenha nascido a vida plena, a vida verdadeira.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – J. F. Silva, NRMS,46

 

Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado:

celebremos a festa do Senhor.

 

 

Evangelho

 

São João 20, 1-9 (de manhã)

 

1No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. 2Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predilecto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». 3Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. 4Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. 5Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. 6Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão 7e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. 8Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. 9Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

 

Nenhum dos quatro Evangelhos narra o facto da Ressurreição de Jesus, pois não foi presenciado por testemunhas; era um facto sobrenatural que, de si mesmo, escapava à experiência humana. E isto só vem dar credibilidade ao facto da Ressurreição, pois, se se tratasse duma ficção, era de esperar que se dessem os seus pormenores. S. João começa com a verificação do túmulo vazio feita pela Madalena, mas vão ser os dois discípulos, que vão fazer o reconhecimento do local e que verificam indícios eloquentes, aptos para levarem à fé na Ressurreição de Jesus.

2 «Não sabemos…». Este plural parece aludir à tradição sinóptica que conhece a ida de mais mulheres ao sepulcro. É evidente que não houve a mínima preocupação de harmonizar os diferentes relatos evangélicos do sepulcro vazio e das aparições, o que é um forte motivo de credibilidade a favor da realidade da ressurreição, facto misterioso, que é a base de toda a fé cristã (cf. 1Cor 15,12-19).

7-8 «Viu e acreditou». Porque começou a crer o discípulo? A explicação habitual é que um ladrão não deixaria ficar os panos, e muito menos em ordem. Mas há mais dados a ter em conta: porque é que o Evangelista atribui tanta importância à diferente posição dos panos? É que as ligaduras e o lençol estavam espalmados no chão da pedra tumular, ao passo que o pano que envolvera a cabeça do Senhor não estava espalmado no chão, mas mantinha a forma da cabeça que envolvera (cf. a nossa tradução na Nova Bíblia da Difusora Bíblica). Não sabemos se Pedro partilhou da fé do Discípulo Amado, mas S. Lucas diz que ficou maravilhado (cf. Lc 24,12). Os panos com que Jesus foi amortalhado eram com toda a probabilidade: 1) um lençol mortuário (síndone), tecido largo e comprido que envolvia todo o corpo; 2) um lenço (sudário) que cobria a cabeça e caia sobre o rosto (e ajudaria a manter a boca fechada); 3) várias ligaduras que não só serviam para manter apertados os pés um contra o outro e as mãos unidas ao corpo, mas também que poderiam ajudar a aconchegar a«síndone» síndone ao corpo. S. João não fala especificamente desta síndone,«síndone» mas deve englobá-la na designação genérica de «ligaduras» (em grego, othónia).

9 «Ainda não tinham entendido a Escritura». Os discípulos não estavam psicologicamente predispostos a admitir a Ressurreição, para que esta pudesse ser fruto de uma alucinação; com efeito, só depois de confrontados com a realidade da ressurreição de Jesus é que se recordaram das Escrituras (cf. 1Cor 15,4; Act 2,24-32; Jo 2,22) e as entenderam. A ressurreição era uma realidade só admissível para o fim do mundo (cf. Jo 11,24), pois, apesar de Jesus ter anunciado a sua ressurreição ao terceiro dia, este só poderia ser o dia final, de acordo com a profecia de Oseias (Os 6,2). Diante do sepulcro vazio, só pensam num roubo (vv. 2.13.15) e não dão crédito a quaisquer notícias das aparições (cf. Mc 6,11.13; Lc 24,21-24; Jo 20,25).

 

Em vez deste Evangelho, pode ler-se o que se leu na Vigília da Noite Santa.

 

Nas missas vespertinas pode ler-se o Evangelho de Lc 24, 13-35.

 

São Lucas 24, 13-35   (de tarde)

 

13Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. 14Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. 15Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. 16Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. 17Ele perguntou-lhes: «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?» Pararam, com ar muito triste, 18e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias». 19E Ele perguntou: «Que foi?» Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; 20e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. 21Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. 22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, 23não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. 24Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: 25«Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! 26Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?» 27Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. 28Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de seguir para diante. 29Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. 30E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. 31Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. 32Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» 33Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, 34que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». 35E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.

 

Temos aqui uma das mais belas páginas do Evangelho: um relato cheio de vivacidade, de finura e de psicologia, em que acompanhamos o erguer daquelas almas desde a mais amarga frustração até às alturas da fé e da descoberta de Jesus ressuscitado. A crítica bíblica procura distinguir neste relato os elementos de tradição e os elementos redaccionais. Podem identificar-se muitos elementos de tradição neste relato, mas não dispomos de meios para classificar como meramente redaccionais todos os restantes, pois não são do nosso conhecimento todas as fontes de que Lucas dispôs; a própria crítica admite «fontes especiais» para a redacção de Lucas. Um facto indiscutível é que Lucas é um teólogo e um catequista, não é um jornalista e não se limita a contar a seco umas aparições; não temos, porém, elementos suficientes para definir em que medida reelaborou as suas fontes.

13 «Emaús»: uma povoação a 60 estádios (duas léguas), uns 11 quilómetros e meio de Jerusalém. Há duas leituras variantes nos manuscritos gregos do Evangelho de Lucas: a maior parte deles regista 60 estádios; outros, de grande valor, têm 160 (o que equivale a uns 32 Km, leitura mais difícil e por isso a mais credível). Também não existe completo acordo sobre a sua localização, sendo indicados vários locais na tradição cristã, sendo as mais venerados Al-Qubeibeh, a uns 12 Km a Noroeste da Cidade Santa e Nicópolis (a árabe Amuás, correspondente aos 160 estádios), a visitada por Bento XVI; a caminho deste local ainda temos Abu-Ghosh (a 12 Km) com a abadia beneditina, o santuário de Nossa Senhora Arca da Aliança e Saxum Visitor Center.

16 «Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem». Não é que não vissem a Jesus, ou que Jesus se quisesse ocultar, mas eles é que estavam obcecados pelo seu extremo desalento. E fica-nos a lição: para que se possa reconhecer a Jesus ressuscitado é indispensável o olhar da fé.

18 «Cléofas» parece ser diferente do marido de Maria, mãe de Tiago e José (Jo 19,25); embora alguns o identifiquem, a grafia é diferente: Klôpás; em Al-Qubeibeh venere-se o seu túmulo.

22-24 «É verdade que algumas mulheres… Alguns dos nossos». Aqui se resume o que foi relatado antes com mais pormenor (Lc 23,56b – 24,9) e correspondente à tradição sinóptica e joanina. Certamente que «os nossos» são «Pedro e o outro discípulo» (certamente João, cf. v. 12 e Jo 20,1-10). «Mas a Ele não O viram»: se este não é um pormenor meramente redaccional, temos que admitir que ainda não lhes constava da aparição de Jesus a Pedro, referida adiante, no v. 34; (cf. 1Cor 15,5).

28-30 «Jesus fez menção de seguir para diante». Lucas volta a aludir ao «caminho de Jesus» (no v. 15 já tinha usado o mesmo verbo grego que significa caminhar). R. J. Dillon (From eye-witnesses to ministers of the word) pensa que este pormenor lucano insinua que a presença de Jesus no meio dos seus através da Eucaristia – a fracção do pão do v. 30 – constitui o momento cume do seu caminhar pelo caminho da salvação. Enternece o leitor ver como Jesus ressuscitado se torna o companheiro de caminho (recorde-se como Lucas gosta de focar a vida cristã como um caminho e um seguimento de Jesus); Jesus, depois de se fazer encontrado, agora faz-se rogado. Isto mesmo nos sucede muitas vezes na vida cristã. Ele vem ao nosso encontro sem O procurarmos e, outras vezes, quer dar-nos o ensejo de O convidarmos a ficar connosco e de praticarmos a caridade com os outros, que são Ele (cf. Mt 25,40). Mas aqui o convite feito a Jesus não é um simples acto de caridade e de cortesia. Com efeito, parece que a narrativa nos leva a pensar que quem faz este pedido é toda a comunidade cristã, que se reúne para celebrar a Eucaristia e anseia estabelecer uma comunhão íntima com Jesus ressuscitado (ibid.). Todos estão de acordo em ver a estreita relação da refeição descrita com a multiplicação dos pães e a instituição da Eucaristia.

31 «Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no, mas Ele desapareceu da sua presença». É na Eucaristia que se abrem os olhos para a fé, para captar o que é invisível, mas real.  Impressiona muito o relato ao unir o aparecimento com o desaparecimento, sem se dizer para onde é que Jesus se retirou. Desta maneira fica sugerida uma nova presença, a de Jesus glorioso e ressuscitado: uma ausência que é presença.

32 «Não ardia cá dentro o nosso coração?». Quando lemos a Escritura guiados por Jesus, presente na Igreja, inflama-se o nosso coração e sentimo-nos urgidos a mostrar aos que nos rodeiam, com as nossas vidas, pela palavra e pelo exemplo, que Cristo vive, que a Ressurreição é uma realidade. O episódio constitui um apelo a fazermos o mesmo papel do Ressuscitado junto dos desiludidos da vida e sem esperança e a comunicar-lhes a nossa experiência de fé. No relato também se põe em evidência a união do pão e da palavra na vida da Igreja.

 

Sugestões para a homilia

 

Jesus ressuscitado transforma a vida dos discípulos

 

1 Tudo é silêncio na terra, imobilidade, calma, enquanto uma mulher, sozinha e assustada, anda na escuridão da noite. Mas de repente tudo muda. Observemos o que acontece quando Maria encontra o sepulcro vazio: a cena muda como que por encanto. Sacudidos por um repentino frémito de vida, todos os personagens despertam do seu torpor e começam a movimentar-se com rapidez: «Maria de Magdala correu então e foi ter com Simão Pedro... Pedro partiu com o outro discípulo... Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa...» (v. 2-4). Surpreendendo a todos, no dia depois do sábado, a vida explode novamente com toda a sua força. Deus interveio e escancarou o sepulcro.

Também hoje, no mundo há regiões e situações em que a morte domina de maneira absoluta e o silêncio comemora a sua vitória. O poder, o princípio da força, a discriminação, a injustiça, o fermento da astúcia parecem por vezes esmagar definitivamente as forças da vida, e o homem sente-se como que retraído e inerte diante do triunfo do mal.

Todavia, o desânimo, a acomodação diante dos sinais da vitória da morte, serão compatíveis com a fé na ressurreição de Cristo?

 

2. Ainda na manhã da Páscoa, Deus manifesta o primeiro sinal da revolução social que a ressurreição de Cristo pode operar: na sociedade hebraica, a mulher pertencia à categoria das pessoas discriminadas. Como os escravos, as crianças, os pastores, a mulher não era considerada testemunha idónea. Pois bem, Deus escolhe precisamente uma mulher para proclamar ao mundo o primeiro anúncio de que a morte fora vencida.

 

3. Após esta explosão de vida, eis que entram em cena dois discípulos, Um deles é bem conhecido: Pedro; o outro não tem nome. É opinião geral de que se trata do evangelista João. Esta identificação, porém, aconteceu muito mais tarde, aproximadamente cem anos após a morte do apóstolo. Pode ser que ele tenha sido «o discípulo que Jesus amava», mas este personagem tem certamente um significado simbólico que é importante analisar.

Este discípulo sem nome aparece desde o início do Evangelho de João e está sempre relacionado de algum modo com Pedro. Acompanha Cristo antes de Pedro (1, 35-40); sabe distinguir quem está do lado de Jesus e quem está contra, enquanto Pedro não consegue fazer esta distinção (13, 23-26); permanece com o Mestre durante a Paixão, enquanto Pedro fica parado e O nega (18, 15-27); acompanha Jesus até ao Calvário; Pedro, ao contrário, foge (19, 25-27).

Em seguida, encontramos a passagem de hoje, na qual Pedro é novamente vencido, quer na corrida material, quer na espiritual: o discípulo que Jesus amava «começa a acreditar», enquanto ele, embora vendo as mesmas coisas, se limita a constatar e não chega ainda à fé na Ressurreição (20, 3-10). É este o momento culminante do caminho deste discípulo sem nome. Diante dos sinais da morte (o túmulo, os lençóis, o sudário...), ele percebe a vitória da vida.

No mar de Tiberíades, é mais uma vez este discípulo quem reconhece no homem, que Se encontra à beira-mar, o Ressuscitado, enquanto Pedro só mais tarde O reconhece (21, 7). Por fim, quando é convidado por Jesus a segui-l'O, Pedro não tem a coragem de fazê-lo sozinho, sente a necessidade de ter ao seu lado «o discípulo que Jesus amava» (21,20-25).

Quem representa ele então? Porque é que não tem nome? O motivo é simples: para que cada um de nós possa colocar o seu próprio nome e possa compreender o que deve fazer para ser como Jesus quer.

 

4. O comportamento dos dois discípulos diante do sepulcro vazio repete-se ainda hoje. Há quem pense que a doação da própria vida é somente morte, renúncia, destruição de si mesmo. Outros, ao contrário, compreendem que uma vida consagrada aos irmãos, como fez Jesus, não termina com a morte, mas abre-se para a plenitude da vida em Deus.

Como se posiciona cada um de nós diante da escolha do dom da vida? Sabemos interpretar somente os sinais da morte (como Pedro), ou descobrimos os sinais da redenção (como o discípulo que Jesus amava)?

 

5. A ação mais palpável da ressurreição de Jesus foi sua capacidade de transformar o interior dos discípulos. Os seus corações estavam feridos. Na hora da verdade, todos eram dignos de reprovação: ninguém percebeu corretamente a proposta do Mestre. E se todos eram dignos de reprovação, todos estavam necessitados de perdão. Tornar a dar coesão ao grupo dos discípulos, dar-lhes coesão no perdão mútuo, na solidariedade, na fraternidade e na igualdade, era humanamente impossível. Só a presença e a força interior do ressuscitado tornou tudo isso possível.

Só quando os discípulos desta primeira comunidade sentiram interiormente esta presença transformadora de Jesus, e quando a comunicaram, é que realmente experimentaram a sua ressurreição.

A imprevista e intempestiva novidade do Ressuscitado arranca desde as raízes as falsas seguranças e deixa que toda a comunidade encare a missão com uma força e uma dignidade até este momento desconhecidas.

 

Fala o Santo Padre

 

«Tu pedrinha, tens um sentido na vida porque és uma pedrinha junto daquela pedra – Jesus – ,

a pedra que a malvadez do pecado descartou, mas que é fonte de vida ».

 

Hoje a Igreja repete, canta, clama: «Jesus ressuscitou!». Mas como? Pedro, João, as mulheres foram ao Sepulcro e viram-no vazio, Ele já não estava lá. Voltaram com o coração apertado pela tristeza, a tristeza de uma derrota: o Mestre, o seu Mestre, que amavam muito tinha sido executado, morreu. E da morte não se volta. Esta é a derrota, este é o caminho da derrota, a via para o sepulcro. Mas o Anjo disse-lhes: «Não está aqui, ressuscitou».

Foi o primeiro anúncio: «Ressuscitou». E depois a confusão, o coração apertado, as aparições. Mas os discípulos permanecem fechados o dia inteiro no Cenáculo, porque tinham medo que acontecesse a eles o mesmo que aconteceu a Jesus. E a Igreja não cessa de dizer às nossas derrotas, aos nossos corações fechados e temerosos: «Parem, o Senhor ressuscitou». Mas se o Senhor ressuscitou, como existem essas situações? Tantas desgraças, doenças, tráfico de pessoas, guerras, destruições, mutilações, vinganças, ódio? Mas onde está o Senhor?

Ontem telefonei a um jovem que sofre de uma doença grave, um rapaz culto, engenheiro, e falando, para dar um sinal de fé, disse-lhe: «Não há explicações para o que te acontece. Olha para Jesus na Cruz, Deus fez isto com o seu Filho, e não há outra explicação». E ele respondeu-me: «Sim, mas Ele perguntou ao Filho, o qual disse sim. A mim não perguntou se eu queria». Isto comove-nos, não pergunta a nenhum de nós: «Mas estás contente com o que acontece no mundo? Estás disposto a carregar esta cruz?». E a cruz vai em frente, e a fé em Jesus diminui. Hoje a Igreja continua a dizer: «Para, Jesus ressuscitou». Isto não é imaginação, a Ressurreição de Cristo não é uma festa com muitas flores. É bonito, mas não é só isto, é mais: é o mistério da pedra descartada que acaba por ser o fundamento da nossa existência. Cristo ressuscitou, eis o que significa.

Nesta cultura do descartável na qual o que não serve é usado e deitado fora, o que não serve é descartado, aquela pedra — Jesus — foi descartada e é fonte de vida. E também nós, pedrinhas pelo chão, nesta terra de dor, de tragédias, com a fé no Cristo Ressuscitado ganhamos um sentido no meio de tanta calamidade. O sentido de olhar para além, o sentido de dizer: «Olha não há muros mas horizontes, há vida, alegria, a cruz com esta ambivalência. Olha para a frente, não te feches. Que nos diz a Igreja hoje diante de tantas tragédias? Isto, simplesmente. A pedra descartada não resulta deveras descartada. As pedrinhas que acreditam e se apegam àquela pedra não são descartadas, ganham um sentido e com este sentimento a Igreja repete do fundo do coração: «Cristo ressuscitou».

Pensemos um pouco, cada um pense, nos problemas diários, nas doenças que vivemos ou que um dos nossos parentes sofre; pensemos nas guerras, nas tragédias humanas e, simplesmente, com voz humilde, sem flores, sozinhos, diante de Deus, diante de nós, digamos: «Não sei como vai isto, mas estou certo de que Cristo ressuscitou e aposto nisto». Irmãos e irmãs, era o que desejava dizer-vos. Voltai para casa hoje, repetindo no coração: «Cristo ressuscitou». 

Papa Francisco, Homilia, Praça São Pedro, 16 de abril de 2017

 

Credo

 

P. Irmãos caríssimos: pelo mistério pascal fomos sepultados com Cristo no Batismo, para vivermos com Ele uma vida nova. Por isso, tal como o fizemos na noite de Páscoa, renovemos as nossas promessas batismais, pelas quais todos renunciámos outrora a Satanás e às suas obras e prometemos servir fielmente a Deus na Santa Igreja Católica. Façamo-lo, cantando.

 

P. Renunciais ao pecado, para viverdes na liberdade dos filhos de Deus?

R. Sim, renuncio.

 

P. Renunciais às seduções do mal, para que o pecado não vos escravize?

R. Sim, renuncio.

 

P. Renunciais a Satanás, que é o autor do mal e o pai da mentira?

R. Sim, renuncio.

 

P. Credes em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra?

R. Sim, creio.

 

P. Credes em Jesus Cristo, Seu único Filho, Nosso Senhor, que nasceu da Virgem Maria, padeceu e foi sepultado, ressuscitou dos mortos e está sentado à direita do Pai?

R. Sim, creio.

 

P. Credes no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na ressurreição e na vida eterna?

R. Sim, creio.

 

P. Deus todo-poderoso, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos fez renascer pela água e pelo Espírito Santo e nos perdoou todos os pecados, nos guarde com a Sua graça, em Jesus Cristo, Nosso Senhor, para a vida eterna.

R. Amen.

 

 

Oração Universal

 

P. Irmãs e irmãos: “Cristo, nossa esperança, está vivo e é a mais formosa juventude deste mundo. Tudo aquilo que Ele toca faz-se novo, enche-se de vida” (CV 1). A Cristo, que vive e nos quer vivos, confiemos a nossa oração unânime, dizendo:

 

R. Cristo ressuscitado, sede a nossa vida!

 

1.     Pela Santa Igreja: para que não se centre em si mesma,

mas irradie a vida nova, que brota da ressurreição de Cristo,

tornando-se a verdadeira juventude do mundo recriado. Invoquemos. 

 

2.     Pelos que governam:

para que promovam o cuidado pela nossa Casa comum,

colaborando na Páscoa da Criação, na esperança de um novo céu

e de uma nova terra. Invoquemos.

 

3.     Pelos que que se sentem envelhecidos pela tristeza,

pelos rancores, pelos medos, pelas dúvidas e pelos fracassos:

para que confiem o leme das suas vidas a Cristo, o Eterno Vivente,

e n’Ele encontrem a força e a esperança. Invoquemos.

 

4.     Por todos nós: para que,

no meio das situações obscuras e dolorosas da vida e da morte,

nos agarremos à corda da esperança,

que tem a sua âncora na rejeitada pedra angular, que é Cristo,

morto e ressuscitado. Invoquemos.

 

P. Senhor nosso Deus, que em Cristo, morto e ressuscitado, nos abristes o porto da misericórdia e da paz, concedei-nos a graça de atravessarmos todas as formas de morte e de violência, que nos espreitam no caminho, agarrados a Ele, o Eterno Vivente, que a todos oferece uma saída para a vida, na sua plenitude. Nós Vo-lo pedimos, pelo mesmo Jesus Cristo, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Nasceu o Sol da Páscoa – M. Luís, NRMS, 21

 

Oração sobre as oblatas: Exultando de alegria pascal, nós Vos oferecemos, Senhor, este sacrifício, no qual tão admiravelmente renasce e se alimenta a vossa Igreja. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal I [mas com maior solenidade neste dia]: p. 469 [602-714]

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios.

Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: C. Silva - OC (pg 537)

 

Monição da Comunhão

 

Páscoa! Mergulhada no coração da nossa fé! Mergulhada nas fontes do nosso Batismo! Hoje, a Ressurreição de Cristo é para nós algo mais que um vago sentimento, é a alegre notícia que nos faz testemunhar: “Cristo está vivo! Nós encontrámo-l’O!”. Ele está aqui nesta Eucaristia e no Seu corpo que vamos comungar!

 

Cântico da Comunhão: O hino da alegria – M. Faria, NRMS, 21

1 Cor 5, 7-8

Antífona da comunhão: Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado: celebremos a festa com o pão ázimo da pureza e da verdade. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Neste dia que o Senhor fez – B. Salgado, NRMS, 2 (I)

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, protegei sempre com paternal bondade a vossa Igreja, para que, renovada pelos mistérios pascais, mereça chegar à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A Páscoa, que celebrámos intensamente, neste tríduo pascal, prolonga-se agora, por 50 dias. Vivamo-los, reanimando a nossa esperança. Vamos receber a bênção, à qual responderemos em três momentos diferentes “Ámen». Depois, a nossa resposta, à despedida tem o entusiasmo próprio da Páscoa que celebramos. Diremos “Graças a Deus. Aleluia. Aleluia”. Inclinai-vos, agora, para a Bênção:

 

Inclinai-vos, agora, para a bênção solene.

 

Bênção

 

Cântico final: Louvai ao Senhor – M. Simões, NRMS, 2 (I)

 

 

Na despedida, durante toda a Oitava, diz-se:

 

P. Ide em paz e o Senhor vos acompanhe. Aleluia. Aleluia.

 

R. Graças a Deus. Aleluia. Aleluia.

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO PASCAL

 

OITAVA DA PÁSCOA

 

2ª Feira, 13-IV: A Palavra e Deus e a nossa alegria.

Act 2, 14. 22-32 / Mt 28, 8-15

Mas, como David era profeta, viu de antemão e anunciou a ressurreição do Messias.

No dia de Pentecostes, Pedro recorda no seu discurso a profecia de David acerca da ressurreição do Messias (LT). As santas mulheres foram as primeiras a encontrar-se com o Ressuscitado, e também as primeiras mensageiras da Ressurreição, junto dos Apóstolos (EV).

Jesus ressuscitado é a causa da nossa alegria, porque venceu o pecado e a morte. Por isso, o meu coração se alegra e a minha alma exulta (SR). Se alguma vez, estamos desanimados, procuremos rapidamente a sua companhia. E, como as santas mulheres, demos testemunho da nossa alegria a todos os que nos rodeiam.

 

3ª Feira, 14-IV: A Palavra de Deus e a conversão.

Act 2, 36-41 / Jo 20, 11-18

Jesus: Mulher por que estás a chorar?

No dia de Pentecostes, Pedro comove os seus ouvintes, ao falar da paixão de Cristo. Todos sentiram o seu coração despedaçar-se (LT). Maria de Magdala chora intensamente junto ao túmulo de Jesus (EV). E recomeça, depois do encontro com Jesus ressuscitado. A bondade do Senhor encheu a terra (SR).

É Deus quem dá a coragem para recomeçar. O nosso coração, abatido pelo desânimo e pelo peso do pecado, descobre a misericórdia de Deus. E converte-se, olhando para aquele que os nossos pecados trespassaram, como aconteceu com os ouvintes de Pedro.

 

4ª Feira, 15-IV: A palavra de Deus e a fortaleza.

Act 3, 1-10 / Lc 24, 13-35

Pedro: Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho vou dar-to.  Em nome de Jesus de Nazaré, anda!

Pedro cura um coxo, dando-lhe a força de Deus, e ele começa a andar de novo (LT). Jesus encontra dois discípulos e dá-lhes o alimento da palavra de Deus e o pão eucarístico (EV). Eles recomeçam de novo, cheios de fogo do amor de Deus, a sua vida junto ao Senhor. Considerai o Senhor e o seu poder (SR).

Já sabemos onde encontrar forças para andar de novo pelos caminhos de Deus. É preciso rezar muito, e aproveitar as graças que recebemos pela participação na Eucaristia: o Pão e a Palavra são indispensáveis para ultrapassarmos os desânimos.

 

5ª Feira, 16-IV: A Palavra de Deus e a sua paz.

Act 3, 11-26 / Lc 24, 35-46

E disse-lhes: Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e ressuscitar dos mortos.

Pedro, para explicar, a cura do coxo, fala da morte e ressurreição de Cristo, e diz que foi enviado para nos abençoar (LT). Neste caso para dar a bênção da paz. Jesus aparece aos discípulos e deseja-lhes a paz (EV). Que é o homem para dele vos ocupardes? (SR).

A paz é um dos grandes dons do Ressuscitado. A paz terrena é imagem e fruto da paz de Cristo. Jesus reconciliou os homens consigo, através do sangue derramado na Cruz. Na Missa repetimos. Dou-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não como a dá o mundo. Não esqueçamos de difundir esta paz no ambiente familiar, no convívio com os outros.

 

6ª Feira, 17-IV: A Palavra de Deus e o seu Nome.

Act 4, 1-12 / Jo 21, 1-14

Pelo nome de Jesus Cristo de Nazaré é que este homem se encontra na vossa presença, perfeitamente são.

Pedro explica aos chefes do povo, aos anciãos e aos escribas, o milagre do coxo. Em nome de Jesus Cristo (LT). A pesca milagrosa também foi feita no mesmo nome (EV). Pedro lança as redes conforme o Senhor lhe pediu. Bendito o que vem em nome do Senhor (SR).

Uma vez que foi muito fecunda a influência do cristianismo na Europa, devemos continuar a pedir que, em nome do Senhor, se plasme uma mentalidade cristã na vida corrente: na família, na Escola, na comunicação social, no mundo da cultura, do trabalho, da economia, da política, nos tempos livres. na saúde e na doença (João Paulo II).

 

Sábado, 18-IV: A Palavra de Deus e o seu mandato.

 Act 4, 13-21 / Mt 16, 9-15

Ide a todo o mundo e proclamai a Boa Nova a todas as criaturas.

O milagre da cura do coxo preocupa as autoridades, de modo que proíbem os Apóstolos de falarem (LT). Mas estes, seguindo o mandato de Cristo (EV), não podem deixar de dizer o que viram e escutaram. Hei-de viver para anunciar as obras do Senhor (SR).

A despedida no fim da missa é um mandato que nos há-de levar a transmitir aos outros o que o Senhor nos disse na celebração e o que lemos no Evangelho. Actuemos como os Apóstolos, e os primeiros cristãos, apesar das proibições actuais: deixem as vossas convicções para dentro da igreja, não imponham os vossos valores num estado laico, etc.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   Nuno Westwood

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais:           Nuno Romão

Sugestão Musical:        José Carlos Azevedo

 


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