Quinta-Feira Santa

9 de Abril de 2020

 

Missa Vespertina da Ceia do Senhor

 

Segundo uma antiquíssima tradição da Igreja, são proibidas neste dia todas as Missas sem participação do povo.

De tarde, à hora mais conveniente, celebra-se a Missa da Ceia do Senhor, com plena participação de toda a comunidade local; nela, todos os sacerdotes e ministros exercem o seu ofício próprio.

Os sacerdotes que tiverem concelebrado na Missa crismal, ou tiverem celebrado para utilidade dos fiéis, podem novamente concelebrar nesta Missa vespertina.

Onde o exigir o interesse pastoral, o Ordinário do lugar pode permitir a celebração de outra Missa nas igrejas, oratórios públicos ou semipúblicos nas horas vespertinas e, em casos de verdadeira necessidade, até da parte da manhã, mas só para os fiéis que de nenhum modo podem tomar parte na Missa vespertina. Deve evitar-se, no entanto, que tais celebrações se façam em proveito de pessoas particulares ou possam prejudicar a Missa vespertina principal.

A sagrada comunhão só pode ser distribuída aos fiéis dentro da Missa. Aos doentes, porém, pode levar-se a comunhão a qualquer hora do dia.

O sacrário deve estar completamente vazio. Para a comunhão do clero e dos fiéis, consagre-se nesta Missa pão suficiente para hoje e amanhã.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Toda a nossa glória está na Cruz – S. Marques, NRMS, 61

cf. Gal 6, 14

Antífona de entrada: Toda a nossa glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. N'Ele está a nossa salvação, vida e ressurreição. Por Ele fomos salvos e livres.

 

Diz-se o Glória. Enquanto se canta este hino, tocam-se os sinos, que não voltarão a tocar-se até à Vigília Pascal, a não ser que a Conferência Episcopal ou o Ordinário do lugar julguem oportuno estabelecer outra coisa.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia da Missa vespertina da Ceia do Senhor introduz-nos no Tríduo Pascal. Quinta-feira Santa é o dia do amor de Jesus Cristo levado «até ao extremo.» (Jo 13, 1), É o dia da instituição da Eucaristia e do sacerdócio. No Cenáculo, os Apóstolos aceitaram o convite de Jesus: «Tomai e comei. Tomai e bebei.» Foi a primeira comunhão sacramental com Ele. Desde então e até ao fim dos séculos, a Igreja edifica-se através da comunhão sacramental com o Filho de Deus, imolado por nós: “Todas as vezes que comerdes deste Pão e beberdes deste cálice, fazei-o em minha memória.» (1 Cor 11, 24-25)

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que nos reunistes para celebrar a Ceia santíssima em que o vosso Filho Unigénito, antes de Se entregar à morte, confiou à Igreja o sacrifício da nova e eterna aliança, fazei que recebamos, neste sagrado banquete do Seu amor, a plenitude da caridade e da vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: «Quando comerdes o Cordeiro, tereis os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. Comereis a toda a pressa. É a Páscoa do Senhor.” Ex 12, 1-8.11-14

Jesus é o verdadeiro Cordeiro pascal que, na sua Paixão, realiza a verdadeira e definitiva libertação do povo de Deus. A Eucaristia é o memorial da sua Paixão; A Páscoa antiga encontra a consumação perfeita na Nova Páscoa. O povo da Antiga Aliança celebrava a ceia pascal em memória da sua passagem da escravidão do Egipto para a Terra Prometida. Agora, o povo da Nova Aliança celebra a Eucaristia em memória da Morte e da Ressurreição de Jesus.

 

Êxodo 12, 1-8.11-14

 

1Naqueles dias, o Senhor disse a Moisés e a Aarão na terra do Egipto: 2«Este mês será para vós o princípio dos meses; fareis dele o primeiro mês do ano. 3Falai a toda a comunidade de Israel e dizei-lhe: No dia dez deste mês, procure cada qual um cordeiro por família, uma rês por cada casa. 4Se a família for pequena demais para comer um cordeiro, junte-se ao vizinho mais próximo, segundo o número de pessoas, tendo em conta o que cada um pode comer. 5Tomareis um animal sem defeito, macho e de um ano de idade. Podeis escolher um cordeiro ou um cabrito. 6Deveis conservá-lo até ao dia catorze desse mês. Então, toda a assembleia da comunidade de Israel o imolará ao cair da tarde. 7Recolherão depois o seu sangue, que será espalhado nos dois umbrais e na padieira da porta das casas em que o comerem. 8E comerão a carne nessa mesma noite; comê-la-ão assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. 11Quando o comerdes, tereis os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. Comereis a toda a pressa: é a Páscoa do Senhor. 12Nessa mesma noite, passarei pela terra do Egipto e hei-de ferir de morte, na terra do Egipto, todos os primogénitos, desde os homens até aos animais. Assim exercerei a minha justiça contra os deuses do Egipto, Eu, o Senhor. 13O sangue será para vós um sinal, nas casas em que estiverdes: ao ver o sangue, passarei adiante e não sereis atingidos pelo flagelo exterminador, quando Eu ferir a terra do Egipto. 14Esse dia será para vós uma data memorável, que haveis de celebrar com uma festa em honra do Senhor. Festejá-lo-eis de geração em geração, como instituição perpétua».

 

Temos aqui, num texto de tipo catequético-litúrgico, a promulgação da lei da Páscoa judaica como «instituição perpétua», a ser festejada por todas as gerações (v. 14). Na origem desta festa da «Páscoa» – dum étimo semítico: salto festivo – parece estar uma antiga festa de pastores nómadas, própria da Primavera, a época em que nascem os cordeiros; então sacrificavam um cordeiro recém-nascido e com o seu sangue faziam ritos a implorar protecção e a fecundidade. Também pela época da Primavera parece que havia outra festa, a dos «Ázimos», com o sentido de novidade e rotura com o passado (o fermento). As duas festas vieram a fundir-se numa só. A Torá terá assumido estas duas festas, dando-lhes o novo e profundo significado que neste texto legal fica bem assinalado, para celebrar a libertação do Egipto.

A ceia pascal é celebrada na noite de 14 para 15 do mês de Nisan (Março/Abril), a noite da lua cheia que se seguia ao equinócio da primavera, pois o 1° dia do mês era o 1º dia da lua nova; então se comiam os pães ázimos, isto é, sem fermento (do grego a-zymê, em hebraico, os matsôth) durante os sete dias da festa, de 15 a 21 de Nisan. O cordeiro imolado recordava aquele outro cordeiro com cujo sangue os israelitas marcaram as suas portas para que o «o flagelo exterminador» ali não atingisse ninguém. A própria palavra «Páscoa», com uma etimologia muito discutida, pode provir do étimo psh, que significa saltar, passar por cima de, prestando-se a significar o flagelo mortal que passou ao largo das casas dos israelitas (cf. Ex 12,27) na região de Guéssen ou Góxen. Neste texto a palavra é entendida como a passagem do Senhor, a fim de libertar o seu povo. O pão sem fermento lembrava a pressa com que os israelitas saíram do Egipto, tendo de levar consigo a massa do pão antes de ter fermentado (Ex 12,34.39).

No entanto, a celebração da Páscoa não era para os israelitas uma mera recordação agradecida da libertação duma escravidão passada, mas era algo que os orientava para uma libertação futura completa e definitiva, que se haveria de dar com a vinda do Messias. Havia mesmo uma crença judaica em que o Messias viria numa noite de Páscoa: «nesta noite foram libertados, e nela também serão libertos». Esta alegre esperança manifestava-se no costume, que ainda hoje se mantém, de deixar um lugar vazio à mesa, para alguém que chegue na última hora, que afortunadamente poderia ser o profeta Elias, precursor do Messias. De facto, um dia o próprio Messias havia de se pôr à mesa da ceia pascal, rodeado dos seus discípulos, para então inaugurar a era da autêntica e definitiva libertação. Jesus é o verdadeiro cordeiro pascal (1 Cor 5,7; Jo 19,36) que se oferece em sacrifício, com cujo sangue somos redimidos e com cuja carne somos alimentados no banquete eucarístico, prelúdio do banquete celeste (cf. Mc 14,25). Os samaritanos ainda hoje celebram a Páscoa como se descreve neste texto do Êxodo, sem refeição solene, sem vinho e à pressa. Os judeus celebram-na como refeição solene; já era assim no tempo de Jesus, em razão de já terem saído da escravidão para a liberdade; mas, em vez de comerem sentados como habitualmente, comiam recostados sobre esteiras ou divãs, apoiando-se sobre o braço esquerdo, a partir da época helenística (cf. Lc 22,14).

 

Salmo Responsorial    Sl 115 (116), 12-13.15-16bc.17-18 (R. cf. 1 Cor 10, 16)

 

Monição: O salmista convida-nos a agradecer a bondade divina. Em comunhão com toda a Igreja, hoje louvamos o Senhor que nos amou até ao extremo. Pedimos ao Espírito Santo que nos ajude a viver segundo o Mandamento novo que Jesus nos deixou. Amar como Jesus amou. Pela caridade todos conhecerão que somos Seus discípulos.

 

Refrão:     O cálice de bênção é comunhão do Sangue de Cristo.

 

Como agradecerei ao Senhor

tudo quanto Ele me deu?

Elevarei o cálice da salvação,

invocando o nome do Senhor.

 

É preciosa aos olhos do Senhor

a morte dos seus fiéis.

Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva:

quebrastes as minhas cadeias.

 

Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor,

invocando, Senhor, o vosso nome.

Cumprirei as minhas promessas ao Senhor,

na presença de todo o povo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: «Todas as vezes que beberdes este cálice, fazei-o em memória de Mim.

 Anunciamos a morte do Senhor até que Ele venha. (1 Cor 11, 23-26)

Na última Ceia, Jesus instituiu a Eucaristia e pediu para fazermos memória do seu amor, até que Ele volte, no fim dos tempos. Na Eucaristia, a Igreja celebra continuamente o memorial da Paixão de Jesus, que “desejou ardentemente comer esta Páscoa com os seus discípulos, antes de padecer.” (Luc 22,15)

 

1 Coríntios 11, 23-26

 

Irmãos: 23Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: o Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou o pão e, dando graças, 24partiu-o e disse: «Isto é o meu Corpo, entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim». 25Do mesmo modo, no fim da ceia, tomou o cálice e disse: «Este cálice é a nova aliança no meu Sangue. Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de Mim». 26Na verdade, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha.

 

Temos aqui o relato da última Ceia, o mais antigo dos quatro que aparecem no N. T., escrito apenas uns 25 anos após o acontecimento. São Paulo diz que isto mesmo já o tinha pregado aos cristãos (v. 23) uns quatro anos atrás, durante os 18 meses em que evangelizou a cidade de Corinto, por ocasião da sua segunda viagem.

23 «Recebi do Senhor»: O original grego (com o uso da preposição apó e não pará) deixa ver que S. Paulo recebeu esta doutrina pela tradição que remonta ao Senhor e não directamente dele, por meio de alguma revelação, como alguém poderia pensar. «Na noite em que ia ser entregue»: Celebramos hoje uma dupla entrega do Senhor, a sua entrega às mãos dos seus inimigos, para a morrer pelos nossos pecados e nos ganhar a vida divina, e a entrega no Sacramento da SS. Eucaristia, como alimento desta mesma vida divina. Para o seu amor infinito, é pouco dar-se todo uma só vez por todos; quer dar-se todo a cada um de nós todas as vezes que nos disponhamos a recebê-lo!

24 «Isto é o Meu Corpo»: A expressão de Jesus é categórica e terminante, sem deixar lugar a mal entendidos. Não diz «aqui está o meu corpo», nem «isto simboliza o meu corpo», mas sim: «isto é o meu corpo», como se dissesse: este pão já não é pão, mas é o meu corpo, isto é, sou Eu mesmo. Todas as tentativas heréticas de entender estas palavras num sentido meramente simbólico, fazem violência ao texto e não têm seriedade. É certo que o verbo «ser» também pode ter o sentido de «ser como», «significar», mas isto é só quando do contexto se possa depreender que se trata duma comparação, o que não se dá aqui, pois não se vê como o pão seja como o Corpo de Jesus, ou como é que o pode significar. Atenda-se a que Jesus, com a palavra isto não se refere à acção de partir o pão, pois não pronuncia estas palavras enquanto parte o pão, mas depois de o ter partido; portanto não tem sentido dizer que, com a fracção do pão, o Senhor queria representar o despedaçar do seu corpo por uma morte violenta (o corpo entregue). Jesus não podia querer dizer uma tal coisa, pois, se o quisesse dizer, havia de o explicitar, uma vez que o gesto de partir o pão era um gesto usual do chefe da mesa em todas as refeições, não sendo possível ver um outro sentido; por outro lado, o beber do cálice de modo nenhum se podia prestar a um tal sentido.

Os Apóstolos vieram a entender as palavras de Jesus no seu verdadeiro realismo, como aparecem no discurso do Pão da Vida (Jo 6,51-58). Se Jesus não quisesse dar este sentido realista às suas palavras, também os seus discípulos e a primitiva Igreja não lho podiam dar, porque beber o sangue era algo sumamente escandaloso para gente criada no judaísmo, que ia ao ponto de proibir a comida de animais não sangrados. Se S. Paulo não entendesse estas palavras de Jesus num sentido realista, não teria podido afirmar no v. 27 (omitido na leitura de hoje): «quem comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor»; e no v. 29 fala de «distinguir o corpo do Senhor».

Paulo VI, na encíclica Misterium fidei, rejeitou explicações teológicas (como a da transignificação e a da transfinalização) que não respeitem suficientemente o realismo da presença real: «Mas para que, ninguém entenda erroneamente este modo de presença, que supera leis da natureza e constitui o maior dos milagres no seu género, é preciso seguir com docilidade a voz da Igreja docente e orante. Pois bem, esta voz, que é um eco perene da voz de Cristo, assegura-nos que Cristo se torna presente neste Sacramento pela conversão de toda a substância do pão no seu corpo e de toda a substância no vinho no seu sangue; conversão admirável e singular à qual a Igreja justamente e com propriedade chama transubstanciação» (atenda-se a que aqui a noção de substância não é a da Física ou da Química, mas a da Metafísica).

24-25 «Fazei isto em memória de Mim». Com estas palavras, Jesus entrega aos Apóstolos (e aos seus sucessores) o poder ministerial de celebrar o Mistério Eucarístico; por isso, Quinta-Feira Santa é o dia do sacerdócio e dos sacerdotes.

25 «A Nova Aliança com o meu Sangue»: Jesus compara o seu sangue, que vai derramar na cruz, ao sangue do sacrifício da Aliança do Sinai (cf. Ex 24,8), como sendo o novo sacrifício com que se ratifica a Nova Aliança de Deus com a Humanidade, aliança anunciada pelos profetas (Jer 31,31-33). Na Ceia temos o mesmo sacrifício do Calvário antecipado sacramentalmente através das palavras do próprio Jesus. Na Missa temos igualmente o mesmo sacrifício da Cruz renovado e representado sacramentalmente através da dupla consagração feita pelo sacerdote que actua na pessoa e em nome de Cristo, sendo Ele o mesmo oferente principal, a mesma vítima e sendo os merecimentos os mesmos do único Sacrifício redentor a serem aplicados, Sacrifício oferecido de uma vez para sempre (efápax: cf. Hebr 9,25-28; 10,10.18).

26 «Anunciareis a Morte do Senhor»: No altar já não se derrama o sangue de Cristo, como na Cruz, mas oferece-se, de modo incruento, o mesmo sacrifício, renovando e representando sacramentalmente o mistério da mesma Morte que se deu no Calvário.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 13, 34

 

Monição: «Amou-os até ao fim.» Jo 13, 1-15

A leitura do Evangelho situa-nos na celebração da Última Ceia. Jesus é o divino Mestre. Tinha ensinado: “Eu estou no meio de vós como quem serve.” (Luc 22,27) Jesus ao lavar os pés dos discípulos, confirma que veio para servir e dar a vida para nos salvar. Ele amou-nos até ao fim. Pediu para fazermos o mesmo: “Dei-vos o exemplo, para que assim como Eu fiz, vós façais também.”

 

Cântico: Louvor e glória a Vós – B. Salgado, NRMS, 32

 

Dou-vos um mandamento novo, diz o Senhor:

amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.

 

 

Evangelho

 

São João 13, 1-15

 

1Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. 2No decorrer da ceia, tendo já o Demónio metido no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, a ideia de O entregar, 3Jesus, sabendo que o Pai Lhe tinha dado toda a autoridade, sabendo que saíra de Deus e para Deus voltava, 4levantou-Se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha que pôs à cintura. 5Depois, deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura. 6Quando chegou a Simão Pedro, este disse-Lhe: «Senhor, Tu vais lavar-me os pés?» 7Jesus respondeu: «O que estou a fazer, não o podes entender agora, mas compreendê-lo-ás mais tarde». 8Pedro insistiu: «Nunca consentirei que me laves os pés». Jesus respondeu-lhe: «Se não tos lavar, não terás parte comigo». 9Simão Pedro replicou: «Senhor, então não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça». 10Jesus respondeu-lhe: «Aquele que já tomou banho está limpo e não precisa de lavar senão os pés. Vós estais limpos, mas não todos». 11Jesus bem sabia quem O havia de entregar. Foi por isso que acrescentou: «Nem todos estais limpos». 12Depois de lhes lavar os pés, Jesus tomou o manto e pôs-Se de novo à mesa. Então disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? 13Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. 14Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. 15Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também».

 

1. «Antes da festa da Páscoa». A ceia de que aqui se fala (v. 2) não é descrita como sendo a Ceia Pascal dos Sinópticos (Mt 26,17-35; Mc 14,12-31; Lc 22,7-39), mas não pode ser outra, por se tratar da mesma da noite em que Jesus foi preso. Se S. João se limita a dizer «antes da festa da Páscoa», sem precisar que era a véspera (a Preparação), é porque ele quer que se entenda a morte de Jesus como a imolação do cordeiro pascal, ao colocá-la no mesmo dia (a Preparação: 19,31.42) em que no templo eram imolados os cordeiros para a festa; sendo assim, evita intencionalmente o dar à Última Ceia qualquer carácter pascal; e pensamos que esta pode ser uma séria razão para não falar da instituição da Eucaristia, aliás referida no discurso do Pão da Vida (cf. Jo 6,51-58). «Amou-os até ao fim», isto é, até à consumação (19,30), indicando o seu amor de total entrega, até à morte (cf. 15,13; 1Jo 3,16; Gal 2,20), embora com esta não termine o seu amor, pois «não só até aqui nos amou quem nos ama sempre e sem fim» (Santo Agostinho); a expressão poderia aludir também ao amor posto na realização da Eucaristia de que S. João não conta a instituição, naturalmente por já lhe ter dedicado todo o capítulo VI e, como já se disse, para evitar dar a esta ceia um carácter pascal. Outra tradução possível: «levou o seu amor por eles até ao extremo», ou como prevê a nova tradução da CEP: «amou-os até à consumação». Jesus não só amou os seus até ao último momento da sua vida terrena, mas não podia amá-los mais: amou-nos até à loucura da Cruz e da Eucaristia.

3 «Jesus, sabendo...». Lavar os pés era um ofício exclusivo de escravos (1Sam 25,41) e os rabinos chegavam a explicitar que só se devia impor esse humilhante serviço a escravos que não fossem da raça hebraica, baseando-se em Lv 25,39. Jesus, ao sujeitar-se a esse trabalho aviltante, tem bem presente o seu poder e a sua dignidade de Filho de Deus. A oposição decidida de Pedro mostra o profundo choque causado pela atitude do Senhor. Não se pode estabelecer o momento exacto do lava-pés, pois não estavam previstas lavagens dos pés na Ceia, mas apenas o lavar das mãos; o que Jesus realiza é antes de mais uma acção simbólica, à maneira dos profetas. Talvez a discussão travada na Ceia sobre quem seria o maior dos Apóstolos (cf. Lc 22,24) tenha levado Jesus a dar-lhes uma lição com o seu gesto: é maior aquele que mais serve. Aparecem dois significados no gesto de Jesus: um simbólico e outro de exemplo a imitar. Nos vv. 6-11, sobressai mais o valor simbólico: Jesus é quem purifica os seus dos seus pecados e sem isso não se pode ter parte com Ele (v. 8), purificação que é um efeito da sua Morte redentora. Nos vv. 14-15, Jesus propõe o seu exemplo para ser imitado: «Eu vos lavei os pés, sendo Mestre e Senhor, também vós deveis lavar os pés uns aos outros», isto é, prestar aos outros todos os serviços, mesmo os mais humildes e humilhantes. Ter autoridade na Igreja (e também na sociedade civil) não é ter à disposição os outros para ser servido, mas é estar à disposição de todos para os servir eficazmente. A vida cristã consiste em imitar o exemplo de Jesus Cristo: 1Pe 2,21; 1Jo 2,6; Fil 2,5; 1Cor 11,1; Ef 5,1; 1Tes 1,6...

 

Sugestões para a homilia

 

Sacramento da Ordem:

Jesus Cristo fez de nós um reino de sacerdotes.” Ap 1, 6

 

Instituição da sagrada Eucaristia:

“Todas as vezes que beberdes este cálice, fazei-o em memória de Mim. 1 Cor 11, 23-26

 

O Profeta Isaías tinha anunciado a missão do Messias: «O Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos pobres e a levar-lhes o óleo da alegria.» Jesus de Nazaré é chamado Cristo, nome que significa Ungido, isto é, marcado pelo Espírito Santo, como nos revela o evangelista São Mateus, descrevendo o Baptismo do Senhor: “O Espírito Santo desceu visivelmente sobre Jesus, em forma corporal de pomba.” (Mat 3,16) Os membros do seu Corpo Místico chamam-se “cristãos”, porque participam da unção de Cristo. Para o significar somos ungidos com o Óleo do Santo Crisma. Sabemos que todo o povo de Deus participa do sacerdócio real de Cristo. Mas Deus escolheu alguns para participarem do Seu sacerdócio ministerial: “Senhor, Pai Santo. Pela Unção do Espírito Santo constituístes o Vosso Filho Unigénito Pontífice da Nova e eterna Aliança e no Vosso amor infinito quisestes perpetuar na Igreja o seu único sacerdócio. Ele não só revestiu do sacerdócio real todo o povo santo, mas também, de entre os seus irmãos, escolheu homens que, mediante a imposição das mãos, participam do seu ministério sagrado. Eles renovam em Seu nome o sacrifício da redenção humana, preparando os vossos filhos para o Banquete pascal.” Prefácio da Missa Crismal.

A Quinta-feira Santa recorda-nos a instituição do sacerdócio. Na Missa Crismal, celebrada durante a manhã deste dia, o Povo de Deus, reunido na Sé Catedral, alegra-se ao ver os presbíteros unidos ao seu Bispo. Toda a assembleia escuta a oração de Bênção dos santos óleos e dá graças pelo dom do sacerdócio. Quem dera que nos nossos dias todos pudéssemos repetir os elogios aos levitas do seu tempo, feitos pelo profeta Isaías: “Serão chamados Sacerdotes do Senhor, Ministros do nosso Deus”. Rezemos para que a sua “linhagem seja conhecida entre os povos e a sua descendência seja conhecida no meio das nações.” Rezemos para que “quantos os virem, reconheçam que são uma linhagem que o Senhor abençoou.” (Is 61, 1-3a.6a.8b-9)

“Os Anciãos estavam prostrados diante do Cordeiro e cantavam um cântico novo: Vós nos resgatastes, Senhor, com o Vosso Sangue. Homens de toda a tribo, língua, povo e nação e fizestes de nós um reino de sacerdotes para o nosso Deus. Eles reinarão sobre a terra.” (Cf Apocalipse 5 8-10)

 

Instituição da sagrada Eucaristia:

Isto é o meu Corpo, entregue por vós; este é o cálice da nova aliança no meu Sangue.

“Todas as vezes que beberdes este cálice, fazei-o em memória de Mim. “1 Cor 11, 23-26)

Acabámos de ler o relato da Última Ceia escrito pelo Apóstolo S. Paulo. Ele transmite o que recebeu da tradição. Os Apóstolos foram testemunhas do Amor infinito de Jesus, que se entregou às mãos dos seus inimigos, para morrer por nós. Jesus entregou-nos o seu Corpo, como alimento que permanece para a vida eterna. “Para o seu amor infinito é pouco dar-se todo, uma só vez, por todos. Ele quer dar-se todo a cada um de nós, todas as vezes que nos disponhamos a recebê-Lo.” (Celebração Litúrgica, Quinta-feira Santa 2017, p. 523)

 

 

Fazei isto em memória de Mim.

Estas palavras de Jesus foram conservadas na Bíblia por S. Lucas (22, 19) e também por S. Paulo (1 Cor 11, 24). O contexto em que foram pronunciadas remete-nos para a ceia pascal israelita. Para os Hebreus, era um memorial: reviviam a saída do Egipto, terra da escravidão, para a terra prometida. Para nós cristãos, a Eucaristia é o Sacramento que recorda e actualiza a morte e ressurreição do Senhor. Na Eucaristia o sacerdote repete, cada dia, in persona Christi, as palavras de Jesus: “Isto é o meu Corpo, tomai e comei. Este é o cálice do meu Sangue. Tomai e bebei. Fazei isto em memória de Mim.”

Faz-nos bem recordar o grande Amor de São João Paulo II, que irradiava nas suas Mensagens dirigidas aos presbíteros, todos os anos, na Quinta-Feira-Santa. Já estava doente, internado na Clínica Gemelli, quando escreveu esta Última Carta aos Sacerdotes, por ocasião da Quinta-Feira Santa de 2005.

“Nós, sacerdotes, somos os celebrantes, mas também os guardiões deste sacrossanto Mistério. Da nossa relação com a Eucaristia deriva também a exigência da condição «sagrada» da nossa vida, que deve transparecer em todo o nosso modo de ser e no modo de celebrar. Para isso, vamos à escola dos Santos! Muitos se distinguiram por uma prolongada adoração eucarística.

Permanecer diante de Jesus e encher o dia com a sua Presença, significa conferir à nossa consagração todo o calor da intimidade com Cristo. Sempre que celebramos a Eucaristia, a memória do mistério pascal de Jesus, torna-se anseio do encontro pleno e definitivo com Ele. O segredo do sacerdote está na «paixão» que sente por Jesus. São Paulo dizia: «Para mim, o viver é Cristo.» (Fil 1, 21)

As pessoas têm direito de dirigir-se aos sacerdotes com a esperança de «ver» a Cristo neles. (cf. Jo 12, 21) Sentem necessidade disso os jovens, que Cristo continua a chamar a Si para fazer deles seus amigos e propor a alguns a doação total à causa do Reino. Não hão-de certamente faltar as vocações, se subirmos de tom a nossa vida sacerdotal, se formos mais santos, mais alegres, se nos mostrarmos mais apaixonados no exercício do nosso ministério. Um sacerdote «conquistado» por Cristo (cf. Fil 3, 12) pode mais facilmente «conquistar» outros para a opção de fazerem a mesma aventura. (Policlínica Gemelli em Roma, 13 de Março – V Domingo da Quaresma – do ano 2005, vigésimo sétimo de Pontificado.)

São João Paulo II disse que a Igreja vive da Eucaristia. Esta verdade contém o núcleo fundamental do mistério da nossa fé. Na sagrada Eucaristia, pela conversão do pão e do vinho no Corpo e no Sangue do Senhor, acreditamos na presença real de Jesus e isto é para nós motivo de uma alegria inefável. Os nossos olhos estão postos no Senhor Jesus, presente no Santíssimo Sacramento. Na Hóstia consagrada encontramos a plena manifestação do infinito amor de Jesus. “A Igreja vive de Jesus eucarístico, por Ele é nutrida, por Ele é iluminada. Por isso a Eucaristia é mistério de fé e, ao mesmo tempo, mistério de luz. (Rosarium Virginis Mariæ,19)

O Concílio Vaticano II afirma que a Eucaristia é «a fonte e o centro de toda a vida cristã.» (Lumen gentium, 11) Na Eucaristia, está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Jesus Cristo, a nossa Páscoa. Jesus é o Pão vivo que “dá aos homens a vida nova, mediante a sua carne vivificadora e pela presença do Espírito Santo.” (Presbyterorum ordinis, 5)

 

Na homilia comentam-se os grandes mistérios que neste dia se comemoram: a instituição da sagrada Eucaristia e do sacramento da Ordem e o mandato do Senhor sobre a caridade.

 

Lava-pés

 

Fala o Santo Padre

 

«Deus ama assim: até ao fim. Entrega a vida por cada um de nós,

orgulha-se disto e deseja isto porque Ele tem amor.»

 

Jesus estava presente na ceia, estava com eles na última ceia e, reza o Evangelho, Ele «sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai». Sabia que fora traído e que teria sido entregue por Judas naquela mesma noite. «Tendo amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim». Deus ama assim: até ao fim. Entrega a vida por cada um de nós, orgulha-se disto e deseja isto porque Ele tem amor: «Amar até ao fim». Não é fácil, porque todos nós somos pecadores, todos nós temos limites, defeitos, muitas coisas. Todos sabemos amar, mas não somos como Deus, que ama sem considerar as consequências, até ao fim. E dá o exemplo: e para o demonstrar, Ele que era «o chefe», que era Deus, lava os pés aos seus discípulos. O hábito de lavar os pés era o costume que se seguia naquela época, antes dos almoços e dos jantares, porque não havia o asfalto e as pessoas caminhavam na poeira. Portanto, um dos gestos para receber uma pessoa em casa, e também para comer, era o lava-pés. Eram os escravos que o faziam, aqueles que tinham sido escravizados, mas Jesus inverte a situação e lava Ele mesmo os pés. Simão não queria que o fizesse, mas Jesus explicou-lhe que era assim, que Ele veio ao mundo para servir, para nos servir, para se tornar nosso servo, para dar a vida por nós, para nos amar até ao fim.

Hoje ao longo da estrada, ao chegar, vi muitas pessoas que me saudavam: «Vem o Papa, o chefe. O chefe da Igreja...». O chefe da Igreja é Jesus; não brinquemos! O Papa é a figura de Jesus e eu gostaria de fazer aquilo que Ele fez. Nesta cerimónia, o pároco lava os pés aos fiéis. Há uma inversão: aquele que parece o maior deve desempenhar a tarefa do escravo, mas para semear amor. Para semear amor entre nós, hoje não vos digo para irdes e lavardes os pés uns aos outros: seria uma brincadeira. Mas o símbolo, a figura, sim: digo-vos que, se puderdes oferecer uma ajuda, desempenhar um serviço aqui no cárcere, a favor do companheiro, da companheira, fazei-o.

Porque isto é amor, isto é como lavar os pés. É ser servo dos outros. Certa vez, os discípulos discutiam entre si, para saber quem era o maior, o mais importante. E Jesus disse: «Quem quiser ser importante, deve tornar-se o mais pequenino e servir todos». E foi aquilo que Ele fez, é o que Deus faz com cada um de nós. Ele serve-nos, é o servo. Todos nós que somos pobres, todos! Mas Ele é grande, Ele é bom. E Ele ama-nos como somos. Por isso, durante esta celebração pensemos em Deus, em Jesus. Não se trata de uma cerimónia folclórica: é um gesto para recordar aquilo que Jesus nos deu. Em seguida, Ele pegou no pão e ofereceu-nos o seu Corpo; pegou no vinho e ofereceu-nos o seu Sangue. O amor de Deus é assim. Hoje, pensemos unicamente no amor de Deus.

Papa Francisco, Homilia, Frosinone, 13 de abril de 2017

 

Oração Universal

 

Irmãos:

Elevemos as nossas súplicas ao Senhor Jesus,

 que lavou os pés aos Apóstolos

e nos deu o sacerdócio e a Eucaristia,

 dizendo (ou: cantando), com toda a confiança:

 

Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

1. Pelas Igrejas fundadas pelos Apóstolos

 e pelas comunidades locais que lhes sucederam,

para que celebrem santamente a Eucaristia, oremos.

 

2. Pelo Papa Francisco

 e pelos bispos, presbíteros e diáconos,

escolhidos para o sacerdócio e o ministério,

para que façam o que Jesus fez aos seus discípulos, oremos.

 

3. Pelos fiéis e pelos catecúmenos

e por todos os que adoram Jesus Cristo,

 para que O imitem nas palavras e nas obras, oremos.

 

4. Por todos aqueles que vivem sem amor,

 abandonados, esquecidos e rejeitados,

para que encontrem o carinho que lhes falta, oremos.

 

 5. Por todos nós que celebramos esta Páscoa,

para que a comunhão do Corpo e Sangue de Jesus

 nos leve um dia a participar na Páscoa eterna, oremos.

 

Senhor Jesus Cristo, que nos deixastes o mandamento novo do amor, e, por herança, a vossa Igreja e a Eucaristia, dai-nos a graça, ao celebrarmos esta Ceia santíssima, de passarmos convosco deste mundo para o Pai. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Ó Verdadeiro Corpo do Senhor – C. Silva, NRMS, 42

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, a graça de participar dignamente nestes mistérios, pois todas as vezes que celebramos o memorial deste sacrifício realiza-se a obra da nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Santíssima Eucaristia: p. 1254 [658-770]

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo, nosso Senhor. Verdadeiro e eterno sacerdote, oferecendo-Se como vítima de salvação, instituiu o sacrifício da nova aliança e mandou que o celebrássemos em sua memória. O seu Corpo, por nós imolado, é alimento que nos fortalece; e o seu Sangue, por nós derramado, é bebida que nos purifica. Por isso, com os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: C. Silva/A. Cartageno – COM, (pg 194)

 

Monição da Comunhão

 

A comunhão une-nos Jesus:

 “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele.” Jo 6,56

“Para nos levar a amá-lo mais ainda, Jesus deu-nos a sua carne como alimento. Aproximemo-nos d’Ele com muito amor e fervor. Os Magos adoraram o Menino, deitado na manjedoura. Agora, já não vemos Jesus numa manjedoura, mas no altar; já não vemos a Virgem Mãe, que O segura em seus braços, mas o sacerdote que O oferece. Agora, nós conhecemos a sua força, a sua sabedoria e o seu Amor. Tenhamos muito mais piedade do que os santos Reis Magos, para podermos ser dignos de nos aproximar do altar.”

 (S. João Crisóstomo, presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja, Homilias sobre a 1.ª Carta aos Coríntios, n.° 24, 4. Evangelho quotidiano, 7 Janeiro 2020)

 

 “Que não faltem no nosso dia alguns momentos de intimidade com Deus. Ao lado do sacrário, acompanha Jesus, que ali ficou por Amor, oculto nas espécies sacramentais. Aconselho-te a que vás ao oratório sempre que possas para elevar a mente em recolhimento e intimidade até ao Céu com a convicção de que Cristo nos vê, nos ouve e nos espera.” (Josemaria Escrivá, Amigos de Deus, 249)

 

Cântico da Comunhão: Tomai e comei, diz o Senhor – J. F. Silva, NRMS, 25

1 Cor 11, 24.25

Antífona da comunhão: Isto é o meu Corpo, entregue por vós; este é o cálice da nova aliança no meu Sangue, diz o Senhor. Fazei isto em memória de Mim.

 

Terminada a distribuição da comunhão, deixa-se sobre o altar a píxide com as partículas para a comunhão do dia seguinte. A Missa conclui com a oração depois da comunhão:

 

Cântico de acção de graças: O Corpo de Jesus é alimento – A. Cartageno, NRMS, 60 

 

Oração depois da comunhão: Deus eterno e omnipotente, que hoje nos alimentastes na Ceia do vosso Filho, saciai-nos um dia na ceia do reino eterno. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Trasladação do Santíssimo Sacramento

 

Terminada a oração, o sacerdote, de pé, diante do altar, põe incenso no turíbulo e, de joelhos, incensa por três vezes o Santíssimo Sacramento. Em seguida, toma o véu de ombros, pega na píxide e cobre-a com as extremidades do véu.

Organiza-se a procissão, com círios e incenso, indo à frente o cruciferário com a cruz, e leva-se o Santíssimo Sacramento, através da igreja, para o lugar da reserva, preparado numa capela convenientemente ornamentada. Entretanto canta-se o hino Pange, lingua (Canta, Igreja, o Rei do mundo) – excepto as duas últimas estrofes – ou outro cântico apropriado.

Chegada a procissão ao lugar da reserva, o sacerdote depõe a píxide. Seguidamente, põe incenso no turíbulo e, de joelhos, incensa o Santíssimo Sacramento. Entretanto canta-se o Tantum ergo sacramentum. Depois fecha-se o tabernáculo ou urna da reserva.

Depois de algum tempo de oração em silêncio, o sacerdote e os ministros fazem a genuflexão e retiram-se para a sacristia.

Segue-se a desnudação do altar e, se possível, retiram-se as cruzes da igreja. Se algumas ficam na igreja, é conveniente cobri-las.

Os que tomaram parte na Missa vespertina não são obrigados à celebração das Vésperas.

Exortem-se os fiéis, tendo em conta as circunstâncias e as diversas situações locais, a dedicar algum tempo da noite à adoração do Santíssimo Sacramento. A partir da meia noite, porém, esta adoração faz-se sem solenidade.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

“Não te envergonhes de Nosso Senhor Jesus Cristo,

mas sofre comigo pelo evangelho, fortificado pelo poder de Deus.” (2 Timóteo 1,8)

 

“É essencial que o sacerdote tenha consciência de que é um homem de Deus e um homem de oração. Existe exclusivamente para Deus e para o culto. Não deve deixar-se prender pelo mundo. O tempo dedicado à oração não é tempo perdido. Da oração silenciosa diante do sacrário nascem frutos maravilhosos. Sem oração o sacerdote esgota-se, esvazia-se e transforma-se numa máquina  que faz muito barulho, inutilmente. Se o sacerdote não imita Jesus na sua vida de intimidade com o Pai, está perdido. Para ajudar os outros, o padre deve pedir ajuda ao Senhor, orando no silêncio. Jesus nada tem que Lhe pertença de forma pessoal, tudo é do Pai e para o Pai.

“Jesus subiu ao templo e começou a ensinar. Os judeus ficaram admirados com o conhecimento de Jesus e diziam: como é que Este é letrado, se não estudou?” (Jo 7, 15) Jesus respondeu: “O Filho nada pode fazer senão o que vir fazer ao Pai. A Minha doutrina não é Minha, mas d’Aquele que Me enviou.” (Jo 5, 19;7,16) Eis a verdadeira leitura do sacerdócio. O nosso sacerdócio não é produto das nossas capacidades pessoais. O senhor chama-nos “amigos.” Confia-nos a Sua Igreja. Que maravilhosa responsabilidade. “Vós sois Meus amigos se fizerdes o que vos mando.” (Jo 15, 14). Como outrora, também hoje, os crentes pedem: “Nós queremos ver Jesus.” (Jo 12, 21). Querem conhecer e ver Jesus através dos sacerdotes. O sacerdote que não tem Jesus no coração não O pode dar aos outros.

(Cardeal Robert Sarah, A noite vai caindo e o dia já está no ocaso, p 58-61)

 

São João da Cruz convida-nos a meditar nas nossas actividades pastorais. Unidos a Jesus produzimos frutos abundantes. Sem esta união com Deus, nada podemos fazer. “Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. Aquele que permanece em Mim e Eu nele produz muito fruto. Sem Mim, nada podereis fazer.” (Jo 15,4-5)

. “Convém notar que a alma deve exercitar-se no Amor, tanto na vida activa, como na contemplativa… porque é mais precioso um pouquito deste puro amor e aproveita mais à Igreja, embora pareça que não faz nada, que todas as obras juntas.

 . “Advirtam-se os que são muito activos e que pensam abraçar o mundo com as suas prédicas e obras exteriores. Dariam mais proveito à Igreja e agradariam muito mais a Deus se gastassem sequer a metade desse tempo com Deus. Devemos unir contemplação e acção, permanecendo constantemente diante de Deus: seremos mais úteis à Igreja e agradamos mais a Deus, dedicando mais tempo a Deus do que à actividade. Fazem bastante mais e com menos despesa por uma só obra do que por mil obras empreendidas tão activamente. A meditação torná-los-á merecedores da graça e fornecer-lhes-á as forças espirituais necessárias. Certo é que as boas obras não se podem fazer senão com a virtude de Deus.” (Cântico Espiritual, 28, 2-3)  

 

Cântico final: Vós sereis meus amigos – M. Luís, CAC, pg 425

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   Aurélio Araújo Ribeiro

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Sugestão Musical:        José Carlos Azevedo

 

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial