5º Domingo da Quaresma

29 de Março de 2020

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios do Baptismo dos adultos, neste Domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhor são muitos os nossos pecados – J. Santos, NRMS, 53

Salmo 42, 1-2

Antífona de entrada: Fazei-me justiça, meu Deus, defendei a minha causa contra a gente sem piedade, livrai-me do homem desleal e perverso. Vós sois o meu refúgio.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Neste V Domingo da Quaresma, o Senhor convida-nos a meditarmos sobre a vida nova que Ele nos quer oferecer. A água do Baptismo e a luz da fé, sobre as quais meditámos nos Domingos passados, conduzem-nos à ressurreição, se permanecermos fieis a Cristo!

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, concedei-nos a graça de viver com alegria o mesmo espírito de caridade que levou o vosso Filho a entregar-Se à morte pela salvação dos homens. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Pela boca do Profeta Ezequiel, Deus convida o seu povo a sair dos túmulos da sua vida espiritual e moral degradada.

 

Ezequiel 37, 12-14

 

12Assim fala o Senhor Deus: «Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. 13Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. 14Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, o disse e o executei».

 

A leitura é extraída da 3ª parte de Ezequiel (cap. 33 – 48), destinada a confortar os exilados em Babilónia com palavras de esperança no futuro.

12 «Vos farei ressuscitar». Não se trata aqui da ressurreição final, mas da do povo de Deus, que, esmagado pelas duras provas do cativeiro, se ergue de novo e é reconduzido à Terra de Israel, segundo a célebre visão dos ossos relatada nos primeiros versículos deste mesmo capítulo.

14 «Infundirei em vós o meu espírito» (cf. Ez 36,27). É um misterioso anúncio profético da acção do Espírito Santo nas almas com a obra salvadora de Cristo: «dar-vos-ei um coração novo e porei em vós um espírito novo; arrancarei o coração de pedra das vossas carnes e dar-vos-ei um coração de carne» (Ez 36,26). S. Paulo, como faz na 2ª Leitura de hoje, há-de desenvolver a ideia da acção do Espírito Santo nas almas dos cristãos (Rom 8).

 

Salmo Responsorial    Sl 129 (130),1-2.3-4ab.4c-6.7-8 (R. 7)

 

Monição: Este salmo de esperança, faz-nos contemplar a passagem da morte à vida, que acontece pelo perdão e pela redenção trazida por Deus ao seu povo.

 

Refrão:     No Senhor está a misericórdia e abundante redenção.

 

Ou:           No Senhor está a misericórdia,

            no Senhor está a plenitude da redenção.

 

Do profundo abismo chamo por Vós, Senhor,

Senhor, escutai a minha voz.

Estejam os vossos ouvidos atentos

à voz da minha súplica.

 

Se tiverdes em conta as nossas faltas,

Senhor, quem poderá salvar-se?

Mas em Vós está o perdão,

para Vos servirmos com reverência.

 

Eu confio no Senhor,

a minha alma espera na sua palavra.

A minha alma espera pelo Senhor

mais do que as sentinelas pela aurora.

 

Porque no Senhor está a misericórdia

e com Ele abundante redenção.

Ele há-de libertar Israel

de todas as suas faltas.

 

Segunda Leitura

 

Monição: São Paulo alerta os cristãos para a coerência de vida, para uma vida vivida segundo o Espírito, para que possam participar da ressurreição de Cristo.

 

Romanos 8, 8-11

 

Irmãos: 8Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. 9Vós não estais sob o domínio da carne, mas do Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, não Lhe pertence. 10Se Cristo está em vós, embora o vosso corpo seja mortal por causa do pecado, o espírito permanece vivo por causa da justiça. 11E, se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós.

 

Temos, neste breve extracto de Rom 8, dois modos antitéticos de ser e de viver: segundo a carne e segundo o Espírito. Viver segundo a carne é o mesmo que levar uma vida de pecado, por isso, os que se encontram nesta situação «não podem agradar a Deus».

9-11 Depois de ter falado em geral, S. Paulo dirige-se directamente aos fiéis baptizados; o facto de o Espírito Santo habitar neles subtrai-os ao «domínio da carne». Este habitar do Espírito Santo no fiel é um ponto fulcral da fé pregada por Paulo (cf. 1Cor 3,16-17; 6,19; cf. Jo 14,23), o que é afirmado por três vezes neste pequeno trecho: vv. 9.11a.11b. Aparece como garantia da vitória sobre a carne (v. 9) e sobre a morte (v. 11). Note-se como o Espírito Santo é chamado tanto Espírito de Deus (do Pai) – nos vv. 9 e 11a –, como Espírito de Cristo (do Filho) – nos vv. 10 e 11b –; com efeito, o Espírito Santo «procede do Pai e do Filho» e nos é «enviado» pelo Pai e pelo Filho.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 11, 25a.26

 

Monição: A ressurreição de Lázaro manifesta a glória que Deus realiza por Cristo!

 

Cântico: Louvor a Vós Rei da eterna glória – M. Simões, NRMS, 40

 

Eu sou a ressurreição e a vida, diz o Senhor.

Quem acredita em Mim nunca morrerá.

 

 

Evangelho

 

Forma longa: São João 11, 1-45;          forma breve: São João 11, 3-7.17.20-27.33b-45

 

1Naquele tempo, [estava doente certo homem, Lázaro de Betânia, aldeia de Marta e de Maria, sua irmã. 2Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com perfume e Lhe tinha enxugado os pés com os cabelos. Era seu irmão Lázaro que estava doente.] 3As irmãs mandaram então dizer a Jesus: «Senhor, o teu amigo está doente». 4Ouvindo isto, Jesus disse: «Essa doença não é mortal, mas é para a glória de Deus, para que por ela seja glorificado o Filho do homem». 5Jesus era amigo de Marta, de sua irmã e de Lázaro. 6Entretanto, depois de ouvir dizer que ele estava doente, ficou ainda dois dias no local onde Se encontrava. 7Depois disse aos discípulos: «Vamos de novo para a Judeia». [8Os discípulos disseram-Lhe: «Mestre, ainda há pouco os judeus procuravam apedrejar-Te e voltas para lá?» 9Jesus respondeu: «Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. 10Mas se andar de noite, tropeça, porque não tem luz consigo». 11Dito isto, acrescentou: «O nosso amigo Lázaro dorme, mas Eu vou despertá-lo». 12Disseram então os discípulos: «Senhor, se dorme, estará salvo». 13Jesus referia-se à morte de Lázaro, mas eles entenderam que falava do sono natural. 14Disse-lhes então Jesus abertamente: «Lázaro morreu; por vossa causa, 15alegro-Me de não ter estado lá, para que acrediteis. Mas vamos ter com ele». 16Tomé, chamado Dídimo, disse aos companheiros: «Vamos nós também, para morrermos com Ele».] 17Ao chegar, Jesus encontrou o amigo sepultado havia quatro dias. [18Betânia distava de Jerusalém cerca de três quilómetros. 19Muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria, para lhes apresentar condolências pela morte do irmão.] 20Quando ouviu dizer que Jesus estava a chegar, Marta saiu ao seu encontro, enquanto Maria ficou sentada em casa. 21Marta disse a Jesus: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. 22Mas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Deus To concederá». 23Disse-lhe Jesus: «Teu irmão ressuscitará». 24Marta respondeu: «Eu sei que há-de ressuscitar na ressurreição, no último dia». 25Disse-lhe Jesus: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; 26e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá. Acreditas nisto?» 27Disse-Lhe Marta: «Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo». [28Dito isto, retirou-se e foi chamar Maria, a quem disse em segredo: «O Mestre está ali e manda-te chamar». 29Logo que ouviu isto, Maria levantou-se e foi ter com Jesus. 30Jesus ainda não tinha chegado à aldeia, mas estava no lugar em que Marta viera ao seu encontro. 31Então os judeus que estavam com Maria em casa para lhe apresentar condolências, ao verem-na levantar-se e sair rapidamente, seguiram-na, pensando que se dirigia ao túmulo para chorar. 32Quando chegou aonde estava Jesus, Maria, logo que O viu, caiu-Lhe aos pés e disse-Lhe: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido».] 33Jesus, [ao vê-la chorar, e vendo chorar também os judeus que vinham com ela,] comoveu-Se profundamente e perturbou-Se. 34Depois perguntou: «Onde o pusestes?» Responderam-Lhe: «Vem ver, Senhor». 35E Jesus chorou. 36Diziam então os judeus: «Vede como era seu amigo». 37Mas alguns deles observaram: «Então Ele, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito que este homem não morresse?» 38Entretanto, Jesus, intimamente comovido, chegou ao túmulo. Era uma gruta, com uma pedra posta à entrada. 39Disse Jesus: «Tirai a pedra». Respondeu Marta, irmã do morto: «Já cheira mal, Senhor, pois morreu há quatro dias». 40Disse Jesus: «Eu não te disse que, se acreditasses, verias a glória de Deus?» 41Tiraram então a pedra. Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse: «Pai, dou-Te graças por Me teres ouvido. 42Eu bem sei que sempre Me ouves, mas falei assim por causa da multidão que nos cerca, para acreditarem que Tu Me enviaste». 43Dito isto, bradou com voz forte: «Lázaro, sai para fora». 44O morto saiu, de mãos e pés enfaixados com ligaduras e o rosto envolvido num sudário. Disse-lhes Jesus: «Desligai-o e deixai-o ir». 45Então muitos judeus, que tinham ido visitar Maria, ao verem o que Jesus fizera, acreditaram n’Ele.

 

Neste domingo dito de Lázaro, temos o 7º e último dos sinais do IV Evangelho, que deixam ver Jesus como o Messias, não um messias sem mais, mas aquele que é a própria Vida, capaz de dar a vida aos mortos. É assim que o ponto culminante de toda esta secção (Jo 9) é a solene declaração de Jesus: «Eu sou a ressurreição e a vida» (v. 25). Mas toda a grandeza da sua pessoa divina aparece aqui tão profundamente humana, com uma sensibilidade tal que, perante a morte do amigo e a dor e desconsolo das irmãs do defunto, Ele se comove e perturba (v. 33.38), chegando mesmo a chorar (v. 35); Ele é o divino amigo, tão humanamente amigo! (vv.  3.5.11.36).

1 «Betânia» (ver Mt 26,6; Mc 14,3) era uma povoação situada na vertente oriental do Monte das Oliveiras, a uns 3 Km de Jerusalém (v. 18), distinta de outra Betânia, na Pereia (1,28), lugar do Baptismo de Jesus. Corresponde à actual El-Azariyeh, um nome derivado de Lázaro.

2 Porque esta unção do Senhor só é contada no capítulo 12, no Ocidente veio a pensar-se que esta Maria de Betânia seria a pecadora que em Lc 7,37 tinha ungido o Senhor, o que não parece provável. Nenhuma das duas mulheres se deverá confundir com Maria Madalena (19,25; 20,1.18; Lc 8,2). Foram confundidas no Ocidente inclusive no Missal Romano, até à reforma de Paulo VI.

25-26 São dois versículos paralelos, mas com distinto matiz: Jesus é a «Ressurreição», porque leva os crentes à ressurreição final (v. 25: «viverá») prefigurada na de Lázaro (que ainda não é a ressurreição gloriosa); e é a «Vida», por­que dá aos crentes a vida espiritual (sobrenatural), uma vida que não morre (v. 26). Entendido assim o texto, teríamos aqui a síntese da escatologia já presente (tão típica de S. João) e da escatologia do fim dos tempos, compenetrando-se de forma harmoniosa e coerente.

39 «O quarto dia»: todos estão de acordo quanto ao significado simbólico da ressurreição de Lázaro, o que não quer dizer que esta seja um mero símbolo; se assim fosse, deveria ser ao terceiro dia, como a de Jesus, e não ao quarto dia.

44 Deixai-o andar. A tradução litúrgica «deixai-o ir» (para sua casa), embora gramaticalmente correcta, parece imprópria, pois pode fazer supor desinteresse de Jesus pela pessoa do seu amigo Lázaro…

49-53 Temos aqui mais um paradoxo: o último pontífice da Antiga Aliança, sem saber, profetiza a investidura de Jesus como o Sumo Sacerdote da Nova Aliança, selada com o seu próprio sangue. José Caifás (cf. Jo 18,13-14.28) exerceu a sua função entre os anos 18 a 36 da era cristã.

 

Sugestões para a homilia

 

1.     Nesta Quaresma do ano A, a Palavra de Deus tem-nos conduzido, Domingo a Domingo, pelo percurso de toda a História da Salvação. Assim, iniciámos a Quaresma com a Criação e o pecado original (I Domingo), passando depois pela vocação de Abraão, pai do povo de Israel (II Domingo), povo esse que teve de enfrentar as agruras do deserto na experiência do êxodo, com Moisés (III Domingo). Este povo atingiu o seu auge com o Rei David (IV Domingo), até declinar nos seus túmulos, na sua degradação moral e espiritual, denunciada este V Domingo pelo profeta Ezequiel. Ao mesmo tempo, o Evangelho destes Domingos de Quaresma fala-nos de esperança, centrada em Jesus, que contraria o pecado enfrentando vitoriosamente as tentações (I Domingo) e sobe à montanha para manifestar a sua glória (II Domingo). É Ele mesmo a água da vida, que nos vem pelo Baptismo (III Domingo), e é Ele que nos concede a luz da fé (IV Domingo), para que vejamos e esperemos com perseverança o nosso destino grandioso de eternidade, que nos virá com a ressurreição, sobre a qual nos fala hoje a Palavra de Deus.

 

2.     De facto, as leituras de hoje chamam-nos a atenção para a ressurreição de entre os mortos, que há-de acontecer para aqueles que perseveraram na fé em Cristo. No entanto, para que a ressurreição aconteça verdadeiramente, é necessária a transformação da nossa vida, imprescindível a nossa conversão a Deus. Quando Ezequiel fala de abrir os túmulos, refere-se primeiramente aos túmulos espirituais e morais em que o povo se sepultara. A incoerência da nossa vida com a verdade da fé será como que uma pedra tumular que bloqueará a nossa participação na ressurreição de Cristo. É São Paulo que o afirma veementemente: não será segundo a lógica da carne, isto é, das tendências da concupiscência, nem do pecado, que agradaremos a Deus, mas sim segundo o Espírito. E será por uma vida conduzida pelo Espírito Santo, o mesmo Espírito que ressuscitou a Cristo de entre os mortos, que participaremos da sua ressurreição.

 

3.     Importa ouvirmos de novo a Cristo, que, como outrora a Lázaro, continua hoje a bradar-nos com voz forte: «sai para fora». Sai para fora do teu pecado, dos teus caprichos egoístas, dos teus vícios! É preciso hoje mesmo ressuscitarmos interiormente, para uma vida santa, para a vida por Cristo, com Cristo e em Cristo, se quisermos ressuscitar dos mortos no último dia. Escutemos a voz de Cristo, deixemos que Ele nos ressuscite do homem velho e nos conceda a vida nova, a vida em abundância que Ele nos veio trazer e saboreemos desde já a sua presença de vida eterna, para O contemplarmos face a face, na ressurreição dos mortos.

 

Fala o Santo Padre

 

«Face aos grandes «porquês» da vida temos dois percursos:

ficar a olhar melancolicamente para os sepulcros de ontem e de hoje,

ou deixar que Jesus se aproxime dos nossos sepulcros.»

 

As Leituras de hoje falam-nos do Deus da vida, que vence a morte. Analisemos em particular o último dos sinais milagrosos que Jesus realiza antes da sua Páscoa, no sepulcro do seu amigo Lázaro.

Ali tudo parece ter acabado: o túmulo está fechado com uma grande pedra; em volta, unicamente pranto e desespero. Também Jesus está abalado pelo mistério dramático da perda de uma pessoa querida: «Comoveu-se profundamente» e ficou «muito perturbado» (Jo 11, 33). Depois «desatou a chorar» (v. 35) e foi ao sepulcro, diz o Evangelho, «mais uma vez profundamente comovido» (v. 38). É assim o coração de Deus: distante do mal mas próximo de quem sofre; não faz desaparecer o mal magicamente, mas compadece-se com o sofrimento, o faz seu e o transforma habitando nele.

Contudo observamos que, no meio da desolação geral pela morte de Lázaro, Jesus não se deixa levar pelo desânimo. Mesmo sofrendo Ele também, pede que se creia firmemente; não se fecha no choro, mas, comovido, põe-se a caminho do sepulcro. Não se deixa capturar pelo ambiente emotivo e resignado que o circunda, mas reza com confiança e diz: «Pai, dou-te graças» (v. 41). Assim, no mistério do sofrimento, face ao qual o pensamento e o progresso colidem como as moscas contra o vidro, Jesus oferece o exemplo de como nos devemos comportar: não evita o sofrimento, que faz parte desta vida, mas também não se deixa aprisionar pelo pessimismo.

Em volta deste sepulcro, acontece portanto um grande encontro-desencontro. Por um lado há a grande desilusão, a precariedade da nossa vida mortal que, atravessada pela angústia e pela morte, experimenta com frequência a derrota, uma obscuridade interior que parece insuperável. A nossa alma, criada para a vida, sofre sentindo que a sua sede de bem eterno é oprimida por um mal antigo e obscuro. Por um lado há esta derrota do sepulcro. Mas por outro há a esperança que vence a morte e o mal e tem um nome: a esperança chama-se Jesus. Ele não leva um pouco de bem-estar ou algum remédio para prolongar a vida, mas proclama: «Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá» (v. 25). Por isso diz decididamente: «Tirai a pedra!» (v. 39) e clamou a Lázaro com grande voz: «Sai!» (v. 43).

Amados irmãos e irmãs, também nós somos convidados a decidir de que parte estar. Podemos estar do lado do sepulcro ou do lado de Jesus. Há quem se deixa dominar pela tristeza e quem se abre à esperança. Há quem permanece vítima dos destroços da vida e quem, como vós, com a ajuda de Deus, remove os destroços e reconstrói com esperança paciente.

Face aos grandes «porquês» da vida temos dois percursos: ficar a olhar melancolicamente para os sepulcros de ontem e de hoje, ou deixar que Jesus se aproxime dos nossos sepulcros. Sim, porque cada um de nós já tem um pequeno sepulcro, alguma parte um pouco morta dentro do coração: uma ferida, uma injustiça suportada ou cometida, um rancor que não dá trégua, um remorso que vai e volta, um pecado que não se consegue superar. Encontremos hoje estes nossos pequenos sepulcros que temos dentro e convidemos para ali Jesus. É estranho, mas muitas vezes preferimos estar sozinhos nas grutas escuras que temos dentro, em vez de convidar para lá Jesus; somos tentados a procurar sempre a nós próprios, cismando e caindo na angústia, lambendo as nossas chagas, em vez de ir ter com Ele, que diz: «Vinde a mim, todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei» (Mt 11, 28). Não nos deixemos aprisionar pela tentação de permanecer sozinhos e sem confiança a chorar pelo que nos acontece; não cedamos à lógica inútil e inconcludente do medo, a repetir resignados que tudo corre mal e nada é como outrora. Esta é a atmosfera do sepulcro; ao contrário, o Senhor deseja abrir o caminho da vida, do encontro com Ele, da confiança n’Ele, da ressurreição do coração, o caminho do «Levanta-te! Levanta-te, sai!». Eis o que nos pede o Senhor, e Ele está ao nosso lado para o fazer.

Sentimos então dirigidas a cada um de nós as palavras de Jesus a Lázaro: «Sai!»; sai do engarrafamento da tristeza sem esperança; desata as ligaduras do medo que impedem o caminho; aos laços das debilidades e das preocupações que te bloqueiam, repete que Deus desfaz os nós. Seguindo Jesus aprendamos a não atar as nossas vidas em volta dos problemas que se emaranham: haverá sempre problemas, sempre, e quando resolvemos um, imediatamente chega outro. Mas podemos encontrar uma nova estabilidade, e esta estabilidade é precisamente Jesus, esta estabilidade chama-se Jesus, que é a ressurreição e a vida: com ele a glória habita o coração, a esperança renasce, o sofrimento transforma-se em paz, o temor em confiança, a provação em oferenda de amor. E mesmo se os pesos não faltarão, haverá sempre a sua mão que alivia, a sua Palavra que encoraja e diz a todos nós, a cada um de nós: «Sai! Vem a mim!». Diz a todos nós: «Não tenhais medo».

Também a nós, hoje como naquela época, Jesus diz: «Tirai a pedra!». Por muito pesado que seja o passado, grande o pecado, muita a vergonha, nunca fechemos a entrada ao Senhor. Tiremos diante dele aquela pedra que impede que Ele entre: este é o tempo favorável para remover os nossos pecados, o nosso apego às vaidades mundanas, o orgulho que nos bloqueia a alma, tantas inimizades entre nós, nas famílias... Este é o momento favorável para remover todas estas coisas.

Visitados e libertados por Jesus, peçamos a graça de ser testemunhas de vida neste mundo que dela está sedento, testemunhas que suscitam e ressuscitam a esperança de Deus nos corações cansados e oprimidos pela tristeza. O nosso anúncio é a alegria do Senhor vivo, que ainda hoje diz, como a Ezequiel: «Eis que eu abrirei os vossos sepulcros, e vos farei sair das vossas sepulturas, ó meu povo» (Ez 37, 12).

  Papa Francisco, Homilia, Praça Martiri, Carpi, 2 de abril de 2017

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos e irmãs:

Por Jesus Cristo, vencedor da morte,

oremos a Deus, que é a vida do mundo

e ressuscita os mortos pela força do Espírito,

dizendo (ou: cantando), com fé:

 

R. Christe, eléison.

Ou: Ouvi, Senhor, as nossas súplicas.

Ou: Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

1.     Pelos que não têm fé na vida depois da morte, para que o Senhor ilumine os olhos do seu coração e da sua mente e reconheçam em Cristo a única fonte da vida,

Oremos ao Senhor.

 

2.     Pelos responsáveis das nações e pelos legisladores, para que promovam a paz e façam tudo para combater a cultura da morte,

Oremos ao Senhor.

 

........

 

Senhor, nosso Deus,

 que vencestes a morte e o abismo

ao ressuscitar o vosso Filho,

libertai-nos dos pecados que nos prendem,

pois Vós sois o Deus da Vida.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cruz fiel e redentora – M. Faria, NRMS, 25

 

Oração sobre as oblatas: Ouvi-nos, Senhor Deus omnipotente, e, pela virtude deste sacrifício, purificai os vossos servos que iluminastes com os ensinamentos da fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

A ressurreição de Lázaro

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Como verdadeiro homem, Ele chorou pelo seu amigo Lázaro; como Deus eterno, ressuscitou-o do túmulo; compadecido da humanidade, fez-nos passar da morte à vida, mediante os sacramentos pascais.

Por Ele Vos adoram no Céu os coros dos Anjos e se alegram eternamente na vossa presença. Com eles também nós proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 38

 

Monição da Comunhão

 

O Corpo de Cristo, que hoje Se quer oferecer a nós, é a garantia da nossa futura ressurreição de entre os mortos. Acolhamos o Senhor, que veio para que tenhamos vida, e vida em abundância.

 

Cântico da Comunhão: Tomai e Comei – J. F. Silva, NRMS, 25

Jo 11, 26

Antífona da comunhão: Aquele que vive e crê em Mim não morrerá para sempre, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: O cálice de bênção – J. F. Silva, NRMS, 21

 

Oração depois da comunhão: Deus omnipotente, concedei-nos a graça de sermos sempre contados entre os membros de Cristo, nós que comungámos o seu Corpo e Sangue. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

«Sai para fora»! Este é o grito de Jesus para Lázaro, que ressoa também para nós, para que a nossa celebração seja também uma resposta e uma obediência a Jesus, para sairmos do homem velho e revestirmo-nos do homem novo.

 

Cântico final: Vós me salvastes Senhor – M. Simões, NRMS, 16

 

 

Homilias Feriais

 

5ª SEMANA

 

2ª Feira, 30-III: A Palavra de Deus e o seu perdão.

Dan 13,  41-62 / Jo 8, 1-11

Ninguém te condenou? Vai e, doravante, não tornes a pecar.

Susana foi acusada de um pecado de adultério e foi salva da morte pelo profeta Daniel (LT). Algo semelhante se passou com outra mulher adúltera, salva por Jesus (EV). A primeira nunca perdeu a confiança no Senhor. Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos nada temerei, pois Vós estais comigo (SR).

Deus não nega a sua ajuda àqueles que passam por momentos difíceis. Nestes dois casos trata-se de pecados graves, mas Deus vem perdoar todos os pecados. Nunca desanimemos, pois o perdão de Deus é infinito.

 

3ª Feira, 31-III: A Palavra de Deus e o olhar para a Cruz.

Num 21, 4-9 / Jo 8, 21-30

Faz uma serpente de bronze e prende-a num poste. Todo aquele, depois de mordido, olhar para ela, terá a vida salva.

Já no Antigo Testamento, Deus tinha ordenado a instituição de imagens, que conduziriam simbolicamente à salvação. Neste caso uma serpente de bronze, que fazia voltar à vida (LT). Esta serpente é uma figura da Cruz de Cristo no Calvário (EV). Lá do Céu o Senhor olhou para a terra para libertar os condenados à morte (SR).

Jesus pede a nossa colaboração: Quando levantardes o Filho do homem (EV). Com o nosso apostolado, encaminharemos as pessoas para a Cruz para serem curadas. Normalmente costumam ter dificuldades quando encontram a Cruz. Vamos animá-las.

 

4ª Feira, 1-IV: A Palavra de Deus e a Verdade que salva.

Dan 3, 14-20 / Jo 8, 31-42

Bendito seja o Deus de Sidrach. Mandou o seu Anjo, para livrar os seus servidores, que tiveram confiança nEle.

Embora sendo escravos do rei da Babilónia, os três jovens salvaram-se e foram libertados pela sua confiança em Deus, que é a Verdade (LT). Digno é o Senhor de louvor e de glória para sempre (SR).

Jesus diz-nos: Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (EV). Com a sua morte na Cruz deu-nos a salvação, libertando-nos da escravidão do pecado Para chegarmos ao conhecimento da Verdade, temos que conhecer bem Jesus, que é a Verdade. Para isso, precisamos ler diariamente o Evangelho, que denuncia igualmente as possíveis escravidões.

 

5ª Feira, 2-IV: A Palavra de Deus e a fidelidade à Aliança.

Gen 17, 3-9/ Jo 8, 51-59

Esta é a minha Aliança contigo: serás pai de um grande número de nações.

Deus estabelece uma Aliança com Abraão, válida igualmente para os seus descendentes (LT). Ele confiou em Deus e venceu todas as provações, tornando-se um exemplo de fidelidade. Deus recorda sempre a sua Aliança, o pacto que estabeleceu com Abraão (SR).

A Aliança estabelecida com Abraão foi renovada de uma vez para sempre por Cristo na Cruz. Na santa Missa há um momento em que nos é recordada: Este é o Cálice do meu Sangue, o Sangue da Nova e Eterna Aliança que será derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados. Façamos algum propósito de sermos mais fiéis ao Senhor.

 

6ª Feira, 3-IV: A Palavra de Deus e vitória da Cruz.

Jer 20, 10-13 / Jo 19, 31-42

Mas o Senhor está comigo como herói poderoso e os meus perseguidores cairão vencidos.

Este herói poderoso, relatado pelo profeta Jeremias (LT) é figura do próprio Cristo, que veio à terra para vencer o demónio. E, no entanto, os judeus querem matá-lo, apedrejando-o (EV). Senhor, tu és a minha força, a minha fortaleza, o meu refúgio e o meu libertador (SR).

O Senhor pede para acreditarmos nas suas obras (EV), pois por essa obras O conheceremos. Ele venceu o demónio, o que nos dá esperança, porque a derrota do demónio já está consumada. Esta vitória foi alcançada na Cruz e, de uma vez para sempre, no momento em que Jesus se entregou livremente à morte para nos dar a sua vida.

 

Sábado, 4-IV: A Palavra de Deus e a unidade.

Ez 37, 21-28 / Jo 11, 45-56

Vou reuni-los de toda a parte. Farei deles um só povo.

Segundo a profecia de Ezequiel (LT), Deus promete reunir os filhos de Israel, dispersos por todo o mundo. Aquele que dispersou Israel vai reuni-lo e guardá-lo como um pastor ao seu rebanho (SR). Caifás afirma que esta unidade será um dos frutos da morte de Cristo. É melhor morrer um só do que perecer a nação inteira (EV).

Mas esta unidade é obtida por outro modo. É dom do Espírito Santo que, no dia de Pentecostes, reúne uma grande multidão de diferentes línguas. Esta unidade é indispensável para que a Igreja seja um sinal visível para toda a humanidade.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   José Tiago Varanda

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais:           Nuno Romão

Sugestão Musical:        José Carlos Azevedo

 


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