ANUNCIAÇÃO DO SENHOR

25 de Março de 2020

 

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Rainha da graça – Az. Oliveira, NRMS, 75

Hebr 10, 5.7

Antífona de entrada: Ao entrar no mundo, o Senhor disse: Eu venho, meu Deus, para fazer a vossa vontade.

 

Diz–se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos o maravilhoso anúncio da Encarnação do Verbo de Deus. Esta solenidade aponta-nos para o Natal.

Os intervenientes neste acontecimento central da nossa fé, convidam-nos a dar graças a Deus por tão grande gesto de amor, na entrega de Seu Filho. O Arcanjo Gabriel fala-nos da beleza de Maria: “Cheia de Graça” e fala-nos na grandeza d’Aquele Menino: “Será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo. A Virgem Maria coloca-se em atitude de acolhimento, de disponibilidade e de serviço.

Tal notícia, cheia de alegria e vida, tão grande boa nova, será depois dada a conhecer a todos os povos da terra. Por isso “Todas as gerações A proclamarão bem-aventurada”

Maria ensina-nos como podemos acolher a Deus. Celebrar a Eucaristia é colocar-se em atitude de acolhimento, docilidade e disponibilidade para Deus e para irmãos.

 

Oração colecta: Deus, Pai santo, que na vossa benigna providência quisestes que o vosso Verbo assumisse verdadeira carne humana no seio da Virgem Maria concedei–nos que, celebrando o nosso Redentor como verdadeiro Deus e verdadeiro homem, mereçamos também participar da sua natureza divina.

Por Nosso Senhor...

 

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Profeta leva a maravilhosa noticia que Deus não se afasta de seu Povo. Mesmo no meio de todas as barreiras e hipocrisia, Deus cumpre a sua promessa.

 

Isaías 7, 10-14 8, 10

 

Naqueles dias, 10o Senhor mandou ao rei Acaz a seguinte mensagem: 11“Pede um sinal ao Senhor teu Deus, quer nas profundezas do abismo, quer lá em cima nas alturas”. 12Acaz respondeu: “Não pedirei, não porei o Senhor à prova”. 13Então Isaías disse: “Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? 14Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será ‘Emanuel’, porque Deus está connosco”.

 

Este célebre texto messiânico é extraído do início do «Livro do Emanuel», assim chamado pela misteriosa figura central do Immánu-El (Deus connosco), um «menino» descrito com traços que excedem tudo o que a história da monarquia hebraica regista (Is 7,1 – 12,6), daí o seu carácter messiânico, em quem os cristãos vêem uma figura do Salvador.

10-13 Como prova de que o rei Acaz não virá a ser destronado e substituído pelo filho de Tabel, estranho à linhagem davídica (estamos na conjura siro-efraimita contra o rei de Judá), o profeta Isaías propõe ao rei que peça um sinal divino, o mais extraordinário que seja (cf. v. 11). O rei, com hipócrita religiosidade, nega-se a pedir esse sinal, porque não acredita em sinais, em coisas sobrenaturais. Foi por esta ocasião (o que não quer dizer exactamente o mesmo momento) em que o Profeta, dirigindo-se à linhagem (casa) de David, anunciou que o Senhor dará um sinal verdadeiramente extraordinário e que o trono de David se consolidará eternamente (cf. 2Sam 7,16).

14 Esse «sinal» é a virgem que concebe. Muito se tem discutido e escrito sobre este sinal. Uma coisa é certa, é que o crente não pode prescindir de algum sentido messiânico (directo ou indirecto) desta célebre passagem isaiana. De facto, a própria exegese bíblica mostra que estamos no chamado «Livro do Imanuel» (Is 7 – 12), uma secção de carácter vincadamente messiânico por apontar para um descendente de David em quem se concentram as promessas da salvação de Deus, o Imanuel (o Deus connosco); embora, em primeiro plano, possa ser visado o próprio filho do rei Acaz, Ezequias, ele é considerado uma figura ou tipo do Messias. A tradução grega dos LXX (inspirada por Deus?) utilizou um termo específico para designar a virgindade desta mãe, chamando-a parthénos, quando o termo hebraico original não designa mais que a sua idade juvenil: ‘almáh. A célebre tradução grega em que se apoiavam os primeiros apologistas cristãos para demonstrarem aos judeus que Jesus é o Messias prometido, veio a ser rejeitada pelos judeus, que a substituíram por outras versões (ou antes adaptações gregas, Áquila, Símaco e Teodocião) e o dia festivo para comemorar a tradução dos LXX passou a ser um dia de luto. A interpretação mais tradicional defende o sentido literal (não se contentando com o sentido chamado típico ou pleno, suficientes para se garantir o sentido messiânico da passagem) e faz finca-pé em que Deus tinha oferecido pelo Profeta um sinal prodigioso, e eis que o dá; ora esse sinal só é prodigioso se a concepção e o nascimento do Menino acontece sem destruir a virgindade da Mãe; aliás é ela a pôr o nome ao filho, coisa que pertence sempre ao pai (que aqui não aparece). O próprio nome do filho insinua a sua divindade, «Deus connosco» é a mesma personagem extraordinária anunciada em Is 9,5-6: «Deus forte, príncipe da paz...».

 

Salmo Responsorial    Sl 39 (40), 7–8a.8b–9.10.11 (R. 8a.9a)

 

Monição: Ouvidos que acolhem com o coração, fazem-se disponibilidade e entrega: “Aqui estou”. “Venho para fazer a vossa vontade”.

 

Refrão:     Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.

 

Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações,

mas abristes-me os ouvidos

não pedistes holocaustos nem expiações,

então clamei: «Aqui estou».

 

De mim está escrito no livro da Lei

que faça a vossa vontade.

Assim o quero, ó meu Deus,

a vossa lei está no meu coração».

 

Proclamei a justiça na grande assembleia,

não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.

 

Não escondi a vossa justiça no fundo do coração,

proclamei a vossa fidelidade e salvação.

Não ocultei a vossa bondade e fidelidade

no meio da grande assembleia.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Cristo, pela encarnação, revela total despojamento, humildade, disponibilidade e serviço.

 

Hebreus 10, 4-10

 

Irmãos: 4É impossível que o sangue de touros e cabritos perdoe os pecados. 5Por isso, ao entrar no mundo, Cristo disse: “Não quiseste sacrifícios nem oblações, mas formaste-Me um corpo. 6Não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado. 7Então Eu disse: ‘Eis-Me aqui no livro sagrado está escrito a meu respeito: Eu venho, meu Deus, para fazer a tua vontade’”. 8Primeiro disse: “Não quiseste sacrifícios nem oblações, não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado”. E no entanto, eles são oferecidos segundo a Lei. 9Depois acrescenta: “Eis-Me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade”. Assim aboliu o primeiro culto para estabelecer o segundo. 10É em virtude dessa vontade que nós somos santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita de uma vez para sempre.

 

O autor de Hebreus está no final da primeira parte da obra, precisamente quando discorre sobre a superioridade do sacrifício de Cristo relativamente a todos os sacrifícios da Lei Antiga (8,1 – 10,18), sob o ponte de vista da eficácia, argumentando, à boa maneira rabínica, a partir dos Salmos 40,7-9 e 110,1. Perante a ineficácia dos sacrifícios da Antiga Lei, o próprio Deus decide vir à Terra, na pessoa do Filho para poder oferecer, da parte da humanidade (Cristo é perfeito homem), um sacrifício de eficácia infinita (Cristo é perfeito Deus), oferecido de uma vez para sempre (v. 10), e assim aboliu o primeiro culto, o levítico (v. 9). Recorde-se que o Sacrifício do Calvário é único pelo seu infinito valor, o Sacrifício da Missa não é outro sacrifício diferente, mas o mesmo sacrifício que se torna presente sacramentalmente a todos os tempos nos nossos altares, aplicando-nos os méritos da Cruz.

7 «Eis-me aqui». Palavras do Salmo 40 (39) que o autor inspirado aplica a Jesus, e que a Liturgia hoje põe no coração do Filho de Deus, ao incarnar no seio da Santíssima Virgem, que diz também «eis aqui a serva do Senhor» (Lc 1,38).

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 1, 14ab

 

Monição: Contemplar Maria neste mistério da Anunciação é perceber o que significa acolher e estar totalmente disponível para Deus.

 

Cântico: Louvor e glória a Vós – J. F. Silva, NRMS, 1 (I)

 

O Verbo fez-Se carne e habitou entre nós

e nós vimos a sua glória.

 

 

Evangelho

 

Lucas 1, 26-38

 

Naquele tempo, 26o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. 27O nome da Virgem era Maria. 28Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: “Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo”. 29Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. 30Disse-lhe o Anjo: “Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David 33reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim”. 34Maria disse ao Anjo: “Como será isto, se eu não conheço homem?”. 35O Anjo respondeu-lhe: “O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. 36E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril 37porque a Deus nada é impossível”. 38Maria disse então: “Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra”.

 

A cena da Anunciação, narrada com toda a simplicidade, tem uma densidade tal, que cada palavra encerra uma riqueza e profundidade impressionante, o que condiz bem com o acontecimento mais assombroso e transcendente da História, a Incarnação do Filho eterno de Deus, quando o Eterno entra no tempo, o Criador se faz criatura! Assim, a surpresa do leitor transforma-se em encanto e deslumbramento. O próprio paralelismo dos relatos lucanos do nascimento de João e de Jesus, revestem-se dum contraste deveras significativo: à majestade do Templo e grandiosidade de Jerusalém contrapõe-se a singeleza duma casa numa desconhecida e menosprezada aldeia de Galileia; ao afã dum casal estéril por ter um filho, a pureza duma virgem que renunciara à glória de ser mãe; à dúvida de Zacarias, a fé obediente de Maria!

26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A.T. (Dan 8,16-26; 9,21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».

28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita:

«Ave»: Vulgarizou-se esta tradução, correspondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia» (a nova tradução tem salve); cf. Mt 26,49), mas que não parece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10,5); seria de preferir a tradução (como a italiana e a espanhola): «alegra-te» – a tradução literal do imperativo grego khaire –, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretação patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêem na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria messiânica da «Filha de Sião» (Sof 3,14; Jl 2,21-23; Zac 9,9).

Ó «cheia de graça»: Esta designação tem muita força expressiva, pois está em vez do nome próprio, por isso define o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que está cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado passivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criadora e transformante de Deus em Maria: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graça, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio texto original indica.

«O Senhor está contigo»: a expressão é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta à altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28,15), Moisés (Ex 3,12) e Gedeão (Jz 6,12), que não são apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confiada por Ele.

Chamamos a atenção para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita és tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Nova Vulgata, ao corrigir a Vulgata, passou a omiti-lo.

29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural temor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1,12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúgio dos seus medos, pois n’Ela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que precisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias (cf. Lc 1,18).

32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «encontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1Sam 1,18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, Noé (Gn 6,8) e Moisés (Ex 33,12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Maria (cf. 2Sam 7,8-16; Salm 2,7; 88,27; Is 9,6; Jer 23,5; Miq 4,7; Dan 7,14).

34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido, se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício literário e também «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7,14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria aparece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte, um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos, mas renunciando a consumar a união; nem todos os estudiosos, porém, assim pensam, como também se vê no interessante filme Figlia del suo Figlio.

35 «O Espírito Santo virá sobre ti…». Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a sua força criadora (cf. Gn 1,2; Salm 104,30) e santificadora (cf. Act 2,3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; para a nova tradução propõe-se: «te envolverá»); o verbo grego (ensombrar) é usado no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glória de Deus estabelecia a sua morada (Ex 40,34-36); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai gerar (pode ver-se nesta passagem o fundamento bíblico para o título de Maria, «Arca da Aliança»).

«O Santo que vai nascer…». O texto admite várias traduções legítimas; a litúrgica, afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Nova Vulgata; uma tradução na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso também aquele que nascerá santo será chamado Filho de Deus». I. de la Potterie chega a ver aqui uma alusão ao parto virginal de Maria: «nascerá santo», isto é, não manchado de sangue, como num parto normal. «Será chamado» (entenda-se, «por Deus» – passivum divinum) «Filho de Deus», isto é, será realmente Filho de Deus, pois aquilo que Deus chama tem realidade objectiva (cf. Salm 2,7).

38 «Eis a escrava do Senhor…». A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a entrega total de Maria ao plano divino, mas a nova tradução propõe serva. Com efeitos, Maria diz o seu sim a Deus, chamando-se «serva do Senhor»; é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este apelativo, como que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus, que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraão, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela aparece neste relato: «Maria», o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que Ela se dá a si mesma.

«Faça-se…». O «sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal seria o uso do modo imperativo génesthô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus (M. Orsatti).

 

Sugestões para a homilia

 

«Ave, cheia de graça»

Conceberás e darás á luz um filho».

«Eis a escrava do Senhor»

 

«Ave, cheia de graça».

O Anjo Gabriel apresenta-se diante de Maria de Nazaré com uma atitude de reverência, usando diálogo de grande beleza, denso e profundo. Tal diálogo é expressão totalmente coerente da vontade de Deus e do seu projeto!

Pelos modos como se apresenta deixa bem patente a grandeza de Maria aos olhos de Deus. Este maravilhoso Arcanjo Gabriel, escolhido para mensageiro de tão elevada missiva, foi testemunha da mais eloquente história de amor e misericórdia entre os céus e a terra. Como sentiu a glória de Deus no sim que Maria pronunciou livre e responsável! Um sim que permitiu a encarnação do Filho de Deus. Um sim de glorificação Trinitária. Um sim da vitória última e definitiva. Como teria, o Arcanjo Gabriel, exultado em louvor e ação de graças por este acontecimento ímpar. Ficou feliz por ver na terra uma Mulher Admirável, tão diferente de Eva. Ele nos revela como Maria é grande e bela!

O Anjo Gabriel nos ensine a saber contemplar Maria, a descobrir o seu ser cheio de graça e de impressionante beleza espiritual. Nos ensine a amá-La como Deus quer que A amemos. Que sejamos geração que A proclama bem-aventurada.

 

«Conceberás e darás à luz um filho».

A centralidade da palavra é o menino que vai nascer. Em Isaías, profeta que quer animar e abrir à esperança, anuncia ao temeroso rei Acaz, o nascimento de um menino. O rei, de forma hipócrita, diz que não quer por o Senhor à prova, alegando então uma razão religiosa para esconder a sua falta de fé. Mas é claro que é uma promessa que não se esgota nem se realiza em plenitude no filho de Acaz.

A centralidade é sobretudo, o Emanuel, Jesus, o Filho do Altíssimo. É central na mensagem da palavra de Deus expressa ao longo da caminhada do Povo da Aliança, e agora tornada realidade, na missiva do Arcanjo Gabriel e no Sim de Maria. Sim a Deus, Sim ao Seu Filho. Em liberdade, inteligência e graça decide, compromete-se, faz-se serva.

Maria é a testemunha privilegiada do verdadeiro Deus, do Deus feito Homem, que Ela acolheu no seu Coração e no seu ventre e no-Lo ofereceu. Maria nos ensina a beleza da fé, da docilidade e da entrega, que permite que Deus realize em nós maravilhas.

 

 «Eis a escrava do Senhor»

Maria aparece como Mulher inteligente, madura, livre, audaz, responsável.

Mulher de total pertença a Deus, “propriedade” de Deus. Aberta às surpresas e novidade de Deus deixou-se conduzir em fidelidade total e santidade de vida.

O seu «eis-me aqui», o seu «sim», semelhante ao do seu Filho, abre a porta a outros sins… e o mais próximo vai ser o de José. Abrirá a porta aos sins dos apóstolos e dos discípulos do Seu Filho. E tantos sins que nEla encontram motivos de entrega.

Eis a serva é um sim esponsal. É a resposta do amor ao amor, expressão do dom total. É o momento da aliança do amor.

Gabriel ficou contente por ver uma Mulher de tamanha qualidade. Também gostou que Maria o tivesse interrogado! Ficou comovido com a sua liberdade e audácia. Mas ficou muito e muito feliz quando Maria lhe disse: “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”.

 

Fala o Santo Padre

 

«Deus continua a procurar corações como o de Maria,

dispostos a acreditar até em condições absolutamente extraordinárias.»

 

Acabamos de ouvir o anúncio mais importante da nossa história: a anunciação a Maria (cf. Lc 1, 26-38). Um trecho denso, cheio de vida, e que gosto de ler à luz de outro anúncio: o do nascimento de João Batista (cf. Lc 1, 5-20). Dois anúncios que se seguem e que estão unidos; dois anúncios que, se forem comparados, nos mostram aquilo que Deus nos doa no seu Filho.

A anunciação de João Batista ocorre quando Zacarias, sacerdote, pronto para dar início à ação litúrgica, entra no Santuário do Templo, enquanto toda a assembleia está do lado de fora, à espera. Ao contrário, a anunciação de Jesus realiza-se num lugar remoto da Galileia, numa cidade periférica e com uma fama não particularmente boa (cf. Jo 1, 46), no anonimato da casa de uma jovem de nome Maria.

Um contraste não irrelevante, que nos indica que o novo Templo de Deus, o novo encontro de Deus com o seu povo, terá lugar em locais onde normalmente não esperamos, às margens, na periferia. Ali se marcarão encontro, ali se encontrarão; ali Deus se fará carne para caminhar connosco desde o seio da sua Mãe. Já não será um lugar reservado a poucos, enquanto a maioria permanece fora, à espera. Nada e ninguém lhe será indiferente, nenhuma situação será privada da sua presença: a alegria da salvação tem início na vida quotidiana da casa de uma jovem de Nazaré.

O próprio Deus é Aquele que toma a iniciativa e escolhe inserir-se, como fez com Maria, nas nossas casas, nas nossas lutas do dia a dia, repletas de ansiedades e, ao mesmo tempo, de desejos. E é precisamente dentro das nossas cidades, das nossas escolas e universidades, das praças e dos hospitais que se cumpre o anúncio mais bonito que podemos ouvir: «Alegra-te, o Senhor está contigo!». Uma alegria que gera vida, que gera esperança, que se faz carne no modo em que olhamos para o porvir, na atitude com que olhamos para os outros. Uma alegria que se torna solidariedade, hospitalidade, misericórdia para com todos.

Como Maria, também nós podemos estar desorientados. «Como acontecerá isto» em tempos com tanta especulação? Especula-se sobre a vida, sobre o trabalho, sobre a família. Especula-se sobre os pobres e os migrantes; especula-se sobre os jovens e o seu futuro. Tudo parece reduzir-se a números, deixando, por outro lado, que a vida diária de muitas famílias se tinja de precariedade e de insegurança. Enquanto a dor bate em muitas portas, enquanto cresce a insatisfação de numerosos jovens pela falta de oportunidades reais, a especulação abunda em todos os lados.

Certamente, o ritmo vertiginoso a que estamos submetidos parece roubar-nos a esperança e a alegria. As pressões e a impotência perante muitas situações parece que nos torna áridos e insensíveis diante dos inúmeros desafios. E paradoxalmente quando tudo se acelera para construir — em teoria — uma sociedade melhor, no final não se tem tempo para nada e para ninguém. Perdemos o tempo para a família, para a comunidade, para a amizade, para a solidariedade e para a memória.

Far-nos-á bem questionar-nos: como é possível viver a alegria do Evangelho hoje nas nossas cidades? É possível a esperança cristã nesta situação, aqui e agora?

Estas duas perguntas referem-se à nossa identidade, à vida das nossas famílias, dos nossos países e das nossas cidades. Mexem com a vida dos nossos filhos, dos nossos jovens e exigem da nossa parte um novo modo de nos situar na história. Se a alegria e a esperança cristã continuam a ser possíveis, não podemos, não queremos permanecer diante de tantas situações dolorosas como meros espectadores que olham para o céu esperando que «deixe de chover”. Tudo o que acontece exige que olhemos para o presente com audácia, com a audácia de quem sabe que a alegria da salvação adquire forma na vida quotidiana da casa de uma jovem de Nazaré.

Diante desta desorientação de Maria, perante as nossas desorientações, são três as chaves que o Anjo nos oferece para nos ajudar a aceitar a missão que nos é confiada.

1. Evocar a Memória

A primeira coisa que o Anjo faz é evocar a memória, abrindo assim o presente de Maria a toda a história da Salvação. Evoca a promessa feita a David como fruto da aliança com Jacó. Maria é filha da Aliança. Também nós hoje somos convidados a fazer memória, a olhar para o nosso passado para não esquecer de onde viemos. Para não nos esquecermos dos nossos antepassados, dos nossos avós e de tudo aquilo que passaram para chegar onde estamos hoje. Esta terra e a sua gente conheceram a dor das duas guerras mundiais; e, por vezes, viram a sua merecida fama de laboriosidade e civilização contaminada por ambições desregradas. A memória ajuda-nos a não permanecer prisioneiros de discursos que semeiam ruturas e divisões como único modo para resolver os conflitos. Evocar a memória é o melhor antídoto que temos à nossa disposição diante das soluções mágicas da divisão e da alienação.

2. A pertença ao Povo de Deus

A memória permite que Maria se aproprie da sua pertença ao Povo de Deus. Faz-nos bem recordar que somos membros do Povo de Deus! Milaneses, sim, Ambrosianos, sem dúvida, mas parte do grande Povo de Deus. Um povo formado por mil rostos, histórias e proveniências, um povo multicultural e multiétnico. Esta é uma das nossas riquezas. É um povo chamado a acolher as diferenças, a integrá-las com respeito e criatividade e a celebrar a novidade que provém dos outros; é um povo que não tem medo de abraçar os confins, as fronteiras; é um povo que não tem medo de acolher quem necessita porque sabe que ali está presente o seu Senhor.

3. A possibilidade do impossível

«Nada é impossível a Deus» (Lc 1, 37): assim termina a resposta do Anjo a Maria. Quando acreditamos que tudo depende exclusivamente de nós permanecemos prisioneiros das nossas capacidades, das nossas forças, dos nossos horizontes míopes. Quando, pelo contrário, nos dispomos a deixar-nos ajudar, aconselhar, quando nos abrimos à graça, parece que o impossível começa a tornar-se realidade. Sabem bem isto estas terras que, ao longo da sua história, geraram muitos carismas, muitos missionários, muitas riquezas para a vida da Igreja! Numerosos rostos que, superando o pessimismo estéril e divisor, abriram-se à iniciativa de Deus e tornaram-se sinal de quão fecunda possa ser uma terra que não se deixa fechar nas próprias ideias, limites e capacidades e se abre aos outros.

Como ontem, Deus continua a procurar aliados, continua a procurar homens e mulheres capazes de acreditar, capazes de fazer memória, de se sentirem parte de seu povo para cooperar com a criatividade do Espírito. Deus continua a percorrer os nossos bairros e as nossas ruas, vai a todos os lugares em busca de corações capazes de escutar o seu convite e de o fazer tornar-se carne aqui e agora. Parafraseando Santo Ambrósio no seu comentário a este trecho podemos dizer: Deus continua a procurar corações como o de Maria, dispostos a acreditar até em condições absolutamente extraordinárias (cfr. Exposição do Evangelho segundo Lucas II, 17: pl 15, 1559). Que o senhor faça crescer em nós esta fé e esta esperança.

  Papa Francisco, Homilia, Parque de Monza, Milão, 25 de março de 2017

 

Diz-se o Credo.

Às palavras «e encarnou ...», ajoelha-se.

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos em Cristo:

Unidos, pela fé, à Virgem Maria,

em cujo seio o Verbo Se fez carne para a salvação do mundo,

façamos subir ao Pai as nossas súplicas,

dizendo (ou:  cantando):

 

R.   Pela Vossa Encarnação, ouvi-nos Senhor.

Ou: Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

Ou: Interceda por nós a Mãe do Verbo Encarnado.

 

1-Para que a Igreja, dispersa pelo mundo,

anuncie fielmente Jesus Cristo,

concebido no seio da Virgem Maria,

oremos, irmãos.

 

2-Para que o Papa Francisco, os bispos, os presbíteros e os diáconos,

amem a Deus de todo o coração

e exerçam o seu ministério imitando a Cristo,

oremos, irmãos.

 

3- Para que em Cristo, servo obediente,

que veio ao mundo para fazer a vontade do Pai,

ofereçamos a Deus a nossa própria vida,

oremos, irmãos.

 

4- Para que aos pobres e a todos os que sofrem

seja feita justiça, não lhes falte o necessário

e se reconheça neles o rosto de Cristo,

oremos, irmãos.

 

5-Para que a Virgem Santa Maria, Mãe do ‘Emanuel’,

que nos foi dado por seu Filho como nossa Mãe,

nos acompanhe quer na vida quer na morte,

oremos, irmãos.

 

6- Para que os cristãos de todas as Igrejas,

particularmente os da nossa Diocese,

imitem Cristo no seu modo de viver,

oremos, irmãos.

 

 

Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas,

para que a anunciação do Anjo,

que nos revelou a encarnação do vosso Filho,

e a intercessão da Virgem Santa Maria

nos levem a contemplar a vossa glória.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O Anjo do Senhor anunciou a Maria – M. Simões, NRMS,31

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, os dons da vossa Igreja, que reconhece a sua origem na Encarnação do vosso Filho e fazei-lhe sentir a alegria de celebrar nesta solenidade os mistérios do seu Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

 

O mistério da Encarnação

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor. Pela Anunciação do mensageiro celeste, a Virgem Imaculada acolheu com fé a vossa Palavra e pela acção admirável do Espírito Santo trouxe em seu ventre com amor inefável o Primogénito da nova humanidade, que vinha cumprir as promessas feitas a Israel e revelar-Se ao mundo como a esperança de todos os povos.

Por isso com os Anjos, que adoram a vossa majestade e exulta eternamente na vossa presença, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

Santo, Santo, Santo...

 

Santo: C. Silva – COM, (pg 193)

 

Monição da Comunhão

 

Como Maria devemos acolher o Filho de Deus com todo o amor, responsabilidade e compromisso de vida.

Permitamos que Cristo nos conduza pelo Seu caminho de despojamento, humidade e de serviço aos irmãos.

 

Cântico da Comunhão: Louvemos o Senhor, cantemos ao Senhor – J. Santos, NRMS, 81

Is 7, 14

Antífona da comunhão: A Virgem conceberá e dará à luz um Filho e o seu nome será Emanuel, Deus connosco.

 

Cântico de acção de graças: Magnificat – B. Terreiro, CNPL 600

 

Oração depois da comunhão: Confirmai em nós, Senhor, os mistérios da verdadeira fé, para que, tendo proclamado que Jesus Cristo, concebido da Virgem Maria, é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, cheguemos, pelo poder da sua ressurreição, às alegrias da vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos para os nossos ambientes com a experiência maravilhosa da celebração de hoje.

Que levemos a proposta de Deus a sério. Que Deus em nós seja traduzido em gestos concretos de misericórdia, humildade, serviço e partilha.

Ouçamos o Arcanjo Gabriel: Olhemos Maria, fixemos o seu Rosto de beleza e santidade! Fixemos o seu estilo de amar e servir. Amemos Maria e deixemo-nos conduzir por Ela!

 

Cântico final: Avé Maria Senhora – J. F. Silva, NRMS, 81

 

 

Homilias Feriais

 

5ª Feira, 26-III: A Palavra de Deus e os Intercessores.

Ex 32, 7-14 / Jo 6, 31-47

Moisés Deixai cair a vossa ardente indignação. Renunciai ao castigo que quereis dar ao vosso povo.

Depois do terrível acto de adoração do bezerro de ouro (LT e SR), Moisés tornou-se um poderoso intercessor diante de Deus para salvar o povo que o Senhor lhe tinha confiado. Deus pensava em exterminá-lo, se Moisés não intercedesse junto dEle (SR). Jesus refere-se a Moisés, recordando-o como autor dos 5 primeiros livros da Bíblia, para que os judeus acreditassem.

Agora o intercessor é Cristo, que se ofereceu ao Pai, de uma vez por todas, morrendo como intercessor sobre o altar da Cruz, para realizar a favor dos homens, uma redenção eterna. E que Ele deixou à sua Igreja através do sacrifício visível da Santa Missa.

 

6ª Feira, 27-III: A Palavra de Deus e a Paixão de Cristo.

Sab 2, 1. 12-22 / Jo 7, 1-2. 10. 25-30

Se esse justo é filho de Deus, Deus estará ao seu lado. Condenemo-lo a morte infame, pois Ele diz que será socorrido.

Os ímpios procuravam armar ciladas ao justo (LT). Esta profecia realizar-se-ia, pois os judeus queriam dar-lhe a morte, já no momento da festa dos Tabernáculos, mas sem o conseguirem, pois ainda não tinha chegado a sua hora (EV).

Jesus aceita livremente a sua paixão e morte, para cumprir a vontade do Pai e por amor aos homens, a quem o Pai queria se salvassem (EV). Todos beneficiamos dos méritos da sua Paixão e, ao mesmo tempo, somos chamados a associar-nos ao seu sacrifício. Assim aconteceu com sua Mãe, que ficou associada mais do que ninguém, pela sua presença no Calvário.

 

Sábado, 28-III: A Palavra de Deus e o Cordeiro Pascal.

Jer 11, 18-20 / Jo 7, 40-53

Eu era como o dócil cordeiro levado ao matadouro, sem saber a conjura que teciam contra mim.

 O profeta Jeremias utilizou a imagem do cordeiro levado ao matadouro (LT) e mais tarde, João Baptista apresenta Jesus como o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

De entre os que escutaram Jesus havia opiniões diferentes: uns a favor e outros contra. De entre estes, aparece Nicodemos, que anteriormente tinha estado com Jesus (EV) e que. depois estará igualmente junto da Cruz. Quando Jesus morre na cruz, a sua morte é, ao mesmo tempo, o sacrifício pascal, por meio do Cordeiro que tira o pecado do mundo, e o sacrifício da Nova Aliança, que restabelece a comunhão entre Deus e os homens.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais:           Nuno Romão

Sugestão Musical:        José Carlos Azevedo

 


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