4º Domingo da Quaresma

22 de Março de 2020

 

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios para o Baptismo dos adultos, neste domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Alegra-te. ó Jerusalém – A. F. Santos, BML, 32

cf. Is 66, 10-11

Antífona de entrada: Alegra-te, Jerusalém; rejubilai, todos os seus amigos. Exultai de alegria, todos vós que participastes no seu luto e podereis beber e saciar-vos na abundância das suas consolações.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Este 4º Domingo da Quaresma é chamado o Domingo da alegria e a liturgia da Palavra convida-nos a uma reflexão profunda sobre a virtude fundamental da fé.

Uma Quaresma bem vivida é compatível com a virtude da alegria. E o melhor caminho para uma alegria crescente é o aprofundamento da virtude da fé.

 

Ato penitencial

 

    Porque tantas vezes nos afastamos do amparo e amor do Bom Pastor, trocando-O, por engano e por pouca fé, pelas julgadas seguranças terrenas, comecemos por LHE pedir perdão.

 

    (Tempo de silêncio, ou em alternativa a sugestão que se segue)

 

    Senhor Jesus,

que, por leviandade, com tanta facilidade nos afastamos de Vossa amável companhia, de nós, tende misericórdia.

 

    Cristo, misericórdia!

 

    Jesus Cristo, que nos revelastes o Amor infinito do Pai do Céu

    e n’Ele tão pouco temos meditado e correspondido, de nós, tende misericórdia.

 

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor Jesus, que não quereis que o pecador viva triste e se condene,

    mas que se arrependa e viva para sempre, cheio de alegria, de nós, tende misericórdia.

 

    Senhor, misericórdia!

 

    Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

    perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus de misericórdia, que, pelo vosso Filho, realizais admiravelmente a reconciliação do género humano, concedei ao povo cristão fé viva e espírito generoso, a fim de caminhar alegremente para as próximas solenidades pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Samuel é enviado secretamente por Deus a Belém, a casa de Jessé, para escolher um rei, em substituição de Saúl. Deixa-se impressionar pelo aspeto físico dos irmãos de David, mas o Senhor observa-lhe: “Deus não vê como o homem; o homem olha às aparências, o Senhor vê o coração”.

 

1 Samuel 16, 1b.6-7.10-13ª

 

1bNaqueles dias, o Senhor disse a Samuel: «Enche o corno de óleo e parte. Vou enviar-te a Jessé de Belém, pois escolhi um rei entre os seus filhos». 6Quando chegou, Samuel viu Eliab e pensou consigo: «Certamente é este o ungido do Senhor». 7Mas o Senhor disse a Samuel: «Não te impressiones com o seu belo aspecto, nem com a sua elevada estatura, pois não foi esse que Eu escolhi. Deus não vê como o homem; o homem olha às aparências, o Senhor vê o coração». 10Jessé fez passar os sete filhos diante de Samuel, mas Samuel declarou-lhe: «O Senhor não escolheu nenhum destes». 11E perguntou a Jessé: «Estão aqui todos os teus filhos?» Jessé respondeu-lhe: «Falta ainda o mais novo, que anda a guardar o rebanho». Samuel ordenou: «Manda-o chamar, porque não nos sentaremos à mesa, enquanto ele não chegar». 12Então Jessé mandou-o chamar: era loiro, de belos olhos e agradável presença. O Senhor disse a Samuel: «Levanta-te e unge-o, porque é este mesmo». 13Samuel pegou no corno do óleo e ungiu-o no meio dos irmãos. Daquele dia em diante, o Espírito do Senhor apoderou-Se de David.

 

A leitura é tirada do início da última parte do 1º livro de Samuel, que deixa ver o progressivo declínio do rei Saúl até à sua morte. A ascensão de David ao trono de Israel não aparece apenas como obra do seu génio e sagacidade, mas como uma providência divina com a intervenção do profeta Samuel.

1 «Jessé», grafia usada na Vulgata para o pai de David, chamado Isaí, no texto hebraico (nos LXX, Iesai).

6-7 Tanto o profeta Samuel como Isaí estavam de acordo em sagrar rei o primogénito Eliab. Porém Deus, nos seus desígnios vocacionais, não olha a critérios humanos (ser o mais velho, o mais belo, o mais forte, o mais sábio): «o homem olha às aparências, o Senhor vê o coração». A escolha divina é gratuita, não partindo dos méritos do escolhido, mas da benevolência divina que torna o homem capaz de cumprir a missão a que o chama.

12 «Ungiu-o no meio dos seus irmãos», isto é, em família, sem qualquer espécie de publicidade para evitar as iras e represálias do rei Saúl.

 

Salmo Responsorial    Sl 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 1)

 

Monição: O salmo 23 é um cântico cheio de confiança filial no Senhor que, no momento exato, está junto de nós para nos ajudar.

Este salmo adquire pleno significado quando Jesus se nos apresenta como o Bom Pastor.

 

Refrão:     O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

 

Ou:           O Senhor me conduz: nada me faltará.

 

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários;

com óleo me perfumais a cabeça

e meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida,

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Paulo anima os fieis da Igreja de Éfeso a colaborar ativamente na vida da mesma, sobretudo na difusão do Evangelho.

Cada um de nós recebeu, pelo Batismo, uma missão em favor de toda a comunidade dos homens.

 

Efésios 5, 8-14

 

Irmãos: 8Outrora vós éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz, 9porque o fruto da luz é a bondade, a justiça e a verdade. 10Procurai sempre o que mais agrada ao Senhor. 11Não tomeis parte nas obras das trevas, que são inúteis; tratai antes de condená-las abertamente, 12porque o que eles fazem em segredo até é vergonhoso dizê-lo. 13Mas, todas as coisas que são condenadas são postas a descoberto pela luz, e tudo o que assim se manifesta torna-se luz. 14É por isso que se diz: «Desperta, tu que dormes; levanta-te do meio dos mortos e Cristo brilhará sobre ti».

 

A leitura é tirada da segunda parte de epístola, com exortações morais, correspondentes a uma vida nova em Cristo.

2 «Outrora», isto é, antes da conversão, «éreis trevas», pois viviam na ignorância, no erro, no pecado, afastados de Cristo, Luz do mundo, «mas agora sois luz no Senhor», pela fé e pela graça que têm pela sua união ao Senhor (cf. Jo 12,35-36). «Filhos da luz» (cf. Lc 16,8; Jo 12,36) é um semitismo que corresponde ao adjectivo: iluminados (pela verdade de Cristo, «Luz verdadeira que a todo o homem ilumina» – Jo 1,9.4-5).

10 «Procurai sempre o que mais agrada ao Senhor». Para nos comportarmos como filhos da luz, temos de ter essa sobrenatural ponderação e discernimento de quem busca a todo o momento, em tudo o que diz e faz, a vontade de Deus.

13 «Tudo o que assim se manifesta torna-se luz». Toda a maldade que se denuncia é um projectar de luz sobre os ambientes tenebrosos do pecado. Estas palavras podiam adaptar-se à denúncia da nossa própria maldade, que levamos dentro de nós. Essa denúncia mais sincera e eficaz é a que se faz quando, no Sacramento da Penitência, acusamos sincera e contritamente os nossos pecados: então a nossa vida torna-se clara e luminosa, é luz. (A leitura presta-se, pois, a falar da Confissão Quaresmal).

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 8, 12

 

Monição: Jesus Cristo é a Luz que ilumina a nossa vida e lhe dá sentido. Como precisamos desta Luz para descobrir os verdadeiros valores da vida e nos reconhecermos como irmãos!

 

Cântico: Louvor e glória a Vós – B. Salgado, NRMS, 32

 

Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor:

quem Me segue terá a luz da vida.

 

 

Evangelho

 

Forma longa: São João 9, 1-41;                        forma breve: São João 9, 1.6-9.13-17.34-38

 

1Naquele tempo, Jesus encontrou no seu caminho um cego de nascença. [2Os discípulos perguntaram-Lhe: «Mestre, quem é que pecou para ele nascer cego? Ele ou os seus pais?» 3Jesus respondeu-lhes: «Isso não tem nada que ver com os pecados dele ou dos pais; mas aconteceu assim para se manifestarem nele as obras de Deus. 4É preciso trabalhar, enquanto é dia, nas obras d’Aquele que Me enviou. Vai chegar a noite, em que ninguém pode trabalhar. 5Enquanto Eu estou no mundo, sou a luz do mundo». 6Dito isto,] cuspiu em terra, fez com a saliva um pouco de lodo e ungiu os olhos do cego. Depois disse-lhe: 7«Vai lavar-te à piscina de Siloé»; Siloé quer dizer «Enviado». Ele foi, lavou-se e ficou a ver. 8Entretanto, perguntavam os vizinhos e os que antes o viam a mendigar: «Não é este o que costumava estar sentado a pedir esmola?» 9Uns diziam: «É ele». Outros afirmavam: «Não é. É parecido com ele». Mas ele próprio dizia: «Sou eu». [10Perguntaram-lhe então: «Como foi que se abriram os teus olhos?» 11Ele respondeu: «Esse homem, que se chama Jesus, fez um pouco de lodo, ungiu-me os olhos e disse-me: ‘Vai lavar-te à piscina de Siloé’. Eu fui, lavei-me e comecei a ver». 12Perguntaram-lhe ainda: «Onde está Ele?» O homem respondeu: «Não sei».] 13Levaram aos fariseus o que tinha sido cego. 14Era sábado esse dia em que Jesus fizera lodo e lhe tinha aberto os olhos. 15Por isso, os fariseus perguntaram ao homem como tinha recuperado a vista. Ele declarou-lhes: «Jesus pôs-me lodo nos olhos; depois fui lavar-me e agora vejo». 16Diziam alguns dos fariseus: «Esse homem não vem de Deus, porque não guarda o sábado». Outros observavam: «Como pode um pecador fazer tais milagres?» E havia desacordo entre eles. 17Perguntaram então novamente ao cego: «Tu que dizes d’Aquele que te deu a vista?» O homem respondeu: «É um profeta». [18Os judeus não quiseram acreditar que ele tinha sido cego e começara a ver. 19Chamaram então os pais dele e perguntaram-lhes: «É este o vosso filho? É verdade que nasceu cego? Como é que ele agora vê?» 20Os pais responderam: «Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego; 21mas não sabemos como é que ele agora vê, nem sabemos quem lhe abriu os olhos. Ele já tem idade para responder; perguntai-lho vós». 22Foi por medo que eles deram esta resposta, porque os judeus tinham decidido expulsar da sinagoga quem reconhecesse que Jesus era o Messias. 23Por isso é que disseram: «Ele já tem idade para responder; perguntai-lho vós». 24Os judeus chamaram outra vez o que tinha sido curado e disseram-lhe: «Dá glória a Deus. Nós sabemos que esse homem é pecador». 25Ele respondeu: «Se é pecador, não sei. O que sei é que eu era cego e agora vejo». 26Perguntaram-lhe então: «Que te fez Ele? Como te abriu os olhos?» 27O homem replicou: «Já vos disse e não destes ouvidos. Porque desejais ouvi-lo novamente? Também quereis fazer-vos seus discípulos?» 28Então insultaram-no e disseram-lhe: «Tu é que és seu discípulo; nós somos discípulos de Moisés; 29mas este, nem sabemos de onde é». 30O homem respondeu-lhes: «Isto é realmente estranho: não sabeis de onde Ele é, mas a verdade é que Ele me deu a vista. 31Ora, nós sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aqueles que O adoram e fazem a sua vontade. 32Nunca se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. 33Se Ele não viesse de Deus, nada podia fazer».] 34Replicaram-lhe então eles: «Tu nasceste inteiramente em pecado e pretendes ensinar-nos?» E expulsaram-no. 35Jesus soube que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: «Tu acreditas no Filho do homem?» 36Ele respondeu-Lhe: «Senhor, quem é Ele, para que eu acredite?» 37Disse-lhe Jesus: «Já O viste: é Quem está a falar contigo». 38O homem prostrou-se diante de Jesus e exclamou: «Eu creio, Senhor». [39Então Jesus disse-lhe: «Eu vim para exercer um juízo: os que não vêem ficarão a ver; os que vêem ficarão cegos». 40Alguns fariseus que estavam com Ele, ouvindo isto, perguntaram-Lhe: «Nós também somos cegos?» 41Respondeu-lhes Jesus: «Se fôsseis cegos, não teríeis pecado. Mas como agora dizeis: ‘Nós vemos’, o vosso pecado permanece».]

 

Este longo trecho apresenta-se como uma encantadora peça dramáti­ca, cheia de vigor e naturalidade, que se pode considerar estruturada em quatro actos: 1º – A abertura (vv. 1-5), onde aparece o tema, Jesus, Luz do mundo, em face da cegueira, não apenas física do doente, mas moral, de que participam os próprios discípulos, obcecados pela mentalidade «retribuicionista» (cf. Job 4,7-8; 2 Mac 7,18; Tob 3,3); eles, em face da desgraça alheia, põem-se a indagar quem pecou e não quem a pode remediar. 2º – A cura do cego (vv. 6-7). 3º – A longa investigação acerca da cura (vv. 8-34), primeiro pelos vizinhos (vv. 8-12) e depois pelos fariseus que montam como que um processo judicial com sucessivos interrogatórios e que termina numa sentença de excomunhão (vv. 13-34). 4º – O desfecho do drama (vv. 35-41), com o acto de fé do cego e a obstinação na cegueira espiritual dos que não querem crer.

Sem prejuízo para o valor histórico da narração, esta reveste-se dum grande poder evocativo e dramático, em que sobressai, evocando o itinerário dum catecúmeno, a progressão do cego para a fé plena, o qual começa por se confessar beneficiário da misericórdia do homem Jesus (v. 11), passando a reconhecê-lo como um profeta (v. 17), depois a atestar que Ele vem de Deus (v. 33), e, por fim, a professar a fé explícita em Jesus como Senhor, à maneira de quem responde às perguntas rituais do último escrutínio catecumenal (v 35-38). A alusão ao Baptismo é bastante clara através da unção e do banho: «lavei-me e fiquei a ver» (vv. 11.15), pois na primitiva Igreja este Sacramento era chamado iluminação (cf. Hebr 6,4; 10,32; Ef 5,14; Rom 6,4). Por outro lado, o decreto de exclusão punitiva da sinagoga (v. 34) não vai apenas contra o cego, mas visa Jesus e os próprios cristãos, os quais no sínodo de Yámnia (pelo ano 80) se viram excomungados pelo farisaísmo que sobreviveu à destruição de Jerusalém (v. 22; cf. Jo 12, 42; 16, 2).

6-7 «Ungiu...» O milagre não se realiza nem pela virtude do «lodo», nem pela eficácia medicinal da água, água comum. O prodígio é consequência do simples querer de Jesus. Como em Mc 7,33 e 8,23, com este gesto, Jesus quis pôr à prova e estimular a fé do doente, mas, neste caso, também se quis apresentar como «Senhor do Sábado», pois os rabinos consideravam a preparação do lodo e a unção como um trabalho proibido aos sábados (cf. v. 16). A «Piscina de Siloé» era alimentada pela água da fonte de Gihon (a fonte de Maria), que ali chegava através do canal de Ezequias (rei contemporâneo do profeta Isaías), canal subterrâneo e cavado na rocha com cerca de meio quilómetro de comprido.

 

Sugestões para a homilia

 

1.     O Senhor é meu pastor, nada me faltará.

2.     Como precisamos da Luz da Fé!

3.     Caminho a seguir para que a Luz da Fé cresça na nossa vida.

 

1.     O Senhor é meu pastor, nada me faltará.

 

O Senhor é meu pastor, nada me faltará. Assim afirmámos há momentos e assim acontecerá. Ele é omnipotente e ama-nos com Amor infinito. Para que tal aconteça, apenas se exige que O aceitemos verdadeiramente como nosso Pastor, isto é, queiramos ser “ovelhas” de Seu Rebanho.

Com certeza O aceitaremos na medida em que tivermos capacidade de O conhecer, pois ninguém ama ou segue o que não conhece. Para termos este tão importante conhecimento, precisamos da luz da Fé.

As Leituras da Missa de hoje nos falam dessa Luz, que é a virtude sobrenatural da Fé. Precisamos dessa Luz bendita para ver o caminho a seguir para estar com Aquele, no Qual nada nos faltará.

Podemos ter os sentidos naturais da vista, mas não ter capacidade de ver tais maravilhas. O Evangelho e não só confirmam esta verdade.

Samuel é enviado para ungir um filho de Jessé, como futuro Rei de Israel. Quando viu Eliad logo julgou ser ele o escolhido pelo Senhor. Estava enganado. O mesmo aconteceu com os outros irmãos. Afinal nenhum daqueles sete filhos de Jessé era o eleito de Deus. O verdadeiramente escolhido era David, que andava com o rebanho.

Aqueles que interpelavam o cego de nascença a quem Jesus tinha dado a vista, apesar de verem muito bem a maravilha, não tiveram capacidade para reconhecer Jesus. E neste grupo estão as autoridades civis e religiosas de então. Ele que tinha sido cego estava ali a ver e todos tiveram oportunidade de o confirmar.

 

2.     Como precisamos da Luz da Fé!

 

Sem essa Luz bendita corremos riscos de perder não só esta vida sempre tão passageira, mas também a própria eternidade, para a qual todos fomos criados, depois de enveredarmos pelos caminhos mais tortuosos da existência. A Fé é uma virtude sobrenatural, que importa muito estimar e fazer crescer em nós, vivendo coerentes com ela. Deus, nosso Pai, a todos a quer dar. Para a recebermos é fundamental que sejamos verdadeiros e consequentemente humildes. Só num coração humilde, isto é, que tem consciência de que é apenas administrador dos bens de Deus, há lugar para receber a Luz fundamental da fé. Nossa Senhora disse, com toda a simplicidade e verdade: “O Senhor olhou para a humildade de Sua Serva.”

Perante os riscos que corremos se perdermos a bendita luz da Fé, devemos muitas vezes repetir: Senhor, aumenta a minha fé!

 

3.     Caminho a seguir para que a Luz da Fé cresça na nossa vida.

 

Mais uma vez nesta Quaresma peçamos ao Senhor que nos ilumine. Para vermos melhor, o caminho a seguir, é natural que Ele, na Sua bondade e Amor infinito, também nos mande lavar, não já na piscina de Siloé, como o fez com o cego de nascença, mas no tribunal da Penitência, com uma confissão muito bem preparada mediante o respetivo exame de consciência, sincero arrependimento e propósito de emenda. Não passemos esta quadra litúrgica da quaresma sem a “lavagem” espiritual da confissão. É de suma importância ver claramente o caminho que devemos percorrer. Só assim seguiremos Jesus, o Bom Pastor, o grande Amigo, com o Qual nada nos faltará. Faltava-lhes a luz da Fé.

 

Fala o Santo Padre

 

«O cego de nascença representa cada um de nós, que fomos criados para conhecer Deus,

mas por causa do pecado somos como cegos, temos necessidade de uma luz nova.»

 

No centro do Evangelho deste quarto domingo de Quaresma encontram-se Jesus e um cego de nascença (cf. Jo 9, 1-41). Cristo restitui-lhe a vista e realiza este milagre com uma espécie de rito simbólico: primeiro mistura a terra com a saliva, em seguida aplica-a sobre os olhos do cego; depois diz- lhe para se ir lavar no tanque de Siloé. O homem vai, lava-se e readquire a visão. Era cego desde o nascimento. Com este milagre Jesus manifesta-se e manifesta-se a nós como luz do mundo; e o cego de nascença representa cada um de nós, que fomos criados para conhecer Deus, mas por causa do pecado somos como cegos, temos necessidade de uma luz nova; todos precisamos de uma luz nova: a da , que Jesus nos concedeu. De facto, ao readquirir a visão o cego do Evangelho abre-se para o mistério de Cristo. Jesus pergunta-lhe: «Tu acreditas no Filho do homem?» (v. 35). «E quem é ele, Senhor, para que eu creia nele?», responde o cego curado (v. 36). «Viste-o: é aquele que fala contigo» (v. 37). «Creio, Senhor!» e prostra-se diante de Jesus.

Este episódio leva-nos a refletir sobre a nossa fé, a nossa fé em Cristo, o Filho de Deus e, ao mesmo tempo, refere-se também ao Batismo, que é o primeiro Sacramento da fé: o Sacramento que nos faz «vir à luz», mediante o renascimento pela água e pelo Espírito Santo; assim como aconteceu ao cego de nascença, ao qual se abriram os olhos depois de se ter lavado na água do tanque de Siloé. O cego de nascença curado representa-nos quando não nos damos conta de que Jesus é a luz, é «a luz do mundo», quando olhamos para outro lado, quando preferimos entregar-nos a pequenas luzes, quando vamos às apalpadelas na escuridão. O facto que aquele cego não tenha um nome ajuda-nos a contemplar-nos com o nosso rosto e o nosso nome na história. Também nós fomos «iluminados» por Cristo no Batismo e por conseguinte somos chamados a comportarmo-nos como filhos da luz. E comportar-se como filhos da luz exige uma mudança radical de mentalidade, uma capacidade de julgar homens e situações segundo outra escala de valores, que vem de Deus. Com efeito, o sacramento do Batismo exige a escolha de viver como filhos da luz e de caminhar na luz. Se agora eu vos perguntasse: «Acreditais que Jesus é o Filho de Deus? Que vos pode mudar o coração? Que pode fazer ver a realidade como Ele a vê, não como nós a vemos? Acreditais que Ele é luz, que nos doa a verdadeira luz?». O que responderíeis? Cada um responda no seu coração.

O que significa ter a luz verdadeira, caminhar na luz? Antes de tudo, significa abandonar as luzes falsas: a luz fria e fátua do preconceito contra os outros, porque o preconceito deturpa a realidade e enche-nos de aversão contra aqueles que julgamos sem misericórdia e condenamos sem apelação. Este é pão de todos os dias! Quando se fala mal dos outros, não se caminha na luz, caminha-se nas trevas. Outra luz falsa, por ser sedutora e ambígua, é a do interesse pessoal: se avaliarmos homens e aspetos com base no critério da nossa utilidade, do nosso prazer, do nosso prestígio, não exercemos a verdade nas relações e nas situações. Se formos pelo caminho da procura só do interesse pessoal, caminhamos nas trevas.

A Virgem Santa, que foi a primeira a receber Jesus, luz do mundo, nos obtenha a graça de acolher novamente nesta Quaresma a luz da fé, redescobrindo o dom inestimável do Batismo, que todos nós recebemos. E esta nova iluminação nos transforme nas atitudes e nas ações, para sermos também nós, a partir da nossa pobreza, das nossas insuficiências, portadores de um raio de luz de Cristo.

 Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 26 de março de 2017

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs,

imitando os cegos que Jesus encontrou na Sua vida pública

e de tantos outros necessitados que Lhe confiaram suas dificuldades,

elevemos também ao Coração Divino as carências que nos afligem,

pedindo com toda a filial confiança:

 

 R. Senhor, aumenta a nossa fé.

 

1.     Para que o Santo Padre, os Bispos, Presbíteros e Diáconos

ao anunciarem ao mundo as verdades da nossa fé,

as façam chegar a todos os homens de boa vontade,

oremos, irmãos.

 

R. Senhor, aumenta a nossa fé.

 

2.     Para que todos os que vivem nas trevas do erro e da mentira

recebam da misericórdia de Deus a luz da fé cristã,

e por ela orientem sempre todas os passos da sua vida,

oremos, irmãos

R.  Senhor, aumenta a nossa fé.

 

3.     Para que os cristãos, mensageiros da luz por vocação,

sintam e vivam a necessidade de evangelizarem

fazendo crescer a formação doutrinal em cada dia,

oremos, irmãos.

 

    R.  Senhor, aumenta a nossa fé.

 

4      Para que todos os presentes, ao celebrarem esta Eucaristia,

encontrem no aprofundamento da doutrina do Evangelho

uma fonte de paz e de alegria que jorre para a vida eterna,

oremos, irmãos.

 

    R.  Senhor, aumenta a nossa fé.

 

5      Para que os pais, catequistas e demais educadores

conheçam e difundam entre todos os jovens a verdade

que Jesus Cristo veio trazer à terra e nos é ensinada pela Igreja,

oremos, irmãos.

 

    R.  Senhor, aumentai a nossa fé.

 

6      Para que as almas de todos os nossos fieis defuntos

ainda a purificarem-se das manchas contraídas nesta vida,

se alegrem quanto antes, na contemplação da luz eterna,

oremos, irmãos.

 

    R.  Senhor, aumentai a nossa fé.

 

Senhor, que na vida pública, abristes os olhos aos cegos

e nos animais a confiar-Vos as nossas dificuldades,

atendei-nos em tudo o que não sabemos pedir,

para vivermos em paz e felizes esta vida terrena,

e nos prepararmos para as alegrias que nos esperam no Céu.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

 na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Clamai pelo Senhor – M. Luís, CAC, pg 138

 

Oração sobre as oblatas: Ao apresentarmos com alegria estes dons de vida eterna, humildemente Vos pedimos, Senhor, a graça de os celebrar com verdadeira fé e de os oferecer dignamente pela salvação do mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

O cego de nascença

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Pelo mistério da Encarnação, iluminou o género humano que vivia nas trevas para o reconduzir à luz da fé e pela regeneração do Baptismo libertou os que nasciam na escravidão do antigo pecado para os tornar seus filhos adoptivos.

Por isso o céu e a terra Vos adoram, cantando um cântico novo, e também, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: A. F. Santos – BML, 27

 

Monição da paz

 

A Luz da Fé leva-nos a ver em cada pessoa um irmão que devemos amar e ajudar na caminhada para a vida eterna. Com o desejo de vivermos todas as exigências da caridade fraterna, perdoando as faltas e aceitando sermos perdoados, saudai-vos na paz de Cristo.

 

Monição da Comunhão

 

A Fé diz-nos que comungar é receber o verdadeiro Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Conscientes de que nos vamos encontrar com Ele, numa íntima comunhão, preparemo-nos com humildade e contrição dos nossos pecados, para O recebermos com muito amor e gratidão.

 

Cântico da Comunhão: Quem come deste pão – J. S. Bach/C. Silva, OC pg 216

Jo 9, 11

Antífona da comunhão: O Senhor ungiu os meus olhos. Eu fui lavar-me, comecei a ver e acreditei em Deus.

 

Cântico de acção de graças: Provai e vede como o Senhor é bom – J. Santos, NRMS, 1 (I)

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, luz de todo o homem que vem a este mundo, iluminai os nossos corações com o esplendor da vossa graça, para que pensemos sempre no que Vos é agradável e Vos amemos de todo o coração. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Mais conscientes de quão importante é viver iluminados pela Luz da fé, vamos ser coerentes com ela, para também, através de nosso exemplo, levarmos outros a fazer tão agradável e importante conhecimento. Com esses votos muito sinceros, ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Salve ó Cruz – M. Faria, 20 cânticos para a missa

 

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira, 23-III: A Palavra de Deus e a renovação da face da terra.

Is 65, 17-21 / Jo 4, 43-54

Olhai que vou criar novos céus e nova terra... Vai haver alegria e júbilo sem fim.

A renovação da face da terra é uma maravilhosa promessa de Deus (LT). E Jesus contribuiu muitíssimo para isso, ao proclamar a Boa Nova em tantas regiões, curando as doenças (como o filho do funcionário real – EV) e, especialmente, as doenças da alma.

Esta renovação consiste em sair do pecado: abandonar as coisas velhas, feitas de lágrimas, aflições, morte (LT). Vamos também colaborar, com a ajuda de Deus. Senhor, vós sois o meu auxílio (SR). Rezemos ao Espírito Santo: Vinde, ó Espírito Santo e renovareis a face da terra. E a ajuda de Nª Senhora, a primeira a ser renovada, para vir em nosso auxílio.

 

3ª Feira, 24-III: A Palavra de Deus e o poder da água viva.

Ez 47, 1-9 / Jo 5, 1-3. 6-16

É que, aonde chegar, a água tornará tudo são, e haverá vida em todo o lugar que o rio atingir.

Desde o princípio do mundo, a água, embora sendo uma criatura humilde, é fonte de vida e fertilidade, do ponto de vista natural, para o desenvolvimento da natureza. Mais tarde, Deus concede também à agua um poder medicinal, curativo. É o que acontece com a água da piscina probática, que curava os que nela mergulhavam (EV).

Com Jesus passa a ser uma água viva. A que Ele promete à samaritana, e que se recebe no Baptismo. É a mesma que brota do lado aberto de Cristo na Paixão, juntamente com o seu Sangue, que nos devolve a vida, quando recebemos a absolvição no sacramento da Penitência.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   Alves Moreno

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais:           Nuno Romão

Sugestão Musical:        José Carlos Azevedo

 


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