S. José, Esp. da V. Santa Maria

19 de Março de 2020

 

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Outrora S. José – M. Faria, NRMS, 05 (I)

Lc 12, 42

Antífona de entrada: Este é o servo fiel e prudente, que o Senhor pôs à frente da sua família.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos neste dia o maior santo da Corte Celeste, depois de Maria Santíssima.

A sua vida de silêncio e trabalho, sem as grandes façanhas que brilham aos olhos do mundo, mas rica em amor e eficácia, servem de modelo à grande maioria dos cristãos que passam pela vida sem despertar a atenção, mas servem a Deus com generosidade e Amor.

Peçamos ao Espírito Santo nos ilumine, para descobrirmos o segredo da santidade do Pai de Jesus.

 

Ato penitencial

 

Andamos constantemente à procura de espetáculo que nos conquiste elogio, desprezando a santificação no segredo de uma vida sem ruído.

Peçamos humildemente perdão ao Senhor por este descaminho que nos afasta dos Seus caminhos de Salvação.

 

(Tempo de silêncio. Sugerimos, o esquema A: Confessemos os nossos pecados... Senhor, tende piedade de nós...)

 

Oração colecta: Deus todo-poderoso, que na aurora dos novos tempos confiastes a São José a guarda dos mistérios da salvação dos homens, concedei à vossa Igreja, por sua intercessão, a graça de os conservar fielmente e de os realizar até à sua plenitude. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus vai perpetuar a família real de David, dando-lhe um filho que será filho de Deus.

José recebeu de Deus a missão de guardar, alimentar e proteger na terra Jesus, Filho de Deus feito Homem.

 

2 Samuel  7, 4-5a.12-14a.16

4Naqueles dias, o Senhor falou a Natã, dizendo: 5a«Vai dizer ao meu servo David: Assim fala o Senhor: 12Quando chegares ao termo dos teus dias e fores repousar com os teus pais, estabelecerei em teu lugar um descendente que nascerá de ti e consolidarei a tua realeza. 13Ele construirá um palácio ao meu nome e Eu consolidarei para sempre o seu trono real. 14aSerei para ele um pai e Ele será para Mim um filho. 16A tua casa e o teu reino permanecerão diante de Mim eternamente e o teu trono será firme para sempre».

 

Este texto, respigado da célebre profecia dinástica do profeta Natã, em que se garante a estabilidade da descendência de David à frente do povo de Israel – «o teu trono será firme para sempre» (v. 16) –, irá alimentar a esperança de restauração messiânica, após o desterro de Babilónia e justifica o título de «Filho de David» dado a Jesus ao longo do Novo Testamento (cf. Mt 1,1; 9,27; 12,23; 15,22; 20,30-31; 21,9; 22,42; Act 2,30; 13,22-23; Rom 1,3; 2Tim 2,8; Apoc 5,5; 22,16). O texto é escolhido para a solenidade de S. José, por ser ele quem garante a Jesus a sua descendência de David (Mt 1,1; Lc 1,31-33: «reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reino não terá fim»); com efeito, segundo a lei, José era pai de Jesus, um dado suficiente para Ele ser considerado descendente de David, embora também Maria devesse ser descendente de David, dado o costume de os casamentos se fazerem dentro da parentela.

4 Naqueles dias, isto é, na mesma noite em que o profeta Natã tinha apoiado a resolução do rei David de vir a construir uma casa digna para a arca da aliança, que substituísse o modesto tabernáculo feito de cortinados. A mensagem divina para David é que não vai ser ele a conseguir uma casa (templo) para Deus, mas vai ser o próprio Deus a erguer-lhe uma casa (descendência) que permanecerá eternamente. O profeta joga com o duplo sentido da palavra hebraica «báyit», casa e dinastia (v. 11-12).

 

Salmo Responsorial    Sl 88 (89), 2-3.4-5.27 e 29 (R. 37)

 

Monição: Deus é fidelíssimo às Suas promessas e nunca se esquece que precisamos d’Ele.

Cantemos, com o salmista, a fidelidade do Senhor, porque a sua «bondade está estabelecida para sempre»

 

Refrão:     A sua descendência permanecerá eternamente.

 

Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor

e para sempre proclamarei a sua fidelidade.

Vós dissestes: «A bondade está estabelecida para sempre»,

no céu permanece firme a vossa fidelidade.

 

Concluí uma aliança com o meu eleito,

fiz um juramento a David meu servo:

Conservarei a tua descendência para sempre,

estabelecerei o teu trono por todas as gerações.

 

Ele Me invocará: «Vós sois meu Pai,

meu Deus, meu Salvador».

Assegurar-lhe-ei para sempre o meu favor,

a minha aliança com ele será irrevogável.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na carta aos fiéis da Igreja de Roma, S. Paulo, canta a glória de Abraão que soube esperar contra toda a esperança.

Também José, Patriarca do Novo Testamento, foi grande na Sua fé, no acolhimento ao Filho de Deus.

 

Romanos 4, 13.16-18.22

Irmãos: 13Não foi por meio da Lei, mas pela justiça da fé, que se fez a Abraão ou à sua descendência a promessa de que receberia o mundo como herança. 16Portanto a herança vem pela fé, para que seja dom gratuito de Deus e a promessa seja válida para toda a descendência, não só para a descendência segundo a Lei, mas também para a descendência segundo a fé de Abraão. 17Ele é o pai de todos nós, como está escrito: «Fiz de ti o pai de muitos povos». Ele é o nosso pai diante d’Aquele em quem acreditou, o Deus que dá vida aos mortos e chama à existência o que não existe. 18Esperando contra toda a esperança, Abraão acreditou, tornando-se pai de muitos povos, como lhe tinha sido dito: 22«Assim será a tua descendência». Por este motivo é que isto «lhe foi atribuído como justiça».

 

A leitura é um extracto do capítulo 4 de Romanos, onde S. Paulo, depois de ter explicado que a obra salvadora de Jesus (a justificação) não procedia das práticas da Lei do A. T., procura mostrar como a nova economia divina não contradiz a antiga; pelo contrário, já Abraão, o pai do antigo povo de Deus se tornou justo, não por ter cumprido a lei da circuncisão (que ainda não lhe tinha sido imposta), mas por ter acreditado nas promessas de Deus.

A atitude de fé de Abraão foi-lhe creditada na conta de justiça: «foi-lhe atri­buída como justiça» (v. 22). «E isto foi escrito… também por nossa causa» (v. 24): é que nós não somos justificados por observâncias legais (da Lei de Moisés), mas sim pela fé em Deus, a qual é idêntica à de Abraão, não só pela atitude interior que pressupõe, como também se assemelha à dele quanto ao seu objecto; com efeito, ele acreditou que Deus lhe faria suscitar um filho, a ele já morto para a geração; e nós cremos que Deus fez ressuscitar a Jesus, morto pelos nossos pecados.

O texto presta-se a ser aplicado a S. José. Se na 1.ª leitura se falava de David, ascendente de S. José, nesta fala-se de outro ascendente mais longínquo, Abraão, o primeiro Patriarca do antigo povo de Deus. S. José é o Santo Patriarca do novo Povo de Deus, pois tem sobre Jesus os direitos legais de pai. Assim como Abraão foi pai de muitas nações (v. 17) também o Patriarca S. José é Pai e Patrono da Igreja de Cristo. Por outro lado, ele tornou-se como Abraão um modelo de vida de fé para todos os crentes, com uma fé bem provada em tantas e tão duras circunstâncias, como a piedade cristã recorda na devoção das 7 dores e 7 gozos de S. José.

 

Aclamação ao Evangelho        Sl 83 (84), 5

 

Monição: Cantemos a glória de S. José, proclamado no Evangelho como chefe da Sagrada Família na qual viveu o Filho de Deus.

 

Refrão 1: Louvor e glória a Vós, Jesus Cristo Senhor.

Refrão 2: Glória a Vós, Jesus Cristo, Sabedoria do Pai.

Refrão 3: Glória a Vós, Jesus Cristo, Palavra do Pai.

Refrão 4: Glória a Vós, Senhor, Filho do Deus vivo.

Refrão 5: Louvor a Vós, Jesus Cristo, rei da eterna glória.

Refrão 6: Grandes e admiráveis são as vossas obras, Senhor.

Refrão 7: A salvação, a glória e o poder a Jesus Cristo, Nosso Senhor.

                Repete-se

 

Cântico: Louvor a Vós Rei da eterna glória – M. Simões, NRMS, 40

 

Felizes os que habitam na vossa casa, Senhor:

eles Vos louvarão pelos tempos sem fim.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 1, 16.18-21.24a

16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo. 18O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. 19Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». 24aQuando despertou do sono, José fez como lhe ordenara o Anjo do Senhor.

 

(Ver mais notas na Missa da Vigília do Natal)

18 «Antes de terem vivido em comum»: Maria e José já tinham celebrado os esponsais (erusim), que tinham valor jurídico de um matrimónio, mas ainda não tinham feito as bodas solenes (nissuim ou liqquhim), em que o noivo trazia festivamente a noiva para sua casa, o que costumava ser cerca de um ano depois.

«Encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo»: isto conta-se em pormenor no Evangelho de S. Lucas (1, 26-38), lido na festa da Imaculada Conceição (ver comentário então feito). Ao dizer-se «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai, pois Ele é puro espírito. Também isto nada tem que ver com os relatos mitológicos dos semideuses, filhos dum deus e duma mulher. Além do mais, é evidente o carácter semítico e o substrato judaico e vétero-testamentário das narrativas da infância de Jesus em Mateus e Lucas; ora, nas línguas semíticas a palavra «espírito» (rúah) não é masculina, mas sim feminina. Isto chegava para fazer afastar toda a suspeita de dependência do relato relativamente aos mitos pagãos. Por outro lado, na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera criaturas, Deus cria-as. As narrativas de Mateus e Lucas têm tal originalidade que excluem qualquer dependência dos mitos.

19  «Mas José, seu esposo…». Partindo do facto real e indiscutível da concepção virginal de Jesus, aqui apresentamos uma das muitas explicações dadas para o que se passou. A verdade é que não dispomos da crónica dos factos, pois a intenção do Evangelista era primordialmente teológica, embora sem inventar histórias, pois em face dos dados das suas fontes nem sequer disso precisava. Do texto parece depreender-se que Maria nada tinha revelado a José do mistério que nela se passava. José vem a saber da gravidez de Maria por si mesmo ou pelas felicitações do paraninfo (o amigo do esposo»), e o que devia ser para José uma grande alegria tornou-se o mais cruel tormento. Em circunstâncias idênticas, qualquer outro homem teria actuado drasticamente, denunciando a noiva ao tribunal como adúltera. Mas José era um santo, «justo» (v. 19), por isso, não condenava ninguém sem ter as provas evidentes da culpa. E aqui não as tinha e, conhecendo a santidade singular de Maria, não admite a mais leve suspeita, mas pressente que está perante o sobrenatural, já sentido por Isabel… (ou não teria tido alguma iluminação divina acerca da profecia de Isaías 7, 14?…). Então só lhe restava deixar Maria, para não se intrometer num mistério em que julgava não lhe competir ter parte alguma. É assim que «resolveu repudiá-la em segredo» (v. 19), evitando, assim, «difamá-la» (colocá-la numa situação infamante) ou simplesmente «tornar público» («deigmatísai») o mistério messiânico. Mas podemos perguntar: porque não interrogava antes Maria para ser ela a esclarecer o assunto? É que pedir uma explicação já seria mostrar dúvida, ofendendo Maria; a sua delicadeza extrema levá-lo-ia a não a humilhar ou deixar embaraçada. E porque razão é que Maria não falou, se José tinha direito de saber do sucedido? Mas como é que Maria podia falar de coisas tão colossalmente extraordinárias e inauditas?! Como podia provar a José a Anunciação do Anjo? Maria calava, sofria e punha nas mãos de Deus a sua honra e as angústias por que José iria passar por sua causa; e Deus, que tinha revelado já a Isabel o mistério da sua concepção, podia igualmente vir a revelá-lo a José. De tudo isto fica para nós o exemplo de Maria e de José: não admitir suspeitas temerárias e confiar sempre em Deus.

20 «Não temas receber Maria, tua esposa». O Anjo não diz: «não desconfies», mas: «não temas». Segundo a explicação anterior, José deveria andar amedrontado com algo de divino e misterioso que pressentia: julga-se indigno de Maria e decide não se imiscuir num mistério que o transcende. Como explica S. Bernardo, S. José «foi tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério, que a quis deixar ocultamente... José tinha-se, por indigno...». Segundo alguns exegetas modernos (Zerwick), o texto sagrado poderia mesmo traduzir-se: «embora o que nela foi gerado seja do Espírito Santo, Ela dar(-te-)á à luz um filho ao qual porás o nome de Jesus, exercendo assim para Ele a missão de pai». Assim, o Anjo não só elucida José, como também lhe diz que ele tem uma missão a cumprir no mistério da Incarnação, a missão e a dignidade de pai do Salvador. Comenta Santo Agostinho: «A José não só se lhe deve o nome de pai, mas este é-lhe devido mais do que a qualquer outro. Como era pai? Tanto mais profundamente pai, quanto mais casta foi a sua paternidade... O Senhor não nasceu do germe de José. Mas à piedade e amor de José nasceu um filho da Virgem Maria, que era Filho de Deus».

23 «Será chamado Emanuel». No original hebraico de Isaías 7,14, temos o verbo no singular (forma aramaica para a 3ª pessoa do singular feminino: weqara’t referido a virgem, que é a que põe o nome = «e ela chamará»). Mateus, porém, usa o plural, que não aparece na tradução litúrgica, (kai kalésousin: «e chamarão»), um plural de generalização, a fim de que o texto possa ser aplicado a S. José, para pôr em evidência a missão de S. José, como pai «legal» de Jesus (notar que a célebre profecia isaiana, ao dizer que seria a virgem a pôr o nome ao seu filho até parece prestar-se a significar que este não nasceria de germe paterno). Mateus, em face do papel providencial desempenhado por S. José, não receia adaptar o texto à realidade maravilhosa muito mais rica do que a letra do anúncio profético. Contudo, esta técnica do Evangelista para «actualizar» um texto antigo (chamada deraxe) não é arbitrária, pois baseia-se na regra hermenêutica rabínica chamada al-tiqrey («não leias»), a qual consiste em não ler um texto consonântico com umas vogais, mas com outras (o hebraico escrevia-se sem vogais). Neste caso, trata-se de «não ler» as consoantes do verbo (wqrt) com as vogais que correspondem à forma feminina (tanto da 3ª pessoa do singular na forma aramaica, como da 2ª pessoa do singular da tradução dos LXX: weqara’t «e tu chamarás»), mas de ler com as vogais que correspondem à 2ª pessoa do singular masculino (weqara’ta «e tu chamarás» – em hebraico há diferentes formas masculina e feminina para as 2ª e 3ª pessoas dos verbos). Como pensa Alexandre Díez Macho, «com este deraxe oculto, mas real, Mateus confirma as palavras do anjo do Senhor no v. 21: «e (tu, José) o chamarás».

Eis, a propósito, o maravilhoso comentário de S. João Crisóstomo, apresentando Deus a falar a José: «Não penses que, por ser a concepção de Cristo obra do Espírito Santo, tu és alheio ao serviço desta divina economia; porque, se é certo que não tens nenhuma parte na geração e a Virgem permanece intacta, não obstante, tudo o que pertence ao ofício de pai, sem atentar contra a dignidade da virgindade, tudo to entrego a ti, o pôr o nome ao filho. [...] Tu lhe farás as vezes de pai, por isso, começando pela imposição do nome, Eu te uno intimamente com Aquele que vai nascer» (Homil. in Mt, 4).

 

 

 

Sugestões para a homilia

 

• José, o homem justo

• José, pai de Jesus

 

1. José, o homem justo

 

O texto do II Livro de Samuel fala-nos do rei David, um dos antepassados de José e a liturgia sugere-nos que o Santo Patriarca do Novo Testamento sofria também por não conseguir oferecer ao Divino Infante uma habitação condigna. A casa de Nazaré não se distinguia das demais, humildes e pobres, apenas com o mínimo indispensável.

Acolher bem o Senhor. A piedade do rei David leva-o a sentir-se mal, porque ele, uma simples criatura, vive num palácio de cedro, luxuoso, ao mesmo tempo que a Arca da Aliança está debaixo de uma tenda frágil. Por isso, manifesta ao profeta Natan o seu propósito de construir um Templo grandioso na qual ela será convenientemente guardada.

A atitude de David convida-nos a pensar como acolhemos o Senhor, quando vamos comungar. Fazemo-lo num coração cheio de amor, ou frio e tíbio, distraído e ausente do momento que vivemos?

Convida-nos também a olhar com atenção as nossas igrejas onde se encontram os nossos Sacrários, com o Deus vivo como ali residente.

Num primeiro momento, o profeta louva a magnanimidade, piedade e delicadeza do rei. Mas durante a noite, o Senhor inspira-o e ele vai no dia seguinte dar-lhe conta da vontade de Deus.

José descendente de David. Percorrendo os dois sentidos da palavra casa – construção para habitar e família –, o profeta anuncia ao rei que o Senhor lhe dará um descendente que vai perpetuar a sua família.

Na verdade, «estabelecerei em teu lugar um descendente que nascerá de ti e consolidarei a tua realeza

Este descendente é Jesus que fundou o novo Reino de Deus, a Igreja, a qual durará para sempre.

O Evangelho diz-nos, ao descrever a genealogia de Jesus que José descende do rei David, embora esta casa real se encontrasse na decadência, quando Jesus nasceu em Belém.

«Ele construirá um palácio ao meu nome e Eu consolidarei para sempre o seu trono real. Serei para ele um pai e Ele será para Mim um filho. permanecerão diante de Mim eternamente A tua casa e o teu reino e o teu trono será firme para sempre

José será o homem providencial que via facultar a este descendente de David os meios humanos para a edificação deste reino: um lar e uma família onde Ele habite, cresce e parte para a vida pública.

A festa litúrgica que celebramos convida-nos a meditar na vida de José, para a imitarmos, na medida do possível na vocação e missão a que fomos chamados.

José, um homem cheio de normalidade. Estamos habituados a reparar somente no extraordinário e, portanto, ficamos à espera que um santo faça coisas extraordinárias que chamem à atenção, façanhas espetaculares.

José centrou toda a sua vida em procurar fazer a vontade de Deus em tudo – a começar nas pequenas coisas, nas virtudes humanas que vivia habitualmente – por amor.

Santificou-se trabalhando. Era um artesão, um destes homens das nossas aldeias que tem habilidade para tudo e, portanto, constantemente chamado pelos seus vizinhos para os ajudar a resolver um problema inesperado. Dedica-se a trabalhar a madeira, construindo a parte das casas que lhe dizia respeito e fabricando móveis.

Santificava o trabalho. Quem passasse junto da sua oficina, ouvia-o cantar, enquanto movimentava a plaina e a serra e enxugava o suor do seu rosto. Fazia as coisas com perfeição, tornando cada um delas verdadeira obra de arte.

Não foi fácil a vida de operário de José. Teve de procurar trabalho e recomeçar diversas vezes: quando foi para Belém, quando teve de fugir para o Egito e depois de ter regressado a Nazaré. Mesmo ali, teve de ir trabalhar para longe de casa. Segundo a tradição, ajudou a construir a cidade de Séforis, que distava de nazaré sete ou oito quilómetros.

Santificava-se com o trabalho. Para ele, o trabalho era verdadeira oração, serviço a Deus presente em cada pessoa. Procurava realizá-lo com perfeição, sem esperar que Deus resolvesse os problemas com milagres ou que as pessoas, por amizade ou compaixão, aceitassem um trabalho mal feito.

Fomentou um ambiente de alegria e amizade à sua volta. Nas suas relações de trabalho, de família e de vizinhança, José fomentava a alegria, a caridade e a visão positiva das coisas

E quando regressava a casa ao fim do dia, depois de um trabalho intenso, disfarçava o cansaço com um sorriso, uma palavra engraçada, fugindo de tornar a vida das outras pessoas triste e pesada, só porque ele estava cansado.

Foi um homem justo, aos olhos de Deus e dos homens. Na linguagem bíblica, justo é o mesmo que santo, aquele que pratica todas as virtudes.

Por isso cantamos: A sua descendência permanecerá eternamente.

 

2. José, pai de Jesus

 

Depois da oficialização do noivado com Nossa Senhora, deu-se a Anunciação do Arcanjo S. Gabriel a Nossa Senhora.

Logo a seguir, Maria dirigiu-se apressadamente para Ain Karim, atravessando as montanhas da Galileia. Era uma viagem longa, cansativa e perigosa.

Mesmo viajando em caravana, para minimizar os perigos, José sentiu o dever de a acompanhar discretamente, oferecendo-lhe segurança.

Mas quando Maria saudou Isabel, o menino – João Batista – exultou de alegria do seu seio, a mãe ficou cheia do Espírito Santo e proclamou Maria «a mãe do meu Senhor.» Maria não negou, mas entoou um hino de ação de graças ao Senhor. Era, pois, verdade, que estava grávida e ia ser mãe.

Um mistério que o faz sofrer. José tinha a certeza física de que não era o pai daquela criança, mas nem por sombras duvidou um instante da fidelidade de Maria.

Estava perante os mistérios de Deus e sentia-se um intruso, um estranho neste mistério. Devia retirar-se imediatamente daquele lugar que não era o seu, mas tinha de o fazer com prudência, para não beliscar, nem ao de leve, o bom nome de Maria.

Ninguém estranhava que os noivos pudessem ter filhos, porque o noivado era particamente um casamento. Mas quando isto se dava, o chefe da sinagoga interrogava oficialmente o noivo sobre a paternidade daquela criança. Como poderia José declarar que era o pai, se isso era falso? Como podia dizer que não, se isso comprometia gravemente a fama de Maria?

Uma decisão generosa. Por isso, José oferece a Deus um sacrifício maior que o de Abraão, renunciando ao seu plano de fundar uma família com Maria, embora com um compromisso de perpétua virgindade. Sofria também ao pensar na dor de Maria, quando tomasse conhecimento da sua fuga.

Ao eleger a saída de noite, em segredo, sem se despedir de ninguém e evitando assim perguntas comprometedoras, carregando sobre os ombros o odioso desta situação. Apareceria aos olhos de todos como um homem sem sentimentos humanos que abandonava a noiva quando maior necessidade tinha da sua ajuda. Mas estava disposto a enfrentar tudo isto, porque lhe parecia que era esta a vontade de Deus.

A fidelidade de José a Deus. É possível que José estivesse a dormitar, esperando que toda a gente se retirasse para suas casas, deixando-o partir em paz, sem perguntas embaraçadoras.

É neste espaço que um Anjo o avisa em sonhos: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados».

Deste modo, o Céu acabou com todas as dúvidas e hesitações de José. Vinha dizer-lhe que não só não era um intruso e, todo este mistério, mas era o homem certo no lugar certo. Deus escolhera-o para aquela missão e contava com ele.

Pai de Jesus. De repente, as trevas converteram-se m luz, as dores e tristezas, em alegria, a escuridão na segurança do caminho a seguir.

«Quando despertou do sono, José fez como lhe ordenara o Anjo do Senhor

No primeiro encontro que teve com Maria, para acertar os pormenores da Boda Ela deve ter notado a grande diferença que encontrava nele.

O Céu escolheu José para pai de Jesus. Dizer que era pai adotivo empobrece a sua missão. Jesus, segundo a natureza humana, tinha Mãe, mas não tinha pai. José assume inteiramente a paternidade de Jesus, excepto na geração física.

Por isso, aquando da perda e encontro do Templo, Maria não hesita em dizer a Jesus: «eis que Teu pai e eu te buscávamos cheios de aflição.»

José foi o mais carinhoso e dedicado dos pais de toda a história humana, porque Deus o preparou para esta missão sublime.

 • A fé do Santo Patriarca. A paternidade do Esposo virginal de Maria é fruto da sua fé. Como Abraão, ele esperou contra toda a esperança.

A fé levou-o a ver naquela criança que ainda não conseguia falar, a última e definitiva Palavra do Pai; naquele pequenino ser a pedir todas ajudas, o Senhor Omnipotente, a Sabedoria infinita, o Salvador do mundo.

Também a ele o Senhor disse: «Fiz de ti o pai de muitos povos». Também ele, como Abraão, «acreditou, tornando-se pai de muitos povos, como lhe tinha sido dito: “Assim será a tua descendência”.»

Aproximemo-nos, pois, cheios de confiança, de José e Maria, entrando na intimidade da Sagrada Família.

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Reunidos para celebrar as maravilhas que Deus

realizou em São José, homem justo e humilde,

elevemos ao Pai do Céu as nossas súplicas.

Oremos (cantando), com alegria:

 

    Por intercessão de S. José, ouvi-nos, Senhor.

 

1. Pela santa Igreja, presente em toda a terra, a caminho do Céu,

     para que proclame a Palavra de Deus na terra com alegria,

    oremos, irmãos.

 

    Por intercessão de S. José, ouvi-nos, Senhor.

 

2. Por todos aqueles que exercem a autoridade neste mundo,

    para que sejam humanos, justos e retos nas suas decisões,

    oremos, irmãos.

 

    Por intercessão de S. José, ouvi-nos, Senhor..

 

3. Pelos pais e mães de família, “igreja doméstica” na terra,

    para que a oração e os sacramentos alimentem a sua fé,

    oremos, irmãos.

 

    Por intercessão de S. José, ouvi-nos, Senhor.

 

4. Pelos jovens dos nossos Seminários e seus formadores,

    para que os dons do Espírito Santo os iluminem a todos,

    oremos, irmãos.

 

    Por intercessão de S. José, ouvi-nos, Senhor.  

 

5. Pelos homens que ganham o pão com o seu trabalho,

    para que os seus direitos e dignidade sejam respeitados,

    oremos, irmãos.

 

    Por intercessão de S. José, ouvi-nos, Senhor.

 

6. Por todos nós aqui reunidos a celebrar esta Eucaristia,

    para que, a devoção a São José nos alcance boa morte,

    oremos, irmãos.

 

    Por intercessão de S. José, ouvi-nos, Senhor.

 

7. Pelos nossos irmãos defuntos, pios devotos de S. José,

    para que neste dia de festa o possam contemplar no Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Por intercessão de S. José, ouvi-nos, Senhor.  

 

Senhor, nosso Deus e nosso Salvador,

velai por todos os filhos da Igreja,

para que, nas alegrias e provações desta vida,

descubram, como São José, Esposo virginal de Maria,

a vossa vontade misteriosa de nos conduzir ao Céu

e colaborem na obra da redenção de todas as pessoas.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

José acolheu e meditou no seu coração a vida e as palavras, os gestos e os silêncios do Filho de Deus que habitou na sua casa.

Aprendamos com o Santo Patriarca a levar para a vida a Palavra de Deus que acabamos de ouvir.

 

Cântico do ofertório: Nós vos louvamos José – M. Carneiro, NRMS, 89

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, a graça de servir ao vosso altar de coração puro, imitando a dedicação e fidelidade com que São José serviu o vosso Filho Unigénito, nascido da Virgem Maria. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de São José [na solenidade]: p. 492

 

Santo: A. Cartageno – COM, (pg 189)

 

Saudação da Paz

 

No Lar de Nazaré viveu durante trinta anos a fonte da verdadeira Paz pela qual suspiramos.

Frequentemos em espírito esta maravilhosa escola, como fez S. José durante a vida inteira.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A Sagrada Comunhão é também dom de S. José. Ele alimentou a Vítima divina que Se imolou na cruz e agora Se nos oferece na Sagrada Comunhão.

Peçamos ao santo Patriarca nos ensine e ajude a receber Jesus com profunda fé, amor e devoção.

 

Cântico da Comunhão: Este é o servo fiel e prudente – A. Cartageno, NRMS, 59

Mt 25, 21

Antífona da comunhão: Servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor.

 

ou

Mt 1, 20-21

Não temas, José: Maria dará à luz um Filho e tu lhe darás o nome de Jesus.

 

Cântico de acção de graças: Bem-aventurados os que têm fome – Az. Oliveira, NRMS, 63

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que na solenidade de São José alimentastes a vossa família à mesa deste altar, defendei-a sempre com a vossa protecção e velai pelos dons que lhe concedestes. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Que S. José seja nosso companheiro pelos caminhos da vida, até entrarmos no Céu.

 

Cântico final: Os justos viverão eternamente – M. Faria, NRMS, 36

 

 

Homilias Feriais

 

6ª Feira, 20-III: A Palavra de Deus e a nossa correspondência ao seu Amor.

Os 14, 2-10 / Mc 12, 28-34

Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, e toda a tua mente e com todas as tuas forças.

Jesus confirma que é necessário amar a Deus sobre todas as coisas e com todo o empenho, e amar o próximo como a si mesmo, que vale mais que todos os holocaustos e sacrifícios (EV). Tenhamo-lo em conta durante toda a Quaresma.

Oseias pede ao povo de Israel que volte para Deus, que tenha confiança no Senhor. Deus compromete-se a ajudar. Ajudá-los-ei generosamente; serei como orvalho para Israel (LT). Mas pede-lhe que escute a sua voz (SR). Também agora, Deus espera que tenhamos muito em conta a suas palavras, que são como o orvalho, que dá vida e rejuvenesce.

 

Sábado, 21-III: A Palavra de Deus e os sacrifícios que lhe agradam.

Os 6, 1-6 / Lc 18, 9-14

Pois eu quero o amor, e não os sacrifícios, o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos.

Durante a Quaresma é lógico que perguntemos ao Senhor que sacrifícios lhe agradam mais. E a sua resposta vem dada nestas Leituras.

Em primeiro lugar o amor, a maior das virtudes. O vosso amor é muito fraco, logo se evapora (LT). Em segundo lugar, a misericórdia. Quero misericórdia e não sacrifícios (LT e SR), pois é indispensável aprender a perdoar, como Deus faz. Em terceiro lugar, a oração. O publicano reza no templo, manifesta o seu amor, através da contrição (EV). Para nós, as nossas actividades: trabalho, vida familiar, contrariedades, feitas com amor, lhe são agradáveis.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   Fernando Silva

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais:           Nuno Romão

Sugestão Musical:        José Carlos Azevedo

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial