3º Domingo da Quaresma

15 de Março de 2020

 

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios para o Baptismo dos adultos, neste domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Os meus olhos estão sempre fixos no Senhor – M. Faria, BML, 50

Salmo 24, 15-16

Antífona de entrada: Os meus olhos estão voltados para o Senhor, porque Ele livra os meus pés da armadilha. Olhai para mim, Senhor, e tende compaixão porque estou só e desamparado.

 

ou

Ez 36, 23-26

Quando Eu manifestar em vós a minha santidade, hei-de reunir-vos de todos os povos, derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de toda a iniquidade. Eu vos darei um espírito novo, diz o Senhor.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Nesta caminhada da Quaresma, sobretudo neste III Domingo, depressa nos apercebemos que o tema da sede e da água são os grandes motivos em torno dos quais se desenvolve a liturgia da Palavra deste domingo.

 O “mais belo diálogo do Novo Testamento”, entre Jesus e a mulher Samaritana, ajudar-nos-á a sentir a sede de Deus, a colocarmo-nos, igualmente, à beira do poço para que, cansados de caminhar pelas encruzilhadas e becos da nossa vida, possamos pedir-Lhe: “Dá-me de beber”.  

 

Acto Penitencial

 

Senhor, tal como a mulher Samaritana, a nossa vida, por vezes, é infeliz, cheia de vícios, de solidão, de violências e de discórdias, ajuda-nos a procurar o verdadeiro sentido para a vida.

Senhor, misericórdia!

 

Senhor, tal como a mulher Samaritana, também temos sede, uma sede imensa de vida para sempre, ajuda-nos a descobrir em Ti a fonte de água viva que vem saciar a nossa sede de verdade e de amor.

Cristo, misericórdia!

 

Senhor, tal como a mulher Samaritana, nem sempre somos testemunhas e missionários da Tua misericórdia, ajuda-nos a conhecer sempre o dom de Deus.

Senhor, misericórdia!

 

Oração colecta: Deus, Pai de misericórdia e fonte de toda a bondade, que nos fizestes encontrar no jejum, na oração e no amor fraterno os remédios do pecado, olhai benigno para a confissão da nossa humildade, de modo que, abatidos pela consciência da culpa, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: No deserto árido e sedento de água, as forças do povo de Israel começam a diminuir, murmuram e perdem a confiança em Deus. Moisés não vacila e, por isso, com o seu bastão faz brotar da rocha a água viva.

 

Êxodo 17, 3-7

 

3Naqueles dias, o povo israelita, atormentado pela sede, começou a altercar com Moisés, dizendo: «Porque nos tiraste do Egipto? Para nos deixares morrer à sede, a nós, aos nossos filhos e aos nossos rebanhos?» 4Então Moisés clamou ao Senhor, dizendo: «Que hei-de fazer a este povo? Pouco falta para me apedrejarem». 5O Senhor respondeu a Moisés: «Passa para a frente do povo e leva contigo alguns anciãos de Israel. Toma na mão a vara com que fustigaste o Rio e põe-te a caminho. 6Eu estarei diante de ti, sobre o rochedo, no monte Horeb. Baterás no rochedo e dele sairá água; então o povo poderá beber». Moisés assim fez à vista dos anciãos de Israel. 7E chamou àquele lugar Massa e Meriba, por causa da altercação dos filhos de Israel e por terem tentado o Senhor, ao dizerem: «O Senhor está ou não no meio de nós?»

 

O relato é situado em Refidim (v. 1), um oásis na península do Sinai a cerca de uma dúzia de quilómetros do monte que se considera ser o da grande teofania do Sinai, o Djébel Músa.

O episódio que constituiu uma prova e fonte de litígio, enquadra-se bem na vida no deserto do Sinai, onde abunda a fome e a sede e escasseiam os oásis; a narrativa é apresentada a dar lugar ao nome de dois sítios: «Meribá», que, segundo uma etimologia popular, designa a disputa ou litígio (do povo com Moisés) e «Massá», nome correspondente a prova ou tentação. Este pecado de falta de fé do povo na Providência divina é muitas vezes posto em relevo na Sagrada Escritura: Dt 6,16; 9,22-24; 33,8; Salm 95,8-9. Também aparece sublinhada a falta de fé do próprio chefe, Moisés, cuja dúvida o levou a bater duas vezes na rocha (cf. Nm 20,1-13; Dt 32,51; Salm 106,32).

 

Salmo Responsorial    Sl 94 (95), 1-2.6-7.8-9 (R. cf. 8)

 

Monição: Tendo presente a fé que foi provada no deserto, onde parecia que Deus estava ausente, o salmista convida, hoje e sempre, a não fechar o coração à voz do Senhor, indo à Sua presença com confiança.

 

Refrão:     Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,

                não fecheis os vossos corações.

 

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,

aclamemos a Deus, nosso salvador.

Vamos à sua presença e dêmos graças,

ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

 

Vinde, prostremo-nos em terra,

adoremos o Senhor que nos criou.

Pois Ele é o nosso Deus

e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

 

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:

«Não endureçais os vossos corações,

como em Meriba, como no dia de Massa no deserto,

onde vossos pais Me tentaram e provocaram,

apesar de terem visto as minhas obras.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A fé, que é adesão a Cristo morto e ressuscitado, justifica o crente, isto é, coloca-o numa relação de salvação que dá a paz e a graça, apoiado numa esperança que “não engana”, mas que é fundada no “amor de Deus derramado em nossos corações”.   

 

Romanos 5, 1-2.5-8

 

Irmãos: 1Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, 2pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. 5Ora, a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. 6Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. 7Dificilmente alguém morre por um justo; por um homem bom, talvez alguém tivesse a coragem de morrer. 8Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores.

 

Dentro do tema central da epístola, a obra da nossa justificação realizada por Cristo, S. Paulo aponta aqui os efeitos desta sua obra salvadora: a «paz» (v. 1), o «acesso à graça», um orgulho santo, e a esperança (v. 2), uma «esperança que não engana», porque tem como fundamento o «amor de Deus». «Esta graça em que permanecemos» é a graça santificante, a graça da justificação, que nos torna santos, justos, amigos de Deus e em paz com Ele.

5 «A esperança não engana», não nos deixa confundidos, um tema desenvolvido a fundo na encíclica Spe salvi. A teologia católica insiste numa qualidade da virtude teologal da esperança: a certeza, que procede da virtude da fé e que se baseia na fidelidade de Deus às suas promessas, na sua misericórdia e omnipotência. Esta firmeza da esperança não obsta a uma certa desconfiança de nós próprios, pelo mau uso que possamos vir a fazer da liberdade; daqui a recomendação de S. Paulo: «trabalhai com temor e tremor na vossa salvação» (Filp 2,12). «O amor de Deus foi derramado em nossos corações»; aqui está a garantia de que a nossa esperança não é ilusória, mas firme. Este amor não é apenas algo que se situa fora de nós próprios, uma mera atitude de benevolência divina extrínseca, mas é um dom que se encontra derramado em nossos corações «pelo Espírito Santo que nos foi dado». Fala-se neste texto dum dom e dum doador; daqui que a Teologia explicite que esse dom é a virtude infusa da caridade, inseparável da graça santificante (cf. DzS 800-821), isto é, um «hábito» permanente, bem expresso pelo particípio perfeito passivo do original grego («que permanece derramado»); o doador é o Espírito Santo que, por sua vez, também «nos foi dado»; Ele é a graça incriada; por isso se pode falar da inabitação da Santíssima Trindade na alma do justo.

6-8 Este amor de Deus não é uma teoria, pois ele se revela na morte de Jesus pelos pecadores.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 4, 42.15

 

Monição:Chega uma mulher da Samaria para tirar água. Os samaritanos não tinham nada que ver com os judeus. Eles não eram do povo eleito. Pensemos, portanto, que aqui já estamos a falar de nós mesmos: reconheçamo-nos nesta mulher” (Santo Agostinho, Tratado sobre o Evangelho de São João).

 

Cântico: Louvor a Vós Rei da eterna glória – M. Simões, NRMS, 1 (I)

 

Senhor, Vós sois o Salvador do mundo:

dai-nos a água viva, para não termos sede.

 

 

Evangelho

 

Forma longa: São João 4, 5-42;                        forma breve: São João 4, 5-15.19b-26.39a40-42

 

5Naquele tempo, chegou Jesus a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, junto da propriedade que Jacob tinha dado a seu filho José, 6onde estava a fonte de Jacob. Jesus, cansado da caminhada, sentou-Se à beira do poço. Era por volta do meio-dia. 7Veio uma mulher da Samaria para tirar água. Disse-lhe Jesus: «Dá-Me de beber». 8Os discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos. 9Respondeu-Lhe a samaritana: «Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?» De facto, os judeus não se dão com os samaritanos. 10Disse-lhe Jesus: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: ‘Dá-Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva». 11Respondeu-Lhe a mulher: «Senhor, Tu nem sequer tens um balde, e o poço é fundo: donde Te vem a água viva? 12Serás Tu maior do que o nosso pai Jacob, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu, com os seus filhos e os seus rebanhos?» 13Disse-Lhe Jesus: «Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede. 14Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente que jorra para a vida eterna». 15«Senhor, – suplicou a mulher – dá-me dessa água, para que eu não sinta mais sede e não tenha de vir aqui buscá-la». [16Disse-lhe Jesus: «Vai chamar o teu marido e volta aqui». 17Respondeu-lhe a mulher: «Não tenho marido». Jesus replicou: «Disseste bem que não tens marido, 18pois tiveste cinco e aquele que tens agora não é teu marido. Neste ponto falaste verdade». 19Disse-lhe a mulher: «Senhor,] vejo que és profeta. 20Os nossos antepassados adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar». 21Disse-lhe Jesus: «Mulher, podes acreditar em Mim: Vai chegar a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. 23Mas vai chegar a hora – e já chegou – em que os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são esses os adoradores que o Pai deseja. 24Deus é espírito e os seus adoradores devem adorá-l’O em espírito e verdade». 25Disse-Lhe a mulher: «Eu sei que há-de vir o Messias, isto é, Aquele que chamam Cristo. Quando vier, há-de anunciar-nos todas as coisas». 26Respondeu-lhe Jesus: «Sou Eu, que estou a falar contigo». [27Nisto, chegaram os discípulos e ficaram admirados por Ele estar a falar com aquela mulher, mas nenhum deles Lhe perguntou: «Que pretendes?» ou então: «Porque falas com ela?» 28A mulher deixou a bilha, correu à cidade e falou a todos: 29«Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não será Ele o Messias?» 30Eles saíram da cidade e vieram ter com Jesus. 31Entretanto, os discípulos insistiam com Ele, dizendo: «Mestre, come». 32Mas Ele respondeu-lhes: «Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis». 33Os discípulos perguntavam uns aos outros: «Porventura alguém Lhe trouxe de comer?» 34Disse-lhes Jesus: «O meu alimento é fazer a vontade d’Aquele que Me enviou e realizar a sua obra. 35Não dizeis vós que dentro de quatro meses chegará o tempo da colheita? Pois bem, Eu digo-vos: Erguei os olhos e vede os campos, que já estão loiros para a ceifa. 36Já o ceifeiro recebe o salário e recolhe o fruto para a vida eterna e, deste modo, se alegra o semeador juntamente com o ceifeiro. 37Nisto se verifica o ditado: ‘Um é o que semeia e outro o que ceifa’. 38Eu mandei-vos ceifar o que não trabalhastes. Outros trabalharam e vós aproveitais-vos do seu trabalho».] 39Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus, por causa da palavra da mulher, [que testemunhava: «Ele disse-me tudo o que eu fiz». 40Por isso] os samaritanos, quando vieram ao encontro de Jesus, pediram-Lhe que ficasse com eles. E ficou lá dois dias. 41Ao ouvi-l’O, muitos acreditaram 42e diziam à mulher: «Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo».

 

A leitura contém uma das mais encantadoras cenas de todo o Evangelho. Um belíssimo diálogo pedagógico inicial conduz a uma proposta misteriosa de Jesus (v.10), que suscita o vivo interesse da mulher, a qual passa da incompreensão (vv. 11-12) ao acolhimento da auto-revelação de Jesus e a tornar-se por fim numa apóstola de Cristo. O diálogo atinge o clímax, o ponto culminante, no v. 26: «(o Messias) sou Eu, que estou a falar contigo!»

5-6 «Sicar», que muitos querem identificar com a Siquém dos tempos dos Patriarcas, destruída em grande parte por João Hircano em 128 a. C., costuma identificar-se com a actual Askar, no sopé do monte Ebal, perto da antiga Siquém e da actual Nablus, a maior cidade dos palestinos (cf. Gn 33,19; 48,22; Jos 24,32. O «poço», com 32 metros, conserva-se na cripta duma igreja feita pelos cruzados sobre as ruínas de templos sucessivamente destruídos, primeiro pelos samaritanos, depois pelos maometanos por duas vezes; em 1863 uma comunidade grega ortodoxa reconstruiu essa cripta, onde o peregrino continua a poder beber água tirada com um balde preso a uma corda.

6 «Jesus, cansado da caminhada, sentou-Se à beira do poço». João, que pretende demonstrar a divindade de Jesus no seu Evangelho (cf. Jo 20,31), não descuida deixar ver bem clara a humanidade do Senhor. Eis o belíssimo comentário de Santo Agostinho: «Não é em vão que se fatiga o poder de Deus. Não é em vão que se fatiga Aquele cuja ausência nos causa fadiga e cuja presença nos conforta. [...] Jesus fatigou-Se com o caminho por nosso amor. Encontramos ali Jesus que é força e encontramo-Lo fatigado. Jesus é forte e é fraco. [...] A força de Cristo deu-nos a vida e a fraqueza de Cristo deu-nos a nova vida. A força de Cristo fez que existisse o que não existia; a fraqueza de Cristo fez que não perecesse o que existia. Cristo criou-nos pela sua força e salvou-nos pela sua fraqueza» (In Ioh. Tractus XV, 6).

9 «Sendo eu samaritana». Os samaritanos eram um povo misto, resultado do cruzamento dos judeus não desterrados por Sargão II na destruição do reino do Norte em 721, com os colonos assírios que para ali foram mandados. As rivalidades, que vinham dos inícios da monarquia, com a divisão em dois reinos (cf. 1 Re 12; 17,24-34), acirraram-se com a reforma de Esdras e Neemias no regresso do exílio, até que se consumou o cisma religioso. Eles consideravam-se autênticos israelitas e seguiam os cinco livros de Moisés (o Peutateuco Samaritano). Mas os judeus consideravam-nos semi-pagãos e cismáticos, pois sobre o monte Garizim tinham chegado a construir um templo, rival do de Jerusalém. O ódio e desprezo dos judeus pelos samaritanos era tão grande que, quando querem insultar a Jesus chamam-no «samaritano» (Jo 8,48), o que equivalia a chamar-Lhe um renegado, talvez pelos contactos de Jesus com as gentes da Samaria, quando um judeu praticante devia abster-se de todo o contacto com os samaritanos.

10-15 «Se conhecesses…»: conhecer, na linguagem bíblica, não se reduz a estar informado, mas implica uma vivência, como se Jesus dissesse: «Se tu tivesses a experiência da vida que Deus tem para te dar...». «Água viva»: dá-se aqui um mal-entendido, pois a samaritana pensa em água corrente, por oposição à água estagnada do poço, quando Jesus lhe fala assim, recorrendo a um símbolo bíblico tradicional (cf. Is 12,3; 44,3; Jr 2,13; 17,13; Salm 36,10; ver Apoc 21,6; 22,17) para falar dum dom divino que no IV Evangelho se exprime em diversas categorias sobrenaturais paralelas e que se iluminam mutuamente: vida eterna, salvação, o próprio Jesus, o Espírito Santo, como se explicita em 7,38-39. A imagem da água viva tem mais força se temos em conta o que diz o Targum acerca dum poço de Jacob que transbordou jorrando água durante 20 anos. 

17 «Tiveste cinco maridos»: O contexto deixa ver que a mulher tinha levado uma vida escandalosa (ver v. 29); embora alguns queiram ver que temos aqui um símbolo do antigo politeísmo dos samaritanos (2Re 17,29-41) que adoraram 5 ídolos (na realidade o texto fala de 7) e agora tinham um culto ilegítimo; mas esta hipotética alusão não anularia o valor do acontecimento relatado.

19-24 Ao ver que Jesus penetra nos segredos da sua vida irregular, reconhece que está diante dum profeta, por isso lhe põe a grande questão que opunha os samaritanos aos judeus, a saber, o lugar do culto (cf. Dt 12,5), que eles celebravam no monte Garizim, mesmo depois de destruído o seu templo cismático por João Hircano. Jesus declara que com Ele tinha chegado a hora em que já não tem sentido essa questão acerca do «lugar», pois o culto antigo ficava ultrapassado e abolido, sendo Ele próprio o novo templo (cf. Jo 2,19.21). Começava um novo culto «em espírito e verdade»; mas isto não significa um culto mais interior e menos ritualista, como pregaram os profetas, nem que se devam suprimir todos os ritos externos. Trata-se de que Deus é espírito (cf. v. 24), isto é, que infunde uma nova vida, a sua vida divina; por isso o culto tem de corresponder a essa novidade de vida (Rom 6,19), digamos, um culto que nos envolva na própria vida trinitária: adorar o Pai no Espírito Santo (sob o seu impulso) e na Verdade (através de Jesus que é a Verdade: 1,14; 14,6).

35-38 É fácil de descobrir o sentido da alegoria do semeador e dos ceifeiros: nos campos de trigo há um espaço de tempo entre a sementeira e a ceifa, mas no campo de Deus o fruto pode ser imediato, como aconteceu ali; no entanto, o habitual será que se confirme o ditado (v. 37; ver Miq 6,15; Act 8,4-25). Os discípulos aparecem como os ceifeiros enviados a colher o que «outros» – os profetas e Jesus principalmente – semearam.

42 «Salvador do mundo»: cf. 3,17; 12,47; 1Jo 4,14; Is 19,20; 43,3; Lc 1,47; 1Tm 4,10; Filp 3,20; Mt 1,21; Act 5, 31; 13, 23. O que os samaritanos esperavam não era propriamente um Messias, um Salvador do mundo, mas simplesmente um Restaurador (o Taheb), mas não nos deve admirar que, ao ser escrito o Evangelho para mostrar que Jesus é o Messias (cf. Jo 20,31), o episódio da samaritana tenha sido redigido em termos messiânicos; isto nada tira à credibilidade da narrativa joanina.

 

Sugestões para a homilia

 

Introdução

Rochedo de água viva

Poço: lugar de encontro

Poço: lugar de diálogos e de sedes

Poço: ponto de partida para o anúncio

 

 

Introdução

A água é a realidade mais desejada nas paisagens secas, áridas e sedentas do oriente onde nasceram os textos da bíblia. No entanto, a espiritualidade bíblica soube ver na água um símbolo de Deus. Vejamos o caso de Jeremias que define Deus como a fonte de água viva (cf. Jr 2, 13), bem como os vários salmos que manifestam a sede de Deus (Sl 42 e 62). Por conseguinte, não é só a paisagem exterior mas também a paisagem interior que necessita da água para viver. Assim como o deserto anseia as chuvas para germinar, assim também os desertos da nossa vida necessitam de Deus e da sua Palavra. Deus é a água que sacia a nossa sede de vida, que nos recria, que faz germinar a nossa vida tantas vezes marcada pelo pecado, pela solidão e pelo sofrimento.

 

Rochedo de água viva

A primeira leitura do livro do Êxodo narra-nos a caminhada do Povo, libertado por Deus sob a guia de Moisés, do Egipto em direcção à terra da promessa. É uma bela catequese sobre a acção de Deus que liberta e conduz o seu Povo da escravidão à liberdade. No entanto, tal caminho nem sempre é fácil. Há momentos duros e de prova. Quando aparecem as dificuldades, o povo, apesar de todos os sinais amorosos que já recebeu de Deus, põe em questão o amor de Deus e as verdadeiras intenções de Deus. “Porque nos tiraste do Egipto? Para nos deixares morrer à sede, a nós, aos nossos filhos e aos nossos rebanhos?” Ante esta situação, Deus dá mais uma prova do seu amor e fidelidade. Deus oferece ao seu Povo o sinal da água para mostrar que está e caminha com o seu Povo. Deus ordena que Moisés bata com o seu cajado na rocha para que daí brote a água.

No entanto, também nós como o Povo de Deus sentimos, nos momentos de prova, sede de uma vida plena e, não poucas vezes, pensamos que Deus já não está connosco para saciar a nossa sede de vida e de felicidade. É assim que começamos a procurar outras fontes. Fontes secas ou de má qualidade que não matam a nossa sede. É neste contexto, nesta busca humana da água que dá vida, que a Liturgia da Palavra deste domingo nos apresenta o evangelho da Samaritana.

 

Poço: lugar de encontros

O encontro de Jesus com a Samaritana é uma cena fácil de imaginar, pois bem sabemos que nas aldeias a fonte é lugar de encontro, lugar de conversas e, por isso mesmo, seria normal que se encontrassem aí duas pessoas para falar. No entanto, o que começa por ser anormal neste episódio é o caminho que Jesus faz e com quem estabelece o diálogo.

O poço era um lugar importante na tradição bíblica. É o lugar dos encontros no Antigo Testamento, encontros esses que muitas vezes resultaram em casamento. Além disso, também a lei de Deus era considerada um poço donde brotava a água que saciava a sede do Povo. Tudo isto se passa ao meio-dia. A hora sexta é a hora de maior luminosidade onde tudo pode ficar mais claro.

É neste espaço e a esta hora que “Jesus, cansado da caminhada, sentou-se, sem mais, na borda do poço”. No cansaço de Jesus, sinal da sua verdadeira humanidade, pode-se ver um prelúdio da paixão onde realizou a obra da nossa redenção. Assim comenta Santo Agostinho: “Por ti, Ele cansou-Se no caminho. (…) A força de Cristo criou-te, a fraqueza de Cristo recriou-te. A força de Cristo chamou à existência o que não existia. A fraqueza de Cristo salvou o que já existia da perdição. Por causa da sua fraqueza, Ele alimenta os fracos, como a galinha alimenta os seus filhotes”.

 

Poço: lugar de diálogos e de sedes

Depois, aproxima-se uma samaritana para buscar água e Jesus começa um diálogo com uma mulher daquele povo com quem os judeus não se davam. Diálogo esse que não era uma simples conversa de circunstância mas uma conversa para a qual estava disposto a gastar tempo. Um Jesus que vence as barreiras culturais que nos impedem de nos aproximarmos dos outros.

“Dá-me de beber”, é assim que Jesus inicia o diálogo. Na borda do poço, Jesus aparece a mendigar, “o seu corpo é um corpo não poupado ao esforço; um corpo que vivencia a fadiga dos dias; gasto pelo cuidado amoroso dos outros; queimado pelo sol, batido pelo pó; um corpo entregue” (D. José Tolentino Mendonça, Elogio da Sede). Jesus começa como um pedinte mas tem a intenção de tornar a samaritana numa pedinte. Na verdade, a água física foi só um pretexto para falar da água verdadeira que é capaz de saciar a nossa sede de felicidade e de vida plena. Neste diálogo, a sede de Cristo foi uma porta de acesso ao mistério de Deus, porque a mulher samaritana percebeu que Deus tinha sede da sua fé e do seu amor. No fundo, “não é só o homem que é mendigo de Deus. Em Jesus, Deus também se apresenta como mendigo do homem” (D. José Tolentino Mendonça).

E é assim que de água se passa a falar do marido. Jesus advinha a vida da mulher. Jesus entra na vida da mulher. A adivinhação de Jesus manifesta que Jesus é alguém que penetra em nós, que nos conhece e que põe a nossa verdade sobre a mesa. Na verdade, a mulher não tem marido porque já teve cinco maridos e aquele com quem está agora não é seu marido. Ao ouvir tal coisa a samaritana deixa o seu cântaro, aquele objecto com o qual pretendia tirar a água de tantas propostas limitadas e falíveis de felicidade, porque encontrou a verdadeira fonte de água viva.

 

Poço: ponto de partida para o anúncio

Como as testemunhas de Domingo de Páscoa, a Samaritana corre a anunciar aos seus conterrâneos Jesus e com a sua pergunta pedagógica (Não será ele o Messias?) leva-os até Jesus. Junto de Jesus também eles acreditam que Jesus é o Salvador do Mundo. Na verdade, Jesus deseja levar-nos, como a Samaritana, a professar com força a nossa fé n’Ele, para assim podermos anunciar e testemunhar aos nossos irmãos a alegria do encontro com Ele e as maravilhas que o Seu amor realiza em nós. Uma vez que o Senhor conquistou o coração da Samaritana a sua vida é transformada e corre imediatamente a comunicar a boa nova aos seus conterrâneos.

O Papa Francisco, na exortação apostólica Alegria do Evangelho, recorda a nossa identidade baptismal e, por conseguinte, o compromisso de anunciar o amor de Deus. Dá, inclusivamente, o exemplo da Samaritana no momento em “que terminou o seu diálogo com Jesus, tornou-se missionária, e muitos samaritanos acreditaram em Jesus «devido às palavras da mulher» (Jo 4, 39)”. Actualmente, no meio de tanta “desertificação espiritual”, há homens e mulheres que estão, como a Samaritana, junto ao poço na esperança de encontrar Alguém que sacie o desejo mais profundo do coração e a água viva que dá sentido pleno à nossa existência. Não podemos esquecer que há no nosso mundo inúmeros sinais que revelam uma profunda sede de Deus. E que fazer? Novamente, o Papa indica: “somos chamados a ser pessoas-cântaro para dar de beber aos outros. Às vezes o cântaro transforma-se numa pesada cruz, mas foi precisamente na Cruz que o Senhor, trespassado, Se nos entregou como fonte de água viva. Não deixemos que nos roubem a esperança!” (EG 86). 

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus fala-nos como falou à samaritana. Sabemos quem é Jesus,

mas talvez não o tenhamos encontrado pessoalmente, e ainda não o reconhecemos como o nosso Salvador.»

 

O Evangelho deste domingo, terceiro de Quaresma, apresenta-nos o diálogo de Jesus com a samaritana (cf. Jo 4, 5-42). O encontro aconteceu quando Jesus atravessava a Samaria, região entre a Judeia e a Galileia, habitada por pessoas que os judeus desprezavam, considerando-a cismática e herege. Mas será precisamente esta população uma das primeiras a aderir à pregação cristã dos Apóstolos. Enquanto os discípulos vão à aldeia procurar comida, Jesus permanece junto de um poço e pede de beber a uma mulher que ali tinha ido buscar água. E deste pedido começa um diálogo. «Como é que Tu, sendo judeu, te dignas pedir alguma coisa a uma samaritana?». Jesus responde: se soubesses quem sou, e o dom que tenho para ti, serias tu a pedir e eu te daria «água viva», uma água que sacia qualquer sede e se torna fonte inexaurível no coração de quem a bebe (cf. vv. 10-14).

Ir ao poço buscar água é cansativo e tedioso; seria bom ter à disposição uma fonte a jorrar! Mas Jesus fala de uma água diversa. Quando a mulher se apercebe que o homem com o qual está a falar é um profeta, confidencia-lhe a própria vida e apresenta-lhe questões religiosas. A sua sede de afeto e de vida plena não foi satisfeita pelos cinco maridos que tivera, aliás, viveu desilusões e enganos. Por isso a mulher fica admirada com o grande respeito que Jesus tem por ela e quando Ele lhe fala até da verdadeira fé, como relação com Deus Pai «em espírito e verdade», então ela intui que aquele homem poderia ser o Messias e Jesus — o que é raríssimo — confirma-o: «Sou Eu, que falo contigo» (v. 26). Ele diz que é o Messias a uma mulher com uma vida tão dissoluta.

Queridos irmãos! A água que dá a vida eterna foi infundida nos nossos corações no dia do nosso Batismo; nele Deus transformou-nos e encheu-nos da sua graça. Mas talvez este grande dom o tenhamos esquecido, ou reduzido a um mero dado civil; e talvez vamos à procura de «poços» cujas águas não nos matam a sede. Quando esquecemos a verdadeira água, vamos à procura de poços que não têm água limpa. Então este Evangelho é precisamente para nós! Não só para a samaritana, mas para nós. Jesus fala-nos como falou à samaritana. Certamente nós já o conhecemos, mas talvez ainda não o tenhamos encontrado pessoalmente. Sabemos quem é Jesus, mas talvez não o tenhamos encontrado pessoalmente, nem falado com Ele, e ainda não o reconhecemos como o nosso Salvador. Este tempo de Quaresma é a ocasião boa para nos aproximarmos d’Ele, encontrá-lo na oração num diálogo direto, falar com Ele, ouvi-lo; é a ocasião para ver o seu rosto também no rosto de um irmão ou de uma irmã que sofre. Deste modo podemos renovar em nós a graça do Batismo, matar a sede na fonte da Palavra de Deus e do seu Espírito Santo; e assim descobrir também a alegria de nos tornarmos artífices de reconciliação e instrumentos de paz na vida diária.

A Virgem Maria nos ajude a beber constantemente da graça, daquela água que brota da rocha que é Cristo Salvador, para que possamos professar com convicção a nossa fé e anunciar com alegria as maravilhas do amor de Deus misericordioso e fonte de todo o bem.

 Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 19 de março de 2017

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs em Cristo:

Com o ardor da nossa sede de Deus,

peçamos a Jesus Cristo que dê à sua Igreja e ao mundo inteiro

a água viva que jorra para a eternidade,

dizendo (ou: cantando), confiadamente:

R. Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

Ou: Christe, eléison.

Ou: Renovai-nos, Senhor, com a vossa graça.

 

1.     Pela Igreja, por esta Diocese e suas comunidades,

para que o Senhor lhes dê a água viva

e as torne fonte de graça e de perdão, oremos.

 

2.     Pelos responsáveis e governantes deste mundo,

para que o Senhor lhes dê a água viva

e faça deles homens de paz e de justiça, oremos.

 

3.     Pelos órfãos, as viúvas e todos os que sofrem,

para que o Senhor lhes dê a água viva,

os proteja, lhes dê alívio e os conforte, oremos.

 

4.     Pelos catecúmenos que caminham para a Páscoa,

para que o Senhor lhes dê a água viva

e os ensine a perdoar e a repartir, oremos.

 

5.     Por todos nós aqui reunidos em assembleia,

para que o Senhor nos dê a água viva

e não deixe que fechemos os nossos corações, oremos.

 

Senhor, nosso Deus e nosso Pai, fazei-nos encontrar em Jesus Cristo a fonte da água viva,

onde a nossa sede de justiça e de santidade se pode saciar em plenitude.

Ele que vive e reina por todos os séculos dos séculos

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A minha alma tem sede - M. Carneiro, NRMS, 40

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, por este sacrifício, que, ao pedirmos o perdão dos nossos pecados, perdoemos também aos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

A samaritana

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Quando Ele pediu à samaritana água para beber, já lhe tinha concedido o dom da fé e da sua fé teve uma sede tão viva que acendeu nela o fogo do amor divino.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

“Se alguém tem sede, venha a mim; e quem crê em mim que sacie a sua sede! Como diz a Escritura, hão-de correr do seu coração rios de água viva” (Jo 7, 37). O Corpo e Sangue de Jesus Cristo é a verdadeira água que mata a nossa sede e irriga a nossa existência árida. Adoremos o Senhor em “espírito e verdade”.

 

Cântico da Comunhão: Amai como Eu vos amei – J. Santos, NRMS, 87

Jo 4, 13-14

Antífona da comunhão: Quem beber da água que Eu lhe der, diz o Senhor, terá em seu coração a fonte da vida eterna.

 

Cântico de acção de graças: Como o veado – B. Salgado/M. Simões, NRMS, 38

 

Oração depois da comunhão: Recebemos o penhor da glória eterna e, vivendo ainda na terra, fomos saciados com o pão do Céu. Nós Vos pedimos, Senhor, a graça de manifestarmos na vida o que celebramos neste sacramento. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Sem Deus a nossa vida não é vida. Sem Deus a nossa vida é um deserto árido. Só com a água viva do Espírito que derrama nos nossos corações - o amor de Deus - é que a nossa vida pode florescer. Vivamos comprometidos com o amor de Deus, comunicando esse amor aos nossos irmãos.

 

Cântico final: É dura a caminhada – M. Faria, NRMS, 06

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 16-III: A Palavra de Deus, a sua vontade e os seus frutos

2 Reis 5, 1-15 / Lc 4, 24-30

Vai banhar-te e ficarás purificado. Então Naamã desceu e mergulhou sete vezes no Jordão e ficou purificado.

A primeira Leitura recorda este milagre de Naamã (LT). E Jesus, ao referir-se a vários milagres, também refere o de Naamã (EV). Isto foi possível porque, embora ele se tenha recusado a obedecer, depois rectificou e ficou curado.

Existe um paralelismo com o nosso Baptismo, como recorda S. Paulo. Mergulhamos na água, morremos para o pecado, saímos da água e ressuscitamos com Cristo.  Que a nossa alma tenha sede do Deus Vivo (SR), para que Ele nos dê sempre a vida. E não como os que estavam presentes, quando Jesus falou deste milagre e quiseram lançá-lo do alto de um monte(EV).

 

3ª Feira 17-III: A Palavra de Deus, a sua misericórdia e a nossa pouca compaixão.

Dan 3, 25. 34-43 / Mt 18, 22-25

Não nos deixeis ficar envergonhados, mas tratai-nos segundo a vossa brandura e a vossa misericórdia.

O profeta Daniel conta como Azarias, na fornalha ardente, pede perdão a Deus e que use da sua misericórdia, e foi atendido (LT). Lembrai-vos, Senhor, da vossa misericórdia (SR).

Respondendo à pergunta de S. Pedro sobre quantas vezes devemos perdoar ao próximo, Jesus responde: Sempre! E aproveitou para contar a parábola do servo, com uma grande dívida e que o seu senhor lhe perdoou toda. Mas, quando ele encontra um seu devedor, de pequena dívida, não foi capaz de perdoar. Façamos um pouco de exame se, às vezes, isto não nos acontece. No mundo inteiro há uma grande necessidade de perdão e reconciliação.

 

4ª Feira, 18-III: A Palavra de Deus, a sabedoria e os mandamentos.

Deut 4, 1. 5-9 / Mt 5, 17-19

Mas, aquele que os praticar e ensinar (os mandamentos), será tido como grande no reino dos Céus.

Moisés pede ao povo, em nome de Deus, que cumpra as leis e os preceitos do Senhor, ao entrar na terra prometida, e que os ensinem aos seus descendentes (educação familiar). Assim darão um grande exemplo aos povos vizinhos (LT). E Jesus disse que não os vinha revogar, mas completar (RV). Deus envia à terra a sua palavra (SR)

Quem cumpre os mandamentos adquire sabedoria e encara os acontecimentos com os olhos de Deus (com visão sobrenatural). Estes preceitos, ao contrário do que muitos pensam, são justos e melhores que quaisquer outros, e chave para abrir porta da vida eterna (LT).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   Bruno Barbosa

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais:           Nuno Romão

Sugestão Musical:        José Carlos Azevedo

 


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