Baptismo do Senhor

12 de Janeiro de 2020

 

Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cristo desceu às águas do Jordão – J. F. Silva, NRMS, 80

cf Mt 3, 16-17

Antífona de entrada: Depois do Baptismo do Senhor, abriram-se os Céus. Sobre Ele desceu o Espirito Santo em figura de pomba e fez-Se ouvir a voz do Pai: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências».

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A celebração do batismo do Senhor apresenta-nos, na fidelidade à esperança messiânica, no testemunho de João Batista, na autoridade amorosa do Pai, e na presença do Espírito, a pessoa de Jesus e a sua missão.

Somos convidados a escutar a voz do Pai que nos oferece o seu Filho amado, seu eleito, enlevo da sua alma. Somos convidados a ver os sinais dos céus que se abrem, do Espírito que desce e pousa sobre Jesus como dom excelente. Somos convidados a acolher o gesto de misericórdia e de comunhão d’ Aquele que assume na sua vida e missão uma solidariedade única connosco. Somos convidados a acolhê-Lo com amor, com responsabilidade e compromisso. O batismo que recebemos enxertou-nos em Cristo, no Pai e no Espírito Santo e nos impele à doação da nossa vida na Igreja e no mundo.

Celebrar a Eucaristia significa viver intensamente o nosso caminho batismal. Na realidade o nosso ser cristão que se iniciou no batismo deve atingir o seu vértice, cume e centro na Eucaristia, comunhão com Deus e com os irmãos, dinamismo de missão e de entrega pelo Reino, até atingirmos a plenitude no Banquete do Reino dos Céus.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que proclamastes solenemente a Cristo como vosso amado Filho quando era baptizado nas águas do rio Jordão e o Espírito Santo descia sobre Ele, concedei aos vossos filhos adoptivos, renascidos pela água e pelo Espírito Santo, a graça de permanecerem sempre no vosso amor. Por Nosso Senhor...

ou

Deus omnipotente, cujo Filho Unigénito Se manifestou aos homens na realidade da nossa natureza, concedei-nos que, reconhecendo-O exteriormente semelhante a nós, sejamos por Ele interiormente renovados. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Fixemos a nossa atenção na beleza deste texto de Isaías! Quem é e ao que vem o Servo do Senhor?

 

Isaías 42, 1-4.6-7

Diz o Senhor: 1«Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações. 2Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; 3não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega: 4proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam. 6Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, 7para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas».

 

Este texto pertence ao primeiro dos quatro «cantos do Servo de Yahwéh», dispersos pelo Segundo Isaías (Is 40 – 55), mas que, na origem, talvez fizessem parte de um único poema.

«Eis o meu servo». Trata-se de um mediador através do qual Deus levará a cabo o seu plano de salvação. Torna-se difícil determinar quem é designado em primeiro plano, se é uma personalidade individual (um rei de Judá, o profeta, ou o messias), ou uma colectividade (todo o povo de Israel ou parte dele), ou um indivíduo como símbolo de todo o povo. O nosso texto deixa ver uma personagem deveras misteriosa, humilde (vv. 2-3) e poderosa (v. 4.7), escolhido por Deus e com uma missão universal (v. 1.6). Pondo de parte a complexa e discutida questão da personalidade originária deste magnífico poema, o certo é que o Novo Testamento está cheio de ressonâncias deste texto, vendo mesmo nesta figura singular um anúncio do Messias, com pleno cumprimento na pessoa de Jesus. Assim temos v. 1: cf. Mt 3,17 e Lc 9,35; vv. 2-4: cf. Mt 12,15-21; v. 6: Lc 1,78-79 e 2,32 e Jo 8,12 e 9,5; v. 7: Mt 11,4-6 e Lc 7,18-22. É evidente que foi escolhida esta leitura para hoje porque é assim que Deus, pelo Profeta, apresenta o seu servo «enlevo da minha alma», sobre quem «fiz repousar o meu espírito»; é por isso que também no Jordão Jesus é apresentado (cf. Evangelho de hoje e paralelos).

 

 

Salmo Responsorial    Salmo 28 (29), 1a.2.3ac-4.3b.9b-10 (R. 11b)

 

Monição: A voz do Senhor ressoa de forma tão maravilhosa. Acolhamos as suas palavras como pedras preciosas.

 

Refrão:        O Senhor abençoará o seu povo na paz.

 

Tributai ao Senhor, filhos de Deus,

tributai ao Senhor glória e poder.

Tributai ao Senhor a glória do seu nome,

adorai o Senhor com ornamentos sagrados.

 

A voz do Senhor ressoa sobre as nuvens,

o Senhor está sobre a vastidão das águas.

A voz do Senhor é poderosa,

a voz do Senhor é majestosa.

 

A majestade de Deus faz ecoar o seu trovão

e no seu templo todos clamam: Glória!

Sobre as águas do dilúvio senta-Se o Senhor,

o Senhor senta-Se como Rei eterno.

 

 

Segunda Leitura

 

Monição: Pedro tomou a palavra e disse. Disse uma história de amor. Como Pedro sei compreender a Deus?

 

Actos dos Apóstolos 10, 34-38

Naqueles dias, 34Pedro tomou a palavra e disse: «Na verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, 35mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável. 36Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. 37Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: 38Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demónio, porque Deus estava com Ele».

 

Temos aqui uma pequenina parte do discurso de Pedro em casa do centurião Cornélio em Cesareia, quando recebeu directamente na Igreja os primeiros gentios, sem serem obrigados a judaizar. É surpreendente que um discurso dirigido a não judeus contenha alusões (não citações explícitas) ao Antigo Testamento: v. 34 – «Deus não faz acepção de pessoas» (cf. Dt 10,17); v. 36 – «Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel» (cf. Salm 107,20); «anunciando a paz» (cf. Is 52,7); v. 38 «Deus ungiu com… Espírito Santo» (cf. Is 61,1). Isto corresponde a que se está num ponto crucial da vida da Igreja, em que ela entra decididamente pelos caminhos da sua universalidade intrínseca, em confronto com o nacionalismo judaico. Por isso era importante recorrer àquelas passagens do A. T. que se opõem a qualquer espécie de privilégio de raça ou cultura: «a palavra aos filhos de Israel» deixa ver como Deus é o «Senhor de todos», imparcial, «não faz acepção de pessoas», e que a «paz» – a súmula de todos os bens messiânicos – Deus a destina a toda a humanidade.

O discurso tem um carácter kerigmático evidente. E Lucas – o historiador-teólogo –, ao redigi-lo, quaisquer que possam ter sido as fontes utilizadas, terá em vista, mais ainda do que a situação concreta em que foi pronunciado, o efeito a produzir nos seus leitores. Convém notar que, no entanto, ao redigir os discursos – o grande recurso de Actos –, Lucas não os inventa; embora não sejam uma reprodução literal, considera-se que correspondem aos temas da pregação primitiva.

38 «Ungiu do Espírito Santo». Estamos aqui em face de uma expressão simbólica tipicamente hebraica, alusiva à união misteriosa com o Espírito Santo (algo que pertence ao mistério trinitário, o verdadeiro ser e missão de Jesus, que se torna visível na sua Humanidade, na teofania do Jordão). É clara a referência a textos do A. T. de grande densidade messiânica, como Is 11,2; 61,1 (cf. Lc 2,18). Ver supra nota à 1ª leitura do 3º Domingo do Advento (nota ao v. 26).

 

 

Aclamação ao Evangelho        Mc 9, 6

 

Monição: Jesus chegou. Eis o Filho de Deus entre nós e no meio de nós. Que O acolha como dom do Pai e do Espírito Santo. Que me identifique com Ele e com a sua missão.

 

Aleluia

 

Cântico: J. F. Silva, NRMS, 50-51 (III)

 

Abriram-se os céus e ouviu-se a voz do Pai:

«Este é o meu Filho muito amado: escutai-O».

 

 

Evangelho

 

São Mateus 3, 13-17

Naquele tempo, 13Jesus chegou da Galileia e veio ter com João Baptista ao Jordão, para ser baptizado por ele. 14Mas João opunha-se, dizendo: «Eu é que preciso de ser baptizado por Ti e Tu vens ter comigo?» 15Jesus respondeu-lhe: «Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça». João deixou então que Ele Se aproximasse. 16Logo que Jesus foi baptizado, saiu da água. Então, abriram-se os céus e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre Ele. 17E uma voz vinda do céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência».

 

Este breve relato, com que se inicia o ministério público de Jesus, não é uma invenção literária para transmitir uma ideia sobre Jesus: é algo que se encontra na tradição primitiva, bem documentado no N. T.: Act 1,21-22; 4,27; 10,38; Jo 1,26-34; Mt 3,13-17; Mc 1,9-11; Lc 3,21-22. O facto de o baptismo de Jesus ser uma coisa difícil de compreender pelas primeiras comunidades abona a favor do seu valor histórico.

14 «Eu é que preciso…» Assim fica bem clara a absoluta superioridade de Jesus em frente da excepcional figura de João.

15 «Convém que assim cumpramos toda a justiça», isto é, todo o plano estabelecido por Deus em ordem à salvação do homem. Jesus, ao querer ser baptizado por João, não pretende tornar-se seu discípulo, nem converter-se; no relato, Jesus não aparece apenas como um exemplo de humildade e de acatamento da sua missão de singular enviado de Deus, mas sobretudo aparece a realizar uma espécie de «acção simbólica», à maneira dos antigos Profetas. Assim, Ele – que era a Vida (Jo 1,4; 14,6) – entra em contacto com a água para indicar que lhe dava força vivificante e a tornava matéria do seu futuro Baptismo. Esta foi a ocasião escolhida por Deus para, logo no início da vida pública de Jesus, nos ser dado um sinal da sua divindade. Foi, por assim dizer, a sua apresentação pública como Messias e Filho de Deus, credenciado pelo Espírito Santo (v. 16: «como uma pomba») e pelo Pai (v. 17: «a voz vinda dos Céus» – a bat qol –, um grande motivo de credibilidade na época. A Liturgia quer fazer-nos lembrar que a SS.ma Trindade, que se manifesta no Baptismo do Senhor, toma posse da nossa alma no nosso Baptismo.

16 «Como uma pomba». Eis o comentário de Bento XVI na sua recente obra, Jesus de Nazaré: «A imagem da pomba pode ser uma recordação do adejar do Espírito sobre as águas de que fala o relato da criação (Gn 1,2); aparece também a palavrinha ‘como’, como sendo uma comparação para aquilo que em rigor não pode ser descrito…».

Pode-se notar que o Baptismo de Jesus é descrito com elementos do género apocalíptico, que ainda continuam a ser expressivos para nós, como sinais da inauguração da absolutamente nova relação de Deus com a Humanidade, numa nova Criação. Assim: «o Céu abriu-se», numa imagem a partir da ideia de então de que o firmamento era como uma superfície esférica de cristal compacto, a separar a terra do céu; por isso, para o Espírito descer, o céu tinha que se abrir. Mas já S. Jerónimo (in Math I, 3) advertia que «não são os elementos que se abrem, mas sim os olhos do espírito»; este «abrir dos Céus» é o prelúdio da nova relação de Deus com o homem. Dizer que «o Espírito Santo desceu… como uma pomba» pressupõe a concepção do A. T. e do Antigo Médio Oriente segundo a qual a pomba sempre foi associada ao mundo divino, um símbolo bem adequado para indicar a inauguração dos novos tempos; o relato não quer dizer-nos que antes o Espírito Santo estaria ausente de Jesus, mas quer revelar-nos quem é Jesus, por isso, «fez-se ouvir uma voz…», que identifica quem é Jesus: Ele é o Filho de Deus, em quem está presente o Espírito Santo. Desde a exegese patrística até a autores modernos, tem-se visto, no Baptismo de Jesus, uma revelação do mistério trinitário.

Esta narrativa é um convite para reconhecer quem é Jesus e para avaliar o valor do Baptismo, semelhante ao de Jesus, mas diferente do de João; tenha-se em conta o paralelismo desta perícope com a fórmula baptismal trinitária do final de Mateus (28,18). No Baptismo de Cristo podemos apreciar como actua em nós o Sacramento, pois para nós se abrem os Céus fechados pelo pecado; desce o Espírito Santo com a sua graça, que nos renova e torna templos seus; ficamos a ser filhos de Deus muito amados.

Bento XVI, na citada obra, termina o capítulo dedicado ao Baptismo de Jesus com uma oportuna observação crítica, de que aqui nos apraz transcrever o início: «Numa vasta corrente da investigação liberal, o Baptismo de Jesus foi interpretado como uma experiência de vocação: aqui, Ele, que até então teria levado uma vida perfeitamente normal na província da Galileia, teria feito uma experiência radical; aqui teria tomado consciência duma especial relação com Deus e da sua missão religiosa, a qual teria resultado do tema das experiências dominantes então em Israel e que adquiriram uma nova forma através de João Baptista, bem como da sua comoção pessoal durante o próprio decorrer do Baptismo. Mas sobre isto não se encontra nada nos textos. Por mais erudita que esta concepção possa parecer, ela deve ser muito mais incluída no género dos romances sobre Jesus do que no de uma real explicação dos textos…»

 

 

Sugestões para a homilia

 

“Este é o meu Filho muito amado”.

“Deixa por agora”.

Cristo em mim: ser e missão.

Homilia

 

“Este é o meu Filho muito amado”.

Escutar a voz do Pai que proclama de forma solene, apresentando o seu Filho amado no qual põe toda a sua complacência, supõe a nossa docilidade para aceitarmos este dom precioso que é Jesus Cristo. O Pai revela a sua identidade, autoridade e missão. Ele é na verdade o Filho de Deus.

Este dom precioso é também assinalado pelo Espírito Santo, que abre os céus, desce e pousa. O Espírito de alegria, vida e comunhão. O mesmo Espírito que possibilitou a encarnação, que O apresenta a todos, que está presente na Sua atividade missionária, de evangelização, que irrompe de forma única, consequência do crucificado, visibilidade máxima de amor, em Pentecostes.

Aqui está O desejado, esperado por tantas gerações do seu povo escolhido. Eis o cumprimento das escrituras: “o meu servo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele repousa o meu espirito”.

Aqui está Jesus. Está para a missão fielmente cumprida na total obediência e fidelidade à vontade do Pai. O amor de Deus revelado em gestos de vida, de graça, de misericórdia. “Aliança do povo, luz das nações. Libertador da cegueira, das prisões, das trevas”. Vem trazer justiça, vem doar-se a todos, “O que passa fazendo o bem”, que cura, que liberta, que salva.

 

“Deixa por agora”.

João quer receber o batismo de Jesus. Ele, João, é que deve receber o batismo de Jesus. E irá recebê-lo, como todos. Por agora, Jesus, deve receber o batismo de João. Por agora tem de se cumprir toda a justiça, cumprir a solidariedade com o seu povo frágil e necessitado de Salvação, por isso Jesus está no meio de nós, e a todos leva às águas, e nos faz ressurgir das águas. Agora Ele faz a síntese da sua vida e missão: ser sinal de amor e de entrega pelos homens. É o início da era messiânica. Este batismo, que faz imergir e emergir das águas, sinal da sua morte e ressurreição. Sinal profético de excelência da Sua Páscoa, gesta maravilhosa da nossa redenção.

Na realidade João Batista há-de receber este batismo de Jesus, como todos, pelo mistério pascal de Jesus. Um batismo de um amor surpreendente e maravilhoso, na entrega total da sua vida por nós, na sua hora de morte na cruz e de ressurreição. Esse batismo que Jesus tem sede de celebrar na cruz e na ressurreição e que abrange a todos em efusão de vida, de amor, de graça e misericórdia.

 

Cristo em mim: ser e missão.

O batismo que recebemos abre-nos o acesso ao coração do mistério trinitário. Há em nós uma transformação existencial e ontológica porque nos enxerta em Cristo, nos torna filhos, nos torna habitação de Deus, e ainda mais, nos insere em Igreja como seus membros activos em vida e missão. E como exigência desta realidade a vivência da conversão, da santidade.

Batismo que exige disponibilidade para amar e servir. Ser acolhimento, sem discriminações nem acepção de pessoas. Embaixadores de paz e de boa nova. Libertadores dos presos, dos cegos e dos que vivem nas trevas. Construtores da justiça, da unidade. Dispensadores de misericórdia e compaixão. Corajosos construtores de pontes. Inovadores de caridade. Sábios na leitura dos sinais que clamam por Cristo. Discípulos que assumem a cruz de cada dia.

 

Fala o Santo Padre

 

«Eis o estilo de Jesus, e também o estilo missionário dos discípulos de Cristo:

anunciar o Evangelho com mansidão e firmeza, sem gritar, sem repreender ninguém,

mas com mansidão e firmeza, sem arrogância nem imposição.»

Hoje, festa do Batismo de Jesus, o Evangelho (Mt 3, 13-17) apresenta-nos a cena ocorrida na margem do rio Jordão: no meio da multidão penitente que caminha rumo a João Batista para receber o batismo encontra-se também Jesus. Estava na fila. João gostaria de o impedir, dizendo: «Eu devo ser batizado por ti!» (Mt 3, 14). Com efeito, João Batista está consciente da grande distância que existe entre ele e Jesus. Mas Jesus veio exatamente para preencher a lacuna entre o homem e Deus: se Ele está inteiramente da parte de Deus, está também totalmente da parte do homem, reunindo o que estava dividido. É por isso que pede a João que o batize, a fim de que se cumpra toda a justiça (cf. v. 15), ou seja, que se realize o desígnio do Pai que passa através do caminho da obediência e da solidariedade para com o homem frágil e pecador, da vereda da humildade e da plena proximidade de Deus aos seus filhos. Porque Deus está muito próximo de nós, muito!

No momento em que Jesus, batizado por João, sai das águas do rio Jordão, a voz de Deus Pai faz-se ouvir do alto: «Eis o meu Filho muito amado, em quem depositei a minha complacência» (v. 17). E ao mesmo tempo o Espírito Santo, em forma de pomba, pousa sobre Jesus, que dá publicamente início à sua missão de salvação; missão caracterizada por um estilo, o estilo do servo humilde e manso, munido unicamente da força da verdade, como Isaías tinha profetizado: «Ele não gritará, nunca elevará a sua voz, [...] Não quebrará o caniço rachado, não extinguirá a mecha que ainda fumega. Anunciará com toda a franqueza a verdadeira religião» (42, 2-3). Servo humilde e manso.

Eis o estilo de Jesus, e também o estilo missionário dos discípulos de Cristo: anunciar o Evangelho com mansidão e firmeza, sem gritar, sem repreender ninguém, mas com mansidão e firmeza, sem arrogância nem imposição. A verdadeira missão nunca é proselitismo mas atração a Cristo. Mas como? Como se faz esta atração a Cristo? Com o próprio testemunho, a partir da vigorosa união com Ele na oração, na adoração e na caridade concreta, que é serviço a Jesus presente no mais pequenino dos irmãos. À imitação de Jesus, Pastor bom e misericordioso, e animados pela sua graça, somos chamados a fazer da nossa vida um testemunho jubiloso que ilumina o caminho, que anuncia esperança e amor.

Esta festa leva-nos a redescobrir o dom e a beleza de ser um povo de batizados, isto é de pecadores — todos o somos — de pecadores salvos pela graça de Cristo, inseridos realmente, por obra do Espírito Santo, na relação filial de Jesus com o Pai, acolhidos no seio da Mãe Igreja e tornados capazes de uma fraternidade que não conhece confins nem barreiras.

A Virgem Maria ajude todos nós, cristãos, a conservar uma consciência sempre viva e reconhecida pelo nosso Batismo, e a percorrer com fidelidade o caminho inaugurado por este Sacramento do nosso renascimento. E sempre com humildade, mansidão e firmeza.

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 8 de janeiro de 2017

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos em Cristo:

Recordando o Baptismo de Jesus,

o Filho muito amado de Deus Pai,

oremos pelos homens e as mulheres de toda a terra,

dizendo (ou: cantando), confiadamente:

R. Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Iluminai, Senhor, a terra inteira.

Ou: Confirmai-nos, Senhor, no vosso Espírito.

 

1. Pela santa Igreja do Oriente e do Ocidente,

pelos ministros do Evangelho e do Baptismo

pelas crianças, por seus pais e seus padrinhos,

oremos.

 

2. Pelos catecúmenos jovens e adultos,

pelos eleitos, que são o enlevo do Senhor

e pelos grupos cristãos que os acompanham,

oremos.

 

3. Pelos que são baptizados neste dia

ou confirmados pelo Espírito, o Dom de Deus,

e pelos que procuram ser fiéis ao seu Baptismo,

oremos.

 

4. Pelas famílias cristãs, pequenas Igrejas em cada lar,

pelos que buscam a Deus com rectidão

e por aqueles que se sentem oprimidos pelo Demónio,

oremos.

 

5. Por todos nós que recebemos o Baptismo,

pelos que estão em graça e paz com Deus

e por aqueles que entre nós vivem nas trevas,

oremos.

 

6. Por todos os cristãos, para que, através

do testemunho de vida e do compromisso

missionário, honrem o Batismo recebido,

oremos.

 

Senhor, nosso Deus,

reavivai em nós, pelo Espírito Santo,

o dom e a alegria do Baptismo,

para que Vos chamemos nosso Pai

e nos sintamos, de verdade, vossos filhos.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A voz do Senhor ressoa sobre as águas – S. Marques, NRMS, 80

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que a Igreja Vos oferece, ao celebrar a manifestação de Cristo vosso Filho, para que a oblação dos vossos fiéis se transforme naquele sacrifício perfeito que lavou o mundo de todo o pecado. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

O Baptismo do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai Santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Nas águas do rio Jordão, realizastes prodígios admiráveis, para manifestar o mistério do novo Baptismo: do Céu fizestes ouvir uma voz, para que o mundo acreditasse que o vosso Verbo estava no meio dos homens; pelo Espírito Santo, que desceu em figura de pomba, consagrastes Cristo vosso Servo com o óleo da alegria, para que os homens O reconhecessem como o Messias enviado a anunciar a boa nova aos pobres.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: A. F. Santos – BML, 12

 

Monição da Comunhão

 

Pai este é o teu Filho amado que desce à minha vida, me configura com Ele, me faz saborear a tua relação maravilhosa, me faz saborear a presença amorosa do Espírito Santo e me faz membro da Igreja, Corpo de Cristo. O Teu Filho que me ama, assume a minha debilidade, e me salva.

Faz-me compreender que a minha vida tem de ser semelhante à de Jesus e ser dinamismo de missão e de evangelização.

 

Cântico da Comunhão: Abriram-se os Céus – Az. Oliveira, NRMS, 80

Jo 1, 32.34

Antífona da comunhão: Eis Aquele de quem João dizia: Eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus.

 

Cântico de acção de graças: Águas das fontes, louvai o Senhor – A. Cartageno, NRMS, 80

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais com este dom sagrado, ouvi benignamente as nossas súplicas e concedei-nos a graça de ouvirmos com fé a palavra do vosso Filho Unigénito para nos chamarmos e sermos realmente vossos filhos. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vou para a missão com a consciência da riqueza do Deus que me habita e interpela.

Que eu saiba ser servo, acolhedor, mensageiro da boa nova, construtor comprometido com o Reino de Deus. Que saiba amar a Igreja de Jesus, que de forma clara e em longa história de amor e santidade, me ajuda a ver e a compreender.

Maria, Mãe de ternura e misericórdia, caminha comigo e lembra-me sempre para fazer tudo o que Jesus me diz.

 

Cântico final: Este é aquele de quem João dizia – C. Silva, OC, (pg 98)

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

1ª SEMANA

 

2ª Feira, 13-I: Implantação na terra do reino dos Céus.

1 Sam 1, 1-8 / Mc 1, 12-20

Ao passar ao longo do mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André. Disse-lhes Jesus: Vinde após mim e farei de vós pescadores de homens.

A missão de Nª Senhora foi preparada, ao longo do Antigo Testamento, pela missão de santas mulheres, entre as quais se conta Ana, mãe de Samuel (LT).

Jesus escolhe igualmente para Apóstolos, que são considerados como incapazes e fracos, para o ajudarem na sua missão (EV). Como hei-de agradecer ao Senhor tudo quanto fez por mim? (SR). Assim começa a implantação do reino dos Céus para elevar os homens a participarem na vida divina. Este acontecimento é igualmente considerado como um início da Igreja, a qual é na terra o germe, o princípio do reino de Deus.

 

3ª Feira, 14-I: Colaboração na obra da Redenção.

1 Sam 9-20 / Mc 1, 21-28

Ana orou ao Senhor Se vos dignardes conceder-me um filho varão, eu hei-de consagrá-lo ao serviço do Senhor por toda a vida.

Conforme prometera, Ana consagrou o seu filho Samuel ao Senhor, colocando-o no Templo ao serviço do Sumo sacerdote Eli (LT).

Também Jesus coloca toda a sua vida ao serviço da Redenção. Este mistério está presente em todos momentos da sua vida: na Encarnação, na Vida oculta, nas palavras que dirige aos seus ouvintes, nas curas e expulsões dos demónios (EV). Abre-se a minha boca porque me alegro com a vossa salvação (SR). Colaboremos na obra da Redenção com a nossa vida de trabalho e de oração, com os nossos sacrifícios e sofrimentos.

 

4ª Feira, 15-I: Dedicação e disponibilidade para a oração.

1 Sam 3, 1-10. 19-20 / Mc 1, 19-30

De manhãzinha, ainda muito cedo, Jesus levantou-se e saiu. Retirou-se para um sítio ermo e aí começou a orar.

Samuel não sabia distinguir a voz de Deus das vozes humanas. Por isso, o sacerdote Eli teve que ensiná-lo a dizer: falai, Senhor, que o vosso servo escuta (LT). Jesus também nos dá exemplo de dedicação à oração logo de manhãzinha cedo (EV).

Peçamos ao Senhor que nos aumente o nosso desejo de orar, pois é na oração que escutaremos o que o Ele espera de nós, como aconteceu com Samuel. Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade (SR). Como ele manifestaremos mais disponibilidade, pois várias vezes se levantou de noite, sempre disposto a ouvir a voz de Deus.

 

5ª Feira, 16-I: Significado da Arca da Aliança e das curas.

1 Sam 4, 1-11 / Mc 1, 40-45

Vamos buscar a Silo a Arca da Aliança do Senhor: que ele venha para o meio de nós e nos salve das mãos dos inimigos.

Já no Antigo Testamento, Deus utilizou imagens que conduziriam à salvação pelo Verbo Encarnado como, por exemplo, a Arca da Aliança (LT). Esta correspondia ao compromisso da defesa do povo de Deus. Pela misericórdia, salvai-nos, Senhor (SR).

Do mesmo modo, o significado das curas (EV) anunciavam uma cura mais radical: a vitória sobre o pecado e a morte, mediante a Páscoa. Assim os Sacramentos da Penitência e Eucaristia curam as nossas feridas e revestem-nos da santidade de Deus. A misericórdia de Deus para com o seu povo é ampliada por Jesus para toda a história dos homens.

 

6ª Feira, 17-I:  Cristo, Rei e Médico divino.

1 Sam 8, 4-7. 10-22 / Mc 2, 1-12

Que é mais fácil, dizer ao paralítico, 'os teus pecados são perdoados', ou dizer: 'levanta-te e anda'?

Os anciãos de Israel manifestaram a Samuel o desejo de ter um rei. Será quem há-de governar-nos e comandar-nos em combate (LT). E o Senhor aceitou que assim fosse. Com o vosso favor se exalta a nossa valentia (SR).

Jesus é também Rei, pois as curas que vai realizando indicam que o reino de Deus está próximo. Ele vem curar o homem na sua totalidade, alma e corpo (EV). Dirige-se pessoalmente a cada um dos pecadores: os teus pecados são-te perdoados. Como médico, inclina-se para cada um dos doentes. Na confissão encontramos estas facetas do Senhor.

 

Sábado, 18-I: Oitavário: A salvação dos pecadores.

1 Sam 9, 1-4. 17-19; 10, 1 / Mc 2, 13-17

Tu, Saúl, é que hás-de reger o povo do Senhor e o salvarás dos inimigos que o rodeiam.

Samuel ungiu Saúl para uma missão de governo e salvação dos inimigos (LT). Cristo é também ungido para o cumprimento de uma missão divina (EV). Vós o revestistes de esplendor e majestade (SR). A sua missão divina consiste na salvação dos pecadores: Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores (EV).

Começa hoje o Oitavário de orações pela unidade dos cristãos. Com as nossas orações pediremos ao Senhor que se acabe esta divisão. Pediremos pela conversão de cada um deles para que sigam o Senhor mais de perto (EV).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               José Carlos Azevedo

 


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