Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

 

Missa do Dia

25 de Dezembro de 2019

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cantem, Cantem os Anjos – M. Faria, NRMS, 56

Is 9,6

Antífona de entrada: Um Menino nasceu para nós, um Filho nos foi dado. Tem o poder sobre os seus ombros e será chamado Conselheiro admirável.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Foi com muita alegria e verdadeira emoção que vivemos em família esta santa Missa em dia de Natal.

Vamos anunciar Jesus Cristo, Amigo e Salvador, ao mundo que ainda o desconhece.

Para todas as pessoas aqui presentes e para todas as que permanecem em nosso coração, votos de Feliz e Santo Natal.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que de modo admirável criastes o homem e de modo ainda mais admirável o renovastes, fazei que possamos participar na vida divina do vosso Filho que Se dignou assumir a nossa natureza humana. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías anuncia aos Judeus exilados na Babilónia uma boa nova: irão ser libertados e Deus reinará de novo em Sião. A reconstrução, motivo de alegria para o povo, é também sinal da alegria que nos estava reservada com a vinda de Seu Filho Jesus.

 

Isaías 52, 7-10

7Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação e diz a Sião: «O teu Deus é Rei». 8Eis o grito das tuas sentinelas que levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria, porque vêem com os próprios olhos o Senhor que volta para Sião. 9Rompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém. 10O Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.

 

Esta página maravilhosa do segundo Isaías que se refere à boa nova do fim do desterro trazida a Jerusalém pelos «belos pés do mensageiro que anuncia a paz», serve, na Liturgia de hoje, como de um hino triunfal a Cristo que vem à terra.

10 «O Senhor descobre o seu santo braço». Antropomorfismo que contém uma expressiva e frequente metáfora: o braço designa o poder e a força. Descobrir o braço é manifestar o poder.

 

 

Salmo Responsorial    Salmo 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4.5-6 (R. 3c)

 

Monição: O salmo que vamos recitar é um hino à realeza de Deus que fez maravilhas e deu a conhecer às nações, a justiça e a fidelidade.

 

Refrão:        Todos os confins da terra

viram a salvação do nosso Deus.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo

pelas maravilhas que Ele operou.

A sua mão e o seu santo braço

Lhe deram a vitória.

 

O Senhor deu a conhecer a salvação,

revelou aos olhos das nações a sua justiça.

Recordou-Se da sua bondade e fidelidade

em favor da casa de Israel.

 

Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.

Aclamai o Senhor, terra inteira,

exultai de alegria e cantai.

 

Cantai ao Senhor ao som da cítara,

ao som da cítara e da lira;

ao som da tuba e da trombeta,

aclamai o Senhor, nosso Rei.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Deus que Se tinha dado a conhecer através da palavra dos profetas, falou definitivamente por Jesus Cristo, Seu Filho, Palavra viva e concreta de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, em tudo igual ao Pai e ao Espírito Santo.

 

Hebreus 1, 1-6

1Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. 2Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo. 3Sendo o Filho esplendor da sua glória e imagem da sua substância, tudo sustenta com a sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, sentou-Se à direita da Majestade no alto dos Céus 4e ficou tanto acima dos Anjos quanto mais sublime que o deles é o nome que recebeu em herança. 5A qual dos Anjos, com efeito, disse Deus alguma vez: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei»? E ainda: «Eu serei para Ele um Pai e Ele será para Mim um Filho»? 6E de novo, quando introduziu no mundo o seu Primogénito, disse: «Adorem-n’O todos os Anjos de Deus».

 

Hebreus, o célebre escrito doutrinal e exortatório, começa com um prólogo solene que nos situa, sem rodeios, perante a suma dignidade da pessoa de Jesus Cristo, à semelhança do prólogo do Evangelho de S. João. Começa por mostrar que é n’Ele que o Pai nos fala e se revela de modo exaustivo e definitivo, em contraste com toda a revelação anterior, fragmentária, variada e feita numa fase da história da salvação já superada. «Falou-nos por seu Filho», por isso a história da salvação chegou ao seu apogeu e plenitude, de modo que já não há lugar para mais nenhuma revelação ulteriora (cf. DV, 4). Como observa S. João da Cruz, o Pai tendo-nos dito a sua própria Palavra, já não tem mais outra palavra para nos dizer (cf. Subida ao Monte Carmelo, 2,22).

3 «Esplendor da glória de Deus. Fórmula muito expressiva no original, mas dificilmente traduzível em toda a sua riqueza. O Filho é a irradiação da substância do Pai, distinto d’Ele, mas da mesma substância; é «Deus de Deus, luz de luz», como diz o símbolo de Niceia para exprimir a processão, ou origem do Filho no Pai, sendo com Ele um mesmo e único Deus.

«Imagem do ser divino». À letra, reprodução da sua essência, ou expressão do seu ser. Mais que imagem, quer significar, no original, a marca deixada pelo sinete no lacre, por um selo branco no papel, ou pela matriz na moeda cunhada. O Filho identifica-se com o Pai, quanto ao ser divino, mas esta imagem põe em evidência sobretudo a distinção de Pessoas na igualdade, como o cunho se distingue do objecto cunhado. A primeira expressão visa mais a identidade da natureza («esplendor», ou luz e irradiação).

 

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Deus na Sua misericórdia infinita, deu-nos Jesus, a verdadeira Luz que ilumina todos os homens. Saibamos escutá-lO e adorá-lO com muito amor e gratidão.

 

Aleluia

 

Cântico: J. F. Silva, NRMS, 50-51 (I)

 

Santo é o dia que nos trouxe a luz. Vinde adorar o Senhor.

Hoje, uma grande luz desceu sobre a terra.

 

 

Evangelho *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São João 1, 1-18             Forma breve: São João 1, 1-5.9-14

1No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, 2Ele estava com Deus. 3Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. 4N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. 5A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. 16(Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. 7Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.). 9O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. 10Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. 11Veio para o que era seu e os seus não O receberam. 12Mas, àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. 13Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. 14E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade. 15(João dá testemunho d’Ele, exclamando: «Era deste que eu dizia: ‘O que vem depois de mim passou à minha frente, porque existia antes de mim’». 16Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça. 17Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. 18A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer.)

 

A leitura evangélica de hoje é o prólogo do IV Evangelho, que constitui a chave para uma profunda compreensão de toda a obra do discípulo amado e da Pessoa adorável de Jesus Cristo: Ele é o Verbo incriado, o Deus Unigénito, que assumiu a nossa condição humana e nos oferece a possibilidade de ser filhos de Deus. Discute-se se o Evangelista compôs este texto para encabeçar a sua obra, ou se aproveitou algum hino litúrgico já existente (a que acrescentaria os vv. 6-9.13.15.17-18). Tem a forma dum poema em que os seus 18 versos se podem agrupar em 4 estrofes (vv. 1-5; 6-8; 9-13; 14-18), cada uma com uma ideia central, que se vai ampliando e esclarecendo progressivamente. Este prólogo é como uma solene abertura de uma grande obra musical, onde os grandes temas a desenvolver ao longo do Evangelho começam por ser apontados: o Verbo Incarnado, Luz e Vida dos homens, Messias e revelador do Pai, os testemunhos a seu favor, a resposta humana de aceitação ou de rejeição, bem como as consequências de transcendental importância que tem a dramática alternativa em que o homem é posto perante a pessoa de Jesus.

1 «No princípio». Esta expressão faz-nos pensar no início do Génesis, onde se falava da Primeira Criação, que culminou com a criação do homem; no IV Evangelho fala-se duma Nova Criação, a Redenção operada pelo Verbo Incarnado, que culmina na elevação do homem à dignidade de filho de Deus. A própria noção de «princípio» é diferente em Gn 1,1 e em Jo 1,1: lá designava o início do tempo, aqui exprime o princípio absoluto que transcende o tempo e nos situa na própria eternidade de Deus. É muito expressivo o imperfeito de duração do verbo grego «eimi» repetido no v. 1, com três matizes: havia ou existia, estava, era, em contraposição com o aoristo de verbo «gínomai» no v. 3: tudo «foi feito», ao passo que o Verbo «existia», permanecia na existência («havia o Verbo»)! Não é possível fazer uma afirmação mais forte e clara da divindade de Jesus – o Verbo que se fez homem (v. 14) –, do que esta frase com que S. João inicia o seu Evangelho: «O Verbo era Deus». Com razão, desde os Santos Padres, o IV Evangelista é figurado pela águia (cf. Ez 1,10), pois o seu voo sobe de chofre até às alturas da divindade de Cristo e o seu olhar aquilino penetra nas profundezas do mistério da Pessoa divina de Jesus, no seio da Santíssima Trindade.

«O Verbo», a Palavra por excelência, enquanto reveladora do Pai, é a tradução mais habitual do original grego, Logos, para designar a segunda pessoa da SS. Trindade. Na nova tradução teremos Palavra, em vez de Verbo.

3 «Tudo foi feito por Ele». Esta expressão não significa que o Verbo foi o meio ou instrumento de que o Pai se serviu para criar. Ele age juntamente com o Pai e com o mesmo e único poder. A preposição grega «diá» («por») não se usa com genitivo para indicar apenas a causa instrumental; também pode indicar a causa principal como é aqui o caso e em Rom 11,36. Esta expressão também evidencia que o Verbo não é criatura, uma vez que tudo o que foi feito, foi feito por Ele, em aberto contraste com a sabedoria, que Provérbios e Eclesiástico personificam (Prov 8,22ss; Sir 1,4; 24,8-9), a qual foi criada e nasceu.

4 «Vida». «Luz». São estes dois dos grandes temas do IV Evangelho (cf. Jo 8,12; 14,6). «A Vida era a Luz dos Homens»: o Verbo é a Luz da Vida (Jo 8,12), Luz que conduz à Vida, Vida que é Luz, e Luz que é Vida. São dois conceitos que caracterizam a esfera da divindade, em oposição antagónica com as trevas, que são o reino de Satanás e seus sequazes. Este antagonismo que está patente ao longo dos escritos paulinos e joaninos, era corrente na literatura da época tanto judaica (em especial de Qumrã), como depois na gnóstica.

5 «As trevas não a receberam». Também se pode traduzir «não a compreenderam»; ou talvez melhor «não a dominaram», tendo em conta o contexto joanino da luta entre a luz e as trevas; assim a nova tradução da CEP: «não se apoderaram dela».

6-8 João não se interessa no seu Evangelho por nos dar a conhecer a vida ou a pregação moral do seu antigo mestre (Jo 1,37 ss), mas não perde uma ocasião de pôr em realce o seu «testemunho» em favor de Jesus (Jo 1,16.19.29.35; 3,27; 5,33). A insistência, em especial nestes versículos do prólogo (6-8.15) que interrompem o ritmo do poema, concretamente ao dizer que João «não era a Luz», pode dever-se a querer refutar os «joanitas», uma espécie de seita que seguia o Baptista, sem ter chegado a aderir a Cristo (cf. Act 19,3-4).

9 Este versículo tem diversas traduções legítimas; a litúrgica segue a tradução da Nova Vulgata, ao passo que a Vulgata dizia: «era a luz verdadeira que ilumina todo o homem que vem a este mundo» e assim também a nova tradução da CEP.

10 «Não O conheceu», isto é, não O reconheceu como o Verbo de Deus e Salvador.

11 «Os seus» poderia designar o povo de Israel, enquanto propriedade de Deus (cf. Ex19, 5; Dt 7,6), mas parece designar, dado o paralelismo com o v. anterior, a humanidade no seu conjunto. A observação amarga de S. João (cf. Jo 12,37) não tem vigência só para o dia de Natal (cf. Lc 2,7), pois também cada um de nós sempre pode «acolher» melhor a Jesus.

12 «Deu-lhes o poder», isto é, concedeu-lhes a graça, dom e favor inteiramente gratuito que supera as possibilidades de qualquer criatura. «O Filho de Deus fez-se homem, para que os filhos dos homens, os filhos de Adão, se fizessem filhos de Deus... Ele é o Filho de Deus por natureza, nós pela graça» (Santo Atanásio).

13 «E estes». Textos muito antigos e de grande valor têm o singular – «Este» – (adoptado pela Bíblia de Jerusalém) referido a Jesus, indicando assim simultaneamente a concepção e o parto virginal da Santíssima Virgem (um nascimento sem sangue).

14 Duma penada, S. João exprime toda a riqueza do mistério do Natal, sem se deter a narrar os seus pormenores, como S. Lucas. «Fez-se carne» é um hebraísmo para dizer que Se fez homem; de qualquer modo, põe-se o acento no aspecto mortal e passível: o Verbo eterno, a Segunda Pessoa divina, torna-se um de nós, sem deixar de ser Deus, em tudo igual a nós, excepto no pecado (cf. Hbr 4,15).

«Habitou», literalmente significa: «estabeleceu a tenda entre nós» (Assim a nova tradução da CEP). Parece haver aqui uma alusão à presença de Deus no meio do seu povo, na nuvem branca que pairava, no deserto, sobre a Tenda da Reunião. Esta alusão torna-se mais clara, se temos em conta o texto original grego – «eskénôsen» (ergueu a tenda) – que tem uma certa assonância com «xekhiná» a presença de Deus no meio do Povo (cf. Ex 40,34-38). Esta presença misteriosa, mas real, continua-se na Santíssima Eucaristia, «Incarnação continuada».

A «Glória» do Verbo incarnado, que S. João e os demais viram, é a manifestação externa da sua divindade: os seus milagres, a sua transfiguração, a sua ressurreição, etc.

«Filho Unigénito». S. João, ao longo de todo o seu Evangelho, tem o cuidado de sempre reservar um termo grego para designar Jesus como Filho do Pai – yiós –, usando outra palavra para se referir a nós, enquanto filhos de Deus: téknon (cf. v. 12). Nós «tornamo-nos» filhos de Deus, (v. 12), ao passo que Jesus é o Filho por natureza, igual ao Pai, o «Unigénito» (vv. 14.18). O termo «Unigénito» (muitos traduzem por «Único») presta-se a exprimir o que a Teologia veio a explicitar como a «geração» eterna, intelectual e única do Verbo no Pai.

«Cheio de graça e de verdade». S. João aplica ao Verbo Incarnado a mesma definição que Yahwéh dá de Si mesmo a Moisés em Ex 34,6: «Deus de muito amor e fidelidade». Por um lado, é mais uma referência à divindade de Cristo, por outro, põe em relevo as qualidades que resumem a grandeza do seu Coração de «pontífice misericordioso e fiel» (Hebr 2,17).

16 «Graça sobre graça», isto é, graças em catadupa, umas atrás das outras, procedentes da plenitude de Cristo, como duma fonte inexaurível (cf. Jo 7,37-39), ou também, como pensam alguns, «graça após graça», ou «graça em vez de graça» (Cristo-Moisés, Antiga-Nova Aliança), ou ainda «graça correspondente à graça» (a do Verbo: graça criada-graça incriada).

17 «Jesus Cristo» é aqui identificado explicitamente com o Verbo. A Lei mosaica limitava-se a dar normas, mas só por si não podia salvar ninguém, só a graça que Cristo nos trouxe a salvação.

18 «A Deus nunca ninguém O viu. Todas as «visões» de Deus eram indirectas, pois o homem não pode ver a Deus sem morrer (cf. Ex 19,21; Is 6,5), mas em Jesus temos a máxima manifestação de Deus à criatura nesta vida, a tal ponto que, mesmo sem contemplarmos a essência divina, quem vê a Jesus vê o Pai (Jo 14,9). Com a Incarnação do Verbo temos a maior revelação de Deus à Humanidade.

«O Filho Unigénito, que está no seio do Pai». Outra variante possível na transmissão do texto original: «Deus Unigénito» (adoptada pela Nova Vulgata) ou, como propõe a nova tradução, «o Unigénito divino».

 

 

Sugestões para a homilia

 

1.     “Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus.”

2.     A maior revelação de Deus foi a Encarnação do “Verbo”.

3.     O Nascimento de Jesus deve ser motivo de alegria para toda a humanidade.

 

1.“Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus”.

 

 Assim afirmamos há momentos, com o refrão do Salmo intercalar, da Missa de hoje. No Seu Amor por nós a Sua revelação foi realizada conforme a capacidade que os homens iam possuindo para entender tão grandiosa maravilha.

O autor da segunda Leitura deste dia, explica-nos que Deus usa de muitos modos para manifestar aos homens o Seu amor. Fala através da obra maravilhosa da criação, de todos os fenómenos da natureza, do sol que nasce, do movimento harmonioso e grandioso dos astros no firmamento e de todos os acontecimentos da humanidade. Através de tudo isto os homens têm possibilidade de perceber uma mensagem do Alto. O Povo de Israel, através dos profetas teve o privilégio de ouvir a voz do Senhor e assim conhecer a Sua mensagem de uma forma mais clara. Finalmente, Deus enviou o Seu próprio Filho, a Sua Palavra, o Seu Verbo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Jesus é a revelação mais percetível, convincente e verdadeira da Pessoa de Deus Pai, e o Evangelho de hoje explica-nos o porquê.

 

2.     A maior revelação de Deus foi a Encarnação do “Verbo”.

 

São João diz-nos que o Filho de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, feito homem em Jesus, com a Sua Encarnação no ventre puríssimo de Nossa Senhora, existia já antes que o mundo fosse criado. Há mais de dois mil anos, o Verbo de Deus, isto é a Palavra divina fez-se carne, assumindo a nossa natureza, passando a falar a nossa própria língua. Assim pôde dizer-nos quem era e é o Pai, o que representamos nós para Ele e qual era o Seu projeto para a salvação da humanidade. Como nos devemos sentir agradecidos!

Para conhecer o Pai basta olhar para Jesus Cristo, observar o que Ele faz, o que diz, o que ensina, como se comporta, como ama, quem escolhe, a quem defende, etc. Diz-nos sobretudo o quanto Deus ama os homens e como gosta de ficar na nossa companhia. Por isso “o Verbo se carne e veio habitar entre nós”. Veio como Luz para iluminar a escuridão em que nos encontrávamos. Esta Luz bendita e salvadora continua a não ser aceite pelas forças do mal geradoras do egoísmo, exploração, opressão, injustiça, a quem denominamos pecado. Ela continuará a iluminar-nos até à Páscoa definitiva que nos está garantida pela própria Páscoa de Jesus Cristo, sinal da grande alegria para toda a humanidade.

 

 

3.      O Nascimento de Jesus deve ser motivo de alegria para toda a humanidade.

 

O Profeta Isaías, na primeira Leitura de Missa de Hoje, fala-nos da libertação da

Babilónia. Este fato real do Povo de Israel é imagem da libertação plena que Deus iria realizar no futuro com a Encarnação e Nascimento de Jesus, o verdadeiro libertador da humanidade. Tal fato deveria provocar uma alegria universal.

Para que tal se torne uma consoladora realidade é necessário que todos O conheçam. Esse tão necessário e útil conhecimento dependerá da fé com que o estamos a viver.

Para já é certo que não vemos senão uma realização imperfeita da libertação prometida. Tal fica a dever-se à pouca ou mesmo nenhuma fé de tantos homens. Senhor aumenta a nossa fé!

 O certo é que o Senhor fez tudo para que nada nos faltasse, mas respeita a liberdade com que nos criou. Fica uma certeza: o novo reino já começou com a vinda de Jesus. Como é importante vivê-lo e anunciá-lo, com convicção e alegria, aos que ainda o desconhecem! O verdadeiro Natal, para muitos, passa por este tão necessário testemunho que todos devemos dar.

 

 

Oração Universal

 

Ao celebrarmos o aniversário do Nascimento de Jesus

queremos oferecer-Lhe as nossas prendas,

mas Ele quer dar-nos muito mais:

manda-nos pedir-Lhe tudo o que precisamos.

É o que, com fé, vamos fazer neste momento, dizendo,

 

Ouvi-nos, Senhor.

 

 

1.     Pela Santo Padre, bispos, sacerdotes e diáconos

para que constantemente nos recordem

que o Verbo é verdadeira Luz da nossa vida,

oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

 

2.     Para que as nossas comunidades cristãs

saibam acolher com verdadeira fé e esperança

a vinda do Senhor Jesus,

oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

3.     Para que todos aqui presentes,

saibamos reavivar a consciência

de sentinelas privilegiadas da vinda de Jesus,

para o anunciarmos ao mundo que ainda O desconhece,

oremos. Irmãos.

 

R. Ouvi, Senhor.

 

4.     Para que reacendamos

as atitudes de fraternidade, amor,

Solidariedade e prática de verdadeira justiça social,

oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

5.     Para que saibamos tirar de nós

todos os sintomas de paganismo

que acompanham esta quadra natalícia,

oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

6.     Por todos os que sofrem a solidão

a pobreza, a doença, a marginalização

para que sejam confortados pelas ternuras de Jesus Menino,

oremos, irmãos,

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

Senhor, que em Vosso Amado Filho nos enchestes de todos os bens,

dai-nos o que não sabemos pedir,

pelo mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Adeste Fideles – Harm. M. Faria, NRMS, 31

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, a oblação que Vos apresentamos neste dia solene de Natal, em que nasceu para nós a verdadeira paz e reconciliação e se instituiu entre os homens a plenitude do culto divino. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio do Natal: p. 457 [590-702] ou 458-459

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Também nas Orações Eucarísticas II e III se faz a comemoração própria.

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 38

 

Monição da Comunhão

 

Na Sagrada Comunhão vamos receber o mesmo Jesus nascido por nosso amor em Belém. Vamos fazê-lo com muita fé e profundo amor agradecido. Assim será verdadeiramente Natal no nosso coração.

 

Cântico da Comunhão: Todos os confins da terra – M. Simões, BML, 34

Salmo 97, 3

Antífona da comunhão: Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus.

 

Cântico de acção de graças: Desde o nascer do Sol – M. Simões, NRMS, 56

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Deus misericordioso, que o Salvador do mundo hoje nascido, assim como nos comunicou a sua vida divina, nos faça também participantes da sua imortalidade. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Jesus, nosso Amigo e Salvador está connosco! Vamos viver e corresponder cheios de fé e de alegria a tão valiosa companhia. A todos desejamos a continuação de um Santo e Feliz Natal.

 

Cântico final: Por nosso bem / Rei da Glória – M. Faria, PN

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DO NATAL (Oitava)

 

5ª Feira, 26-XII: Santo Estêvão: Aprender a perdoar.

Act 6, 8-10; 7, 54-59 / Mt 10, 17-22

Estêvão dizia a seguinte oração: Senhor Jesus recebe o meu espírito. E bradou com voz forte: Senhor, não os acuses deste pecado.

Santo Estêvão foi um dos primeiros sete diáconos, escolhidos pelos Apóstolos, e foi também protomártir. Na sua oração pedia a Deus que lhe concedesse a vida eterna e perdoasse aos seus carrascos (LT). Em vossas mãos entrego o meu espírito (SR).

O Senhor ensinou-nos a amar os nossos inimigos (Oração) e, na nossa oração, devemos implorar o perdão para esses inimigos (às vezes os que nos aborrecem). E os mártires dão este testemunho de Jesus. O perdão testemunha também que o amor é mais forte do que o pecado e é condição indispensável para a harmonia entre os homens.

 

6ª Feira, 27-XII: S. João: O exemplo do discípulo amado.

1 Jo 1, 1-4 / Jo 20, 2-8

O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos, é o que vos anunciamos.

S, João, conhecido como o discípulo amado, recebeu abundantes provas dessa amizade: recebeu um maior conhecimento dos mistérios mais íntimos da vida de Jesus que, depois, nos transmitiu nos seus escritos (LT), definiu Deus como 'Amor', esteve junto da Cruz, recebeu Nª Senhora como sua e nossa Mãe, etc. A luz resplandece para o justo (SR).

Imitando o seu exemplo, corramos depressa para estar junto do Senhor (EV), até encontrá-lo e podermos dizer que o tocámos com as nossas mãos (LT): anunciemos aos outros esse conhecimento; e recebamos Nª Senhora como ele recebeu.

 

Sábado, 28-XII: Santos Inocentes: Por que sofrem os inocentes?

1 Jo 1, 5- 2, 2 / Mt 2, 13-18

Herodes mandou matar em Belém, e em todo o seu território, todos os meninos de dois anos ou menos.

Esta morte dos inocentes coloca-nos perante o mistério do sofrimento: por que sofremos? Por que sofrem os inocentes? A dor é realmente um grande mistério. Vale a pena lembrar que Jesus nos redimiu pela Cruz. Ele, o Justo e, portanto, inocente, é a vítima de expiação pelos nossos pecados e também dos do mundo inteiro (LT).

Nos nossos tempos, também se pretende eliminar Deus, os seus ensinamentos da vida da sociedade, e que nos esqueçamos da nossa fé, para implantar uma ideologia ateia, que designam por neutra. O Senhor nos liberta daqueles que nos perseguem (SR).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Alves Moreno

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               José Carlos Azevedo

 


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