Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

 

Missa da Meia-noite

25 de Dezembro de 2019

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Exultemos de alegria – M. Luís, CEC (I)

Salmo 2, 7

Antífona de entrada: O Senhor disse-me: Tu és meu filho, Eu hoje te gerei.

 

Ou

Exultemos de alegria no Senhor, porque nasceu na terra o nosso Salvador. Hoje desceu do Céu sobre nós a verdadeira paz.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Jesus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, e, como tal, em tudo igual ao Pai e ao Espírito Santo, Deus verdadeiro, por nosso amor, fez-se homem, incarnando no Ventre Puríssimo da Virgem Santa Maria. Hoje temos a dita, de mais uma vez, celebrarmos o aniversário do Seu nascimento no Presépio de Belém. É o maior acontecimento que a história da Humanidade regista. Fala-nos do Amor infinito que Deus nos tem e garante-nos que não estamos sós nos caminhos da vida. Não podemos mesmo estar melhor acompanhados. Quantos motivos para o vivermos com muita alegria! Vamos fazê-lo com todo o entusiasmo, fé e amor.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que fizestes resplandecer esta santíssima noite com o nascimento de Cristo, verdadeira luz do mundo, concedei-nos que, tendo conhecido na terra o mistério desta luz, possamos gozar no Céu o esplendor da sua glória. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O povo que andava nas trevas viu uma grande luz. Assim profetiza Isaías, cerca de setecentos anos antes do nascimento do Salvador. Jesus é a verdadeira Luz do mundo, é o Príncipe da Paz e, por isso, o grande desejado das nações. É Filho de Deus, mas também descendente de David, como profeticamente estava anunciado.

 

Isaías 9, 1-6

2«O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. 3Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. 4Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor. 5Todo o calçado ruidoso da guerra e toda a veste manchada de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão pasto das chamas. 6Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e será chamado Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz». 7O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre. Assim o fará o Senhor do Universo.

 

Este belíssimo texto é um trecho do chamado livro do Emanuel (Is 7 – 12), onde, em face da iminência de várias guerras, se abrem horizontes de esperança, que se projectam em tempos vindouros, muito para além das soluções empíricas e imediatas: é a utopia messiânica de paz e alegria que veio a ter o seu pleno cumprimento com a vinda de Cristo ao mundo. Enquadra-se às mil maravilhas na noite de Natal, em que «uma luz começou a brilhar». Esta luz é o «Menino» (v. 5) que nasce para nós nesta noite, «luz do mundo» (Jo 8, 12; 1, 5.9).

4 «Como no dia de Madiã». Referência à grande vitória de Gedeão sobre os madianitas (Jz 7).

7 O «poder» e a «paz sem fim» serão garantidos para o trono de David pelo Menino de predicados divinos verdadeiramente surpreendentes (v. 5) que, embora expressos em termos semelhantes aos dos soberanos egípcios e assírios, suplantam os predicados de qualquer rei empírico e correspondem ao mistério de Jesus, Deus feito homem. O coro do Messias de Haendel «For unto us a Child is born» aclama admiravelmente estes títulos messiânicos.

 

 

Salmo Responsorial    Salmo 95 (96), 1-2a.2b-3.11-12.13 (R. Lc 2, 11)

 

Monição: Vivendo com fé, cantemos cheios de alegria o nascimento de Deus Menino. Deixemo-nos inundar pela felicidade que do Presépio nos vem. Hoje nasceu o nosso Salvador, Jesus Cristo, Senhor.

 

Refrão:        Hoje nasceu o nosso salvador, Jesus Cristo, Senhor.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo,

cantai ao Senhor, terra inteira,

cantai ao Senhor, bendizei o seu nome.

 

Anunciai dia a dia a sua salvação,

publicai entre as nações a sua glória,

em todos os povos as suas maravilhas.

 

Alegrem-se os céus, exulte a terra,

ressoe o mar e tudo o que ele contém,

exultem os campos e quanto neles existe,

alegrem-se as árvores das florestas.

 

Diante do Senhor que vem,

que vem para julgar a terra:

julgará o mundo com justiça

e os povos com fidelidade.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Jesus é fonte de salvação para todos os homens. Desde o Seu nascimento nos quer ensinar o percurso que devemos seguir para O encontrar: renunciar à impiedade e aos desejos mundanos. Vamos seguir por esses caminhos de salvação. Com o nosso exemplo vamos ensiná-los aos outros. Deus-Pai quer a salvação de todos.

 

Tito 2, 11-14

Caríssimo: 11Manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens, 12ensinando-nos a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos para vivermos, no tempo presente, com temperança, justiça e piedade, 13aguardando a ditosa esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, 14Jesus Cristo, que Se entregou por nós, para nos resgatar de toda a iniquidade e preparar para Si mesmo um povo purificado, zeloso das boas obras.

 

Este breve texto é tirado da 2ª parte da breve carta a Tito. Depois de S. Paulo lhe ter dado orientações pastorais para a organização da Igreja em Creta (cap. 1), passa a desenvolver o tema das exigências da vida cristã (cap. 2 e 3). Na leitura queremos fazer ressaltar o v. 13, que foi adoptado pela liturgia da Missa (final do embolismo) e o v. 14 que é uma síntese da soteriologia paulina.

11 A graça do Baptismo mete-nos no caminho da «renúncia» (recordem-se as renúncias do ritual do Baptismo), pois sem renúncia não se pode seguir a Cristo (cf. Lc 9,23).

13 «Nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo». É uma das mais categóricas afirmações da divindade de Jesus Cristo em todo o N. T. Com efeito, como no original grego há um só artigo para «Deus e Salvador», estas duas designações, Deus e Salvador, referem-se à mesma pessoa, Jesus Cristo.

14 «Um povo especialmente seu», isto é, a Igreja, povo que Jesus Cristo conquista, não pelo poder das armas, mas pelo resgate do seu sangue redentor. A Igreja é o novo povo de Deus.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 2, 10-11

 

Monição: Para Deus nada acontece por acaso. Serve-se dos acontecimentos terrenos para realizar os Seus desígnios divinos. José e Maria, em obediência ao decreto do Imperador César Augusto, deixam Nazaré, onde vivem, para se irem recensear a Belém. Aí, conforme as escrituras, devia nascer o nosso Salvador. Foi o que aconteceu, cumprindo Deus a Sua promessa, já proclamada pelo Profeta Miqueias.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – Az. Oliveira, NRMS, 36

 

Anuncio-vos uma grande alegria:

Hoje nasceu o nosso salvador, Jesus Cristo, Senhor.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 2, 1-14

1Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para ser recenseada toda a terra. 2Este primeiro recenseamento efectuou-se quando Quirino era governador da Síria. 3Todos se foram recensear, cada um à sua cidade. 4José subiu também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e da descendência de David, 5a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que estava para ser mãe. 6Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz 7e teve o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. 8Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos. 9O Anjo do Senhor aproximou-se deles e a glória do Senhor cercou-os de luz; e eles tiveram grande medo. 10Disse-lhes o Anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: 11nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. 12Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura». 13Imediatamente, juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo: 14«Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».

 

A narrativa do nascimento do Filho eterno de Deus – nunca houve nem haverá Menino como este! – é deveras encantadora na sua simplicidade. O teólogo Lucas, dotado de génio de historiador nada precisa de inventar, para a sua peculiar teologia. Embora dispondo provavelmente de não muitos dados, começa, como bom historiador, por situar o acontecimento no tempo e no lugar.

Ainda ninguém apresentou nenhuma razão convincente para pôr em dúvida o lugar do nascimento de «Jesus de Nazaré» em Belém (a pari, todo o mundo fala de Santo António de Pádua e a verdade é que nasceu em Lisboa!). Por outro lado, as referências do nosso historiador ao tempo não são contaminadas pela sua preocupação teológica de apresentar o nascimento do Salvador, em contraste com o César romano, Augusto, que se ufanava do título de salvador da humanidade. Embora o recenseamento geral na época de Quirino como governador da Síria – que está bem documentado – seja bastante posterior (dá-se no ano 6 da era cristã), a verdade é que houve muitos outros censos; Lucas poderia não dispor de dados muito precisos, mas o historiador teólogo não precisava de mais pormenor para que o nascimento de Jesus ficasse enquadrado na História geral. De qualquer modo, a história profana documenta-nos vários recenseamentos a que na época se procedeu; papiros descobertos no Egipto falam de censos ali feitos, em que se obrigavam também as mulheres casadas a acompanharem os seus maridos (para se garantir a verdade das declarações), e a apresentarem-se ante o recenseador ou seu delegado para a prestação das declarações tributárias; assim se explica que Maria tivesse de acompanhar a José numa viagem tão incómoda (cerca de 150 Km). Da escassa documentação romana depreende-se que com Quirino se poderia mesmo ter iniciado um recenseamento durante a sua primeira missão (militar, não como governador) na Síria, entre os anos 10 a 6 a. C.. Dado que o nascimento de Jesus se deu uns seis ou sete anos a. C., em virtude do erro cometido por Dionísio, o Exíguo, quando no séc. VI fez as contas para a adopção da era cristã, a época referida por Lucas concorda substancialmente com os dados da história profana. Para solucionar o problema da data do recenseamento Ratzinger/Bento XVI adopta a explicação de que o recenseamento teria duas fases, a do arrolamento dos bens e a da aplicação da imposto, esta no ano 6 da nossa era em que se deu a revolta de que fala Flávio Josefo, quando Quirino era governador da Síria; mas o problema fica resolvido se adoptamos outra tradução possível: «Aquele recenseamento veio a ser anterior ao que foi feito quando Quirino era governador da Síria» (esta é a tradução da Bíblia Catalã). Assim, fica claro que S. Lucas não comete um erro histórico, ainda que o censo decretado por Herodes por altura do nascimento de Cristo não tenha sido o de Quirino, mas o do governador Saturnino, segundo a informação de Tertuliano (Contra Marcião, 4,19,10).

«César Augusto», o imperador Octávio, que reinou dos anos 27 a. C. a 14 d. C.

«Belém», em hebraico bet-léhem, significa casa do pão; ali nasce o «Pão da vida». Fica a uns 8 Km a sul de Jerusalém. Deduz-se que S. José ali teria a sua origem próxima, ou alguma propriedade ou condomínio. Pensa-se mesmo que ele se teria deslocado da sua Belém natal para Nazaré, participando na campanha de expansão religiosa do judaísmo na Galileia dos Gentios, que já se vinha promovendo desde o século II a. C.; não abundando o trabalho neste pequeno lugar, daqui poderia ir facilmente trabalhar nas obras da importante cidade de Séforis, apenas a 5 Km a Noroeste de Nazaré, a capital da Galileia reconstruída por Herodes Antipas, helenizada, mas não paganizada.

6 «Enquanto ali se encontravam». O texto deixa ver, como é compreensível, que estiveram em Belém durante algum tempo antes de o Menino nascer. De facto é inverosímil a aventura de empreenderem uma viagem de cerca de 150 Km nas vésperas do parto.

7 «Filho primogénito». Ao chamar-se Jesus «primogénito» não se faz referência a outros filhos que depois a Santíssima Virgem de facto não veio a ter, mas sim aos direitos e deveres do filho varão que uma mãe dava à luz pela primeira vez (pertencia a Deus, tinha que ser resgatado, etc.). Também parece que «primogénito» era uma designação corrente para o primeiro filho independentemente de que fosse o único, segundo se depreende de uma inscrição egípcia da época, encontrada em 1922 perto do Tell-el-Jeduiyeh, onde se diz que uma tal Arsinoe morreu com as dores do parto do seu filho primogénito.

«Manjedoira». A palavra grega, fátnê, também pode significar curral. Seja como for, fica patente a extrema humildade em que quis nascer o Senhor do mundo. Segundo uma tradição que vem do séc. II (S. Justino, palestino nascido em Nablus), Jesus nasceu numa gruta natural, já fora de Belém. Ali Santa Helena, mãe de Constantino, nos princípios do séc. IV, ergueu uma basílica de cinco naves que, depois de várias modificações, chegou até nós, sendo, por isso, a mais antiga igreja de toda a Cristandade. A confirmar a tradição da gruta, temos vários testemunhos que falam da profanação desta nos tempos do imperador Adriano, que ali erigiu uma estátua de Adónis. Isto confirma que se tratava de um lugar de culto dos primeiros cristãos.

«Hospedaria». A palavra grega, katályma, oferece alguma dificuldade de tradução devido ao facto de tanto poder significar «hospedaria» (o kan que existia em muitas povoações), como «sala de cima» (cf. Lc 22,11; Mc 14,14), o aposento superior ao rés-do-chão, que tanto podia servir de salão como de dormitório. É estranho que, em qualquer dos casos, não coubessem mais duas pessoas, dada a boa hospitalidade oriental. Mas, para a hora do parto, não haveria o mínimo de condições de privacidade, por isso se recolhem para uma gruta ou curral. Um relato destes não se inventa, pois não era este o lugar digno para o Messias glorioso que se esperava. É impressionante verificar que para o «Senhor» de toda a Criação não havia na terra um sítio digno!

8 «Pastores». É significativo que os primeiros a quem o Messias se manifesta seja gente desprezada e sem valor aos olhos da sociedade judaica, que os incluía entre os «publicanos e pecadores», pois a sua ignorância religiosa levava-os a constantemente infringirem as inúmeras prescrições legais. O facto de guardarem o gado de noite não significa que não fosse inverno, embora não saibamos nem o dia nem sequer o mês em que Jesus nasceu, o que se compreende, pois então só se celebrava o aniversário natalício dos filhos dos reis e pouco mais. Só tardiamente se começou a celebrar o nascimento de Jesus (em Roma já se celebrava no séc. IV a 25 de Dezembro). Ao chegar a noite, os pastores reuniam o gado numa vedação campestre (redil) e eles abrigavam-se da inclemência do tempo nalguma cabana feita de ramos, mesmo durante o inverno.

14 Com o nascimento de Jesus, Deus é glorificado – «glória a Deus» e advém para os homens a síntese de todos os bens – «a paz». O texto original grego pode ter uma dupla tradução, qual delas a mais rica: «homens de boa vontade» (que possuem boa vontade, segundo a interpretação tradicional adoptada pela nova tradução da CEP), ou «os homens que são objecto de boa vontade» (ou da benevolência divina. Por agora, os textos litúrgicos preferiram a segunda, mais de acordo com a visão universalista de Lucas. Segundo uma variante textual (menos provável) teríamos uma frase com três membros: «glória a Deus..., paz na terra, benevolência divina entre os homens».

 

 

Sugestões para a homilia

 

1.     O povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz.

2.     A urgência deste anúncio de fé aos homens de hoje.

3.     Como concretizar este tão necessário e feliz anúncio.

 

1.     O povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz.

 

Esta noite escura, que é também das mais longas do hemisfério norte, está profundamente iluminada por milhares e milhares de luzes espalhadas por todo o mundo cristão. Todas elas, simbolizam essa outra Luz, vinda ao mundo há mais de dois mil anos, cujo nascimento estamos, com muito júbilo, a celebrar – Nosso Senhor Jesus Cristo.

Por experiência, sabemos que a luz ilumina, aquece, congrega e, em todos, inspira segurança, amor e alegria. Tudo isso, e, com a maior magnanimidade, nos veio trazer Jesus, o verdadeiro Príncipe da Paz, a verdadeira Luz do mundo.

Estamos aqui para, dentro das nossas modestas limitações, celebrar e exprimir5 essa imensa alegria, que deve inundar as nossas vidas e manifestar a consequente e necessária gratidão, a Quem tanto nos amou e continua a amar.

 

2.     A urgência deste anúncio de fé aos homens de hoje.

 

Apesar de já terem passado vinte séculos sobre o Nascimento do Salvador, penhor da verdadeira segurança e da alegria da humanidade, muitos são ainda aqueles que não acordaram para tão sublime e impensável realidade. Esse desconhecimento leva-os a percorrer tantos caminhos errados, causadores de tantas desgraças e insegurança, de tantas lágrimas e de verdadeiro retrocesso social. A corrução, ódios, vinganças, injustiças, atos de terrorismo, abortos, infidelidades, não respeito pelas leis santas do matrimónio, com recurso a anticoncetivos, não aceitação de filhos, etc, etc, são tudo sinais da escuridão das consciências em que grande parte do mundo mergulhou. Como este mundo, que Deus criou e tanto ama, precisa de ser iluminado pela verdadeira Luz, cujo Nascimento hoje celebramos!

 

3.     Como concretizar este tão necessário e feliz anúncio.

 

Para o podermos concretizar, Jesus desde o Seu nascimento proclama bem alto o caminho que devemos percorrer. As trevas existentes no mundo são consequência da cegueira provocada pelo orgulho dos homens. “Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração”, nos afirmará Jesus mais tarde, mas que já demonstra e ensina com o Seu Nascimento. Não é por acaso que nasce num curral de animais, no meio da maior pobreza, que escolhe para Mãe a Virgem Maria, Imaculada desde a Sua Conceição e que aceita por Pai adotivo, um homem justo – S. José.

Para anunciarmos esta maravilha aos homens que ainda a desconhecem, é necessário e urgente que primeiro sejamos nós a encontra-la e vivê-la. Só o conseguiremos concretizar, imitando Jesus, sendo humildes, puros, castos, cumpridores da vontade de Deus.

Foi aos humildes e desprezados pastores que em primeiro lugar Ele se revelou. E foram ainda os humildes que ouviram os Anjos cantar “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”. Só os humildes têm capacidade de captar este anúncio, esse prodígio de AMOR, para depois, com convicção e entusiasmo, o poderem proclamar aos que ainda o desconhecem.

Como os pastores, pertencemos ao número daqueles que Jesus escolheu para este tão feliz anúncio ao mundo que ainda O desconhecem. Não podemos perder esta oportunidade que nos é dada. Vamos fazê-lo, com muito entusiasmo, fé e amor:  Nasceu o nosso Salvador! Homens estais salvos! Voltai-vos para o Senhor que tanto vos ama.

 

Fala o Santo Padre

 

«Deus não Se apresentou no salão nobre dum palácio real, mas na pobreza dum curral;

não no poder, mas numa pequenez que nos deixa surpreendidos.

E, para O encontrar, é preciso ir aonde Ele está: é preciso inclinar-se, abaixar-se, fazer-se pequenino.»

«Manifestou-se a graça de Deus, portadora de salvação para todos os homens» (Tt 2, 11). Estas palavras do apóstolo Paulo revelam o mistério desta noite santa: manifestou-se a graça de Deus, o seu presente gratuito; no Menino que nos é dado, concretiza-se o amor de Deus por nós.

É uma noite de glória, a glória proclamada pelos anjos em Belém e também por nós em todo o mundo. É uma noite de alegria, porque, desde agora e para sempre, Deus, o Eterno, o Infinito, é Deus connosco: não está longe, não temos de O procurar nas órbitas celestes nem em qualquer ideia mística; está próximo, fez-Se homem e não Se separará jamais desta nossa humanidade que assumiu. É uma noite de luz: a luz, profetizada por Isaías e que havia de iluminar quem caminha em terra tenebrosa (cf. 9, 1), manifestou-se e envolveu os pastores de Belém (cf. Lc 2, 9).

Os pastores descobrem, pura e simplesmente, que «um menino nasceu para nós» (Is 9, 5) e compreendem que toda aquela glória, toda aquela alegria, toda aquela luz se concentram num único ponto, no sinal que o anjo lhes indicou: «Encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12). Este é o sinal de sempre para encontrar Jesus; não só então, mas hoje também. Se queremos festejar o verdadeiro Natal, contemplemos este sinal: a simplicidade frágil dum pequenino recém-nascido, a mansidão que demonstra no estar deitado, a ternura afetuosa das fraldas que O envolvem. Ali está Deus.

E com este sinal, o Evangelho desvenda-nos um paradoxo: fala do imperador, do governador, dos grandes de então, mas Deus não Se apresentou lá; não aparece no salão nobre dum palácio real, mas na pobreza dum curral; não nos fastos ilusórios, mas na simplicidade da vida; não no poder, mas numa pequenez que nos deixa surpreendidos. E, para O encontrar, é preciso ir aonde Ele está: é preciso inclinar-se, abaixar-se, fazer-se pequenino. O Menino que nasce interpela-nos: chama-nos a deixar as ilusões do efémero para ir ao essencial, renunciar às nossas pretensões insaciáveis, abandonar aquela perene insatisfação e a tristeza por algo que sempre nos faltará. Far-nos-á bem deixar estas coisas, para reencontrar na simplicidade de Deus-Menino a paz, a alegria, o sentido luminoso da vida.

Deixemo-nos interpelar pelo Menino na manjedoura, mas deixemo-nos interpelar também pelas crianças que, hoje, não são reclinadas num berço nem acariciadas pelo carinho duma mãe e dum pai, mas jazem nas miseráveis «manjedouras de dignidade»: no abrigo subterrâneo para escapar aos bombardeamentos, na calçada duma grande cidade, no fundo dum barco sobrecarregado de migrantes. Deixemo-nos interpelar pelas crianças que não se deixam nascer, as que choram porque ninguém lhes sacia a fome, aquelas que na mão não têm brinquedos, mas armas.

O mistério do Natal, que é luz e alegria, interpela e mexe connosco, porque é um mistério de esperança e simultaneamente de tristeza. Traz consigo um sabor de tristeza, já que o amor não é acolhido, a vida é descartada. Assim acontece a José e Maria, que encontraram as portas fechadas e puseram Jesus numa manjedoura, «por não haver lugar para eles na hospedaria» (Lc 2, 7). Jesus nasce rejeitado por alguns e na indiferença da maioria. E a mesma indiferença pode reinar também hoje, quando o Natal se torna uma festa onde os protagonistas somos nós, em vez de ser Ele; quando as luzes do comércio põem na sombra a luz de Deus; quando nos afanamos com as prendas e ficamos insensíveis a quem está marginalizado. Esta mundanidade fez refém o Natal; é preciso libertá-lo!

Mas o Natal tem sobretudo um sabor de esperança, porque, não obstante as nossas trevas, resplandece a luz de Deus. A sua luz gentil não mete medo; enamorado por nós, Deus atrai-nos com a sua ternura, nascendo pobre e frágil no nosso meio, como um de nós. Nasce em Belém, que significa «casa do pão»; deste modo parece querer dizer-nos que nasce como pão para nós; vem à nossa vida, para nos dar a sua vida; vem ao nosso mundo, para nos trazer o seu amor. Vem, não para devorar e comandar, mas alimentar e servir. Há, pois, uma linha direta que liga a manjedoura e a cruz, onde Jesus será pão repartido: é a linha direta do amor que se dá e nos salva, que dá luz à nossa vida, paz aos nossos corações.

Compreenderam-no, naquela noite, os pastores, que se contavam entre os marginalizados de então. Mas ninguém é marginalizado aos olhos de Deus, e precisamente eles foram os convidados de Natal. Quem se sentia seguro de si, autossuficiente, ficara em casa com as suas coisas; ao contrário, os pastores «foram apressadamente» (Lc 2, 16). Deixemo-nos, também nós, interpelar e convocar nesta noite por Jesus, vamos confiadamente ter com Ele, a partir daquilo em que nos sentimos marginalizados, a partir dos nossos limites, a partir dos nossos pecados. Deixemo-nos tocar pela ternura que salva. Aproximemo-nos de Deus que Se faz próximo, detenhamo-nos a olhar o presépio, imaginemos o nascimento de Jesus: a luz e a paz, a pobreza extrema e a rejeição. Entremos no verdadeiro Natal com os pastores, levemos a Jesus aquilo que somos, as nossas marginalizações, as nossas feridas não curadas, os nossos pecados. Assim, em Jesus, saborearemos o verdadeiro espírito do Natal: a beleza de ser amado por Deus. Com Maria e José, paremos diante da manjedoura, diante de Jesus que nasce como pão para a minha vida. Contemplando o seu amor humilde e infinito, digamos-Lhe pura e simplesmente obrigado: Obrigado, porque fizestes tudo isto por mim.

 Papa Francisco, Homilia, Basílica Vaticana, 24 dezembro de 2016

 

Oração Universal

 

Nesta santa noite de Natal,

peçamos a Deus, nosso Pai, que inunde de paz a terra inteira

e o coração de todos os homens e mulheres

pedindo com toda a confiança

Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

R. Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

1.     Pelos fieis de todas as igrejas cristãs,

para que, nesta santa noite de Natal,

adorem o Salvador, de Quem celebramos o Seu Nascimento,

oremos, irmãos,

 

R. Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

2.     Pelos responsáveis das nações

para que escutem os profetas deste tempo

e ponham de parte todas as armas de morte,

oremos, irmãos,

 

R. Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

3.     Pelas crianças que vão nascer em todo o mundo,

para que recebam o carinho e a ternura

que o Menino Jesus recebeu da Virgem Mãe,

oremos, irmãos.

 

R. Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

4.     Pelos pobres, pelos doentes e pelos presos

pelos órfãos, pelas viúvas e pelos que estão sós,

para que a Luz de Belém brilhe sobre eles,

oremos, irmãos.

 

R. Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

5.     Por todos nós aqui reunidos nesta noite,

e pelas famílias da nossa comunidade

para que a ninguém falte a paz que vem do Céu,

oremos, irmãos.

 

R.  Iluminai, Senhor, a terra inteira.

  

6.     Por todos os nossos familiares e amigos,

que já partiram para a eternidade,

 para que possam quanto antes contemplar as alegrias do Céu.

oremos, irmãos.

 

R. Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

Deus, nosso Pai

que nesta noite, fizeste nascer da Virgem Mãe,

o Salvador prometido há tantos séculos,

por vossa bondade, dai-nos a graça de O anunciarmos.

E O reconhecermos em cada ser humano,

Ele, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Meia noite dada M. Simões, NRMS, 15

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, a nossa oblação nesta Santa noite de Natal e fazei que, pela admirável permuta destes dons, participemos na divindade do vosso Filho que a Vós uniu a nossa natureza humana, Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Natal: p. 457 [590-702] ou 458-459

 

No Cânone Romano, diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Também nas Orações Eucarísticas II e III se faz a comemoração própria.

 

Santo: A. F. Santos – BML, 27

 

Monição da Paz

 

“Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”. Ele é o Deus da verdadeira Paz. Vamos recebê-lO com muito amor e profunda gratidão. Com o amor que d’Ele nos vem, vamos saudar-nos mutuamente:  saudai-vos na paz de Cristo.

 

Monição da Comunhão

 

Com a Comunhão, nasce dentro de nós Jesus, que em Belém, fez os encantos da Virgem Maria, de S. José, dos Anjos e dos Pastores.

Com a Sagrada Comunhão há verdadeiramente Natal em nós. Que Ele encontre em cada um que O vai receber, um berço, bem quentinho, repleto de amor e de desejos sinceros de O anunciar àqueles que ainda O desconhecem.

 

Cântico da Comunhão: O Verbo fez-se carne – Az. Oliveira, NRMS, 47 e 52

Jo 1, 14

Antífona da comunhão: O Verbo fez-Se carne e nós vimos a sua glória.

 

Cântico de acção de graças: Hoje sobre nós / Bendito o que vem – J. Santos, NRMS, 44

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, que nos dais a alegria de celebrar o nascimento do nosso Redentor, dai-nos também a graça de viver uma vida santa, a fim de podermos um dia participar da sua glória. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Com muita convicção, vamos levar aos outros o feliz anúncio que os Anjos proclamaram em Belém “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”. A todos um santo e feliz Natal. Com esse propósito, ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Bendito seja Jesus – M. Faria, NCN

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Alves Moreno

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:               José Carlos Azevedo

 


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