Nosso Senhor Jesus Cristo Rei

20 de Novembro de 2005

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Glória a Jesus Cristo, Az. Oliveira, NRMS 92

Ap 5, 12; 1, 6

Antífona de entrada: O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder e a riqueza, a sabedoria, a honra e o louvor. Glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Vivemos todos na esperança de um mundo melhor, mais humano, mais fraterno, em que haja mais amor, mais compreensão e uma mais justa distribuição de bens, para que as grandes desigualdades desapareçam.

Esta nova terra não virá pela virtude qualquer regime ou partido político – embora uns possam ajudar mais do que outros – mas pela instauração efectiva do reinado de Cristo.

É, pois, com Esperança alicerçada na Fé que a Liturgia nos convida a celebrar hoje a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei.

 

Peçamos ao Senhor perdão dos nossos pecados, por pensamentos, palavras obras e omissões. Eles são o grande obstáculo a que possamos viver num mundo melhor.

Prometamos um esforço sério para emendarmos as nossas vidas.

 

Senhor Jesus, perdoai-nos a separação que fazemos entre a fé e a vida,

negando-nos a dar a nossa ajuda para a construção de um mundo melhor.

Senhor, misericórdia!

Senhor, misericórdia!

 

Cristo, perdoai-nos a falta de participação activa na organização da sociedade,

porque esquecemos os outros e procuramos só os nossos próprios interesses.

Cristo, misericórdia!

Cristo, misericórdia!

 

Senhor Jesus, perdoai-nos a falta de fé que nos faz viver só a pensar nesta vida,

esquecendo-nos de que o Vosso Reino começa na terra para continuar no Céu.

Senhor, misericórdia!

Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que no vosso amado Filho, Rei do universo, quisestes instaurar todas as coisas, concedei, propício que todas as criaturas, libertas da escravidão, sirvam a vossa majestade e Vos glorifiquem eternamente. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Perante a desilusão do Povo de Deus, desterrado no cativeiro de Babilónia, o profeta Ezequiel anuncia, em nome de Deus, um novo Reino em que o próprio Deus intervirá directamente.

Esta promessa realizou-se, nos novos tempos, quando Jesus fundou a Igreja à qual temos a felicidade de pertencer.

 

Ezequiel 34, 11-12.15-17

11Eis o que diz o Senhor Deus: «Eu próprio irei em busca das minhas ovelhas e hei-de encontrá-las. 12Como o pastor vigia o seu rebanho, quando estiver no meio das ovelhas que andavam tresmalhadas, assim Eu guardarei as minhas ovelhas, para as tirar de todos os sítios em que se desgarraram num dia de nevoeiro e de trevas. 15Eu apascentarei as minhas ovelhas, Eu as levarei a repousar, diz o Senhor. 16Hei-de procurar a que anda perdida e reconduzir a que anda tresmalhada. Tratarei a que estiver ferida, darei vigor à que andar enfraquecida e velarei pela gorda e vigorosa. Hei-de apascentá-las com justiça. 17Quanto a vós, meu rebanho, assim fala o Senhor Deus: Hei-de fazer justiça entre ovelhas e ovelhas, entre carneiros e cabritos».

 

A leitura é tirada da secção que contém uma série de oráculos animadores e de esperança de salvação, proferidos depois da queda de Jerusalém. A aplicação desta profecia a Jesus é uma forma de apresentar Jesus na sua condição divina: «Eu apascentarei as minhas ovelhas» (v. 15; cf. Jo 10, 1-16); «Hei-de procurar a que anda perdida» (cf. Lc 15, 4-7). Também no A.T. o rei é chamado pastor; daqui se justifica a esta leitura da Solenidade de Cristo Rei. Também no Evangelho Jesus aparece como Rei-Pastor, a separar as ovelhas dos cabritos exercendo o papel de Rei (cf. Mt 25, 34) e Juiz.

 

Salmo Responsorial    Sl 22 (23), 1-2a.2b-3.5-6 (R. 1)

 

Monição: Jesus Cristo é o nosso Pastor e o nosso Rei. Ele mesmo nos alimenta e conduz por caminhos de paz. Cantemos a Sua bondade, fazendo nossa a oração do salmo responsorial.

 

Refrão:        O Senhor é meu pastor

                     nada me faltará.

 

O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas,

por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários;

com óleo me perfumais a cabeça

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida,

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A última etapa do Reino de Cristo será a glorificação final de todos os eleitos, pela ressurreição final, quando todos os seus membros fizerem parte da Igreja triunfante.

A Ressurreição gloriosa de Cristo, como nos ensina S. Paulo na Carta aos fiéis de Corinto, é a garantia da nossa ressurreição.

 

1 Coríntios 15, 20-26.28

Irmãos: 20Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. 21Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos; porque, 22do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. 23Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias; a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai. 25É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. 26E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus «tudo submeteu debaixo dos seus pés». 28Quando todas as coisas Lhe forem submetidas, então também o próprio Filho Se há-de submeter Àquele que Lhe submeteu todas as coisas, para que Deus seja tudo em todos.

 

20-23 S. Paulo começando por se apoiar no facto real da Ressurreição de Cristo, procura demonstrar a verdade da ressurreição dos mortos (vv. 1-19). Nestes versículos, diz que «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (v. 20). As primícias eram os primeiros frutos do campo que se deviam oferecer a Deus e só depois se podia comer deles (cf. Ex 28; Lv 23, 10-14; Nm 15, 20-21). De igual modo, Cristo nos precede na ressurreição. Nós havemos de ressuscitar «por ocasião da sua vinda» (v. 23). Não se pode confundir esta ressurreição sobrenatural e misteriosa de que aqui se fala com a imortalidade da alma. O Credo do Povo de Deus de Paulo VI, no nº 28, diz: «Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - tanto as que ainda devem ser purificadas com o fogo do Purgatório, como as que são recebidas por Jesus no Paraíso logo que se separem do corpo, como o Bom Ladrão - constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída por completo no dia da Ressurreição, em que as almas se unirão com os seus corpos».

24 «Quando Cristo entregar o reino a Deus, seu Pai». Isto parece indicar que, na consumação dos tempos, cessará a função redentora de Jesus Cristo, quando todos os eleitos tiverem atingido a plenitude da salvação – fruto da obra do próprio Cristo. Com a ressurreição final a obra da Redenção fica plenamente cumprida. É este também o sentido do último versículo da leitura (v. 28).

26 «O último inimigo a ser aniquilado é a morte»: Paulo gosta de apresentar a morte como personificada: uma força viva que acaba por levar o golpe fatal com a ressurreição final (cf. 1 Cor 15, 54-55).

28 «Deus seja tudo em todos» (cf. v. 24 e nota). Com a vitória final de Cristo na consumação dos tempos, todos os redimidos pertencerão totalmente ao Pai, Deus que será tudo para eles.

 

Aclamação ao Evangelho       Mc 11, 9.10

 

Monição: Antecipemos liturgicamente a aclamação a Cristo Rei, no fim dos tempos, cantando o aleluia.

É seguindo os ensinamentos do Evangelho que seguiremos até à nossa ressurreição gloriosa, no fim dos tempos.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Bendito O que vem em nome do Senhor!

Bendito o reino do nosso pai David!

 

 

Evangelho

 

São Mateus 25, 31-46

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 31«Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso. 32Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; 33e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. 34Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. 35Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes; 36não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me’. 37Então os justos Lhe dirão: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? 38Quando é que Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos? 39Quando é que Te vimos doente ou na prisão e Te fomos ver?’. 40E o Rei lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes’. 41Dirá então aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o demónio e os seus anjos. 42Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; 43era peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive doente e na prisão e não Me fostes visitar’. 44Então também eles Lhe hão-de perguntar: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, peregrino ou sem roupa, doente ou na prisão, e não Te prestámos assistência?’ 45E Ele lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer’. 46Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna».

 

Cristo Rei é-nos apresentado hoje no exercício do seu supremo poder judicial no fim dos tempos, numa parábola de Jesus.

32 «Todas as nações» Toda a humanidade – fiéis e infiéis – será julgada pela mesma medida, contra o que pensava o judaísmo da época, que privilegiava o povo eleito, à hora do juízo de Deus.

35-40 O Juízo Final é uma verdade de fé. «De facto, todos havemos de comparecer diante do tribunal de Deus (Rom 14, 10). «É perante Cristo, que é a verdade, que será definitivamente posta a nu a verdade da relação de cada homem com Deus (…). O Juízo Final revelará até às suas últimas consequências o que cada um tiver feito, ou tiver deixado de fazer durante a sua vida terrena… O Pai …pronunciará então a sua palavra definitiva sobre toda a história» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1039-1040). Este Juízo é encenado na parábola de modo a pôr em evidência a caridade como virtude central e resumo de todas as virtudes e de toda a lei de Deus. Como diz S. João da Cruz, «seremos julgados pelo amor», pois Deus há-de pedir-nos contas não só do mal que fizemos, mas também do bem que devíamos ter feito e que omitimos, por falta de amor. «A Mim o fizestes»: Jesus como que se esconde no necessitado, por isso a caridade cristã não é mera beneficência ditada pela filantropia, mas é amor ditado pela fé, que nos faz descobrir no próximo um filho de Deus, um irmão, uma imagem de Cristo, ainda que muito desfigurada, por vezes.

46 «Para o suplício eterno». «A doutrina da Igreja afirma a existência do Inferno e a sua eternidade (…). As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno são um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar a sua liberdade tendo em vista o destino eterno. Constituem, ao mesmo tempo, um apelo urgente à conversão (…). Deus não predestina ninguém ao Inferno. Para ter semelhante destino, é preciso haver uma aversão voluntária a Deus (pecado mortal) e persistir nela até ao fim… A Igreja implora a misericórdia de Deus, ‘que não quer que alguns venham a perder-se, mas que todos se possam arrepender’ [2 Pe 2, 9]» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1035-1037).

 

Sugestões para a homilia

 

Um novo Reino, para uma nova terra

A Lei suprema é o Amor sem fronteiras nem medida

Um novo Reino, para uma nova terra

Nenhuma organização social – de entre todas as que temos conhecido ao longo da história – satisfaz os nossos desejos de paz, justiça e amor.

Os homens públicos, em hora de campanha para alcançar o poder, acenam-nos com promessas de todo o tipo. Em breve, porém, a ferrugem dos defeitos das pessoas, juntamente com aqueles que se atrelam interesseiramente ao carro de triunfo, mostra que muitos estão mais interessados em serem servidos do que em servir os outros.

A política é a arte do possível e, no meio da floresta dos interesses e compromissos mútuos, o campo o possível vai ficando de cada vez mais reduzido.

Tudo isto deixa nas pessoas uma profunda desilusão, porque espera dos homens aquilo que eles não são capazes de dar.

 

A experiência Israelita. Os Israelitas fizeram uma experiência de um Reino que acabou por fracassar. Primeiro, a nação dividiu-se em duas que se hostilizavam. Mais tarde, por causa da sua infidelidade ao Senhor, acabaram por perder a independência, tendo sido levados cativos para o exílio de Babilónia, a cerca de mil quilómetros de distância da sua Pátria.

É neste contexto que o Senhor lhes promete, pelo profeta Ezequiel, a fundação de um novo Reino que o próprio Deus governará directamente.

«Eis o que diz o Senhor Deus: 'Eu próprio tomarei o cuidado das Minhas ovelhas. Eu é que hei-de olhar por elas'».

 

A promessa do Senhor cumpre-se na fundação da Igreja. O cumprimento desta promessa messiânica veio a realizar-se na fundação da Igreja. Jesus Cristo é a Sua Cabeça e o Espírito Santo, a Alma.

De facto, é Cristo pessoalmente, embora de modo invisível, Quem actua na Sua Igreja: anuncia a Palavra, administra os Sacramentos e perdoa os pecados.

Para que possa aparecer visivelmente, escolheu um Chefe da Igreja Universal – o Papa – que governa em Seu nome o rebanho dos fiéis, mantendo-o unido e procurando as ovelhas que andam tresmalhadas; e na Igreja local, o Bispo diocesano que governa em nome de Cristo a porção do Povo de Deus que lhe é confiada, ajudado pelo Presbitério.

O mistério da Igreja realiza, pois, em nossos dias, estas palavras proféticas de Ezequiel, anunciadas durante a noite dolorosa do cativeiro de Babilónia.

 

A nossa missão no Reino de Cristo. É seguindo Cristo, o Bom Pastor, que seguiremos através da vida terrena até à glorificação final.

Ao mesmo tempo, o texto de Ezequiel define a nossa missão na terra, porque todos participamos, cada um a seu modo, da missão de Cristo, Bom Pastor.

Fomentar a comunhão entre todo o rebanho e deste com Deus, através dos seus pastores.

Retirar as ovelhas dos locais onde correm perigo que andam desgarradas, para que reencontrem o caminho, e curar as que estão feridas.

Assumindo, ao mesmo tempo, o papel de ovelha e bom pastor, para socorrer as mais débeis.

A Lei suprema é o Amor sem fronteiras nem medida

Muitos entendem a sua vida em Igreja como uma disponibilidade para receber pontualmente as ajudas espirituais que ela pode oferecer: rezar, frequentar a Eucaristia dominical e os Sacramentos e marcar os grandes momentos da vida com um sinal cristão: baptismo, casamento e funeral.

Há ainda quem entenda que pertencer à Igreja é entrar num meio de transporte o qual, sem qualquer preocupação da sua parte, os levará ao Céu.

O Senhor delineou a Sua Igreja como uma família e nesta, a virtude fundamental é a solidariedade, ou seja, a comunhão, a caridade mútua, com todas as consequências.

Devem fazer-nos pensar as lições do Evangelho hoje proclamado.

 

O primado da caridade. No Evangelho do Juízo final, que nada vai modificar do que se passou no Juízo particular, logo a seguir à morte, todas as afirmações de Cristo referem-se ao exercício da caridade: «Vinde, benditos de Meu Pai, recebei como herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. É que Eu tive fome, e vós destes-me de comer. porque tive fome

 

A identificação de Cristo com as pessoas carenciadas. Ele está misteriosamente presente naqueles que nós socorremos: «Em verdade vos digo: na medida em que o fizestes a um destes Meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes».

 

A gravidade dos pecados de omissão. Muitos auto-justificam-se, dizendo que nada fizeram de mal na vida.

Jesus Cristo julga os que são condenados e encontra-os com a culpa dos pecados de omissão: «tive fome, e não Me destes de comer, tive sede e não Me destes de beber, vinha de fora e não me recolhestes».

Deste serviço aos outros pode fazer parte também o compromisso político, se o Senhor nos deu qualidades para isso, mesmo quando o preço desta actuação é o sacrifício da tranquilidade e até dos próprios bens.

Talvez encontremos aqui uma das razões mais importantes do aparente fracasso do Reinado de Cristo em nossos dias: há muitas pessoas boas que encolhem os braços, não se cansam de olhar o espelho, para se consolarem com a sua «bondade», mas não fazem nada pelos outros.

 

A lei fundamental do Amor. Corremos o risco de esquecer o principal do nosso ser-Igreja: a Lei fundamental é o Amor e o amor são obras, e não apenas palavras belas.

Para nos lembrar esta necessidade imprescindível de nos entregarmos ao serviço dos irmãos mais carenciados, o Senhor reúne-nos no Primeiro Dia da semana, renovando o Sacrifício da vida que ofereceu ao Eterno Pai por nosso resgate.

Envia-nos, depois, pelos diversos caminhos da terra, a levar esta mensagem de Amor e de Alegria.

Nesta aventura em que nos lançamos desde o nosso Baptismo, contamos com a ajuda da melhor das Mães. Invoquemos a sua ajuda, para que, de mãos dadas, ajudemos todos a construir o reinado de Cristo.

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus Cristo é o Senhor do tempo e n'Ele se cumprem os desígnios da criação e da redenção.»

 

1. Celebra-se hoje a solenidade de Cristo Rei do universo. Esta festa foi oportunamente colocada no último domingo do ano litúrgico, para realçar que Jesus Cristo é o Senhor do tempo e que n'Ele tem o seu cumprimento qualquer desígnio da criação e da redenção.

A figura do Rei-Messias assume uma forma, na consciência do povo de Israel, através da Antiga Aliança. É o próprio Deus que, especialmente mediante os Profetas, revela aos Israelitas a sua vontade de os reunir como faz um pastor com o rebanho, para que vivam livres e em paz na terra prometida. Para esta finalidade, Ele enviará o seu Consagrado o «Cristo», em grego para resgatar o povo do pecado e o introduzir no Reino.

Jesus de Nazaré cumpre com o mistério pascal esta missão. Ele não vem para reinar como os reis deste mundo, mas para instaurar, por assim dizer, no coração do homem, da história e do cosmos o poder divino do Amor.

2. O Concílio Vaticano II proclamou de maneira forte e clara ao mundo contemporâneo a senhoria de Cristo, e a sua mensagem foi retomada no Grande Jubileu do Ano 2000. Também a humanidade do terceiro milénio precisa de descobrir que Cristo é o seu Salvador. Eis o anúncio que os cristãos devem levar ao mundo de hoje com coragem renovada.

O Concílio Vaticano II recordou, a este propósito, a especial responsabilidade dos fiéis leigos (cf. Decr. Apostolicam actuositatem). Em virtude do Baptismo e da Confirmação, eles participam na missão profética de Cristo. Por conseguinte, são chamados a «procurar o Reino de Deus, tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus» e também a desempenhar «um papel próprio... na Igreja e no mundo [...] com a sua acção para evangelizar e santificar os homens» (Carta apost. Novo millennio ineunte, 46).

3. Entre todas as criaturas angélicas e terrenas, Deus escolheu a Virgem Maria para a associar de modo muito singular à realeza do seu Filho feito homem. É isto que contemplamos no último mistério glorioso do santo Rosário. Maria nos ensine a testemunhar com coragem o Reino de Deus e a acolher Cristo como Rei da nossa existência e de todo o universo.

João Paulo II, Angelus, Domingo, 24 de Novembro de 2002

 

Oração Universal

 

O Espírito Santo inspira-nos o que havemos de pedir,

e Jesus Cristo é o nosso Mediador perante o Pai.

Apresentemos-Lhe, por intercessão de Maria, Rainha do Universo,

as necessidades da Igreja, do mundo e de todos as pessoas, dizendo:

Cristo, Rei do universo, ouvi a nossa oração!

 

1.  Para que, na Igreja, todos os seus pastores e demais fiéis

sintam a necessidade de nela acolher todas as pessoas,

oremos, irmãos.

 

2.  Para que o Santo Padre, com os Bispos em comunhão com ele,

consigam mobilizar todos os fiéis para uma nova evangelização,

oremos, irmãos.

 

3.  Para que todos os movimentos apostólicos da Igreja se renovem,

numa procura generosa pela santidade pessoal e apostolado,

oremos, irmãos.

 

4.  Para que as pessoas chamadas ao matrimónio vejam nesta vocação,

vivido com fidelidade o melhor caminho para a construção do Reino,

oremos, irmãos.

 

5.  Para que os que nos precederam na fé e necessitam de purificar-se,

possam contemplar, quanto antes, a glória de Cristo Rei no Céu,

oremos, irmãos.

 

Senhor, que nos chamastes à Vossa Igreja, pelo Baptismo,

para fazer de nós membros e construtores do Vosso Reino:

ajudai-nos a trabalhar com generosidade na santidade pessoal

que nos leve a um apostolado intenso junto dos nossos irmãos,

para todos Vos contemplarmos na felicidade que não tem fim.

Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Todas as nações recebeu em herança, M. Faria, NRMS 3 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, este sacrifício da reconciliação humana e, pelos méritos de Cristo vosso Filho, concedei a todos os povos o dom da unidade e da paz. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

Cristo, Sacerdote e Rei do universo

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Com o óleo da alegria consagrastes Sacerdote eterno e Rei do universo o vosso Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor, para que, oferecendo-Se no altar da cruz, como vítima de reconciliação, consumasse o mistério da redenção humana e, submetendo ao seu poder todas as criaturas, oferecesse à vossa infinita majestade um reino eterno e universal: reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz.

Por isso, com os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Cristo Jesus, nosso Rei eterno, é também o nosso Pastor. Conduz-nos agora, se estivermos devidamente preparados, ao Banquete Eucarístico em que nos serve como alimento, o Seu Corpo e Sangue. Comunguemos com Fé, devoção e Amor.

 

Cântico da Comunhão: Se escutais a Cristo Rei, M. Carneiro, NRMS 92

Salmo 28, 10-11

Antífona da comunhão: O Senhor está sentado como Rei eterno; O Senhor abençoará o seu povo na paz.

 

Cântico de acção de graças: Povos batei palmas, C. Silva, NRMS 48

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da imortalidade, fazei que, obedecendo com santa alegria aos mandamentos de Cristo, Rei do universo, mereçamos viver para sempre com Ele no reino celeste. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O melhor modo de nos mostrarmos agradecidos a esta dádiva do Senhor que é Ele próprio, é procurarmos viver lá fora de acordo com a mensagem que aqui nos foi entregue: santidade pessoal e apostolado, por Ele reine.

 

Cântico final: Aleluia! Glória a Deus, F. da Silva, NRMS 92

 

 

Homilias Feriais

 

34ª SEMANA

 

2ª feira, 21-XI: Apresentação de Nossa Senhora.

Zac. 2, 14-17 / Mt. 12, 46-50

Exulta e alegra-te, filha de Sião, porque eu venho habitar no meio de ti.

Hoje celebramos a dedicação (entrega plena) que Nossa Senhora fez a Deus, de acordo com uma antiga tradição. É um bom dia para louvarmos e nos alegrarmos com Ela: «Ela foi, por pura graça, concebida sem pecado como a mais humilde das criaturas, a mais capaz de acolher o dom inefável do Omnipotente. É a justo título que o Anjo Gabriel a saúda como ‘filha de Sião’: ‘Avé’ (Alegra-te) (Cf. Leit. do dia)» (CIC, 722).

Queremos igualmente pôr a nossa vida ao serviço do Senhor, para pertencermos à família de Deus: «Todo aquele que fizer a vontade de meu Pai...» (Ev.).

 

3ª feira, 22-XI: Somos um vaso de barro.

Dan. 2, 31-45 / Lc. 21, 5-11

Jesus respondeu-lhes: Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra, que não venha a ser derrubada.

Jesus profetiza a destruição do magnífico Templo de Jerusalém, orgulho dos judeus (cf. Ev.). O mesmo iria acontecer ao extenso reino de Nabucodonossor, simbolizado na estátua que se desfaz (cf. Leit.). Finalmente «o Deus do céu fará surgir um reino que nunca será destruído» (Leit.).

Mas esta estátua também pode simbolizar cada um de nós. Cada homem é como um vaso de barro que contém um tesouro de grande valor (cf. 2 Cor. 4, 7). pode quebrar-se com facilidade, mas também se pode recompor com a ajuda de Deus. Se formos humildes o Senhor recompõe-nos de novo através do sacramento da Penitência.

 

4ª feira, 23-XI: A balança e o peso do amor.

Dan. 5, 1-6. 13-14. 16-17. 23-28 / Lc. 21, 12-19

‘Contou’ Deus o tempo do teu reinado e pôs-lhe termo; ‘pesado’ foste na balança e achado sem peso.

Antes da segunda vinda de Cristo, a Igreja sofrerá grandes tribulações, que abalarão a fé de muitos crentes (cf. Ev.).

Depois desta peregrinação na terra, seremos julgados por Deus, que verificará o peso das nossas vidas (cf. Leit), que será avaliado pelo amor de Deus com que vivemos cada uma das nossas acções diárias: «Ao morrer, cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular, que põe a sua vida em referência a Cristo... ‘Ao entardecer desta vida, examinar-te-ão no amor’ (S. João da Cruz)» (CIC, 1022).

 

5ª feira, 24-XI: O juízo final: Apelo à conversão.

Dan. 6, 12-28 / Lc. 21, 20-28

Nessa altura verão o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória.

Ao dar-se a vinda gloriosa de Cristo terá lugar o Juízo final. «A mensagem do Juízo final é um apelo à conversão, enquanto Deus dá ainda aos homens o tempo favorável, o tempo de salvação» (CIC, 1041).

O rei Dário converteu-se ao Deus de Daniel, depois de ver como tinha salvo Daniel, e proclamou a todos os seus súbditos que Ele é o «Deus vivo... É Ele quem salva e liberta» (Leit.). A verdadeira conversão manifesta-se na conduta: melhorar o trabalho, a vida familiar, orientar o dia de modo a agradar a Deus...

 

6ª feira, 25-XI: Aproveitamento das graças de Deus.

Dan. 7, 2-14 / Lc. 21, 29-33

Estava eu a olhar as visões da noite quando, entre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um Filho de homem.

«Na sequência dos profetas (Daniel: cf. Leit. do dia)...Jesus anunciou, na sua pregação, o juízo do último dia. Então será revelado o procedimento de cada um e o segredo dos corações. Então será condenada a incredulidade culpável, que não teve em conta as graças oferecidas por Deus» (CIC, 678).

Precisamos aproveitar muito bem as inumeráveis graças que Deus nos concede cada dia. Nalguns casos Deus serve-se de acontecimentos como sinais (cf. Ev.): um sofrimento, o bom exemplo dos outros, um infortúnio...

 

Sábado, 26-XI: Vigilância e oração.

Dan. 7, 15-27 / Lc. 21, 34-36

O seu reino será um Reino eterno, e todos os potentados o hão-de servir e lhe hão-de obedecer.

Este Reino eterno da profecia de Daniel está perto de nós: «Em Jesus, ‘o Reino de Deus está perto’. Ele apela à conversão e à fé, mas também à vigilância. Na oração o discípulo vela, atento àquele que é e que vem, na memória da sua primeira vinda, na humildade da carne e na esperança da sua segunda vinda na glória. Em comunhão com o Mestre, a oração dos discípulos é um combate» (CIC, 2612).

O oposto da vigilância é o descuido, a falta de empenho nos combates diários. Com a oração, venceremos!

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:             Fernando Silva

Nota Exegética:      Geraldo Morujão

Homilias Feriais:      Nuno Romão

Sugestão Musical:  Duarte Nuno Rocha


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