26º Domingo Comum

29 de Setembro de 2019

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Eu vim para que tenham vida, F. da Silva, NRMS 70

Dan 3, 31.29.30.43.42

Antífona de entrada: Vós sois justo, Senhor, em tudo o que fizestes. Pecámos contra Vós, não observámos os vossos mandamentos. Mas para glória do vosso nome, mostrai-nos a vossa infinita misericórdia.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Na sequência do domingo anterior, a Palavra de Deus interpela-nos no campo do dinheiro e dos bens materiais. Tanto o profeta Amós como Jesus Cristo, na parábola do rico avarento, falam claro.

Tenhamos a coragem de ouvir, reflectir, compreender e tirar as devidas lições.

Não nos teremos agarrado demasiado aos bens materiais?

Ouçamos a nossa consciência e com propósito de emenda, peçamos a misericórdia do Senhor.

 

Oração colecta: Senhor, que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e Vos compadeceis, infundi sobre nós a vossa graça, para que, correndo prontamente para os bens prometidos, nos tornemos um dia participantes da felicidade celeste. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Amós denuncia o comportamento dos ricos que vivem sumptuosa e comodamente longe de Deus e desprezam os mais pobres.

 

Amós 6, 1a.4-7

 

Eis o que diz o Senhor omnipotente: 1a«Ai daqueles que vivem comodamente em Sião e dos que se sentem tranquilos no monte da Samaria. 4Deitados em leitos de marfim, estendidos nos seus divãs, comem os cordeiros do rebanho e os vitelos do estábulo. 5Improvisam ao som da lira e cantam como David as suas próprias melodias. 6Bebem o vinho em grandes taças e perfumam-se com finos unguentos, mas não os aflige a ruína de José. 7Por isso, agora partirão para o exílio à frente dos deportados e acabará esse bando de voluptuosos».

 

A leitura, que é uma censura do profeta do século VIII à vida opulenta e fácil, frequentemente à custa da miséria do próximo, foi escolhida em função do Evangelho de hoje.

6 «A ruína de José». O profeta pode referir-se tanto à miséria física de tantos compatriotas, como à corrupção moral que alastrava no Reino do Norte. Aqui é dado o nome de José ao Reino do Norte, em vez do nome de Efraim, corrente nos profetas, a tribo mais importante, pelo facto de Efraim ser filho de José, filho de Jacob, que não deu o seu nome a nenhuma tribo (Manassés e Efraim era filhos de José, que deram o seu nome às respectivas tribos).

 

Salmo Responsorial    Sl 145 (146), 7-10 (R.1b ou Aleluia)

 

Monição: Louvamos a Deus, no salmo que iremos recitar, o qual nos incita a proteger os peregrinos, a levantar os oprimidos, a reabilitar os pobres e a defender os que são tratados injustamente.

 

Refrão:     Ó minha alma, louva o Senhor.

 

Ou:           Aleluia.

 

O Senhor faz justiça aos oprimidos,

dá pão aos que têm fome

e a liberdade aos cativos.

 

O Senhor ilumina os olhos dos cegos,

o Senhor levanta os abatidos,

o Senhor ama os justos.

 

O Senhor protege os peregrinos,

ampara o órfão e a viúva

e entrava o caminho aos pecadores.

 

O Senhor reina eternamente.

O teu Deus, ó Sião,

é Rei por todas as gerações.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, nesta segunda leitura, aconselha Timóteo, e nele a todos nós cristãos, a guardarmos os mandamentos do Senhor, praticando a justiça, a piedade, a fé e a caridade, a mansidão e a perseverança.

 

1 Timóteo 6, 11-16

 

Caríssimo: 11Tu, homem de Deus, pratica a justiça e a piedade, a fé e a caridade, a perseverança e a mansidão. 12Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e sobre a qual fizeste tão bela profissão de fé perante numerosas testemunhas. 13Ordeno-te na presença de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Cristo Jesus, que deu testemunho da verdade diante de Pôncio Pilatos: 14Guarda este mandamento sem mancha e acima de toda a censura, até à aparição de Nosso Senhor Jesus Cristo, 15a qual manifestará a seu tempo o venturoso e único soberano, Rei dos reis e Senhor dos senhores, 16o único que possui a imortalidade e habita uma luz inacessível, que nenhum homem viu nem pode ver. A Ele a honra e o poder eterno. Amen.

 

Temos apenas três domingos com trechos da 1ª Carta a Timóteo, de que hoje se lêem apenas 6 versículos do último capítulo.

12 «Combate o bom combate da fé». Muitas vezes S. Paulo compara a vida cristã a uma luta desportiva ou mesmo guerreira, uma vez que sem esforço aturado não se pode permanecer fiel a Cristo (cf. Cor 9, 24-27; Col 1, 29; 2 Tim 4, 7).

«Fizeste tão bela profissão de fé…», no momento do Baptismo, ou, talvez como pensam alguns, antes da sua Ordenação; também poderia tratar-se simplesmente de um testemunho corajoso perante as autoridades pagãs.

15-16 É mais uma doxologia de sabor litúrgico (ver outras nesta carta: 1, 17; 3, 16), uma espécie de jaculatória de louvor a Deus, um desabafo duma alma enamorada de Deus Uno e Trino, que frequentemente S. Paulo deixou passar para os seus escritos.

 

Aclamação ao Evangelho        2 Cor 8, 9

 

Monição: A exemplo de Jesus, teremos de reconverter a nossa riqueza material ou intelectual transformando-a em enriquecimento espiritual interior, para benefício dos mais necessitados.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação-1, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Jesus Cristo, sendo rico, fez-Se pobre,

para nos enriquecer na sua pobreza.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 16, 19-31

 

Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: 19«Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias. 20Um pobre, chamado Lázaro, jazia junto do seu portão, coberto de chagas. 21Bem desejava saciar-se do que caía da mesa do rico, mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas. 22Ora sucedeu que o pobre morreu e foi colocado pelos Anjos ao lado de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. 23Na mansão dos mortos, estando em tormentos, levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado. 24Então ergueu a voz e disse: ‘Pai Abraão, tem compaixão de mim. Envia Lázaro, para que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nestas chamas’. 25Abraão respondeu-lhe: ‘Filho, lembra-te que recebeste os teus bens em vida e Lázaro apenas os males. Por isso, agora ele encontra-se aqui consolado, enquanto tu és atormentado. 26Além disso, há entre nós e vós um grande abismo, de modo que se alguém quisesse passar daqui para junto de vós, ou daí para junto de nós, não poderia fazê-lo’. 27O rico insistiu: ‘Então peço-te, ó pai, que mandes Lázaro à minha casa paterna – pois tenho cinco irmãos – 28para que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento’. 29Disse-lhe Abraão: ‘Eles têm Moisés e os Profetas: que os oiçam’. 30Mas ele insistiu: ‘Não, pai Abraão. Se algum dos mortos for ter com eles, arrepender-se-ão’. 31Abraão respondeu-lhe: ‘Se não dão ouvidos a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão’.

 

A parábola de hoje é contada só por S. Lucas, o evangelista mais preocupado com os pobres e os desvalidos.

20 «Um pobre chamado Lázaro». Em hebraico, Eliázar significa «Deus ajuda». O facto de que é dado um nome ao pobre fez pensar a alguns Padres que não se trata duma parábola, mas dum exemplo com um fundo histórico. De qualquer modo, não é provável que Jesus se tenha servido dum conto egípcio, como alguém supôs, acrescentando-lhe os vv. 27-31.

21 «Os cães vinham lamber-lhe as chagas», um pormenor que põe em evidência a extrema miséria do pobre, pois não era para lhe servir de alívio, mas de humilhação, já que os judeus os consideravam animais impuros e por isso não os costumavam domesticar.

22-23 Segundo as teorias farisaicas da retribuição, na situação até aqui descrita, nada havia de censurável, uma vez que nesta vida cada um tem já a sorte que merece: o justo, a abundância e o bem-estar; o pecador, a miséria e o sofrimento. Com esta «parábola» Jesus pretende desfazer de vez esse equívoco corrente e ensinar a remuneração na outra vida, negada pelos saduceus. Não era que nos livros do Antigo Testamento ainda não houvesse referências suficientemente claras à outra vida, mas uma concepção demasiado imediata, utilitarista e mesmo materialista da vida por parte dos judeus levava-os a não dar a devida atenção ao que Deus já tinha revelado para o entenderem e traduzirem na vida. Aqui Jesus dá uma machadada definitiva nas falsas ideias farisaicas acerca da retribuição. A morte é o momento em que chega a hora da verdade: «o pobre morreu…, o rico morreu…» (v. 22) e a situação de cada um mudou também; o pobre «foi colocado ao lado de Abraão» (à letra, foi para o seio de Abraão), para um lugar ou estado de descanso e alegria onde estavam as almas dos justos. O rico foi metido «em tormentos», noutra zona da «mansão dos mortos» (o hádes em grego, o xeol em hebraico, em latim inferi/infernos).

Não se pense que falta à parábola qualquer motivação ética; com efeito, o pobre é agora feliz não porque antes sofreu, e o rico sofre não porque antes gozou. O rico sofre porque não fez caso do pobre, por ser dos que serviam ao dinheiro (cf. v. 13), e, por isso mesmo, não podia servir a Deus nem fazer bem ao próximo. Por outro lado, o pobre, ao ser uma figura posta em contraste, além de desgraçado seria também piedoso. Não se dá, pois, aqui uma simples inversão de papéis, mas uma verdadeira retribuição de carácter perpétuo (cf. v. 26): um abismo impede de passar de um lado para o outro. E, segundo a profunda observação de S. Gregório Magno, «não foi a pobreza que levou Lázaro ao Céu, mas a humildade; e também não foram as riquezas que impediram o rico de entrar no grande descanso, mas o seu egoísmo e infidelidade» (Hom. sobre S. Lc 40, 2).

24-31 É importante ter em conta que o diálogo entre o rico e Abraão não pode ser tomado à letra, pois não passa duma encenação para dar vigor ao ensino central da parábola; com efeito, os condenados não se podem mostrar arrependidos nem zelosos da salvação dos vivos, mesmo até dos seus familiares, pois carecem da virtude da caridade. Pela mesma razão, também não é válido refutar o espiritismo com os dados desta parábola, como por vezes se faz. As parábolas, enquanto tais, visam um ensinamento concreto e particular, embora nalgumas se tenha vindo a dar, mesmo já na tradição prévia à sua redacção nos Evangelhos canónicos, um valor alegórico a alguns elementos secundários, conforme põem em relevo muitos estudos científicos da actualidade sobre as parábolas de Jesus.

31 Se não dão ouvidos a Moisés e nem aos Profetas, isto é, aos ensinamentos do Antigo Testamento. Para quem não quer obstinadamente crer, os milagres não valem nada, já que Deus respeita a nossa liberdade; esta é também uma lição da parábola.

 

Sugestões para a homilia

 

A comodidade e insolência dos ricos

O julgamento de Deus sobre a distribuição da riqueza

A cobiça é causa de todos os males

 

A comodidade e insolência dos ricos

No tempo do profeta Amós havia bem-estar, paz, prosperidade, mas também muitas injustiças. O profeta censura energicamente o comportamento dos chefes políticos e dos aristocratas que tinham os seus palácios na Samaria e se entregavam a uma vida fácil, passando o tempo em banquetes, divertimentos e festas. Os trabalhadores, porém, eram explorados.

Amós, pastor rude, sente-se revoltado pelos divertimentos e orgias daqueles que tinham acumulado dinheiro com a violência e a exploração dos mais pobres. Profere palavras terríveis contra os ricos e poderosos anunciando a ruína que estava prestes a atingir a sua nação, porque iria ser atacada e subjugada pelos assírios.

As denúncias de Amós são ainda hoje actuais. Na realidade, o egoísmo, o desejo do luxo, uma certa irresponsabilidade perante os problemas, a insensibilidade ao sofrimento dos mais necessitados, o desejo do prazer, continuam a tentar o homem, e os próprios cristãos, que muitas vezes se deixam embalar nesse estilo de vida. Vemos também todos os dias, que certos povos gastam fortunas matando gente em guerras.  

Quantos vivem na abundância, enquanto muitos morrem de fome e na miséria. Quantos satisfazem os seus caprichos, sacrificando até os seus familiares. Muitos jovens das nossas cidades olham com inveja para os que hoje vivem no luxo mas ao mesmo tempo alimentam o sonho de um dia virem a ser como eles.

Todas estas situações merecem de nossa parte uma atenção especial à Palavra de Deus, que nos foi proposta no Evangelho, sobre a riqueza e a pobreza.

 

O julgamento de Deus sobre a distribuição da riqueza 

Com a parábola do rico avarento somos levados de novo ao ambiente descrito na primeira leitura. De um lado o “homem rico”, que vivia no meio do luxo, em festas contínuas. Do outro, o “pobre Lázaro”, coberto de chagas e com fome.

Para entender melhor a parábola vejamos quem são os personagens, fazendo uma relação deles, por ordem de importância: o homem rico, Lázaro, Abraão. E Deus, aparece no texto?

Comecemos por Deus. Não se fala d’Ele, mas compreendemos que, no outro mundo, é Ele que põe na ordem o que neste mundo não está bem. O que Ele pensa é posto na boca de Abraão, em quem, por isso, se centra o protagonismo. O rico é também parte importante no relato. Lázaro, não profere uma única palavra, não faz nada. Está sempre sentado à porta do rico, mais tarde no seio de Abraão, e durante a viagem é transportado pelos Anjos.

Ora, se analisarmos bem, a mensagem central do relato é a que diz respeito ao juízo de Deus sobre a distribuição da riqueza no mundo.

Jesus, nas parábolas, não atribui nenhum nome aos personagens. Apenas nesta se diz que o pobre se chamava Lázaro. Quem “tem nome neste mundo”? De quem falam os jornais, as revistas, as televisões? Dos ricos, dos que têm sucesso, dos famosos. Porém, para Jesus, o rico é “um tal”, enquanto o pobre se chama Lázaro, que significa “O Senhor ajuda”.

A morte de ambos reverte a situação: quem vivia na riqueza está destinado aos "tormentos", quem vivia na pobreza encontra-se na paz de Deus. O relato antecipa o amanhã para que valorizemos o presente. O rico não é condenado por ser rico, mas porque prescinde de Deus. O pobre salva-se porque está aberto para Deus e espera a Salvação. A pobreza não levou Lázaro ao céu, mas a humildade, e não foram as riquezas que impediram o rico de entrar no seio de Abraão, mas o seu egoísmo e a pouca solidariedade com o próximo.

A mensagem é clara: a única força capaz de transformar o coração do rico é a Palavra de Deus. É esta Palavra que pode realizar o prodígio de fazer com que um rico entre no Reino dos Céus.

Quem na vida aposta em valores errados, como a cobiça por exemplo, encontrará nela a causa de todos os males.

 

A cobiça é causa de todos os males

É o que nos transmite Paulo, na segunda leitura, com os conselhos a seu discípulo Timóteo, e que são extensivos aos que se encontram em circunstâncias semelhantes, a todos os cristãos, inclusive a quem preside à comunidade, de quem se espera o exercício das virtudes apontadas aos Apóstolos.

O apóstolo exorta Timóteo a fugir dos vícios: o orgulho, o egoísmo, para cultivar a justiça, a fé, a caridade, a paciência e a boa disposição para com todos.

Por isso aconselha Timóteo, e a todos nós, que conservemos irrepreensível e sem mancha o Evangelho que nos foi anunciado, não o adequando às modas, aos novos critérios de moralidade legislados pelos homens, aos títulos honoríficos, aos presentes, aos privilégios ou vantagens económicas, para nos desviarmos dos ensinamentos de Jesus proclamados nos Evangelhos.

Meditemos sobre o elenco de virtudes enunciadas por S. Paulo e procuremos agir e testemunhar em conformidade com elas.

Examinemos a nossa atitude em relação ao dinheiro, aos bens materiais, ao modo como os adquirimos e como os usamos; qual a nossa sensibilidade às desigualdades injustas entre os homens; ao modo como olhamos e reagimos perante os mais necessitados.

 

Fala o Santo Padre

 

«O tempo gasto a socorrer os outros é tempo dado a Jesus, é amor que permanece:

é o nosso tesouro no céu, que nos asseguramos aqui na terra.»

«Como servidores da palavra de Jesus, somos chamados a não ostentar aparência, nem procurar glória;

não podemos sequer ser tristes ou lastimosos.»

 

Na segunda Leitura de hoje, o apóstolo Paulo dirige a Timóteo – e a nós também – algumas recomendações que tinha a peito. Entre elas, pede que «guarde o mandamento, sem mancha nem culpa» (1 Tm 6, 14). Fala apenas de um mandamento, parecendo querer fazer com que o nosso olhar se mantenha fixo no que é essencial na fé. De facto, São Paulo não recomenda uma multidão de pontos e aspetos, mas sublinha o centro da fé. Este centro à volta do qual tudo gira, este coração pulsante que a tudo dá vida é o anúncio pascal, o primeiro anúncio: O Senhor Jesus ressuscitou, o Senhor Jesus ama-te, por ti deu a sua vida; ressuscitado e vivo, está ao teu lado e interessa-Se por ti todos os dias. Isto, nunca o devemos esquecer. […]

O Evangelho deste domingo ajuda-nos a compreender o que significa amar, especialmente a evitar alguns riscos. Na parábola, há um homem rico que não se dá conta de Lázaro, um pobre que «jazia ao seu portão» (Lc 16, 20). Na realidade, este rico não faz mal a ninguém, não se diz que é mau; e todavia tem uma enfermidade pior que a de Lázaro, apesar deste estar «coberto de chagas» (ibid.): este rico sofre duma forte cegueira, porque não consegue olhar para além do seu mundo, feito de banquetes e roupa fina. Não vê mais além da porta de sua casa, onde jazia Lázaro, porque não se importa com o que acontece fora. Não vê com os olhos, porque não sente com o coração. No seu coração, entrou a mundanidade que anestesia a alma. A mundanidade é como um «buraco negro» que engole o bem, que apaga o amor, que absorve tudo no próprio eu. Então só se veem as aparências e não nos damos conta dos outros, porque nos tornamos indiferentes a tudo. Quem sofre desta grave cegueira, assume muitas vezes comportamento «estrábicos»: olha com reverência as pessoas famosas, de alto nível, admiradas pelo mundo, e afasta o olhar dos inúmeros Lázaros de hoje, dos pobres e dos doentes, que são os prediletos do Senhor.

Mas o Senhor olha para quem é transcurado e rejeitado pelo mundo. Lázaro é o único personagem, em todas as parábolas de Jesus, a ser designado pelo nome. O seu nome significa «Deus ajuda». Deus não o esquece… Acolhê-lo-á no banquete do seu Reino, juntamente com Abraão, numa rica comunhão de afetos. Ao contrário, na parábola, o homem rico não tem sequer um nome; a sua vida cai esquecida, porque quem vive para si mesmo não faz a história. E um cristão deve fazer a história; deve sair de si mesmo, para fazer a história. Mas quem vive para si mesmo, não faz a história. A insensibilidade de hoje escava abismos intransponíveis para sempre. E hoje caímos nesta doença da indiferença, do egoísmo, da mundanidade.

E há outro detalhe na parábola: um contraste. A vida opulenta deste homem sem nome é descrita com ostentação: nele, carências e direitos, tudo é espalhafatoso. Mesmo na morte, insiste em ser ajudado e pretende os seus interesses. Ao contrário, a pobreza de Lázaro é expressa com grande dignidade: da sua boca não saem lamentações, protestos nem palavras de desprezo. É uma válida lição: como servidores da palavra de Jesus, somos chamados a não ostentar aparência, nem procurar glória; não podemos sequer ser tristes ou lastimosos. Não sejamos profetas da desgraça, que se comprazem em lobrigar perigos ou desvios; não sejamos pessoas que vivem entrincheiradas nos seus ambientes, proferindo juízos amargos sobre a sociedade, sobre a Igreja, sobre tudo e todos, poluindo o mundo de negatividade. O ceticismo lamentoso não se coaduna a quem vive familiarizado com a Palavra de Deus.

Quem anuncia a esperança de Jesus é portador de alegria e vê longe, tem pela frente horizontes, e não um muro que o impede de ver; vê longe porque sabe olhar para além do mal e dos problemas. Ao mesmo tempo, vê bem ao perto, porque está atento ao próximo e às suas necessidades. Hoje o Senhor pede-nos isto: face aos inúmeros Lázaros que vemos, somos chamados a inquietar-nos, a encontrar formas de os atender e ajudar, sem delegar sempre a outras pessoas nem dizer: «Ajudar-te-ei amanhã, hoje não tenho tempo, ajudar-te-ei amanhã». E isto é um pecado. O tempo gasto a socorrer os outros é tempo dado a Jesus, é amor que permanece: é o nosso tesouro no céu, que nos asseguramos aqui na terra.

[…] Que o Senhor nos dê a graça de sermos renovados cada dia pela alegria do primeiro anúncio: Jesus morreu e ressuscitou, Jesus ama-nos pessoalmente! Que Ele nos dê a força de viver e anunciar o mandamento do amor, vencendo a cegueira da aparência e as tristezas mundanas. Que nos torne sensíveis aos pobres, que não são um apêndice do Evangelho, mas página central, sempre aberta diante de todos.

    Papa Francisco, Homilia, Praça de São Pedro, 25 de Setembro de 2016

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Invoquemos o Senhor Jesus Cristo,

que a todos deseja a felicidade eterna,

dizendo cheios de confiança:

 

Senhor Jesus, ouvi-nos.

 

1.     Pelo Santo Padre, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

para que, com a proclamação da Palavra de Deus,

iluminem o caminho de todos os homens e mulheres,

oremos ao Senhor.

 

2.     Pelos catecúmenos e fiéis da nossa comunidade,

para que não se deixem embalar

por todo o estilo de vida que privilegie o egoísmo,

o desejo do luxo e dos bens materiais,

oremos ao Senhor.

 

3.     Por todos os cristãos,

para que tenham sensibilidade

ao sofrimento dos mais pobres

e os ajudem nas suas mais prementes necessidades,

oremos ao Senhor.

 

4.     Por todos os governantes das nações,

para que procurem promover a justiça

e a sensibilidade às injustiças,

oremos ao Senhor.

 

5.     Por todos nós aqui presentes,

para que não nos adequemos às modas,

aos novos critérios de moralidade legislados pelos homens

e não nos desviemos dos ensinamentos de Jesus,

oremos ao Senhor.

 

6.     Por todos os homens e mulheres do mundo inteiro,

para que examinem bem a sua atitude em relação ao dinheiro,

aos bens materiais, ao modo como os adquirem

e como os usam perante as desigualdades injustas,

oremos ao Senhor.

     

Senhor Jesus Cristo,

que sempre nos interpelais através da vossa Palavra,

atendei à voz daqueles que solicitam a nossa atenção

para as sua necessidades e problemas

e ajudai-nos a abrir-lhes o nosso coração.

Vós que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Atei os meus braços, M. Faria, NRMS 9 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Deus de misericórdia infinita, aceitai esta nossa oblação e fazei que por ela se abra para nós a fonte de todas as bênçãos. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 14

 

Monição da Comunhão

 

Ao comungarmos, unimo-nos ao Sacrifício do Senhor, somos ajudados na reformulação das nossas atitudes em relação a tudo aquilo que deve ser importante, para a nossa peregrinação neste mundo a caminho da terra prometida.

 

Cântico da Comunhão: Senhor eu creio que sois Cristo, F. da Silva, NRMS 67

cf. Sl 118, 9-5

Antífona da comunhão: Senhor, lembrai-Vos da palavra que destes ao vosso servo. A consolação da minha amargura é a esperança na vossa promessa.

Ou:    1 Jo 3, 16

Nisto conhecemos o amor de Deus: Ele deu a vida por nós; também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos.

 

Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que este sacramento celeste renove a nossa alma e o nosso corpo, para que, unidos a Cristo neste memorial da sua morte, possamos tomar parte na sua herança gloriosa. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ao voltarmos à nossa vida quotidiana, não podemos deixar cair no esquecimento tudo aquilo que ouvimos nesta celebração. Façamos um sério compromisso de examinarmos a nossa atitude em relação ao dinheiro, aos bens materiais, ao modo como os adquirimos e como os usamos; à nossa sensibilidade às desigualdades injustas entre os homens; ao modo como olhamos e reagimos perante os mais necessitados e ajamos em conformidade com aquilo que o Senhor exige de cada um de nós.

 

Cântico final: Ficai connosco Senhor, M. Borda, NRMS 43

 

 

Homilias Feriais

 

26ª SEMANA

 

2ª Feira, 30-IX: Caminhos para a restauração.

Zac 8, 1-8 / Lc 9, 46-50

Sinto por Sião um grande zelo, experimento em seu favor uma grande indignação.

O Senhor sente um grande amor, mas também indignação pelo mau comportamento (LT). A solução será uma restauração: Hei-de trazê-los de novo, para que habitem em Jerusalém. Eu serei o seu Deus na fidelidade e na justiça: O Senhor vai restaurar Sião (SR). Estes mesmos sentimentos se podem aplicar ao novo povo de Deus, a cada um de nós.

 Para levar a cabo esta restauração, Jesus indica um caminho: fazer-se como criança, pois estas dependem totalmente de seus pais e sentem a necessidade da sua presença: Pois quem for o mais pequeno entre vós é que é grande! (EV)

 

3ª Feira, 1-X: O Senhor está sempre connosco.

Zac 8, 20-23 / Lc 9, 51-56

Virão muitos povos e nações poderosas procurar em Jerusalém o Senhor do Universo, implorar a benevolência do Senhor.

Jesus resolve ir até Jerusalém, para ali morrer (EV), porque quer entregar a sua vida pela salvação de todos os homens. Por isso, muitos povos para lá se dirigem (LT). O Senhor está connosco (SR). E, além disso, dá um novo sentido à dor, pois proclama bem-aventurados os que sofrem nesta vida: doenças, dores físicas ou morais, etc.

Diz o Profeta: Queremos ir na vossa companhia, porque ouvimos dizer que Deus está convosco (LT). Não deixemos de o acompanhar nos momentos difíceis. Ele está connosco especialmente na Missa, onde se renova o sacrifício do Calvário; e também no Sacrário.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        António E. Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               Duarte Nuno Rocha

 


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