Exaltação da Santa Cruz

14 de Setembro de 2019

 

Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus, vinde em meu auxílio, F. da Silva, NRMS 53

cf. Gal 6, 14

Antífona de entrada: Toda a nossa glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. N'Ele está a nossa salvação, vida e ressurreição. Por Ele fomos salvos e livres.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Quando se vive, de modo generalizado, o horror a tudo o que exige sacrifício, mesmo diminuto, será oportuno falar da Exaltação da Santa Cruz do nosso Redentor? Não estaremos a emitir uma mensagem que as pessoas não entendem nem desejam entender?

Precisamente porque este caminho da fuga sistemática, por princípio, a tudo o que custa, é um erro e um perigo para o homem, a Festa da Exaltação da Santa Cruz é um contributo para nos ajudar.

O crucifixo é um livro permanentemente aberto que nos ajuda a ver com olhos renovados as pequenas ou grandes cruzes de cada dia.

 

Acto penitencial

 

Arrependamo-nos do horror instintivo que temos a tudo o que nos custa e nos leva ao pecado e à paralisia da vida espiritual.

Peçamos ao Senhor a fortaleza para mudarmos de mentalidade e de vida, abraçando corajosamente a Cruz do Salvador.

 

(Tempo de silêncio. Sugerimos para o esquema A).

 

Oração colecta: Senhor, que na vossa infinita misericórdia, quisestes que o vosso Filho sofresse o suplício da cruz para salvar o género humano, concedei que, tendo conhecido na terra o mistério de Cristo, mereçamos alcançar no Céu os frutos da redenção. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Povo de Deus, depois de tantas provas de Amor que Deus lhe enviara, em pleno deserto, revoltou-se contra Ele e contra Moisés.

Também nós somos feridos muitas vezes pela serpente venenosa do pecado, quando não aceitamos a vontade de Deus.

 

Números 21, 4b-9

Naqueles dias, 5o povo de Israel impacientou-se e falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizeste sair do Egipto, para morrermos neste deserto? Aqui não há pão nem água e já nos causa fastio este alimento miserável». 6Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas que mordiam nas pessoas e morreu muita gente de Israel. 7O povo dirigiu-se a Moisés, dizendo: «Pecámos, ao falar contra o Senhor e contra ti. Intercede junto do Senhor, para que afaste de nós as serpentes». E Moisés intercedeu pelo povo. 8Então o Senhor disse a Moisés: «Faz uma serpente de bronze e coloca-a sobre um poste. Todo aquele que for mordido e olhar para ela ficará curado». 9Moisés fez uma serpente de bronze e fixou-a num poste. Quando alguém, era mordido por uma serpente, olhava para a serpente de bronze e ficava curado.

 

O contexto deste relato é o da longa viagem desde a longa estância no oásis de Cadés até Moab, em que o povo se cansa com os rodeios para evitar enfrentar Edom (cf. v. 4), revolta-se e protesta contra Moisés. O que aqui se relata pode muito bem ser referido a um lugar de Arabá, a actual Timná, onde se encontrou uma serpente de bronze num antigo santuário egípcio. Às serpentes era atribuído um poder mágico

5 «Este alimento miserável». Referência bem realista ao maná, cuja idealização posterior o considera, pelo contrário, «pão dos fortes» e «pão dos anjos», pão com todas as delícias e com todos os sabores ao gosto de cada pessoa (cf. Sab 16, 20-21; Salm 78, 23-25).

6 «Serpentes venenosas», à letra, de fogo, um hebraísmo para dizer serpentes abrasadoras, cuja natureza se ignora. Há mesmo quem pense em pequenos parasitas, as filárias, que perfuram a pele, invadem e obstruem os canais linfáticos, causando a morte por filariose.

8 «Faz uma serpente de bronze…» O relato bíblico poderia fazer pensar, à primeira vista, num recurso à magia, rejeitada em toda a Sagrada Escritura, pois aqui a cura até parece pertencer à classe da homeopatia mágica: uma imagem do causador do mal teria o poder de o esconjurar! Talvez por isso o livro da Sabedoria tem o cuidado de atribuir a cura à misericórdia de Deus: «não em virtude do que via, mas graças a Ti, o Salvador de todos» (cf. Sab 16, 5-14). Também entre os gregos a serpente era o animal emblemático de Esculápio e conserva-se como símbolo das nossas farmácias. Como se pode ver no Evangelho de hoje (Jo 3, 14-15), este relato encerra um sentido típico visado por Deus: o poste é figura da Cruz, a serpente de bronze é figura de Cristo Salvador, que salva da morte eterna todos os homens feridos pela mordedura mortal do pecado, desde que, arrependidos, olhem para Jesus com fé.

 

Salmo Responsorial    Sl 77 (78), 1-2.34-35.36-37.38 (R. cf. 7c)

 

Monição: O Espírito Santo convida-nos a guardar na memória estas lições que o Senhor nos dá ao longo da história da Salvação.

É porque nos ama infinitamente que Ele nos corrige, quando trilhamos os falsos caminhos da felicidade.

 

 

Refrão:     Não esqueçais as obras do Senhor.

 

Escuta, meu povo, a minha instrução,

presta ouvidos às palavras da minha boca.

Vou falar em forma de provérbio,

vou revelar os mistérios dos tempos antigos.

 

Quando Deus castigava os antigos, eles O procuravam,

tornavam a voltar-se para Ele

e recordavam-se de que Deus era o seu protector,

o Altíssimo o seu redentor.

 

Eles, porém, enganavam-n’O com a boca

e mentiam-Lhe com a língua,

o seu coração não era sincero,

nem eram fiéis à sua aliança.

 

Mas Deus, compadecido, perdoava o pecado

e não os exterminava.

Muitas vezes reprimia a sua cólera

e não executava toda a sua ira.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na Carta aos fiéis da igreja de Filipos, S. Paulo transcreve, possivelmente, um hino que se cantava nas comunidades cristãs do seu tempo.

Adoremos Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, que Se humilhou e entregou à Cruz por nosso Amor.

 

Filipenses 2, 6-11

6Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, 7mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, 8humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. 9Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, 10para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, 11e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

 

A leitura constitui um admirável hino à humilhação e exaltação de Cristo, que muitos exegetas pensam ser anterior ao este escrito paulino e a mais antiga confissão de fé explícita na divindade de Cristo que consta dos escritos do Novo Testamento.

6 «De condição divina». Literalmente: «existindo em forma de Deus». Ora esta forma (morfê) de Deus, ainda que não significasse directamente a natureza divina, pelo menos indicaria a glória e a majestade, atributos especificamente divinos na linguagem bíblica. De qualquer modo, como bem observa Heinrich Schlier, a expressão em forma de Deus não quer dizer que Deus tenha uma forma como a têm os homens, mas significa que Jesus «tinha um ser como Deus, um ser divino».

«Não se valeu da sua igualdade com Deus». O texto original foi simplificado no texto litúrgico, pois há diversas possibilidades de tradução desta rica expressão: a) «Não considerou como um roubo o ser igual a Deus»; b) «Não considerou como algo a roubar (=algo cobiçado) o ser igual a Deus». No primeiro caso, considera-se o termo grego harpagmós em sentido activo (roubo); no segundo, em sentido passivo (coisa cobiçada). A Vulgata, seguida pela Nova Vulgata, traduz: «não considerou uma usurpação (rapinam) o ser igual a Deus» (sentido activo); a interpretação dos Padres Gregos, a que se ateve a nossa tradução litúrgica, considera o termo grego com sentido passivo: «não considerou como algo cobiçado (harpagmón). Há quem pense que S. Paulo quer fazer ressaltar o contraste entre a atitude soberba dos primeiros pais que, sendo homens, quiseram vir a ser iguais a Deus (cf. Gn 3, 5.22) e a atitude humilde de Jesus que, sendo Deus, se quis fazer «semelhante aos homens» (v. 7).

7 «Mas aniquilou-se a si próprio», à letra, esvaziou-se: Jesus Cristo, ao fazer-se homem, não se despojou da natureza divina, mas sim da glória ou manifestação sensível da majestade que Lhe competia em virtude da chamada união hipostática (na pessoa do Filho eterno de Deus, a natureza humana e a natureza divina unidas numa união misteriosa). «Assumindo a condição de servo», o que não significa a condição social de escravo, mas a «forma» (morfê) de se conduzir própria de um ser pobre e dependente, cumprindo a figura do «servo de Yahwéh», a que se refere a primeira leitura de hoje; «tornou-se semelhante aos homens, aparecendo como homem», não apenas, como queria a heresia doceta, nas aparências (skhêmati), mas no sentido em que o homem é «semelhante» (en homoiômati) dos outros homens, em tudo igual excepto no pecado (cf. Hebr 4, 15).

8 «Humilhou-se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz». Note-se como é posta em relevo esta obediência e aniquilamento – a kénosis – de Cristo, num sublime crescendo de humilhação em humilhação: feito homem, assume a condição de escravo, Ele obedece, e com uma obediência que vai até à morte, e não uma morte qualquer, mas a dum malfeitor, a morte de cruz – homem, escravo, malfeitor!

9-10 Mas este aniquilamento – o tremendo escândalo da Cruz – não foi uma derrota, o desfecho duma história trágica com que tudo acabou. Estamos perante o sublime paradoxo da sua «exaltação»: foi «por isso» mesmo que «Deus» (não Ele próprio, mas o Pai, ho Theós com artigo) «O exaltou» de modo singularíssimo (à letra, acima de tudo o que existe, tendo na devida conta a preposição hypér na composição do verbo grego, corresponde a: Deus soberanamente O exaltou), o que se deu na glorificação da humanidade de Jesus com a sua Ressurreição e Ascensão. A esta exaltação corresponde o «nome» que Lhe é dado por Deus, o mesmo nome com que passa a ser invocado pela multidão de todos os crentes de todos os tempos; já não se trata simplesmente do nome usado na sua vida terrena e que consta da sentença que o condenou à morte de cruz, Jesus, mas trata-se do mesmo nome com que o próprio Deus é designado para traduzir o nome divino «Yahwéh» – «Senhor».

11 A todos pertence proclamar e reconhecer a divindade de Jesus – «toda a língua proclame que Jesus Cristo é Senhor» (mais expressivo Senhor sem artigo, como no original grego) e o seu domínio sobre toda a criação – «no céu, na terra e nos abismos, para glória de Deus Pai» (A tradução da velha Vulgata neste ponto era pouco expressiva e deficiente, ao traduzir: «proclame que o Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Pai»).

Independentemente da discussão acerca do aniquilamento de que aqui se fala, se ele visa ou não directamente o mistério da Incarnação, fica bem claro que Jesus não é um simples servo do Senhor que vem a ser exaltado por Deus, pois Ele é Deus que se abaixa e depois vem a ser exaltado. Também fica patente que a fé na divindade de Jesus não é o fruto duma elaboração teológica tardia, pois a epístola é, quando muito, do ano 62, se não é mesmo de cerca de 56 (como hoje pensa a generalidade dos estudiosos), e, como dissemos, estes versículos já fariam parte dum hino litúrgico a Cristo, anterior à epístola.

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Com imensa gratidão, aclamemos o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo que proclama as maravilhas do Seu Amor para connosco.

Brilhe em nosso coração o desejo de sermos mais generosos para com Ele, a partir de agora.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação-2, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo,

que pela vossa santa cruz remistes o mundo.

 

 

Evangelho

 

São João 3, 13-17

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 13«Ninguém subiu ao Céu senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do homem. 14Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, 15para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. 16Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. 17Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».

 

O texto é tirado do «discurso» de Jesus a Nicodemos. Não é fácil distinguir nos discursos de Jesus em S. João, quando é que o evangelista apresenta as próprias palavras de Jesus de quando apresenta a sua reflexão divinamente inspirada sobre elas. Aqui costuma-se considerar a meditação do evangelista a partir do v. 13, meditação que, do v. 16 ao 21, é o chamado kérigma joanino.

13 «Filho do Homem» tem em S. João um sentido glorioso, indicando a origem divina de Jesus, o Filho de Deus pré-existente enviado ao mundo para salvar os homens e que «subiu ao Céu», uma realidade que pertence às coisas do Céu (v. 12); nos Sinópticos conserva mais o sentido da literatura apocalíptica (cf. Dn 7, 13; 4 Esd; Henoc Etiópico), indicando o Messias, o salvador do povo que virá no fim dos tempos e também o Messias-sofredor. Mas expressão na Filho do homem nem sempre fica bem claro o título cristológico, pois por vezes poderia não passar de um mero asteísmo, uma figura de linguagem (asteísmo) para Jesus se referir discretamente à sua pessoa: este homem = eu. J. Ratzinger/Bento XVI encara com grande profundidade esta afirmação de Jesus acerca de si mesmo (Jesus de Nazaré, cap. X)

14 «Elevado», na Cruz, entenda-se. Mas S. João joga com os dois sentidos da elevação: na Cruz e na glória. E isto não é um simples artifício literário, mas encerra um mistério profundo, pois é na Paixão que se manifesta todo o amor de Jesus (cf. Jo 13, 1), todo o seu poder divino salvífico de dar o Espírito e a vida eterna (cf. 7, 38; 12, 23-24; 17, 1.2.19), numa palavra, a sua glória, que culmina na Ressurreição (cf. 12, 16). Para a alusão à serpente de bronze, ver Nm 21, 4-9 (1ª leitura de hoje); Sab 16, 5-15 e o Targum que fala mesmo dum lugar elevado onde Moisés a colocou.

16 «Deus... entregou o seu Filho Unigénito». Parece haver aqui uma alusão ao sacrifício de Isaac (cf. Gn 22, 1-12), que os Padres consideravam uma figura de Cristo, até por aquele pormenor de Isaac subir o monte Moriá com a lenha às costas, como Jesus subindo o monte Calvário carregando a Cruz.

17 «Não… para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo». Jesus contraria as ideias judaicas da época, que imaginavam o Messias como um juiz que antes de mais vinha para julgar e condenar todos os que ficavam fora do Reino de Deus, ou se lhe opunham.

 

Sugestões para a homilia

 

• Na Cruz, a nossa Salvação

• O Amor à Santa Cruz

 

1. Na Cruz, a nossa Salvação

 

O Livro dos Números – assim chamado, porque se inicia com um recenseamento do Povo de Deus – refere-nos que na longa peregrinação do deserto para a Terra da Promissão, os Israelitas entregaram-se à murmuração contra Deus e contra Moisés.

As nossas revoltas. O que aconteceu no deserto com os hebreus repete-se na nossa vida. «Porque nos fizestes sair do Egipto, para morrermos neste deserto? Aqui não há pão nem água e já nos causa fastio este alimento miserável».

Esta atitude manifestava ingratidão pelo amparo constante que o Senhor lhes dava e falta de confiança na Sua Bondade infinita e Omnipotência.  Mais do que uma vez, na verdade, Deus tinha-Se manifestado resolvendo os problemas do Seu Povo.

Nós também somos assim. Esquecemos facilmente os muitos benefícios que todos os dias recebemos para nos queixarmos amargamente de Deus por qualquer contrariedade, mesmo pequena,

Somos como as crianças rabugentas e irreverentes que batem o pé à menor contrariedade. Dizemos ou pensamos: “Eu não merecia isto de Deus!” “Ele é injusto, porque ajuda os que são maus e a mim, que sou bom, não o faz.”

Deus, um Pai que nos corrige. Mais como pedagogia, para que tomassem consciência do seu erro, do que propriamente como castigo, o Senhor permitiu que aparecessem no acampamento serpentes mortalmente venenosas que começaram a afligir as pessoas com as suas picadas fatais.

«Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas que mordiam nas pessoas e morreu muita gente de Israel

A murmuração contra Deus e contra os Seus legítimos Pastores pode chegar a falta grave, matar a vida da graça da nossa alma.

Este duro sinal que o Senhor permitiu se abatesse sobre o Seu Povo levou-o imediatamente à mudança e vida.

Somos também generosos em converter-nos, quando recebemos os avisos amigos de Deus, para que mudemos o modo de pensar e a conduta?

A cruz, sinal e meio de perdão. O Senhor ordenou a Moisés que elevasse num poste, de modo que todos a pudessem ver, uma serpente de bronze. Quem, depois de picado pela serpente, a olhasse, como que a implorar a misericórdia de Deus, ficaria imediatamente curado.

Esta é uma das poucas passagens do Antigo Testamento que Jesus explica, com uma interpretação autêntica.

Para nós, a lição é linear: pecamos – somos picados mortalmente pela serpente maligna – por adoração do prazer ou medo ao sacrifício, ou seja, medo à cruz.

É olhando, arrependidos, a Cruz da redenção, no Sacramento da Penitência, que recuperamos a vida da graça.

Assim como olhar a serpente era, para os israelitas, sinal de arrependimento e conversão, de modo semelhante, receber este Sacramento é sinal de que queremos mudar de vida.

Mas a Cruz é, para nós, também um livro aberto, onde aprendemos o caminho do verdadeiro Amor. Ninguém tem maior amor ao seu irmão do que aquele que dá a vida por ele. Cristo deu o exemplo no Calvário.

No salmo responsorial recomendamos a nós mesmos uma coisa importante: Não esqueçais as obras do Senhor.

 

2. O Amor à Santa Cruz

 

Nicodemos procurou Jesus de noite, para poder conversar com Ele à vontade, sem que as multidões o interrompessem e, ao mesmo tempo, não atraísse os olhares invejosos dos seus correligionários.

O Espírito Santo guardou para nós os temas desta conversa, porque são uma lição preciosa para todos os tempos.

Cristo glorificado na Cruz. Por várias vezes no Evangelho, Jesus refere-Se à Sua Paixão e Morte como o momento em que o Pai O irá glorificar.

É uma visão desconcertante para nós, porque temos horror à Cruz, mesmo quando ela é pequena. A primeira graça que havemos de pedir neste dia é que percamos o horror à cruz, ou seja, a tudo o que nos exige um sacrifício, mesmo quando for pequeno.

Começamos esta batalha logo ao levantar da cama, arranjando mil desculpas para retardarmos um pouco mais esse momento. E o cortejo vai continuar pelo dia fora, cedendo facilmente á tentação do menor esforço.

Esta cobardia vai, depois, estender-se a pontos importantes da vida: na aceitação dos filhos, no matrimónio; na fidelidade conjugal, quando ela exige um pouco de heroísmo; na vida pessoal quando é preciso desprendermo-nos, para sermos fiéis...

São as pequenas batalhas que o Senhor nos propõe em cada dia e que, perdidas, nos deixam impreparados para as grandes batalhas que talvez um dia tenhamos de enfrentar. Pelo menos, para já, perdemos uma batalha de cada vez.

A Cruz, sinal de salvação. Jesus quis ser exaltado na Cruz para que, olhando-a com amor, sejamos curados.

Devemos trazer connosco o crucifixo, para o beijarmos e apertá-lo na mão ou contra o coração nos momentos que nos parecerem mais difíceis.

E quando a cruz da doença, das contradições, ou outra, bater à nossa porta, não nos deixemos levar pela primeira emoção, mas recolhamo-nos diante de Deus, para, com a Sua ajuda, descobrirmos o seu valor e oportunidade.

Nós andamos á procura da cruz, porque Deus não quer que o façamos. Mas quando nos encontrarmos na alternativa de abraçar a cruz ou afastarmo-nos de Deus pelo pecado, saibamos eleger Deus na nossa vida.

 • Confiança no Amor de Deus. Quando a vida nos apresenta contradições, ou em momentos especiais, podemos ser tentados a duvidar do amor de Deus para connosco. Partimos da nossa experiência de nos cansarmos de amar, quando não somos correspondidos, e julgamos que o nosso Deus procede como nós.

Ele nunca desiste de nos amar, até ao último momento da nossa vida, seja qual for o nosso comportamento. Esta é uma certeza que nos conforta e anima.

 «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna

O nosso Deus não brinca ao amor. Depois de ter percorrido a distância infinita entre o Céu e a terra, para Se tornar um de nós, deixou-Se imolar para nos salvar da morte eterna

Deus quer salvar-nos! Durante a vida inteira, Deus persegue-nos com o Seu Amor, porque sabe que longe d’Ele não somos felizes, e deseja partilhar connosco a Sua felicidade eterna no Céu.

«Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele

A meditação sobre a cruz há-de levar-nos a uma confiança ilimitada no amor de Deus para connosco.

A primeira pessoa a olhar a Cruz com amor, foi Nossa Senhora, no Calvário. Em vez de a olhar como instrumento maldito, viu nela o sinal do Amor de Deus para connosco e instrumento de salvação eterna.

Que Ela nos ensine e ajude a olhar com amor as nossas pequenas cruzes de cada dia.

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos, na comunhão da mesma fé:

Oremos ao nosso Deus e nosso Redentor,

que nos remiu pela sua santa Cruz,

e peçamos (cantando), confiadamente:

 

    Pela vossa santa Cruz, salvai-nos, Senhor.

 

1. Pela santa Igreja, nascida da árvore da Cruz, em Sexta Feira Santa,

para que siga fielmente a Jesus Cristo e seja revestida da Sua glória,

oremos, irmãos.

 

    Pela vossa santa Cruz, salvai-nos, Senhor.

 

2. Pelo Santo Padre, pelos Bispos, Presbíteros, Diáconos e demais fiéis,

    para que testemunhem a sabedoria do Espírito, que brotou da Cruz,

    oremos, irmãos.

 

    Pela vossa santa Cruz, salvai-nos, Senhor.

 

3. Pelos cristãos que sofrem no corpo ou na alma, ou são perseguidos,

    para que sintam a presença consoladora de Cristo, que ilumina a dor,

    oremos, irmãos.

 

    Pela vossa santa Cruz, salvai-nos, Senhor.

 

4. Pelos que se preparam para receber o Batismo, ou procuram a luz,

    para que ponham a sua alegria em proclamar que Jesus é o Senhor,

    oremos, irmãos.

 

    Pela vossa santa Cruz, salvai-nos, Senhor.

 

5. Pelos que são perseguidos por causa da sua fé e sofrem injustiças,

    para que na Cruz de Cristo encontrem a vitória do perdão e amor,

    oremos, irmãos.

 

    Pela vossa santa Cruz, salvai-nos, Senhor

 

6. Por esta nossa comunidade paroquial, aqui a celebrar a Eucaristia,

    para que perca o medo ao sacrifício e seja fiel aos planos de Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Pela vossa santa Cruz, salvai-nos, Senhor.

 

7. Pelos nossos parentes e amigos que ainda estão a ser purificados,

    para que o Senhor misericordioso os acolha no Reino do Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Pela vossa santa Cruz, salvai-nos, Senhor.

 

Pai de misericórdia,

que exaltastes o vosso Filho na sua ressurreição,

derramai sobre nós a força do Espírito,

para que possamos levar todos os dias

o peso e a glória da santa Cruz.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Na árvore da Cruz encontramos a lição mais sublime do amor de Deus para connosco, proclamada na Sua Palavra.

O mesmo Jesus, imolado por nós na tarde de Sexta feira Santa, vai agora transubstanciar o pão e o vinho no Seu Corpo e Sangue, para nos alimentar.

 

Cântico do ofertório: Na hóstia sobre a patena, B. Salgado, NRMS 6(II)

 

Oração sobre as oblatas: Purificai-nos de todas as culpas, Senhor, pela oblação deste sacrifício, que no altar da cruz tirou o pecado do mundo. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

O triunfo glorioso da Cruz

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte: Na árvore da cruz estabelecestes a salvação da humanidade, para que donde viera a morte daí ressurgisse a vida e aquele que vencera na árvore do paraíso fosse vencido na árvore da cruz, por Cristo nosso Senhor. Por Ele, numa só voz, os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes proclamam com júbilo a vossa glória. Permiti que nos associemos às suas vozes, cantando humildemente o vosso louvor:

 

Pode dizer-se o prefácio da Paixão do Senhor I: p. 467 [600-712]

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

Da cruz de Jesus Cristo nos vem a verdadeira paz que só Ele nos pode dar.

Façamos o propósito de abraçarmos esta cruz, fazendo a vontade de Deus em cada dia.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Depois de nos ter dado a maior prova de amor, deixando-Se imolar por nós, para nos salvar, Ainda não contente com esta magnanimidade, dá-Se-nos agora em Alimento sobrenatural, sob as aparências do pão e do vinho.

Adoremos Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, presente na Santíssima Eucaristia e recebamo-l’O com muita reverência e amor.

 

Cântico da Comunhão: Se não comerdes a minha carne, F. da Silva, NRMS 48

Jo 12, 32

Antífona da comunhão: Quando Eu for levantado da terra, atrairei tudo a Mim, diz o Senhor.

 

Oração depois da comunhão: Senhor Jesus Cristo, que nos alimentais nesta mesa sagrada, fazei que o vosso povo, resgatado pela cruz redentora, seja conduzido à glória da ressurreição. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Andemos mais atentos, para não fugirmos cobardemente das pequenas cruzes de cada dia, mas para as enfrentarmos com generosidade.

 

Cântico final: Salvé ó Cruz, M. Faria, 20 cânticos para a missa

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:               Duarte Nuno Rocha

 


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