21º Domingo Comum

25 de Agosto de 2019

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Adorai o Senhor no seu templo, M. Carneiro, NRMS 98

Sl 85, 1-3

Antífona de entrada: Inclinai o vosso ouvido e atendei-me, Senhor, salvai o vosso servo, que em vós confia. Tende compaixão de mim, Senhor, que a Vós clamo dia inteiro.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum, na primeira leitura e no Evangelho, propõe-nos o tema da salvação. Deus vai reunir todas as nações para lhes oferecer a glória da salvação. Acompanhemos Jesus no seu caminho para Jerusalém, onde vai consumar a salvação universal e definitiva.

 

Oração colecta: Senhor Deus, que unis os corações dos fiéis num único desejo, fazei que o vosso povo ame o que mandais e espere o que prometeis, para que, no meio da instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontra as verdadeiras alegrias. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: «De todas as nações hão-de reconduzir os vossos irmãos até ao meu santo monte.»

(Is 66, 18-21)

O profeta Isaías ensina que o desígnio de Deus é que todos os homens de “todas as nações” e de “todas as línguas”, contemplem a sua glória.

 

Isaías 66, 18-21

 

Eis o que diz o Senhor: 18«Eu virei reunir todas as nações e todas as línguas, para que venham contemplar a minha glória. 19Eu lhes darei um sinal e de entre eles enviarei sobreviventes às nações: a Társis, a Fut, a Lud, a Mosoc, a Rós, a Tubal e a Javã, às ilhas remotas que não ouviram falar de Mim nem contemplaram ainda a minha glória, para que anunciem a minha glória entre as nações. 20De todas as nações, como oferenda ao Senhor, eles hão-de reconduzir todos os vossos irmãos, em cavalos, em carros, em liteiras, em mulas e em dromedários, até ao meu santo monte, em Jerusalém – diz o Senhor – como os filhos de Israel trazem a sua oblação em vaso puro ao templo do Senhor. 21Também escolherei alguns deles para sacerdotes e levitas».

 

A leitura é tirada da parte final do último capítulo de Isaías. Aqui se anuncia a conversão dos gentios e a universalidade da salvação, uma perspectiva que sem dúvida ultrapassa o tempo em que o escrito inspirado recebeu a sua forma definitiva.

19 «Tarsis». Provavelmente é a colónia fenícia de Tartesus no Sul de Espanha, perto da foz do rio Guadalquivir. Aqui representa o extremo Ocidente. Os restantes povos são do Norte de África, Ásia Menor e Grécia.

20 «Em Jerusalém». A profecia teve o seu pleno cumprimento na Nova Jerusalém que é a Igreja (cf. Gal 4, 25-26; Apoc 21, 2).

 

Salmo Responsorial    Sl 116 (117), 1.2 (R. Mc 16, 15)

 

Monição: Sabemos que o Senhor nos ama. Se a porta da salvação é estreita, a entrada está ao alcance de todos. Escutávamos na Primeira Leitura: “Eu virei reunir todas as nações e todas as línguas, para que venham contemplar a minha glória.” A Igreja escolheu o Salmo 116, que apesar de ser o mais pequenino do saltério, simbolicamente é grande e convida todas as nações a louvar a bondade infinita de Deus Pai. “Louvai o Senhor todas as nações. O Seu amor por nós é firme. A sua fidelidade permanece para sempre.”

 

Refrão:     Ide por todo o mundo,

                anunciai a boa nova.

 

Louvai o Senhor, todas as nações,

aclamai-O, todos os povos.

 

É firme a sua misericórdia para connosco,

a fidelidade do Senhor permanece para sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: «O Senhor corrige aquele que ama.

Dirigi os vossos passos por caminhos direitos.» (Hebreus 12, 5-7.11-13)

A palavra que foi dirigida aos nossos antepassados, para os encorajar na provação, é sempre actual. Serve para nos ensinar a ver com olhos de fé as muitas tribulações por que temos de passar. Aceitemos a correcção que nos é feita pelo Senhor: “Eu repreendo e corrijo aquele que amo, sê zeloso e arrepende-te.” (Apoc 3,19)

 

Hebreus 12, 5-7.11-13

 

Irmãos: 5Já esquecestes a exortação que vos é dirigida, como a filhos que sois: «Meu filho, não desprezes a correcção do Senhor, nem desanimes quando 6Ele te repreende; porque o Senhor corrige aquele que ama e castiga aquele que reconhece como filho». 7É para vossa correcção que sofreis. Deus trata-vos como filhos. Qual é o filho a quem o pai não corrige? 11Nenhuma correcção, quando se recebe, é considerada como motivo de alegria, mas de tristeza. Mais tarde, porém, dá àqueles que assim foram exercitados um fruto de paz e de justiça. 12Por isso, levantai as vossas mãos fatigadas e os vossos joelhos vacilantes 13e dirigi os vossos passos por caminhos direitos, para que o coxo não se extravie, mas antes seja curado.

 

Continuamos com a leitura da Epístola dos Hebreus, um verdadeiro «sermão de exortação» como se chama em 13, 22; aqui temos em belo apelo à perseverança nas tribulações a que os destinatários estavam sujeitos.

5 «A exortação que vos é dirigida». Trata-se duma citação do Livro dos Provérbios (Prov 3, 11-12). Esta é uma passagem entre muitas que nos fez ver como as palavras da Sagrada Escritura se dirigem aos fiéis de todos os tempos e como, através duma aplicação delas a cada situação concreta, se faz a actualização do texto antigo fazendo-se assim uma verdadeira «leitura espiritual», lectio divina (cf. Dei Verbum, n.º 25).

12 «Mãos fatigadas... joelhos vacilantes». Talvez se trate duma imagem tirada do pugilato, com que S. Paulo já gostava de comparar a vida cristã (1 Cor 9, 26-27).

13 «Caminhos direitos» são os do cumprimento integral da vontade de Deus.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 14, 6

 

Monição: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor:

ninguém vai ao Pai senão por Mim.” João 14, 6

«Hão-de vir do Oriente e do Ocidente e sentar-se-ão à mesa no reino de Deus.» Lc 13, 29

 Todos somos chamados à salvação, acolhendo o desígnio de Deus. Entremos pela “porta estreita” para não ficarmos fora da sala do banquete do Reino do Céu.

 

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 1,F. Silva, NRMS 50-51

 

Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor:

ninguém vai ao Pai senão por Mim.

 

 

Evangelho

 

Lucas 13, 22-30

 

Naquele tempo, 22Jesus dirigia-Se para Jerusalém e ensinava nas cidades e aldeias por onde passava. 23Alguém Lhe perguntou: «Senhor, são poucos os que se salvam?» Ele respondeu: 24«Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir. 25Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta, vós ficareis fora e batereis à porta, dizendo: ‘Abre-nos, senhor’; mas ele responder-vos-á: ‘Não sei donde sois’. 26Então começareis a dizer: ‘Comemos e bebemos contigo e tu ensinaste nas nossas praças’. 27Mas ele responderá: ‘Repito que não sei donde sois. Afastai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade’. 28Aí haverá choro e ranger de dentes, quando virdes no reino de Deus Abraão, Isaac e Jacob e todos os Profetas, e vós a serdes postos fora. 29Hão-de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e sentar-se-ão à mesa no reino de Deus. 30Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos».

 

O trecho de S. Lucas que hoje temos começa por uma pergunta posta a Jesus: «São poucos os que se salvam?» (v. 23) Tratava-se duma questão teórica que se punha no judaísmo da época; havia duas tendências entre os rabinos: uns diziam que todos se salvariam, até o rude povo da terra (‘am ha’árets), desde que fizessem parte de Israel; outros, de tendência rigorista, asseguravam que a salvação seria privilégio de poucos: «o mundo futuro será consolação para poucos, tormento para muitos» (IV Esdras). Jesus deliberadamente não quer dirimir uma questão teórica, mas aproveita o ensejo para transmitir um ensino verdadeiramente útil e prático. Por um lado, declara o princípio da universalidade da salvação: «Hão-de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul» (v. 29). Por outro lado, visando talvez as teorias laxistas, esclarece que não é suficiente uma justificação de tipo comunitário ou sociológico - «comemos e bebemos contigo...» (v. 26) -, pois não basta o fazer parte do povo, é preciso lutar, levar uma vida exigente consigo mesmo - «esforçai-vos por entrar pela porta estreita» (v. 24) -, sem ter ilusões quanto às dificuldades que esperam aquele que quer salvar-se.

Estas palavras de Jesus constituem um apelo urgente á conversão (cf. Mt 7, 13-14), como lembra o Catecismo da Igreja Católica (nº 1036). Na pregação do Evangelho, a par do apelo para o amor infinitamente misericordiosos de Deus, sempre pronto a perdoar os pecados mais hediondos ao pecador arrependido, não se pode deixar de lembrar «as afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno, que são um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar da sua liberdade, tendo em vista o seu destino eterno» (ibid). «A doutrina da Igreja afirma a existência do Inferno e a sua eternidade» (ibid. nº 1035). Iludir ou falsear esta verdade de fé seria uma traição ao Evangelho, causando um prejuízo incalculável à causa da salvação das pessoas, encaminhando-as por uma vã presunção de salvação.

28 «Aí», – fora do Reino de Deus – «haverá choro», o pranto da máxima desdita, fruto dum remorso desesperado e inútil, «e ranger de dentes» próprio duma raiva cheia de ódio e inveja aos que entraram para o banquete do Reino dos Céus, quando lhes tinha sido acessível alcançar a mesma sorte dos Patriarcas e dos Profetas.

 

Sugestões para a homilia

 

Virão muitos do Oriente e do Ocidente

Porta estreita

Deus corrige aquele que ama

 

 Virão muitos do Oriente e do Ocidente

Os textos litúrgicos recordam-nos o chamamento universal de Deus à salvação e o esforço pessoal que temos de fazer para aceitar o desígnio divino.

Na primeira leitura, o profeta Isaías aponta-nos a universalidade da salvação que Deus oferece a todos os povos da terra. Os pagãos também são convidados para o serviço divino. Isaías, numa visão magnífica, contempla a chegada à cidade santa de Jerusalém, de homens provenientes de todos os povos, trazendo oferendas para Deus.

O Apóstolo São Paulo escreveu estas palavras ao seu discípulo Timóteo: “Exorto que se façam súplicas, orações, intercessões, e acções de graças por todos os homens, pois isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo. Ele deu-se a si mesmo em resgate por todos.”[1] Com base nesta passagem bíblica podemos concluir que “Deus quer que todos se salvem.” Entre os muitos caminhos para chegar à salvação, o mais seguro é o da fé cristã, porque Jesus é o Caminho que nos conduz ao Pai.[2] Jesus é “a salvação que Deus colocou ao alcance de todos os povos.” (Luc 2,30-31) Jesus é o “Único Mediador entre Deus e os homens.” Morreu por todos. Derramou o seu Sangue pela Redenção de toda a humanidade: “Bebei todos, porque este é o meu sangue, sangue da Aliança que vai ser derramado por todos, para remissão dos pecados.” (Mat 26, 27-28)

 Jesus enche-nos de esperança, ao dizer que “virão muitos do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul e sentar-se-ão à mesa do Reino.” (Luc 13,29) O banquete do Reino é para todos. Colocamos em Jesus toda a nossa confiança. Ele espera por nós na alegria do banquete eterno: “Vós estivestes sempre comigo nas minhas tribulações. E Eu preparo para vós um reino, como meu Pai o preparou para Mim: comereis e bebereis à minha mesa, no meu reino.”[3] Vamos semeando a esperança, desejando uma nova primavera da nossa Igreja santa, católica, apostólica. Na vida terrena já temos a grande alegria que nos vem da garantia da Palavra divina. Jesus afirmou: “Esta é a vontade de meu Pai, que não se perca nem um só daqueles que me deu. Porque a vontade de meu Pai é que todo o que olha para o Filho e acredita n’Ele tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.” (João 6, 39-40) E noutra passagem: “Deus amou tanto o mundo, que lhe deu o Seu Filho para que todo aquele que acredita não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3,16) Cheios de gratidão, rezamos com Igreja: “Pai Santo, nós Vos louvamos e damos graças por Jesus Cristo. N’Ele quisestes restaurar todas as coisas. Pelo Seu sangue derramado na cruz destes a paz a todo o universo e salvação eterna a todos os que Lhe obedecem.” (Prefácio Comum I)

“O cristão há-de mostrar-se sempre disposto a conviver com todos, a dar a todos a possibilidade de se aproximarem de Jesus. Há-de sacrificar-se gostosamente por todos sem distinção. Não pode separar-se dos outros, porque a sua vida deve “fazer-se tudo para todos, para salvar a todos.”[4]

 

Com o Santo Padre, o Papa Francisco, sonhamos com uma Igreja, que oferece uma grande esperança de renovação. “Igreja com as portas abertas”, Igreja sem medo, anunciando a Boa Nova, não só com palavras, mas sobretudo “com uma vida transfigurada pelo fogo do Espírito Santo.” 

O Santo Padre gostaria de nos ver cheios de coragem, cheios de alegria, evangelizando com ardor, “cheios de amor contagiante.” 

“A dinâmica de justiça e de ternura, de contemplação e de caminho para os outros faz da Virgem Maria um modelo eclesial para a evangelização. Pedimos-lhe que nos ajude, com a sua oração materna, para que a Igreja se torne uma casa para muitos, uma mãe para todos os povos e torne possível o nascimento de um mundo novo.”[5]

O destino universal da salvação também foi posto em evidência pelo Concílio Vaticano II. O chamamento universal não admite exclusão de povos nem de línguas, nem de épocas, nem de categorias sociais: «Aos que se voltam com fé para Cristo, autor da salvação e princípio de unidade e de paz, Deus chamou-os e constituiu-os em Igreja, a fim de que ela seja para todos e cada um, o sacramento visível de salvação.” (LG 9).

 

Porta estreita

 “Senhor, são poucos os que salvam?” (Luc 13,22)

Jesus não responde directamente, como que a dizer-nos que não nos compete saber a resposta. Se toda a humanidade se salvasse, nós poderíamos cair no “quietismo” ou na ociosidade, descansando na certeza de que já estamos salvos. Se são poucos os que se salvam, poderíamos desanimar. Para que fazer tanto esforço, se a salvação é para um pequeno número de pessoas? É verdade que Jesus nos convida a entrar pela “porta estreita,” e diz que “muitos tentarão entrar, sem conseguirem,” mas ensina-nos que todos podemos alcançar a salvação e diz-nos como devemos fazer: “Esforçai-vos por entrar pela porta estreita.”[6] Ficamos a saber que não se entra automaticamente e com facilidade. O esforço supõe da nossa parte colaboração, humildade e confiança na misericórdia divina. São Paulo recorda aos Efésios que a salvação não se conquista pelos nossos méritos: “É pela graça que somos salvos, por meio da fé. A salvação não vem de nós, é dom de Deus. Não se deve às obras, ninguém se pode gloriar.” (Ef 2,8-9) O cristão não conhece a palavra desânimo, porque Jesus confidencia-nos: “Digo-vos estas coisas para que em mim tenhais a paz. No mundo tereis tribulações, mas tende bom ânimo. Eu já venci o mundo.” Devemos “levantar o pé”, desejando seguir Jesus, que nos garante: “Em verdade vos digo, Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo.” (Jo 10,9) Devemos fazer o que está ao nosso alcance, sem inquietação, sem angústia, como se tudo dependesse de nós. Depois, devemos confiar plenamente em Deus porque sabemos que “tudo é graça.”

 

O Senhor corrige aquele que ama (Heb 12,5)

O Evangelho de hoje faz-nos pensar que não há lugares reservados no Céu para gente privilegiada. Não basta sermos baptizados, ir à Missa e dizer: “Senhor, comemos e bebemos contigo e Tu ensinaste nas nossas praças.” Jesus responderá: “Não vos conheço. Afastai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade.”[7] É um bom sinal pertencermos a um movimento ou a uma comunidade religiosa, mas isso não garante uma salvação automática. Temos de ser coerentes. Não queremos “praticar a iniquidade.” A nossa fé em Deus manifesta-se no Amor ao próximo. É pela prática da justiça que se vêem os frutos da caridade fraterna, e só “quem perseverar até ao fim será salvo.” (Mat 24,13)

“Assim como um homem corrige o seu filho, assim te corrige o Senhor teu Deus.”

Guardarás os mandamentos do Senhor teu Deus e andarás com temor em seus caminhos. (Deut 8, 5-6)

A Bíblia é o livro da pedagogia de Deus e pode ser comparada ao amor de um pai para com os seus filhos. “Qual é filho a quem o Pai não corrige?” (Heb 12,7) Sabemos que a correcção é para nosso bem, uma vez que é feita por um pai que nos ama. Jesus fez-nos esta confidência no Evangelho de São João: “Filhinhos, o próprio Pai vos ama.” (Jo 16,27) Por isso, embora nos custe, pois nenhuma correcção, quando se recebe, é considerada como motivo de alegria, mas de tristeza, aceitemos a correcção, porque, mais tarde, produziremos frutos de paz. Deus serve-se de muitos meios para despertar em nós o desejo profundo da salvação. Um desses meios é a penitência que conduz ao arrependimento e à conversão. Deus falou muitas vezes através dos profetas, convidando o pecador ao arrependimento: “Eu não quero a morte do pecador, mas quero que se converta e viva.” (Ez 18,23) Aceitemos o convite do autor da Carta aos Hebreus: “Meu filho não desprezes a correcção do Senhor, porque o Senhor corrige aquele que ama.” A voz de Deus que nos convida ao arrependimento e à penitência continua a fazer-se ouvir através da pregação da Igreja de todos os tempos: “Arrependei-vos e acreditai no Evangelho.” (Marcos 1,15)

 “Sob todos os pontos de vista, a mortificação é de uma importância extraordinária. Por razões humanas, pois quem não sabe dominar-se a si mesmo jamais influirá positivamente nos outros, e o ambiente o vencerá, sempre que afague os seus gostos pessoais: será um homem sem energia, incapaz de um esforço grande, quando for preciso. Por razões divinas: não te parece justo que, com estes pequenos actos de penitência, demonstremos o nosso amor Àquele que deu tudo por nós?”[8]

 

 

Fala o Santo Padre

 

«A salvação é porta estreita para restringir o nosso orgulho e o nosso medo,

mas sempre escancarada, porque Deus nos recebe sem distinções: não vos esqueçais disto!»

A página evangélica de hoje exorta-nos a meditar sobre o tema da salvação. O evangelista Lucas narra que Jesus está em viagem rumo a Jerusalém, e durante o percurso aproxima-se uma pessoa que lhe faz a seguinte pergunta: «Senhor, são poucos os homens que se salvam?» (Lc 13, 23). Jesus não dá uma resposta direta, mas desvia o debate para outro plano, com uma linguagem sugestiva, que no início os discípulos talvez não tenham entendido: «Procurai entrar pela porta estreita; porque, digo-vos, muitos procurarão entrar e não conseguirão» (v. 24). Mediante a imagem da porta, Ele quer levar os seus ouvintes a entender que não se trata de uma questão de número — quantos se salvarão — não importa saber quantos, mas é importante que todos saibam qual é o caminho que leva à salvação.

Este percurso prevê que atravessemos uma porta. Mas onde está a porta? Como é a porta? Quem é a porta? O próprio Jesus é a porta, como Ele mesmo diz no Evangelho de João: «Eu sou a porta» (Jo 10, 9). Ele guia-nos para a comunhão com o Pai, onde encontramos amor, compreensão e amparo. Mas podemos interrogar-nos por que motivo esta porta é estreita? Por que diz Ele que ela é estreita? Trata-se de uma porta estreita, não porque é opressiva, mas porque exige que limitemos e contenhamos o nosso orgulho e o nosso medo, para nos abrirmos a Ele com coração humilde e confiante, reconhecendo-nos pecadores, necessitados do seu perdão. Por isso é estreita: para conter o nosso orgulho, que nos incha. A porta da misericórdia de Deus é estreita, mas permanece sempre escancarada para todos! Deus não tem preferências, mas acolhe sempre todos, sem distinções. Uma porta estreita para restringir o nosso orgulho e o nosso medo, uma porta aberta de par em par, porque Deus nos recebe sem distinções. E a salvação que Ele nos concede é um fluxo incessante de misericórdia, que derruba qualquer barreira e abre surpreendentes perspetivas de luz e de paz. Porta estreita, mas sempre escancarada: não vos esqueçais disto!

Hoje Jesus dirige-nos, mais uma vez, um convite urgente a ir ao seu encontro, a passar pela porta da vida plena, reconciliada e feliz. Ele espera cada um de nós, independentemente de qualquer pecado que tenhamos cometido, para nos abraçar e para nos conceder o seu perdão. Só Ele pode transformar o nosso coração, somente Ele pode dar sentido pleno à nossa existência, oferecendo-nos a verdadeira alegria. Entrando pela porta de Jesus, pela porta da fé e do Evangelho, podemos sair das atitudes mundanas, dos maus hábitos, dos egoísmos e dos fechamentos. Quando existe o contato com o amor e a misericórdia de Deus, verifica-se a mudança autêntica. E a nossa vida é iluminada pela luz do Espírito Santo: uma luz inextinguível!

Gostaria de vos fazer uma proposta. Pensemos agora, em silêncio por um instante, naquilo que temos dentro de nós e que nos impede de atravessar a porta: o meu orgulho, a minha soberba, os meus pecados. E depois pensemos na outra porta, naquela porta aberta de par em par, da misericórdia de Deus, que do outro lado nos espera para nos conceder o perdão.

O Senhor oferece-nos muitas ocasiões para nos salvar e nos fazer passar pela porta da salvação. Esta porta é uma ocasião que não deve ser desperdiçada: não podemos proferir discursos académicos sobre a salvação, como aquela pessoa que se dirigiu a Jesus, mas devemos aproveitar as ocasiões de salvação. Porque num determinado momento «o Senhor entrará e fechará a porta» (v. 25), como nos recordou o Evangelho. Mas se Deus é bom e nos ama, por que razão numa certa altura fechará a porta? Porque a nossa vida não é um videojogo, nem uma telenovela; a nossa vida é séria, e o objetivo a alcançar é importante: a salvação eterna.

À Virgem Maria, Porta do Céu, peçamos que nos ajude a aproveitar as ocasiões que o Senhor nos oferece para passar pela porta da fé e assim entrar num caminho largo: é a vereda da salvação, capaz de acolher todos aqueles que se deixam envolver pelo amor. É o amor que nos salva, o amor que já na terra constitui a fonte de bem-aventuranças de quantos, na mansidão, na paciência e na justiça, se esquecem de si mesmos e se oferecem aos outros, especialmente aos mais frágeis.

    Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 21 de Agosto de 2016

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos por nós e por todos os homens,

pedindo ao Pai, que aqui nos reuniu,

a graça de escutarmos as palavras de Jesus,

e digamos humildemente:

 

R. Atendei, Senhor, a nossa prece.

Ou: Pela vossa misericórdia, ouvi-nos, Senhor.

 

1. Pela Igreja santa que vive na nossa Diocese,

para que nos chame a contemplar a glória de Deus

e esteja atenta aos sinais de vocação entre os mais jovens, oremos.

 

2. Pelos responsáveis dos estados e dos governos,

para que Deus lhes conceda o feliz exercício dos seus mandatos

e a força de assegurarem aos cidadãos o pão do corpo e do espírito, oremos.

 

3. Pelos fiéis de todas as confissões cristãs,

para que vivam a verdade da fé em suas obras

e não se fechem nas suas tradições, oremos.

 

4. Por aqueles que, nos quatro cantos da terra,

são considerados os últimos de todos,

para que sejam os primeiros a sentar-se à mesa no reino dos Céus, oremos.

 

5. Por nós aqui presentes, a quem Deus trata como filhos,

e pelos ausentes que estão em maior dor ou aflição,

para que todos respondamos ao apelo da palavra de Jesus, oremos.

 

Senhor, nosso Deus e nosso Pai, escutai a oração do vosso povo,

para que os nossos corações possam tornar-se

sinal d’Aquele que, na cruz, abriu a seus irmãos o caminho da Vida.

Ele que vive e reina por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: No meio da minha vida, F. da Silva, NRMS 1(II)

 

Oração sobre as oblatas: Senhor, que pelo único sacrifício da cruz, formastes para Vós um povo de adopção filial, concedei à vossa Igreja o dom da unidade e da paz. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

A comunhão une-nos Jesus, “o Pão vivo descido do Céu para dar a vida ao mundo”, ou seja, para dar a vida nova a toda a humanidade. Nesta comunhão podemos rezar com a Liturgia das Horas:

“Deus, nosso Pai, ajudai-nos a colaborar uns com os outros. Ajudai-nos a viver de tal modo que nos sintamos sempre vossos filhos e irmãos de todos os homens!” [9]

 

Cântico da Comunhão: Vinde comer do meu Pão, C. Silva, NRMS 98

Sl 103, 13-15

Antífona da comunhão: Encheis a terra, Senhor, com o fruto das vossas obras. Da terra fazeis brotar o pão e o vinho que alegra o coração do homem.

Ou:    Jo 6, 55

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, diz o Senhor, e Eu o ressuscitarei no último dia.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear, F. da Silva, NRMS 17

 

Oração depois da comunhão: Realizai em nós plenamente, Senhor, a acção redentora da vossa misericórdia e fazei-nos tão generosos e fortes que possamos ajudar-Vos em toda a nossa vida. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

“Jesus dirigindo-se a todos, disse:

Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo,

tome a sua cruz todos os dias e siga-Me.” Lucas 9,23

 

Oh se se acabasse já de entender que não se pode chegar à espessura e sabedoria das riquezas de Deus senão entrando na espessura do padecer de muitas maneiras, pondo nisso a alma a sua consolação e desejo! E como a alma, que deveras deseja a sabedoria divina, deseja primeiro padecer, para entrar nela, pela espessura da cruz! Por isso admoestava São Paulo aos Efésios, que não desfalecessem nas tribulações, que fossem bem fortes e arraigados na caridade, para que pudessem compreender com todos os santos, qual seja a largura e o comprimento e a altura e a profundidade, e conhecer também aquele amor de Cristo, que excede toda a ciência, para serem cheios de toda a plenitude de Deus. Porque para entrar nas riquezas desta sabedoria, a porta é a cruz, que é uma porta estreita, e desejar entrar por ela é de poucos; mas desejar os deleites a que se chega por ela, é de muitos.

(São João da Cruz, Cântico Espiritual, Estrofes 36-37)

 

Cântico final: Ide por todo o mundo, J. Santos, NRMS 59

 

 

Homilias Feriais

 

21ª SEMANA

 

2ª Feira, 26-VIII: Importância das disposições interiores.

1 Tes 1, 1.5. 8-10 / Mt 23, 13-22

Cegos! Então que vale mais, a oferenda ou o altar, que tornou sagrada a oferenda?

Os fariseus davam mais importância às práticas externas do que os tessalonicenses às interiores (EV). Atribuir só à materialidade das orações, ou sinais sacramentais, a respectiva eficácia, independentemente das disposições interiores, é cair na superstição (CIC, 2111)..

S. Paulo recorda a conversão dos tessalonicenses: que dos ídolos, vos convertestes a Deus (LT), e também a importância das obras e da acção do Espírito Santo: O Evangelho que nós pregámos não se apresenta somente com palavras, mas ainda com obras poderosas e a acção do Espírito Santo.

 

3ª Feira, 27-VIII: Os limpos do coração.

1 Tes 2, 1-8 / Mt 23, 23-26

Fariseu cego! Purifica primeiro o interior do copo e do prato, para o exterior ficar também limpo.

Os fariseus dedicavam mais atenção às aparências e descuidavam o mais importante: a limpeza do coração (EV).

É importante fazer uma limpeza de tudo o que não está de acordo como Evangelho: Não queremos anunciar o Evangelho para agradar aos homens, mas a Deus, que põe à prova os nossos corações (LT). Também não podemos descuidar a limpeza do coração, de modo a estarmos na graça de Deus, para nos aproximarmos dignamente da Comunhão sacramental: estais perto de mim, meu Deus, e estendeis sobre mim a vossa mão (SR).

 

4ª Feira, 28-VIII: O alimento da palavra de Deus.

1 Tes 2, 9-13 / Mt 23, 27-32

Depois de haverdes recebido a palavra de Deus quisestes aceitá-la, não como palavra humana, mas como palavra de Deus que realmente é.

A Igreja encontra continuamente o seu alimento e a sua força na Sagrada Escritura, porque não recebe uma palavra humana, mas a palavra de Deus (LT). Para termos muita força interior precisamos tomar esta alimento diariamente, pelo menos, durante alguns minutos.

Mas, além da leitura, precisamos assimilá-la bem, para depois a levarmos à prática. Assim nos iremos identificando cada dia mais com o pensamento e as obras de Jesus Cristo. Caso contrário, pode acontecer-nos o mesmo que aos fariseus: Por fora mostram-se vistosos, mas por dentro estão cheios de ossos dos mortos (EV).

 

5ª Feira, 29-VIII: Martírio de S. João Baptista

Jer 1, 17-19 / Mc 6, 17-29

Ela voltou logo a toda a pressa para junto do rei: Quero que me dês, sem demora, num prato, a cabeça de João Baptista.

João Baptista, precedendo Jesus, dá testemunho dEle pela sua pregação, pelo seu baptismo de conversão e, finalmente, pelo seu martírio (EV).

Na sua pregação nunca temeu ninguém, nem o poderoso Herodes. Assim o preparou Deus: Não temas diante daqueles a quem te envio (LT). Orientou a pregação para a conversão, como depois faria Jesus depois da sua primeira mensagem pública: Convertei-vos e acreditai no Evangelho. Ao recordarmos o seu martírio, peçamos fortaleza para os nossos 'martírios diários': doenças, limitações, contrariedades, cumprimento dos deveres, etc.

 

6ª Feira, 30-VIII: Caminhos e obstáculos para a santidade.

1 Tes 3, 7-13 / Mt 24, 42-51

É esta, com efeito, a vontade e Deus: que vos santifiqueis.

Para alcançarmos a vida eterna (LT), precisamos estar vigilantes como as virgens prudentes; as insensatas foram excluídas por se terem descuidado (EV).  O Senhor abomina o mal, ampara a vida dos seus fiéis (SR)

A vigilância opõe-se à negligência ou falta de solicitude devida, que procede de uma falta de vontade (S.Tomás).  A vigilância está ligada ao cuidado das coisas pequenas de cada dia (o azeite da parábola); à Cruz, que é o caminho seguido por Cristo e que abriu as portas do Céu; e aos sacrifícios que, por sua vez, nos ajudam a adquirir uma vontade mais forte.

 

Sábado, 31-VIII: O aproveitamento dos talentos.

1 Tes 4, 9-11 / Mt 25, 14-30

Muito bem, excelente e fiel servidor! Como foste fiel em pouca coisa, à testa de muita coisa te hei-de colocar.

O significado da parábola (EV) é bem claro: Deus entregou-nos muitos talentos, como a inteligência, a vontade, os sentimentos, os bens temporais, as graças sobrenaturais, etc. E espera que os saibamos aproveitar muito bem, especialmente o tempo de vida na terra.

Um dos talentos é a capacidade de amar: Sobre o amor fraterno não precisais que vos escreva, pois vós mesmos aprendestes de Deus a amar-vos uns aos outros (LT). Mas o Apóstolo pede que façamos um pouco mais: Mas nós vos exortamos, irmãos, a progredir mais (LT). Deus julgará depois a terra com justiça e os povos com rectidão (SR).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        José Roque

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               Duarte Nuno Rocha

 



[1] Conf. I Timóteo 2-6

[2] Jo 14,6

[3] Luc 22,28-30

[4] 1 Cor 9,22. S. Josemaria Escrivá de Balaguer, Cristo que passa 124

 

[5]  Papa Francisco, Evangellii Gaudium, cap V, n. 259.261.288

[6] Luc 13,24

[7] Luc 13, 26-27

[8] (S. Josemaria Escrivá de Balaguer, Sulco 980)

 

[9] Hora de Tércia, Segunda-feira da IV Semana.

 


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