14º Domingo Comum

7 de Julho de 2019

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Oh que alegria, M. Faria, NRMS 67

Salmo 47, 10-11

Antífona de entrada: Recordamos, Senhor, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Toda a terra proclama o louvor do vosso nome, porque sois justo e santo, Senhor nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Este encontro com Jesus na Eucaristia há-de levar-nos a reconhecer o tesouro maravilhoso que nos deixou na Sua Igreja e a saber comunicá-lo aos outros.

 

Examinemo-nos das nossas faltas e peçamos perdão.

 

Oração colecta: Deus de bondade infinita, que, pela humilhação do vosso Filho, levantastes o mundo decaído, dai aos vossos fiéis uma santa alegria, para que, livres da escravidão do pecado, possam chegar à felicidade eterna. Por Nosso Senhor ...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías anuncia a abundância de graças que Deus derramará sobre a nova Jerusalém, a Santa Igreja.

 

Isaías 66, 10-14c

10Alegrai-vos com Jerusalém, exultai com ela, todos vós que a amais. Com ela enchei-vos de júbilo, todos vós que participastes no seu luto. 11Assim podereis beber e saciar-vos com o leite das suas consolações, podereis deliciar-vos no seio da sua magnificência. 12Porque assim fala o Senhor: «Farei correr para Jerusalém a paz como um rio e a riqueza das nações como torrente transbordante. Os seus meninos de peito serão levados ao colo e acariciados sobre os joelhos. 13Como a mãe que anima o seu filho, também Eu vos confortarei: em Jerusalém sereis consolados. Quando o virdes, alegrar-se-á o vosso coração e, como a verdura, retomarão vigor os vossos membros. 14cA mão do Senhor manifestar-se-á aos seus servos.

 

O texto, faz parte dum discurso dotado de rara beleza poética, no final do livro de Isaías. Jerusalém, é apresentada como uma mãe que com seus peitos sacia de consolação e deleite os seus filhos que regressam do exílio (vv. 10-11).

12 “A paz como um rio” é uma figura da paz messiânica que Cristo trouxe à “nova Jerusalém” que é “nossa Mãe”, a Igreja (cf. Gal 4, 26-27), “o Israel de Deus” de que nos fala a 2.ª leitura de hoje (Gal 6, 16).

 

Salmo Responsorial    Sl 65 (66), 1-3a.4-7a.16.20 (R.1)

 

Monição: O salmo anima-nos a louvar a Deus pelas maravilhas que realizou na criação e pelos favores que nos concede a cada um de nós.

 

Refrão:     A terra inteira aclame o Senhor.

 

Aclamai a Deus, terra inteira,

cantai a glória do seu nome,

celebrai os seus louvores, dizei a Deus:

«Maravilhosas são as vossas obras».

 

A terra inteira Vos adore e celebre,

entoe hinos ao vosso nome.

Vinde contemplar as obras de Deus,

admirável na sua acção pelos homens.

 

Mudou o mar em terra firme,

atravessaram o rio a pé enxuto.

Alegremo-nos n’Ele:

domina eternamente com o seu poder.

 

Todos os que temeis a Deus, vinde e ouvi,

vou narrar-vos quanto Ele fez por mim.

Bendito seja Deus que não rejeitou a minha prece,

nem me retirou a sua misericórdia.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S.Paulo canta entusiasmado o seu amor à Cruz de Jesus, que é fonte de toda a graça e tem de estar metida em nossa vida.

 

Gálatas 6, 14-18

Irmãos: 14Longe de mim gloriar-me, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. 15Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão valem alguma coisa: o que tem valor é a nova criatura. 16Paz e misericórdia para quantos seguirem esta norma, bem como para o Israel de Deus. 17Doravante ninguém me importune, porque eu trago no meu corpo os estigmas de Jesus. 18Irmãos, a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com o vosso espírito. Amen.

 

Temos hoje o empolgante final da carta aos Gálatas.

14 “Longe de mim gloriar-me...” S. Paulo rebate os cristãos judaizantes que, por um “proselitismo” mal entendido, queriam impor a circuncisão a fim de “fazerem boa figura (v. 11) e acharem motivo de glória na carne assim marcada dos convertidos (v. 13). Mas o proselitismo do Apóstolo é totalmente outro: baseia-se no imperativo de Jesus (Mt 28, 19) e é algo que o faz “compelido pelo amor de Cristo” (2 Cor 5, 14) e não compelido pelo zelo da própria glória. Paulo gloria-se na Cruz de Cristo, não no êxito humano das suas correrias apostólicas, no que seria glória mundana, mas sim no valor redentor da Cruz, na dor e humilhação máximas que Jesus suportou e de que participa o autêntico apóstolo (cf. Gal 2, 19).

15 “O que tem valor é a nova criatura.” Pouco importa, diante desta realidade sobrenatural, uma questão tão ridícula como a de ser ou não ser circuncidado. Nova criatura é o cristão, “homem novo, criado em conformidade com Deus na justiça e na santidade verdadeiras” (Ef 4, 24; cf. Ef 2, 15; 2 Cor 5, 17; Rom 6, 3ss; Jo 1, 13; 3, 5; etc.), regenerado pelo Baptismo. Nesta argumentação contra os judaizantes, S. Paulo usa a mesma designação com que os rabinos da época designavam um convertido ao judaísmo após a circuncisão e o “baptismo dos prosélitos”: era então considerado “beriyá hadaxá”, isto é, nova criatura. Assim S. Paulo diz que o que interessa é ser nova criatura; e o cristão, de facto, torna-se isso mesmo num sentido radical e profundo, como se depreende de todo o seu ensino, pois é regenerado, santificado, torna-se filho de Deus, faz um só com Cristo que com a sua Morte e Ressurreição inaugura uma nova Humanidade, uma nova criação, em contraste com a criação inicial, a do velho Adão donde provém para todos o pecado e a morte.

17 “Ninguém me importune”, entenda-se, com discussões acerca da circuncisão ou da minha condição de apóstolo (cf. Gal 5, 11;1, 8-18), uma vez que eu trago no meu corpo outras marcas, os estigmas de Jesus. Os escravos costumavam então trazer, marcadas, com ferro em brasa (ferrete), umas marcas que indicavam o dono. Sem dúvida, que as marcas de Jesus que S. Paulo se gloria de trazer eram as próprias cicatrizes físicas dos seus padecimentos por Cristo, flagelações, apedrejamentos, etc., os “estigmas” da Paixão de Cristo, que autenticavam a sua pertença ao Senhor, o seu apostolado, a sua pregação.

 

Aclamação ao Evangelho        Col 3, 15a.16a

 

Monição: O Senhor envia os Seus discípulos a anunciar o Evangelho e anima-nos a rezar pelas vocações.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Reine em vossos corações a paz de Cristo,

habite em vós a sua palavra.

 

 

Evangelho

 

Forma longa: São Lucas 10, 1-12.17-20;                       forma breve: São Lucas 10, 1-9

1Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. 2E dizia-lhes: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara. 3Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho. 5Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’. 6E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco. 7Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. 8Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, 9curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’. 10[Mas quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: 11‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos pés sacudimos para vós. No entanto, ficai sabendo: Está perto o reino de Deus’. 12Eu vos digo: Haverá mais tolerância, naquele dia, para Sodoma do que para essa cidade». 17Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios nos obedeciam em teu nome». 18Jesus respondeu-lhes: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. 19Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpiões e dominar toda a força do inimigo; nada poderá causar-vos dano. 20Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus».]

 

 Apenas S. Lucas fala desta missão dos 72 (70 segundo alguns textos de menos valor). Neste discurso de Jesus aos 72 há grandes coincidências de forma e conteúdo com o discurso aos Doze em Mc 6, 6-13 e Mt 9, 5-23. Mas estas coincidências não parecem bastar para se pensar que se trata duma mesma missão e dum mesmo discurso. Na verdade, Lucas fala em 9, 1-6 de uma outra missão dos Doze, tomada de Mc 6, 6-13. Estes discípulos são “outros” como propõem autorizadas variantes do v. 1, isto é, discípulos diferentes dos Apóstolos (“outros” é uma variante textual importante recolhida na Neovulgata). As coincidências apontadas justificam-se pela semelhança do objectivo dos discursos de Jesus e pela própria tradição oral prévia que teria influído em ordem a uma transmissão semelhante, sem alterar a substância dos discursos. Este episódio contém, antes de mais, um grande ensinamento: é que, nem antes nem depois do Pentecostes, a evangelização foi um privilégio exclusivo dos Doze.

2 “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos”. Jesus fala à maneira de um grande proprietário agrícola que, ao contemplar as suas grandes searas, vê enorme abundância de trigo maduro em risco de se perder, caso não seja colhido, sentindo a máxima preocupação por encontrar braços para o ingente e urgentíssimo trabalho. Deus, para salvar os homens, quer precisar de outros homens. “Pedi ao Dono da sara...”. A urgência do trabalho não pode levar os discípulos a perderem o sentido da realidade sobrenatural que é uma “messe das almas”: embora eles sejam “ceifeiros”, não se podem limitar a ceifar sem parança, têm de achar tempo e modo de pedir ao Dono o envio de novos ceifeiros, já que é dele que depende o bom êxito de todo o trabalho.

3-4 “Para o meio de lobos. Não leveis…”. Dadas as dificuldades do trabalho apostólico e o seu vastíssimo alcance sobrenatural, o discípulo podia atemorizar-se ou deixar-se seduzir pela tentação de pôr a sua confiança nos recursos humanos. O Senhor quer dos seus grande desprendimento e audácia apostólica. “Nem vos demoreis a saudar …”. “Não se trata de evitar a urbanidade de saudar, mas de eliminar um possível obstáculo ao serviço (cf. 2 Re 4, 29)... Saudar é uma coisa boa, mas melhor é executar quanto antes uma ordem divina, que muitas vezes se tornaria frustrada por um atraso” (Sto. Ambrósio, Hom. 17).

7 “Ficai... não andeis de casa em casa”, isto é, aceitai a hospitalidade que vos oferecerem, sem qualquer reserva, e não andeis à procura da melhor casa, de quem vos dê mais vantagens pessoais.

11 “Até o pó... sacudimos para vós”. Segundo a indicação rabínica de então, todo o bom israelita que entrava na Palestina vindo do território pagão devia sacudir o pó das sandálias, a fim de não contaminar a Terra Santa. Este gesto indica que os judeus que não recebem a Jesus se equiparam aos pagãos.

18 “Eu via Satanás cair…”. Esta expressão não se refere ao pecado de Satanás que o precipita na condenação eterna, logo ao ser criado. Refere-se, sim, ao começo da sua derrocada que se consumará no fim dos tempos, mas que se vai realizando sempre que o Evangelho é pregado e aceite. Jesus utiliza uma imagem isaiana para significar a derrota de Satanás, com a perda do seu domínio sobre os homens (cf. Is 14, 12).

20 “Alegrai-vos antes...”. Os discípulos sentiam uma alegria apoiada em motivos pre­dominantemente humanos, como era o domínio sobre os demónios e o poder de realizarem milagres, mas o importante é fazerem a vontade de Deus (cf. Mt 7, 21-23); isto é o que conduz ao Céu, onde está a verdadeira felicidade, e eles são do número dos eleitos, isto é, têm os seus nomes inscritos nos Céus (cf. Ex 32, 32; Is 4, 3; Dan 12, 1; Mal 3, 16; Apc 20, 15).

 

Sugestões para a homilia

 

Podereis saciar-vos

Gloriar-me na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo

Designou o Senhor setenta e dois discípulos

 

 

1- Podereis saciar-vos

 

 Na primeira leitura o profeta Isaías anunciava a abundância de graças e consolações que Deus iria derramar na nova Jerusalém, a Santa Igreja.

Jesus deixou-a para nos comunicar a Sua graça. A salvação que nos ganhou com a Sua Paixão e Morte chega até nós ao longo dos tempos através da Sua Igreja. Ela é Cristo presente cá na terra, que nos distribui os tesouros que o Senhor lhe entregou. Alimenta-nos com a Sua doutrina que ilumina o nosso caminhar. No Baptismo revestiu-nos da vida divina, participação da natureza de Deus, que nos torna de verdade filhos de Deus e herdeiros do Céu. Podemos chamar a Deus Pai Nosso, Abbá, papá. Recebemos também graças abundantes para viver esta vida nova.

Na Eucaristia alimentamo-nos com um Pão que veio do Céu, o Corpo e Sangue de Jesus. Ele enche de delícias a nossa alma, transforma-nos em Cristo.

Na confissão encontramos remédio para as nossas feridas, força para vencer as tentações e os ataques de Satanás. Perdoa-nos os nossos pecados e guia-nos no caminho que leva ao Céu.

Através do sacramento da Ordem Jesus entregou aos Apóstolos esses poderes e a maneira de os transmitirem a outros pelos tempos fora.

Jesus deixou na Igreja a Sua autoridade em Pedro e nos outros Apóstolos para poderem apontar-nos o caminho que leva ao Céu.

Temos de abrir os olhos para reconhecer todas estas riquezas que pôs ao nosso alcance, saber aproveitar-nos delas e saboreá-las. Assim andaremos felizes já na terra, mesmo no meio das tribulações que acompanham o nosso caminhar.

 

 

2) Gloriar-me na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo

 

 A fonte de toda a graça é a Cruz de Jesus. Por ela nos salvou com o Seu sangue. Como S.Paulo temos de gloriar-nos na Cruz de Nosso Senhor. Havemos de olhar para ela com gratidão, meditar nas lições que nos dá. Temos de metê-la em nossa vida como S.Paulo. Havemos de perder o medo ao sacrifício, ao que nos custa, enfrentando com valentia as dificuldades no cumprimento do nosso dever, no serviço aos outros, sabendo dar ao Senhor o tempo melhor de cada dia na oração e esquecendo –nos de nós próprios. Assim estaremos unidos à cruz de Jesus, estaremos crucificados para nós mesmos e para o mundo, como S.Paulo. E encontraremos a alegria verdadeira, pois é perdendo a vida-disse Jesus- que se encontra a vida.

 

 

3-Designou o Senhor setenta e dois discípulos

 

 Jesus escolheu os Apóstolos para os pôr à frente da Sua Igreja. Como o Pai Me enviou assim Eu vos envio a vós (Jo,20,21). Jesus fê-los participantes dos Seus poderes divinos. Eles iriam transmiti-los aos seus sucessores até ao fim dos tempos. À sua frente colocou Pedro para apascentar as Suas ovelhas e os Seus cordeiros. No evangelho de hoje vemos como além dos Doze tinha um grupo maior de discípulos. Podemos ver neles os futuros sacerdotes. Jesus envia-os a pregar a Sua doutrina, dá lhes poder de expulsar os demónios e de curar as doenças. Eles levam a paz de Cristo aos corações dos seus ouvintes.

Regressaram todos contentes e Jesus diz-lhes que se devem alegrar não pelos poderes e maravilhas que tinham feito mas por os seus nomes estarem escritos no Céu.

O Senhor convida-nos a rezar pelos Seus enviados. A messe é grande mas os operários são poucos. É preciso pedir vocações. Eram 72, pareciam muitos. Mesmo assim era preciso rezar para haver padres em abundância ao serviço das almas. Mons. Ketteler, bispo ilustre na Alemanha, contava que um dia foi visitar um convento da sua diocese. Ao dar a comunhão às religiosas reconheceu um rosto que tinha visto antes. Ao despedir-se das irmãs, ela não apareceu e o bispo perguntou à superiora: -não falta nenhuma religiosa? -Só falta a irmã cozinheira.

-Irmã mande-a chamar, por favor.

Quando ela chegou, perguntou-lhe o que fazia no convento. -Senhor bispo, trabalho na cozinha e vou oferecendo ao Senhor o meu trabalho. As últimas horas do dia, que me custam mais, ofereço-as pelas vocações para o sacerdócio.

No final Mons. Ketteler contou à superiora que quando era jovem tinha ido a um baile. A certa altura viu a cara duma religiosa que lhe dizia: -que faz aqui neste lugar? Retirou-se e ficou a pensar sobre a sua vida. Resolveu ir para o seminário e ser sacerdote. Aquele rosto que tinha visto era o daquela humilde religiosa que rezava muito pelas vocações. Era a ela que devia o ser sacerdote e agora bispo.

Rezemos para que haja pais corajosos em aceitar os filhos, educá-los com esmero, ensiná-los a ser generosos com o Senhor. Temos de pedir pelos padres que já trabalham no campo de Deus, para que o Senhor os proteja dos lobos, para que estejam desapegados dos bens materiais e, ao mesmo tempo, para que os fiéis sejam generosos em dar-lhes o que precisam para a sua missão.

Peçamos à Virgem a Sua proteção para a Santa Igreja e em particular para os sacerdotes.

 

Fala o Santo Padre

 

«Quantos de vós, jovens, sentis o chamamento do Senhor para o seguir? Não tenhais medo!

Sede intrépidos e levai aos outros esta tocha do zelo apostólico que nos foi transmitida por estes discípulos exemplares.»

A página evangélica de hoje, tirada do capítulo 10 do Evangelho de Lucas (vv. 1-12.17-20), faz-nos entender como é necessário rogar a Deus, «Senhor da messe, que mande operários para a sua messe» (v. 2). Os «operários» de que Jesus fala são os missionários do Reino de Deus, que Ele mesmo chamava e enviava, «dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares para onde Ele tinha de ir» (v. 1). A sua tarefa é anunciar uma mensagem de salvação destinada a todos. Os missionários anunciam sempre uma mensagem de salvação a todos; não somente os missionários que partem para terras longínquas, mas também nós, missionários cristãos que dizemos uma boa palavra de salvação. E este é o dom que Jesus nos confere mediante o Espírito Santo. Este anúncio consiste em dizer: «O Reino de Deus está próximo» (v. 9), porque Jesus «aproximou» Deus de nós; Deus fez-se um de nós; em Jesus, Deus reina no meio de nós, o seu amor misericordioso derrota o pecado e a miséria humana.

E esta é a Boa Notícia que os «operários» devem anunciar a todos: uma mensagem de esperança e consolação, de paz e caridade. Quando envia os discípulos adiante de si, pelos povoados, Jesus recomenda-lhes: «Dizei primeiro: “Paz a esta casa!”. [...] Curai os enfermos que nela houver» (vv. 5.9). Tudo isto significa que o Reino de Deus se edifica dia após dia, oferecendo já nesta terra os seus frutos de conversão, de purificação, de amor e de consolação no meio dos homens. Isto é bonito! Construir no dia a dia este Reino de Deus, que se vai formando. Não destruir, mas construir!

Com que espírito o discípulo de Jesus deverá desempenhar esta missão? Antes de tudo, deve estar consciente da realidade difícil e às vezes hostil que o espera. Jesus não poupa palavras sobre isto! Ele diz: «Eis que vos envio como cordeiros entre lobos» (v. 3). Extremamente claro! A hostilidade encontra-se sempre no início das perseguições dos cristãos, porque Jesus sabe que a missão é impedida pela obra do maligno. Por isso, o operário do Evangelho deve esforçar-se para viver livre de condicionamentos humanos de qualquer tipo, sem levar bolsa, nem mochila, nem calçado (cf. v. 4), como recomendou Jesus, para confiar unicamente no poder da Cruz de Cristo. Isto significa abandonar todos os motivos de orgulho pessoal, de carreirismo ou de fome de poder, fazendo-se humildemente instrumentos da salvação realizada pelo sacrifício de Jesus.

A missão do cristão no mundo é maravilhosa e está destinada a todos, é uma missão de serviço, sem excluir ninguém; ela exige muita generosidade, mas acima de tudo o olhar e o coração voltados para o alto, a fim de invocar a ajuda do Senhor. Há grande necessidade de cristãos que testemunhem com alegria o Evangelho na vida de todos os dias. Enviados por Jesus, os discípulos «voltaram cheios de alegria» (v. 17). Quando nós agimos assim, o nosso coração enche-se de júbilo. E esta expressão faz-me pensar no modo como a Igreja se rejubila, se alegra quando os seus filhos recebem a Boa Notícia graças à dedicação de numerosos homens e mulheres que, quotidianamente, anunciam o Evangelho: sacerdotes — os bons párocos que todos nós conhecemos — religiosas, consagradas, missionárias, missionários... E pergunto-me, escutai esta pergunta: quantos de vós, jovens, que agora estais presentes na praça, sentis o chamamento do Senhor para o seguir? Não tenhais medo! Sede intrépidos e levai aos outros esta tocha do zelo apostólico que nos foi transmitida por estes discípulos exemplares.

Oremos ao Senhor, por intercessão da Virgem Maria, para que nunca faltem na Igreja corações generosos que trabalhem para levar a todos o amor e a ternura do Pai celeste.

  Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 3 de Julho de 2016

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos,

apresentemos por Jesus ao Pai os nossos pedidos:

por nós, por toda a Igreja e por todos os homens e digamos:

Pela vossa misericórdia ouvi-nos Senhor

 

1-Pelo Santo Padre Francisco

para que o Senhor o encha da Sua sabedoria e fortaleza,

para guiar a Sua Igreja, oremos, irmãos.

Pela vossa misericórdia ouvi-nos Senhor

 

2-Pelos bispos e sacerdotes

para que preguem com valentia sobre o sacramento da misericórdia, oremos, irmãos.

Pela vossa misericórdia ouvi-nos Senhor

 

3-Por todos os cristãos

para que renovem a sua fé e o seu amor a Jesus,

praticando mais generosamente as obras de misericórdia, oremos, irmãos.

Pela vossa misericórdia ouvi-nos Senhor

 

4-Pelos irmãos separados

para que Deus lhes dê luz abundante

na busca da unidade duma só Igreja e dum só pastor, oremos, irmãos.

Pela vossa misericórdia ouvi-nos Senhor

 

5-Por todos os homens afastados de Deus

para que conheçam e sigam a Jesus Salvador,

o único que pode dar sentido às suas vidas, oremos, irmãos.

Pela vossa misericórdia ouvi-nos Senhor

 

6-Para que desperte muitas almas generosas para serviço da Igreja, oremos, irmãos.

Pela vossa misericórdia ouvi-nos Senhor

 

 Senhor, ouvi as súplicas que Vos apresentamos

e aumentai em nós o desejo de pedir mais e de agradecer as vossas graças.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que conVosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cantai ao Senhor nosso Deus, M. Simões, NRMS 38

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oblação consagrada ao vosso nome nos purifique e nos conduza, dia após dia, a viver mais intensamente a vida da graça. Por Nosso Senhor ...

 

Santo: Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Pela comunhão não tocamos apenas no Corpo de Jesus. Temo-Lo em nós como alimento divino. Procuremos tratar bem o Senhor.

 

Cântico da Comunhão: A messe é grande, C. Silva, NRMS 94

Salmo 33, 9

Antífona da comunhão: Saboreai e vede como o Senhor é bom, feliz o homem que n'Ele se refugia.

 

ou

Mt 11, 28

Vinde a Mim, todos vós que andais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor, louvai, J. Santos, NRMS 37

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos saciastes com estes dons tão excelentes, fazei que alcancemos os benefícios da salvação e nunca cessemos de cantar os vossos louvores. Por Nosso Senhor ...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A nossa fé vivida a sério é o segredo da alegria. E leva-nos a apreciar a imensa riqueza que Deus nos entregou.

 

Cântico final: Cantai ao Senhor um cântico novo, Az. Oliveira, NRMS 48

 

 

Homilias Feriais

 

14ª SEMANA

 

2ª Feira, 8-VII: A fé e a proximidade de Deus.

Gen 28, 10-22 / Mt 9, 18-26

Pois dizia consigo: Se eu, ao menos, lhe tocar no manto, ficarei curada

As doenças da nossa alma, as feridas da luta contra as tentações, exigem que nos aproximemos do Senhor (EV), para ficarmos curados. Isso acontece quando recebemos a Comunhão sacramental e tocamos no corpo de Jesus, e na Confissão nos são aplicados os méritos da paixão de Cristo, ou quando rezamos. Se o fizermos com fé, ficaremos curados.

Deus falou a Jacob através de um sonho, renovando uma promessa (LT). E Jacob reconheceu a proximidade de Deus: realmente o Senhor está neste lugar, e eu não sabia (LT). Procuremos dar-nos conta da presença de Deus, que está sempre ao nosso lado.

 

3ª Feira, 9-VII: A oração como combate da fé.

Gen 32, 22-32 / Mt 9, 32-38

Jacob ficou para trás sozinho. Então, alguém lutou com ele até ao romper da aurora.

Este alguém abençoou Jacob, antes de o deixar, porque Jacob lhe disse que não o largaria enquanto não o abençoasse. A tradição espiritual da Igreja viu nesta narrativa o símbolo da oração como combate da fé e vitória da perseverança (LT).

A oração é sempre importante para a vitória da perseverança: Jesus exorta os discípulos a levar para a oração esta solicitude em colaborar com os desígnios de Deus. Neste caso, o desígnio refere-se à necessidade de que haja muitos trabalhadores para trabalharem na messe do Senhor (EV). Escutai o meu clamor dai ouvidos à minha prece (SR).

 

4ª Feira, 10-VII: A fome de Deus e os alimentos divinos.

Gen 41, 55-57; 42, 5-7. 17-24 / Mt 10, 1-7

Toda a terra do Egipto começou a sentir fome. Então, o faraó disse os todos os egípcios: Ide a José e fazei o que ele vos disser.

Por todo o mundo há igualmente uma fome de Deus (LT). Ora o Senhor olha pelos seus fiéis, para lhes dar a vida no tempo de fome (SR). E Jesus enviou os Doze a proclamar a palavra de Deus (EV), um alimento indispensável para a nossa alma, pois nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra de Deus. E o outro é a Eucaristia: A minha carne é verdadeira comida.

Todos os baptizados são chamados a colaborar nesta tarefa, não só do ponto de vista de dar de comer a quem tem fome, mas também de fazer chegar aos familiares e amigos a palavra de Deus, através do exemplo e das conversas entre amigos.

 

5ª Feira, 11-VII: S. Bento e as raízes cristãs da Europa.

Prov 2, 1-9 / Mt 19, 27-29

E todo aquele que tiver deixado casa, irmãos, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna.

S. Bento contribuiu enormemente para a implantação das raízes cristãs na Europa. Por isso, o Papa Paulo VI o nomeou Padroeiro da Europa em 1964.

Quando ouviu o chamamento de Deus deixou tudo por causa dEle (EV). Aceitou a palavra de Deus como um tesouro (LT) e, com os seus discípulos, fez uma grande sementeira da fé e da cultura.  Para ajudarmos a reconstruir as raízes cristãs da Europa e, por conseguinte no nosso país, recorramos à protecção de Deus: Procurei o Senhor e Ele atendeu-me (SR) e sejamos fiéis à nossa vocação cristã: Ele guarda os caminhos dos que lhe são fiéis (LT).

 

6ª Feira, 12-VII: Ter confiança no Senhor.

Gen 46, 1-7, 28-30 / Mt 10, 16-23

Jesus disse aos Apóstolos: Envio-vos como ovelhas para o meio de lobos. Tende cuidado com os homens.

Deus é fiel e nunca nos abandonará. Envia-nos a trabalhar em ambientes desagradáveis, e seremos odiados por causa do seu nome (EV). Aceitemos as suas promessas e tenhamos muita confiança nEle: Confia no Senhor e faz o bem...Ele é o nosso escudo no meio do perigo (SR). E contamos com a ajuda do Espírito Santo, que falará em nós (EV).

Deus confiou a Jacob uma importante missão: ir ao Egipto para depois sair de lá com um grande povo (LT). Jacob acreditou na palavra do Senhor, pegou na sua família e nos seus bens e fez como Deus lhe tinha pedido, podendo mais tarde morrer em paz.

 

Sábado, 13-VII: A Providência divina tudo abarca.

Gen 49, 29-33; 50, 15-26 / Mt 10, 24-33

Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais portanto, valeis mais que muitos passarinhos.

 Jesus quer que vivamos um abandono próprio dos filhos de Deus em relação à Providência do nosso Pai celestial, que cuida das nossas mais pequenas necessidades (EV).

Nalguns casos só se vê, com o decorrer do tempo, que há males que vêm por bem, como foi o caso de José, filho de Jacob, que tinha sido vendido pelos irmãos e foi parar ao Egipto.  Ali recebeu do faraó a tarefa de matar a fome a todos, graças a boas colheitas de trigo. Assim aconteceu também com o maior mal, jamais praticado, como foi a morte de Cristo, para salvar todos os homens e que actualizamos na celebração eucarística.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Celestino C. Ferreira

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               Duarte Nuno Rocha

 


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