Santíssimo Corpo e Sangue e Cristo

20 de Junho de 2019

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Da Flor da Farinha os Alimentou, M. Carneiro, NRMS 37

Salmo 80,17

Antífona de entrada: O Senhor alimentou o seu povo com a flor da farinha e saciou-o com o mel do rochedo.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a festa do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, a Eucaristia. A presença de Cristo no meio de nós. A festa da Comunhão e da Unidade.

Aproveitemos esta oportunidade para aprofundar a devoção a Cristo presente na Eucaristia. Ouçamos com atenção os textos que a liturgia de hoje nos propõe, para melhor conhecermos a doutrina eucarística e vivermos coerentemente essa Comunhão e Unidade.

Para celebrarmos condignamente esta Festa, reconheçamos que nem sempre fomos fiéis à nossa ligação a Cristo, nem soubemos partilhar com os irmãos os benefícios desta íntima comunhão.

Peçamos, com sincera humildade e arrependimento, a misericórdia do Senhor para com as nossas faltas.

 

Oração colecta: Senhor Jesus Cristo, que neste admirável sacramento nos deixastes o memorial da vossa paixão, concedei-nos a graça de venerar de tal modo os mistérios do vosso Corpo e Sangue que sintamos continuamente os frutos da vossa redenção.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A primeira leitura, ao recordar o rei e sacerdote Melquisedec e a sua oblação de pão e vinho, coloca diante de nós a figura de Jesus como Messias/Sacerdote.

 

Génesis 14, 18-20

Naqueles dias, 18Melquisedec, rei de Salém, trouxe pão e vinho. Era sacerdote do Deus Altíssimo 19e abençoou Abraão, dizendo: «Abençoado seja Abraão pelo Deus Altíssimo, criador do céu e da terra. 20Bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou nas tuas mãos os teus inimigos». E Abraão deu-lhe a dízima de tudo.

 

“Melquisedec”, rei-sacerdote de “Salém”, isto é, Jerusalém. Salém significa paz (xalom); Jerusalém (Yeruxaláyim) significa “fundação de paz”; era a capital dos Jebuseus que David conquistou. Após a expedição de Abraão contra os quatro reis orientais que tinham saqueado a zona do Mar Morto, a Pentápole, Abraão e os seus homens armados tinham chegado vitoriosos (v. 16), mas exaustos. O rei de Jerusalém, reconhecido pelo perigo que Abraão afastara das suas vizinhanças, veio ao seu encontro com abastecimentos de pão e vinho para restabelecer as forças das tropas cansadas. Abraão, agradecido por tal atitude, decide recompensar Melquisedec com o dízimo de todos os despojos que trazia da expedição guerreira. A tradição patrística e a Liturgia, viram na oferta de pão e vinho uma figura do Sacrifício Eucarístico; no Cânone Romano pede-se a Deus que aceite o Sacrifício da Missa como aceitou o sacrifício de Melquisedec. Mas podemos perguntar: esta oferta foi um verdadeiro sacrifício, ou um simples auxílio às tropas cansadas? Se é certo que o verbo hebraico, “trouxe”, não pertence ao vocabulário sacrifícial, também é certo que Melquisedec era sacerdote e foi nesta condição que “trouxe pão e vinho”, sendo coerente que tivesse sido oferecido antes em sacrifício, talvez em acção de graças da vitória obtida. Pelo Salmo109 (110) e por Hbr 7, sabemos que Melquisedec é uma figura de Cristo. Também Jesus – o anti-tipo de Melquisedec – alimenta os seus soldados, cansados na batalha contra os inimigos do Reino, com o pão e o vinho eucarístico, o seu Corpo e Sangue oferecido em sacrifício; por isso a Igreja reza: “da robur, fer auxilium”(dá-nos força, traz-nos auxílio).

 

Salmo Responsorial    Sl 109 (110), 1-4 (R. 4bc)

 

Monição: O salmo 109 que vamos recitar, evoca a figura de Melquisedec, para identificarmos Jesus/Eucaristia, o Jesus do pão e do vinho, como Sacerdote Eterno para sempre no seio do Pai.

 

Refrão:     O Senhor é sacerdote para sempre.

 

Ou:           Tu és sacerdote para sempre,

segundo a ordem de Melquisedec.

 

Disse o Senhor ao meu Senhor:

«Senta-te à minha direita,

até que Eu faça de teus inimigos escabelo de teus pés.

 

O Senhor estenderá de Sião

o ceptro do teu poder

e tu dominarás no meio dos teus inimigos.

 

A ti pertence a realeza desde o dia em que nasceste

nos esplendores da santidade,

antes da aurora, como orvalho, Eu te gerei».

 

O Senhor jurou e não Se arrependerá:

«Tu és sacerdote para sempre,

segundo a ordem de Melquisedec».

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, evoca nesta leitura, os gestos e as palavras de Cristo, que continuam a ser vivos e eficazes nos gestos e palavras, que fazem os seus ministros, em Sua memória.

 

1 Coríntios 11, 23-26

Irmãos: 23Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: o Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou o pão e, dando graças, 24partiu-o e disse: “Isto é o meu Corpo, entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim”. 25Do mesmo modo, no fim da ceia, tomou o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança no meu Sangue. Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de Mim”. 26Na verdade, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha.

 

Temos aqui o relato da última Ceia, o mais antigo dos quatro que aparecem no N. T., escrito apenas uns 25 anos após o acontecimento. São Paulo diz que isto mesmo já o tinha pregado aos cristãos (v. 23) uns quatro anos atrás, durante os 18 meses em que evangelizou a cidade de Corinto, por ocasião da sua segunda viagem.

23 “Recebi do Senhor”: O original grego (com o uso da preposição apó e não pará) deixa ver que S. Paulo recebeu esta doutrina pela tradição que remonta ao Senhor e não directamente dele, por meio de alguma revelação, como alguém poderia pensar. “Na noite em que ia ser entregue”: Há uma dupla entrega do Senhor, a sua entrega às mãos dos seus inimigos, para a morrer pelos nossos pecados e nos ganhar a vida divina, e a entrega no Sacramento da SS. Eucaristia, como alimento desta mesma vida divina. Para o seu amor infinito, é pouco dar-se todo uma só vez por todos; quer dar-se todo a cada um de nós todas as vezes que nos disponhamos a recebê-lo!

24 “Isto é o Meu Corpo”: A expressão de Jesus é categórica e terminante, sem deixar lugar a mal entendidos. Não diz “aqui está o meu corpo”, nem “isto simboliza o meu corpo”, mas sim: “isto é o meu corpo”, como se dissesse “este pão já não é pão, mas é o meu corpo”. Todas as tentativas heréticas de entender estas palavras num sentido meramente simbólico, fazem violência ao texto e não têm seriedade. É certo que o verbo “ser” também pode ter o sentido de “ser como”, “significar”, mas isto é só quando do contexto se possa depreender que se trata duma comparação, o que não se dá aqui, pois não se vê facilmente como o pão seja como o Corpo de Jesus, ou como é que o pode significar. Atenda-se a que Jesus, com a palavra isto não se refere à acção de partir o pão, pois não pronuncia estas palavras enquanto parte o pão, mas depois de o ter partido; portanto não tem sentido dizer que, com a fracção do pão, o Senhor queria representar o despedaçar do seu corpo por uma morte violenta (o corpo entregue); Jesus não podia querer dizer tal coisa, pois, se o quisesse dizer, havia de o explicitar, uma vez que o gesto de partir o pão era um gesto usual do chefe da mesa em todas as refeições, não sendo possível ver um outro sentido; por outro lado, o beber do cálice já não se podia prestar a um tal sentido.

Os Apóstolos vieram a entender as palavras de Jesus no seu verdadeiro realismo, como aparecem no discurso do Pão da Vida (Jo 6, 51-58). Se Jesus não quisesse dar este sentido realista às suas palavras, também os seus discípulos e a primitiva Igreja não lho podiam dar, porque beber o sangue era algo sumamente escandaloso para gente criada no judaísmo, que ia ao ponto de proibir a comida de animais não sangrados. Se S. Paulo não entendesse estas palavras de Jesus num sentido realista, não teria podido afirmar no v. 27 (omitido na leitura de hoje): “quem comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor”; e no v. 29 fala de “distinguir o corpo do Senhor”.

Paulo VI, na encíclica Misterium fidei, rejeitou as explicações teológicas (transignificação e transfinalização) que não respeitem suficientemente o realismo da presença real: “Mas para que, ninguém entenda erroneamente este modo de presença, que supera leis da natureza e constitui o maior dos milagres no seu género, é preciso seguir com docilidade a voz da Igreja docente e orante. Pois bem, esta voz, que é um eco perene da voz de Cristo, assegura-nos que Cristo se torna presente neste Sacramento pela conversão de toda a substância do pão no seu corpo e de toda a substância no vinho no seu sangue; conversão admirável e singular à qual a Igreja justamente e com propriedade chama transubstanciação” (atenda-se a que aqui a noção de substância não é a da Física ou da Química, mas a da Metafísica).

24-25 “Fazei isto em memória de Mim”: Com estas palavras, Jesus Cristo entrega aos Apóstolos (e aos seus sucessores) o poder ministerial de celebrar o Mistério Eucarístico; por isso, Quinta-Feira Santa é o dia do sacerdócio e dos sacerdotes.

25 “A Nova Aliança com o meu Sangue”: Jesus compara o seu sangue, que vai derramar na cruz, ao sangue do sacrifício da Aliança do Sinai (cf. Ex 24, 8), como sendo o novo sacrifício com que se ratifica a Nova Aliança de Deus com a Humanidade, aliança anunciada pelos profetas (Jer 31, 31-33). Na Ceia temos o mesmo sacrifício do Calvário antecipado sacramentalmente através das palavras do próprio Jesus. Na Missa temos igualmente o mesmo sacrifício da Cruz renovado e representado sacramentalmente através da dupla consagração feita pelo sacerdote que actua na pessoa e em nome de Cristo, sendo Ele o mesmo oferente principal, a mesma vítima e sendo os merecimentos os mesmos do único Sacrifício redentor a serem aplicados, Sacrifício oferecido de uma vez para sempre (efápax: cf. Hebr 9, 25-28; 10, 10.18).

26 Anunciareis a Morte do Senhor”: No altar já não se derrama o sangue de Cristo, como na Cruz, mas oferece-se, de modo incruento, o mesmo sacrifício, renovando e representando sacramentalmente o mistério da mesma Morte que se deu no Calvário.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 6, 51

 

Monição: Jesus é o Filho de Deus que Se encarnou para viver e dar a vida em favor dos homens. Os cristãos, comprometendo-se com Jesus, aceitam e vivem a sua condição humana em favor dos outros.

 

Aleluia

 

Cântico: Az. Oliveira, NRMS 36

 

Eu sou o pão vivo descido do Céu, diz o Senhor.

Quem comer deste pão viverá eternamente.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 9, 11b-17

Naquele tempo, 11bestava Jesus a falar à multidão sobre o reino de Deus e a curar aqueles que necessitavam. 12O dia começava a declinar. Então os Doze aproximaram-se e disseram-Lhe: «Manda embora a multidão para ir procurar pousada e alimento às aldeias e casais mais próximos, pois aqui estamos num local deserto». 13Disse-lhes Jesus: «Dai-lhes vós de comer». Mas eles responderam: «Não temos senão cinco pães e dois peixes... Só se formos nós mesmos comprar comida para todo este povo». 14Eram de facto uns cinco mil homens. Disse Jesus aos discípulos: «Mandai-os sentar por grupos de cinquenta». 15Assim fizeram e todos se sentaram. 16Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e pronunciou sobre eles a bênção. Depois partiu-os e deu-os aos discípulos, para eles os distribuírem pela multidão. 17Todos comeram e ficaram saciados; e ainda recolheram doze cestos dos pedaços que sobraram.

 

Há uma profunda relação entre este milagre e a instituição da Eucaristia. A própria descrição dos gestos de Jesus ao fazer o milagre sugere os seus gestos na Ceia: “abençoou”, “partiu”, “deu aos discípulos”. Com este milagre, é prefigurado o prodígio da Eucaristia e os Apóstolos são preparados para receberem tão grande dom e o distribuírem aos fiéis: para eles os servirem à multidão (v. 16). A linguagem do relato deixa ver fortes ressonâncias litúrgicas, provenientes certamente da vida das primitivas comunidades, que celebravam a Eucaristia. O IV Evangelho conserva-nos a promessa do Pão da Vida no discurso eucarístico (Jo 6, 32-58), na sequência deste mesmo milagre. Lucas não refere a 2ª multiplicação dos pães, que se insere na chamada grande omissão de Lucas relativamente a Marcos, que lhe terá servido de fonte (Mc 6, 45 – 8, 26); por outro lado Lucas costuma omitir relatos paralelos, para não se alongar sem necessidade.

13 “Dai-lhes vós de comer.” Jesus sabia o que ia fazer, como sublinha o relato muito mais pormenorizado de S. João; e disse isto para os pôr à prova  (Jo 6, 6), isto é, para ver até que ponto os seus Apóstolos estavam capacitados para confiar na omnipotên­cia divina que Jesus lhes tinha vindo a mostrar com tantos milagres já realizados.

 

Sugestões para a homilia

 

A relação entre pão e Eucaristia

Ligação entre Eucaristia e vida

Partir o pão entre os irmãos na comunidade

 

A relação entre pão e Eucaristia

 

Como escutamos na primeira leitura, Abraão regressava a casa depois de ter travado uma dura batalha contra alguns reis, que tinham raptado o seu sobrinho Lot. Vinha extenuado, cheio de fome e sede. Chegou à cidade de Salém e saiu-lhe ao encontro Melquisedec, rei e sacerdote do Deus Altíssimo, que lhe ofereceu pão e vinho. Depois, invocando sobre ele o nome de Deus, abençoou-o.

Quem beneficiou deste pão e vinho foi Abraão e os judeus seus filhos, bem como o povo pagão de Salém. Todos se irmanaram e uniram neste banquete.

Esta generosa oferta de pão e vinho sempre foi associada pelos cristãos ao tema da Eucaristia, pois relacionam o gesto feito por Melquisedec com Jesus, Messias/Sacerdote e Rei, que se oferece a todos os homens como alimento, que é partilhado à mesma mesa.

 

Ligação entre Eucaristia e vida

 

No relato que escutamos, no texto do Evangelho, esse mesmo gesto foi feito por Jesus. Contrariamente aos seus discípulos que sugeriam que cada um se arranjasse por si próprio, Jesus propõe que sejam os apóstolos a dar de comer à multidão os pães e os peixes que lhes foram apresentados. S. Lucas, ao relatar a multiplicação dos pães, quis descrever o rito da celebração da Eucaristia, como ela se fazia nas suas comunidades.

Jesus acolhia as multidões que o seguiam e falava-lhes do Reino de Deus. É isso que acontece nas nossas liturgias dominicais: o celebrante, em nome de Cristo ressuscitado, acolhe os fiéis da comunidade com a saudação da paz e, na Liturgia da Palavra, anuncia-lhes o Reino de Deus.

A hora, a que nas comunidades de Lucas se celebrava a Eucaristia era o sábado à noite, quando o dia começava a declinar.

O lugar deserto, em que a multidão escutava a palavra de Jesus, recorda o Êxodo dos israelitas na sua fuga da escravidão do Egipto. A comunidade cristã, no tempo de Lucas, é composta por todos aqueles que saíram do estado de lugar deserto de escravidão, de poligamia, de propósitos de vingança, de violência, de más companhias, de mentira, de desonestidade, de bruxaria e que se encaminha para a liberdade, por uma vida realmente nova.

O problema do alimento interpela os discípulos. São justamente os discípulos, a comunidade seguidora de Jesus, que deve preocupar-se com a fome dos irmãos.

Os gestos feitos por Jesus na multiplicação dos pães e dos peixes são os mesmos feitos pelo sacerdote na celebração da Eucaristia. Por isso, a Eucaristia não se pode separar da vida das pessoas. A Eucaristia é um alimento. É preciso recebê-la com fé, aceitando o empenho que contém o gesto de comer o corpo e beber o sangue de Cristo, como ligação que existe entre Eucaristia e vida, entre o partir do pão, que é Cristo, e o pão que alimenta o corpo.

 

Partir o pão entre os irmãos na comunidade

 

Os cristãos da comunidade de Corinto, a quem Paulo dirigiu a segunda leitura que escutamos, sabiam perfeitamente que, para partir dignamente o pão eucarístico, era necessário repartir primeiro o pão material. Mas em vez de porem em comum o que cada um trazia de casa, formavam-se em grupo: os ricos, reunidos num lado à parte, comiam e bebiam até se embebedarem, enquanto os pobres ficavam do outro lado a olhar. Perante o absurdo do seu comportamento, Paulo recorda-lhes como foi instituída a Eucaristia e os gestos simbólicos de Jesus com o pão e o vinho na Última Ceia: «Isto é o Meu corpo… isto é o Meu sangue…».

Sempre que, a convite do Senhor, a comunidade cristã reparte o pão eucarístico, isso representa Jesus que doa a sua vida por amor. Jesus continua realmente presente entre os seus discípulos, como alimento a consumir, para ser partido e partilhado com amor entre os irmãos, na prática das boas obras. Os que comem do corpo e bebem do sangue de Cristo aceitam a sua identificação com Jesus; formam um só corpo com Ele; desejam assimilar o seu gesto de amor; empenham-se em doar a própria vida aos irmãos, como Ele fez, comunitariamente e em união com Ele.

 Na comunidade cristã não é possível entrar em comunhão com o Senhor sem partilhar com os irmãos o pão material, pondo em comum todo o alimento que possui. Não se trata apenas de doar dinheiro, roupas e alimentos, mas pôr à disposição da comunidade: capacidades, talentos, qualidades, competência e sobretudo a inteligência. Deste modo, haverá abundância para todos. A generosidade e o amor, com a bênção de Cristo, operarão o milagre.

Não há justificação para não se receber a comunhão em cada Eucaristia, estando devidamente preparado, pois somos convidados por Cristo, para o banquete eucarístico que Ele nos oferece. Ser convidado, assistir ao “banquete” e não “comer” é falta de consideração para com “Aquele” que Se oferece neste banquete.

O pão eucarístico é um dom, não um prémio a que só os bons têm direito. É um alimento oferecido aos pecadores, não aos justos. Embora tenhamos consciência de sermos indignos, porque pecadores, a Eucaristia estimula-nos a tornarmo-nos o que ainda não somos: pão partido, comungado e dividido em união com todos os irmãos.

 

Fala o Santo Padre

 

«O próprio Jesus Se repartiu, e reparte, por nós.

E pede que façamos dom de nós mesmos, que nos repartamos pelos outros.

Foi precisamente este «partir o pão» que se tornou ícone, sinal de reconhecimento de Cristo e dos cristãos.»

«Fazei isto em memória de Mim» (1 Cor 11, 24.25). Esta ordem de Cristo é referida duas vezes pelo apóstolo Paulo, quando narra à comunidade de Corinto a instituição da Eucaristia. É o testemunho mais antigo que temos das palavras de Cristo na Última Ceia.

«Fazei isto» ou seja, tomai o pão, dai graças e parti-o; tomai o cálice, dai graças e distribuí-o. Jesus ordena que se repita o gesto com que instituiu o memorial da sua Páscoa, pelo qual nos deu o seu Corpo e o seu Sangue. E este gesto chegou até nós: é o «fazer» a Eucaristia, que tem sempre Jesus como sujeito, mas atua-se através das nossas pobres mãos ungidas de Espírito Santo.

«Fazei isto». Já antes Jesus pedira aos seus discípulos para «fazerem» algo que Ele, em obediência à vontade do Pai, tinha já decidido no seu íntimo realizar; acabamos de o ouvir no Evangelho. À vista das multidões cansadas e famintas, Jesus diz aos discípulos: «Dai-lhes vós mesmos de comer» (Lc 9, 13). Na realidade, é Jesus que abençoa e parte os pães até saciar toda aquela multidão, mas os cinco pães e os dois peixes são oferecidos pelos discípulos, e era isto o que Jesus queria: que eles, em vez de mandar embora a multidão, pusessem à disposição o pouco que tinham. E, depois, há outro gesto: os pedaços de pão, partidos pelas mãos santas e veneráveis do Senhor, passam para as pobres mãos dos discípulos, que os distribuem às pessoas. Também isto é «fazer» com Jesus, é «dar de comer» juntamente com Ele. Evidentemente este milagre não pretende apenas saciar a fome de um dia, mas é sinal daquilo que Cristo tem em mente realizar pela salvação de toda a humanidade, dando a sua carne e o seu sangue (cf. Jo 6, 48-58). E, no entanto, é preciso passar sempre através destes dois pequenos gestos: oferecer os poucos pães e peixes que temos; receber o pão partido das mãos de Jesus e distribuí-lo a todos.

«Partir»: esta é a outra palavra que explica o significado da frase «fazei isto em memória de Mim». O próprio Jesus Se repartiu, e reparte, por nós. E pede que façamos dom de nós mesmos, que nos repartamos pelos outros. Foi precisamente este «partir o pão» que se tornou ícone, sinal de reconhecimento de Cristo e dos cristãos. Lembremo-nos de Emaús: reconheceram-No «ao partir o pão» (Lc 24, 35). Recordemos a primeira comunidade de Jerusalém: «Eram assíduos (…) à fração do pão» (At 2, 42). É a Eucaristia que se torna, desde o início, o centro e a forma da vida da Igreja. Mas pensemos também em todos os santos e santas – famosos ou anónimos – que se «repartiram» a si mesmos, a própria vida, para «dar de comer» aos irmãos. Quantas mães, quantos pais, juntamente com o pão quotidiano cortado sobre a mesa de casa, repartiram o seu coração para fazer crescer os filhos, e fazê-los crescer bem! Quantos cristãos, como cidadãos responsáveis, repartiram a própria vida para defender a dignidade de todos, especialmente dos mais pobres, marginalizados e discriminados! Onde encontram eles a força para fazer tudo isto? Precisamente na Eucaristia: na força do amor do Senhor ressuscitado, que também hoje parte o pão para nós e repete: «Fazei isto em memória de Mim».

Possa o gesto da procissão eucarística, que em breve realizaremos, ser também resposta a esta ordem de Jesus Um gesto para fazer memória d’Ele; um gesto para dar de comer à multidão de hoje; um gesto para repartir a nossa fé e a nossa vida como sinal do amor de Cristo por esta cidade e pelo mundo inteiro.

Papa Francisco, Homilia, Praça São João de Latrão, 26 de Maio de 2016

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Oremos a Cristo Senhor,

sacerdote do Altíssimo,

Pão vivo descido do Céu,

e digamos (cantemos) com fé:

 

Cristo ouvi-nos, Cristo atendei-nos.

 

1.     Pela santa Igreja, reunida em comunidade orante,

para que Jesus, Pão da vida,

ensine a Igreja a celebrar e a viver a Ceia pascal.

oremos, irmãos.

 

2.     Por todos os baptizados,

para que Jesus sacramentado,

pão vivo descido do céu,

seja seu alimento,

oremos, irmãos.

 

3.     Por todos os pobres, os doentes e os mais frágeis,

para que Jesus sacramentado

seja para todos fonte de esperança

e alimento de salvação,

oremos, irmãos.

 

4.     Por todos os cristãos

para que, por intermédio de Jesus presente na Eucaristia, 

procurem viver em unidade e partilha de amor

e na prática de boas obras,

oremos, irmãos.

 

5.     Por todos os que festejamos este dia

do Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus,

para que vivamos intensamente

a presença de Cristo no meio de nós,

oremos, irmãos.

 

Senhor Jesus Cristo,

que mandastes os vossos discípulos

alimentar a multidão faminta,

ajudai-nos a assimilar o vosso gesto de amor

 empenhando-nos comunitariamente,

em união conVosco, na doação da própria vida

por todos os irmãos.

Vós que sois Deus com o Pai,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Oh Verdadeiro Corpo do Senhor, C. Silva, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, à vossa Igreja o dom da unidade e da paz, que estas oferendas misticamente simbolizam. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio da Eucaristia

 

Santo: J. Duque, NRMS 21

 

Monição da Comunhão

 

A comunhão do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, nos purifique e ajude a viver em unidade e a eliminar todas as nossas acções negativas, deixando no nosso coração apenas a capacidade para amar, para partilhar o pão material, qualidades e talentos, na ajuda a todos os nossos irmãos.

 

Cântico da Comunhão: Celebremos o mistério, F. Silva, NRMS 77-79

Jo 6, 57

Antífona da comunhão: Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em Mim e Eu nele, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Saciastes o Vosso Povo, F. Silva, NRMS 90-91

 

Oração depois da comunhão: Concedei-nos, Senhor Jesus Cristo, a participação eterna da vossa divindade, que é prefigurada nesta comunhão do vosso precioso Corpo e Sangue.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O problema do alimento deve interpelar-nos. Para sermos comunidade seguidora de Jesus, devemos preocupar-nos com a fome dos irmãos. Como reflectimos, só há uma maneira de resolver o problema dos pobres, pondo em comum todo o alimento que possuímos: as riquezas que Deus deu a cada um, não só dinheiro, mas capacidades, talentos, qualidades e inteligência, postos ao serviço dos irmãos.

A nossa generosidade e amor com que os distribuirmos, com a bênção de Cristo, operarão milagres.

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, F. Silva, NRMS 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

6ª Feira, 21-VI: A nova criatura (VI): Acumular tesouros no Céu.

2 Cor 11, 18. 21-30 / Mt 6, 19- 23

Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

O coração, em sentido bíblico, é o mais íntimo do nosso ser, em que nos decidimos ou não por Deus. Por isso, o Senhor no pede que encontremos a nossa riqueza em Deus (EV). Na Missa, também dizemos: O nosso coração está em Deus. O mesmo se poderia aplicar às outras acções que fazemos. Jesus pede-nos que acumulemos tesouros no Céu (EV). Temos ajuda dos olhos, que são a lâmpada do nosso corpo (EV). Voltai-vos para Ele e ficareis radiantes (SR).

S. Paulo fala dos tesouros da sua vida, os seus sofrimentos: mais trabalhos, mais prisões, mais açoites, mais frequentes perigos de morte, com o número de vezes acontecidas (LT).

 

Sábado, 22-VI: A nova criatura (VII): Modos de enriquecimento.

2 Cor 2, 1-10 / Mt 6, 24-34

Ninguém pode servir a dois senhores. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.

Como podemos levar a cabo este ensinamento do Senhor? Ele aconselha-nos a confiar na Providência divina: Não vos preocupeis com o dia de amanhã (EV). Os poderosos empobrecem e passam fome e, aos que O procuram, não faltará riqueza alguma (SR). Assim viveu Jesus, tal como aparece na bem-aventurança: bem-aventurados os pobres de espírito!

Também quando aparecem as nossas fraquezas, Deus nos diz, como a S. Paulo: Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se manifesta todo o meu poder (LT). E o Apóstolo revela o segredo da sua fraqueza: porque, quando sou fraco, então sou forte.

 

 

Celebração e Homilia:        António Elísio Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:               Duarte Nuno Rocha

 


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