30º Domingo Comum

23 de Outubro de 2005

DIa MUndial DAs MIssões

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Confiarei no meu Deus, F da Silva, NRMS 106

Salmo 104, 3-4

Antífona de entrada: Alegre-se o coração dos que procuram o Senhor. Buscai o Senhor e o seu poder, procurai sempre a sua face.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A maior parte da nossa vida é passada em «tempo comum»: As habituais ocupações do dia a dia. Lá virá um acontecimento fora do vulgar – um aniversário, uma festa, um luto... mas depressa a vida regressará ao seu curso normal.

Precisamos de dar, a tudo aquilo que é comum, um valor novo, divino, sobrenatural. Viver na intimidade com Deus no Seu amor e no do próximo, nas nossas ocupações diárias. Aqui está o segredo da Santidade á qual todos somos chamados.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade; e para merecermos alcançar o que prometeis, fazei-nos amar o que mandais. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Ser cristão é viver na Aliança, tendo em conta tudo quanto esta palavra implica. Aqui são lembrados alguns aspectos do nosso amor para com o próximo: os estrangeiros, os imigrantes, os órfãos, as viúvas, aqueles que a nós recorrem em horas difíceis.

 

Êxodos 22, 21-27 (20-26)

Eis o que diz o Senhor: 21«Não prejudicarás o estrangeiro, nem o oprimirás, porque vós próprios fostes estrangeiros na terra do Egipto. 22Não maltratarás a viúva nem o órfão. 23Se lhes fizeres algum mal e eles clamarem por Mim, escutarei o seu clamor; 24inflamar-se-á a minha indignação e matar-vos-ei ao fio da espada. As vossas mulheres ficarão viúvas, e órfãos, os vossos filhos. 25Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, ao pobre que vive junto de ti, não procederás com ele como um usurário, sobrecarregando-o com juros. 26Se receberes como penhor a capa do teu próximo, terás de lha devolver até ao pôr do sol, 27pois é tudo o que ele tem para se cobrir, é o vestuário com que cobre o seu corpo. Com que dormiria ele? Se ele Me invocar, escutá-lo-ei, porque sou misericordioso».

 

Estas prescrições legais pertencem àquela parte do Êxodo chamada pelos críticos Código da Aliança (Ex 20, 22 – 23, 19; certamente pelo facto de que em 24, 7 se chama «Livro da Aliança»); estamos na sua primeira parte, que se compõe de leis casuísticas (os mixpatîm, ou leis formuladas de modo condicional: «se…», reflectindo uma certa primitiva jurisprudência), a que se segue uma 2ª parte, as leis apodícticas (Ex 22, 17 – 23, 19, umas leis formuladas no modo imperativo, em hebraico ditas devarîm). Estas leis, que correspondem a outros códigos legais semitas do Antigo Médio Oriente, têm a particularidade de serem apresentadas como algo que faz parte das exigências da Aliança de Deus. Com a canonização dessas leis, toda a vida do povo, em todos os campos – sócio-político, pessoal e institucional, particular e familiar, cultual e profano –, adquire um carácter religioso. Note-se ainda a extraordinária humanidade e sábia pedagogia destas normas para virem a preparar a Lei evangélica do amor.

25-26 Ainda hoje os árabes, de igual maneira, usam como manta para se agasalharem de noite o mesmo manto ou capa com que se cobrem durante o dia.

 

Salmo Responsorial    Sl 17 (18), 2-3.7.47.51ab (R. 2)

 

Monição: Eu vos amo, Senhor, Vós sois a minha força. Manifestamos o desejo de corresponder ao amor de Deus e nele crescer mais e mais.

 

Refrão:        Eu Vos amo, Senhor: sois a minha força.

 

Eu Vos amo, Senhor, minha força,

minha fortaleza, meu refúgio e meu libertador.

Meu Deus, auxílio em que ponho a minha confiança,

meu protector, minha defesa e meu salvador.

 

Na minha aflição invoquei o Senhor

e clamei pelo meu Deus.

Do seu templo Ele ouviu a minha voz

e o meu clamor chegou aos seus ouvidos.

 

Viva o Senhor, bendito seja o meu protector;

exaltado seja Deus, meu salvador.

O Senhor dá ao Rei grandes vitórias

e usa de bondade para com o seu Ungido.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo enaltece a fé dos Tessalonicenses que dos ídolos se converteram ao Deus vivo e verdadeiro, a Quem servem. Nós sentimos dificuldade em adorar e a servir a Deus porque não temos coragem de abandonar os nossos ídolos.

 

1 Tessalonicenses 1, 5c-10

Irmãos: 5cVós sabeis como procedemos no meio de vós, para vosso bem. 6Tornastes-vos imitadores nossos e do Senhor, recebendo a palavra no meio de muitas tribulações, com a alegria do Espírito Santo; 7e assim vos tornastes exemplo para todos os crentes da Macedónia e da Acaia. 8Porque, partindo de vós, a palavra de Deus ressoou não só na Macedónia e na Acaia, mas em toda a parte se divulgou a vossa fé em Deus, de modo que não precisamos de falar sobre ela. 9De facto, são eles próprios que relatam o acolhimento que tivemos junto de vós e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro 10e esperar dos Céus o seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos: Jesus, que nos livrará da ira divina que há-de vir.

 

Este texto é a continuação do de há oito dias.

6 Em Act 17, 5-9 faz-se uma descrição duma dessas muitas tribulações.

7 «Macedónia e Acaia». Eram as duas províncias da administração romana em que então se dividia a Grécia. S. Paulo estava a escrever da Acaia, pois estava em Corinto; Tessalónica (cujo nome procedia da mulher de Cassandro, general de Alexandre, fundador da cidade) ficava na Macedónia.

10 «Ira divina que há-de vir». A ira divina é uma imagem para falar do estrito juízo de Deus a que ninguém pode escapar; há-de vir, isto é, há-de manifestar-se no fim do mundo, por ocasião do Juízo final. Para nós a ira é uma paixão; mas, quando na S. E. se refere a Deus, designa a sua justiça punitiva. Jesus, pela sua obra redentora, livrou-nos do castigo divino merecido.

 

Aclamação ao Evangelho       Jo 14, 23

 

Monição: Dispostos a amar a Deus, e ao próximo por amor de Deus, expressemos no cântico do aleluia a nossa alegria e disponibilidade de vivermos neste amor.

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

Se alguém Me ama, guardará a minha palavra, diz o Senhor;

meu Pai o amará e faremos nele a nossa morada.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 22, 34-40

Naquele tempo, 34os fariseus, ouvindo dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus, reuniram-se em grupo, 35e um doutor da Lei perguntou a Jesus, para O experimentar: 36«Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?» 37Jesus respondeu: «‘Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito’. 38Este é o maior e o primeiro mandamento. 39O segundo, porém, é semelhante a este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. 40Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas».

 

37 «Jesus respondeu», citando uma passagem do A.T. (o texto é mais exacto em Mc 12, 29-30), que todo o judeu piedoso recitava duas vezes por dia – a chamada Xemá – e que muitos escreviam e metiam dentro das filactérias ou caixinhas que atavam à testa, ao braço esquerdo ou às costas da mão (Dt 6, 4-9).

38-39 «O primeiro mandamento… O segundo…». Sendo inseparáveis estes dois preceitos, há neles uma jerarquia: devemos amar a Deus mais do que a ninguém e dum modo incondicional; ao próximo, como consequência e efeito do amor a Deus. Se amasse ao próximo por ele mesmo, e não por amor a Deus, esse amor impediria o cumprimento do primeiro mandamento e deixaria de ser autêntico amor ao próximo, pois entrar-se-ia pelo caminho de pouco se interessar pela sua salvação eterna e de vir a reduzir o próximo a uma determinada classe de pessoas, as que agradam ou oferecem vantagens, ou de o equiparar ao amor a um cachorrinho ou a um gato de estimação.

 

Sugestões para a homilia

 

Parábola «escandalosa» .

Não servir ao dinheiro.

Somos administradores dos bens do Senhor.

Parábola «escandalosa»

Jesus ensinou por meio de parábolas. Elas assinalam um traço característico das suas catequeses. Como bom pedagogo, toma conta de nós no ponto em que nos encontramos e progressivamente nos leva a aprofundar as verdades da fé e os preceitos da lei.

Acontece porém, que nem sempre as Suas parábolas são correctamente entendidas. Já na parábola dos operários enviados a trabalhar para a vinha (Mt 16, 1) houve murmuração contra o proprietário, por parecer que esta não era justo quanto ao salário que pagavam.

Agora chegávamos a elogiar o feitor infiel. Parábola «escandalosa». Será verdade?

S. Agostinho interroga-se a si mesmo porque é que o Senhor apresenta esta parábola, e responde: Não foi porque aquele servo fosse um modelo a imitar, mas porque foi cauteloso, previdente para o futuro. Deve envergonhar-se o cristão que carece deste empenho.

O Senhor quer que ponhamos, nos assuntos da nossa vida espiritual, o empenho, o entusiasmo e a habilidade de que muitos colocam naquilo que lhes interessa, que lhes é mais intimo e querido.

Cristãos convictos e conscientes precisam-se com unidade de vida: não podem ter um tempo para Deus e outro para os negócios deste mundo. Não se pode servir a dois senhores: «a Deus e ao dinheiro» mas servir com a casa de Israel a Deus nos afazeres de cada dia «... amarás o Senhor nosso Deus com todo o teu coração» (Dt 6, 4).

O cristão não há-de apegar-se às riquezas nem pôr nelas o seu coração. «As riquezas são-nos estranhas porque estão fora da nossa natureza; não nascem connosco, não nos sobrevivem. Cristo, ao contrário, é nosso porque é a vida» (S. Ambrósio).

Não servir ao dinheiro

«Que afã põem os homens nos seus assuntos terrenos! Ilusões de honras, ambição de riquezas, preocupações de sensualidade. Quando tu e eu pusermos o nosso afã nos assuntos da nossa alma teremos uma fé viva e operante, não haverá obstáculo que nos vença nos nossos empreendimentos de apostolado» (Caminho, 317).

«Não servir ao dinheiro porque o dinheiro corrompe. Basta ouvir ou ler as notícias que todos os dias nos chegam. Políticos, magistrados, comerciantes, administradores, industriais, empresários são os alvos preferenciais dos tentáculos venenosos do dinheiro.

Cuidado. Precisamos de rezar a ‘Ladainha do dinheiro’ – livrai-nos, Senhor, do dinheiro que escraviza, que corrompe, que leva a juramentos falsos, que encandeia, mata. Do dinheiro proveniente do roubo, do tráfico de droga, da prostituição, da indústria e do comércio da pornografia. Do dinheiro proveniente do dispensável trabalho ao domingo. Do dinheiro proveniente do comércio do sexo...» (Silva Araújo).

Para evitar tudo isto é necessário subordinar a posse, o domínio e o uso das coisas criadas ao seu uso legítimo e vantajoso.

Administradores dos bens do Senhor

Compreende-se que este mundo, dominado pelo império de Mammona e obcecante, tenha dificuldade em amar. A advertência de Jesus: «não podeis servir a Deus e as riquezas». E mais: aceitar a sua palavra de ordem, procurar primeiro, o Reino de Deus e a Sua justiça, e tudo mais vos será acrescentado.

Deus, o seu reino, a sua justiça não serão coisas de outro mundo, inúteis para o progresso deste? Se muitos não se atrevem a responder afirmativamente a esta interrogação, nem por isso a sociedade amorfa, que as multidões constituem, deixar de ser Santo. Construída sobre fundamentos só de matéria, sem ideias de longa trajectória que tão depressa se apagam.

Havemos de servir a Deus com o dinheiro, o prestígio profissional, com a iniciativa e a responsabilidades pessoais que o Senhor elogia com clareza ao referir-se aos filhos deste mundo.

Tudo quanto diz respeito ao bem comum, ao ensino, à defesa da vida, à família, à liberdade, à igualdade de direitos perante a lei, deve ser objectivo das nossas pregações. As leituras desta Missa, sobretudo o Evangelho, lido nas linhas e reflectido nas entrelinhas e posto em vida, levam-nos a combater as injustiças, o abuso dos mais fracos, a marginalização dos pobres e a defender os que são tratados injustamente. Os primeiros cristãos punham tudo em comum em favor dos mais pobres. E nós, o que é que vamos fazer hoje? Deus convida-nos também a partilhar.

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II

PARA O DIA MISSIONÁRIO MUNDIAL 2005

 

«Missão: Pão partido para a vida do mundo»

 

Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. O Dia Missionário Mundial, no corrente ano dedicado à Eucaristia, ajuda-nos a compreender melhor o sentido «eucarístico» da nossa existência, revivendo o clima do Cenáculo, quando Jesus, na vigília da sua paixão, se ofereceu a si mesmo ao mundo: «Na noite em que era entregue, tomou o pão e, tendo dado graças, partiu-o e disse: ‘Isto é o meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de mim’» (1 Cor 11, 23-24).

Na recente Carta Apostólica Mane nobiscum Domine, convidei a contemplar Jesus, «pão partido» para a humanidade inteira. Seguindo o seu exemplo, também nós devemos dar a vida pelos irmãos, especialmente pelos mais necessitados. A Eucaristia contém em si «o sinal da universalidade» e, de modo sacramental, prefigura aquilo que há-de acontecer, «quando os que participam da natureza humana, regenerados em Cristo pelo Espírito Santo, contemplando unanimemente a glória de Deus, puderem dizer: ‘Pai nosso’» (Ad gentes, 7). De tal forma, enquanto faz compreender plenamente o sentido da missão, a Eucaristia impele cada indivíduo crente, e de maneira especial os missionários, a ser «pão partido para a vida do mundo».

A humanidade tem necessidade de Cristo, «pão partido»

2. Na nossa época, a sociedade humana parece envolvida por trevas densas, enquanto é abalada por acontecimentos dramáticos e confundida por calamidades naturais catastróficas. Contudo, assim como fez «na noite em que era entregue» (1 Cor 11, 23), também hoje Jesus «parte o pão» (cf. Mt 26, 26) por nós e, nas Celebrações eucarísticas, oferece-se a si mesmo sob o sinal sacramental do seu amor por todos. Por isso, desejei recordar que «a Eucaristia não é expressão de comunhão apenas na vida da Igreja; é também projecto de solidariedade em prol da humanidade inteira» (Mane nobiscum Domine, 27); é «pão do céu» que, dando a vida eterna (cf. Jo 6, 33), abre o coração dos homens a uma grande esperança.

O próprio Redentor, que à vista da multidão necessitada sentiu compaixão, «pois ela estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor» (Mt 9, 36), presente na Eucaristia, continua ao longo dos séculos a manifestar compaixão pela humanidade pobre e sofredora.

E é em seu nome que os agentes no campo da pastoral e os missionários percorrem caminhos inexplorados, para levar o «pão» da salvação a todos. Eles são animados pela consciência de que, unidos a Cristo, «centro não só da história da Igreja, mas também da história da humanidade (cf. Ef 1, 10; Cl 1, 15-20)» (Mane nobiscum Domine, 6), é possível satisfazer as expectativas mais íntimas do coração humano. Somente Jesus pode saciar a fome de amor e a sede de justiça dos homens; somente Ele torna possível a cada pessoa a participação na vida eterna: «Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu: se alguém comer deste pão, viverá eternamente» (Jo 6, 51).

Juntamente com Cristo, a Igreja faz-se «pão partido»

3. Quando celebra a Eucaristia, de modo especial no domingo, dia do Senhor, a Comunidade eclesial experimenta à luz da fé o valor do encontro com Cristo crucificado e adquire cada vez mais consciência de que o Sacrifício eucarístico é «por muitos» (Mt 26, 28). Se nos alimentamos do Corpo e do Sangue do Senhor crucificado e ressuscitado, não podemos conservar este «dom» somente para nós. Pelo contrário, é necessário difundi-lo. O amor apaixonado por Cristo leva ao anúncio corajoso de Cristo; anúncio que, com o martírio, se torna oferta suprema de amor a Deus e aos irmãos. A Eucaristia leva a uma acção evangelizadora generosa e a um compromisso efectivo na edificação de uma sociedade mais equitativa e fraterna.

Formulo votos cordiais, a fim de que o Ano da Eucaristia estimule todas as comunidades cristãs a ir ao encontro, «com operosidade fraterna [...] das muitas pobrezas do nosso mundo» (Mane nobiscum Domine, 28). E isto porque «do amor mútuo e, em particular, da solicitude por quem passa necessidade, seremos reconhecidos como verdadeiros discípulos de Cristo (cf. Jo 13, 35; Mt 25, 31-46). Com base neste critério, será comprovada a autenticidade das nossas celebrações eucarísticas» (Mane nobiscum Domine, 28).

Os missionários, «pão partido» para a vida do mundo

4. Também hoje Cristo ordena aos seus discípulos: «Dai-lhes vós mesmos de comer» (Mt 14, 16). Em seu nome, os missionários partem rumo a muitas partes do mundo, para anunciar e dar testemunho do Evangelho. Com a sua acção, eles fazem ressoar as palavras do Redentor: «Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim, não mais terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede» (Jo 6, 35); eles mesmos tornam-se «pão partido» para os irmãos, chegando por vezes até ao sacrifício da vida.

Quantos mártires missionários, neste nosso tempo! O seu exemplo leve numerosos jovens a percorrer o caminho da fidelidade heróica a Cristo! A Igreja tem necessidade de homens e de mulheres que estejam dispostos a consagrar-se totalmente à grande causa do Evangelho.

O Dia Missionário Mundial constitui uma circunstância oportuna para tomar consciência da necessidade urgente de participar na missão evangelizadora, em que se encontram comprometidas as Comunidades locais e os numerosos Organismos eclesiais e, de modo particular, as Pontifícias Obras Missionárias e os Institutos Missionários. Trata-se de uma missão que, além da oração e do sacrifício, espera também um apoio material concreto. Uma vez mais, aproveito o ensejo para frisar o serviço prestado pelas Pontifícias Obras Missionárias e convido todos a assisti-las com uma cooperação espiritual e material generosa.

A Virgem, Mãe de Deus, nos ajude a reviver a experiência do Cenáculo, para que as nossas Comunidades eclesiais se tornem autenticamente «católicas»; ou seja, Comunidades em que a «espiritualidade missionária», que é «comunhão íntima com Cristo» (Redemptoris missio, 88), se põe em íntima relação com a «espiritualidade eucarística», que tem como modelo Maria, «mulher ‘eucarística’» (Ecclesia de Eucharistia, 53); Comunidades que permanecem abertas à voz do Espírito e às necessidades da humanidade; e Comunidades onde os fiéis, e especialmente os missionários, não hesitam em fazer-se «pão partido para a vida do mundo».

Concedo-vos a todos a minha Bênção!

 

João Paulo II, Vaticano, 22 de Fevereiro de 2005, Festa da Cátedra de São Pedro.

 

Oração Universal

 

Irmãos, alimentados pela palavra do Senhor,

que nos ilumina enquanto caminhamos neste mundo,

peçamos com confiança:

 

1.  Pelo Papa, Bispos e Sacerdotes,

para que nunca deixem de apontar

os caminhos seguros que levam ao céu,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelos governantes das nações:

para que envidem todos os meios na construção

de uma sociedade mais justa e mais fraterna,

oremos, irmãos.

 

3.  Por todos quantos vivem demasiado

apegados aos bens terrenos,

para que se preocupem em ser «ricos» aos olhos de Deus,

oremos, irmãos.

 

4.  Por todos nós,

para que saibamos superar as tentações

de uma sociedade de consumo,

e fazer bom uso dos bens materiais,

oremos, irmãos.

 

5.  Pelos Jovens,

para que não se deixem seduzir pelo falso amor,

mas vivam o verdadeiro amor, na estima, na dedicação e na renúncia,

oremos, irmãos.

 

6.  Pelos nossos irmãos falecidos,

para que sejam purificados das suas faltas

e o Senhor os receba quanto antes na alegria dos bens eternos,

oremos, irmãos.

 

Concedei-nos, Senhor, a graça de cumprir-nos neste mundo

a Vossa vontade para depois gozar-nos das alegrias eternas.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Em redor do teu altar, M. Carneiro, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Olhai, Senhor, para os dons que Vos apresentamos e fazei que a celebração destes mistérios dê glória ao vosso nome. Por Nosso Senhor...

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

É na Ceia que Jesus melhor revela o amor como caminho de santidade. Nela instituiu a Eucaristia, sinal, sacramento do amor até ao extremo.

A Eucaristia é mistério de comunhão, de dom, de serviço, de vida.

 

Cântico da Comunhão: Dou-vos um mandamento novo, F. Silva, NRMS 71-72

cf. Salmo 19, 6

Antífona da comunhão: Celebramos, Senhor, a vossa salvação e glorificamos o vosso santo nome.

 

Ou

Ef 5, 2

Cristo amou-nos e deu a vida por nós, oferecendo-Se em sacrifício agradável a Deus.

 

Cântico de acção de graças: Louvarei para sempre, M. Simões, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que os vossos sacramentos realizem em nós o que significam, para alcançarmos um dia em plenitude o que celebramos nestes santos mistérios. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O amor é uma Páscoa, uma passagem do egoísmo ao dom sem reservas nem limites. O amor exige ascese, ruptura com aquilo que está em nós: concupiscência da carne, concupiscência dos olhos, confiança orgulhosa nas riquezas (1 Jo 2, 16). Na vida diária havemos de viver no mundo sem ser do mundo, vencendo a tentação «de ser como toda a gente».

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, F. da Silva, NRMS 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

30ª SEMANA

 

2ª feira, 24-X: A Eucaristia e os sentidos.

Rom. 8, 12-17 / Lc. 13, 10-17

Apareceu então uma mulher com um espírito que a tornava enferma havia dezoito anos: andava curvada...

Esta mulher curvada é o símbolo daqueles que têm uma visão muito rasteira, humana, e não conseguem olhar para o alto, para Deus. Facilmente se tornam escravos dos bens terrenos. Só o Espírito Santo os poderá libertar dessas escravidões (cf. Leit.).

De modo semelhante não conseguimos descobrir Jesus na Eucaristia: «Aqui os nossos sentidos falham – a vista, o tacto e o gosto falham –, diz-se no hino Adoro te devote; mas basta-nos simplesmente a fé, radicada na palavra de Cristo... Como Pedro...: ’Senhor para quem havemos de ir? Tu tens palavras de vida eterna’» (IVE, 59).

 

3ª feira, 25-X: O fermento do Evangelho.

Rom. 8, 18-25 / Lc. 13, 18-21

Na verdade as criaturas esperam ansiosamente a revelação dos filhos de Deus.

Nós somos enviados pelo Senhor para sermos o fermento (cf. Ev.) que faz nascer o amor de Deus no ambiente, para revelarmos Deus aos outros que o esperam ansiosamente (cf. Leit.).

«A evangelização e o testemunho missionário tornam-se então forças centrífugas do convite eucarístico. A missão é levar Cristo, de forma credível, aos ambientes da vida, do trabalho, fazendo com que o espírito do Evangelho se torne fermento na história e ‘projecto’ de relações humanas marcadas pela solidariedade e pela paz» (AE, 31).

 

4ª feira, 26-X: Como entrar pela porta estreita.

Rom. 8, 26-30 / Lc. 13, 22-30

Senhor, são poucos os que se salvam?... (Jesus): Esforçai-vos por entrar pela porta estreita.

A vontade de Deus é que todos se salvem. Mas pede-nos que entremos pela porta estreita. Esta afirmação é um apelo urgente à conversão (cf. CIC, 1036).

Por um lado devemos aproveitar bem todas as dificuldades: «Ora nós sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que o amam» (Leit.). Por outro lado, a Eucaristia é um convite à conversão e a uma maior entrega da nossa existência: «Como a acção ritual da Eucaristia é fundada no sacrifício de Cristo... assim a nossa participação na celebração deve trazer consigo a oferta da nossa existência» (AE, 24).

 

5ª feira, 27-X: A vida como sacrifício agradável a Deus.

Rom. 8, 31-35 / Lc. 13, 31-35

...devo seguir o meu caminho, pois não se admite que um profeta morra fora de Jerusalém.

Jesus tomou a firme resolução de se dirigir a Jerusalém (cf. Ev.). Essa era a vontade do Pai: «’Deus não poupou o seu próprio Filho, mas entregou-o para morrer por todos nós’ (Leit. do dia), para que fossemos reconciliados com Ele pela morte do seu Filho» (CIC, 603).

A vida do Senhor é um holocausto incessante segundo a vontade do Pai. Para fazermos igualmente da nossa vida um sacrifício agradável a Deus procuremos «participar na Eucaristia, obedecer ao Evangelho que escutamos, comer o Corpo e beber o Sangue do Senhor» (AE, 24).

 

6ª feira, 28-X: S. Simão e S. Judas: Participar na construção da Igreja.

Ef. 2, 19-22 / Lc 6, 12-19

E, em união com Ele, também vós sois integrados na construção, para vos tornardes, no Espírito Santo, habitação de Deus.

Os Apóstolos S. Simão e S. Judas participaram activamente na construção (missão) da Igreja. Segundo a tradição andaram pelo Egipto, Mesopotâmia e Pérsia, onde sofreram o martírio. Toda a Igreja é enviada a todo o mundo e todos os seus membros participam, embora de diverso modo, deste envio (cf. CIC, 863).

Poderia a Igreja realizar a própria vocação sem cultivar uma constante relação com a Eucaristia? Como participar na missão da Igreja sem cultivar o vínculo eucarístico que nos une a cada irmão na fé, ou melhor, a cada homem? (cf. AE, 31).

 

Sábado, 29-X: Santa Missa e humildade.

Rom. 11, 1-2. 11-12. 25-29 / Lc. 14, 1. 7-11

Pois todo aquele que se eleva será humilhado, e o que se humilha será exaltado.

Em Nossa Senhora encontramos um exemplo concreto desta afirmação de Jesus: Ela apresentou-se como Escrava do Senhor e hoje todas as gerações a proclamam bem aventurada (cf. hino Magnificat). Se nos colocarmos ao serviço de Deus sem condições, seremos elevados a uma grande altura: à santidade.

Na Santa Missa precisamos reconhecer as nossas misérias para podermos participar dignamente nos santos mistérios; pedimos a misericórdia do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo; reconhecemos a nossa indignidade para receber o Senhor na Comunhão...

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:             A. Barreto Marques

Nota Exegética:      Geraldo Morujão

Homilias Feriais:      Nuno Romão

Sugestão Musical:  Duarte Nuno Rocha


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