Solenidade do Pentecostes

Missa do Dia

9 de Junho de 2019

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde Espírito Divino, M. Borda, NRMS 35

Sab 1, 7

Antífona de entrada: O Espírito do Senhor encheu a terra inteira; Ele, que abrange o universo, conhece toda a palavra. Aleluia.

 

Ou

Rom 5, 5; 8, 11

O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que habita em nós. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

“O Espírito do Senhor encheu a terra inteira.

Ele, que abrange o universo, conhece toda a palavra. (Sab 1, 7)

Celebramos hoje a festa de Pentecostes, a festa conclusiva do tempo pascal. Com a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, teve início o nascimento da Igreja. O Espírito Santo transformou profundamente os Apóstolos: tornou-os fortes e corajosos. O Espírito Santo uniu numa mesma comunidade de fé e de amor, povos de todas as raças e culturas (Act 2,1-11).

 

Oração colecta: Deus do universo, que no mistério do Pentecostes santificais a Igreja dispersa entre todos os povos e nações, derramai sobre a terra os dons do Espírito Santo, de modo que também hoje se renovem nos corações dos fiéis os prodígios realizados nos primórdios da pregação do Evangelho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: «Todos ficaram cheios do Espírito Santo.» 

 Jesus tinha prometido o Espírito Santo. Na tarde daquele dia, Jesus cumpriu a sua promessa: “Recebei o Espírito Santo.” (Jo 20, 19-23) Manifestando a Sua presença sob os sinais sensíveis de vento e de línguas de fogo, o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos, transformou-os e consagrou-os para a missão que Jesus lhes tinha confiado. No dia de Pentecostes, homens provenientes das mais diversas partes do mundo, começaram a formar o Povo de Deus, da Nova Aliança.

 

Actos dos Apóstolos 2, 1-11

1Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. 3Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. 4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. 5Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. 6Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. 7Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? 8Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? 9Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, 11tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».

 

1 «Pentecostes» significa, em grego, quinquagésimo (dia depois da Páscoa). Os judeus chamam-lhe Festa das Semanas (em hebraico, xevuôth, 7 semanas depois da Páscoa). Era uma festa em que se ofereciam a Deus as primícias das colheitas, num gesto de acção de graças. Mais tarde, os rabinos também lhe deram o sentido da comemoração da promulgação da Lei no Sinai.

3 «Línguas de fogo que se iam dividindo». O fogo toma esta forma talvez para significar o dom das línguas. Esta nova divisão das línguas tem a finalidade de unir os homens numa mesma fé e não de os separar com aquela divisão das línguas de que se fala no Génesis (11, 1-9).

4 «Começaram a falar outras línguas». Jesus tinha anunciado este prodígio, até então desconhecido (cf. Mc 16, 17). Trata-se de um fenómeno sobrenatural, não dum simples fenómeno de exaltação nervosa. No entanto, não há total acordo entre os exegetas para explicar o milagre das línguas do Pentecostes. A explicação mais habitual é que os Apóstolos falaram então verdadeiros idiomas novos (cf. Mc 16, 17), mas em Actos não se fala de línguas novas (kainais), como em Marcos, mas de línguas diferentes (cf. v. 4: hetérais). Alguns dizem que o milagre estava nos ouvintes, que ouviam na própria língua das terras donde provinham (v. 8) aquilo que os Apóstolos diziam em aramaico. Outros, especialmente nos nossos dias, põem este milagre em relação com o dom das línguas, ou glossolalia, carisma de que se fala em 1 Cor 14, 2-33: seria então um tipo de oração extática, especialmente de louvor, em que se articulavam sons ininteligíveis (algo parecido com aquele fenómeno místico a que Santa Teresa de Jesus chama «embriaguez espiritual, júbilo místico»). Sendo assim, o que aconteceu de particular no dia do Pentecostes, foi que não era preciso um intérprete (como em 1 Cor 14, 27-28) para que os ouvintes entendessem o que diziam os Apóstolos: os ouvintes de boa fé receberam o dom de interpretar o que os Apóstolos diziam, ao passo que os mal dispostos diziam que eles estavam ébrios (v. 13). De qualquer modo, em Actos nunca se diz que a pregação de Pedro (cf. vv. 14-36) foi em línguas; o discurso aparece como posterior a este fenómeno referido no v. 4; em línguas poderia ser algum tipo de oração de louvor, a «proclamar as maravilhas do Senhor» (v. 11).

9-11 Temos aqui uma vasta referência às diversas procedências dos judeus da diáspora: uns teriam mesmo vindo em peregrinação, outros seriam emigrantes que se tinham fixado na Palestina. De qualquer modo, esta enumeração bastante exaustiva e ordenada (a partir do Oriente para Ocidente) pretende pôr em evidência a universalidade da Igreja, que é católica logo ao nascer, destinada a todos os homens de todas as procedências, manifestando-se esta catolicidade na capacidade que todos têm para captar e aderir à pregação apostólica. Por outro lado, também a unidade da Igreja se deixa ver na única mensagem e no único Baptismo que todos recebem; como se lê na 2.ª leitura de hoje, (v. 13) «a todos nos foi dado beber um único Espírito».

 

Salmo Responsorial    Sl 103 (104), 1ab.24ac.29bc-30.31.34 (R. 30 ou Aleluia)

 

Monição: A experiência da salvação faz brotar o louvor e a gratidão; juntamos as nossas súplicas à do salmista e cheios de confiança pedimos ao Pai, em nome de Jesus, que nos envie o Espírito Santo, para que nos renove, renove a Igreja e o mundo inteiro.

 

Refrão:     Enviai, Senhor, o vosso Espírito

                e renovai a face da terra.

 

Ou:           Mandai, Senhor o vosso Espírito,

            e renovai a terra.

 

Ou:           Aleluia.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

Senhor, meu Deus, como sois grande!

Como são grandes, Senhor, as vossas obras!

A terra está cheia das vossas criaturas.

 

Se lhes tirais o alento, morrem

e voltam ao pó donde vieram.

Se mandais o vosso Espírito, retomam a vida

e renovais a face da terra.

 

Glória a Deus para sempre!

Rejubile o Senhor nas suas obras.

Grato Lhe seja o meu canto

e eu terei alegria no Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: São Paulo, na leitura que acabámos de escutar, ensina-nos que é pelo Espírito Santo que nós acreditamos que “Jesus Cristo é o Senhor.” É o Espírito Santo que congrega na unidade os crentes na profissão de uma só fé.  

 

1 Coríntios 12, 3b-7.12-13

Irmãos: 3bNinguém pode dizer «Jesus é o Senhor», a não ser pela acção do Espírito Santo. 4De facto, há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. 5Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. 6Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. 7Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. 12Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. 13Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito.

 

O contexto em que fala S. Paulo aos Coríntios é o de certa confusão que reinava na comunidade acerca dos carismas, em especial os de linguagem. Para começar, avança com um critério de discernimento, a saber, que quem fala o faça de acordo com a verdadeira fé, a confissão de fé na divindade de Jesus: «Jesus é Senhor» (sem artigo em grego, indicando que Jesus é Deus); com efeito, «Senhor» equivale a Yahwéh na tradução grega dos LXX para o nome divino. Por outro lado, deve-se ter em conta que o acto de fé não se pode fazer só pelas próprias forças, é fruto da graça do Espírito Santo (v. 3), que, pelos seus dons, especialmente o do entendimento e o da sabedoria, aperfeiçoam essa mesma fé.

4-5 Pertence à essência da vida da Igreja haver sempre, diversidade de dons espirituais (carismas), ministérios e operações. Estas três designações referem-se fundamentalmente aos mesmos dons de Deus em favor da edificação da Igreja, mas cada um destes três nomes foca um aspecto: a sua gratuidade, a sua utilidade e a sua manifestação do poder actuante de Deus. S Paulo apropria cada um destes aspectos a cada uma das três Pessoas divinas. Toda esta diversidade e variedade de dons procede da unidade divina e concorre para que a unidade a Igreja – um só Corpo (v. 13) – seja mais rica. O Concílio Vaticano II – L. G. 12 – recorda normas práticas acerca destes carismas, ou dons que Deus concede aos fiéis para a «renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja, para o bem comum» (v. 7). E diz que os dons extraordinários não se devem pedir temerariamente, nem deles se devem esperar, com presunção, os frutos das obras apostólicas; e o juízo acerca da sua autenticidade e recto uso, pertence àqueles que presidem na Igreja, a quem compete de modo especial não extinguir o Espírito, mas julgar e conservar o que é bom (cf. 1 Tes 5, 12.19-21). Não se pode opor o carismático ao jerárquico; a vida da Igreja, que se expande pelos carismas, tem que se manter na esfera da verdade, garantida pela Hierarquia, a fim de que seja verdadeira vida, e não mera excrescência doentia e anormal, porventura um princípio de auto-destruição.

12 «Assim como o corpo...». A comparação não é original, mas da literatura profana. S. Paulo adapta-a maravilhosamente à Igreja, concebida como um corpo onde não pode haver rivalidades e divisão: «um só corpo». Aqui está latente a doutrina do Corpo Místico explanada em Colossenses e Efésios, mas ainda não se considera de facto a Igreja universal, o Corpo de Cristo, apenas se considera que os cristãos de Corinto são um organismo – um corpo – dependente de Cristo e com a mesma vida de Cristo (v. 27).

13 «E a todos nos foi dado beber um único Espírito». Os exegetas em geral, tendo em conta que no v. anterior já se tinha falado do Baptismo, pensam haver aqui uma referência ao Sacramento da Confirmação, pois então estes Sacramentos se costumavam receber juntos (cf. Act 19, 5-6), como ainda hoje no Oriente e entre nós nos adultos.

 

Aclamação ao Evangelho

 

Monição: Com a Páscoa, inicia-se a nova Criação. Tal como na primeira, também agora o Espírito Santo está presente para nos dar a vida nova de Jesus ressuscitado. O sopro purificador do Espírito de Deus comunica-se aos Apóstolos de todos os tempos a quem Jesus envia para continuar a obra da Redenção: “Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.” Aleluia

 

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

Vinde, Espírito Santo,

enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor.

 

 

Evangelho

 

São João 20, 19-23

19Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». 20Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. 21Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». 22Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: 23àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».

 

Este texto foi escolhido por nele se falar também de uma comunicação do Espírito Santo, esta no dia de Páscoa, e que permite à Igreja o exercício de uma das principais concretizações da sua missão salvífica: o perdão dos pecados por meio do Sacramento da Reconciliação. (Ver atrás os comentários feitos para o 2.º Domingo da Páscoa). Aqui limitamo-nos a citar um belo texto da Declaração Ecuménica das Igrejas Cristãs (Upsala 1968), baseada num conhecido texto patrístico: «Sem o Espírito Santo, Deus fica longe; Cristo pertence ao passado; o Evangelho é letra morta; a Igreja, mais uma organização; a autoridade, um domínio; a missão, uma propaganda; o culto, uma evocação; o agir cristão, uma moral de escravos. Mas, com o Espírito Santo, o cosmos eleva-se e geme na infância do Reino; Cristo ressuscita e é alento de vida; a Igreja é comunhão trinitária; e a autoridade, serviço libertador; a missão é Pentecostes; e o culto, memorial e antecipação; o agir humano torna-se realidade divina».

 

Sugestões para a homilia

 

O Amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

Como o Pai me enviou, eu também vos envio a vós.

 

O Amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

Celebramos neste Domingo a festa dedicada ao Divino Espírito Santo. Sabemos que nos dias seguintes à ressurreição do Senhor, os Apóstolos permaneceram reunidos entre si, confortados pela presença de Maria, Mãe de Jesus. Depois da Ascensão, perseveravam juntamente com Ela em orante expectativa do Pentecostes.[1] Antes de subir ao Céu, Jesus tinha prometido que enviaria o Espírito Santo. Hoje, a primeira Leitura, tirada dos Actos dos Apóstolos, recorda-nos que se cumpriu a promessa de Jesus. “Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo.”[2]

São João situa a descida do Espírito Santo na tarde do dia de Páscoa. Jesus ressuscitado vai ao encontro dos Apóstolos, oferece a paz e enche-os com o dom do Espírito Santo. “Jesus soprou sobre eles e disse: A paz esteja convosco. Recebei o Espírito Santo.” (Jo 20,19-23) Os Apóstolos ficaram cheios de alegria, quando viram Jesus ressuscitado. Depois do Pentecostes a Igreja é-nos descrita como uma Comunidade cheia de tranquilidade e sem medo. “Tinham um só coração e uma só alma. Gozavam da simpatia de todo o povo.” (Actos 4, 32)

Jesus mostrou-lhes as mãos e o lado: “Não tenhais medo. Vede as minhas mãos e os meus pés. Sou eu mesmo.”[3] O mesmo Jesus que eles viram crucificado, mas que agora tem um corpo glorioso, capaz de entrar em casa com as portas fechadas. Jesus mostrou os sinais da Sua entrega total e amorosa, na cruz. Era necessário desfazer as dúvidas, arrancar o medo, infundir a alegria da vitória sobre a morte. As chagas serão memória permanente da Paixão do Senhor. A Igreja há-de agradecer continuamente a Jesus, porque “pelas Suas chagas fomos curados.” (1 Pedro 2,21)

 “Divinas mãos e pés peito rasgado. Chagas do meu Senhor, redenção minha.”

 

 “Como o Pai me enviou, eu também vos envio a vós.”

O Pentecostes não é apenas um acontecimento do passado, mas continua ainda hoje. Animados pelo dom de Jesus Cristo ressuscitado e fortalecidos pelo Espírito Santo recebido no Sacramento do Crisma, somos enviados ao mundo como mensageiros da paz e da reconciliação. O Espírito Santo faz nascer a Igreja, anima a Igreja e sempre a renova ao longo dos tempos, com seus dons e carismas. «A Igreja encontra sua origem e a sua realização plena no eterno desígnio de Deus. Fundada pelas palavras e as acções de Jesus Cristo, foi realizada mediante a sua Morte redentora e a sua Ressurreição. Foi depois, manifestada como mistério de salvação mediante a efusão do Espírito Santo no Pentecostes. Terá a sua realização plena no final dos tempos, como assembleia celeste de todos os redimidos» (Catecismo Compêndio, 149; Catecismo da Igreja Católica, 778).

São Lucas disse que os Apóstolos começaram a falar em todas as línguas: “Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas.” Deus quis manifestar assim a presença do Espírito Santo, fazendo com que todos aqueles que O tinham recebido falassem em todas as línguas. “Devemos entender, irmãos caríssimos, que se trata do mesmo Espírito Santo pelo qual a caridade de Deus se derrama em nossos corações. A caridade havia de reunir na Igreja de Deus todos os povos da terra; e assim como então, um só homem, ao receber o Espírito Santo, podia falar em todas as línguas, também agora uma só Igreja, reunida pelo Espírito Santo, se exprime em todas as línguas.”[4]

“Foi o Espírito Santo que no princípio da Igreja nascente revelou o conhecimento de Deus a todos os povos da terra e uniu a diversidade das línguas na profissão duma só fé. (Prefácio)

 

Vinde, ó Santo Espírito, vinde, Amor ardente, acendei na terra vossa luz fulgente. 

Vinde, Pai dos pobres: na dor e aflições, vinde encher de gozo nossos corações. 

Lavai nossas manchas, a aridez regai, sarai os enfermos e a todos salvai. 

Abrandai durezas para os caminhantes, animai os tristes, guiai os errantes. 

 

Fala o Santo Padre

 

«O Espírito Santo não traz um ensinamento diferente, mas torna vivo e concreto o ensinamento de Jesus,

a fim de que o tempo que passa não o anule, nem o faça desvanecer.»

Hoje celebramos a grandiosa solenidade de Pentecostes, que completa o Tempo pascal, cinquenta dias depois da Ressurreição de Cristo. A liturgia convida-nos a abrir a nossa mente e o nosso coração ao dom do Espírito Santo, que Jesus prometeu muitas vezes aos seus discípulos, a primeira e principal dádiva que Ele nos concedeu mediante a sua Ressurreição. Este dom foi implorado ao Pai pelo próprio Jesus, como testemunha o Evangelho hodierno, ambientado na última Ceia. Jesus diz aos seus discípulos: «Se me amais, guardareis os meus mandamentos. Eu rogarei ao Pai e Ele dar-vos-á outro Paráclito, para que permaneça eternamente convosco» (Jo14, 15-16).

Estas palavras recordam-nos acima de tudo que o amor por uma pessoa, e também pelo Senhor, não se demonstra com palavras, mas com gestos; e inclusive «observar os mandamentos» deve ser entendido em sentido existencial, de modo que seja envolvida a vida inteira. Com efeito, ser cristão não significa principalmente pertencer a uma certa cultura, nem aderir a uma determinada doutrina, mas sobretudo ligar a própria vida, em todos os seus aspetos, à Pessoa de Jesus e, através dele, ao Pai. Para esta finalidade Jesus promete aos seus discípulos a efusão do Espírito Santo. Precisamente graças ao Espírito Santo, Amor que une o Pai e o Filho, e deles procede, todos nós podemos levar a mesma vida de Jesus. Com efeito, o Espírito ensina-nos tudo, ou seja, a única coisa indispensável: amar como Deus ama.

Quando promete o Espírito Santo, Jesus define-o «outro Paráclito» (v. 16), que significa Consolador, Advogado, Intercessor, ou seja, Aquele que nos assiste e defende, que está ao nosso lado ao longo do caminho da vida e na luta pelo bem e contra o mal. Jesus diz «outro Paráclito» porque o primeiro é Ele mesmo, que se fez carne precisamente para assumir sobre si a nossa condição humana e para a libertar da escravidão do pecado.

Além disso, o Espírito Santo exerce uma função de ensinamento e de memória. Ensinamento e memória: Foi o próprio Jesus que nos disse: «O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e recordar-vos-á tudo quanto vos tenho dito» (v. 26). O Espírito Santo não traz um ensinamento diferente, mas torna vivo e concreto o ensinamento de Jesus, a fim de que o tempo que passa não o anule, nem o faça desvanecer. O Espírito Santo instila este ensinamento no nosso coração, ajuda-nos a interiorizá-lo, levando-o a tornar-se uma parte de nós, carne da nossa carne. Ao mesmo tempo, prepara o nosso coração para que se torne verdadeiramente capaz de acolher as palavras e os exemplos do Senhor. Todas as vezes que a palavra de Jesus é recebida com alegria no nosso coração, isto é obra do Espírito Santo.

[...] Que a Virgem Maria nos alcance a graça de sermos fortemente animados pelo Espírito Santo, para darmos testemunho de Cristo com franqueza evangélica e para nos abrirmos cada vez mais à plenitude do seu amor.

Papa Francisco, Regina Coeli, Praça de São Pedro, 15 de Maio de 2016

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos: Imploremos a Deus nosso Pai

que envie o Espírito Santo sobre a Igreja,

para confirmar a sua renovação pascal,

dizendo (ou: cantando), com alegria:

 

R. Mandai, Senhor, o vosso Espírito.

Ou: Abençoai, Senhor, a vossa Igreja.

Ou: Ouvi, Senhor, o vosso povo.

 

 1. Pela santa Igreja de Deus,

para que, cheia dos dons do Espírito Santo,

seja reunida e confirmada na unidade, oremos.

 

2. Pelo santo Padre, o Papa Francisco

pelo nosso Bispo, seu presbitério e diáconos,

para que Deus lhes conceda em abundância

o espírito de sabedoria e de santidade, oremos.

 

3. Pelos responsáveis políticos dos povos,

para que promovam a solidariedade entre as nações

e a justa distribuição dos bens em toda a terra, oremos.

 

4. Pelos que são vítimas da fraqueza humana e

dos extravios do próprio coração,

para que o Espírito do Senhor os ilumine, oremos.

 

5. Pelo povo de Deus aqui reunido

e pelos fiéis da nossa Diocese,

para que o Espírito nos faça crescer na caridade, oremos.

 

Deus eterno e omnipotente, que, na manhã do Pentecostes,

enviastes o Espírito Santo sobre os Apóstolos,

tornai-nos, como eles, testemunhas do Evangelho,

para proclamarmos, com alegria, as vossas maravilhas.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O Espírito de Deus Repousou, Az. Oliveira, NRMS 58

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor nosso Deus, que o Espírito Santo, segundo a promessa do vosso Filho, nos revele plenamente o mistério deste sacrifício e nos faça conhecer toda a verdade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

 

O mistério do Pentecostes

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte.

Hoje manifestastes a plenitude do mistério pascal e sobre os filhos de adopção, unidos em comunhão admirável ao vosso Filho Unigénito, derramastes o Espírito Santo, que no princípio da Igreja nascente revelou o conhecimento de Deus a todos os povos da terra e uniu a diversidade das línguas na profissão duma só fé.

Por isso, na plenitude da alegria pascal, exultam os homens por toda a terra e com os Anjos e os Santos proclamam a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: Santo III, H. Faria, NRMS 103 104

 

Monição da Comunhão

 

“O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que habita em nós.” (Rom 5, 5) O Espírito Santo que nos foi dado faz de nós Filhos de Deus. Que o Espírito Santo nos dê coragem e alegria de sermos verdadeiros discípulos de Jesus ressuscitado, que nos alimenta com o seu Corpo e o seu Sangue.

“Vinde, Espírito Divino, Celeste Consolador, e realizai nas almas as obras do vosso amor.

Vinde, Espírito Divino, com o dom da Sapiência, ensinar a distinguir a verdade da aparência.

Vinde, Espírito Divino, com o dom da Fortaleza, fazer crescer nossa fé com invencível firmeza.

Vinde, Espírito Divino, vinde ao nosso coração, a mostrar-nos o caminho que conduz à salvação.

Para que todos unidos no fogo da caridade sejamos irmãos, agora e por toda a eternidade.”

 

Cântico da Comunhão: Se Alguém Tem Sede, M. Carneiro, NRMS 82-83

Actos 2, 4:11

Antífona da comunhão: Todos ficaram cheios do Espírito Santo e proclamavam as maravilhas de Deus. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: O Amor de Deus Repousa em Mim, M. Luis, NCT 388

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, que concedeis com abundância à vossa Igreja os dons sagrados, conservai nela a graça que lhe destes, para que floresça sempre em nós o dom do Espírito Santo, e o alimento espiritual que recebemos nos faça progredir no caminho da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

EXORTAÇÃO APOSTÓLICA “GAUDETE ET EXSULTATE”

DO SANTO PADRE, O PAPA FRANCISCO,

SOBRE A CHAMADA À SANTIDADE NO MUNDO ACTUAL

176. Desejo coroar estas reflexões com a figura de Maria, porque Ela viveu como ninguém as bem-aventuranças de Jesus. É Aquela que estremecia de júbilo na presença de Deus, Aquela que conservava

tudo no seu coração e Se deixou atravessar pela espada. É a mais abençoada dos santos entre os santos, Aquela que nos mostra o caminho da santidade e nos acompanha. E, quando caímos, não aceita deixar-nos por terra e, às vezes, leva-nos nos seus braços sem nos julgar. Conversar com Ela consola-nos, liberta-nos, santifica-nos. A Mãe não necessita de muitas palavras, não precisa que nos esforcemos demasiado para Lhe explicar o que se passa connosco. É suficiente sussurrar uma vez e outra:

«Ave Maria...»

177. Espero que estas páginas sejam úteis para que toda a Igreja se dedique a promover o desejo da santidade. Peçamos ao Espírito Santo que infunda em nós um desejo intenso de ser santos para

a maior glória de Deus; e animemo-nos uns aos outros neste propósito. Assim, compartilharemos uma felicidade que o mundo não poderá tirar-nos.

 

Cântico final: Ide por Todo o Mundo, M. Faria, NRMS 23

 

 

Na despedida do povo, o diácono ou o próprio sacerdote diz:

 

Ide em paz e o Senhor vos acompanhe. Aleluia. Aleluia.

 

O povo responde:

 

Graças a Deus. Aleluia. Aleluia.

 

 

Terminado o Tempo Pascal, convém levar o círio pascal para o baptistério e conservá-lo aí com a devida reverência, para que, na celebração do Baptismo, se acenda na sua chama a vela dos baptizados.

 

Nos lugares em que há o costume de afluírem em grande número os fiéis para assistirem à Missa na segunda ou também na terça-feira depois do Pentecostes, pode dizer-se a Missa do Domingo de Pentecostes ou a Missa votiva do Espírito Santo (p.1260).

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        José Roque

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:               Duarte Nuno Rocha

 

 

 

 



[1] Actos 1, 13-14

[2] Actos 2,3-4

[3] Lucas 24,39

[4] Sermões de um Autor africano do século VI, Oficio de Leitura Sábado da VII Semana do tempo Pascal


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