28º Domingo Comum

9 de Outubro de 2005

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Subirei alegre, M. Carneiro, NRMS 87

Salmo 129, 3-4

Antífona de entrada: Se tiverdes em conta as nossas faltas Senhor, quem poderá salvar-se? Mas em Vós está o perdão, Senhor Deus de Israel.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

No Evangelho Jesus fala-nos do banquete do Céu para o qual são convidados todos os homens. A Eucaristia que celebramos é figura desse banquete. Dissemos sim ao convite que o Senhor nos fez. Enchamo-nos de alegria por estarmos na Sua casa e à Sua mesa.

 

Vejamos, no entanto, se temos o traje apropriado e preparemos a nossa alma devidamente.

 

Oração colecta: Nós Vos pedimos, Senhor, que a vossa graça preceda e acompanhe sempre as nossas acções e nos torne cada vez mais atentos à prática das boas obras. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Senhor preparou para todos os homens o banquete da felicidade, que se realizará plenamente, um dia, no céu. Ali já não haverá sofrimento nem lágrimas.

 

Isaías 25, 6-10a

6Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos. 7Sobre este monte, há-de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações; 8destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo. Porque o Senhor falou. 9Dir-se-á naquele dia: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança. Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou. 10aA mão do Senhor pousará sobre este monte».

 

6 «Para todos os povos ... um banquete». Isaías anuncia a salvação messiânica como extensiva a todos os povos e sob a imagem dum esplêndido banquete. Esta é a razão da escolha do texto, para introduzir a parábola do banquete nupcial do Evangelho de hoje.

10 «A mão do Senhor». Não é um simples antropomorfismo, mas uma expressiva imagem para indicar a bênção e a protecção de Deus.

 

Salmo Responsorial    Sl 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 6cd )

 

Monição: Com o salmista cantemos entusiasmados porque Jesus é o nosso bom pastor, que prepara para nós, no caminhar da vida, um maravilhoso alimento e nos fará repousar na Sua casa para sempre .

 

Refrão:        habitarei para sempre na casa do Senhor

 

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários;

com óleo me perfumais a cabeça

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo agradece a ajuda generosa dos cristãos de Filipos e manifesta o seu desapego dos bens deste mundo.

 

Filipenses 4, 12-14.19-20

Irmãos: 12Sei viver na pobreza e sei viver na abundância. Em todo o tempo e em todas as circunstâncias, tenho aprendido a ter fartura e a passar fome, a viver desafogadamente e a padecer necessidade. 13Tudo posso n’Aquele que me conforta. 14No entanto, fizestes bem em tomar parte na minha aflição. 19O meu Deus proverá com abundância a todas as vossas necessidades, segundo a sua riqueza e magnificência, em Cristo Jesus. 20Glória a Deus, nosso Pai, pelos séculos dos séculos. Amen.

 

Autores há que pensam que a leitura faz parte de um bilhete de agradecimentos aos filipenses pela ajuda enviada (Filp 4, 10-23), escrito noutra ocasião, após a chegada de Epafrodito (v. 18), tendo vindo a ser integrado numa carta que corresponderia a duas ou três missivas de Paulo. O Apóstolo estava preso (tradicionalmente em Roma, mais recentemente pensa-se antes em Éfeso). Deixa-nos aqui uma lição de como se deve saber viver «tanto na pobreza como na abundância» (v. 12). Isto não significa desinteresse e alheamento pela justa promoção do bem estar material, evidentemente, embora pressuponha que não se lhe dê uma primazia absoluta. Paulo coloca toda a sua fortaleza – toda a sua auto-suficiência – em Cristo, e não nos bens, que não passam de meios (cf. v. 13), com que Ele não falta aos que O servem.

 

Aclamação ao Evangelho       cf. Ef 1, 17-18

 

Monição: Jesus convidou-nos para o banquete da Eucaristia e quer que chamemos tantos e tantos, perdidos pelos caminhos deste mundo. Ouçamo-Lo com atenção.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo

ilumine os olhos do nosso coração,

para sabermos a que esperança fomos chamados.

 

 

Evangelho *

Nota de rodapé

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Mateus 22, 1-14     Forma breve: São Mateus 22, 1-10

1Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas, disse-lhes: 2«O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete para o seu filho. 3Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir. 4Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes: ‘Dizei aos convidados: Preparei o meu banquete, os bois cevados foram abatidos, tudo está pronto. Vinde às bodas’. 5Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio; 6os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-nos. 7O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade. 8Disse então aos servos: ‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. 9Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes’. 10Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados.

[11O rei, quando entrou para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial e disse-lhe: 12‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’ Mas ele ficou calado. 13O rei disse então aos servos: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes’. Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos».]

 

A parábola dos convidados para as bodas (com grande paralelo com a de Lc 14, 15-24) está na sequência das dos dois últimos domingos, a dos dois filhos e a dos vinhateiros homicidas, pois se insere nas controvérsias de Jesus com as autoridades judaicas de Jerusalém e visam apresentar a Igreja como o novo povo de Deus, que corresponde à chamada divina. Esta parábola completa as anteriores, ao apresentar claramente o chamamento para o «banquete» – imagem bíblica do Reino de Deus – dirigido a todos os que os mensageiros encontrarem «nas encruzilhadas dos caminhos» (v. 9).

1-7 A primeira parte da parábola fala do convite feito, em primeiro lugar, aos mais dignos – os judeus – para entrarem no Reino de Deus inaugurado por Cristo (o filho). É um convite, por isso pode não ser aceite; mas, dado que é Deus quem convida, não há nenhuma escusa legitima: não podem prevalecer impunemente os mesquinhos interesses humanos ao maravilhoso plano divino.

8-13 A segunda parte refere-se à chamada dos gentios – os menos dignos – à fé. Mas também não é suficiente a fé; são necessárias as boas obras («o traje nupcial»: v. 12). A parábola também mostra como no Reino de Deus há bons e maus, mas, quando o Rei vier – para o juízo final (é claro o matiz escatológico da parábola) –, excluirá definitivamente todos os que não quiseram vestir o traje nupcial da graça.

 

Sugestões para a homilia

 

Preparou um banquete

Traje nupcial

Habitarei na casa do Senhor…

Preparou um banquete

Vai terminar o Ano da Eucaristia proclamado por João Paulo II. Foi para todos os católicos oportunidade para voltar mais os olhos para este mistério maravilhoso da fé cristã e para aprofundar no conhecimento e no amor a Jesus na Eucaristia.

Nela torna presente todos dias o Sacrifício da Cruz, em que nos conquistou todas as graças. Por isso a Santa Missa é a fonte e o cume da vida cristã. Dela tudo irradia e para ela tudo se encaminha. Toda a nossa vida há-de ser oferecida ao Pai pelas mãos de Jesus no altar. Só assim tem valor todo o nosso viver.

Mas a Eucaristia é também um banquete de felicidade, figurando o que Deus preparou para nós no céu. Disso nos fala a primeira leitura e o Evangelho.

Em cada missa Deus prepara o banquete de Seu Filho. Manda os Seus criados a convidar toda a gente, bons e maus, sem distinção. Muitos desculpam-se e não querem vir. Até chegam a tratar mal os enviados do grande Rei.

Não nos admiremos de que isto continue a acontecer. São as desculpas dos negócios, dos trabalhos e dos prazeres terrenos, Muitos arriscam a sua felicidade neste mundo e no outro por causa de bolas de sabão, que rapidamente se desfazem.

Agradeçamos ao Senhor ter-nos convidado, ter-nos feito apreciar a maravilha da Eucaristia, em que somos convivas de Deus. Podemos sentar-nos à Sua mesa, comer das iguarias que prepara para nós. Alimenta-nos da Sua palavra, que dá sentido à nossa vida. Alimenta-nos com o Pão do Céu, que é o Corpo e Sangue de Cristo, tornado presente sobre o altar.

Em cada missa avivemos a nossa fé e a nossa gratidão ao Senhor. Que tenhamos esse enlevo eucarístico que João Paulo II desejava para todos os cristãos: «Há no evento pascal e na Eucaristia que o actualiza ao longo dos séculos, uma capacidade realmente imensa, na qual está contida a história inteira, enquanto destinatária da graça da redenção. Este enlevo deve invadir sempre a assembleia eclesial reunida para a celebração eucarística… É este enlevo eucarístico que desejo despertar com esta carta encíclica… Contemplar o rosto de Cristo e contemplá-Lo com Maria é o programa que propus à Igreja na aurora do terceiro milénio, convidando-a a fazer-se ao largo no mar da história». (Cf. A Igreja vive da Eucaristia, 5 e 6).

O conhecido escritor francês André Frossard converteu-se um dia ao entrar numa igreja de Paris e ao encontrar ali um amigo. Ao sair já era católico. Não era baptizado nem havia recebido qualquer formação religiosa. Começou a aprender a doutrina cristã das mãos dum bom sacerdote e tudo o que ouvia enchia-o de alegria. Só uma coisa o surpreendeu: a Eucaristia. Escreveu: «Não é que me parecesse inacreditável; maravilhava-me que o amor de Deus tivesse encontrado esse meio inaudito de comunicar-se e, sobretudo, que tivesse escolhido o pão, que é o alimento do pobre e o alimento preferido das crianças. De todos os dons postos diante de mim pelo cristianismo esse era o mais formoso» (Deus existe e eu encontrei-O).

Traje nupcial

O Rei entra na sala do banquete – diz o evangelho – e vê um dos convidados sem o traje nupcial: «amarrai-o de pés e mãos e lançai-o nas trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes»

Temos de entrar na missa de veste branca, com a alma revestida da graça, que recebemos no baptismo. Só assim podemos unir-nos a Cristo na Santa Missa. O cristão em pecado mortal é uma monstruosidade. Se tivermos a desgraça de cometer algum procuremos imediatamente recuperar a graça com a nossa contrição sincera e o desejo de nos confessarmos quanto antes.

Para comungar é preciso estar na graça de Deus. João Paulo II lembrava na Encíclica da Eucaristia:

«um tal dever recorda-o o Apóstolo com a advertência seguinte: ‘Examine-se cada qual a si mesmo e então coma deste pão e beba desse cálice’» (1 Cor 11, 28). Com a sua grande eloquência, S. João Crisóstomo assim exortava os fiéis: «também eu levanto a voz e vos suplico, peço, esconjuro para não vos abeirardes desta Mesa sagrada com uma consciência manchada e corrompida. De facto, uma tal aproximação nunca poderá chamar-se comunhão, ainda que toquemos mil vezes o Corpo do Senhor, mas condenação, tormento e redobrados castigos» (Homil. sobre Isaías, 6, 3: PG 56, 139).

E o Santo Padre continuava: «Desejo por conseguinte reafirmar que vigora ainda e sempre há-de vigorar na Igreja a norma do Concílio de Trento que concretiza a severa advertência do Apóstolo Paulo, ao afirmar que para uma digna recepção da Eucaristia «se deve fazer antes a confissão dos pecados, quando alguém está consciente de pecado mortal» (nº 36).

O Ano da Eucaristia deve levar aqueles que esquecem esta doutrina a fazer uma séria reflexão sem se desculparem com opiniões, mesmo de pessoas com responsabilidade na Igreja.

Há-de leva-nos a cuidar a recepção frequente da Penitência, que é melhor maneira de preparar a recepção frutuosa da Eucaristia. João Paulo II lembrava a seguir: «A Eucaristia e a Penitência são dois sacramentos intimamente unidos. Se a Eucaristia torna presente o sacrifício redentor da Cruz, perpetuando-o sacramentalmente, isso significa que deriva dela uma contínua exigência de conversão, de resposta pessoal à exortação que S. Paulo dirigia aos cristãos de Corinto: «Suplicamo-vos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus» (2 Cor 5, 20) (37).

Habitarei na casa do Senhor…

A Eucaristia é de verdade já uma antecipação do Céu. É imagem desse banquete das bodas do Cordeiro que para sempre se celebrará no Céu.

João Paulo II escrevia: «A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço de céu que se abre sobre a terra; é um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da nossa história e vem iluminar o nosso caminho» (A Igreja vive da Eucaristia, 19).

Ao falar em Cafarnaum Jesus diz: «Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia» (Jo 6, 54). A Eucaristia é penhor desse banquete da felicidade e da ressurreição gloriosa no final dos tempos.

Temos de cantar cheios de alegria muitas vezes o salmo deste domingo:

«O Senhor é meu pastor nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados, conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma

Para mim preparais a mesa…com óleo me perfumais a cabeça.

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me todos os dias d minha vida e habitarei na casa do Senhor para todo o sempre» (Salmo). Não é apenas poesia mas realidade que ultrapassa as palavras humanas.

Ano da Eucaristia. Que tenha aumentado a nossa fé e o nosso amor, manifestado com obras.

Que a Virgem nos ensine a ser almas da Eucaristia, a viver a amizade contínua e doce com Jesus que vive cá na terra nos sacrários das nossas igrejas. «Ponhamo-nos – dizia João Paulo II – sobretudo à escuta de Maria Santíssima, porque nEla como em mais ninguém, o Mistério eucarístico aparece como o mistério da luz. Olhando-A, conhecemos a força transformadora que possui a Eucaristia. Nela vemos o mundo renovado no amor. Contemplando-A, elevada ao Céu em corpo e alma, vemos um pedaço do ‘novo céu’ e da ‘nova terra’ que se hão-de abrir diante dos nossos olhos na segunda vinda de Cristo. A Eucaristia constitui aqui na terra o seu penhor e é, de algum modo, antecipação: Veni, Domine Jesu» (Ap 22, 20) (Ibid. 62)

 

Fala o Santo Padre

 

«Todos nós somos chamados, e chamados pelo nome.»

 

3. «Eis que tudo está pronto. Que venham para a festa!» (cf. Mt 22, 4).

Na página evangélica, que acaba de ser proclamada […], ressoou o convite para as núpcias reais. Todos nós somos convidados. O chamamento do Pai misericordioso e fiel constitui o próprio núcleo da Revelação divina e, em particular, do Evangelho. Todos nós somos chamados, e chamados pelo nome.

«Vinde!». O Senhor chamou-nos para fazer parte da sua Igreja, una, santa, católica e apostólica. Por meio do único Baptismo, fomos inseridos no único Corpo de Cristo. Todavia, a resposta foi sempre um sim incondicionado? Infelizmente, às vezes não rejeitamos porventura o convite? Não dilacerámos, acaso, a túnica inconsútil do Senhor, afastando-nos uns dos outros? Sim! Esta nossa divisão recíproca é contrária à sua vontade.

Que não se aplique também a nós, este juízo duro:«A festa nupcial está pronta, mas os convidados não a mereceram» (Mt 22, 8). […]

4. […] Hoje, o convite do Evangelho dirige-se-nos de maneira particular a nós. Deus nos livre de fazer como aqueles que «um foi para o seu campo, outro foi fazer os seus negócios» (Mt 22, 5).

5. Na parábola evangélica, o rei perguntou a um dos seus comensais: «Amigo, como foi que entraste aqui sem o traje de festa?» (Ibid., v. 12). Estas palavras interpelam-nos. Recordam-nos que devemos preparar-nos para as núpcias reais, revestindo-nos do Senhor Jesus Cristo (cf. Rm 13, 14; Gl 3, 27).

A participação na Eucaristia pressupõe a conversão a uma vida nova. E também a participação comum, a plena comunhão, pressupõe a conversão. Não há ecumenismo verdadeiro sem a conversão interior e a renovação da mente (cf. Unitatis redintegratio, 6-7), sem a superação dos preconceitos e das desconfianças; sem a eliminação das palavras, das opiniões e dos actos que não reflectem com equidade e verdade a condição dos irmãos separados; sem a vontade de chegar a amar o outro, a instaurar uma amizade recíproca e a alimentar o amor fraterno.

Para alcançarmos a plena comunhão, devemos ultrapassar com coragem as nossas ociosidades e os nossos limites de coração (cf. Novo millennio ineunte, 48). Devemos cultivar a espiritualidade da comunhão, que é a capacidade «de sentir o irmão de fé... como ‘alguém que faz parte de mim’, para saber compartilhar as suas alegrias e os seus sofrimentos, para intuir os seus anseios e dar remédio às suas necessidades, para lhe oferecer uma verdadeira e profunda amizade» (Novo millennio ineunte, 43). Devemos alimentar incessantemente a paixão pela Unidade. […]

 

João Paulo II, Vaticano, Domingo, 13 de Outubro de 2002

 

Oração Universal

 

Um dos fins da Eucaristia é pedir.

Na oração universal apresentamos, agora,

com Jesus ao Pai as necessidades de todos os homens:

 

1   Pela Santa Igreja Católica,

para que todos vejam nela Cristo presente entre os homens,

que se dá a todos na Eucaristia,

oremos ao Senhor

 

2.  Pelo Santo Padre,

para que guie com a sabedoria e fortaleza de Deus

o Rebanho que Jesus lhe confiou,

oremos ao Senhor.

 

3.  Pelos bispos e sacerdotes,

para que sejam almas da Eucaristia

transmitindo a todos o enlevo por ela,

oremos ao Senhor.

 

4.  Por todos os cristãos,

para que vivam melhor a Santa Missa de cada domingo,

e nela se encham da força e da alegria de Cristo,

oremos ao Senhor.

 

5.  Para que todos visitemos mais vezes a Jesus no sacrário,

sabendo consumir tempo em adoração ao Senhor

e encontrando ali a nossa força e consolação,

oremos ao Senhor.

 

6.  Pelos jovens de todo o mundo para que, seguindo a Jesus,

se deixem guiar pelo Seu Espírito para renovarem o mundo,

oremos ao Senhor.

 

7.  Para que todos os cristãos procurem

com mais fé e pontualidade o Sacramento da Penitência,

onde o Espirito Santo renova os corações pelo perdão de Deus,

oremos ao Senhor.

 

Senhor, que nos encheis da Vossa graça em Cristo, presente na Eucaristia,

fazei-nos crescer na fé e no amor a Ele. Pelo mesmo N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive

e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Tomai, Senhor, e recebei, J. Santos, NRMS 70

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, as orações e as ofertas dos vossos fiéis e fazei que esta celebração sagrada nos encaminhe para a glória do Céu. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. dos Santos, NTC 201

 

Monição da Comunhão

 

Ano da Eucaristia. Que sintamos desejos de imitar Nossa Senhora no acolhimento a Jesus na sagrada comunhão.

 

Cântico da Comunhão: Eucaristia, celeste alimento, M. Carneiro, NRMS 77-79

Salmo 33, 11

Antífona da comunhão: Os ricos empobrecem e passam fome; mas nada falta aos que procuram o Senhor.

 

Ou

cf. 1 Jo 3,2

Quando o Senhor se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear, F da Silva, NRMS 17

 

Oração depois da comunhão: Deus de infinita bondade, que nos alimentais com o Corpo e o Sangue do vosso Filho, tornai-nos também participantes da sua natureza divina. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Jesus alimentou-nos com a Sua Palavra e o Seu corpo e Sangue. Vamos continuar lá fora o que aqui celebrámos. Que o nosso pensamento venha aqui muitas vezes pela semana adiante.

 

Cântico final: Ao Deus do universo, J. Santos, NRMS 1 (I)

 

 

Homilias Feriais

 

28ª SEMANA

 

2ª feira, 10-X: Os sinais do pão e do vinho.

Rom. 1, 1-7 / Lc. 11, 29-32

Esta geração é uma geração perversa; pretende um sinal, mas nenhum sinal lhes será dado, senão de Jonas.

Jesus não fará nesta ocasião nenhum milagre, nem apresentará nenhum sinal (cf. Ev.). Para quem não tem boas disposições até os maiores prodígios podem ser mal interpretados. Foi o que aconteceu quando Jesus anunciou o milagre da Eucaristia em Cafarnaum.

Na Missa temos os sinais do pão e do vinho que são sinais sensíveis de uma realidade invisível: o sacramento contém o que significa. E também representam a nossa existência: «No pão e no vinho que levamos ao altar está representada a nossa existência: o sofrimento e o empenho de viver como Cristo» (AE, 24).

 

3ª feira, 11-X: Eucaristia e purificação do coração.

Rom. 1, 16-25 / Lc. 11, 37-41

Vós fariseus sois mesmo assim! Limpais o exterior do copo e do prato, mas o vosso interior está cheio de malvadez.

Procuremos purificar-nos muito bem para recebermos o Senhor na Eucaristia.

A dimensão penitencial está bem presente na celebração eucarística: no acto penitencial, no canto do Glória, do Agnus Dei. «A Eucaristia estimula à conversão e purifica o coração penitente, consciente das próprias misérias e desejoso do perdão de Deus, mesmo que não substitua a confissão sacramental, único meio ordinário, para os pecados graves, de receber a reconciliação com Deus e com a Igreja» (AE, 22).

 

4ª feira, 12-X: Conversão de um coração endurecido.

Rom. 2, 1-11 / Lc. 11, 42-46

Pelo teu coração duro e impenitente, estás a acumular sobre ti a indignação divina.

O coração pode endurecer na medida em que se fecha à misericórdia do Senhor; em que considera a confissão sacramental sem importância para a vida. Um coração duro adquire «uma impermeabilidade de consciência, um estado de ânimo que se poderia dizer consolidado em função de uma livre escolha: é o que a Sagrada Escritura costuma chamar dureza do coração. Nos nossos tempos esta atitude da mente e do coração corresponde talvez à perda do sentido do pecado» (João Paulo II). Jesus faz um convite à conversão daqueles que d’Ele se aproximam (3º mistério luminoso).

 

5ª feira, 13-X: Espírito de reparação.

Rom. 3, 21-30 / Lc. 11, 47-54

Deus apresentou-se como aquele que expia os pecados pelo seu sangue derramado e por meio da fé.

Cada vez que se celebra a Missa repara-se por todos os pecados do mundo. Na verdade «o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício» (CIC, 1367).

Em união com Cristo, oferecemos a Missa ao Pai e oferecemo-nos a nós mesmos: «como a acção ritual da Eucaristia é fundada no sacrifício que Cristo ofereceu uma vez por todas nos dias da sua existência terrena... assim a nossa participação na celebração deve trazer consigo a oferta da nossa existência» (AE, 24). Este acto de união deve influir decisivamente no nosso trabalho, nas relações sociais, nas alegrias e nos fracassos...

 

6ª feira, 14-X: O cuidado nas celebrações eucarísticas.

Rom. 4, 1-8 / Lc. 12, 1-7

Não se vendem cinco passarinhos por duas moedas? E nem um deles está esquecido diante de Deus.

«Deus ama e cuida de todas as suas criaturas e cuida de cada uma, até dos passarinhos. No entanto, Jesus diz: 'Valeis mais do que muitos passarinhos’ (Ev. do dia)» (CIC, 342).

Se assim cuida Deus de nós, também devemos cuidar tudo o que se refere a Deus, especialmente o que se refere à Eucaristia: «Quando me lembro de que o Senhor se queixou do fariseu por não tê-lo recebido honrosamente, quereria que tudo, desde o umbral da igreja, estivesse empapado de bálsamo» (S. Teresa de Ávila).

 

Sábado, 15-X: Deus sabe mais.

Rom. 4, 13. 16-18 / Lc 12, 8-12

Contra toda a esperança humana, Abraão teve esperança e acreditou. Por isso, tornou-se pai de muitas nações.

Abraão não vacilou apesar de já ser muito idoso e a sua mulher estéril, porque se apoiou firmemente no poder e na misericórdia divinas (cf.Leit.).

Às vezes, o Senhor permite que sejamos atingidos pela dor e pelo sofrimento. Se assim acontece, é porque há uma razão mais alta que não compreendemos e que será um grande benefício para nós, para a família e os amigos: «Este é o nosso grande engano: não nos abandonamos inteiramente ao que o Senhor faz, porque Ele sabe melhor o que nos convém» (S. Teresa de Ávila).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:             Celestino Correia Ferreira

Nota Exegética:      Geraldo Morujão

Homilias Feriais:      Nuno Romão

Sugestão Musical:  Duarte Nuno Rocha


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