Anunciação do Senhor

25 de Março de 2019

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Alegrai-vos, ó Virgem Maria, M. Luís, NCT 647

Hebr 10, 5.7

Antífona de entrada: Ao entrar no mundo, o Senhor disse: Eu venho, meu Deus, para fazer a vossa vontade.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos o acontecimento magnífico da Encarnação do Verbo de Deus. O Filho do Deus Altíssimo desce à nossa humanidade como expressão radical do Seu amor incondicional por todos nós.

Tal movimento amoroso tem a sua semelhança com a Eucaristia, onde Deus se torna presente, como sinal máximo do seu amor atual e vivo. Deus, todos os dias e em todos os momentos, nos ama, e como prova desse amor, dá-se inteiramente no Corpo entregue e Sangue derramado.

Prepararemos o nosso coração e a nossa inteligência para que este acontecimento seja vivido de forma ativa e consciente e produza frutos abundantes em nossa vida.

Contemplemos Maria e façamo-nos também servos de tão humilde Senhor que assumiu a nossa condição humana.

 

Oração colecta: Deus, Pai santo, que na vossa benigna providência quisestes que o vosso Verbo assumisse verdadeira carne humana no seio da Virgem Maria, concedei-nos que, celebrando o nosso Redentor como verdadeiro Deus e verdadeiro homem, mereçamos também participar da sua natureza divina. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Escutemos a notícia mais maravilhosa: “a viagem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome “Emanuel”, Deus connosco”.

 

Isaías 7, 10-14 8, 10

Naqueles dias, 10o Senhor mandou ao rei Acaz a seguinte mensagem: 11«Pede um sinal ao Senhor teu Deus, quer nas profundezas do abismo, quer lá em cima nas alturas». 12Acaz respondeu: «Não pedirei, não porei o Senhor à prova». 13Então Isaías disse: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? 14Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será ‘Emanuel’, porque Deus está connosco».

 

Este célebre texto messiânico é extraído do início do «Livro do Emanuel», assim chamado pela misteriosa figura central do Immánu-El (connosco-Deus), um «menino» descrito com traços que excedem tudo o que a história da monarquia hebraica regista (Is 7, 1 – 12, 6), daí o seu carácter messiânico, em quem os cristãos vêem uma figura do Salvador.

10-13 Como prova de que o rei Acaz não virá a ser destronado e substituído pelo filho de Tabel, estranho à linhagem davídica (estamos na conjura siro-efraimita contra o rei de Judá), o profeta Isaías propõe ao rei que peça um sinal divino, o mais extraordinário que seja (cf. v. 11). O rei, com hipócrita religiosidade, nega-se a pedir esse sinal, porque não acredita em sinais, em coisas sobrenaturais. Foi por esta ocasião (o que não quer dizer exactamente o mesmo momento) em que o Profeta, dirigindo-se à linhagem (casa) de David, anunciou que o Senhor dará um sinal verdadeiramente extraordinário e que o trono de David se consolidará eternamente (cf. 2 Sam 7, 16).

14 Esse «sinal» é a virgem que concebe. Muito se tem discutido e escrito sobre este sinal. Uma coisa é certa, é que o crente não pode prescindir de algum sentido messiânico (directo ou indirecto) desta célebre passagem isaiana. De facto, a própria exegese bíblica mostra que estamos no chamado «Livro do Imanuel» (Is 7 – 12), uma secção de carácter vincadamente messiânico por apontar para um descendente de David em quem se concentram as promessas da salvação de Deus, o Imanuel (o Deus connosco); embora, em primeiro plano, possa ser visado o próprio filho do rei Acaz, Ezequias, ele é considerado uma figura ou tipo do Messias. A tradução grega dos LXX (inspirada por Deus?) utilizou um termo específico para designar a virgindade desta mãe, chamando-a parthénos, quando o termo hebraico original não designa mais que a sua idade juvenil: ‘almáh. A célebre tradução grega em que se apoiavam os primeiros apologistas cristãos para demonstrarem aos judeus que Jesus é o Messias prometido, veio a ser rejeitada pelos judeus, que a substituíram por outras versões (ou antes adaptações gregas: Áquila, Símaco e Teodocião); e o dia festivo para comemorar a tradução dos LXX passou a ser um dia de luto. A interpretação mais tradicional defende o sentido literal (não se contentando com o sentido chamado típico ou pleno, suficientes para se garantir o sentido messiânico da passagem) e faz finca-pé em que Deus tinha oferecido pelo Profeta um sinal prodigioso, e eis que o dá; ora esse sinal só é prodigioso se a concepção e o nascimento do Menino acontece sem destruir a virgindade da Mãe; aliás é ela a pôr o nome ao filho, coisa que pertence sempre ao pai (que aqui não aparece). O próprio nome do filho insinua a sua divindade, «Deus connosco»: é a mesma personagem extraordinária anunciada em Is 9, 5-6: «Deus forte, príncipe da paz...».

 

Salmo Responsorial    Sl 39 (40), 7–8a.8b–9.10.11 (R. 8a.9a)

 

Monição: O salmo convida-nos a uma entrega pessoal, como Jesus e Maria. Sejamos: ouvidos atentos, lábios que não se fecham, firmeza do aqui estou e do sim quero.

 

Refrão:     Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.

 

Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações,

mas abristes–me os ouvidos;

não pedistes holocaustos nem expiações,

então clamei: «Aqui estou».

 

De mim está escrito no livro da Lei

que faça a vossa vontade.

Assim o quero, ó meu Deus,

a vossa lei está no meu coração».

 

Proclamei a justiça na grande assembleia,

não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.

 

Não escondi a vossa justiça no fundo do coração,

proclamei a vossa fidelidade e salvação.

Não ocultei a vossa bondade e fidelidade

no meio da grande assembleia.

 

Segunda Leitura

 

Monição: “Eis-me aqui” foi a atitude do Filho de Deus na Encarnação e se consumou na Cruz. Este Eis-me aqui é contemplado numa fecundidade sem par.

 

Hebreus 10, 4-10

Irmãos: 4É impossível que o sangue de touros e cabritos perdoe os pecados. 5Por isso, ao entrar no mundo, Cristo disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, mas formaste-Me um corpo. 6Não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado. 7Então Eu disse: ‘Eis-Me aqui no livro sagrado está escrito a meu respeito: Eu venho, meu Deus, para fazer a tua vontade’». 8Primeiro disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado». E no entanto, eles são oferecidos segundo a Lei. 9Depois acrescenta: «Eis-Me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade». Assim aboliu o primeiro culto para estabelecer o segundo. 10É em virtude dessa vontade que nós somos santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita de uma vez para sempre.

 

O autor de Hebreus está no final da primeira parte da obra, precisamente quando discorre sobre a superioridade do sacrifício de Cristo relativamente a todos os sacrifícios da Lei Antiga (8, 1 – 10, 18), sob o ponto de vista da eficácia, argumentando, à boa maneira rabínica, a partir dos Salmos 40 (39), 7-9 e 110 (109), 1. Perante a ineficácia dos sacrifícios da Antiga Lei, o próprio Deus decide vir à Terra, na pessoa do Filho para poder oferecer, da parte da humanidade (Cristo é perfeito homem), um sacrifício de eficácia infinita (Cristo é perfeito Deus), oferecido de uma vez para sempre (v. 10), e assim aboliu o primeiro culto, o levítico (v. 9). Recorde-se que o Sacrifício do Calvário é único pelo seu infinito valor, o Sacrifício da Missa não é outro sacrifício diferente, mas o mesmo sacrifício que se torna presente sacramentalmente a todos os tempos nos nossos altares, aplicando-nos os méritos da Cruz.

7 «Eis-me aqui». Palavras do Salmo 40 (39) que o autor inspirado aplica a Jesus, e que a Liturgia hoje põe no coração do Filho de Deus, ao incarnar no seio da Santíssima Virgem.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 1, 14ab

 

Monição: Que maravilhosa é Maria de Nazaré. Que elegância, que profundidade de fé, que docilidade, que maturidade, que entrega! Mas Nossa Senhora, mais do que a nossa admiração, quer a nossa entrega.

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

O Verbo fez–Se carne e habitou entre nós

e nós vimos a Sua glória.

 

 

Evangelho

 

Lucas 1, 26-38

Naquele tempo, 26o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. 27O nome da Virgem era Maria. 28Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». 29Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. 30Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David 33reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». 34Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». 35O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. 36E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril 37porque a Deus nada é impossível». 38Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

A cena da Anunciação, narrada com toda a simplicidade, tem uma singular densidade, pois encerra o mistério mais assombroso da História da Salvação, a Incarnação do Filho eterno de Deus. Assim, a surpresa do leitor transforma-se em encanto e deslumbramento. O próprio paralelismo dos relatos lucanos do nascimento de João e de Jesus, revestem-se dum contraste deveras significativo: à majestade do Templo e grandiosidade de Jerusalém contrapõe-se a singeleza duma casa numa desconhecida e menosprezada aldeia de Galileia; ao afã dum casal estéril por ter um filho, opõe-se a pureza duma virgem que renunciara à glória de ser mãe; à dúvida de Zacarias, a fé obediente de Maria!

26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A.T. (Dan 8, 16-26; 9, 21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».

28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita:

«Ave»: Vulgarizou-se esta tradução, correspondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia»; cf. Mt 26, 49), mas que não parece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10, 5); a melhor tradução é «alegra-te» – a tradução literal do imperativo do grego khaire –, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretação patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêem na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria messiânica da «Filha de Sião» (Sof 3, 14; Jl 2, 21-23; Zac 9, 9).

Ó «cheia de graça»: Esta designação tem muita força expressiva, pois está em vez do nome próprio, por isso define o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que está cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado passivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criadora e transformante de Deus em Maria, correspondendo a: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graça, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio texto original indica.

«O Senhor está contigo»: a expressão é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta à altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28, 15), Moisés (Ex 3, 12) e Gedeão (Jz 6, 12), que não são apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confiada por Ele.

Chamamos a atenção para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita és tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Nova Vulgata, ao corrigir a Vulgata, passou a omiti-lo.

29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural temor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1, 12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúgio dos seus medos, pois n’Ela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que precisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias (cf. Lc 1, 18).

32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «encontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1 Sam 1, 18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, como Noé (Gn 6, 8) e Moisés (Ex 33, 12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo, que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Maria (cf. 2 Sam 7, 8-16; Salm 2, 7; 88, 27; Is 9, 6; Jer 23, 5; Miq 4, 7; Dan 7, 14).

34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido, se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício redaccional, e também o «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7, 14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria aparece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte, um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos, mas renunciando a consumar a união; nem todos os estudiosos, porém, assim pensam, como também se vê no recente e interessante filme Figlia del suo Figlio.

35 «O Espírito Santo virá sobre ti…». Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a sua força criadora (cf. Gn 1, 2; Salm 104, 30) e santificadora (cf. Act 2, 3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; é melhor a da Nova Bíblia da Difusora Bíblica): o verbo grego (ensombrar) é usado no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glória de Deus estabelecia a sua morada (Ex 40, 34-36); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai gerar (pode ver-se nesta passagem um fundamento bíblico para o título de Maria, «Arca da Aliança»).

«O Santo que vai nascer…». O texto admite várias traduções legítimas; a litúrgica, afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Nova Vulgata; uma tradução na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso também aquele que nascerá santo será chamado Filho de Deus». I. de la Potterie chega a ver aqui uma alusão ao parto virginal de Maria: «nascerá santo», isto é, não manchado de sangue, como num parto normal. «Será chamado» (entenda-se, «por Deus» – passivum divinum) «Filho de Deus», isto é, será realmente Filho de Deus, pois aquilo que Deus chama tem realidade objectiva (cf. Salm 2, 7).

38 «Eis a escrava do Senhor…». A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a entrega total de Maria ao plano divino. Maria diz o seu sim a Deus, chamando-se «serva do Senhor»; é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este sintagma, como que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus, que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraão, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela aparece neste relato: «Maria», o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que Ela se dá a si mesma.

«Faça-se…». O «sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal seria o uso do modo imperativo génesthô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus (M. Orsatti).

Apraz-nos citar aqui as palavras de S. João Damasceno sobre Nª Senhora: «Ela é descanso para os que trabalham, consolação dos que choram, remédio para os doentes, porto de refúgio para as tempestades, perdão para os pecadores, doce alívio dos tristes, socorro dos que rezam».

 

Pistas para a homilia

 

A realização da mais bela Aliança.

O mistério de Cristo na Vida de Maria.

Um mistério que a todos envolve e compromete.

 

Homilia

A realização da mais bela Aliança.

A primeira leitura lança-nos para o sinal maravilhoso da “Virgem que dará à luz um filho e que o seu nome será Emanuel, Deus connosco. Mais do que uma mera interpretação situada num tempo restrito, a densidade da Palavra, lança-nos para aquele gesto único e belo da Encarnação do Filho de Deus. O Deus que faz connosco uma aliança, na visibilidade da sua encarnação, no seu corpo, na sua entrega por nós. Daí os sinais tão significativos dessa entrega: ouvidos atentos; entrega pessoal (aqui estou); lei no coração; fidelidade de entrega; lábios abertos no anúncio da justiça: proclamação da fidelidade e da bondade.

A Epistola aos Hebreus celebra a ação maravilhosa de Cristo que nos salva pela sua entrega em aliança feita no seu Corpo e no seu Sangue, que nos reconcilia e salva.

 

 O mistério de Cristo na vida de Maria.

O mistério do Filho de Deus encontra em Maria a docilidade de um coração virginal, inteiramente transparente de Deus, e um regaço maternal para a Sua Encarnação. É algo tão grande e belo, percebido na atitude de singular humildade, aceitação e de entrega da Virgem Maria. É densidade de graça, de amor e de misericórdia que transforma radicalmente uma vida, uma missão.

Maria, Mãe de Deus é maravilhosa pela atitude que tem, pelas palavras que diz e pelo abandono amoroso e confiante em Deus. Pelo seu sim, e desde este momento, nos vincula a todos na riqueza do mistério de Cristo. Nunca a louvaremos o suficiente e nunca lhe agradeceremos o suficiente. Por isso Deus, até por questão de justiça, deseja que a amemos com coração sincero e cantemos a sua entrega: “Ele enalteceu de tal forma o teu nome que nunca mais deixarão os homens de celebrar os teus louvores e recordarão eternamente o poder de Deus” (cf.jdt 13). E mais agradável ainda quando a nossa vida é pautada pela vida da nossa Mãe do Céu.

Maria é testemunha do verdadeiro Deus. Ela O acolheu, O deu à luz, tornou-se sua discípula, tornou-se Mãe de todos os discípulos de seu filho, é especial intercessora do Povo de Deus, acompanhando-o na sua peregrinação. Ela foi a primeira a conhecer Jesus, a pronunciar o seu nome, a dá-lo a conhecer. Maria toca a nossa vida de forma divina. Ela conduz-nos sempre para Deus.

 

Um mistério que a todos envolve e compromete.

A Encarnação de Deus no seio de Maria é um mistério que nos envolve a todos, iluminando de forma única o nosso ser resplandecente com a dignidade de filhos de Deus. Graças à Encarnação, Cristo, conquistou para nós uma relação nova e intensa com Deus. E assim, n´Ele somos filhos. A Encarnação permite-nos descobrir essa relação e comunhão que nos envolve. E descobrir a beleza de que se reveste a nossa humanidade. Há na Encarnação uma recriação da humanidade. Aquela humanidade que o Criador realizou no início resplandece e se restaura em Cristo.

É também mistério de reconciliação. Reconcilia-nos com Deus e nos torna reconciliados uns com os outros e com a própria criação. Restaura a beleza perdida. Ao fazer-se homem nos reconcilia por inteiro. A nossa natureza humana pode corresponder aos desígnios de santidade que Deus deseja para todos.

O Papa Bento XVI disse que a Encarnação nos convida à confiança: “Sempre, também em meio às dificuldades mais difíceis de enfrentar, devemos ter confiança em Deus, renovando a fé na sua presença e ação na nossa história, como naquela de Maria. Nada é impossível para Deus!”.

O anúncio da Encarnação, olhando para a atitude humilde de Maria, que se revela “pequenina e pobre”, afasta de nós o pessimismo e nos leva à esperança: “Este é um anúncio que soa sempre novo e que traz em si esperança e alegria ao nosso coração, porque nos doa toda a certeza de que, mesmo se muitas vezes nos sentimos fracos, pobres, incapazes diante da dificuldade e do mal do mundo, o poder de Deus age sempre e opera maravilhas propriamente na fraqueza” (Bento XVI). 

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs em Cristo:

Unidos, pela fé, à Virgem Maria,

em cujo seio o Verbo Se fez carne para a salvação do mundo,

façamos subir ao Pai as nossas súplicas,

dizendo (ou: cantando), com alegria:

 

R. Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

Ou: Interceda por nós a Mãe do Verbo Encarnado.

 

1-Para que a Igreja, dispersa pelo mundo,

anuncie fielmente Jesus Cristo,

concebido no seio da Virgem Maria, por obra do Espírito Santo,

oremos, por intercessão de Maria.

 

2- Para que o Papa N., os bispos, os presbíteros e os diáconos, amem a Deus de todo o coração

e exerçam o seu ministério imitando a Cristo,

oremos, por intercessão de Maria.

 

3. Para que em Cristo, servo obediente,

que veio ao mundo para fazer a vontade do Pai,

ofereçamos a Deus a nossa própria vida,

oremos, por intercessão de Maria.

 

4. Para que aos pobres e aos que têm fome

seja dado o pão de cada dia

e nos seus rostos vejamos o de Cristo,

oremos, por intercessão de Maria.

 

5. Para que a Virgem Santa Maria, Mãe do ‘Emanuel’,

que nos foi dada por seu Filho como nossa Mãe,

nos acompanhe quer na vida quer na morte,

oremos, por intercessão de Maria.

 

6. Para que os cristãos de todas as Igrejas,

particularmente os da nossa Diocese,

imitem Cristo no seu modo de viver,

oremos, por intercessão de Maria.

 

 

Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas,

para que a anunciação do Anjo,

que nos revelou a encarnação do vosso Filho,

e a intercessão da Virgem Santa Maria

nos levem a contemplar a vossa glória.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O Anjo do Senhor, M. Simões, NRMS 31

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, os dons da vossa Igreja, que reconhece a sua origem na Encarnação do vosso Filho e fazei-lhe sentir a alegria de celebrar nesta solenidade os mistérios do seu Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

 

O mistério da Encarnação

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor. Pela Anunciação do mensageiro celeste, a Virgem Imaculada acolheu com fé a vossa Palavra e pela acção admirável do Espírito Santo trouxe em seu ventre com amor inefável o Primogénito da nova humanidade, que vinha cumprir as promessas feitas a Israel e revelar-Se ao mundo como a esperança de todos os povos.

Por isso com os Anjos, que adoram a vossa majestade e exulta eternamente na vossa presença, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

Santo, Santo, Santo...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Na Eucaristia Jesus se torna presente e vem ao nosso coração. Comungar é uma atitude semelhança à da virgem Maria, na Anunciação. Escreveu João Paulo II: “existe uma profunda analogia entre o fiat pronunciado por Maria, em resposta às palavras do Anjo, e o ámen que cada fiel pronuncia quando recebe o Corpo do Senhor”.

 

Cântico da Comunhão: Eu venho, Senhor, Az. Oliveira, NRMS 62

Is 7,14

Antífona da comunhão: A Virgem conceberá e dará à luz um Filho e o seu nome será Emanuel, Deus connosco.

 

Cântico de acção de graças: O Senhor fez em mim maravilhas, Az. Oliveira, NRMS 45

 

Oração depois da comunhão: Confirmai em nós, Senhor, os mistérios da verdadeira fé, para que, tendo proclamado que Jesus Cristo, concebido da Virgem Maria, é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, cheguemos, pelo poder da sua ressurreição, às alegrias da vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A Encarnação do Verbo trouxe a Maria um sentido grande de disponibilidade, amor e serviço. Por isso Ela sai ao encontro de Isabel, levando a alegria, a esperança e a presença do Salvador. E ainda hoje “resplandece no caminho da nossa vida como sinal de consolação e de firme esperança”.

A Eucaristia deve fazer de nós autênticos missionários e evangelizadores. Como diz o Papa Francisco: “O desafio é sair, é a missão”, para “chegar a todos”, às “periferias” (…) “O missionário necessita de oração, formação e sacrifício, caso contrário o trabalho será superficial, não dará frutos”.

 

Cântico final: Avé Maria Senhora, F. da Silva, NRMS 81

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

3ª Feira, 26-III: A misericórdia de Deus e a nossa.

Dan 3, 25. 34-43 / Mt 18, 21-35

Não nos deixeis ficar envergonhados, mas tratai-nos segundo a vossa misericórdia.

Azarias, em nome do povo de Deus, invoca a misericórdia divina, para que não o abandone e não anule a aliança estabelecida (LT). A parábola interroga-nos sobre o modo como vivemos a misericórdia com os outros (EV).

Antes da referida parábola, S. Pedro considerava grande o número de sete vezes para perdoar, e Deus diz-lhe que é preciso perdoar sempre. Para isso, teremos que pedir a Deus que nos ensine a perdoar: Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me (SR). E que perdoemos do fundo do coração (AE e EV), e não só externamente.

 

4ª Feira, 27-III: A importância dos preceitos do Senhor.

Deut 4, 1. 5-9 / Mt 5, 17-19

Mas aquele que os praticar e ensinar será tido como grande no reino dos Céus.

Moisés pede ao povo, em nome de Deus, que cumpram as leis e preceitos do Senhor, ao entrarem na terra prometida. Também deverão ensiná-los aos seus descendentes e serão um grande exemplo para os povos vizinhos (LT), pois não fez isso com mais nenhum povo (SR).

Quem cumpre os mandamentos adquire a sabedoria, pois vê as coisas com os 'olhos de Deus'. E, contrariamente ao que muitos pensam que eles são negativos, os preceitos de Deus são justos e muito melhores do que quaisquer outros. E finalmente são a chave que abre a porta de entrada na vida eterna (LT).

 

5ª Feira, 28-III: A escuta da palavra de Deus.

Jer 7, 23-28 / Lc 11, 14-23

Escutai a minha voz. Segui inteiramente o caminho que vou traçar-vos a fim de serdes felizes.

Deus não se cansa de falar ao seu povo. Enviou muitos profetas, desde a saída do Egipto até ao aparecimento de Jesus. O povo, porém, não escutava a voz do Senhor (LT) e até se opunha ao próprio Cristo (EV).

Procuremos não fechar os nossos corações aos ensinamentos do Senhor (SR). Recebamos a Boa Nova tal como a Igreja nos propõe; assimilemos os seus ensinamentos, para que sejam vida da nossa vida. Guardemo-los nos nossos corações e transmitamo-los fielmente aos nossos familiares e amigos.

 

6ª Feira, 29-III: Voltar de novo para Deus.

Os 14, 2-10 / Lc 11, 14-23

Perdoai-nos todas as nossas faltas e aceitai o que temos de bom.

O profeta Oseias pede ao povo eleito que volte para Deus, que tenha confiança no Senhor. Deus compromete-se a ajudá-lo, pois o ama generosamente e fará desviar a sua indignação pelas suas faltas (LT). Pedimos para que Deus faça o mesmo ao novo povo de Deus e que este escute a sua voz (SR).

Jesus confirma que é necessário amá-lo sobre todas as coisas e com todo o empenho (EV). Nesta Quaresma procuremos amá-lo com mais intensidade, fazendo um esforço para nos aproximarmos mais dELe.

 

Sábado, 30-III: Os sacrifícios agradáveis a Deus.

Os 6, 1-6 / Lc 18, 9-24

Pois eu quero a misericórdia e não os sacrifícios, o conhecimento de Deus, mais que os holocaustos.

 O Profeta recorda da parte de Deus que, por cima dos sacrifícios, está o amor, a misericórdia e a palavra de Deus (LT e SR).  O fariseu orgulhava-se de fazer alguns sacrifícios e o publicano manifestava humildemente o seu amor (EV).

Então, que sacrifícios poderão agradar a Deus? No SR, encontramos o arrependimento: Sacrifício agradável a Deus é o espírito arrependido, tal como o do publicano, que se humilhou e voltou justificado para casa (EV). É igualmente agradável a Deus ouvir a sua voz e não lhe fechar os nossos corações (AE).

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               Duarte Nuno Rocha

 


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