6.º Domingo Comum

17 de Fevereiro de 2019

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vamos Todos Guiados, F. da Silva, NRMS 14

 

Salmo 30, 3-4

Antífona de entrada: Sede a rocha do meu refúgio, Senhor, e a fortaleza da minha salvação. Para glória do vosso nome, guiai-me e conduzi-me.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos o sexto Domingo do tempo comum. Na primeira leitura o Profeta Jeremias põe frente a frente a auto-suficiência daqueles que escolhem viver à margem de Deus, com a atitude dos que confiam em Deus e alcançam a felicidade. O salmista confirma esta verdade: Feliz o homem que pôs a sua esperança no Senhor. Jesus proclama “Bem-aventurados” aqueles que choram e infelizes os que preferem o egoísmo. A segunda leitura fala da nossa ressurreição como consequência da ressurreição de Jesus.

 

Oração colecta: Senhor, que prometestes estar presente nos corações rectos e sinceros, ajudai-nos com a vossa graça a viver de tal modo que mereçamos ser vossa morada. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: “Maldito quem confia no homem; bendito quem confia no Senhor.”

 

Jeremias 17, 5-8

5Eis o que diz o Senhor: «Maldito quem confia no homem e põe na carne toda a sua esperança, afastando o seu coração do Senhor. 6Será como o cardo na estepe que nem percebe quando chega a felicidade: habitará na aridez do deserto, terra salobra, onde ninguém habita. 7Bendito quem confia no Senhor e põe no Senhor a sua esperança. 8É como a árvore plantada à beira da água, que estende as suas raízes para a corrente: nada tem a temer quando vem o calor e a sua folhagem mantém-se sempre verde; em ano de estiagem não se inquieta e não deixa de produzir os seus frutos».

 

A composição de sabor sapiencial, que serve de portada ao Saltério, o Salmo 1, tem grande afinidade com este trecho do Profeta de Anatot. Porém aqui, para começar, em vez dum macarismo (bem-aventurança), temos uma maldição que é de fazer pensar.

5 Este versículo está construído segundo o chamado paralelismo simétrico: «carne» é um sinónimo de homem, na sua condição de ser frágil; apoiar-se no que é frágil é cavar a sua própria ruína; só confiar no Senhor é que vale (v. 7).

 

Salmo Responsorial     Sl 1, 1-2.3.4.6 (R. Sl 39,5a)

 

Monição: O poema de abertura do saltério começa com uma bem-aventurança: Feliz o homem. O Salmo número um é “o pórtico de entrada no grande palácio do livro dos salmos”, dizia S. Jerónimo. Podemos percorrer dois caminhos: o caminho do justo que se compraz na lei do Senhor e nela medita dia e noite. Este caminho conduz à felicidade. O caminho dos ímpios afasta de Deus e leva à perdição. O caminho simboliza o nosso modo de viver.

 

Refrão:        Feliz o homem que pôs a sua esperança no Senhor.

 

Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios,

nem se detém no caminho dos pecadores,

mas antes se compraz na lei do Senhor,

e nela medita dia e noite.

 

É como árvore plantada à beira das águas:

dá fruto a seu tempo e sua folhagem não murcha.

Tudo quanto fizer será bem sucedido.

 

Bem diferente é a sorte dos ímpios:

são como palha que o vento leva.

O Senhor vela pelo caminho dos justos,

mas o caminho dos pecadores leva à perdição.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Para nós a morte e a ressurreição de Cristo constitui a base e o fundamento da nossa fé: “Creio na ressurreição da carne e na vida eterna.” Ou: “Espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há-de vir. Amen.” Nós acreditamos na ressurreição como consequência lógica da ressurreição de Jesus, que “morreu pelos nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.” É digna de fé a oração que rezamos na Eucaristia: “Anunciamos, Senhor a vossa morte e proclamamos a vossa Ressurreição.”

 

1 Coríntios 15, 12.16-20

Irmãos: 12Se pregamos que Cristo ressuscitou dos mortos, porque dizem alguns no meio de vós que não há ressurreição dos mortos? 16Se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. 17E se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, ainda estais nos vossos pecados; 18e assim, os que morreram em Cristo pereceram também. 19Se é só para a vida presente que temos posta em Cristo a nossa esperança, somos os mais miseráveis de todos os homens. 20Mas não. Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram.

 

16-17 «Se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou». Os cristãos de Corinto aceitavam a ressurreição de Cristo, uma verdade que pertencia ao núcleo essencial da fé anunciada, o «kérigma» (cf. nota 3-7 da II leitura do domingo anterior), mas talvez influenciados pelas filosofias gregas (cf. Act 17, 32), que consideravam a matéria má e o corpo um cárcere de que a alma se libertava ao morrer, mostrariam uma certa descrença quanto à ressurreição geral, aliás também negada pelos saduceus (cf. Mt 22, 23; Act 23, 7).

Paulo apoia-se num facto indiscutível, a ressurreição de Cristo, para demonstrar a possibilidade e a própria verdade da ressurreição universal. Argumenta ab absurdo, desenvolvendo de maneira convincente todas as consequências absurdas da hipótese de não existir ressurreição dos mortos; então também Cristo não teria ressuscitado. Neste caso, a pregação e a fé seriam totalmente vãs, vazias de sentido; os Apóstolos seriam falsas testemunhas de Deus, e os crentes estariam totalmente enganados; os que morreram teriam perecido para sempre (Paulo não considera aqui a salvação da alma separada do corpo, embora noutros textos a admita: cf. 2 Cor 5, 2-3.7); e os cristãos que vivem não só permaneceriam no pecado, como seriam «os mais miseráveis de todos os homens», pois, tendo renunciado a gozar tantos dos prazeres fáceis desta vida, ficavam incapacitados de alcançar a vida eterna, ganha pelo mistério pascal de Cristo.

20 «Como primícias dos que morreram», isto é, como os primeiros frutos que pela Lei pertenciam a Deus (os israelitas não podiam comer da nova colheita, sem as suas primícias terem sido oferecidas a Yahwéh). Cristo, que assumiu a nossa natureza e nos fez participar da sua vida divina, também assim nos precede em dignidade e no tempo, ressuscitando primeiro (cf. v. 23). Mas, este «primeiro» – primícias – não é meramente cronológico, pois é a causa eficiente e exemplar da ressurreição de todos os que estão unidos a Ele, e que já vivem como ressuscitados. Por outro lado, Cristo antecipou para Si o fim dos tempos em que se dará a ressurreição universal. Note-se como S. Paulo não foca a perspectiva da ressurreição dos condenados, que aliás não nega (cf. Jo 5, 29), pois esse não era o ponto que estava em questão, para além de não ser uma ressurreição gloriosa, como a de Cristo.

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 6, 23ab

 

Monição: Alegrai-vos e exultai, porque é grande no Céu a vossa recompensa.

Estas palavras de Jesus são um estímulo para suportarmos as afrontas e perseguições. É uma honra sofrer por Jesus se estamos inocentes. Por causa do seu nome muitos são odiados e insultados. As bem-aventuranças revelam a confiança que temos em Deus. A força dos cristãos não está nos meios humanos, mas vem do Espírito Santo. Agora somos rejeitados, agora sofremos, mas Jesus prometeu uma recompensa no Céu.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Alegrai-vos e exultai, diz o Senhor,

porque é grande no Céu a vossa recompensa.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 6, 17.20-26

Naquele tempo, 17Jesus desceu do monte, na companhia dos Apóstolos, e deteve-Se num sítio plano, com numerosos discípulos e uma grande multidão de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e Sidónia. 20Erguendo então os olhos para os discípulos, disse: 21Bem-aventurados vós, os pobres, porque é vosso o reino de Deus. Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados. 22Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir. Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, quando vos rejeitarem e insultarem e prescreverem o vosso nome como infame, por causa do Filho do homem. 23Alegrai-vos e exultai nesse dia, porque é grande no Céu a vossa recompensa. Era assim que os seus antepassados tratavam os profetas. 24Mas ai de vós, os ricos, porque já recebestes a vossa consolação. 25Ai de vós, que agora estais saciados, porque haveis de ter fome. Ai de vós, que rides agora, porque haveis de entristecer-vos e chorar. 26Ai de vós, quando todos os homens vos elogiarem. Era assim que os seus antepassados tratavam os falsos profetas.

 

Temos hoje o início de todo um conjunto (vv. 20-49) de ensinamentos de Jesus que em Lucas corresponde, em boa parte, ao «sermão da montanha» de Mt 5 – 7. Começa também pelas «Bem-aventuranças», mas há diferenças entre as 8 Bem-aventuranças de Mt 5, 3-10 e estas 4 (mais directas, porque na 2.ª pessoa do plural: «vós»), seguidas de 4 antíteses, que faltam em S. Mateus. É verosímil que Jesus repetisse, com algumas variantes, a mesma pregação em sítios e ocasiões diferentes; por outro lado, cada evangelista, inspirado por Deus, não deixa de ser um verdadeiro autor, e, como tal, pode produzir variantes redaccionais, ao escrever as palavras de Cristo, pensando no proveito dos seus imediatos destinatários: Mateus adaptando-se a cristãos vindos do judaísmo; Lucas, aos vindos do paganismo, por isso faz notar que seguiam Jesus pessoas vindas de zonas gentílicas, «do litoral de Tiro e Sidónia» (v. 17). Daí um diferente trabalho de resumir, agrupar e explicar as palavras do Senhor (cf. Dei Verbum, n.° 19). Isto bastaria para acharmos normal uma diferente redacção das Bem-aventuranças pelos dois evangelistas. De qualquer modo, muitos exegetas inclinam-se para que a formulação de S. Lucas, mais simples, directa e contundente, com o recurso ao paralelismo antitético, ao jeito semita, esteja mais próxima das palavras do Senhor; S. Mateus faz ressaltar mais o sentido espiritual das palavras de Jesus, patenteando a sua ressonância vétero-testamentária.

17 «Num sítio plano». Em Mateus temos um «monte»; em face do que acabámos de dizer, não precisamos de recorrer ao subterfúgio da «encosta» do monte para resolver a discrepância entre Lucas e Mateus; este ao escrever para cristãos vindos do judaísmo pretenderia que o leitor visse no «monte» uma alusão ao novo Sinai, onde o novo Moisés promulga a nova Lei. Bento XVI faz notar a perspectiva de Lucas: «Para Lucas, o facto de estar de pé (indicado pelo verbo grego, éstê, na tradução litúrgica, deteve-se) é expressão da majestade e autoridade de Jesus; a planície é o sinal da vastidão aonde Jesus envia a sua palavra...» (Jesus de Nazaré, p. 104).

20 «Bem-aventurados vós, os pobres». O facto de S. Lucas não acrescentar, como Mt 5, 3 «em espírito», não significa que pretendia inculcar um ideal de pobreza diferente; pensa-se que seja a linguagem mais próxima da de Jesus. «A pobreza de que aqui se trata, não se reduz jamais a um fenómeno puramente material. A pobreza puramente material não salva, embora os desventurados deste mundo possam certamente contar, de forma muito particular, com a bondade divina» (Jesus de Nazaré, p. 114). E logo a seguir Bento XVI faz aflorar uma ideia que desenvolve na recente encíclica Caritas in veritate: «É certo que o Sermão da Montanha enquanto tal não é um programa social; mas também é verdade que só onde permanecer viva nos sentimentos e no agir a grande orientação que o mesmo nos dá, só onde derivar da fé a força da renúncia e da responsabilidade pelo próximo e pela sociedade inteira, somente aí pode crescer a justiça social».

25-26 «Mas ai de vós!» Com estes quatro «ais», Jesus não lança maldições, mas sim um sério alerta para todos, para não se deixarem seduzir por falsas miragens: a sedução dos bens do mundo (v. 24), da gula (v. 25a), do gozo hedonista (v. 25b), da vanglória e ambição de honrarias e aplauso humano (v. 26).

 

Sugestões para a homilia

 

Bendito o homem que confia no Senhor.

Bem-aventurados.

“Ai de vós os ricos”

 

Bendito o homem que confia no Senhor.

O profeta Jeremias louva aqueles que acreditam em Deus e confiam na divina providência e faz a denúncia de quem se apoia nos homens, prescindindo de Deus. Certamente que devemos confiar nas pessoas que nos rodeiam, mas não devemos colocar toda a nossa confiança nas pessoas e nos bens terrenos. Não contar com Deus significa construir uma existência efémera, como um “arbusto plantado no deserto.” Todos conhecemos o sofrimento provocado pela desilusão que resulta da confiança que tínhamos em alguém que nos atraiçoou. Por outro lado, quem confia e coloca em Deus a sua esperança é como “uma árvore plantada à beira da água, que estende as suas raízes para a corrente.” Esta comparação tranquiliza-nos. Com Deus na nossa vida temos segurança e produziremos frutos com abundância.

Bendito o homem que confia no Senhor. Feliz o homem que pôs a sua esperança no Senhor.

Bem-aventurados.

Bem-aventurados! Felizes! Jesus escolheu esta palavra para iniciar todas as frases do Sermão da Montanha. A primeira homilia de Jesus é sobre a felicidade. “Bem-aventurados os pobres que o são no seu íntimo, porque deles é o Reino dos Céus!” Felizes os que confiam na misericórdia de Deus, nosso Pai! O início do Novo Testamento é alegre, prometendo-nos a felicidade do Reino dos Céus.

As Bem-aventuranças que hoje lemos no Evangelho de S. Lucas são diferentes daquelas que S. Mateus escreveu. S. Lucas apresenta-nos Jesus, descendo do monte na companhia dos Apóstolos; deteve-se num sítio plano, com uma numerosa multidão. “Ergueu os olhos para os discípulos e disse: Bem-aventurados vós os pobres.” Esta mensagem de carácter social revela o amor preferencial de Deus pelos pobres. S. Lucas dirige-se a pessoas concretas, que não têm bens materiais. Os destinatários das bem-aventuranças no Evangelho de São Lucas são os que têm fome, os que choram, os que são perseguidos. A palavra “pobres”, equivale a “anawim” em hebraico e define uma classe de pessoas desprotegidas, exploradas, privadas de bens e à mercê da prepotência dos ricos. Os pobres são os primeiros destinatários da salvação de Deus, porque eles estão mais abertos para acolher a bondade divina.

“Ai de vós os ricos”

As “maldições”, ou os quatro “ais” aos ricos, denunciam a maneira de pensar dos que não estão disponíveis para acolher a Boa Nova do reino dos Céus: “É difícil a um rico entrar no reino dos Céus.” (Mt 19,23) “Como é difícil aos que possuem riquezas entrar no reino dos Céus.” (Marcos 10, 17-30) O terrível poder do dinheiro leva Jesus a dizer: “Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16,13). O rico fecha o seu coração e não consegue ver o pobre Lázaro que está à sua porta (Lc 16, 19-31). Na Parábola do semeador Jesus afirma que a preocupação da riqueza sufoca a Palavra de Deus (Mt 13,22).

A interpretação das Bem-Aventuranças segundo S. Mateus convida a todos, ricos ou pobres, ao desprendimento espiritual, à conversão do coração. A interpretação segundo S. Lucas convida-nos a todos a transformar as estruturas da sociedade para que haja menos gente desfavorecida. Para escutar as bem-aventuranças em Mateus, é preciso subir à montanha. Para viver segundo o espírito do Evangelho de S. Lucas, é preciso “determo-nos num sítio plano,” isto é, precisamos de estar inseridos e interessados na vida real de todos os dias: “Bem-aventurados vós, os pobres, os que agora tendes fome, os que agora chorais. Alegrai-vos e exultai, nesse dia, porque é grande no Céu a vossa recompensa.”

“Ai de vós os ricos.” Que tristeza quando a irmã morte nos vier dizer como ao homem rico que confiava nos bens armazenados no novo celeiro: “Insensato. Esta noite terás de entregar a tua alma e as riquezas que acumulaste serão para quem?” (Lc 12, 16-20). É sempre actual esta passagem do Salmo, descrevendo a morte do rico: “Quando morrer nada levará consigo, a sua fortuna não o acompanhará.” (Salmo 48,18) Mas também podemos recordar a felicidade de “José, homem rico de Arimateia, que era membro do Conselho e discípulo de Jesus.”[1] A influência deste homem junto de Pilatos, facilitou a sepultura de Jesus. Felizes os ricos que utilizam os bens deste mundo, exercendo a misericórdia para com os necessitados. Não precisam de ter seguro de vida, pois estão certos de que com os bens passageiros deste mundo alcançarão os bens eternos do Céu.

“Deus confiou-nos as riquezas para ajudarmos os pobres. Não desperdicemos os nossos bens: ter uma casa, liberdade, saúde, tudo isso nos foi confiado por Deus para o pormos ao serviço dos que são menos afortunados do que nós. Jesus disse: «o que fizerdes ao mais pequenino dos meus irmãos, é a Mim que o fazeis» (Mt 25,40). A única coisa que pode entristecer-nos é ofender Nosso Senhor por egoísmo ou por falta de caridade para com os outros. Devemos partilhar o que recebemos, incluindo a nossa própria vida. Todos nós desejamos ser felizes. Fomos criados para isso e só podemos encontrar a felicidade e a paz “amando a Deus e amando o próximo”. O amor traz-nos a alegria e a felicidade. Muitas pessoas pensam que viver fazendo o que lhes apetece as torna felizes. É muito difícil ser feliz na riqueza, porque as preocupações para ganhar dinheiro e o conservar nos afastam de Deus. (Santa Teresa de Calcutá)

 

Ressurreição

A segunda leitura fala da nossa ressurreição como consequência da ressurreição de Jesus. A leitura de hoje continua a catequese sobre a ressurreição que S. Paulo apresenta na Primeira Carta aos Coríntios. Depois de ter afirmado a ressurreição de Cristo (1 Cor 15,1-11), o Apóstolo afirma a realidade da nossa ressurreição. Esta doutrina não era compreensível para a filosofia grega. A cultua helénica não aceitava a ressurreição porque considerava o corpo uma prisão para a alma; sendo assim, o corpo não podia ressuscitar. São Paulo ensina que a nossa fé em Jesus ressuscitado nos oferece a certeza da nossa ressurreição. Não esperar a ressurreição dos mortos equivale a não acreditar na ressurreição de Jesus. Ora, se Cristo não tivesse ressuscitado, os cristãos seriam “os mais miseráveis de todos os homens”. Mas nós temops a certeza: “Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram” (1 Cor 15, 20). 

  “ Consideremos, amados irmãos, como o Senhor nos manifesta continuamente a verdade da nossa futura ressurreição. Pensemos na ressurreição que nos mostra a lei do tempo. O dia e a noite falam-nos da ressurreição. Vai-se a noite e desponta o dia; morre o dia e vem a noite. Tomemos como exemplo os frutos da terra. Como se faz a sementeira e como germina a semente? Sai o semeador e lança a semente à terra. Os grãos da semente, secos e nus, caem na terra e desagregam-se; mas a maravilhosa providência do Senhor fá-los ressuscitar desta mesma desagregação, e de um só grão nascem muitos, que crescem e dão fruto.  Com esta esperança, unam-se as nossas almas Àquele que é fiel às suas promessas. Reavive-se a nossa fé e acreditemos que tudo é possível para Deus.”[2]

 

 

Oração Universal

 

Irmãos caríssimos:

Invoquemos Jesus Cristo, que prometeu a bem-aventurança

aos que têm fome e sede de justiça e rezemos confiantes:

 

Jesus Cristo, ouvi-nos.

 

1. Pelo nosso Bispo N e pelos presbíteros e diáconos,

para que, no fervor da fé e do testemunho,

anunciem que Jesus ressuscitou dos mortos, oremos.

 

2. Pelos pobres, para que o Senhor lhes dê esperança,

 e pelos ricos, para que lhes converta o coração

e lhes dê gosto de repartir com quem não tem, oremos.

 

3. Pelos que têm fome, para que encontrem o pão de cada dia,

e pelos que vivem na abundância,

para que tenham fome de Deus e da sua justiça, oremos.

 

4. Pelos que choram enquanto vivem neste mundo,

para que o Senhor os console no seu amor,

e pelos que riem, para que lhes purifique os sentimentos, oremos.

 

5. Pelos que são rejeitados e insultados,

para que Jesus os una à sua Paixão,

e lhes revele o mistério da sua Cruz gloriosa, oremos.

 

 Senhor Jesus Cristo,

que quisestes experimentar a perseguição e a pobreza,

a fome, a incompreensão e a dor,

dai-nos a graça de sentir a força da vossa ressurreição

 e ensinai-nos a falar da felicidade que a todos prometeis.

Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Levamos ao Vosso Altar, M. Borda, NRMS 43

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, que estes dons sagrados nos purifiquem e renovem, para que, obedecendo sempre à vossa vontade, alcancemos a recompensa eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor. Hoje a vossa família, reunida para escutar a palavra da salvação e participar no Pão da vida, celebra o memorial do Senhor ressuscitado, na esperança do domingo que não tem ocaso, quando toda a humanidade entrar no vosso descanso. Então veremos o vosso rosto e louvaremos sem fim a vossa misericórdia. Nesta feliz esperança, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz: Santo, Santo, Santo...

 

Santo: Santo IV, H. Faria, NRMS 103-104

 

Monição da Comunhão

 

 “O Senhor deu-nos o Pão do Céu. Comeram e ficaram saciados.”

Felizes os convidados para a Ceia do Senhor. Felizes somos nós que acreditamos que Jesus nos oferece o seu corpo como alimento, que sacia a nossa fome de infinito. Felizes somos nós porque acreditamos e recebemos Jesus, o Pão vivo descido do Céu.

 (Cf Salmo 77, 24.29 e Oração depois da Comunhão)

 

Cântico da Comunhão: Bem Aventurados os que Têm Fome, Az. Oliveira, NRMS 63

 

Salmo 77, 24.29

Antífona da comunhão: O Senhor deu-lhes o pão do Céu: comeram e ficaram saciados.

 

ou

Jo 3, 16

Deus amou tanto o mundo que Ihe deu o seu Filho Unigénito. Quem acredita n'Ele tem a vida eterna.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão do Céu, concedei-nos a graça de buscarmos sempre aquelas realidades que nos dão a verdadeira vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

“Quando Jesus diz “Bem-aventurados os pobres”, poder-se-ia pensar que para merecer o Reino dos Céus, bastaria apenas aquela indigência material que muitos padecem por triste e dura necessidade. Ao dizer “Bem-aventurados os pobres em espírito”, o Senhor manifesta que o Reino dos Céus pertence àqueles que são pobres mais pela humildade interior do que pela carência de bens exteriores. O dom desta virtude pode encontrar-se em todo o género e categoria de homens, porque podem ser iguais na disposição interior embora diferentes nos bens da fortuna. Pouco importam as diferenças dos bens terrenos quando há igualdade nos valores do espírito. Bem-aventurada aquela pobreza que não se deixa dominar pelo amor dos bens materiais, nem põe a sua ambição em aumentar as riquezas deste mundo, mas deseja acima de tudo os bens celestes.” [3]

 

Santo Padre, Papa Francisco:

“Quantas vezes as pessoas sentem mais o peso das nossas instituições que a presença amiga de Jesus. A fé é questão de encontro, não de teoria. No encontro, Jesus passa; no encontro, palpita o coração da Igreja. Então serão eficazes, não as nossas homilias, mas o testemunho da nossa vida.

Para Jesus, o grito de quem pede ajuda não é um transtorno que estorva o caminho, mas uma questão vital. Como é importante, para nós, escutar a vida! Os filhos do Pai celeste prestam ouvidos aos irmãos: não às críticas inúteis, mas às necessidades do próximo.”[4]

 

Cântico final: Ao Deus do Universo, J. Santos, NRMS 1(I)

 

 

Homilias Feriais

 

6ª SEMANA

 

2ª Feira, 18-II: A invasão do pecado.

Gen 4, 1-15. 25 / Mc 8, 11-13

O Senhor olhou benignamente para Abel e para a sua oferta, mas para Caim e para a sua oferta, não quis olhar.

Por causa da inveja, Caim cometeu o primeiro crime da história da humanidade. E «a partir deste primeiro pecado, uma verdadeira 'invasão de pecado' inunda o mundo: o fratricídio cometido por Caim na pessoa de Abel (Leit)» (CIC, 401).

Renovemos hoje o propósito de nos defendermos desta 'invasão', afastando-nos das ocasiões de pecado (espectáculos, ambientes, jornais e revistas, que não condizem com a nossa fé): oferecendo algumas mortificações que protejam os nossos sentidos, que evitem a entrada do inimigo no nosso interior.

 

3ª Feira, 19-II: Consequência do pecado: a corrupção universal.

Gen 6, 5-8; 7, 1-5. 10 / Mc 8, 14-21

O Senhor viu que era grande sobre a terra a malícia e que do homem os projectos do seu coração eram sempre e unicamente para o mal.

Depois do primeiro crime originou-se uma verdadeira 'invasão do pecado': «a corrupção universal, como consequência do pecado (Leit.)» (CIC, 401).

Apesar de tal corrupção, há um homem fiel que atrai a graça de Deus: Noé (Leit.). Deus continua a precisar de encontrar homens e mulheres fiéis para desistir do castigo sobre a humanidade. A última parte do 'segredo' de Fátima mostrou como as penitências evitaram grandes catástrofes. Perante este panorama, o Senhor faz-nos também esta pergunta: «Não entendeis ainda?» (Ev.).

 

4ª Feira, 20-II: As bênçãos de Deus.

Gen 8, 6-13. 20-22 / Mc 8, 22-26

Noé ergueu um altar ao Senhor, tomou animais puros e aves puras e ofereceu holocaustos sobre o altar.

«A oferenda de Noé é 'agradável' a Deus, que o abençoa e, através dele, abençoa toda a criação (Leit.), porque o coração dele é justo e íntegro. Também ele 'anda com Deus'» (CIC, 2569). Jesus também abençoou um cego, devolvendo-lhe a vista» (Ev.).

Para recebermos as bênçãos de Deus precisamos oferecer-lhe pequeno sacrifícios ao longo do dia, na medida do possível que sejam 'puros': um trabalho bem feito; uma oração com menos distrações; que 'andemos com Deus', isto é, que tenhamos mais presença dEle ao nosso lado.

 

5ª Feira, 21-II: A ignorância sobre Jesus.

Gen 9, 1-13 / Mc 8, 27-33

Jesus perguntou-lhes: E quem dizeis vós que eu sou? Pedro tomou a palavra: Tu és o Messias.

Também actualmente muitas pessoas ficariam atrapalhadas para responder a esta pergunta sobre Jesus (Ev.).

A maior ignorância continua a ser o desconhecimento de muitas verdades da fé, ensinadas por Jesus. É preciso vencer esta ignorância através da leitura do Novo Testamento, de algum dos Compêndios do Catecismo da Igreja Católica. Pode igualmente ser interessante o conteúdo da 'Aliança Cósmica', estabelecida com Noé, pois ajuda a ter em conta o valor da terra e dos animais (Leit.).

 

6ª Feira, 22-II: Cadeira de S. Pedro: União com o Papa.

1 Ped 5, 1-4 / Mt 16, 13-19

Eu também te digo a ti: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.

Esta festa da Cadeira de S. Pedro é uma boa oportunidade para vivermos bem a unidade à volta do Papa. É esta uma vontade expressa do Senhor (Ev.).

Cristo, que é a pedra angular, garante à Igreja, edificada sobre Pedro, o triunfo sobre o demónio (Ev.). Apoiemos o Papa com as nossas orações e sacrifícios; sigamos fielmente os seus ensinamentos e ajudemos todos a viver a unidade na doutrina. Peçamos, pois, para todos os pastores de almas: «Apascentai o rebanho de Deus, velai por ele, para serdes modelo do rebanho» (Leit.).

 

Sábado, 23-II: A luz da fé.

Heb 11, 1-7 / Mc 9, 2-13

Jesus transfigurou-se diante deles, as vestes tornaram-se brilhantes, muitíssimo brancas.

Este mistério luminoso do Rosário é um ícone da contemplação (S. João Paulo II, RVM, 3). É muito conveniente meditarmos sobre os acontecimentos de cada dia, para conseguirmos ver claramente, com nova luz, o seu significado. É com a luz da fé que chegaremos mais além: «a fé constitui a prova de que existem as coisas que não se vêem» (Leit.).

Cada um de nós há-de ser igualmente um reflexo da glória do Senhor, para ajudar os outros a descobrirem Deus e iluminá-los para chegarem à glória da vida eterna.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         José Roque

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 



[1] Mat 27,57; Luc 23,50; João 19, 38

[2] São Clemente I, Papa ao Coríntios, Liturgia das Horas Volume IV, Ofício de Leituras, Terça-feira, XXX semana

[3] São Leão Magno, Liturgia das Horas vol. IV , Quinta-feira e Sexta-feira da XXII semana

 

[4] Santo Padre, Papa Francisco na homilia da Missa que marcou o encerramento solene da 15.ª Assembleia geral do Sínodo dos Bispos, Roma, 28.10.2018

 

 


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