5.º Domingo Comum

10 de Fevereiro de 2019

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cristo Jesus, Tu me Chamastes, H. Faria, NRMS 30

 

Salmo 94, 6-7

Antífona de entrada: Vinde, prostremo-nos em terra, adoremos o Senhor que nos criou. O Senhor é o nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

No interior do Templo, no pó da estrada, ou à beira-mar, Deus surpreende-nos, sempre, com a suavidade da sua presença. Provoca-nos e desafia-nos, no seu amor. Chama-nos e convoca-nos para Ele. Converte-nos a Ele e resgata-nos para si. Para, depois, nos enviar, de novo e renovados, aos nossos irmãos, de perto ou de longe. Diante do Senhor, reconheçamos humildemente, como Isaías, como Paulo, como Pedro, a nossa pequenez e o nosso pecado:

 

 

Ato Penitencial

 

Meu Senhor e meu Deus: sou, como Isaías, um homem de lábios impuros, moro no meio de um povo de lábios impuros. Mas, na vossa misericórdia, abris os meus olhos para que Eu vos possa ver e anunciar! Senhor, que chamais os pecadores, tende piedade nós!

 

Senhor, tende piedade de nós!

 

Cristo, meu Senhor: posso dizer, ao jeito de São Paulo, que sou o mais pequeno dos Apóstolos. Mas Vós dais-me a graça de anunciar a todos os Povos o vosso Evangelho. Cristo, que chamais os pecadores, tende piedade de nós!

 

Cristo, tende piedade de nós!

 

Meu Senhor e meu Deus: sinto-me como Pedro, irmão de André, amigo de Tiago e de João. Sou um Homem pecador. Mas, na vossa bondade, Vós me chamais a ser pescador de homens. Senhor, que chamais os pecadores, tende piedade de nós!

 

Senhor, tende piedade de nós!

 

Oração colecta: Guardai, Senhor, com paternal bondade a vossa família; e, porque só em Vós põe a sua confiança, defendei-a sempre com a vossa protecção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Na primeira leitura, de uma forma simples e questionadora, apresenta-se o modelo de um homem que é sensível aos apelos de Deus e que tem a coragem de aceitar ser enviado.

 

Isaías 6, 1-2a.3-8

1No ano em que morreu Ozias, rei de Judá, vi o Senhor, sentado num trono alto e sublime; a fímbria do seu manto enchia o templo. 2aÀ sua volta estavam serafins de pé, que tinham seis asas cada um 3e clamavam alternadamente, dizendo: «Santo, santo, santo é o Senhor do Universo. A sua glória enche toda a terra!» 4Com estes brados as portas oscilavam nos seus gonzos e o templo enchia-se de fumo. 5Então exclamei: «Ai de mim, que estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros, moro no meio de um povo de lábios impuros e os meus olhos viram o Rei, Senhor do Universo». 6Um dos serafins voou ao meu encontro, tendo na mão um carvão ardente que tirara do altar com uma tenaz. 7Tocou-me com ele na boca e disse-me: «Isto tocou os teus lábios: desapareceu o teu pecado, foi perdoada a tua culpa». 8Ouvi então a voz do Senhor, que dizia: «Quem enviarei? Quem irá por nós?» Eu respondi: «Eis-me aqui: podeis enviar-me».

 

É curioso que o relato da vocação de Isaías não apareça, como em Jeremias e Ezequiel, no início do livro, mas aqui, como a abertura do chamado «livro do Emanuel» (Is 7 –12). Isto deve-se a que os livros proféticos, tais como os temos, foram precedidos, em geral, de colecções parciais que, depois, vieram a unir-se num só volume, bastante desordenadamente. «No ano da morte do rei Osias». Julga-se que foi no ano 740 (ou no ano 738) a. C., mas ainda em vida deste rei (cf. Is 1, 1).

2 «Serafins». Considerados seres angélicos. É a única vez que são nomeados em toda a Sagrada Escritura. O nome, que significa «Ardentes» ou «Abrasadores» (semelhantes ao fogo), pode indicar tanto o fervor para com Deus (vv. 3-4), como o papel que um deles desempenha de purificar com o fogo (v. 6) o próprio profeta.

3 «Santo, Santo, Santo», isto é, santo no grau mais elevado: para exprimir o superlativo, em hebraico é frequente repetir duas vezes o adjectivo; aqui repete-se três vezes! Os Padres viram neste triságio uma alusão ao mistério da SSª Trindade.

Esta experiência mística única, no início da vocação do profeta, havia de marcar toda a sua vida; ele vem a ser o profeta por excelência da santidade e transcendência divina e tem o seu modo próprio de designar Deus, o «Santo de Israel» (1, 4; 5, 19.24; 10, 17.20; 41, 14..16.20; etc., ao todo umas 26 vezes, quando no resto da Bíblia se diz apenas 5 vezes); a própria Liturgia havia de fazer seu este Sanctus.

5 «Ai de mim...» Perante a revelação da sublime grandeza de Deus, Isaías fica deveras estarrecido, ao tomar consciência do abismo da sua pequenez e indignidade, para poder estar diante da sua santíssima presença (pensava-se mesmo que não se podia ver a Deus sem morrer), e sente mais vivamente a sua indignidade precisamente naquele ponto no qual Deus se queria apoiar para o transformar em seu arauto: os seus lábios.

«Senhor do Universo, em hebraico», Yahwéh tseba’ôth, «Senhor dos Exércitos», indica a Deus enquanto Rei, isto é, chefe, não só dos exércitos de Israel, mas também dos exércitos celestes, que incluem não só os anjos, mas também os astros, todo o Universo; daí que actualmente tenhamos adoptado uma tradução que, por um lado é inteligível (Tsabaot não nos diz nada) e, por outro lado, evita todo o aspecto bélico, e, além disso, tem em conta a correspondente tradução grega: Pantocrátor.

8 «Quem enviarei? Quem irá por nós?» É significativa esta passagem do singular ao plural, nós: quem dá a vocação é só Deus, mas Deus digna-se associar os Anjos (aqui, os Serafins) à execução dos seus planos (mas não se trata propriamente duma revelação antecipada do mistério da SS. Trindade).

«Eis-me aqui: podeis enviar-me». É extraordinária esta afoiteza do profeta, após aquela primeira sensação de pavor. A cena passa-se no Templo (v. 1, em hebraico no hekal, isto é, na sala que precede o debir, ou Santo dos Santos, quer dizer, o lugar mais santo de todos).

 

Salmo Responsorial     Sl 137 (138), 1-2a.2bc-3.4-5.7c-8 (R. 1c)

 

Monição: Com os anjos e os santos, louvemos o Senhor

 

Refrão:        Na presença dos Anjos,

                     eu Vos louvarei, Senhor.

 

De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças,

porque ouvistes as palavras da minha boca.

Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar

e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.

 

Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,

porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.

Quando Vos invoquei, me respondestes,

aumentastes a fortaleza da minha alma.

 

Todos os reis da terra Vos hão-de louvar, Senhor,

quando ouvirem as palavras da vossa boca.

Celebrarão os caminhos do Senhor,

porque é grande a glória do Senhor.

 

A vossa mão direita me salvará,

o Senhor completará o que em meu auxílio começou.

Senhor, a vossa bondade é eterna,

não abandoneis a obra das vossas mãos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A carta aos Coríntios recorda-nos que, com a sua ação libertadora – que continua a ação de Jesus e que renova o mundo – o discípulo sabe que está a dar testemunho da ressurreição de Cristo.

 

1 Coríntios Cor 15, 1-11;     forma breve: 1 Coríntios 15, 3-8.11

[1Recordo-vos, irmãos, o Evangelho que vos anunciei e que recebestes, no qual permaneceis 2e pelo qual sereis salvos, se o conservais como eu vo-lo anunciei; aliás teríeis abraçado a fé em vão.]

3Transmiti-vos em primeiro lugar o que eu mesmo recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, 4segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, 5e apareceu a Pedro e depois aos Doze. 6Em seguida apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maior parte ainda vive, enquanto alguns já faleceram. 7Posteriormente apareceu a Tiago e depois a todos os Apóstolos. 8Em último lugar, apareceu-me também a mim, como o abortivo.

[9Porque eu sou o menor dos Apóstolos e não sou digno de ser chamado Apóstolo, por ter perseguido a Igreja de Deus. 10Mas pela graça de Deus sou aquilo que sou e a graça que Ele me deu não foi inútil. Pelo contrário, tenho trabalhado mais que todos eles, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo. Por conseguinte,] 11tanto eu como eles, é assim que pregamos; e foi assim que vós acreditastes.

 

1-7 Temos aqui uma das mais ricas passagens do Novo Testamento onde se contém o kérigma primitivo, o núcleo da própria pregação apostólica em ordem a chamar à fé os ouvintes, e que depois servia de base à catequese dos neófitos. Este testemunho de excepcional valor acerca da ressurreição de Cristo, escrito uns 25 anos após, é condizente com os testemunhos posteriores dos quatro Evangelhos. Não podia, pois, tratar-se de uma mistificação, só possível a longo prazo, demais que as testemunhas se contavam às centenas e, então, «a maior parte ainda vive» (v. 6). E a fé pregada por S. Paulo não é nenhuma teoria à mercê de gostos ou caprichos, tem um conteúdo objectivo, que tem de ser conservado na sua integridade, para levar à salvação: «Sereis salvos, se o conservardes como eu vo-lo anunciarei» (v. 2). E a ressurreição de Jesus não é uma ideia, algo vago, mas um evento real, verificado, «ao terceiro dia» (v. 4).

3 «Morreu pelos nossos pecados». Este é um ponto capital da fé: a morte de Cristo tem valor redentor. «Segundo as Escrituras»: isto é dito tanto da Morte como da Ressurreição de Jesus (cf. Lc 24, 25-27); para a Morte, ver Is 53; Salm 22 (21); para a Ressureição, ver Salm 16 (15), 8-11 (cf. Act 2, 25-32); e também Os 6, 2 (texto de referência possível, embora não citado explicitamente no N. T.).

7 «Apareceu a Tiago». Só desta aparição é que não temos mais testemunhos no Novo Testamento. Este seria «o primo (irmão) do Senhor», chefe da Igreja de Jerusalém, cuja identidade com o Apóstolo Tiago Menor é muito discutida. Terá sido só após a Ressurreição que os familiares («irmãos») de Jesus começaram a acreditar n’Ele, pois antes não acreditavam (cf. Jo 7, 5), o que não era o caso dos Apóstolos.

8 «Como o abortivo». De facto Paulo veio à luz da fé de modo anormal e violento. Pode ser que o Apóstolo fale aqui com certa ironia, tendo em conta esta maneira com que os adversários o apodariam para o desacreditar. De qualquer modo, a expressão vinca bem o milagre da sua conversão, que não foi fruto duma evolução lenta e progressiva do seu pensamento, como pensam alguns, o que esbate a força do estrondoso milagre moral duma conversão que é um poderoso motivo de credibilidade a favor da verdade do cristianismo.

9-10 Aqui se vê a autêntica humildade do Apóstolo, que nada tem de deprimente complexo de inferioridade; é que Paulo tem uma consciência tão clara da sua indignidade (v. 9), como, por outro lado, da graça que nele actua: «pela graça de Deus sou aquilo que sou»  (v. 10).

11 «Tanto eu como eles assim é que pregamos». Fica clara a identidade entre a pregação de Paulo e a dos Apóstolos – «transmiti-vos o que eu mesmo recebi» (v. 3) –; na passagem paralela de 1 Cor 11, 23, diz, a propósito da Eucaristia: «eu recebi do Senhor o que precisamente vos transmiti», o que indica um ensino recebido da tradição da Igreja primitiva, com origem no Senhor (em grego apó toû Kyríou), não necessariamente do próprio Jesus (então diria melhor: pará toû Kyríou).

 

Aclamação ao Evangelho          Mt 4, 19

 

Monição: Lucas apresenta um grupo de discípulos que partilharam a barca com Jesus, que acolheram as propostas de Jesus, que souberam reconhecê-l’O como seu “Senhor”, que aceitaram o convite para ser “pescadores de homens” e que deixaram tudo para seguir Jesus… Neste quadro, reconhecemos o caminho que os cristãos são chamados a percorrer.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Vinde comigo, diz o Senhor,

e farei de vós pescadores de homens.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 5, 1-11

Naquele tempo, 1estava a multidão aglomerada em volta de Jesus, para ouvir a palavra de Deus. Ele encontrava-Se na margem do lago de Genesaré 2e viu dois barcos estacionados no lago. Os pescadores tinham deixado os barcos e estavam a lavar as redes. 3Jesus subiu para um barco, que era de Simão, e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra. Depois sentou-Se e do barco pôs-Se a ensinar a multidão. 4Quando acabou de falar, disse a Simão: «Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca». 5Respondeu-Lhe Simão: «Mestre, andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, lançarei as redes». 6Eles assim fizeram e apanharam tão grande quantidade de peixes que as redes começavam a romper-se. 7Fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco para os virem ajudar; eles vieram e encheram ambos os barcos de tal modo que quase se afundavam. 8Ao ver o sucedido, Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e disse-Lhe: «Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador». 9Na verdade, o temor tinha-se apoderado dele e de todos os seus companheiros, por causa da pesca realizada. 10Isto mesmo sucedeu a Tiago e a João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: «Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens». 11Tendo conduzido os barcos para terra, eles deixaram tudo e seguiram Jesus.

 

Após esta pesca milagrosa, que antecipa simbolicamente a futura missão apostólica dos discípulos, Lucas apresenta, só agora e sinteticamente, o seu chamamento – centrado na pessoa de Simão Pedro –, os quais «deixaram tudo e seguiram Jesus» (v. 11), ao passo que os outros Sinópticos narram esse chamamento com mais pormenor e logo no início do ministério público do Senhor (Mc 1, 18-22; Mt 4, 16-20; cf. Jo 1, 35-51).

8 «Afasta-te de mim». Isto não quer dizer que Simão queira que Jesus fuja dele, apenas pretende expressar o sentimento de humildade de quem se sente indigno de estar na presença do Senhor; Pedro começa a dar conta da maneira singular como Deus está presente em Jesus, por isso sente tão ao vivo a sua condição de pecador. Esta reacção tão natural e tão sobrenatural é semelhante à de Isaías, perante o divino – tremendum et fascinans – da 1.ª leitura.

10 «Serás pescador de homens». O episódio tem um quê de paradigmático. Esta vai ser a missão da Igreja (cf. Mt 28, 18-20) – «fazer-se ao largo e lançar as redes para a pesca» (cf. v. 4) –, mas, como então, os discípulos, se trabalharem em nome próprio, afadigam-se «sem apanhar nada» (v. 5a); se, porém, lançam as redes em nome do Senhor – «já que o dizes» ( v. 5b) –, então o resultado será deveras maravilhoso (vv. 6-7).

 

Sugestões para a homilia

 

1. Quando Deus chama

2. Lançai as redes

 

 

1. Quando Deus chama

 

O profeta Isaías está atemorizado pela cena que presenciou: tremiam os gonzos das portas... e o Templo encheu-se de fumo. O Senhor tinha dito a Moisés: um homem não pode ver-me e continuar a viver. Por isso esperava de um momento para o outro cair por terra sem vida.

É o temor de Deus, esse sentimento que se apodera da pessoa quando chega a intuir a grandeza e o poder divinos. Sentimento bem diferente daquela apatia e frieza do homem sem sensibilidade religiosa, incapaz de perceber, nem de longe, o mundo sobrenatural.

Peçamos ao Senhor o santo temor de Deus que é o princípio da sabedoria. Então, diremos como o profeta Isaías: «eis-me aqui Senhor, podeis enviar-me», ou como Paulo que reconhecendo ser indigno, o Senhor também o chamou, ou como Pedro que recordará sempre as palavras de Jesus que o convida: «não tenhas receio, desde agora serás pescador de homens».

O Senhor quer precisar de todos. Neste povo de Deus, que é a Igreja, cada um de nós tem uma vocação e uma missão. Uns como pais de família, outros como sacerdotes; uns solteiros outros casados, uns operários outros patrões; uns professores outros alunos. Todos e em cada circunstância da sua vida, vivendo o seu compromisso batismal que nos identifica com Cristo e nos leva a oferecer a Deus Pai o próprio trabalho, a própria vida com o espírito com que Cristo se ofereceu na cruz.

E quando correspondemos à vontade de Deus na nossa vida, o Senhor acaba por realizar maravilhas em nós. É o caso do Evangelho deste Domingo.

 

2. Lançai as redes

 

O Evangelho mostra-nos Jesus a pregar à multidão dentro de uma barca que era de Simão Pedro. Temos depois aquela pesca miraculosa que os pescadores levaram a bom termo graças à fé que tinham em Jesus. Com sinceridade, Pedro adverte que estavam cansados — lançaram as redes toda a noite e nada conseguiram. Mas por obediência, para dar gosto a Jesus, farão outra tentativa. E valeu a pena. Apanharam tal quantidade de peixes que as redes já estavam a romper-se.

Este episódio representará para os discípulos de Jesus a tomada de consciência de que a palavra de Deus deve pôr-se acima de tudo. Pedro fez algo mais do que levar a cabo um trabalho manual. Este sucesso converteu-se para ele num caminho interior de fé. Antes da pesca tinha chamado Jesus por “Mestre”, isto é, aquele que ensina. Agora, lança-se aos pés de Jesus e já não Lhe chama Rabi mas “Senhor”, dirige-se a Jesus com o nome reservado apenas a Deus.

Cristo tranquiliza-o e convida-o a dedicar-se a outro tipo de pesca. Pedro e os demais Apóstolos «deixaram tudo e seguiram Jesus».

Caros irmãos, o Evangelho é uma lição clara de confiança total no poder de Deus; exemplo de audácia em lançar-se as mais difíceis e arriscadas empresas, mesmo aquelas que nos pareçam impossíveis. Então devemos dizer como Pedro: Senhor, porque tu o queres voltarei a lançar as redes. Estamos seguros de que o nosso esforço, o nosso intento não ficará sem frutos abundantes mais do que poderíamos pensar. Assim caminhamos com mais confiança. Deus não dorme. Ele está sempre pronto a intervir com o seu amor omnipotente e salvífico. E contínua a dizer: «Confiai, Eu venci o mundo!» (Jo 16, 33).

 

Fala o Santo Padre

 

«Esta é a lógica que orienta a missão de Jesus e a missão da Igreja: ir à procura, «pescar» homens e mulheres,

para restituir a todos a plena dignidade e liberdade, mediante o perdão dos pecados.»

O Evangelho deste domingo descreve — na narração de são Lucas — a chamada dos primeiros discípulos de Jesus (Lc 5, 1-11). O acontecimento tem lugar num contexto de vida quotidiana: alguns pescadores encontram-se à margem do lago da Galileia e, depois de uma noite de trabalho passada sem nada pescar, põem-se a lavar e a consertar as redes. Jesus sobe ao barco de um deles, o de Simão chamado Pedro, pede-lhe que se afaste um pouco da margem e põe-se a pregar a Palavra de Deus ao povo que se tinha reunido em grande número. Quando acaba de falar, pede-lhe que se faça ao largo e que lance as redes. Simão já tinha conhecido Jesus, experimentando o poder prodigioso da sua palavra, e por isso responde: «Mestre, trabalhamos a noite inteira sem nada apanhar; mas por causa da tua palavra lançarei as redes» (v. 5). E esta sua fé não é desiludida: com efeito, as redes enchem-se com tanta quantidade de peixes, que quase se rompem (cf. v. 6).

Perante este acontecimento extraordinário, os pescadores enchem-se de grande admiração. Simão Pedro lança-se aos pés de Jesus, dizendo: «Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador» (v. 8). Aquele sinal milagroso convenceu-o de que Jesus não é apenas um Mestre formidável, cuja palavra é genuína e poderosa, mas que Ele é o Senhor, a manifestação de Deus. E esta presença aproximada suscita em Pedro uma forte sensação da própria mesquinhez e indignidade. Sob um ponto de vista humano, pensa que deve haver distância entre o pecador e o Santo. Na verdade, precisamente a sua condição de pecador exige que o Senhor não se afaste dele, do mesmo modo como um médico não se pode distanciar de quem está doente.

A resposta de Jesus a Simão Pedro é reconfortante e decisiva: «Não temas; doravante serás pescador de homens» (v. 10). E de novo o pescador da Galileia, depositando a sua confiança nesta palavra, deixa tudo e segue Aquele que se tornou o seu Mestre e Senhor. E assim agiram também Tiago e João, companheiros de trabalho de Simão. Esta é a lógica que orienta a missão de Jesus e a missão da Igreja: ir à procura, «pescar» homens e mulheres, não para fazer proselitismo mas para restituir a todos a plena dignidade e liberdade, mediante o perdão dos pecados. Eis a essência do cristianismo: propagar o amor regenerante e gratuito de Deus, com atitude de acolhimento e de misericórdia para com todos, a fim de que cada um possa encontrar a ternura de Deus e receber a plenitude de vida […].

O Evangelho de hoje interpela-nos: sabemos nós confiar verdadeiramente na palavra do Senhor? Ou então nos deixamos desanimar pelos nossos fracassos? […] Somos chamados a confortar quem se sentir pecador e indigno diante do Senhor, e abatido por causa dos próprios erros, dizendo-lhe as mesmas palavras de Jesus: «Não temas». «A misericórdia do Pai é maior do que os teus pecados! É maior, não tenhas medo!». Que a Virgem Maria nos ajude a compreender cada vez mais que ser discípulos significa colocar os nossos pés nas pegadas deixadas pelo Mestre: são os passos da graça divina, que volta a gerar a vida para todos.

 Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 7 de Fevereiro de 2016

 

Oração Universal

 

Irmãos: Confiemos a Deus e à palavra da sua graça, as preces do seu Povo.

Invoquemo-lo, dizendo:

 

R. Senhor, aumenta a nossa fé.

 

1.     Senhor, Tu falaste, com finura e delicadeza, a Pedro dizendo-lhe:

peço-te, não temas, serás pescador de homens.

Dá a todos os homens e mulheres da Igreja, porventura abatidos pelo desânimo,

uma palavra de confiança, na sua missão.

 

2.     Senhor, Tu confirmaste Pedro na sua missão, apesar da sua pouca fé.

Nos momentos difíceis, de desânimo e fraqueza, dá-nos, pessoas que,

como tu, nos transmitam esperança e energia, para ousar o futuro.

 

3.     Senhor, as nossas redes vazias enchem-se, porque Tu dás uma profundidade única,

a tudo o que dizemos, fazemos e pensamos.

Dá-nos também aquela confiança, em nós próprios,

que muitas vezes não nos atrevemos a ter, por causa dos nossos pecados.

 

4.     Senhor, em vez de peixes, Tu dás-nos pessoas,

dás-nos a possibilidade de encontros que preenchem a nossa vida.

Não nos deixes impressionar pelos meus defeitos nem tenhas medo dos meus pecados,

mas repete-me: “podes fazer algo de belo, de grande, pelos homens e por Mim”.

 

P- Escuta, Senhor, as nossas orações e enche-nos da Tua graça, para proclamarmos que o Teu nome é santo e nos colocarmos inteiramente ao serviço do Evangelho. Por Cristo Senhor Nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Tomai, Senhor, e Recebei, J. Santos, NRMS 70

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que criastes o pão e o vinho para auxílio da nossa fraqueza concedei que eles se tornem para nós sacramento de vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio Dominical I; Oração Eucarística I

 

(Pode-se escolher a Oração Eucarística I, que recorda o nome dos apóstolos de que fala o Evangelho e na Carta de Paulo. As palavras “na presença da tua glória sobre o teu altar celeste” evocam, de certo modo, o clima da primeira leitura)

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Santo: M. Luis, NCT 297

 

Monição da Comunhão

 

Como a Isaías, a Simão, a Paulo, uma palavra forte é dita a cada um de nós: “Não tenhas medo…” Participemos da Comunhão com a certeza de que não estou sozinho, mas “a graça de Deus está comigo!”

 

Cântico da Comunhão: Não Fostes Vós que Me Escolhestes, Az. Oliveira, NRMS 59

 

Salmo 106, 8-9

Antífona da comunhão: Dêmos graças ao Senhor pela sua misericórdia, pelos seus prodígios em favor dos homens, porque Ele deu de beber aos que tinham sede e saciou os que tinham fome.

 

Ou

Mt 5, 5-6

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

 

 

Oração depois da comunhão: Deus de bondade, que nos fizestes participantes do mesmo pão e do mesmo cálice, concedei que, unidos na alegria e no amor de Cristo, dêmos fruto abundante para a salvação do mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Quem enviarei? Quem irá por nós?» Cada um de nós se faça ao largo da missão (Lc 5,4), com uma resposta bem simples: «Eis-me aqui: podeis enviar-me» (Is.6,8).

 

Cântico final: Ide por Todo Mundo, M. Faria, NRMS 17

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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