4.º Domingo Comum

3 de Fevereiro de 2019

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Salvai-nos, Senhor, Nosso Deus, Az. Oliveira, NRMS 67

 

Salmo 105, 47

Antífona de entrada: Salvai-nos, Senhor nosso Deus, e reuni-nos de todas as nações, para dar graças ao vosso santo nome e nos alegrarmos no vosso louvor.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Pelo Baptismo, fomos enxertados no Corpo Místico de Jesus e participamos na Sua missão profética.  O Pai fala-nos por intermédio de Seu Filho Jesus Cristo, e Jesus quer falar a todas as pessoas por meio de cada um de nós.

Somos porta-vozes de Deus junto dos nossos irmãos, para dizermos tudo e só o que Ele quer, ajudando as pessoas a seguir o caminho do Céu.

 

Acto penitencial

 

Sentimo-nos inclinados a cuidar só dos nossos interesses e das nossas comodidades. Facilmente nos deixamos encerrar no nosso mundo, sem nos interessarmos a ajuda os outros.

Esta atitude opõe-se à nossa vocação fundamental de comunhão em que viveremos para sempre no Céu e devemos experimentar já na terra.

Peçamos perdão da nossa fácil cedência a fecharmos no mundo tacanho do nosso egoísmo e prometamos ao Senhor, contando com a Sua ajuda, emenda de vida

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Tenho sido negligente no estudo do Catecismo da doutrina da Igreja

    e, por isso, não posso ajudar as pessoas a procurar na vida fazer a vontade de Deus.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Quando oiço proferir erros doutrinais ou censuras injustas contra a Igreja,

    guardo silêncio cobarde, em vez de ajudar as pessoas a descobrir a luz da verdade.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: Na minha vida pessoal não procuro conhecer o que Deus quer de mim,

    mas deixo-me arrastar pelo que me apetece no momento, com risco de ofender a Deus.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Concedei, Senhor nosso Deus, que Vos adoremos de todo o coração e amemos todos os homens com sincera caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Jeremias conta-nos a história da sua vocação ao profetismo. Escolhido por Deus deve revestir-se de fortaleza para dizer tudo e só o que Deus quer que diga.

Ao chamar cada um de nós à Igreja, pelo Baptismo, tornou-nos arautos da Sua misericórdia Salvadora.

 

Jeremias 1, 4-5.17-19

No tempo de Josias, rei de Judá, 4a palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 5«Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi; antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei e te constituí profeta entre as nações. 17Cinge os teus rins e levanta-te, para ires dizer tudo o que Eu te ordenar. Não temas diante deles, senão serei Eu que te farei temer a sua presença. 18Hoje mesmo faço de ti uma cidade fortificada, uma coluna de ferro e uma muralha de bronze, diante de todo este país, dos reis de Judá e dos seus chefes, diante dos sacerdotes e do povo da terra. 19Eles combaterão contra ti, mas não poderão vencer-te, porque Eu estou contigo para te salvar».

 

O texto refere a vocação divina do Profeta de Anatot, em que se evidenciam três elementos: a eleição, a missão e a protecção divinas, que tornam possível a superação da incapacidade humana e de todas as dificuldades; por isso, Deus diz: «Não temas…», «Eu estou contigo…». A vocação do Profeta dá-se no tempo de Josias, que reinou entre 640 e 609 a. C..

5 «Antes de te formar» (à letra: «moldar», o verbo hebraico, yatsar, indica mesmo a acção do oleiro ao modelar o barro; cf. Gn 2, 7-8). «Eu te escolhi» (à letra: «Eu te conheci»). Trata-se de um conhecimento de Deus, não meramente intelectual, mas que envolve um acto de amor: o escolher e predestinar em ordem a uma missão determinada (cf. Am 3, 2; Rom 8, 29: quos præscivit, et prædestinavit); de facto, com o chamar à vida, Deus já tem um projecto eterno, particular e gratuito para cada uma das suas criaturas; ninguém é fruto do acaso. «Eu te consagrei» (ou santifiquei, o verbo hebraico qadax), isto é, te separei do profano, reservando-te para Mim, para o meu serviço: «te constituí profeta». Notar como toda a vocação divina engloba chamamento e missão, consagração (dom) e missão, um tema a meditar e aprofundar neste ano sacerdotal. «Entre as nações» (cf. v.10), uma expressão que deixa ver o alcance universal de uma vocação, como a de Jeremias, cuja acção se havia de repercutir nas nações do Médio Oriente, não apenas na história do seu povo.

 

Salmo Responsorial     Sl 70 (71), 1-2.3-4a.5-6ab.15ab.17 (R. cf. 15ab)

 

Monição: A generosidade com que Jeremias viveu a sua vocação profética, enfrentando sofrimentos e ameaças de morte, anima-nos a seguir o seu exemplo luminoso.

Queremos exprimir este desejo, cantando o salmo que o Espírito Santo coloca em nossos lábios.

 

Refrão:        A minha boca proclamará a vossa salvação.

 

Em Vós, Senhor, me refugio,

jamais serei confundido.

Pela vossa justiça, defendei-me e salvai-me,

prestai ouvidos e libertai-me.

 

Sede para mim um refúgio seguro,

a fortaleza da minha salvação.

Vós sois a minha defesa e o meu refúgio:

meu Deus, salvai-me do pecador.

 

Sois Vós, Senhor, a minha esperança,

a minha confiança desde a juventude.

Desde o nascimento Vós me sustentais,

desde o seio materno sois o meu protector.

 

A minha boca proclamará a vossa justiça,

dia após dia a vossa infinita salvação.

Desde a juventude Vós me ensinais

e até hoje anunciei sempre os vossos prodígios.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo entoa um hino vibrante sobre a verdadeira caridade. Começa por nos falar da sus necessidade e valor. Descreve-a, depois, sob a inspiração do Espírito Santo.

Faz-nos bem, de vez em quando, fazer oração sobre este texto, para levarmos á vida de cada dia o que aqui se nos indica.

 

Forma longa: 1 Coríntios 12, 31 – 13, 13;                          forma breve: 1 Coríntios 13, 4-13

Irmãos: [31Aspirai com ardor aos dons espirituais mais elevados. Vou mostrar-vos um caminho de perfeição que ultrapassa tudo: 1Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como bronze que ressoa ou como címbalo que retine. 2Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu possua a plenitude da fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. 3Ainda que distribua todos os meus bens aos famintos e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada me aproveita.]

4A caridade é paciente, a caridade é benigna; não é invejosa, não é altiva nem orgulhosa; 5não é inconveniente, não procura o próprio interesse; não se irrita, não guarda ressentimento; 6não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade; 7tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 8O dom da profecia acabará, o dom das línguas há-de cessar, a ciência desaparecerá; mas a caridade não acaba nunca. 9De maneira imperfeita conhecemos, de maneira imperfeita profetizamos. 10Mas quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. 11Quando eu era criança, falava como criança, sentia como criança e pensava como criança. Mas quando me fiz homem, deixei o que era infantil. 12Agora vemos como num espelho e de maneira confusa, depois, veremos face a face. Agora, conheço de maneira imperfeita, depois, conhecerei como sou conhecido. 13Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade.

 

S. Paulo, ao falar dos diversos carismas tão ambicionados pelos cristãos de Corinto, quer despertar os fiéis para o dom fundamental, sem o qual todos os carismas perdem valor. Este texto paulino é o mais sublime elogio da caridade jamais feito, uma das páginas mais belas de toda a Bíblia, que tanto entusiasmava Teresa de Lisieux. Nos vv. 31.1-3 temos a exaltação da caridade acima dos carismas mais elevados; nos vv. 4-7, o elogio da caridade, apontando o que ela exclui e o que ela engloba; nos vv. 8-12, a exposição de como, ao contrário dos carismas e da própria fé e esperança, ela não acaba nunca; daí a sua perfeição e superioridade.

12 «Agora», isto é, nesta vida terrena; «depois», isto é, na eterna bem-aventurança do Céu. «Com num espelho», a saber, de maneira indirecta e confusa (à letra: «como coisa enigmática»); com efeito, na época, os espelhos, mesmo os melhores, como eram os de Corinto, não permitiam observar a imagem com toda a nitidez como sucede agora com os nossos espelhos. «Face a face»: assim será no Céu a nossa visão de Deus, pois «vê-lo-emos tal como Ele é» (1 Jo 3, 2), à maneira de «como sou conhecido» (por Deus), numa contemplação cheia de amor e directa, através daquilo que os teólogos chamam o «lumen gloriæ».

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 4, 18

 

Monição: Cheios de alegria, pela missão profética de Jesus da qual nos faz participantes pelo Baptismo, aclamemos festivamente o Evangelho da nossa Salvação.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 46

 

O Senhor enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres,

a proclamar aos cativos a redenção.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 4, 21-30

Naquele tempo, 21Jesus começou a falar na sinagoga de Nazaré, dizendo: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir». 22Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam das palavras cheias de graça que saíam da sua boca. E perguntavam: «Não é este o filho de José?» 23Jesus disse-lhes: «Por certo Me citareis o ditado: ‘Médico, cura-te a ti mesmo’. Faz também aqui na tua terra o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum». 24E acrescentou: «Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua terra. 25Em verdade vos digo que havia em Israel muitas viúvas no tempo do profeta Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra; 26contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas a uma viúva de Sarepta, na região da Sidónia. 27Havia em Israel muitos leprosos no tempo do profeta Eliseu; contudo, nenhum deles foi curado, mas apenas o sírio Naamã». 28Ao ouvirem estas palavras, todos ficaram furiosos na sinagoga. 29Levantaram-se, expulsaram Jesus da cidade e levaram-n’O até ao cimo da colina sobre a qual a cidade estava edificada, a fim de O precipitarem dali abaixo. 30Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho.

 

Temos hoje a conclusão do Evangelho do Domingo anterior: o resultado da pregação de Jesus na sinagoga de Nazaré.

22 «Todos davam testemunho em seu favor». Esta foi a primeira reacção, uma reacção positiva. Algum autor, porém, traduziu: «todos se declaravam contra», o que não parece correcto. Com efeito, embora o verbo grego possa indicar tanto um testemunho a favor, como um testemunho contra, a verdade é que o contexto não autoriza uma tal tradução, tanto os lugares paralelos (Mt 13, 54; Mc 6, 2), como o contexto próximo, que sugere o passar duma atitude de admiração para uma atitude de repulsa (v. 22 e v. 28); o facto de não ser citado mais texto de Isaías (61, 2), onde se fala do «dia da vingança do Senhor», não é razão suficiente para concluir que todos se declaravam contra pelo facto de não ter levado mais adiante a citação; o texto de Lucas (criticamente seguro) não diz que a reacção foi devida a citar «só» «as palavras da graça» (a tradução litúrgica diz «cheias de graça», uma interpretação aceitável).

«Não é este o filho de José?». Lucas não tem qualquer escrúpulo de usar esta expressão posta na boca do povo, que ignora a origem divina de Jesus, pois já tinha antes deixado bem clara a sua concepção virginal. S. Marcos, porém, no lugar paralelo, escreve «o filho de Maria», pois, não tendo relatado a concepção virginal de Jesus, parece ter querido evitar qualquer mal entendido dos seus leitores.

23 «O que ouvimos dizer…». Isto é uma prova de que esta pregação na sinagoga de Nazaré não foi o primeiro momento da pregação de Jesus; Lucas adopta uma ordem lógica ou teológica, não necessariamente uma ordem cronológica (ver nota 16 ao Evangelho do passado Domingo).

30 «Seguiu o seu caminho», isto é, não fugiu, como tentaria fazer um falso profeta. A serenidade majestosa de Jesus é suficiente para deixar paralisados os que se Lhe opunham movidos pelo ressentimento, desconfiança e desdém.

 

Sugestões para a homilia

 

• Um povo de profetas

Vocação de profetas

Fidelidade à missão

Sinais do Amor de Deus

• Como viver a missão profética

Testemunho de vida

Com fé e humildade

Misericórdia, linguagem do profeta

 

1. Um povo de profetas

 

a) Vocação de profetas. «No tempo de Josias, rei de Judá, a palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: “Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi; antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei e te constituí profeta entre as nações.”»

O texto fala-nos da vocação de Jeremias à missão profética. Teve um papel muito importante nos tempos que precederam a partida dos israelitas o exílio de Babilónia e durante os primeiros deste. Sofreu muito, por causa da coragem com que anunciava a vontade de Deus.

Ontem, como hoje, as pessoas não gostam de ouvir verdades incómodas, que as obrigam a mudar. Preferem as «prurientes auribus», as que agradam aos ouvidos.

E, no entanto, se lhe tivessem dado ouvidos, teriam evitado o cativeiro de Babilónia que durou setenta anos. O que diz a verdade é o mais amigo das pessoas.

Os cristãos não são um grupo especial de cristãos. Cada um começa a sê-lo desde o Baptismo, ao tornar-se participante na tríplice missão de Cristo: Santificar — como Sacerdote —, Ensinar — como Profeta — e Governar — como Rei.

O profeta é o que fala, não das próprias ideias, mas em nome de outrem.

Mas como no AT o Enviado do Senhor anunciava acontecimentos futuros que só podiam ser conhecidos por Deus, para confirmar a autenticidade da sua missão, começamos a entender como profeta o que anuncia coisas futuras desconhecidas.

Deus quer actuar no mundo por meio das criaturas. Para combater a serpente infernal, elegeu uma Virgem e Mãe que lhe esmagará a cabeça, embora ela arme ciladas ao seu calcanhar.

Para chamar novos seres humanos à vida e à felicidade eterna, recorre ao ministério dos seus pais.

Para fazer chegar a Sua voz a todas as pessoas, instituiu-nos a todos, pelo Baptismo, Seus arautos e profetas.

Uma visão egoísta do cristianismo é pensar que cada um, se se preocupar com a sua salvação, já faz a vontade de Deus. É como se, numa família, alguém se convencesse de que a única coisa que tem a fazer a li é comer, sem se importar com os outros.

 

b) Fidelidade à missão. «Cinge os teus rins e levanta-te, para ires dizer tudo o que Eu te ordenar. Não temas diante deles, senão serei Eu que te farei temer a sua presença

Jeremias recebe do Senhor um conjunto de indicações para se desempenhar bem da sua missão.

Prontidão. «Cinge os teus rins.» As pessoas que iniciavam uma viagem cingiam os rins com uma cinta para segurar a túnica arregaçada, de modo que não impedisse a caminhada. Este gesto foi interpretado como estar disponível para iniciar o caminho.

Esta mesma disponibilidade é pedida a cada fiel para anunciar a mensagem de Deus.

Renovação interior. «e levanta-te». Para começar a caminhada é preciso pôr-se de pé. Para nós é um apelo a melhorar espiritualmente pela oração e pela mortificação.

Se queremos aproximar as outras pessoas de Deus temos de caminhar à frente delas, animando-as com o bom exemplo.

Fidelidade. É indispensável seguir com delicadeza a doutrina do Magistério da Igreja. Não nos pregamos a nós mesmos e não procuramos agradar à custa de descontos” na doutrina. O Senhor diz que chama a cada um de nós «para ires dizer tudo o que Eu te ordenar

Com fortaleza. Custa-nos anunciar exigências incómodas que exigem uma mudança de vida. «Não temas diante deles, senão serei Eu que te farei temer a sua presença.»

É indispensável e urgente combater em nós o respeito humano, a cobardia que leva a omitir coisas importantes: palavras, gestos e atitudes.

Pela nossa cobardia, deixamos ocupar o espaço que nos pertence — encolhendo-nos e guardando silêncio cobarde — e acabamos por sermos expulsos dela.

São chamados especialmente a exercer esta missão de profetas:

Os pais junto dos filhos. Cada filho é um tesouro que Deus confia aos pais para que o faça crescer, desenvolvendo as virtudes humanas e sobrenaturais. Educar não é meter as pessoas numa forma pré-fabricada, mas ajudar a desenvolver o bem que há em germe dentro de cada pessoa e a dominar as más tendências.

Os educadores nos que lhe estão confiados. Não é por acaso que Deus nos fez nascer e crescer num determinado contexto social, junto de umas pessoas concretas. Somos aí fermento, luz e sal.

 

c) Sinais do Amor de Deus. «Hoje mesmo faço de ti uma cidade fortificada, uma coluna de ferro e uma muralha de bronze, diante de todo este país, [...]. Eles combaterão contra ti, mas não poderão vencer-te, porque Eu estou contigo para te salvar

Deus promete fazer de Jeremias — e de cada um de nós — «uma cidade fortificada, uma coluna de ferro e uma muralha de bronze

Humanamente o profeta era frágil, tinha de se submeter à brutalidade dos inimigos, pela sua coragem em dizer tudo e só o que Deus queria, e esteve várias vezes em perigo de vida.

Mas a sua palavra revestiu-se desta fortaleza e os que não queriam aceitar a vontade de Deus não puderam resistir-lhe.

A nossa força é o Amor de Deus que pomos em tudo e em todos. As palavras e gestos junto de cada pessoa têm de se tornar sinais visíveis do amor de Deus por ela.

Pela solicitude. Cultivemos a mesma disponibilidade para ajudar as pessoas na vida material — doença, fome e outras carências — e na vida espiritual.

Há muitas pessoas que ficam apenas na ajuda material e não conseguem ver mais nada para além dela.

Outras vivem e pregam um cristianismo desencarnado que só se preocupa em levar as pessoas a rezar, sem se importarem os seus problemas reais. A pessoa humana é composta de corpo e alma e um e outra devem ser cuidados por nós.

Pela alegria. Deus ama aquele que dá e serve com alegria. Nós, também. Quando sorrimos, a porta da nossa alma está aberta para nos convidar a entrar.

Não interessa uma alegria néscia, alheia aos problemas, mas a que nasce de uma profunda confiança no nosso Deus.

Espírito de serviço. O mundo é de quem mais o serve. As pessoas nunca escolhem para chefe um ambicioso ou que procurará brilhar na sua vaidade à sombra dos outros, preferem aquele que mais serve.

Mais do que dar coisas, é preciso dar-se aos mais carenciados, em coisas pequenas de cada dia.

Coragem. O médico que anuncia ao doente uma doença grave que deve ser tratada com urgência, torna-se incómodo. Mas mostra ser muito ser amigo.

 

2. Como viver a missão profética

 

a) Testemunho de vida. «Jesus começou a falar na sinagoga de Nazaré, dizendo: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir». Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam das palavras cheias de graça que saíam da sua boca

S. Francisco de Assis convidou um irmão a sair para ir com ele pregar. Deram uma longa caminhada na cidade sem que o santo proferisse qualquer palavra. Quando, já no convento, o irmão lhe manifestou a sua estranheza, S. Francisco fez-lhe ver que tinham pregado com o exemplo.

Damos testemunho de vida:

No trabalho. Toda a ocupação humana e consciente tem o nome de trabalho. Para seja o eixo da nossa santificação, deve aperfeiçoar-se em três direcções: fazer o trabalho bem feito; pôr nele recta intenção — por amor de Deus e não por vaidade, orgulho ou qualquer outra falsa razão —; e fomentar um ambiente de amizade sincera como companheiros de trabalho.

Além disso, o trabalho enquadra-se no nosso dia. Dar-lhe demasiado tempo ou preocupação é um desequilíbrio e, quase sempre, um modo disfarçado de fuga a outros deveres.

O que se pede aos pais não é que trabalhem cada vez mais tempo, para encher os filhos de prendas, mas que ocupem só o horário laboral e dediquem todo o outro tempo à família.

Na dedicação à família. O trabalho está voltado para a família, ou seja, trabalhamos para a sustentar, para tornar possível aquele ambiente humano e sobrenatural que nela deve existir.

Terminado o horário de trabalho — hoje, em certas empresas, é preciso acautelar um espaço para a família —, a família tem a primeira das prioridades. É um erro encher a vida de ocupações que depois nos fazem passar pelo lar sempre a correr. O amor, para que cresça, exige presença disponível.

No saber ouvir as pessoas. Ninguém pode meter mais nada num saco, se ele está cheio. Para que o façamos, é preciso começar por esvaziá-lo do que tem dentro.

Quando queremos ajudar as pessoas, temos de começar por as deixar falar, atirar cá para fora o que têm dentro. Muitas vezes, as pessoas agradecem porque as ouvimos, deixando-as falar.

Falamos de ouvi-las com interesse, e não à espera que acabem de falar, para logo falarmos nós; de sermos compreensivos, especialmente no que respeita aos seus erros, passos mal dados e atitudes de reserva.

Ser compreensivo não é aprovar o mal, mas encontrar uma razão pela qual ele aconteceu.

Na alegria com que enfrentamos as dificuldades e contratempos da vida. O melhor testemunho que podemos dar é quando vivemos uma vida com as mesmas dificuldades que todos os outros, somos capazes, a pesar disso, de nos mantermos serenos e confiantes.

 

b) Com fé e humildade. «E perguntavam: “Não é este o filho de José?” Jesus disse-lhes: «Por certo Me citareis o ditado: [...] Faz também aqui na tua terra o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”. [...] Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua terra

Os habitantes de Nazaré contra a barreira da falta de fé, da falta de visão sobrenatural, quando Jesus tomou a palavra na Sinagoga e não se aperceberam de que era Deus Quem lhes falava.

Não foram capazes de passar além do aspecto humano, vendo apenas um jovem que se criou em Nazaré. Tudo o mais que aconteceu a seguir vem na sequência desta falta de fé inicial.

Isto mesmo pode acontecer connosco, se não acolhermos com humildade a pregação que ouvimos. A leitura da mesma Paixão de Jesus pode deixar-nos por aqui, ocultando-nos o horizonte maravilhoso que encerra.

Somos muito propensos em nos fixarmos apenas no aspecto humano, superficial, quando frequentamos um meio de formação: “gostei ou não gostei; fala bem ou é desagradável; não tenha nada a aprender com esta pessoa...”

Os santos aprendem sempre, porque são humildes e conseguem ver nas coisas e acontecimentos mais simples Deus que lhes fala.

A um pregador que veio a Ars, o Santo Cura perguntava com ansiedade: É verdade que me vai converter agora?

E S. Josemaria dizia em certa ocasião, enquanto esperava um transporte aéreo: “Estou a aprender!”

A soberba cega-nos e impede-nos de contemplar as maravilhas de Deus que nos fala em cada momento.

A atitude leva-nos invariavelmente a ver o lado positivo das coisas e a evitar cair no fosso do pessimismo.

Também não temos a chave da solução de todos os problemas. Procuramo-la com humilde simplicidade, como todos os outros.

 

c) Misericórdia, linguagem do profeta. «A caridade é paciente, a caridade é benigna; não é invejosa, não é altiva nem orgulhosa; não é inconveniente, não procura o próprio interesse; não se irrita, não guarda ressentimento; não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta

S. Paulo deixou-nos um longo texto em que nos fala da maravilha a caridade cristã. Alguns conhecem este texto por “hino do amor”. Se fizermos um esforço para a viver assim, vivemos a misericórdia para com os outros.

Temos de considerar a misericórdia em duas vertentes: na vertical, que desce do Coração do nosso Deus sobre cada um de nós; e na horizontal que havemos de viver uns para com os outros.

O texto de S. Paulo aos fieis da Igreja de Corinto ajuda-nos a fazer um profundo exame de consciência sobre a qualidade do nosso amor para com os outros

A paciência, a benignidade, a longanimidade... são frutos da habitação do Espírito Santo em nós.

A misericórdia há de ser vivida em duas dimensões:

Misericórdia vertical. É a que desce do Alto sobre nós. Leva-nos a uma confiança ilimitada em Deus.

A grande oferta da misericórdia é-nos feita no Sacramento da Reconciliação e Penitência. Recorremos a ele, procurando melhorar de uma vez para a outra o modo de o fazer?

Misericórdia horizontal. Nós mesmos temos de ser para com os outros a incarnação da misericórdia divina.

Com Maria aprendemos como havemos de exercer a missão profética no mundo, no dia a dia.

 

Fala o Santo Padre

 

«O homem religioso está sempre exposto à tentação de considerar a religião

como um investimento humano e pôr-se a “negociar” com Deus, procurando o próprio interesse.»

A narração evangélica de hoje leva-nos mais uma vez, como no domingo passado, à sinagoga de Nazaré, o povoado da Galileia onde Jesus cresceu em família e é conhecido por todos. Ele, que tinha partido há pouco tempo para dar início à sua vida pública, agora retorna pela primeira vez e apresenta-se à comunidade congregada na sinagoga no dia de sábado. Lê a passagem do profeta Isaías, que fala do Messias futuro e no final declara: «Hoje cumpriu-se este oráculo que vós acabastes de ouvir» (Lc 4, 21). Os concidadãos de Jesus, primeiro surpreendidos e admirados, depois começam a fazer caretas, a murmurar entre si e a dizer: por que motivo Ele, que tenciona ser o Consagrado do Senhor, não repete aqui na sua aldeia os prodígios que se afirma ter realizado em Cafarnaum e nos povoados dos arredores? Então, Jesus diz: «Nenhum profeta é bem aceite na sua pátria» (v. 24), apelando-se aos grandes profetas do passado, Elias e Eliseu, que realizam milagres em benefício dos pagãos, para denunciar a incredulidade do seu povo. Nesta altura, os presentes sentem-se ofendidos, levantam-se cheios de indignação, expulsam Jesus e gostariam de o lançar do alto do pináculo. Mas Ele, com a força da sua paz, «passou pelo meio deles e retirou-se» (v. 30). A sua hora ainda não chegou.

Este trecho do evangelista Lucas não é simplesmente a narração de um desacordo entre concidadãos, como às vezes acontece inclusive nos nossos bairros, suscitado por invejas e por ciúmes, mas põe em evidência uma tentação à qual o homem religioso está sempre exposto — todos nós estamos expostos — e da qual é necessário distanciar-se com decisão. E qual é esta tentação? É a tentação de considerar a religião como um investimento humano e, por conseguinte, pôr-se a «negociar» com Deus, procurando o próprio interesse. Ao contrário, na religião autêntica, trata-se de aceitar a revelação de um Deus que é Pai e que cuida de todas as suas criaturas, até da mais pequenina e insignificante aos olhos dos homens. Precisamente nisto consiste o ministério profético de Jesus: no anúncio de que nenhuma condição humana pode ser motivo de exclusão — nenhuma condição humana pode ser motivo de exclusão! — do Coração do Pai, e que o único privilégio aos olhos de Deus consiste em não ter privilégios. O único privilégio aos olhos de Deus consiste em não ter privilégios, em não ter padrinhos, em abandonar-se nas suas mãos.

«Hoje cumpriu-se este oráculo que vós acabastes de ouvir» (Lc 4, 21). O «hoje» proclamado por Cristo naquele dia vale para todas as épocas; e ressoa também para nós nesta praça, recordando-nos da actualidade e da necessidade da salvação que Jesus trouxe à humanidade. Deus vem ao encontro dos homens e das mulheres de todos os tempos e lugares na situação concreta em que se encontram. Vem também ao nosso encontro. É sempre Ele que dá o primeiro passo: vem visitar-nos com a sua misericórdia e tirar-nos da poeira dos nossos pecados; vem estender-nos a mão para nos fazer sair do abismo em que o nosso orgulho nos fez cair, convidando-nos a aceitar a verdade consoladora do Evangelho e a caminhar pelas veredas do bem. Ele vem sempre visitar-nos, procurar-nos.

Voltemos à sinagoga. Certamente naquele dia, na sinagoga de Nazaré estava presente também Maria, a Mãe. Podemos imaginar as ressonâncias do seu Coração, uma pequena antecipação daquilo que Ele viria a padecer aos pés da Cruz, vendo Jesus ali na sinagoga, primeiro admirado e depois desafiado, insultado e ameaçado de morte. No seu Coração, cheio de fé, Ela conservava tudo isto. Que Ela nos ajude a converter-nos de um deus dos milagres para o milagre de Deus, que é Jesus Cristo.

 Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 31 de Janeiro de 2016

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos e irmãs:

Com fé́ e confiança na bondade do Senhor,

façamos subir até́ Ele as nossas suplicas

pela santa Igreja e por todos os homens.

Oremos (cantando):

 

    Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

1. Pelo Santo Padre, com os Bispos, Presbíteros e Diáconos,

    para que nos ajude a sermos profetas fieis no mundo actual,

    oremos, irmãos.

 

    Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

2. Por todos os pais e mães de família da nossa comunidade,

    para que sejam, diante dos filhos, verdadeiras testemunhas,

    oremos, irmãos.

 

    Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

3. Pelos cristãos perseguidos por causa da sua fé em Jesus,

    para que o Espírito Santo os fortaleça e conforte na cruz,

    oremos, irmãos.

 

    Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

4. Pelos pastores da Igreja, profetas do Reino de Jesus Cristo,

    para que testemunhem a fé com Palavra e vida de santidade,

    oremos, irmãos.

 

    Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

5. Pelos esposos separados pela discórdia e feridos no amor,

    para que imitem o perdão generoso de Cristo e recomecem,

    oremos, irmãos.

 

    Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

6. Pelos nossos irmãos e amigos que partiram para a vida eterna,

    para que Senhor misericordioso os acolha na Bem aventurança,

    oremos, irmãos.

 

    Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

Fazei-nos experimentar, Senhor,

o vosso amor e o vosso perdão,

porque a vossa bondade não tem fim

e a vossa misericórdia é maior

do que o nosso pobre coração.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Terminada a Liturgia da Palavra, na qual recebemos a luz a Revelação, entramos agora na segunda parte da Missa: a Liturgia Eucarística.

São levadas as ofertas dos fiéis ao altar e o sacerdote, instrumento de Jesus Cristo, prepara o solene momento da consagração.

Nela o pão e o vinho serão transubstanciados no Corpo e Sangue do Senhor, para nosso Alimento sobrenatural.

 

Cântico do ofertório: Para Vós Senhor, M. Carneiro, NRMS 73-74

 

Oração sobre as oblatas: Apresentamos, Senhor, ao vosso altar os dons do vosso povo santo; aceitai-os benignamente e fazei deles o sacramento da nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

Somos, por vocação, mensageiros da verdadeira paz. Mas temos de começar a vivê-la dentro de nós, para a difundirmos no meio em que vivemos.

Com este propósito,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A convite do Senhor — se temos fé na Presença Real de Jesus na Santíssima Eucaristia e estamos na graça de Deus — acolhamos o convite do Divino Mestre, aproximando-nos com toda a reverência da Sagra Comunhão.

E que o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo nos guarde para a vida eterna.

 

Cântico da Comunhão: Senhor Nada Somos sem Ti , F. da Silva, NRMS 84

 

Salmo 30, 17-18

Antífona da comunhão: Fazei brilhar sobre mim o vosso rosto, salvai-me, Senhor, pela vossa bondade e não serei confundido por Vos ter invocado.

 

Ou

Mt 5, 3-4

Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra prometida.

 

Cântico de acção de graças: É Bom Louvar-Te, Senhor, M. Carneiro, NRMS 84

 

Oração depois da comunhão: Fortalecidos pelo sacramento da nossa redenção, nós Vos suplicamos, Senhor, que, por este auxílio de salvação eterna, cresça sempre no mundo a verdadeira fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Procuremos ser — na família, no trabalho e entre amigos — a presença viva do Senhor, dizendo tudo e só o que Ele quer.

Iluminemos com a nossa vida simples e humilde os caminhos de todos os nossos irmãos que desejam caminhar da terra ao Céu.

 

Cântico final: Vós Me Salvastes, Senhor, M. Simões, NRMS 16

 

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira, 4-II: Aproveitar o desagradável.

Heb 11, 32-40 / Mc 5, 1-20

Os que tinham visto narraram o que havia sucedido ao possesso e o que se passara com os porcos. Começaram então a pedir que se retirasse do seu território.

Precisamos ter fé para aceitarmos o que nos custa: «O Antigo Testamento é rico em testemunhos desta fé. A Epístola aos Hebreus faz o elogio exemplar dos antigos, que lhes valeu um bom testemunho (Leit.)» (CIC, 147). Pelo contrário, os gadarenos pediram a Jesus que se fosse embora porque tinham ficado sem dois mil porcos (Ev.).

É muito frequente que a Lógica de Deus não coincida com a Lógica humana. Só a fé nos ajudará a descobrir a mão de Deus por detrás dos acontecimentos desagradáveis, como a dor, o sofrimento, a doença, as contrariedades.

 

3ª Feira, 5-II: A fé que salva.

Heb 12, 1-4 / Mc 5, 21-43

São tantos os antigos a atestar-nos as grandezas da fé, que se diriam uma nuvem a rodear-nos.

São muito valiosos os testemunhos dos antigos. «No entanto, para nós, previa um destino melhor: a graça de crer no seu Filho Jesus, guia da nossa fé, que Ele leva à perfeição» (Leit.).

Jesus realizou o milagre da cura da hemorroísa, que lhe tocou na veste, porque viu a fé desta mulher: «foi a tua fé que te salvou» (Ev.). Nós estamos a tocar em Jesus quando participamos da Eucaristia, quando fazemos oração, quando nos lembramos dEle nas nossas ocupações, quando o descobrimos nas outras pessoas, etc.

 

4ª Feira, 6-II: Fé e provações.

Heb 12, 4-7. 11-15 / Mc 6, 1-6

E não pode fazer ali nenhum milagre. Estava admirado pela falta de fé daquela gente.

Jesus entristece-se por causa da falta de fé dos seus conterrâneos (Ev.) e da pouca fé dos seus discípulos.

Como aceitamos as provações habituais? Não esqueçamos os seus conselhos: «É que o Senhor corrige aquele que a ama e castiga a todo o filho que toma a seu cuidado. É para vossa correcção que tendes provações, é como filhos de Deus que vos trata» (Leit.). Nas contrariedades, dores e sofrimentos, que a nossa fé nos ajude a descobrir que são uma prova do amor de Deus para connosco, e Ele só quer o nosso bem.

 

5ª Feira, 7-II: Cinco Chagas do Senhor.

Is 53, 1-10 / Jo 20, 24-29

Ele foi trespassado pelas nossas culpas e esmagado devido às nossas faltas. O castigo que nos salva caiu sobre Ele.

Devido à tradicional devoção portuguesa às Cinco Chagas do Senhor, desde os começos da nacionalidade, os Papas concederam a Portugal uma festa particular.

Esta devoção tem um significado profundo pois, do lado aberto de Jesus, «abriu-se a porta da vida, e dali manaram os sacramentos da Igreja» (Santo Agostinho). As Chagas do Senhor têm igualmente um grande poder curativo, «pois por causa das suas Chagas é que fomos curados» (Leit.); curaram igualmente a incredulidade de Tomé: «mete a tua mão no meu lado e não sejas incrédulo, mas crente» (Ev.)

 

6ª Feira, 8-II: Participação activa no Sacrifício de Cristo.

Heb 13, 1-8 / Mc 6, 14-19

 E mandou imediatamente um guarda, com a ordem de trazer a cabeça de João Baptista.

Recordamos o martírio de João Baptista, um relato que sempre emociona. O mesmo acontece com qualquer martírio. Mas devemos ficar igualmente impressionados com a Missa, o memorial da Paixão e Morte do Senhor, e com o banquete sagrado do Corpo e Sangue de Cristo, derramado pela remissão dos nossos pecados.

A Missa é também mais um sinal de que Deus está sempre ao nosso lado, oferecendo-se como vítima em vez de nós: «Deus afirmou: Não te irei desamparar, nem votar ao abandono» (Leit.). Ofereçamos os nossos sacrifícios, colocando-os sobre o altar.

 

Sábado, 9-II: O Grande Pastor.

Heb 13, 15-17. 20-21 / Mc 6, 30-34

Foi o Deus da paz que retirou dos mortos aquele que, pelo sangue de uma Aliança eterna, é o Pastor das ovelhas.

À Missa também se chama o «santo sacrifício, porque actualiza o único sacrifício do Salvador e inclui a oferenda da Igreja, ou ainda, o santo sacrifício da Missa, 'sacrifício de louvor' (Leit.)» (CIC, 1330).

Pelo sangue derramado, Cristo é o Grande Pastor (Leit.). Meditando na sua entrega, procuremos «ser mais capazes de fazer tudo o que é bom para cumprir a sua vontade» (Leit.). E deixemos que Ele também nos instrua com a sua palavra (Ev.), o outro alimento por excelência da santa Missa.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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