2.º Domingo Comum

20 de Janeiro de 2019

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Anunciai com Voz de Júbilo, Az. Oliveira, NRMS 32

 

Salmo 65, 4

Antífona de entrada: Toda a terra Vos adore, Senhor, e entoe hinos ao vosso nome, ó Altíssimo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Deus serve-se da vida humana e da nossa linguagem para nos revelar as maravilhas da Sua doutrina.

Na Liturgia da Palavra deste 2.º Domingo do Tempo Comum, toma o amor humano entre o marido e a esposa para nos revelar o Seu Amor por nós.

 

Acto penitencial

 

Ao Amor generoso e gratuito de Deus, correspondemos, muitas vezes com a indiferença e até com o pecado.

Reconheçamos a nossa falta de correspondência a este Amor que nos quer tornar felizes na terra e na eternidade, arrependamo-nos e façamos esforço para nos emendarmos.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Ao Vosso Amor infinito de que nos dais tantas provas,

    reagimos, por vezes, com incredulidade, indelicadeza e desconfiança.

 

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Quando nos cumulais com bens e carícias do melhor dos pais,

    respondemos, indelicados, com frieza mortal e desumana indiferença.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: Ao Vosso chamamentos para uma vida feliz e em graça,

    voltamos as costas pelos pecados mortais e veniais e pela ingratidão.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que governais o céu e a terra, escutai misericordiosamente as súplicas do vosso povo e concedei a paz aos nossos dias. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías fala-nos do amor divino a cada um de nós como um amor esponsal inquebrantável e eterno que se renova continuamente na fidelidade.

E tal como este amor do marido transforma a esposa, assim de modo análogo, o Amor de Deus a cada um de nós deve transformar-nos.

 

Isaías 62, 1-5

1Por amor de Sião não me calarei, por amor de Jerusalém não terei repouso, enquanto a sua justiça não despontar como a aurora e a sua salvação não resplandecer como facho ardente. 2Os povos hão-de ver a tua justiça e todos os reis a tua glória. Receberás um nome novo, que a boca do Senhor designará. 3Serás coroa esplendorosa nas mãos do Senhor, diadema real nas mãos do teu Deus. 4Não mais te chamarão «Abandonada», nem à tua terra «Deserta», mas hão-de chamar-te «Predilecta» e à tua terra «Desposada», porque serás a predilecta do Senhor e a tua terra terá um esposo. 5Tal como o jovem desposa uma virgem, o teu Construtor te desposará; e como a esposa é a alegria do marido, tu serás a alegria do teu Deus.

 

Ver supra, notas da Primeira Leitura da Vigília do Natal

 

Salmo Responsorial     Sl 95 (96), 1-3.7-8a.9-10a.c (R. 3)

 

Monição: Deus manifesta o Seu poder e bondade no decorrer da história, distribuindo bênçãos que são outros tantos sinais do Seu Amor.

Todos os que as recebem — nós também — devem proclamá-las diante de todos os povos.

 

Refrão:        Anunciai em todos os povos as maravilhas do Senhor.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo,

cantai ao Senhor, terra inteira,

cantai ao Senhor, bendizei o seu nome.

 

Anunciai dia a dia a sua salvação,

publicai entre as nações a sua glória,

em todos os povos as suas maravilhas.

 

Dai ao Senhor, ó família dos povos,

dai ao Senhor glória e poder,

dai ao Senhor a glória do seu nome.

 

Adorai o Senhor com ornamentos sagrados,

trema diante d'Ele a terra inteira;

dizei entre as nações: «O Senhor é Rei»,

governa os povos com equidade.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na Primeira Carta aos fieis de Corinto, ensina-nos que os carismas são dons por meios dos quais Deus continua a manifestar o Seu Amor.

Cada um de nós não os deve olhar como propriedades pessoais, mas como bens que devem ser postos ao serviço de todos, imitando a liberalidade do Senhor.

 

1 Coríntios 12, 4-11

Irmãos: 4Há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. 5Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. 6Há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. 7Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. 8A um o Espírito dá a mensagem da sabedoria, a outro a mensagem da ciência, segundo o mesmo Espírito. 9É um só e o mesmo Espírito que dá a um o dom da fé, a outro o poder de curar; 10a um dá o poder de fazer milagres, a outro o de falar em nome de Deus; a um dá o discernimento dos espíritos, a outro o de falar diversas línguas, a outro o dom de as interpretar. 11Mas é um só e o mesmo Espírito que faz tudo isto, distribuindo os dons a cada um conforme Lhe agrada.

 

Nos capítulos 12 a 14 de 1 Cor, S. Paulo aborda directamente o tema dos carismas para dar algumas normas práticas a fim de que tudo decorra com ordem nas reuniões litúrgicas; reconhece e aprecia a grande variedade e diversidade de dons, mas todos eles devem concorrer para o bem de todos. Assim como num corpo os diversos membros integram a unidade desse corpo, assim sucede na Igreja.

4-6 «Dons espirituais (carismas). Ministérios. Operações». Esta tripla designação parece referir-se sempre à mesma realidade, considerada segundo aspectos diferentes: a gratuitidade, a utilidade, a manifestação do poder divino, apropriando estas qualidades ao «Espírito» (Santo), ao Filho, «o Senhor», e ao Pai, «Deus (ho Theós)», que, precedido do artigo definido, indica a pessoa do Pai, em todo o grego do Novo Testamento. Estamos, assim, perante mais uma das ricas fórmulas trinitárias de S. Paulo.

7 «Dom... em ordem ao bem comum». Aqui trata-se de dons, ou graças, que a Teologia chama «gratis datæ», ou carismas, e que Deus concede primariamente em ordem à utilidade dos outros, e não ao proveito individual.

8-10 O Apóstolo apresenta um elenco dos carismas que o Espírito Santo concede, mas não pretende dar a lista completa deles (cf. vv. 28-31; Rom 12, 6-8; Ef 4, 11). Não é fácil indicar a natureza de cada carisma e como se distinguem entre si. «A mensagem da sabedoria» diz respeito à faculdade de conhecer e expor os mistérios divinos (cf. 2, 6-7). «A mensagem da ciência» refere-se à faculdade de conhecer e de expor as verdades básicas do cristianismo. «O dom da fé» não parece ser a virtude teologal, mas a plena confiança em Deus, e as obras de fé (que procedem da fé, «capaz de transportar montanhas»). O dom de «falar em nome de Deus» – à letra, de «profetizar» – não diz respeito apenas ao dom de conhecer e manifestar o futuro oculto, mas ao poder de falar em nome de Deus, para «edificação, exortação e consolação» dos fiéis (14, 3). Algumas vezes, porém, os profetas manifestavam também as coisas futuras e ocultas e os segredos dos corações (cf. 14, 25). O dom do «discernimento dos espíritos», – avaliar dons espirituais – completa o dom da profecia e relaciona-se com o poder de julgar se uma coisa deva ser atribuída ao bom ou ao mau espírito. «O dom de falar diversas línguas» não era o poder de anunciar o Evangelho em línguas desconhecidas, mas o de louvar e adorar a Deus (cf. 14, 2) em línguas e expressões insólitas, numa espécie de exaltação extática. Complemento do dom das línguas era «o dom de as interpretar», porque aquilo que dizia o favorecido pelo dom das línguas não era compreendido pelos demais e, às vezes, nem pelo próprio.

11 «Conforme Lhe agrada». Estes dons carismáticos não pertencem à perfeição da vida cristã, não podendo o cristão reivindicá-los; e seria uma desordem mesmo até desejá-los no que têm de extraordinário, antepondo-os à caridade (cf. v. 31).

 

Aclamação ao Evangelho          cf. 2 Tes 2, 14

 

Monição: O Evangelho narra-nos o primeiro milagre da vida pública de Jesus, realizado pela mediação de Maria, numas Bodas matrimoniais.

Aclamemos o Evangelho que nos enche de alegria com a manifestação deste sinal do Amor de Deus.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Deus chamou-nos, por meio do Evangelho,

a tomar parte na glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

 

Evangelho

 

São João 2, 1-11

Naquele tempo, 1realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. 2Jesus e os seus discípulos foram também convidados para o casamento. 3A certa altura faltou o vinho. Então a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Não têm vinho». 4Jesus respondeu-Lhe: «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». 5Sua Mãe disse aos serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser». 6Havia ali seis talhas de pedra, destinadas à purificação dos judeus, levando cada uma de duas a três medidas. 7Disse-lhes Jesus: «Enchei essas talhas de água». Eles encheram-nas até acima. 8Depois disse-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». E eles levaram. 9Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho, – ele não sabia de onde viera, pois só os serventes, que tinham tirado a água, sabiam – chamou o noivo 10e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho bom e, depois de os convidados terem bebido bem, serve o inferior. Mas tu guardaste o vinho bom até agora». 11Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus deu início aos seus milagres. Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele.

 

O evangelista não visa contar o modo como Jesus resolveu um problema numas bodas, mas centra-se na figura de Jesus, que «manifestou a sua glória», donde se seguiu que «os discípulos acreditaram n’Ele» (v. 11). Toda a narração converge para as palavras do chefe da mesa ao noivo: «Tu guardaste o melhor vinho até agora!» (v. 10). Esta observação encerra um sentido simbólico; o próprio milagre é um «sinal» (v. 11), um símbolo ou indício duma realidade superior a descobrir, neste caso: quem é Jesus. Podemos pressentir a típica profundidade de visão do evangelista, que acentua determinados pormenores pelo significado profundo que lhes atribui. O vinho novo aparece como símbolo dos bens messiânicos (cf. Is 25, 6; Joel 2, 24; 4, 18; Am 9, 13-15), a doutrina de Jesus, que vem substituir a sabedoria do A. T., esgotada e caduca. A abundância e a qualidade do vinho – 6 (=7-1) vasilhas [de pedra] «de 2 ou 3 metretas» (480 a 720 litros) – é um dado surpreendente, que ilustra bem como Jesus veio «para que tenham a vida e a tenham em abundância» (Jo 10, 10; cfr Jo 6, 14: os 12 cestos de sobras). O esposo das bodas de Caná sugere o Esposo das bodas messiânicas, o responsável pelo sucedido: n’Ele se cumprem os desposórios de Deus com o seu povo (cf. Is 54, 5-8; 62, 5; Apoc 19, 7.9; 21, 2; 22, 17).

Também se pode ver, na água das purificações rituais que dão lugar ao vinho, um símbolo da Eucaristia – o sangue de Cristo –, que substitui o antigo culto levítico, e pode santificar em verdade (cf. Jo 2, 19.21-22; 4, 23; 17, 17). Há quem veja ainda outros simbolismos implícitos: como uma alusão ao Matrimónio e mesmo à Ressurreição de Jesus, a plena manifestação da sua glória, naquele «ao terceiro dia» do v. 1 (que não aparece no texto da leitura de hoje).

Por outro lado, também se costuma ver aqui o símbolo do papel de Maria na vida dos fiéis (cf. Jo 19, 25-27; Apoc 12, 1-17), Ela que vai estar presente também ao pé da Cruz (Jo 19, 25-27): «e estava lá a Mãe de Jesus» (v. 1). Ao contrário dos Sinópticos, nas duas passagens joaninas fala-se da Mãe de Jesus, como se Ela não tivesse nome próprio; é como se o seu ser se identificasse com o ser Mãe de Jesus, a sua grande dignidade. Trata-se de duas menções altamente significativas: os capítulos 2 e 19 aparecem intimamente ligadas precisamente pela referência à «hora» de Jesus, numa espécie de inclusão de toda a vida de Cristo. Ela não é mais um convidado numas bodas; é uma presença actuante e com um significado particular, nomeada por três vezes (vv. 1.3.5), atenta ao que se passa: dá conta da situação irremediável, intervém e fala, quando o milagre que manifesta a glória de Jesus podia ser relatado sem ser preciso falar da sua Mãe, mas Ela é posta em foco.

1 «Caná»: só S. João fala desta terra (cf. 4, 46; 21, 2), habitualmente identificada com Kefr Kenna, a 7 Km a NE de Nazaré, o lugar de peregrinação, mas as indicações de F. Josefo fazem pensar antes nas ruínas de Hirbet Qana, a 14 Km a N de Nazaré.

3 «Não têm vinho». A expressão costuma entender-se como um pedido de milagre. A exegese moderna tende a fixar-se em que a frase não passa duma forma de pôr em relevo uma situação irremediável, de molde a fazer sobressair o milagre. Mas, sendo a Mãe de Jesus a chamar a atenção para o problema, consideramos que Ela é apresentada numa atitude de oração. Com efeito, a oração de súplica e de intercessão não consiste em exercer pressão sobre Deus, para O convencer, mas é colocar-se na posição de necessitado e mendigo perante Deus, é pôr-se a jeito para receber os seus dons. A intercessão de Maria consiste em pôr-se do nosso lado, em vibrar connosco, de modo que fique patente a nossa carência e se dilate a nossa alma para nos dispormos a receber os dons do Céu. Ela aparece aqui como ícone da autêntica oração de súplica e de intercessão; e é lícito pensar que isto não é alheio à redacção joanina, pois o milagre acaba por se realizar na sequência da intervenção da Mãe de Jesus (mesmo que alguns não considerem primigénio o diálogo dos vv. 3-4).

4 «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». A expressão «que a Mim e a Ti?»(ti emoi kai soi?) é confusa, pois pode significar concordância – «que desacordo há entre Mim e Ti?» –, ou então recusa – «que de comum [que acordo] há entre Mim e Ti?». Sendo assim, a expressão «ainda não chegou a minha hora», presta-se a diversas interpretações, conforme o modo de entender «a hora»: ou a hora de fazer milagres, ou a hora da Paixão. Para os que a entendem como a de fazer milagres, uns pensam que Jesus se escusa: «que temos que ver com isso Tu e Eu? (=porque me importunas?), com efeito ainda não chegou a minha hora», e só a insistência de Maria é que levaria à antecipação desta hora; ao passo que outros (E. Boismard, na linha de alguns Padres) entendem a frase como de um completo acordo: «que desacordo há entre Mim e Ti? porventura já não chegou a minha hora?»; assim se justificaria melhor a ordem que Maria dá aos serventes. Para os que entendem «a hora» como a da Paixão, também as opiniões de dividem acerca de como entender a resposta de Jesus; para uns, significaria acordo, como se dissesse: «que desacordo há entre Mim e Ti? com efeito, ainda não chegou a minha hora, a de ficar sem poder; por isso não há dificuldade para o milagre» (Hanimann); para outros, que entendem a hora do Calvário como a hora da glorificação de Jesus, de manifestar a sua glória, dando o Espírito, a expressão quer dizer: «que temos a ver Tu e Eu, um com o outro?» («que tenho Eu a ver contigo?»), uma expressão demasiado forte, a mesma que é posta na boca dos demónios (cf. Mc 5, 7; 1, 24). Sendo assim, com uma expressão tão contundente, a redacção joanina põe em evidência a atitude de Jesus, que, longe de ser ofensiva para a sua Mãe, o que pretende é mostrar a independência de Jesus relativamente a qualquer autoridade terrena, incluindo a materna (Gächter). Mas o apelo para que Maria não intervenha tem um limite: é apenas até que chegue a hora de Jesus; até lá, tem de ficar na penumbra (o que é confirmado pelas ditas «passagens anti-marianas»: Lc 2, 49; 8, 19-21 par; 11, 27-28). Então Ela vai estar como a nova Eva, a Mãe da nova humanidade, ao lado do novo Adão, junto à árvore da Cruz, daí que então seja chamada «Mulher» (Jo 19, 26), como nas Bodas de Caná.

 

Sugestões para a homilia

 

O Amor de Deus para connosco

Amor fiel

Amor generoso

Somos a alegria de Deus

• O nosso amor a Deus

Com Jesus e Maria

Enchemos as talhas de água

Deus transformará o amor

 

 

1. O Amor de Deus para connosco

 

O amor de Deus para connosco permanecerá sempre um mistério, e não encontramos nada semelhante na terra.

A luz da Revelação ajuda-nos a vislumbrar — tanto quanto o pode fazer uma criatura iluminada pela fé — esta maravilha.

 

a) Amor fiel. «Por amor de Sião não me calarei, por amor de Jerusalém não terei repouso, enquanto a sua justiça não despontar como a aurora e a sua salvação não resplandecer como facho ardente. Os povos hão-de ver a tua justiça e todos os reis a tua glória

Hoje sentimos uma dificuldade muito especial e vislumbrar a riqueza do amor de Deus a cada um de nós, porque a palavra amor está cheia de enganos.

Falsos amores. Alguns tomam o amor pela sensualidade, pelo entusiasmo dos sentidos que procura uma satisfação. Quando a sensualidade se cansa — porque os sentidos bem depressa estão saturados, dizem que o amor acabou. Este é o drama de muitos namoros e casamentos. Entre os dois não chegou a desenvolver-se um verdadeiro amor.

O amor de Deus por nós, não é como o amor das telenovelas que surge como as flores da primavera, para logo se desfazerem à primeira brisa de vento que passa.

Quando uma união matrimonial se desfaz por causa de uma doença, de um defeito ou de uma discussão, onde está a verdade daquelas palavras no dia da celebração: «Eu [...], recebo-te por minha esposa — por meu marido — a ti [...], e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te,
na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida

Onde está o compromisso assumido diante das pessoas, de Jesus Cristo e da Sua Igreja? Na verdade, era Ele Quem estava a presidir à vossa festa.

Amor humano. Todos compreendemos que amar é dar-se, elevando-nos acima da nossa natureza. O amor perfeito é o que se dá sem medida, sem esperar qualquer compensação; aquele que não guarda factura, nem recebido, para apresentar na primeira ocasião; é aquele que não negoceia com o coração, com os afectos; dá-se sem medida e sem quaisquer calculismos humanos.

O amor mais perfeito que encontramos na terra é o das mães. É um amor inesgotável, em generosidade crescente, que mantém sempre a esperança no triunfo de quem ama, que sofre com o sofrimento daquele que ama, que nunca desiste, mesmo quando não é correspondido.

Mas o amor da mãe não consegue libertar-se das limitações humanas. Ela projecta-se no filho e, de algum modo, procura nele o seu próprio triunfo.

O amor humano, quando vivido no matrimónio, é como o vinho. Se tem qualidade e está devidamente acondicionado, melhora com o passar dos anos. Se é de má qualidade — ou nem sequer existiu — torna-se uma bebida intragável.

Amor divino e misericordioso. Só Deus é capaz de nos amar com perfeição infinita.

Nada procurou para Si em nós, porque nos amou antes de existirmos e foi por amor que nos chamou à vida, para nos tornar participantes da Sua felicidade, respeitando-nos sempre como pessoas livres e responsáveis.

Suporta as nossas indiferenças e até agressões, sempre à espera que O entendamos e nos rendamos à sua predilecção.

Por isso, o amor de Deus para connosco toma o nome especial e misericórdia, e todos somos chamados a imitá-lo uns para com os outros.

 

b) Amor generoso. «Receberás um nome novo, que a boca do Senhor designará. Serás coroa esplendorosa nas mãos do Senhor, Não mais te chamarão «Abandonada», nem à tua terra «Deserta», mas hão-de chamar-te «Predilecta» e à tua terra «Desposada», [...].»

Ainda nem sequer tínhamos rosto, porque ainda não existimos, quando o Senhor se encantou do brilho dos nossos olhos.

O Espírito Santo faz-nos exclamar: «Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, / a lua e as estrelas que lá́ colocastes, / que é o homem para que Vos lembreis dele, /
o filho do homem para dele Vos ocupardes?

Fizestes dele quase um ser divino, / de honra e glória o coroastes; / destes-lhe poder sobre a obra das vossas mãos, / tudo submetestes a seus pés:

Ovelhas e bois, todos os rebanhos, / e até́ os animais selvagens, / as aves do céu e os peixes do mar, / tudo o que se move nos oceanos.» (Salmo 8, 4-5.6-7.8-9).

Se uma criança de poucos dias de idade já tivesse o uso da razão desenvolvido como o de um adulto, ficaria admirada pela dedicação e carinho dos pais, sem nada perceber. Que procuram eles neste pequenino ser que nada tem de seu?

Que pode procurar Deus em nós, que nada possuímos, que tudo recebemos d’Ele e nem ser correspondemos com elegância e gratidão ao Seu Amor para connosco?

Um nome novo. O nome, na linguagem bíblica, significa natureza. Nós recebemos, de facto, pela graça santificante que nos foi dada no Baptismo, um nome novo, a participação da divina natureza. Fomos elevamos, pela graça, acima de toda a exigência das coisas criadas.

O nome novo é a nossa filiação divina que nos reveste de uma dignidade infinita. Podemos tratar a Deus por nosso Pai que está nos céus, ajudando-nos a ir para junto d’Ele.

Coroa esplendorosa nas mãos do Senhor, O texto de Isaías é de um enamorado que deseja consolar o Seu Povo.

Apesar da nossa indigência, podemos espelhar o rosto de Deus nas nossas boas obras e virtudes. Assim nos acontece com os santos, que nos dão um vislumbre da bondade do Senhor.

Criaturas de predilecção de Deus. Quer compreendamos, quer não, Deus enamorou-se de nós. Comunicou-nos a Sua mesma natureza — sem deixarmos de ser criaturas — e elevou-nos às alturas da divindade.

E quando, pelos nossos primeiros pais ou pelos pecados de cada um, malbaratamos esta riqueza, manda o Seu Filho Unigénito para nos restituir este tesouro que trazemos em vasos de barro.

Com uma paciência infinita, dá-nos a possibilidade de o recuperar todas as vezes que o perdermos. 

 

c) Somos a alegria de Deus. «Tal como o jovem desposa uma virgem, o teu Construtor te desposará; e como a esposa é a alegria do marido, tu serás a alegria do teu Deus

O Senhor recorre à imagem do amor conjugal, à alegria dos desposórios para nos manifestar o amor infinito que tem por nós.

No amor matrimonial verdadeiro, o homem e a mulher são um para o outro e os dois e Deus. Desentranham neste amor muitos e bons tesouros.

Segurança. Bem firmes num amor leal e generoso, marido e esposa encaram e enfrentam as dificuldades da vida sem qualquer receio. A ajuda mútua dá-lhes fortaleza para encarar as dificuldades da vida.

A Lei da Igreja ensina que a união matrimonial está «ordenado por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à procriação e educação da prole.»

Na constância da união conjugal, os dois amadurecem humana e sobrenaturalmente para a vida na terra e para o Céu e perpetuam o seu amor mútuo nos filhos.

Vencem a solidão. Quando Deus acabou de formar Adão «O Senhor Deus disse: “Não é conveniente que o homem esteja só; vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele.” [...] Então, o Senhor Deus fez cair sobre o homem um sono profundo; e, enquanto ele dormia, tirou-lhe uma das suas costelas, cujo lugar preencheu de carne. Da costela que retirara do homem, o Senhor Deus fez a mulher e conduziu-a até ao homem.3Então, o homem exclamou: “Esta é, realmente, osso dos meus ossos e carne da minha carne.» (Génesis 2, 18-23).

A maioria das pessoas é chamada à vocação matrimonial. Mas há também um reduzido número de pessoas que Deus chama ao celibato por amor do Reino dos Céus, no mundo, no sacerdócio ministerial ou na vida religiosa.

Comunhão. A chamada fundamental na família aponta para a comunhão. Dela nascem todos os outros frutos. Ela, por sua vez, orienta-se para a comunhão eterna com Deus.

Esperança no futuro. Os dois que fundam uma família olham com esperança o futuro. É ao calor desta esperança que chamam os filhos à vida na terra e no Céu.

Deus serve-se desta riqueza da união familiar, abençoada no Novo Testamento, com a graça sacramental, para nos fazer a vislumbrar a riqueza do Seu Amor por nós.

 

2. O nosso amor a Deus

 

a) Com Jesus e Maria. «Naquele tempo, realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. Jesus e os seus discípulos foram também convidados para o casamento

Terá sido Maria Santíssima quem narrou a S. João Evangelista este acontecimento da vida pública de Jesus. Somente ele — que levou Maria para sua casa — refere este milagre do Divino Mestre. A nossa leitura do texto há ser feita tendo isto como referência.

•  Amar servindo. Maria e José estão presentes nas Bodas por título diferente: Jesus é um dos convidados e Sua Mãe está também presente, talvez por que fosse da família e viesse ajudar nos trabalhos de confecção dos alimentos.

O facto de se ter apercebido de que o vinho se tinha acabado, deixando a família e os esposos num grande embaraço, permite-nos pensar que Maria estava situada no lugar de onde partia a comida e as bebidas, ou seja, no serviço domestico.

Santificar os acontecimentos. Aprendemos com Jesus e Maria a santificar os acontecimentos dos nossos amigos. Comungar na alegria, na tristeza e nas preocupações é uma forma delicada de viver a caridade.

Somos incapazes de imaginar uma pessoa ou um casal isolados, a celebrar um grande acontecimento da sua vida. A alegria e o sofrimento vivem-se em comunhão.

Jesus dignifica este acontecimento com o Seu prestígio de Mestre; Maria, com as suas mãos privilegiadas que põem ao serviço e à alegria dos outros.

O cristão não pode ser um maniqueu que acha sempre o tempo perdido a participar num banquete, a passar uns bons momentos com os amigos, ou a fazer desporto.

Santa Teresa explica que, se a corda do arco estiver continuamente distendida, perde a sua força. Assim também não podemos viver continuamente com o ânimo tenso. As festas servem para nos ajudar a descansar um pouco o espírito, preparando-o para as lutas de cada dia.

Atenção materna. Nada escapa ao olhar solícito das mães. Entendem um simples e discreto gesto, um rosto de preocupação disfarçada, alguma pequena falha que rapidamente procuram remediar.

São estes olhos maternos com que havemos de observar as pessoas; não com olhos críticos e de censura farisaica. Vale a pena perguntar: a descoberta de falhas no comportamento das outras pessoas dá-nos satisfação, porque talvez ajudem a valorizar, por contraste, o nosso comportamento.

Tudo isto que Jesus e Maria vivem nas Bodas de cana são outras tantas formas de viver a caridade, imitando o nosso Deus no Seu Amor.

 

b) Enchemos as talhas de água. «Sua Mãe disse aos serventes: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Havia ali seis talhas de pedra, destinadas à purificação dos judeus, levando cada uma de duas a três medidas. Disse-lhes Jesus: “Enchei essas talhas de água”.»

Depois de muito pensar, foi a única solução que lhe ocorreu. Não era viável, à última hora, ir procurar vinho, nem o encontrariam facilmente. Maria vivia os problemas dos outros como os seus e procurava-lhes uma solução rápida e eficaz.

Maria dialoga com Jesus, à procura de uma resposta para aquele grande e urgente problema.

Encher as talhas de água. Deus não nos pede grandes façanhas para resolver os problemas, até porque sabe que somos incapazes de as realizar. Pede-nos apenas um pequeno gesto de boa vontade: encher as talhas de água.

Mas como somos megalómanos, estamos sempre à espera coisa grandiosas, espectaculares, para resolver os problemas. A cura da lepra e Naamã (2 Reis 5, 1 e ss) é alcançada com sete mergulhos no rio Jordão; para encher o celeiro, o agricultor lança algumas sementes à terra...

O que o Senhor nos pede para transformar o mundo é apenas isto: encher as talhas de água. Transformá-la em vinho já não é da nossa competência.

Para debelar a crise da família, Nossa Senhora pede-nos uma coisa tão simples como rezar o Terço. Deus fará tudo o mais.

Fazer a vontade de Deus. Não tivera Nossa Senhora prevenido os serventes, e ter-se-iam rido da ordem de Jesus. As talhas estavam ali para que os convidados, antes de tomar parte no banquete, fizessem as purificações legais. A água já não fazia falta para isso, e os serventes seriam tentados a rirem-se da ordem de Jesus. Com prudência de Mãe, Maria previne-os, para que o milagre se realize.

O nosso amor a Deus não se exprime em fazer coisas que julgamos boas, mas em fazer a vontade de Deus. Ele não nos pede coisas grandes e difíceis, porque abe que somos incapazes de as fazer. Pede-nos que façamos com perfeição e amor as pequenas coisas de cada dia.

 

c) Deus transformará o amor. «Depois disse-lhes: “Tirai agora e levai ao chefe de mesa”. E eles levaram. Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho, [...] chamou o noivo e disse-lhe: “[...] tu guardaste o vinho bom até agora”.»

Há muitas lições belas contidas neste milagre.

A transformação do amor. O amor humano limpo, que os noivos levam ao altar, para tomarem o seu compromisso de fidelidade perante Deus e a Igreja torna-se, pelo Sacramento do matrimónio, em amor, santo, divino, meio de santidade pessoal.

As manifestações de amor entre casados, quando não estão contra a Lei de Deus, são verdadeiros passos no caminho da santidade. Aquela água que era o amor humano, foi transformada em vinho de santidade.

Vinho símbolo do verdadeiro amor. O amor matrimonial é como o vinho: quando tem boa qualidade, melhora com o tempo. Para melhorar, o vinho precisa de estar bem acondicionado, de outro modo transforma-se numa mistela intragável, ou num vinagre fortíssimo.

O acondicionamento do amor conjugal obedece às regras que o Senhor lhe pôs: uno — sem mistura de outro amor — e indissolúvel. A fidelidade a um amor que se iniciou na juventude dará um amor de qualidade. Notamos isto mesmo nos casais de idade onde os sentidos já nada têm a dizer e que, a pesar disso, continua a crescer.

Caná, Tiberíades e Cenáculo. A transformação da água em vinho e a multiplicação dos pães e dos peixes apontam para a noite de Quinta Feira Santa, no Cenáculo.

Os dois primeiros milagres ajudam-nos a compreender a maravilha da instituição da Santíssima Eucaristia.

Em Cana, Jesus transforma toda a água numa coisa nova: a água em vinho. Desapareceu a cor, o cheio e o sabor de água, para aparecer o do vinho. Mas a quantidade permanece a mesma: «havia ali seis vasilhas de pedra preparadas para os ritos de purificação dos judeus, com capacidade de duas ou três medidas cada uma.» (S. João 2, 1-12).

Quando Jesus multiplica os pães e os peixes nas margens do lago de Tiberíades, é o mesmo pão e o mesmo peixe que todos os cinco mil homens comem: o mesmo sabor, a mesma cor, o mesmo poder alimentício dos cinco pães e dois peixes utilizados para o milagre.

No Cenáculo continuam as aparências do pão e do vinho — a cor, o cheiro, o sabor e o peso — mas ali não está a mesma substância do pão, mas o Corpo e Sangue do Senhor.

Além disso, multiplica-se a quantidade: todos aqueles que comungam um pequeno bocado deste pão, recebem Cristo inteiro.

Não é por acaso que, depois da multiplicação dos pães, Jesus promete a instituição da Santíssima Eucaristia.

Maria presente em cada Missa. Muitos autores descobriram um paralelismo entre o milagre de Caná, no qual Nossa Senhora manifestou uma solicitude maternal por aqueles que estão ao seu lado, e o momento do Calvário, onde S. João A acolhe como Mãe de todos os homens. Partindo desta realidade doutrinal, S. Josemaria chamava-lhe frequentemente Mãe de Deus e nossa Mãe, e aconselhava a tratá-la como filhos. “Maria quer, certamente, que a invoquemos, que nos aproximemos d'Ela com confiança, que apelemos para a sua maternidade, pedindo-lhe que se manifeste como nossa Mãe. Mas é uma Mãe que não se faz rogar, que se adianta, inclusivamente, às nossas súplicas, pois conhece as necessidades e vem prontamente em nossa ajuda, demonstrando com obras que se lembra constantemente dos seus filhos.” (S. Josemaria, Cristo que passa, n. 141).

 

Fala o Santo Padre

 

«No milagre realizado em Caná, podemos entrever um acto de benevolência da parte de Jesus

para com os esposos, um sinal da bênção de Deus sobre o matrimónio.»

O Evangelho deste domingo apresenta o evento prodigioso que aconteceu em Caná, uma aldeia da Galileia, durante uma festa de núpcias na qual participam também Maria e Jesus, com os seus primeiros discípulos (cf. Jo2, 1-11). A mãe faz notar ao Filho que o vinho acabou e Jesus, depois de lhe ter respondido que ainda não chegou a sua hora, aceita contudo a sua solicitação e dá aos esposos o vinho melhor de toda a festa. O evangelista frisa que «este foi o início dos sinais realizados por Jesus; ele manifestou a sua glória e os seus discípulos acreditaram nele» (v. 11).

Por conseguinte, os milagres são sinais extraordinários que acompanham a pregação da Boa Nova e têm a finalidade de suscitar ou reforçar a fé em Jesus. No milagre realizado em Caná, podemos entrever um acto de benevolência da parte de Jesus para com os esposos, um sinal da bênção de Deus sobre o matrimónio. Portanto, o amor entre o homem e a mulher é um bom caminho para viver o Evangelho, isto é, para se encaminhar com alegria pela via da santidade.

Mas o milagre de Caná não diz respeito só aos esposos. Cada pessoa humana está chamada a encontrar o Senhor na sua vida. A fé cristã é um dom que recebemos com o Baptismo e que nos permite encontrar Deus. A fé atravessa tempos de alegria e de sofrimento, de luz e de obscuridade, como em qualquer experiência de amor autêntico. A narração das bodas de Caná convida-nos a redescobrir que Jesus não se nos apresenta como um juiz pronto para condenar as nossas culpas, nem como um comandante que nos impõe que sigamos cegamente as suas ordens; manifesta-se como Salvador da humanidade, como irmão, como o nosso irmão maior, Filho do Pai: apresenta-se como Aquele que responde às expectativas e promessas de alegria que habitam o coração de cada um de nós.

Então podemos questionar-nos: conheço deveras o Senhor assim? Sinto-o próximo de mim, da minha vida? Estou a responder-lhe em sintonia com aquele amor esponsal que Ele manifesta cada dia a todos, a cada ser humano? Trata-se de nos darmos conta de que Jesus nos procura e nos convida a dedicar-lhe espaço no íntimo do nosso coração. E neste caminho de fé com Ele não somos deixados sozinhos: recebemos o dom do Sangue de Cristo. As grandes ânforas de pedra que Jesus manda encher de água para a transformar em vinho (v. 7) são sinal da passagem da antiga para a nova aliança: no lugar da água usada para a purificação ritual, recebemos o Sangue de Jesus, derramado de modo sacramental na Eucaristia e de maneira cruenta na Paixão e na Cruz. Os Sacramentos, que brotam do Mistério pascal, infundem em nós a força sobrenatural e permite saborear a misericórdia infinita de Deus.

A Virgem Maria, modelo de meditação das palavras e dos gestos do Senhor, nos ajude a redescobrir com fé a beleza e a riqueza da Eucaristia e dos demais Sacramentos, que tornam presente o amor fiel de Deus por nós. Assim poderemos apaixonar-nos cada vez mais do Senhor Jesus, nosso Esposo, e ir ao seu encontro com as lâmpadas acesas da nossa fé jubilosa, tornando-nos deste modo suas testemunhas no mundo.

 Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 17 de Janeiro de 2016

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos: Oremos a Deus nosso Pai e Senhor,

que nos chamou, por meio do Evangelho,

a tomar parte na glória de Seu Filho Unigénito

Jesus Cristo nosso Salvador e Redentor

Oremos (cantando), com toda a confiança:

 

    Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

1. Pelo Santo Padre, com os Bispos em comunhão com ele,

    para que iluminem o Sacramento do Matrimónio com a fé,

    oremos, irmãos.

 

    Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

2. Pelos casais em crise de separação ou provados na doença,

    para que, por intercessão de Maria, Jesus transforme no amor,

    oremos, irmãos.

 

    Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

3. Por todos os que se preparam para celebrar as suas Bodas,

    para que não se esqueçam de convidar Jesus e Sua Mãe,

    oremos, irmãos.

 

    Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

4. Pelos que os jovens que se preparam para constituir família,

    para que e acolham a doutrina da Igreja sobre a família cristã,

    oremos, irmãos.

 

    Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

5. Por nós que trabalhamos na Igreja, colaborando com a graça,

    para que sejamos humildes, lembrados de que damos a água,

    oremos, irmãos.

 

    Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

6. Pelos que Deus chamou desta vida para a Vida que não tem fim,

    para que o Senhor misericordioso os purifique a acolha no Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

Senhor, que dais o vosso Espírito, sem medida,

aos homens e às mulheres que Vos procuram

e trabalham para o bem comum de todos,

ensinai-nos a escutar e a seguir as suas inspirações.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo,

na unidade do Espírito Santo. 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Dentro de momentos — e também pela mediação de Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe — Jesus vai transubstanciar, pelo ministério do sacerdote, não a água em vinho, como em Cana da Galileia, mas pão e o vinho com algumas gotas de água no Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade.

Avivemos a nossa fé e preparemo-nos para tomar parte neste mistério de Fé e de Amor.

 

Cântico do ofertório: Trazemos ao Teu Altar, F. da Silva, NRMS 55

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, a graça de participar dignamente nestes mistérios, pois todas as vezes que celebramos o memorial deste sacrifício realiza-se a obra da nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor. Nascendo da Virgem Maria, Ele renovou a antiga condição humana; com a sua morte na cruz destruiu os nossos pecados; com a sua ressurreição conduziu-nos à vida eterna e na sua ascensão abriu-nos as portas do céu.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

Santo, Santo, Santo...

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento CT

 

Saudação da Paz

 

O milagre de Jesus nas Bodas de Caná, trouxe a paz aos organizadores do banquete, inquietos por causa da falta de vinho.

Jesus está sempre disponível para transformar a água dos nossos esforços para reconquistar a paz no vinho saboroso da paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Mais e melhor do que em Caná da Galileia, oferece-nos um alimento divino, no Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, tão real e perfeitamente como está nos Céus.

Não deixemos que a frequência das comunhões sacramentais, as banalize, de tal modo que já não distingamos o Corpo e Sangue do Senhor de qualquer alimento vulgar.

 

Cântico da Comunhão: Em vós Senhor Está a Fonte da Vida, Az. Oliveira, NRMS 67

 

Salmo 22, 5

Antífona da comunhão: Para mim preparais a mesa e o meu cálice transborda.

 

Ou

1 Jo 4, 16

Nós conhecemos e acreditámos no amor de Deus para connosco.

 

 

Oração depois da comunhão: Infundi em nós, Senhor, o vosso espírito de caridade, para que vivam unidos num só coração e numa só alma aqueles que saciastes com o mesmo pão do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Não esqueçamos, no meio das preocupações da vida que Jesus está sempre disponível para nos ajudar, e Maria para interceder em nosso favor.

 

Cântico final: Queremos Ser Construtores, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

2ª Feira, 21-I: A Igreja, Esposa de Cristo.

Heb 5, 1-10 / Mc 2, 18-22

Podem os companheiros do esposo jejuar, enquanto o noivo está com eles?

Os profetas já tinham referido esta imagem do esposo e do povo eleito. Agora, é Cristo que se designa como o 'Esposo'  da Igreja, novo povo de Deus, e de cada um dos seus fiéis.

Nesta união não cabem remendos, que podem estragar todo o tecido. A Igreja é o 'vestido novo', sem rasgões, santa. Não cabem igualmente a tibieza, a mediocridade. Todos devemos procurar viver de acordo com os seus ensinamentos, imitando Cristo: «Apesar de ser Filho aprendeu, de quanto sofrera, o que é obedecer»(Leit.).

 

3ª Feira, 22-I: A esperança, âncora da alma.

Heb 6, 10-20 / Mc 2, 23-28

Nessa esperança, nós temos uma espécie de âncora da alma, inabalável e segura.

A esperança mantém vivas as promessas feitas por Deus sobre a vida eterna e os meios para alcançá-la. Deus fez uma promessa a Abraão, ele teve uma esperança contra toda a esperança, e obteve uma descendência abundante (Leit.).

A esperança é como uma âncora da alma, inabalável e segura', que nos mantém bem firmes, como os navios ancorados, embora as marés sejam fortes, ou haja alguma tempestade. É a mesma que temos na realização da unidade dos cristãos, pois se apoia no poder de Deus: 'O Filho do Homem é também Senhor do Sábado' (Ev.).

 

4ª Feira, 23-I: A unidade e as infidelidades.

Heb 7, 1-3. 15-17 / Mc 3, 1-6

Jesus disse ao homem: estende a mão. Ele estendeu-a e a mão ficou curada.

Jesus encontra a oposição dos fariseus, por realizar este milagre em dia de sábado e pela dureza dos seus corações (Ev.). Mas não deixa de fazê-lo.

A unidade dos cristãos é um desejo do Senhor: «Para que todos sejam um...» mas encontra igualmente muita dureza dos corações. Para que o Senhor conceda este dom à Igreja exige-se «uma renovação permanente da Igreja, a conversão do coração, com o fim de levar uma vida mais pura segundo o Evangelho, pois o que causa as divisões é a infidelidade dos membros aos dons de Cristo» (CIC, 827).

 

5ª Feira, 24-I: O pecado e a unidade dos cristãos.

Heb 7, 25- 8, 6 / Mc 3, 7-12

Veio ter com Jesus uma grande multidão, por ouvir contar tudo o que Ele fazia.

Jesus cura as doenças e perdoa igualmente os pecados, como Médico divino: «pode salvar de maneira definitiva aqueles que, por seu intermédio, se aproximaram de Deus» (Leit.)

Para obter a unidade é necessário que haja uma luta mais decidida contra o pecado: «As rupturas que ferem a unidade do Corpo de Cristo devem-se aos pecados dos homens: 'onde há pecado, aí se encontra a multiplicidade, o cisma, a heresia, o conflito. Mas onde há virtude, aí se encontra a unicidade e aquela união'» (CIC, 817).

 

6ª Feira, 25-I: A conversão de S. Paulo e a unidade.

Act 22, 3,16 ou 9, 1-22 / Mc 16, 15-18

Caiu por terra e ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?

S. Paulo deduzirá destas palavras de Jesus a doutrina do Corpo Místico de Cristo: «Partindo do princípio de que os nossos pecados atingem Cristo em pessoa (Leit.), a Igreja não hesita em imputar aos cristãos as mais graves responsabilidades no suplício de Jesus» (CIC, 598). Evitemos as ofensas a Deus e ao próximo, e levemos a cabo as nossas conversões pessoais.

A conversão de S. Paulo contribuirá para a expansão da Igreja, que alcançará todos os povos: «Ide por todo o mundo e proclamai a Boa Nova a todas as criaturas» (Ev.).

 

Sábado, 26-I: S. Timóteo e Tito: Conselhos para ambientes difíceis.

2 Tim 1, 1-8 ou Tit 1, 1-5 / Lc 10, 1-9

Ide, e olhai que vos mando como cordeiros no meio de lobos.

Timóteo e Tito foram dois discípulos de S. Paulo. Devido ao aparecimento de muitos falsos mestres, apareceram doutrinas erróneas. S. Paulo, desde a prisão em Roma, escreve Cartas Pastorais, recomendando que cuidem dos pastores e dos fiéis, para se manterem firmas na fé, pois estavam como cordeiros no meio de lobos (Ev.)

Situação idêntica se verifica nos nossos dias, em que impera o relativismo e as suas dramáticas consequências. Cada um de nós há-de sentir a responsabilidade de se manter firme na fé e ajudar os outros, melhorando os conhecimentos doutrinais.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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