Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

 

Missa da Aurora

25 de Dezembro de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Desde o Nascer do Sol, M. Simões, NRMS 56

 

cf. Is 9, 2.6; Lc 1, 33

Antífona de entrada: Hoje sobre nós resplandece uma luz: nasceu o Senhor. O seu nome será Admirável, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz. E o seu reino não terá fim.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Hoje sobre nós resplandece uma luz: nasceu o Senhor!

Eis a grande notícia! Hoje contemplamos uma imensa luz que irradia e inunda toda a terra. Alegrai-vos porque o Salvador fez-se carne. Com os pastores e toda a humanidade vamos até à gruta de Belém. Aí encontramos o ponto de encontro de Deus com os Homens. 

 

Oração colecta: Concedei, Deus todo-poderoso, que, inundados pela nova luz do Verbo Encarnado, resplandeça em nossas obras o que pela fé brilha em nossos corações. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Jesus não é um governante poderoso, muito menos possui um grande exército, Ele é o Salvador que vem. É o rebento da esperança para uma nova era, porque jamais seremos abandonados. Deus habita no meio de nós e traz a salvação que é dada a um “Povo Santo”.

 

Isaías 62, 11-12

11Eis o que o Senhor proclama até aos confins da terra: «Dizei à filha de Sião: Eis que vem o teu Salvador. Com Ele vem o seu prémio e precede-O a sua recompensa. 12Serão chamados ‘Povo santo’, ‘Resgatados do Senhor’; e tu serás chamada ‘Pretendida’, ‘Cidade não abandonada’».

 

A leitura recolhe dois versículos do III Isaías, referidos à Jerusalém restaurada após o exílio. «Até aos confins da terra»: a perspectiva universalista típica da última parte de Isaías corresponde bem à realidade de um «Natal para todos».

«Filha de Sião, Filha de Jerusalém», forma poética de o profeta se dirigir aos habitantes da cidade, e mesmo a todos os israelitas (como aqui sucede). A Igreja é o novo «Israel de Deus», «o monte Sião» (Gal 4, 26; 6, 16; Hebr 12, 22; Apoc 14, 1; 21). «Sião» (etimologicamente lugar seco) era a cidadela da capital, Jerusalém. Inicialmente designava a fortaleza conquistada por David aos jebuseus, a colina oriental de Jerusalém (Ofel), que começou a ser chamada «cidade de David», para onde este transladou a Arca da Aliança. Quando Salomão construiu o Templo, a Norte de Sião, e para lá levou a arca, também se começou a dar a esse lugar o nome de Sião. Depois veio a designar o conjunto da cidade de Jerusalém, ou todos os seus habitantes e mesmo todo o povo de Israel. Na tradição cristã, veio a dar-se uma confusão acerca da localização topográfica do monte Sião, ao situá-lo no Cenáculo, na colina ocidental da cidade alta. Esta confusão parece ter origem em que o Cenáculo foi considerado a sede da primitiva Igreja de Jerusalém, o novo «monte Sião», segundo Hebr 12, 22 e Apoc 14, 1. Actualmente a Arqueologia veio esclarecer estes locais.

 

Salmo Responsorial     Sl 96 (97), 1 e 6.11-12

 

Monição: O nascimento de Cristo não deixa ninguém indiferente. A terra exulta de alegria, os céus proclamam a justiça e todos os povos contemplam e alegram-se pela Boa Nova concretizada.

 

Refrão:        Hoje sobre nós resplandece uma luz:

                     nasceu o Senhor.

 

O Senhor é rei: exulte a terra,

rejubile a multidão das ilhas.

Os céus proclamam a sua justiça

e todos os povos contemplam a sua glória.

 

A luz resplandece para os justos

e a alegria para os corações rectos.

Alegrai-vos, ó justos, no Senhor

e louvai o seu nome santo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Deus salva-nos pela sua misericórdia. É pela sua infinita misericórdia que Deus vem ao nosso encontro, para abrir o nosso coração à esperança de sermos herdeiros da vida eterna.

 

Tito 3, 4-7

Caríssimo: 4Ao manifestar-se a bondade de Deus nosso Salvador e o seu amor para com os homens, Ele salvou-nos, 5não pelas obras justas que praticámos, mas em virtude da sua misericórdia, pelo baptismo da regeneração e renovação do Espírito Santo, 6que Ele derramou abundantemente sobre nós, por meio de Jesus Cristo nosso Salvador, 7para que, justificados pela sua graça, nos tornássemos, em esperança, herdeiros da vida eterna.

 

Esta belíssima síntese soteriológica bem podia ser uma espécie de fórmula de fé corrente na Igreja primitiva que tenha sido inserida na Carta.

5 O «banho de regeneração e renovação do Espírito Santo» é o Baptismo, que nos faz nascer de novo (Jo 3, 3.5) e que nos torna «nova criatura» (Gal 6, 15; 2 Cor 5, 17). O Natal é ocasião propícia para meditar também no nosso natal, o Baptismo, e para daí tirar consequências práticas: «reconhece, ó cristão, a tua dignidade; tornado participante da natureza divina, não regresses à antiga baixeza duma vida depravada; lembra-te de que Cabeça e de que Corpo és membro. Pelo Baptismo, tornaste-te templo do Espírito Santo» (S. Leão Magno, Homilia para o dia de Natal).

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 2, 14

 

Monição: Com os Anjos somos convidados a dar glória a Deus porque nos deu Jesus, porque une o céu e terra e concede o Príncipe da Paz a toda a humanidade.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 1, F. Silva, NRMS 50-51

 

Glória a Deus nas alturas

e paz na terra aos homens por Ele amados.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 2, 15-20

15Quando os Anjos se afastaram dos pastores em direcção ao Céu, começaram estes a dizer uns aos outros: «Vamos a Belém, para vermos o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer». 16Para lá se dirigiram apressadamente e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. 17Quando O viram, começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. 18E todos os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam. 19Maria guardava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração. 20Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado.

 

A leitura mostra a reacção dos pastores perante o anúncio do nascimento de Jesus que bem pode marcar a atitude do cristão ao tomar consciência do Natal de Jesus: a decisão (tão presente nos nossos vilancetes), de ir a Belém, apressadamente, sem delongas nem escusas ao encontro pessoal com Jesus, Maria e José

18 Os «pastores» contaram as maravilhas daquela noite, mas os conterrâneos não os deveriam tomar muito a sério. Como poderia o Messias revelar-se a gente tão miserável, mal conceituada e tida por pecadora?

19 «Maria» ensina-nos a viver o mistério do Natal no recolhimento, ponderação e intimidade com Jesus: «guardava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração».

 

Sugestões para a homilia

 

Um menino para todos

Uma pobreza que seduz e encanta

Uma alegria a anunciar

 

Um menino para todos

 

Celebrar o Natal é, primeiramente, aceitar um Deus que vem ao encontro da humanidade e se faz carne. Acolher o Emanuel, o Deus connosco. Vem para quem? Para todos, sem qualquer excepção. Este Menino é o grande sinal que Deus dá a todos aqueles que esperam a salvação. Por outro lado, é sinal de uma grande revolução. A terra já não é aquele “vale de lágrimas”, mas é o “local onde Deus construiu a sua tenda” (Papa Francisco), é local de encontro entre Deus e toda a humanidade. Igualmente, o Menino Deus é sinal de esperança para todos os povos que sofrem, para aqueles que vivem nas trevas, para os que têm fome e sede de justiça e para os que procuram a verdadeira paz. No fundo, contemplamos um Menino que nasce para todos e todos o procuram, porque Ele conquista-nos e salva-nos pelo Seu amor humilde e não pelas armas e poder. 

 

Uma pobreza que seduz e encanta

 

Nasce um Menino, frágil, indefeso e pobre como qualquer recém-nascido. Não sabe falar, mas ele próprio é a Palavra que se faz carne e que veio mudar o coração e a vida de todos os Homens. Contemplemos o Menino Deus que seduz e encanta pela Sua pobreza. E porquê? 

Porque nasce no seio de uma família pobre. Maria e José são pessoas humildes, mas cheias de esperança na bondade de Deus. Vivem numa simples e pobre aldeia da pequena localidade da Galileia. Maria é a mulher cheia de graça que se entregou à vontade de Deus e, na sua profunda humildade, considera-se “ninguém” diante de Deus. José é o simples carpinteiro, homem justo e fiel, que prefere acreditar em Deus do que nas dúvidas e inseguranças que o invade.

Porque nasce na humildade dum estábulo. Não há nenhum quarto. Não há espaço digno para poder dar à luz. Maria e José estão sozinhos e o único lugar que arranjam é um estábulo de animais. Nasce no local mais improvável, porque, desde esse momento para cá, não há lugar para Ele. Um Menino deitado numa manjedoura e não num berço para nos ensinar o poder da humildade. 

Porque as primeiras testemunhas deste acontecimento são uns simples pastores. Estes foram os primeiros a receber o anúncio de Jesus porque eram considerados os últimos, marginalizados. Com eles, somos convidados a ir ao encontro de Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. Convidados a deixarmo-nos encantar e seduzir pela humildade e pobreza do presépio. Com os pastores percebemos que é nesta pobreza que se manifesta a glória de Deus.

 

Uma alegria para anunciar

 

Tal como Maria o fez, aquando da visitação, também os pastores foram apressadamente até à gruta e daí saíram cheios de alegria por ter nascido o Salvador, de quem todos estavam à espera, por terem sido os primeiros a poder contemplá-l’O. Com os pastores paramos diante do presépio, mas não estacionados. Eles regressam cheios de alegria e glorificam a Deus por tudo o que viram e ouviram. Também nós somos convidados a ir a Belém contemplar o Menino, deixarmo-nos surpreender com a sua pobreza e humildade, e, como os pastores, anunciar com alegria a Palavra que habita no meio de nós.

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos em Cristo:

Elevemos ao Pai celeste as nossas súplicas

pelos homens e mulheres de toda a terra,

aos quais Ele enviou o próprio Filho,

dizendo (ou: cantando), com alegria:

R. Iluminai, Senhor, a terra inteira.

Ou: Abençoai Senhor, o vosso povo.

Ou: Ouvi-nos, Senhor.

 

1.     Pelas Igrejas que hoje celebram o Natal,

pelos cristãos que o celebram noutro dia

e por todos os fiéis e catecúmenos, oremos.

 

2.     Pelos que correm ao presépio como os pastores,

pelos que meditam em seu coração como Maria

e pelos que contemplam o Menino como José, oremos.

 

3.     Pelos que anunciam a boa nova do Natal,

pelos que a vivem com esperança em cada dia

e pelos que dão glória a Deus construindo a paz, oremos.

 

4.     Pelos que vivem o Natal longe dos seus,

pelos que o passam nos hospitais e nas cadeias

ou a trabalhar para servir os outros homens, oremos.

 

5.     Por esta porção do povo santo que nós somos,

pelas nossas famílias e amigos

e por aqueles que irão partir para a vida eterna, oremos.

 

Senhor, nosso Deus e nosso Pai,

que fizestes resplandecer sobre a terra

a luz de Cristo que iluminou a noite escura,

acolhei benignamente as nossas súplicas

pelos homens de quem Ele Se fez irmão.

Ele que vive e reina por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Desce o Orvalho, J. Santos, NRMS 15

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, a nossa oblação nesta santa noite de Natal e fazei que, pela admirável permuta destes dons, participemos na divindade do vosso Filho que a Vós uniu a nossa natureza humana, Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Natal: p. 457 [590-702] ou 458-459

 

No Cânone Romano, diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Também nas Orações Eucarísticas II e III se faz a comemoração própria.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Segundo Santo Agostinho, a manjedoura é o lugar onde os animais encontram o seu alimento. Agora, neste momento da comunhão, jaz na manjedoura Aquele que havia de apresentar-Se a Si mesmo como o verdadeiro alimento que dá ao Homem a vida verdadeira: a vida eterna. Desta forma, a manjedoura torna-se numa alusão à mesa de Deus, para a qual todos nós somos agora convidados a receber o pão de Deus. (Adaptado Bento XVI)

 

Cântico da Comunhão: Anjos e Pastores, F. da Silva, NRMS 31

 

Jo 1, 14

Antífona da comunhão: O Verbo fez-Se carne e nós vimos a sua glória.

 

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, que nos dais a alegria de celebrar o nascimento do nosso Redentor, dai-nos também a graça de viver uma vida santa, a fim de podermos um dia participar da sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Antes de nos despedirmos, iremos cumprir uma das tradições natalícias mais belas: a adoração do Menino. Que o gesto que iremos fazer, com fé e reverência, nos comprometa a viver a mensagem que nos vem de Jesus no presépio e a anunciá-la com mesma a alegria dos pastores. 

 

Cântico final: Entrai Pastores, entrai, M. Faria, NRMS 4 (II)

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Bruno Barbosa

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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