4.º Domingo do Advento

23 de Dezembro de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Sabei que o Nosso Deus, M. Simões, NRMS 24

 

Is 45, 8

Antífona de entrada: Desça o orvalho do alto dos Céus e as nuvens chovam o Justo. Abra-se a terra e germine o Salvador.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Amanhã é a véspera do dia de Natal. Nesta preparação próxima, e na expectativa de dia tão solene, a Palavra de Deus deste 4º Domingo do Advento sugere-nos alguns sentimentos de paz, justiça, prática da caridade e uma profunda atitude de fé.

A presença de Maria na liturgia é motivo para uma mais forte preparação espiritual para tão grande solenidade.

Lembrados das vezes que descuramos tais sentimentos, bem como uma consciente atitude espiritual na vivência dessa preparação, peçamos perdão ao Senhor.

 

Oração colecta: Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Cristo vosso Filho, pela sua paixão e morte na cruz alcancemos a glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Oito séculos antes de Cristo, o profeta Miqueias exalta Belém, pequena povoação, como local onde nascerá o Chefe de Israel, o Salvador. O nascimento de Jesus mantém vivo o seu nome na memória dos homens.

 

Miqueias 5, 1-4a

1Eis o que diz o Senhor: «De ti, Belém-Efratá, pequena entre as cidades de Judá, de ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel. As suas origens remontam aos tempos de outrora, aos dias mais antigos. 2Por isso Deus os abandonará até à altura em que der à luz aquela que há-de ser mãe. Então voltará para os filhos de Israel o resto dos seus irmãos. 3Ele se levantará para apascentar o seu rebanho pelo poder do Senhor, pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus. Viver-se-á em segurança, porque ele será exaltado até aos confins da terra. 4aEle será a paz».

 

Em face da situação grave que pesava sobre o povo com as invasões assírias, no século VIII a. C., o Profeta tem palavras de esperança; após a ruína virá a restauração, que se fará por meio dum descendente de David. A profecia projecta-nos para um futuro de segurança e de paz, para tempos messiânicos.

1 «De ti sairá aquele…». Tanto a tradição judaica (cf. Rut 4, 11; 1 Sam 16, 1-13; 17, 12; e o Talmud: Pesahim 51, 1; Nedarim 39, 2) como a cristã (cf. Mt 2, 4-6; Jo 7, 40-42) entenderam esta profecia como referida ao lugar do nascimento de Cristo em Belém. «Beth-léhem» significa «casa do pão»; «Efratá» (fecunda) distingue-a de outra Belém, na Galileia.

«Pequena entre as cidades…». S. Mateus (Mt 2, 4-6) cita este texto fazendo dele uma leitura actualizada para mostrar que em Jesus se cumpre esta profecia de Miqueias. Para isso recorre ao deraxe: um recurso de actualização próprio da hermenêutica judaica (aqui o chamado al-tiqrey: «não leias»), que tem em conta que em hebraico não se escreviam as vogais: assim, a palavra hebraica com que se diz «as cidades de» (alfey) é lida com outras vogais de modo a significar «as principais (príncipes) de» (al-lufey). É assim que Mateus pode dizer, não falseando o texto, mas interpretando-o: «não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá».

«As suas origens remontam...» A expressão hebraica presta-se a designar uma origem anterior ao tempo, portanto, eterna e divina. Assim pensam muitos exegetas católicos, recorrendo à analogia com Is 9, 5.

2 «Aquela que há de ser mãe». Esta maneira de falar faz pensar numa alusão à célebre profecia de Isaías 7, 14, conhecida dos destinatários do oráculo, coisa aliás compreensível, uma vez que já teriam passado uns anos.

4 «Ele será a Paz». Em Ef 2, 14 parece haver uma citação desta passagem messiânica.

 

Salmo Responsorial     Sl 79 (80), 2ac.3b.15-16.18-19 (R.4)

 

Monição: Em resposta ao oráculo da primeira leitura, o salmo que vamos recitar é uma oração ao Messias, «Pastor de Israel», o Bom Pastor. Nele pedimos que o Senhor venha em auxílio deste mundo e o salve.

 

Refrão:        Senhor nosso Deus, fazei-nos voltar,

                     mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos.

 

Ou:               Mostrai-nos, Senhor, o vosso rosto

                     e seremos salvos.

 

Pastor de Israel, escutai,

Vós estais sobre os Querubins, aparecei.

Despertai o vosso poder

e vinde em nosso auxílio.

 

Deus dos Exércitos, vinde de novo,

olhai dos céus e vede, visitai esta vinha;

protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,

o rebento que fortalecestes para Vós.

 

Estendei a mão sobre o homem que escolhestes,

sobre o filho do homem que para Vós criastes.

Nunca mais nos apartaremos de Vós,

fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A breve leitura da carta aos Hebreus lembra o Mistério da missão do Messias Salvador. Recorda os sentimentos de Jesus ao entrar no nosso mundo, permitindo assim que Deus manifeste o seu grande amor através da fragilidade humana.

 

Hebreus 10, 5-10

Irmãos: 5Ao entrar no mundo, Cristo disse: «Não quiseste sacrifício nem oblações, mas formaste-Me um corpo. 6Não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado. 7Então Eu disse: ‘Eis-Me aqui; no livro sagrado está escrito a meu respeito: Eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade’». 8Primeiro disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado». E no entanto, eles são oferecidos segundo a Lei. 9Depois acrescenta: «Eis-Me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade». Assim aboliu o primeiro culto para estabelecer o segundo. 10É em virtude dessa vontade que nós fomos santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita de uma vez para sempre.

 

O autor inspirado aplica a Cristo, «ao entrar no mundo» (bela maneira de designar a sua Incarnação), o Salmo 40 (39), que, literalmente, não é considerado um salmo messiânico, mas em que ele descobre um sentido oculto (que se pode chamar um sentido típico ou plenário, e não mera acomodação) que, ao fim e ao cabo, exprime não só a atitude interior de Cristo, mas também o alcance redentor da sua vinda ao mundo. Com efeito, Cristo sabe que aquilo que é exterior ao homem (como era o caso do sangue dos animais oferecidos no culto levítico) tem uma ineficácia radical para agradar a Deus e salvar do pecado a Humanidade (cf. v. 11). Por isso Ele intervém, de modo definitivo, oferecendo-Se a si mesmo em sacrifício, numa homenagem de obediência livre e plena, «de uma vez para sempre» (v. 10) – «eis-me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade» (v. 9). Foi assim que «aboliu o culto antigo» (centrado na oferta de animais a Deus), «para estabelecer o segundo» e novo culto sempre vivo a actuante na Liturgia da Igreja, que na Eucaristia torna presente o único sacrifício de Cristo.

5 «Formaste-me um corpo»: Como habitualmente em Hebreus, a citação do Salmo também é feita segundo a versão grega dos LXX, que, embora substancialmente idêntica ao original hebraico («abriste-me me os meus ouvidos»), é muito mais expressiva para designar o mistério da Incarnação.

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 1, 38

 

Monição: Maria corresponde ao plano de Deus, pela sua fé e pelo sim que deu à proposta do Senhor. Dela nasce Jesus Messias, o Filho de Deus e nosso Salvador.

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

Eis a escrava do Senhor:

faça-se em mim segundo a vossa palavra.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 39-45

39Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. 40Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo 42e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? 44Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. 45Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

 

Os exegetas descobrem neste relato uma série de ressonâncias vétero-testementárias, o que corresponde não apenas ao estilo do hagiógrafo, mas sobretudo à sua intenção teológica de mostrar como na Mãe de Jesus se cumprem as figuras do A.T.: Maria é a verdadeira e nova Arca da Aliança (comparar Lc 1, 43 com 2 Sam 6, 9 e Lc 1, 56 com 2 Sam 6, 11) e a verdadeira salvadora do povo, qual nova Judite (comparar Lc 1, 42 com Jdt 13, 18-19) e qual nova Ester (Lc 1, 52 e Est 1 – 2).

39 «Uma cidade de Judá». A tradição diz que é Ain Karem, uma bela povoação a 6 Km a Oeste da cidade nova de Jerusalém. De qualquer modo, ficaria a uns quatro ou cinco dias de viagem de Nazaré (uns 150 Km). Maria empreende a viagem movida pela caridade e espírito de serviço. A «Mãe do meu Senhor» (v. 43) não fica em casa à espera de que os Anjos e os homens venham servir a sua rainha; e Ela mesma, que se chama «escrava do Senhor» (v. 38), «a sua humilde serva» (v. 48), apressa-se em se fazer a criada da sua prima e de acudir em sua ajuda. Ali permanece, provavelmente, até depois do nascimento de João, uma vez que S. Lucas nos diz que «ficou junto de Isabel cerca de três meses» Se Lucas diz que «regressou a sua casa» antes de relatar o nascimento de João, isso deve-se a uma técnica de composição literária chamada «de eliminação» (arrumar um assunto de vez antes de passar a outro, independentemente da sucessão real dos factos), do gosto de São Lucas (ver tb. Lc 1, 80 e 2, 7; 3, 20 e 21; 22, 15-18 e 22, 19-20, sem a interrupção que aparece nos outros Sinópticos: vv 21-23).

42 «Bendita és Tu entre as mulheres». Superlativo hebraico: a mais bendita de todas as mulheres.

43-44 «A Mãe do meu Senhor». As palavras de Isabel aparecem como proféticas, fruto duma luz sobrenatural que faz ver que o mexer-se do menino no ventre (v. 41) não era casual, mas que «exultou de alegria» para saudar o Messias e sua Mãe. É natural que esta reflexão de fé já circulasse nas fontes familiares dos Evangelhos da Infância.

 

Sugestões para a homilia

 

Um convite à esperança

A fé que professamos e a vida que vivemos

O cristão deve ser disponível e obediente como Jesus

 

Um convite à esperança

 

No tempo do profeta Miqueias, a situação política, social e económica de Israel era lamentável. Em todos os lados havia violência, corrupção, ganância pelo dinheiro, os poderosos apoderavam-se dos bens dos mais pobres. O rei Ezequias, que reinava nessa altura, bom homem, era impotente para conseguir dominar tal situação. É então, que nesta situação tão difícil, o profeta Miqueias pronuncia a profecia que escutamos na primeira leitura: «De ti, Belém, pequena entre as cidades de Judá, sairá aquele que há-de reinar sobre Israel». Agora - diz o profeta - humanamente, a situação é difícil, mas o Senhor está para a inverter com a Sua intervenção.

Decerto, quando profetizou, estaria a pensar num rei deste mundo. Todavia, Deus realizou tal profecia para além de toda a expectativa humana. Passados setecentos anos, Maria, fez nascer o anunciado filho de David, o Messias. Este filho, Jesus, não saiu de uma família rica e poderosa, mas no seio de uma família humilde e pobre, como já tinha feito com David, no início do seu reino.

Para uma humanidade que vivendo a sua confiança no poder bélico, económico ou político e espera um futuro de justiça e paz, as palavras do profeta continuam a ecoar hoje, como um convite à esperança.

As nossas comunidades cristãs, mediante a Palavra, devem oferecer ao mundo uma mensagem concreta de anunciadoras, testemunhas e semeadoras de Esperança, na lógica de Cristo, o Príncipe da Paz.

Aqui reside a fé que professamos.

 

A fé que professamos e a vida que vivemos

 

Deus costuma realizar gestos maravilhosos servindo-Se de meios sem valor aos olhos dos homens. E, como sabemos, através de Maria realizou a ocorrência mais feliz, sensacional e extraordinária da história: ofereceu aos homens o seu Filho. Desde que “tomou” a decisão de Se fazer homem, Deus já não habita em construções de pedra, num Templo, num lugar sagrado, mas no seio de uma mulher. O filho de Maria é o próprio Senhor. Maria é o instrumento de Deus para concretizar a salvação dos homens...

Que lição poderemos tirar deste facto?

Trazer o Senhor dentro de si não é um privilégio reservado a Maria. Todas as comunidades, cada um de nós, deve ser como Maria, «arca da aliança»: a nossa missão é levar o Senhor aos homens.

O sinal de que O levamos é a alegria que mostramos, tal como a de Nossa Senhora. Ela provoca alegria onde quer que chegue: Isabel grita de alegria por ter sido visitada por Maria, João salta de alegria no seio de Isabel, os pobres alegram-se por ter chegado a ocasião da sua libertação…

A nossa presença de cristãos nos diferentes ambientes: no trabalho, nas escolas, nos hospitais, nas festas, nos meios políticos, provocarão sempre esperança e alegria ou serão motivo de tristeza? As nossas comunidades comunicam alegria e esperança? Os pobres, os frágeis, os que erraram na vida, quando nos encontram e quando nos escutam, ficam tristes e afastam-se ou exultam de alegria?

Nem sempre é fácil acreditar nas promessas do Senhor. Maria é feliz não porque viu, mas porque acreditou na palavra de Deus.

A fé autêntica – aquela de que Maria dá prova – não necessita de demonstrações, de verificações, baseia-se apenas na escuta da Palavra e na adesão a essa mesma Palavra, com actos concretos.

Neste mundo recheado de traições, violências e corrupções, haveremos de ter a coragem para ter fé de que se realizarão todas as promessas feitas por Deus. A disponibilidade de amor e serviço aos irmãos, a procura de construção de paz, de alegria e esperança entre nós, será neste mundo o melhor testemunho da presença do Senhor Jesus Cristo no nosso meio.

 

O cristão deve ser disponível e obediente como Jesus

 

Como ouvimos na segunda leitura, Jesus não ofereceu nenhum sacrifício material, mas disse ao Pai: «Eis-me aqui… para fazer a vossa vontade!», pondo fim às antigas oferendas do Templo e inaugurando os tempos novos.

Neste Advento, Ele vem e exige que, também cada um de nós e as nossas comunidades, pensem sobre os sacrifícios que oferecem a Deus. Como o bendizem, amam e louvam. Será apenas com cânticos, procissões, orações, incensos e liturgias solenes? Não poderão estes ritos exteriores esconder uma adesão autêntica à vontade de Deus e impedir, como nos recomenda o Papa Francisco, de “sair em missão a semear a esperança”?

Que a Virgem Cheia de Graça nos ajude na nossa missão de semeadores de alegria e esperança.

 

Fala o Santo Padre

 

«No outro devemos reconhecer um irmão, porque desde que teve lugar o Natal de Jesus,

cada rosto tem gravado em si o semblante do Filho de Deus.»

O Evangelho deste domingo de Advento põe em evidência a figura de Maria. Vemo-la quando, imediatamente depois de ter concebido na fé o Filho de Deus, enfrenta a longa viagem de Nazaré da Galileia, até aos montes da Judeia para visitar e ajudar Isabel. O anjo Gabriel revelara-lhe que a sua idosa parente, que não tinha filhos, estava no sexto mês de gravidez (cf. Lc 1, 26.36). Por isso Nossa Senhora, que traz em si um dom e um mistério ainda maior, vai ao encontro de Isabel e permanece três meses com ela. No encontro entre as duas mulheres — imaginai: uma idosa e a outra jovem; é a jovem, Maria, que saúda primeiro. O Evangelho reza assim: «Entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel» (Lc 1, 40). E, após aquela saudação, Isabel sente-se envolvida por um grande enlevo — não vos esqueçais desta palavra: enlevo. O enlevo! Isabel sente-se arrebatada por um grande enlevo que ressoa nas suas palavras: «Donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?» (v. 43). E cheias de alegria, as duas mulheres abraçam-se e beijam-se: a idosa e a jovem, ambas grávidas.

Para celebrar o Natal de modo profícuo, somos chamados a meditar sobre os «lugares» do enlevo. Então, quais são estes lugares do enlevo na vida quotidiana? São três! O primeiro é o outro, no qual devemos reconhecer um irmão, porque desde que teve lugar o Natal de Jesus, cada rosto tem gravado em si o semblante do Filho de Deus. Sobretudo quando se trata da face do pobre, pois foi como pobre que Deus entrou no mundo e foi antes de tudo pelos pobres que se deixou aproximar.

Outro lugar do enlevo — o segundo — onde, se olharmos com fé, sentimos precisamente o enlevo é a história. Muitas vezes julgamos vê-la de modo correcto, e contudo corremos o risco de a ver ao contrário. Por exemplo, acontece quando ela nos parece determinada pela economia de mercado, regulada pelas finanças e pelos negócios, dominada pelos poderosos do momento. No entanto, o Deus do Natal é um Deus que «mistura as cartas»: Ele gosta de agir assim! Como canta Maria no Magnificat, é o Senhor que derruba os poderosos dos tronos e exalta os humildes, sacia de bens os famintos e despede de mãos vazias os ricos (cf. Lc 1, 52-53). Eis o segundo enlevo, a surpresa da história!

Um terceiro lugar do enlevo é a Igreja: contemplá-la com a surpresa da fé significa não limitar-se a considerá-la somente como instituição religiosa, tal como é; mas senti-la como uma Mãe que, apesar das manchas e das rugas — temos tantas! — contudo deixa transparecer os lineamentos da Esposa amada e purificada por Cristo Senhor. Uma Igreja que sabe reconhecer os numerosos sinais de amor fiel que Deus lhe transmite continuamente. Uma Igreja para a qual o Senhor Jesus nunca será uma posse a defender ciosamente: quantos agem assim, cometem um erro; Ele é sempre Aquele que vai ao seu encontro, e ela sabe esperá-lo com confiança e alegria, dando voz à esperança do mundo. A Igreja que chama o Senhor: «Vem, Senhor Jesus!». A Igreja mãe que mantém as suas portas escancaradas, e os braços abertos para receber todos. Aliás, a Igreja mãe que sai pelas suas portas para ir com sorriso de mãe ao encontro de todos os distantes, para lhes levar a misericórdia de Deus. Esta é a surpresa do Natal!

No Natal, Deus entrega-se totalmente a nós, oferecendo-nos o seu único Filho, que é toda a sua alegria. E somente com o Coração de Maria, a humilde e pobre filha de Sião, que se tornou Mãe do Filho do Altíssimo, é possível exultar e alegrar-se pelo imenso dom de Deus e pela sua surpresa imprevisível. Que Ela nos ajude a sentir o enlevo — estas três surpresas: o outro, a história e a Igreja — devido à Natividade de Jesus, o dom dos dons, o presente imerecido que nos traz a salvação. O encontro com Jesus levar-nos-á, também a nós, a sentir esta grandiosa surpresa! Mas não podemos sentir este enlevo, não podemos encontrar Jesus, se não O encontrarmos no próximo, na história e na Igreja.

 Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 20 de Dezembro de 2015

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

nesta tão próxima celebração do Natal,

invoquemos com alegria Jesus Cristo,

para que a Sua vinda reanime a nossa alegria,

a esperança e a fé, dizendo com toda a confiança:

Ouvi, Senhor, a oração do vosso povo.

 

1.     Que a Santo Padre, o Papa (N..), os Bispos,

Presbíteros e Diáconos,

sejam reconhecidos pelas obras de amor e alegria

que realizam em favor de todos os homens,

oremos ao Senhor.

 

2.     Que todos aqueles, homens e mulheres,

que recusam atender os sinais de Deus,

se aproximem do Senhor através do testemunho

da alegria e da esperança que manifestamos

por O termos encontrado,

oremos ao Senhor.

 

3.     Que os pobres, os tristes, os mais frágeis,

os mais humildes e esquecidos,

saibam acolher o Senhor que continua a vir até nós,

oremos ao Senhor.

 

4.     Que a nossa presença

em todos os meios em que vivemos

suscite nas pessoas a esperança e a alegria

do encontro com Jesus,

oremos ao Senhor.

 

5.     Que sejamos dóceis aos impulsos do Espírito

para sairmos em missão

anunciando com alegria o nascimento do Salvador,

oremos ao Senhor.

 

Senhor Jesus Cristo,

que viestes ao mundo para fazer a vontade do Pai,

escutai as preces que vos dirigimos

e ajudai-nos a fortalecer em nós

o espírito de serviço,

para que auxiliemos todos aqueles que mais precisam.

Vós que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O Anjo do Senhor, M. Simões, NRMS 31

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que trazemos ao vosso altar e santificai-os com o mesmo Espírito que, pelo poder da sua graça, fecundou o seio da Virgem Santa Maria. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio do Advento II: p. 455 [588-700]

 

Santo: Santo III, H. Faria, NRMS 103-104

 

Monição da Comunhão

 

Preparemos a já tão próxima comemoração do Natal de Jesus, com a comunhão do seu Corpo e Sangue. Que ela suscite em nós sentimentos de paz, justiça, prática da caridade e uma profunda atitude de fé, alegria e esperança.

 

Cântico da Comunhão: Eu estou à porta chamo, F. Silva, NRMS 22

cf. Is 7, 14

Antífona da comunhão: A Virgem conceberá e dará à luz um filho. O seu nome será Emanuel, Deus-connosco.

 

Cântico de acção de graças: Cantai um cântico novo, J. Santos, NRMS10 (II)

 

Oração depois da comunhão: Tendo recebido neste sacramento o penhor da redenção eterna, nós Vos pedimos, Senhor: quanto mais se aproxima a festa da nossa salvação, tanto mais cresça em nós o fervor para celebrarmos dignamente o mistério do Natal do vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Na conclusão desta celebração eucarística e interpelados pela escuta da Palavra, saibamos ter a coragem de caminhar com a disponibilidade de amor e serviço aos irmãos e muita alegria neste mundo repleto de traições, violências e corrupções. Acreditemos profundamente que todas as promessas feitas por Deus se hão-de realizar.

 

Cântico final: Exultai de Alegria no Senhor, M. Carneiro, NRMS 21

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António Elísio Portela

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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