aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

JAPÃO

 

RECONHECIMENTO DA

HISTÓRIA DO CRISTIANISMO

 

São doze os locais declarados património da humanidade pela UNESCO, em 30 de Junho passado, ligados à história das perseguições cristãs na época de Edo (1603-1867).

 

Na lista da UNESCO entram doze locais em Nagasaki e na região de Amakusa, lugares símbolo da perseguição perpetrada contra os cristãos durante o período Edo.

Um dos locais reconhecidos como património mundial é a Catedral Oura de Nagasaki, a igreja mais antiga do país, anteriormente um tesouro nacional.

Construída por dois missionários franceses da Sociedade das Missões Estrangeiras em 1864, para homenagear os 26 mártires cristãos – 9 europeus e 16 japoneses –, é famosa por um acontecimento que o Papa Pio IX definiu como um “milagre do Oriente”.

Após a inauguração, um grupo de pessoas proveniente do povoado de Urakami pediu ao padre Petitjean – um dos dois missionários construtores – para entrarem na igreja e “saudar Maria”. Eles eram “Kakure Kirishitans”, descendentes dos primeiros cristãos japoneses forçados ao anonimato, e foram seguidos por outras dezenas de milhares de “cristãos escondidos” que iam à Catedral, retomando assim a prática cristã.

Também integra a lista do património protegido pela Unesco o que resta do Castelo Hara – um dos cenários da revolta “Shimabara-Amakusa” (1637) dos católicos, após a qual a perseguição se intensificou – e o povoado Sakitsu, na prefeitura de Kumamoto (Amakusa), onde os cristãos continuaram a praticar a sua fé em segredo.

A decisão foi recebida com alegria pela Igreja Católica japonesa. O novo cardeal Thomas Aquino Manyo Maeda – ele mesmo descendente de “cristãos escondidos” – declarou ao Japan Times que o reconhecimento permitirá às pessoas redescobrir a história do cristianismo no Japão, sintetizado no perdão e na compreensão.

Mons. Joseph Mitsuaki Takami, arcebispo de Nagasaki, expressa a mesma satisfação: “Durante 250 anos, o cristianismo foi perseguido no Japão. Agora, é reconhecido na sua história e muitos mais japoneses começam a interessar-se pelo cristianismo. Muitos irão a esses lugares para visitá-los: para nós também é uma oportunidade de evangelizar”.

A redescoberta da história cristã japonesa deve envolver também os próprios fiéis, chamados a estudar “a história dos antepassados”: por isso, em 1º de Abril, a diocese de Nagasaki inaugurou um museu sobre a história do cristianismo japonês, na antiga residência do bispo. “É preciso recordar a história porque não são as construções que são importantes – disse Mons. Takami –, mas a história por trás delas. É essa história da fé que tem valor universal”.

 

 

ESPANHA

 

COLOCADA A CRUZ GLORIOSA

NA BASÍLICA DA SAGRADA FAMÍLIA

 

No passado dia 2 de Julho, a grande Cruz Gloriosa foi colocada na fachada da Basílica da Sagrada Família, no Pórtico dedicado à Paixão.

 

Tratou-se de nova etapa para a conclusão do majestoso templo da Sagrada Família de Antoni Gaudì, em Barcelona. A Cruz Gloriosa fazia parte do projecto original do grande arquitecto catalão, datado de 1892.

A Cruz Gloriosa é a transfiguração do símbolo da cruz que de “instrumento de tortura – como explica o arquitecto actualmente responsável pelo canteiro de obras da Sagrada Familia, Xisco Llabrés – se torna um instrumento de amor e caridade”.

Ela é, portanto, uma representação do Cristo Ressuscitado e da sua vitória sobre a morte. Monumental na aparência, com 7,5 metros de altura, 4,25 m de largura e um peso de 18 toneladas, é formada por oito blocos de granito provenientes da região francesa de Tarn, ligados entre si por barras de aço.

Como todo o templo da Sagrada Família, a construção da Cruz Gloriosa é baseada no estudo da Natureza e em cálculos geométricos meticulosos, que garantem a a estabilidade e a segurança em caso de condições meteorológicas adversas ou desastres naturais, como terremotos.

Na manhã de 9 de Julho, aos pés da cruz iam ser colocados três anjos em adoração, esculpidos em mármore travertino por Lau Feliu e previstos nos esboços do Gaudì, num esquema onde se entrecruzam linhas oblíquas e verticais, num ritmo ascendente em direcção à imagem de Cristo Ressuscitado.

O canteiro de obras da Sagrada Família, portanto, permanece aberto: elevada à categoria de Basílica Menor em 7 de Novembro de 2010 por Bento XVI, estima-se que esteja concluída em 2026 – 134 anos após o lançamento da pedra fundamental –, quando tiverem sido completadas todas as 18 torres.

Todavia, o ritmo dos trabalhos está intimamente ligado às doações que, por vontade de Gaudì, devem ser a única contribuição para a realização do projecto. Quando perguntado por que o longo período de espera da Basílica, o arquitecto que trabalhou por 41 anos sabendo que não terminaria o trabalho, costumava responder com grande confiança na Providência: “O meu cliente não tem pressa”.

 

 

ITÁLIA

 

ORAÇÃO PELA PAZ EM BARI

 

No encontro ecuménico de oração pela paz no Médio Oriente, em Bari, no passado dia 7 de Julho, o Papa pediu que reine a paz entre todos os povos que sofrem, especialmente para Jerusalém, Cidade Santa amada por Deus e ferida pelos homens.

 

Em Bari encontram-se as relíquias de São Nicolau, muito venerado pelas Igrejas orientais. Ali, o Papa quis reunir os líderes de Igrejas e Comunidades cristãs, para uma jornada de oração e de reflexão sobre a dramática situação no Médio Oriente, que aflige tantos irmãos e irmãs na fé.

Ao chegar à cidade, transferiu-se directamente à Basílica pontifícia de São Nicolau, onde acolheu e cumprimentou os Patriarcas. Juntos, desceram à cripta para venerar as relíquias de São Nicolau e acender uma lamparina, símbolo da Igreja unida.

A seguir, o Papa e os Patriarcas dirigiram-se para uma grande Praça, perto do mar, onde se deu o encontro de Oração ecuménica pela Paz.

Francisco agradeceu aos Irmãos Patriarcas por terem aceitado, com generosidade e prontidão, o convite para participar deste Encontro de oração e reflexão, sob a protecção da Mãe de Deus, aqui venerada como Odegitria, que nos sustenta no nosso caminho comum. Ela indica-nos o caminho. E, referindo-se a São Nicolau, disse:

 “Aqui, são custodiadas as relíquias de São Nicolau, bispo do Oriente, cuja veneração sulca os mares e cruza as fronteiras entre as Igrejas. Que este Santo taumaturgo possa curar as feridas de muitos. Aqui, sentimo-nos impelidos a viver esta jornada, com a mente e o coração voltados para o Médio Oriente, encruzilhada de civilizações e berço das grandes religiões monoteístas”.

O Papa acrescentou:

“Mas, naquela esplêndida região, adensou-se, especialmente nos últimos anos, uma espessa cortina de trevas: guerras, violências, destruições, ocupações, fundamentalismos, migrações forçadas e abandono… Tudo isso sob o silêncio de tantos e a cumplicidade de muitos. Ali, a presença dos nossos irmãos e irmãs na fé corre grande risco”.

Após o encontro de oração pela paz, Francisco e os Patriarcas voltaram para a Basílica de São Nicolau, para um encontro a portas fechadas.

 

 

ESTADOS UNIDOS

 

CARDEAL INSURGE-SE COM

SEPARAÇÃO DE CRIANÇAS DE SUAS FAMÍLIAS

 

“Tirar as crianças das famílias é contra a Bíblia e antiamericano”. Foi o que escreveu o cardeal Timothy Dolan na carta aberta endereçada a todas as paróquias de Nova Iorque, depois de ter visitado na semana anterior algumas crianças separadas de seus pais na fronteira com o México e agora abrigadas em um antigo convento do Bronx, assistidas por muitas instituições de caridade locais.

 

“Foi doloroso ver essas crianças sem seus pais – escreveu Dolan – e perceber o caos e traumas que elas têm que enfrentar”.

O cardeal define da mesma forma comovente o encontro com os profissionais “que, com competência e compaixão, estão cuidando dela”".

O arcebispo de Nova Iorque está seriamente preocupado com uma questão que toca profundamente a Igrej, não apenas do ponto de vista pastoral, mas também ético e humanitário, e recorda que os católicos “entraram em cena muito antes das atuais emergências”, como por exemplo no Centro Católico de Imigração da Caritas, no coração de Manhattan, onde nos últimos cinco anos a assistência jurídica e a educação foram fornecidas a mais de 10 mil menores de idade, chegados à cidade com as famílias ou desacompanhados.

O cardeal Dolan precisa que a sua preocupação e o seu envolvimento na crise “não são como político, mas como pastor. Eu não sou um especialista em complexidades legislativas, ordens executivas e políticas que mudam todos os dias, mas sei que as políticas que tiraram as crianças das suas famílias não estão de acordo com a Bíblia e são antiamericanas. Elas criaram danos que exigirão muito esforço e muito tempo para curar”.

 

 

FILIPINAS

 

PROJECTO GENFEST

 

Concluiu-se no passado domingo 8 de Julho, em Manila, a XI edição do Genfest, onde 6.000 jovens do Movimento dos Focolares de mais de cem países lançaram o projecto "Caminhos para a Fraternidade": caminhos e acções para aproximar pessoas e povos, construindo relações de fraternidade nos campos da economia, justiça, política, meio ambiente, diálogo intercultural e inter-religioso a serem iniciados em todo o mundo.

 

“Na era das crescentes migrações e do avanço dos nacionalismos, como reacção a uma globalização exclusivamente económica que negligencia as diversidades das culturas e religiões” – resume Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares –, “o Genfest propõe aos jovens uma mudança de perspectiva: não parar diante dos muros pessoais, sociais e políticos, mas acolher sem medos e preconceitos todos os tipos de diversidades”.

Nos próximos anos, portanto, os Jovens por um Mundo Unido dos Focolares estarão comprometidos a dar vida a uma rede de actividades que vise enraizar, em seus ambientes e países, a mentalidade e as práticas de paz e solidariedade.

O Genfest foi uma festa e um compromisso juntos, onde também arte e espectáculo tinham como objectivo exprimir a superação das fronteiras, como as duas noites de concerto que levaram a Ásia ao resto do mundo e vice-versa. Também foi visitada a Explo, uma exposição multimídia e interactiva que propôs uma leitura ao contrário da história do mundo, vista sob a perspectiva dos passos da paz da humanidade e da centralidade do compromisso pessoal para construí-la.

 

 

SUÍÇA

 

PADRE DAVIDE PAGLIARANI,

NOVO SUPERIOR GERAL DOS LEFEBVRIANOS

 

Por ocasião do IV Capítulo Geral da Fraternidade São Pio X, reunido no Seminário São Pio X em Ecône, foi eleito no passado dia 11 de Julho o padre Davide Pagliarani como novo Superior Geral por 12 anos. 

 

O novo Superior geral é de nacionalidade italiana e tem 47 anos. Recebeu o sacramento da ordem em 1996, das mãos de Dom Bernard Fellay, iniciou o seu ministério em Rimini e depois foi para Singapura, em seguida foi nomeado superior para o distrito da Itália. Desde 2012 era reitor do Seminário “Nossa Senhora Co-Redentora” de La Reja, na Argentina.

Depois de aceitar o cargo, o padre Pagliarani pronunciou a Profissão de Fé e o Juramento Anti-modernista na igreja do seminário. Cada um dos membros presentes foi em seguida prometer-lhe respeito e obediência, antes de cantar o Te Deum de acção de graças.

O Padre Pagliarani sucede a Dom Bernard Fellay à frente dos lefebvrianos.

No dia seguinte, os 41 capitulares elegeram os dois Assistentes gerais para um mandato também de 12 anos.

O primeiro Assistente é D. Alfonso de Galarreta, bispo auxiliar da Fraternidade, de nacionalidade espanhola e o segundo Assistente eleito é o Pe. Christian Bouchacourt, de nacionalidade francesa. Com estas eleições, o Capítulo poderá iniciar a tratar das numerosas questões que deverão ser examinadas até 21 de Julho de 2018. 

 

 

VENEZUELA

 

BISPOS DIVULGAM

MENSAGEM DRAMÁTICA DO PAÍS

 

Na conclusão da sua Assembleia Plenária, os bispos venezuelanos oferecem à nação uma mensagem forte, dramática e ao mesmo tempo cheia de esperança: “Não tenham medo, porque estou convosco”, é o título da exortação pastoral divulgada ao final dos trabalhos, em 11 de Julho passado.

 

“A situação no país é cada vez mais grave. A maior parte da população não tem meios para enfrentar  a monstruosa hiperinflação. A qualidade de vida dos venezuelanos, já fortemente precária, deteriora-se dia a dia”. E a diáspora silenciosa causada pela emigração crescente está tirando forças preciosas da sociedade. No entanto, “Deus está sempre ao lado do seu povo” e neste momento, mais do que nunca, é necessário não desistir. Os leigos, acima de tudo, são chamados a fazer ouvir a sua voz e a empenhar-se na política.

Na exortação, a Conferência Episcopal Venezuelana aborda antes de tudo o problema político: “O principal responsável pela crise que estamos vivendo é o governo nacional, pelo facto de colocar o seu projecto político diante de qualquer outra consideração, inclusive a humanitária”.

Além disso, “não se pode esperar resolver a situação de uma economia falida com medidas de emergência como sacolões ou vales”. Pelo contrário, a acção do governo deveria colocar em primeiro lugar “o cidadão, o venezuelano, o homem concreto e as mulheres que sofrem e sofrem com a situação actual”. Ignorar o povo, enquanto se finge falar em seu nome, é típico “dos regimes totalitários, que sempre acabam com o desprezo da dignidade da pessoa humana”.

Os bispos voltam a criticar as eleições do final de Maio, já definidas como ilegítimas, que só serviram “para prolongar o mandato do actual presidente”. A altíssima abstenção, “inédita numa eleição presidencial, é uma mensagem silenciosa de rejeição dirigida àqueles que pretendem impor uma ideologia totalitária, contra a opinião da maioria da população”.

Foi assim retirada das instituições actuais “a elementar liberdade de eleger os seus governantes numa disputa eleitoral justa, com autoridade imparcial, sem fraude e favoritismo”.

O segundo ponto do documento é dedicado ao fenómeno da emigração. “A Venezuela está a transformar-se num país da diáspora”, escrevem os bispos. “As mãos que construíam e produziam, mentes que buscavam e ensinavam, estão a abandonar-nos para ir para outros países. A emigração produz situações dramáticas: a dura luta para encontrar uma acomodação num país estrangeiro; a possibilidade de cair no vício ou na prostituição, ou nas mãos de redes de exploração; o estigma da rejeição; a tristeza dos entes queridos que ficam aqui; o retorno a uma situação de ruína por aqueles que não conseguiram encontrar um lugar”.

Os bispos reconhecem que “muitas destas situações encontraram alívio graças à ajuda generosa que Igrejas irmãs de países vizinhos deram aos nossos compatriotas. Agradecemos a elas de todo o coração”.

Infelizmente, porém, “aqueles que foram, especialmente os jovens, constituem um talento humano que está a ser perdido para a construção de nosso país. Se aos venezuelanos tivesse sido oferecida alguma esperança para o futuro, eles não teriam que emigrar. A Venezuela aguarda o retorno dos seus filhos para retomar o caminho do progresso saudável”.

Na terceira e quarta parte da mensagem pastoral, os bispos especificam os contornos da sua intervenção actual e futura na vida social de levar ajuda aos necessitados.

“A Igreja – lê-se na exortação – não pretende substituir, no seu papel e na sua vocação, aqueles que se ocupam da política. Não aspira à hegemonia do panorama social ou mesmo a tornar-se uma força de governo ou oposição. No entanto, estimula os leigos, devidamente formados e conscientes dos seus deveres e direitos de cidadania, a fazer ouvir a sua voz e a intervir activamente no debate político, com o objectivo de que os elevados princípios e valores que a fé cristã nos transmite, sejam vividos também na esfera pública e se traduzam em acções que visem o bem comum”.

Por fim, a Conferência Episcopal reafirma o apelo à solidariedade, salientando que as dioceses e as diversas instituições eclesiais “deram origem a uma ampla campanha de ajuda aos mais necessitados, especialmente no que diz respeito à alimentação e ao acesso a medicamentos”. Uma acção a ser “continuada e fortalecida, com o generoso apoio de tantos fiéis”. Sem esquecer, no entanto, como já foi dito, a necessidade de uma transformação estrutural da sociedade venezuelana.

 

 

ROMA

 

ABERTO PROCESSO DE BEATIFICAÇÃO

DO JESUÍTA PADRE PEDRO ARRUPE

 

A Diocese de Roma abriu a causa de beatificação do padre Pedro Arrupe, 28º Superior Geral da Companhia de Jesus.

 

O Padre Pedro Arrupe esteve à frente da Companhia de Jesus de 1965 a 1983, realizando uma profunda transformação com a abertura de um novo espírito missionário no mundo e iniciando uma nova forma de vida consagrada.

O actual Padre Geral Arturo Sosa havia anunciado a abertura do processo no Encontro da Associação Internacional das Universidades Jesuítas em Bilbao, Espanha, em 11 de Julho passado.

“Ainda estamos no início do processo, mas o cardeal Angelo de Donatis, Vigário Geral de Sua Santidade para a Diocese de Roma, deu a aprovação diocesana”, explicou o padre Sosa, que definiu o padre Arrupe como “um homem de verdade, arraigado em Cristo e dedicado à missão, cujo maior milagre é o facto de que estamos aqui hoje”.

“Uma figura de grande importância – disse ainda o padre Sosa –, uma pessoa que viveu a santidade de forma tão profunda e original ao longo de sua vida: como jovem, como jesuíta, como mestre de noviços, como provincial e como geral”.

“A causa aberta não leva em consideração somente o seu governo, mas toda a sua pessoa, que soube identificar-se com o Senhor por toda a vida. E o desejo compartilhado é o de poder encontrar com o Senhor a vida de santidade do Padre Arrupe”, concluiu o Padre Geral.

Basco, nascido em Bilbao em 14 de Novembro de 1907,o Padre Arrupe completou os seus estudos de Medicina em Madrid. Entrou no noviciado em 1927, sendo ordenado sacerdote em 1936. O primeiro destino foi os Estados Unidos e mais tarde o Japão, onde permaneceu por vinte anos.

Justamente no país do Sol Nascente, em 6 de Agosto de 1945, viveu a experiência do bombardeio nuclear de Hiroshima, facto que irá marcá-lo para sempre, como ele mesmo afirma num dos seus escritos: “Assim que pararam de cair telhas, vidros quebrados e o ruído cessou, levantei-me do chão e vi diante de mim o relógio ainda pendurado na parede, porém parado. Parecia que o pêndulo havia ficado preso. Eram 8h10. Aquele relógio silencioso e imóvel era para mim um símbolo. A explosão da primeira bomba atómica pode ser considerada como um evento que transcende a história. Não é um recurso, é uma experiência perpétua, que não cessa com o tic-tac do relógio. Hiroshima não tem nenhuma relação com o tempo: pertence à eternidade”.

O Padre Arrupe foi eleito em 1965, ano do encerramento do Concílio Vaticano II, 28º Prepósito Geral da Companhia de Jesus, realizando por cerca de duas décadas um profundo e delicado processo de mudança, que provocou fissuras e alguma preocupação.

O seu sucessor em 1985, padre Peter-Hans Kolvenbach S.I., definiu-o como “um inovador que abriu muitos caminhos novos, deu impulso a um novo espírito missionário no mundo e deu início a uma nova forma de vida consagrada, a exemplo dos apóstolos”.

Foi fundamental o serviço realizado no mundo pelos jesuítas sob a sua orientação, com particular atenção aos últimos e à justiça social. Da África à Ásia, à Europa, de Arrupe é a intuição do Serviço dos jesuítas para os Refugiados, nascido após a estreita experiência com o drama dos refugiados vietnamitas.

No Verão de 1981, um ictus forçou o padre Arrupe a uma década de imobilidade e perda de fala. Ele veio a falecer em 5 de Fevereiro de 1991, vivendo esse tempo de doença em oração.

 

 

NICARÁGUA

 

BISPOS ALEMÃES ESCREVEM A ORTEGA

 

Os bispos alemães escreveram directamente ao presidente da Nicarágua, Daniel Ortega. O documento, datado de 26 de Julho, é assinado pelo cardeal Reinhard Marx, presidente da Conferência Episcopal alemã e arcebispo de Munique e Frisinga.

 

“Quase todos os dias recebemos notícias sobre a crescente violência na Nicarágua – lê-se na carta –; aqueles que se manifestam pacificamente são presos, maltratados ou assassinados. Em todo o país, está-se fazendo violência contra os princípios democráticos básicos e contra os direitos humanos fundamentais. Este abuso de poder estatal e paraestatal é justificado como uma medida de luta contra o terrorismo. A nova lei antiterrorismo agrava ainda mais a crise política”.

Os bispos continuam: “Há 39 anos o senhor participou da revolução contra o regime de Somoza para acabar com a opressão do povo nicaraguense. Este povo quer continuar a viver em paz e liberdade, acompanhado pela Igreja Católica, que está ao seu lado”.

“Pedimos-lhe que acabe com a violência repressiva e respeite a liberdade de reunião e de opinião. Pedimos-lhe que faça todo o possível para impedir os assassinatos que deixam mortos ao longo das estradas e libertar os presos políticos injustamente detidos. Por favor, dê um sinal de paz e retorne ao caminho do diálogo nacional. O mundo inteiro está olhando para a Nicarágua. Por favor, mostre ao mundo que está ao serviço do seu povo e que respeita a sua liberdade!”

 

 

ESTADOS UNIDOS

 

ARCEBISPO EMÉRITO McCARRICK

DEIXA DE SER CARDEAL

 

O Papa Francisco aceitou a renúncia ao cardinalato do arcebispo emérito de Washington, Theodore McCarrick, de 88 anos, acusado de abuso contra um menor há mais de 45 anos. A carta de renúncia chegou ao Papa no dia anterior, 27 de Julho passado.

 

O Papa também “ordenou a sua suspensão do exercício de qualquer ministério público, juntamente com a obrigação de permanecer numa casa a ser-lhe indicada, para uma vida de oração e de penitência, até que as acusações feitas contra ele sejam esclarecidas pelo processo canónico regular”.

No mês passado, o cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin, seguindo as instruções do Papa Francisco, já havia dado instruções para que o cardeal McCarrick não exercesse mais publicamente o seu ministério sacerdotal.

A decisão seguiu-se às conclusões de uma Comissão da Arquidiocese de Nova York, que havia definido como “credíveis e fundadas” as alegações contra McCarrick sobre abusos por ele cometidos contra um menor, há mais de 45 anos, quando era sacerdote em Nova York.

Nos dias passados, o cardeal Sean Patrick O'Malley, arcebispo de Boston e presidente da Comissão Pontifícia para a Protecção de Menores, disse estar chocado com as notícias sobre McCarrick, que também foi acusado de comportamento sexual inadequado com adultos.

“Essas presumíveis acções” – disse O'Malley num comunicado – “são moralmente inaceitáveis ​​e incompatíveis com o papel de padre, bispo ou cardeal”. “Esses e outros casos exigem mais do que um pedido de desculpas” – sublinhou –, observando que “quando são feitas acusações contra um bispo ou um cardeal, ainda há uma grande lacuna nas políticas da Igreja sobre comportamento e abuso sexual".

A Igreja nos Estados Unidos adoptou uma política de “tolerância zero” em relação ao abuso sexual de menores por padres, mas são necessários “procedimentos mais claros para os casos envolvendo bispos”.

 

 

MÉDIO ORIENTE

 

PAZ E ESTABILIDADE PARA

TRAVAR EMIGRAÇÃO DE CRISTÃOS

 

“Repetimos a todos, especialmente aos políticos, que a melhor ajuda para dar aos nossos fiéis é permitir que eles fiquem em suas casas, em seus países, não provocar agitações políticas e as várias formas de violência que os forçam a emigrar”, diz o Conselho dos Patriarcas Católicos do Oriente em carta publicada em 20 de Maio passado e relançada em 3 de Agosto pelo Patriarcado Latino.

 

Na carta intitulada “Os cristãos do Oriente hoje, medos e esperanças – «Em tudo, de facto, somos atribulados, mas não desanimados; prostrados, mas não aniquilados» (2 Cor 3, 4)”, os patriarcas católicos do Oriente  reflectem sobre a situação humana, social e política dos países do Médio Oriente, visto que “nenhum país árabe conhece a paz ou a estabilidade” por causa de guerras, terrorismo, pobreza, emigração dos cristãos.

Quatro mensagens estão contidas na carta pastoral:

1. Aos fiéis do Médio Oriente: resistir à tentação da emigração

Os patriarcas recordam aos seus fiéis “a importância da presença cristã no Oriente e a presença de cada um nos seus países onde Deus os chamou e os enviou. Em tempos difíceis, os seus países e as suas igrejas precisam de si. Nós dizemos para resistir o que puderem à tentação da emigração e para continuar a viver a sua missão nos seus países e nas suas Igrejas. O futuro das nossas Igrejas e da presença cristã em geral na região depende também da decisão de deixar ou aceitar a vontade de Deus, permanecendo onde ele chamou”.

2. Aos governantes do Médio Oriente: ouvir a voz dos pobres e dos oprimidos, respeitar a laicidade

Aos políticos e aos governantes dos países do Médio Oriente, os patriarcas pedem para ouvir a voz dos pobres e oprimidos e não ceder às “pressões externas mundiais e às grandes potências que pretendem mudar a seu bel-prazer” a região.

A carta reitera então a necessidade de construir “um estado laico, baseado na igualdade de todos os seus cidadãos, sem discriminação baseada em religião ou qualquer outra razão. Um estado laico separa religião e Estado, mas respeita todas as religiões e as liberdades. Esforça-se por compreender melhor a questão religiosa em nossos países, com seus componentes – cristianismo, islão e comunidades drusas –, sem permitir que se transformem em confessionalismo religioso ou político”.

3. Aos governantes que no Ocidente decidem sobre a política no Médio Oriente

“No Ocidente existem povos bons e amigos, civilizações antigas – escrevem os patriarcas –, mas existem também responsáveis políticos que tomam decisões que dizem respeito ao Médio Oriente e a todos os nossos países, com base nos seus interesses económicos e estratégicos, à custa dos interesses dos nossos países”.

Esta “política de destruição no Médio Oriente, liderada pelo Ocidente”, é também a causa “da morte e da migração forçada de milhões de pessoas dos nossos países, incluindo cristãos”.

A consequência directa desta política é “o terrorismo que se estabeleceu nos nossos países, antes de voltar-se contra o mesmo Ocidente que deu origem a ele”.

“O terrorismo nasceu porque aqueles que fazem a política no Ocidente, recorreram a isso como uma ferramenta eficaz para mudar a face do Oriente. Com os seus aliados na região, eles criaram o Estado Islâmico, o ISIS, com material humano local, desfrutando do extremismo religioso existente e uma compreensão deturpada da religião. Em outras palavras, eles atingiram as pessoas através de sua própria religião. Com o ISIS, o terrorismo religioso atingiu os limites extremos da crueldade e da desumanidade”.

4. Aos governantes de Israel

Os patriarcas católicos dirigem também um apelo pela Palestina: “Os palestinos reconheceram o Estado de Israel; agora, que este último reconheça o Estado palestino nos restantes 22% de suas terras, incluindo Jerusalém Oriental”. “A amizade do povo palestino com Israel – é sublinhado na carta – é a porta da salvação e da sobrevivência do Estado de Israel e uma condição necessária para a verdadeira paz na região”.

 

 

CHILE

 

DECISÕES DOS BISPOS

SOBRE ABUSOS SEXUAIS

 

O Papa Francisco considerou as decisões tomadas pelos bispos chilenos após a sua Assembleia Plenária extraordinária como “realistas e concretas”, dizendo que “ajudarão decididamente em todo este processo”.

 

Agradecido pelo “exemplo edificante da comunidade episcopal unida no pastoreio do santo povo fiel de Deus”, o Papa Francisco enviou uma mensagem aos bispos chilenos após ter “lido com atenção o documento «Declaración, Decisiones y Compromisos de los Obispos de la Conferencia Episcopal de Chile»”, divulgado em 3 de Agosto passado na conclusão de sua Assembleia Plenária extraordinária para tratar dos casos de abusos.

“As decisões – sublinhou – são realistas e concretas”, dizendo estar certo “de que ajudarão decididamente em todo este processo”, ao mesmo tempo que agradece pelo “exemplo edificante” da “comunidade episcopal unida no pastoreio do santo” povo fiel de Deus, aspecto que mais o tocou, pois “edifica a Igreja”.

O presidente da Conferência Episcopal Chilena, Dom Santiago Silva, afirmou ter encontrado conforto nas palavras do Pontífice, para “continuar no caminho de correcção, de cura e de reparação”.

O episcopado chileno reuniu-se em Assembleia Plenária extraordinária para tratar do escândalo dos casos de abusos entre 30 de Julho e 3 de Agosto.

Na declaração divulgada após o encontro, os prelados reconhecem as suas falhas como pastores e comprometem-se em buscar a verdade, a justiça e a reparação das vítimas, colocando-se à inteira disposição da Procuradoria da República para auxiliar nas investigações.

Também são assumidos no documento seis compromissos, que incluem a promoção de uma autêntica participação dos leigos na vida da Igreja.

 

 

LÍBANO

 

SANTUÁRIO DE N. SENHORA DE HARISSA

CELEBRA SEU JUBILEU

 

O Santuário de Nossa Senhora do Líbano, com a estátua que domina a paisagem da costa do país desde a altura de Harissa, começou a celebrar o seu Jubileu de 110 anos em 5 de Agosto.

 

A Missa Solene que abriu as festividades foi celebrada na grande Basílica às 11 horas do domingo, seguida por uma procissão para a abertura da Porta Santa do Santuário, que permanecerá aberta durante todo o ano, acolhendo os peregrinos.

O Santuário de Harissa é o destino de muitas peregrinações não só de cristãos, mas também de muçulmanos, que honram a Virgem Maria, mencionada no Alcorão.

As mulheres muçulmanas visitam o santuário, acendem velas, colocam flores e fazem ofertas de dinheiro, especialmente para pedir a graça de ter um filho.

O padre Khalil Alwan, vice-reitor do santuário, afirma que a Basílica “é um local de encontro entre Oriente e Ocidente”. Todos os anos, pelo menos 2 milhões de peregrinos acorrem ao local. O Santuário foi construído em 1908.

Em 2016, com uma Missa solene em Harissa, o patriarca maronita Bechara Boutros Raï consagrou o Líbano e o Oriente Médio ao Imaculado Coração de Maria.

 

 

COSTA DO MARFIM

 

AMNISTIA POLÍTICA,

PASSO PARA RECONCILIAÇÃO

 

Nas vésperas do “Dia da Independência” da Costa do Marfim, em 6 de Agosto passado, o Presidente do país, Alassane Ouattara, decidiu conceder a amnistia para cerca de 800 prisioneiros políticos, entre os quais Simone Gbagbo, esposa do ex-Presidente da República ebúrnea, detida por crimes de guerra.

 

A este respeito, o Padre Donald Zagore, sacerdote autóctone da Sociedade das Missões Africanas: “Trata-se de uma decisão política num contexto sociopolítico tenso. Quase toda a sociedade civil e política vinha insistindo para a libertação dos seus prisioneiros, detidos após a onda de violências pós-eleitoral de 2011, como um sinal de verdadeira reconciliação”.

“A Costa do Marfim, desde 1999, entrou num círculo vicioso de divisão e violência sociopolítica, – diz ainda o Padre Zagore – desde a eclosão de uma sanguinolenta rebelião armada de 2002 até às eleições de 2011, que, segundo a Comunidade internacional, causou a morte de quase 3000 pessoas”.

“No processo de reconciliação, iniciado pelo poder actual – acrescentou o missionário –, a justiça é o princípio fundamental para construir a reconciliação nacional. Infelizmente, o poder judicial ebúrneo manteve uma clara lógica de parcialidade, defendendo a justiça do vencedor e tornando-se, não um instrumento de paz e reconciliação, mas de injustiça e divisão".

“Em tal contexto – concluiu Padre Zagore – a paz não era mais possível! A única saída era adoptar uma política de amnistia e a libertação de todos os prisioneiros políticos, para favorecer um diálogo aberto para uma verdadeira reconciliação”.

“Por isso, o apelo foi unânime: grupos sociais, políticos e religiosos intervieram em favor da libertação dos presos políticos; inclusive a Igreja na Costa do Marfim deu apoio, através dos seus Bispos.

“Hoje, com esta amnistia, foi dado um grande passo para uma reconciliação verdadeira e definitiva, embora o caminho ainda seja longo. A verdade é que os habitantes do país ebúrneo têm muita esperança e sede de paz e de reconciliação”.

 

 

ARGENTINA

 

REJEITADO PROJECTO DE LEI

QUE LEGALIZAVA O ABORTO

 

Com 38 votos contra e 31 a favor, o Senado argentino rejeitou o projecto de lei sobre a interrupção voluntária da gravidez. Na Argentina, portanto, o aborto continua ilegal.

 

O principal elemento de novidade da lei recém-rejeitada era a possibilidade para todas as mulheres de interromperem a gravidez até a 14ª semana. A legislação actual, no entanto, autoriza o aborto apenas quando a gravidez é resultado de estupro ou se existe perigo para a vida da mãe.

Sobre a decisão certamente influenciou a posição compacta em favor da vida e contra a proposta de lei por parte da Igreja argentina, em todos os seus componentes. Precisamente, no dia anterior, foram celebradas Missas pela vida em muitas cidades, começando pela capital de Buenos Aires.

A rejeição pelo Senado significa que por um ano não será possível reapresentar uma nova proposta de lei sobre o mesmo assunto. Além disso, 2019 será um ano eleitoral e, portanto, pouco apropriado para o exame de temas com um conteúdo de forte tensão social, como a interrupção da gravidez.

A campanha pelo aborto foi marcada por grande polarização na sociedade argentina. Movimentos estudantis e feministas organizaram diversas passeatas nas vésperas da votação na Câmara de Deputados, em Junho, e fizeram do verde um símbolo do direito de interromper a gravidez. Em resposta, sectores religiosos organizaram marchas com o azul-celeste, da bandeira argentina, pedindo a defesa das duas vidas: da mãe e da criança.

 

 

JERUSALÉM

 

CASA PARA SACERDOTES

DA DIOCESE DE ROMA

 

A Diocese de Roma assumiu a gestão e promoção da Casa Mater Misericordiae, aos pés do Monte das Oliveiras.

 

A Casa, aberta no passado para acolher sacerdotes idosos do Patriarcado Latino de Jerusalém, jamais se limitou a esta finalidade, acolhendo também pequenos grupos e estudantes.

O complexo – agora reestruturado, com trinta quartos, cinquenta leitos ao todo, uma capelinha, um refeitório, uma biblioteca, uma sala de reuniões e um jardim que o circunda – será um centro de fraternidade e espiritualidade para seminaristas, sacerdotes, diáconos, jovens e grupos paroquiais.

Múltiplas finalidades poderão dinamizar a Casa Mater Misaericordiae: “Uma primeira ideia é permitir aos seminaristas antes da ordenação sacerdotal poder transcorrer aqui um período de reflexão e de retiro. Graças a uma relação que estabeleceremos com o seminário, todos os futuros sacerdotes de Roma conhecerão Jerusalém e os lugares santos e sentirão a Terra Santa não como uma realidade distante”.

“Outra ideia é acolher cursos para a formação permanente do clero. Além disso, poderão ser organizadas actividades para os diáconos permanentes e semanas de estudo bíblico-arqueológico para os docentes de religião”.

Com isto quer-se evidenciar, sobretudo, a relação sempre estreita e forte, entre a Igreja de Roma e a Igreja-mãe de Jerusalém, que “deve ser ulteriormente intensificada”, após os significativos passos dados a partir de Paulo VI e depois João Paulo II, Bento XVI e Francisco.

 

 

PERU

 

ASSASSINADO SACERDOTE JESUÍTA

NA REGIÃO AMAZÓNICA

 

O sacerdote jesuíta, padre Carlos Montes Rivadiet, de 73 anos, foi encontrado morto, algemado e com sinais de violência na manhã do dia 10 de Agosto, numa sala de aula do Colégio “Fé y Alegría”, da Comunidade indígena de Yamakentsa, em Imaza.

 

O religioso jesuíta, director da escola há 30 anos, era muito querido pelos nativos da região norte da selva amazónica.

Os jesuítas da localidade divulgaram um comunicado, onde exprimem “perplexidade e tristeza pela morte do padre Carlos”, como também rejeitam “todas as formas de violência”.

“Esperamos – dizem os jesuítas – que as autoridades possam esclarecer as causas e as circunstâncias da morte do missionário jesuíta”.

Dos seus 73 anos, o sacerdote de origem espanhola dedicou 38 ao serviço dos povos indígenas da região amazónica.

A Conferência Episcopal Peruana, através do arcebispo de Trujillo, Dom Miguel Cabrejos Vidarte, também deplorou o falecimento do sacerdote jesuíta.

O sacerdote – diz a nota dos Bispos peruanos – “dedicava-se à educação das famílias das comunidades autóctones da Amazónia”.

Os prelados peruanos “exprimem o seu pesar a todos os membros da Companhia de Jesus, de modo especial ao Provincial dos Jesuítas, Padre Juan Carlos Morante”.

Por fim, a Conferência Episcopal Peruana também “solicita às autoridades locais para esclarecer o acontecimento e descobrir os responsáveis”.

 

 

HONG-KONG

 

ENCONTRO MUNDIAL

DA COMUNIDADE DE TAIZÉ

 

Jovens cristãos participaram, de 8 a 12 de Agosto, no Encontro promovido, todos os anos, pela Comunidade Ecuménica de Taizé, a nível mundial.

 

A “Peregrinação da Confiança sobre a Terra” contou, nesses dias, com a participação de mais de quinze mil jovens asiáticos e de outros países.

Ao centro deste encontro estavam a oração comum, momentos de silêncio, meditação e cânticos, reflexão bíblica, experiências pessoais, hospitalidade e situação das comunidades cristãs locais.

“Vivemos esta iniciativa – escrevem numa mensagem líderes cristãos de Hong Kong – como um sinal de fé, esperança e amor, tão necessário hoje para o nosso mundo e para Hong Kong, em particular para promover justiça, reconciliação e paz. Devemos educar os nossos jovens nesse sentido, para que possam contribuir para transformar a sociedade. O encontro é uma grande oportunidade para os jovens receberem e compartilharem a fé com outros jovens”.

Entre os conferencistas do encontro destacam-se: o Arcebispo Paul Kwong, primaz anglicano de Hong Kong; o Cardeal John Tong Hon, Bispo de Hong Kong; o reverendo So Shing Yit Eric, presidente do Conselho Cristão de Hong Kong.

Desde a sua fundação, a comunidade, com uma abordagem ecuménica, promove a paz e a justiça através da oração e da meditação.

“A Peregrinação da Confiança – explicou o irmão Alois, prior da Comunidade Ecuménica de Taizé – é, antes de tudo, um encontro com Cristo ressuscitado e com os outros. Através da oração comum, todos se colocam à disposição de Deus. Com a partilha e a hospitalidade, todos aceitam superar as fronteiras e as diferenças para acolher e enriquecer-se mutuamente”.

A Comunidade Ecuménica de Taizé tornou-se um dos lugares mais importantes de peregrinação cristã no mundo. De facto, mais de cem mil jovens de todos os continentes visitam esta Comunidade, todos os anos, para rezar, ler e meditar sobre a Bíblia, trabalhar juntos e compartilhar suas experiências de maneira fraterna.

 

 

RÚSSIA

 

NAVIO-IGREJA PARA ORTODOXOS

NA SIBÉRIA

 

Uma jornada missionária única na Sibéria: trinta sacerdotes ortodoxos a bordo de um navio-igreja, que visita áreas remotas desta grande região da Rússia, áreas que necessitam de apoio espiritual e material.

 

O navio, que abriga uma pequena igreja dedicada ao Santo Apóstolo André, partiu de Novosibirsk, a capital do Distrito Federal da Sibéria, e passará por um total de quarenta e sete localidades pouco povoadas.

A iniciativa é promovida conjuntamente pelas autoridades regionais e pela diocese metropolitana de Novosibirsk. A ideia nasceu em 1996 – quando partiu a primeira expedição – e, em vinte e dois anos, mais de cem mil pessoas teriam sido beneficiadas pelo encontro com os sacerdotes ortodoxos. Elas também puderam receber tratamento médico.

“O principal objectivo de nossa viagem – lê-se num comunicado dos organizadores – é fornecer apoio espiritual e material às pessoas  que vivem em áreas isoladas da região de Novosibirsk. Todos os que desejarem podem receber o Baptismo, os santos Sacramentos da Comunhão e da Confissão, falar individualmente com um padre, convidar um sacerdote para visitar a sua casa,  receber água benta e ter acesso à literatura espiritual”.  

Pessoal especializado também está a bordo para ajudar os residentes locais que necessitam de assistência médica.

 

 

POLÓNIA

 

SEMINÁRIO SOBRE RECONCILIAÇÃO

 

Concluiu-se no passado dia 16 de Agosto em Auschwitz o IX workshop europeu sobre como enfrentar e resolver a violência do passado. A iniciativa foi organizada pela “Fundação São Maximiliano Maria Kolbe para o diálogo internacional e a solução dos conflitos”, fundada em 2007 com o apoio das Conferências episcopais polaca e alemã.

 

O arcebispo de Bamberg e presidente da Comissão Igreja no mundo da Conferência episcopal alemã, Mons. Ludwig Schick, recordou na sua homilia durante a Missa conclusiva do Encontro que a reconciliação precisa de reafirmar que o homem é bom e capaz de levar adiante bons princípios: “Crer que o homem é imagem de Deus é a base para a reconciliação entre as pessoas. Quem não crê no bem nas pessoas, não agirá em prol da reconciliação”.

Para o prelado alemão, “a base para qualquer diálogo de verdade e reconciliação é o reconhecimento da igualdade de todas as pessoas, que desejam justiça, paz, solidariedade e harmonia”, e recordou que o sacrifício de São Maximiliano Maria Kolbe em Auschwitz “ajuda-nos a reconhecer melhor o homem na sua psique e predisposição social”.

“Quando um companheiro de prisão ia ser enviado ao bunker da fome, São Maximiliano Kolbe ofereceu-se em seu lugar, e fez isso porque o amor de Cristo o impelia a dar um sinal de humanidade. De facto, para os cristãos é tarefa e missão proclamar o amor de Cristo, de modo que o maior número possível de homens difunda a civilização do amor”.

 

 

ESTADOS UNIDOS

 

ABUSOS NA PENSILVÂNIA,

UMA CATÁSTROFE MORAL

 

Com uma declaração após uma série de encontros, o presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos fala de um plano articulado para combater o horror dos abusos sobre menores perpetrados por membros da Igreja.

 

“Estamos diante de uma crise espiritual que requer não apenas a conversão espiritual, mas também mudanças práticas para evitar a repetição de pecados e fracassos do passado que são tão evidentes”.

Desta maneira, o cardeal Daniel Di Nardo, presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, comentou o relatório, divulgado nesta semana pelo Grande Júri da Pensilvânia sobre os abusos cometidos por expoentes da Igreja local.

 

Na sua declaração, o cardeal anunciou um plano articulado que irá envolver leigos, especialistas e o Vaticano, em três objectivos e três critérios para mudanças consideradas necessárias para atingir elevados padrões de segurança, transparência e responsabilidade no âmbito eclesial. O plano será submetido à assembleia dos bispos de Novembro em Baltimore e à Santa Sé.

O primeiro objectivo, lê-se na Declaração, “é uma investigação completa das questões relativas ao arcebispo McCarrick”, “necessária para evitar que se repitam” e para  “ajudar a proteger os menores, os seminaristas e outros sujeitos vulneráveis ​​no futuro”. A este respeito, o cardeal convida o Vaticano a uma Visita Apostólica para abordar essas questões.

O segundo objectivo, lê-se no texto, é “facilitar a comunicação de abusos e mau comportamento de bispos” e de terceiros, aperfeiçoando ou modificando instrumentos já existentes.

Finalmente, o terceiro objectivo é melhorar os procedimentos para resolver as reclamações contra os bispos.

Os critérios identificados para atingir esses objectivos, de acordo com as palavras do cardeal, são independência de julgamentos ou influências, respeito da autoridade na Igreja e o envolvimento substancial dos leigos.

No final da declaração, o cardeal pede desculpas e perdão pelo que foi cometido pelos bispos, com a admissão do fracasso da liderança episcopal, no que define uma verdadeira “catástrofe moral”, que inclui “também o facto de que muitos sacerdotes fiéis que buscam a santidade e servem com integridade”, escreve, “foram contaminados por este fracasso”.

“Estamos firmemente decididos, conclui o cardeal, com a ajuda da graça de Deus, a nunca mais se repetir isso”. “Não tenho ilusões sobre o facto de que a confiança nos bispos foi prejudicada por esses pecados e fracassos do passado. Será necessário muito trabalho para reconstruir essa confiança: o que descrevi aqui é apenas o começo; seguirão outros passos”.

 

 

ÁFRICA

 

PRESERVAR VALORES FUNDAMENTAIS

DAS CULTURAS AFRICANAS

 

“A Igreja em África tem a missão de preservar os valores fundamentais das culturas africanas e fazer com que esses valores, iluminados pelo Evangelho, dêem à Igreja africana capacidade de se deixar evangelizar para poder evangelizar o mundo de hoje” – palavras de D. José Câmnate, Bispo da Guiné-Bissau.

 

Baseando-se na mensagem de Bento XVI aos bispos africanos “África é o pulmão espiritual da humanidade”, Dom José Câmnate, bispo da Guiné-Bissau, diz que o agora Papa emérito com estas palavras “confiou à Igreja africana a missão de preservar os valores fundamentais das culturas africanas e fazer com que esses valores iluminados pelo Evangelho dêem à Igreja africana capacidade de se deixar evangelizar para poder evangelizar o mundo de hoje”.

Olhando para os mais diversos problemas da África, Dom José Câmnate disse que o bem-estar é um desejo do ser humano e a Igreja pode ajudar os países africanos a explorar melhor os recursos naturais de que dispõe e partilhar de maneira que os mais pobres possam sentir-se mais estimulados a erguer-se e a caminhar com os seus próprios pés.

 

 

ÍNDIA

 

INTERVENÇÃO DA IGREJA NO

DRAMA DAS INUNDAÇÕES EM KERALA

 

A Igreja católica tem estado na linha de frente nas horas dramáticas em que o Estado de Kerala é abalado por violentas e abundantes chuvas. 

 

Mais de 200 mil pessoas deslocadas encontraram abrigo em acampamentos temporários com a ajuda da Marinha e do Exército, que, entretanto continuam as operações de busca de vítimas.

Profunda a dor expressa numa declaração da Conferência Episcopal Católica da Índia (CBCI) pela “perda de vidas humanas e pelos danos às culturas, casas, animais e bens” causadas por estas “inundações sem precedentes”, uma “enorme catástrofe natural”. Os bispos também exprimem toda a sua proximidade às famílias das vítimas, aos feridos e àqueles que sofrem, e apreciam o “trabalho rápido e efectivo de socorro realizado pelas autoridades governamentais locais e estaduais”.

Nas palavras dos bispos, um agradecimento especial às autoridades pela exemplaridade com que manifestaram “solidariedade e ajuda, para além das divisões políticas e da pertença religiosa ou de classe”. Na primeira linha nos esforços de socorro, está a própria Igreja, que faz saber que abriu em várias dioceses, escolas eclesiásticas, paróquias e outros edifícios, para acolher pessoas deslocadas e ter começado a distribuição de alimentos, roupas e outros materiais de socorro para enfrentar uma situação de saúde que parece dramática.

Kerala, no Sul da Índia, famosa pelas suas praias imaculadas e plantações de chá, é atravessada todos os anos pelas monções, mas este ano as chuvas foram particularmente violentas.

 

 

COREIA

 

RECOMEÇARAM REENCONTROS DE

FAMÍLIAS SEPARADAS DESDE A GUERRA

 

Na semana que marcou o início do IX Encontro Mundial das Famílias, um facto significativo:  famílias das duas Coreias reencontraram-se no passado dia 20 de Agosto, no resort turístico do Monte Kumgang, na Coreia do Norte,  depois de décadas separadas pela Guerra da Coreia (1950-1953).

 

A iniciativa, dividida em duas partes, faz parte dos esforços para atenuar as tensões nas relações inter-coreanas, conforme concordado entre os dois líderes – o presidente sul-coreano Moon Jae-in e o “comandante supremo” Kim Jong-un – na reunião de cúpula realizada em 27 de Abril na fronteira de Panmunjon.

Para esta primeira sessão de encontros – de 20 a 22 de Agosto – Seul escolheu 89 pessoas, que se encontraram com 180 familiares que os aguardavam no outro lado da fronteira.

O segundo encontro realizou-se de 24 a 26 de Agosto e contou com 83 participantes escolhidos pela Coreia do Norte.

Os primeiros encontros foram definidos pelas duas Coreias em 1985, tendo sido acelerados após a reunião de cúpula Norte-Sul realizada no ano 2000. Desde então, incluindo as iniciativas por vídeo, mais de 20 mil pessoas puderam finalmente rever os próprios familiares até Outubro de 2015, último ano em que ocorreram os encontros, visto a deterioração das relações entre Seul e Pyongyan. No total, foram 20 os encontros realizados.

Esta nova série de emocionantes reencontros de familiares provocou emoção e muitas lágrimas. Longos e calorosos abraços permitiram superar ao menos em parte os limites impostos por fios de arame farpado e terrenos minados.

Segundo o governo sul-coreano, 56.890 cidadãos do Sul estavam separados de suas famílias no Norte desde a Guerra da Coreia.

 

 

IRLANDA

 

EMPRESA E FAMÍLIA

 

Segundo a Amoris laetitia, “a família é uma instituição humana querida e criada por Deus para o cuidado e a contínua existência da pessoa humana”, ressalta o cardeal Turkson no Encontro Mundial das Famílias, em Dublin.

 

“O business deve levar em conta os talentos individuais e satisfazer as necessidades da humanidade com bens autênticos e sustentáveis, num espírito de serviço e solidariedade para com a família humana.”

Foi o que disse o Prefeito do Dicastério vaticano para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, cardeal Peter Turkson, no seu pronunciamento no primeiro dia do Congresso pastoral no âmbito do Encontro Mundial das Famílias.

Ao introduzir, na noite do dia 22 de Agosto, o painel sobre “A vocação do líder empresarial: uma perspectiva de empresa familiar”, o purpurado ganense recordou que segundo a Amoris laetitia “a família é uma instituição humana querida e criada por Deus para o cuidado e a contínua existência da pessoa humana. Por isso, a pessoa humana é criada, não somente com dignidade, à imagem e semelhança de Deus, mas como homem e mulher, capazes, mediante a colaboração recíproca, de gerar filhos e cuidar deles”.

Se se compreende “também a tarefa da pessoa humana de cultivar e manter a terra, em termos de trabalho, então este é expressão da sua dignidade à imagem de Deus, de modo que o trabalho é entendido como vocação da pessoa humana a ser parceiro de Deus, colocando a Criação ao serviço das necessidades da pessoa humana, para o desenvolvimento e a elevação dos necessitados e a fim de que esta vocação seja entendida como dirigida pela “lógica do dom” para o “destino universal dos bens” da Terra”.

Nesta óptica, “a empresa é uma nobre vocação que organiza e desenvolve o trabalho para colocar a Criação e os seus recursos ao serviço do bem da família humana em geral” e, a esse propósito, “a família é um recurso para a sustentabilidade e o serviço de amor para os nossos filhos e para aqueles que virão depois de nós”, destacou ainda o cardeal Turkson.

 

 

SUÍÇA

 

MICHAEL SCHUMACHER

MOSTRA EMOÇÕES

 

Familiares do antigo piloto alemão da Fórmula 1, Michael Schumacher, revelaram à revista Paris Match que o antigo piloto consegue mostrar emoções.

 

“Na sua cadeira de rodas, diante de uma bela paisagem, com o panorama magnífico das montanhas ou de um lago, Michael por vezes chora”.

Não é a primeira vez que familiares do antigo piloto revelam que Schumacher mostra emoções.

Em Dezembro de 2014, o jornal italiano Corriere della Sera revelou que Michael Schumacher chorava ao ouvir as vozes da mulher e dos filhos. “No silêncio do seu quarto, quando sente os filhos, uma lágrima corre no rosto de Schumacher”, escrevia então o jornalista desportivo.

Michael Schumacher, 7 vezes campeão do mundo da Fórmula 1, encontra-se em casa em recuperação de um grave acidente de esqui em Méribel, nos Alpes Franceses, que a 29 de Dezembro de 2013 deixou o piloto entre a vida e a morte.

O ex-piloto foi submetido a duas intervenções cirúrgicas, das quais saiu em coma induzido, em estado crítico mas estável. Em Março de 2014, ainda em coma, Schumacher começou a respirar sem aparelhos, tendo tido alta em Setembro, para continuar a recuperação em casa, com a família mais próxima, na vila suíça de Gland, junto ao lago de Genebra.

Durante algum tempo, o ex-piloto parecia estar a reagir aos tratamentos, alimentando esperanças numa eventual recuperação.

Mas em Maio de 2016, Jean Todt, presidente da Federação Internacional de Automobilismo e antigo director desportivo da Ferrari, revelou detalhes sobre o estado de saúde do hepta-campeão – e as notícias não podiam ser piores. Segundo Todt, Michael Schumacher tinha piorado drasticamente – e tinha a vida por um fio.

Desde então, a família do alemão e a sua porta-voz, Sabine Kehm, optaram por não revelar detalhes do seu estado de saúde. Actualmente, além dos parentes e de alguns amigos muito próximos, ninguém conhece a real situação do ex-piloto.

É um caso edificante de amor da família pela vida do hepta-campeão, mesmo nas circunstâncias penosas em que se encontra.

 

 

INGLATERRA

 

BISPO PEDE AO PAPA

SÍNODO EXTRAORDINÁRIO

 

O bispo de Portsmouth escreveu ao Papa a pedir a convocação de uma reunião extraordinária do Sínodo dos Bispos, para abordar a questão dos abusos sexuais a menores dentro da Igreja Católica.

 

Na referida missiva, publicada na página online da Diocese de Portsmouth, Mons. Philip Egan refere-se a esta petição como “uma proposta construtiva” para contrariar o actual contexto negativo que ensombra a Igreja Católica.

“Os terríveis escândalos de abusos sexuais a menores por membros do clero, revelados na Pensilvânia; aos quais podemos acrescentar os casos no Chile, na Austrália, na Irlanda e agora aqui também na Inglaterra (…), como católico e como bispo estas revelações enchem-me de tristeza e vergonha”, frisa o bispo britânico.

Para o prelado, é fundamental que as estruturas da Igreja Católica se encontrem para buscar soluções.

“O Sínodo poderia começar com um congresso, com a participação dos bispos mas preparado por leigos e outros peritos nesta matéria e também na defesa das crianças e dos mais vulneráveis. Depois, os frutos desta primeira fase seriam a base de reflexão para o Sínodo dos Bispos propriamente dito”, sugere Mons. Philip Egan.

Entre outros temas, o bispo de Portsmouth salienta que para este encontro deveriam ser trazidos para cima da mesa temas como “a identidade do padre e do bispo”, também a questão do “celibato” e as suas premissas, e o estabelecimento de “medidas para responsabilizar e supervisionar” a missão dos sacerdotes e bispos.

“A lei canónica poderia depois ser revista, à luz dos resultados do Sínodo, e cada diocese seria chamada a aplicar as alterações, através do desenvolvimento de um Directório para o Clero”, acrescenta o mesmo prelado.

Mostrando-se extremamente preocupado com o momento actual da Igreja Católica, Mons. Philip Egan lamenta que aos bispos sejam dadas “poucas ferramentas para facilitar a gestão quotidiana do clero”, em contraposição com o que acontece por exemplo com a pastoral vocacional, nos seminários.

“Quando eu era formador no Seminário, nós passámos vários anos a desenvolver um sistema de análise e escrutínio, baseado na exortação apostólica “Dar-vos-ei Pastores”, para ajudar cada aluno a tomar responsabilidade pela sua formação. Por contraste, uma vez ordenados, os sacerdotes e bispos têm poucos momentos de avaliação formal ou de supervisão ministerial”, aponta o prelado.

 

Recorde-se que o Papa Francisco reagiu às recentes situações envolvendo a Igreja Católica, em diversas dioceses e países, também com uma Carta onde reafirma a necessidade de “tolerância zero” para os abusos sexuais a crianças cometidos por membros do clero, e apela à responsabilização de quem cometeu ou ocultou tais crimes.

“Olhando para o futuro, nunca será pouco tudo o que for feito para gerar uma cultura capaz de evitar que essas situações não só não aconteçam, mas que não encontrem espaços para serem ocultadas e perpetuadas”, sustentou o Papa argentino, num documento divulgado a 20 de Agosto.

 

 

IRLANDA

 

PAPA PEDE PERDÃO

PELOS ABUSOS COMETIDOS

 

No início da Missa celebrada na parte da tarde de 26 de Agosto, no Phoenix Park de Dublin, no encerramento do Encontro Mundial das Famílias, o Papa Francisco pronunciou o seguinte acto penitencial:

 

Ontem estive reunido com oito sobreviventes de abuso de poder, de consciência e sexual. Tomando o que eles me disseram, gostaria de colocar diante da misericórdia do Senhor estes crimes e pedir perdão por eles.

Pedimos perdão pelos abusos na Irlanda, abusos de poder e de consciência, abusos sexuais realizados por membros qualificados da Igreja.

Em particular, pedimos perdão por todos os abusos cometidos em diversos tipos de instituições dirigidas por religiosos e religiosas e outros membros da Igreja.

E pedimos perdão pelos casos de exploração do trabalho a que tantos menores foram submetidos.

Pedimos perdão pelas vezes que, como Igreja, não oferecemos aos sobreviventes de qualquer tipo de abuso, com acções concretas, a compaixão, e a busca de justiça e verdade. Pedimos perdão.

Pedimos perdão por alguns membros da hierarquia que não cuidaram dessas situações dolorosas e guardaram o silêncio. Pedimos perdão.

Pedimos perdão pelas crianças que foram separadas das suas mães e por todas aquelas vezes em que se dizia a muitas mães solteiras que tentavam encontrar os seus filhos que lhes foram separados, ou aos filhos que procuravam as suas mães, que se tratava de pecado mortal. Isto não é pecado mortal, mas sim o quarto mandamento! Pedimos perdão.

Que o Senhor mantenha e aumente este estado de vergonha e compunção, e nos dê a força para comprometer-nos a trabalhar para que isto nunca mais aconteça e para que se faça justiça.

Ámen.

 

 

AUSTRÁLIA

 

RESPOSTA ÀS RECOMENDAÇÕES PARA

COMBATER ABUSOS SEXUAIS CONTRA MENORES

 

A Conferência Episcopal e os Institutos religiosos responderam às Recomendações da “Comissão Real para combater os abusos sexuais contra menores”, reiterando a inviolabilidade do segredo da confissão.

 

No passado dia 31 de Agosto, a Conferência Episcopal e os Institutos Religiosos da Austrália divulgaram a resposta formal às Recomendações publicadas pela Comissão Real em 2017 destinadas a reformar o sistema penal para melhor proteger as crianças vítimas de abusos sexuais.

O documento começa com um agradecimento à Comissão pelo trabalho realizado e às vítimas pela coragem de terem informado o mais rapidamente possível.

“Às vítimas e às suas famílias apresentamos as nossas sinceras desculpas e sem reservas renovamos o nosso compromisso de fazer todo o possível para curar as feridas do abuso e tornar a Igreja um lugar realmente seguro para todos”.

Na mesma introdução é esclarecido que 98% das Recomendações foram levadas em consideração. Especificamente, 47 foram aceitas, 13 enviadas para a Santa Sé, uma está sujeita a mais estudos, 5 foram aceitas em linha de princípio, 12 são apoiadas e uma é apoiada em linha de princípio.

Somente uma recomendação foi completamente rejeitada. Trata-se daquela que pede que seja abolido o “segredo da confissão” e que seja apresentada denúncia às autoridades quando um padre se depara com um abuso durante o Sacramento da Reconciliação.

Neste ponto, a resposta reitera o “Não” já expresso pela Igreja australiana, porque – explica-se – impor a abolição do segredo no confessionário é contrário à fé católica, mas também à liberdade religiosa reconhecida pela lei australiana.

 

Com referência às Recomendações aceites ou apoiadas, o documento especifica que a Igreja na Austrália já as está aplicando; que as instituições eclesiásticas cumprirão qualquer lei futura sobre o assunto ou que estão adequando-se aos padrões estabelecidos pela própria Comissão Real.

Por outro lado, entre as Recomendações apresentadas pelos bispos australianos à atenção da Santa Sé figuram a possibilidade de introduzir o celibato voluntário para os sacerdotes (!), a introdução no Código de Direito Canónico de normas específicas para os abusos sexuais contra menores; a modificação do “segredo pontifício” nos casos de abuso sexual; a publicação das decisões tomadas pela Santa Sé e pelos Tribunais eclesiásticos; a modificação dos cânones relativos à destruição de documentos relacionados com crimes penais canónicos.

Junto ao Papa Francisco, reconhecem que “nenhum esforço para pedir perdão e buscar reparar o dano causado será o suficiente” e reafirmam o compromisso expresso pelo Santo Padre na Carta ao Povo de Deus, de “dar vida a uma cultura capaz de evitar que tais situações não só não se repitam, mas não encontrem espaço para serem encobertas e perpetuadas”.

As Recomendações da Comissão Real são o resultado de quatro anos de amplas investigações que trouxeram à tona cerca de 4.440 casos de abuso com menores cometidos entre 1980 e 2010, envolvendo 1.880 padres.

 

 

POLÓNIA

 

CENTRO DE ORAÇÃO PELA PAZ

 

A Polónia tem, a partir do sábado 1º de Setembro, um local de Oração pela Paz. Trata-se do Centro “Maria, Rainha da Paz”, inaugurado no convento franciscano de Niepokalanow, fundado por São Maximiliano Kolbe.

 

O convento franciscano de Niepokalanow (“Cidade da Imaculada”) foi fundado em 1927 por São Maximiliano Kolbe. Durante a II Guerra Mundial, o local ofereceu refúgio a muitos soldados, feridos na campanha polaca de 1939, e também a refugiados (como os 1.500 refugiados judeus da Polónia ocidental).

Diversos franciscanos foram presos pelos nazis e posteriormente mortos nos campos de extermínio. O próprio Maximiliano Kolbe morreu mártir em 14 de Agosto de 1941 no campo de concentração de Auschwitz, onde se ofereceu para salvar a vida de um pai de família, Franciszek Gajowniczek.

A inauguração do Centro realizou-se no 79º aniversário da invasão da Polónia pela Alemanha nazi de Hitler e o começo da Segunda Guerra Mundial.

 

 


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