Nosso Senhor Jesus Cristo Rei

25 de Novembro de 2018

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Cordeiro que foi imolado, J. Santos, NRMS 92

Ap 5, 12; 1, 6

Antífona de entrada: O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder e a riqueza, a sabedoria, a honra e o louvor. Glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Eis-nos na conclusão do ano litúrgico, com a Solenidade de Cristo Rei e Senhor do Universo. O Concílio Vaticano II situa esta solenidade como «remate» final do tempo comum e, portanto, como final do ano litúrgico. O seu significado é o de que Cristo é o Senhor e reinará para sempre. Não se trata de uma monarquia religiosa nem da aliança entre o trono e o altar. Mas de afirmar que nenhuma realidade deste tempo esgota em absoluto toda a grandeza do Reino inaugurado por Jesus Cristo. O desejo do Reino é um dos desejos mais profundos que invocamos na Oração dos Filhos de Deus. O Reino foi o centro da pregação de Jesus e a causa pela qual Ele deu a vida.

 

Kyrie

 

Senhor, Testemunha fiel da Verdade,

tende piedade de nós!

 

Cristo, Príncipe dos Reis da Terra,

tende piedade de nós!

 

Senhor, Alfa e Ómega, princípio e fim da nossa vida,

tende piedade de nós!

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que no vosso amado Filho, Rei do universo, quisestes instaurar todas as coisas, concedei propício que todas as criaturas, libertas da escravidão, sirvam a vossa majestade e Vos glorifiquem eternamente. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A primeira leitura apresenta-nos um reino invencível e eterno. A promessa realizar-se-á em Jesus Cristo. Escutemos.

 

Daniel 7, 13-14

13Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. 14Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, não passará jamais, e o seu reino não será destruído.

 

A leitura é tirada da 2ª parte do livro de Daniel, a parte profética (7 – 12). O contexto é a descrição, em estilo apocalíptico, do julgamento divino, com três quadros: a apresentação do Juiz, Deus, (vv. 9-10); a destruição do reino inimigo (vv. 11-12); e o estabelecimento do reino de Deus, donde são tirados os vv. 13-14, em forma poética, que correspondem à leitura de hoje.

13 «Alguém semelhante a um filho de homem». Os exegetas, partindo da análise do contexto (vv. 18.22-27), dizem que o sentido literal directo desta expressão visa não um indivíduo singular, mas o povo dos «santos do Altíssimo» (v. 18). Contudo, como sucede frequentemente, o que é dito em geral acerca de todo o povo entende-se, de um modo eminente – sentido eminente –, como referido a uma personagem singular, nomeadamente o chefe do povo, neste caso o próprio Messias. O judaísmo assim o entendeu, (como também as palavras de Jesus em Mt 24, 30; 26, 64); discute-se, porém, se «Filho do Homem» é um verdadeiro título cristológico (assim parece em Lc 1, 32-33; Mt 8, 20; 24, 30; 26, 64; Apoc 1, 7; 14, 14), ou uma maneira discreta de Jesus se referir a si mesmo (uma figura chamada asteísmo: filho do homem equivalendo a este homem); uma coisa, porém, é certa: este não era um título com que Jesus fosse tratado nem pelo povo da Palestina, nem pela Igreja primitiva; a expressão aparece sempre nos lábios de Jesus; fora dos Evangelhos, só se encontra em Act 7, 56 e em Apoc 1, 13; 14, 14. Os que a entendem como um título cristologico sublinham o seu carácter simultaneamente humilde e glorioso, humano e divino. De qualquer modo, diante de Caifás Jesus cita esta passagem de Daniel referindo-a a si (cf. 26, 24). Bento XVI desenvolve a importância dada a este título (Jesus de Nazaré, pp. 398-413).

«O Ancião venerável» (à letra, «o antigo em dias») é uma forma antropomórfica de falar de Deus eterno (cf. 36, 26; Salm 102(101), 25-26; Is 41, 4).

 

Salmo Responsorial     Sl 92 (93), 1ab.1c-2.5 (R. 1a)

 

Monição: Cantemos com o salmista a glória do nosso Rei.

 

Refrão:        O Senhor é rei num trono de luz.

 

O Senhor é rei,

revestiu-Se de majestade,

revestiu-Se e cingiu-Se de poder.

 

Firmou o universo, que não vacilará.

É firme o vosso trono desde sempre,

Vós existis desde toda a eternidade.

 

Os vossos testemunhos são dignos de toda a fé,

a santidade habita na vossa casa

por todo o sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Cristo, pelo seu testemunho, é o único a merecer toda a honra e toda a glória. Assim canta a liturgia celeste evocada pelo último livro da Bíblia.

 

Apocalipse 1, 5-8

5Jesus Cristo é a Testemunha fiel, o Primogénito dos mortos, o Príncipe dos reis da terra. Aquele que nos ama e pelo seu sangue nos libertou do pecado 6e fez de nós um reino de sacerdotes para Deus seu Pai, a Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amen. 7Ei-l'O que vem entre as nuvens, e todos os olhos O verão, mesmo aqueles que O trespassaram; e por sua causa hão-de lamentar-se todas as tribos da terra. Sim. Amen. 8«Eu sou o Alfa e o Ómega», diz o Senhor Deus, «Aquele que é, que era e que há-de vir, o Senhor do Universo».

 

Estes breves versículos fazem parte da saudação inicial do autor, uma saudação enviada da parte do Deus uno e trino, particularmente de Jesus Cristo. Ao referir-se a Cristo, apresenta-o numa rica síntese, como hoje se diz, who is who, quem é Ele, e o que Ele fez por nós. Ele é o Senhor da História! Logo de início fica bem vincado o colorido litúrgico da obra, levando-nos a sentir na terra o ecoar das aclamações celestes a Cristo morto e ressuscitado; logo de início temos dois «Amen» (vv. 6.7), a resposta litúrgica que continua a ecoar na Igreja orante e celebrante.

5-7 «Testemunha fiel» da verdade de Deus: Jesus é testemunha – mártir (assim se diz em grego) – por antonomásia, uma vez que pela verdade se deixou matar (cf. Jo 18, 37; 1 Tim 6, 13). «O primogénito dos mortos» (cf. Col 1, 18), com efeito, antes de Cristo ninguém ressus­citou para não tornar a morrer. O Aquinatense explica que, pela sua Ressurreição, Jesus é a causa meritória e exemplar e causa eficiente instrumental da nossa própria ressurreição (cf. 1 Cor 15, 2a-23). Esta expressão implica uma imagem curiosa em que a morada dos mortos – o Xeol – é considerada corno uma mulher grávida, e a ressurreição corno um parto (cf. 4 Esdr 4, 3342). «O Soberano dos reis da Terra», com uma realeza que é própria de Yahwéh (cf. os Salmos reais), com quem Jesus se identifica enquanto Deus. Parece haver nesta expressão uma certa réplica de protesto em face do imperador romano que se arrogava uma soberania universal e absoluta. «Fez de nós um reino de sacerdotes para Deus», isto é para Lhe dar glória e louvor, como se vê adiante em 5, 9-10; vejam-se os lugares paralelos de Ex 19, 6 e de 1 Pe 2, 5.9 (cf. Vaticano II, LG 10). «Ei-lo que vem sobre as nuvens...» Cf. 1ª leitura (Dan 7, 13) e Zac 12, 10.14; Jo 19, 37; Mt 24, 30.

8 «Eu sou o Alfa e o Ómega». Com a referência à primeira e última letra do alfabeto grego, o autor quer dizer que Deus tudo abarca no tempo (o passado, o presente e o futuro) e no espaço (Senhor do Universo – pantokrátor). Este título é igualmente dado a Cristo em Apoc 22, 13.

 

Aclamação ao Evangelho          Mc 11, 9.10

 

Monição: Aclamemos a Jesus, nosso Deus e Senhor, que diante de Pilatos afirma que é Rei.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação-2, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Bendito o que vem em nome do Senhor,

bendito o reino do nosso pai David.

 

 

Evangelho

 

São João 18, 33b-37

Naquele tempo, 33bdisse Pilatos a Jesus: «Tu és o Rei dos judeus?» 34Jesus respondeu-lhe: «É por ti que o dizes, ou foram outros que to disseram de Mim?» 35Disse-Lhe Pilatos: «Porventura eu sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes é que Te entregaram a mim. Que fizeste?» 36Jesus respondeu: «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui». 37Disse-Lhe Pilatos: «Então, Tu és Rei?» Jesus respondeu-lhe: «É como dizes: sou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».

 

A leitura de hoje deixa claro em que consiste a realeza de Jesus, na maneira como se comporta em face da acusação feita à autoridade imperial. As razões para as autoridades judaicas eliminarem Jesus eram de natureza religiosa, mas Ele é denunciado ao prefeito romano – a quem não interessavam as questões de natureza religiosa –, como um conspirador político: «rei dos judeus». Jesus responde a Pilatos com uma pergunta: «É por ti que o dizes, ou foram outros…?» (v. 34), o que não é um subterfúgio, mas um meio de esclarecer bem qual o ponto de vista para falar de Si como rei. A resposta de Pilatos – «Mas serei eu judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes é que Te entregaram a mim» (v. 35) – mostra como ele apenas se interessa por questões de natureza política, não pretendendo imiscuir-se em questões de natureza religiosa («serei eu judeu?»). Mas Jesus, que não podia negar a sua realeza, distancia-se igualmente da perspectiva nacionalista judaica, afirmando o carácter transcen­den­te da sua realeza (cf. Rom 14, 17), o que punha a sua missão ao abrigo de qualquer suspeita: «o meu reino não é deste mundo» (v. 36); visa manifestar a verdade e está ao serviço dela (v. 37). E a prova cabal de que o seu reino não é terreno é que não tinha homens armados a lutar por Ele: então, «os meus guardas lutariam…» (v. 36). O reinado de Deus implica uma submissão, mas esta não colide com qualquer autoridade humana, nem rebaixa o homem na sua dignidade, pois é entrar no âmbito da verdade, é submeter-se à Verdade, que é Jesus-Deus, e «a Verdade liberta» (Jo 8, 32). O reinado universal de Cristo é um «reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz» (prefácio da Missa).

 

Sugestões para a homilia

 

1. Conhecer Jesus

2. Perante Jesus

3. A ressurreição: poder divino.

4. ...e nós?

5. Dar testemunho

 

1. Conhecer Jesus

Hoje a Igreja apresenta-nos a festa de Cristo Rei, lembrando-nos que se torna cada vez mais urgente conhecer e viver melhor a nossa fé, pois sabe-se pouco sobre Jesus. Parece que as pessoas andam mais entretidas com outros interesses. Nós próprios muitas vezes julgamos que sabemos tudo e afinal temos uma ideia ainda muito pobre sobre Jesus Cristo. Precisamos de ir mais além no conhecimento da pessoa e do amor de Cristo, para podermos viver melhor a Sua mensagem.

 

2. Perante Jesus

É curioso notar que ninguém pode ficar indiferente perante Jesus Cristo. E porquê? Porque Ele foi um homem fora do vulgar, com uma mensagem fora do comum. Era um homem livre, cuja beleza atraía as pessoas. O olhar de Jesus impressionava a quem o encontrava; era um olhar que falava.

Jesus amava e amava muito. Um amor muito grande para com as crianças. Sabia compreendê-las, uma coisa que os adultos poucas vezes sabem. Quando falamos com elas só sabemos perguntar-lhes quantos anos têm, como se chamam... Coisas que não lhes interessam nadar Jesus pelo contrário, dizia: «Deixai que as crianças venham a mim!».

Jesus amava os amigos. Tinha um grande sentido de amizade. Quando soube que o seu amigo Lázaro tinha morrido, diz o Evangelho que Jesus chorou. E dentro dos seus amigos, tinha alguns que eram preferidos: Pedro, João e Tiago.

Jesus amava o povo. Sentia-se plenamente israelita. Disse que tinha procurado juntar o Seu povo, como a galinha acolhe os seus filhos debaixo das asas. E mesmo sendo rejeitado pelo Seu povo, Ele continua a amá-los, perdoando-lhes na cruz e dando a salvação.

Jesus amava os pobres, os doentes e os pecadores. Estava Ele a jantar em casa dum fariseu e entra uma mulher, que começou a perfumar-lhe os pés. Jesus perdoa-lhe os pecados e envia-a em paz.

 

3. A ressurreição: poder divino.

Mas Jesus é mais do que um homem, é Filho de Deus. E provou-o ao ressuscitar ao 3° dia. Ele vive!!

Não estava ninguém com uma câmara de filmar junto ao túmulo no momento da ressurreição. Mas é um facto histórico que os discípulos, que depois da morte de Jesus ficaram tristes e desiludidos, sentiram fortemente que Jesus estava vivo. Ficaram tão entusiasmados que partiram por todo o mundo a anunciar que Cristo está vivo e a convidar as pessoas a aceitar a Sua proposta de vida nova. Transmitiram com tanta coragem a boa notícia da ressurreição de Jesus, que até se deixaram matar.

Depois deles, ao longo dos séculos, os cristãos continuam o mesmo anúncio: Ele está vivo! Está no meio de nós! Isto é maravilho! Deus está connosco! Será que, como cristãos que somos, sentimos em nós esta alegria de saber que Jesus vive, que está a meu lado, que é meu amigo e companheiro?

 

4. ...e nós?

Ora se ninguém fica indiferente perante Jesus, também nós não seremos exceção. Quem dizemos que nós que é Jesus? Quem é Cristo na nossa vida?

Vivendo numa sociedade que procura esquecer Deus, somos interpelados a responder à pergunta que outrora Jesus fez aos Seus discípulos: «E vós, quem dizeis que Eu sou?»

Se Jesus aparecesse aqui neste momento e nos fizesse essa pergunta que Lhe responderíamos? Não valem respostas copiadas de catecismos, nem frases já muito repetidas. Cada pessoa, se quer sentir o orgulho de ser cristão, deverá dar a sua resposta pessoal.

Jesus deseja saber qual a nossa resposta. Insiste em bater à porta de cada pessoa para oferecer a Sua salvação e felicidade. Como canta o Frei Hermano da Câmara tem um fado que diz: «Jesus Cristo anda na rua / cansado de mendigar, / a bater de porta em porta; /bateu na minha e na tua. / Para Jesus poder entrar, / responder é o que importa.»

Será que vamos abrir a porta do nosso coração? Sim, irmãos, deixemos Cristo entrar para que Ele nos ensine o Caminho, a Verdade e nos dê a vida.

 

5. Dar testemunho

É que Jesus, mesmo que alguns pensem o contrário, está vivo e presente no meio de nós. E por isso ser cristão é seguir a Cristo vivo, é ter Cristo no centro de tudo.

Somos convidados a dar testemunho de Cristo vivo. Todos, desde o mais pequeno ao mais idoso, devem fazê-lo na sua vida diária, mostrando que vale a pena ser cristão.

Já ouvimos muito sobre Cristo, já lemos e estudámos bastante sobre Ele. Está na altura de tomar uma opção! Daí que o Senhor nos interrogue: «Também vós quereis ir embora?» Deus respeita a nossa liberdade, mas exige uma resposta. Que lhe diremos? Façamos nossas as palavras de S. Pedra: «Para quem iremos nós, Senhor? Só Tu tens palavras de vida eterna!»

Caros irmãos, nesta festa de Cristo Rei, comecemos por reconhecer Jesus Cristo como Rei da nossa vida e, como Ele, dêmos testemunho da verdade (Cf. Jo 18,37) para que todos possam conhecer e amar Jesus, o único Salvador do mundo, ontem, hoje e sempre!

 

Fala o Santo Padre

 

«Quando se revelou Jesus como Rei? No evento da Cruz!

Para o cristão, falar de poder e de força significa fazer referência ao poder da Cruz e à força do amor de Jesus: um amor que permanece firme e íntegro, inclusive diante da rejeição.»

 

Neste último domingo do ano litúrgico, celebramos a solenidade de Cristo Rei do universo. E o Evangelho de hoje leva-nos a contemplar Jesus que se apresenta a Pilatos como Rei de um reino que «não é deste mundo» (Jo 18, 36). Isto não significa que Cristo é Rei de outro mundo, mas que é Rei de outro modo, e no entanto é Rei neste mundo. Trata-se de um contraste entre duas lógicas. A lógica mundana está assente sobre a ambição, sobre a competição, combate com as armas do medo, da chantagem e da manipulação das consciências. A lógica do Evangelho, ou seja a lógica de Jesus, ao contrário, exprime-se na humildade e na gratuitidade, afirma-se silenciosa mas eficazmente, com a força da verdade. Às vezes, os reinos deste mundo baseiam-se em prepotências, rivalidades e opressões; o reino de Cristo é um «reino de justiça, de amor e de paz» (Prefácio).

Quando se revelou Jesus como Rei? No evento da Cruz! Quem contempla a Cruz de Cristo não pode deixar de ver a surpreendente gratuitidade do amor. Um de vós pode dizer: «Mas Padre, isto foi um fracasso!». É precisamente na falência do pecado — o pecado é um fracasso — na falência das ambições humanas que há o triunfo da Cruz, a gratuitidade do amor. No fracasso da Cruz vê-se o amor, o amor que é gratuito, que Jesus nos oferece. Para o cristão, falar de poder e de força significa fazer referência ao poder da Cruz e à força do amor de Jesus: um amor que permanece firme e íntegro, inclusive diante da rejeição, e que se manifesta como o cumprimento de uma vida dedicada na oferta total de si a favor da humanidade. No Calvário, os transeuntes e os chefes zombam de Jesus crucificado, e lançam-lhe o desafio: «Salva-te a ti mesmo, desce da Cruz!» (Mc 15, 30). «Salva-te a ti mesmo!». No entanto, paradoxalmente, a verdade de Jesus é aquela que, em tom de escárnio, lhe lançam os seus adversários: «Não consegue salvar-se a si mesmo!» (v. 31). Se Jesus tivesse descido da Cruz, teria cedido à tentação do príncipe deste mundo; ao contrário, Ele não pode salvar-se a si mesmo precisamente para poder salvar os outros, porque entregou a sua vida por nós, por cada um de nós. Dizer: «Jesus deu a sua vida pelo mundo» é verdade, mas é mais bonito afirmar: «Jesus deu a sua vida por mim!». E hoje, aqui na praça, cada um de nós diga no seu coração: «Ele deu a sua vida por mim!», para poder salvar cada um de nós dos nossos pecados.

E quem compreendeu isto? Quem o entendeu bem foi um dos malfeitores crucificados juntamente com Ele, chamado o «bom ladrão», que o suplica: «Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino!» (Lc 23, 42). Ma ele era um malfeitor, um corrupto e fora condenado à morte precisamente por todas as brutalidades que tinha cometido durante a sua vida. No entanto, na atitude de Jesus, na mansidão de Jesus, ele viu o amor. Esta é a força do reino de Cristo: é o amor. Por isso, a realeza de Jesus não nos oprime, mas liberta-nos das nossas debilidades e misérias, encorajando-nos a percorrer os caminhos do bem, da reconciliação e do perdão. Contemplemos a Cruz de Jesus, olhemos para o bom ladrão e repitamos todos juntos aquilo que o bom ladrão disse: «Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino!». Todos juntos: «Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino!». Quando nos sentirmos frágeis, pecadores e derrotados, peçamos a Jesus que olhe para nós, dizendo-lhe: «Tu estás ali. Não te esqueças de mim!».

Diante das numerosas lacerações no mundo e das demasiadas feridas na carne dos homens, peçamos à Virgem Maria que nos ampare no nosso compromisso de imitar Jesus, nosso Rei, tornando presente o seu reino com gestos de ternura, de compreensão e de misericórdia.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 22 de Novembro de 2015

 

Oração Universal

 

Irmãos caríssimos: Cristo é Rei do Universo e Senhor da Igreja. Por Ele, com Ele e n'Ele, oremos ao Pai pelo mundo inteiro, dizendo com toda a confiança:

 

R. Senhor, venha a nós o vosso reino.

 

1.     Pelas Igrejas do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul,

que Deus alimenta com a Palavra e o Pão da vida:

para que floresça a unidade e a santidade entre todos os seus fiéis. Oremos.

 

2.     Pelo Papa Francisco, pelo nosso bispo, pelos seus presbíteros e diáconos

e por todos os fiéis da Igreja: para que imitem, na dor e no amor,

Aquele que Se fez servo de todos. Oremos.

 

3.     Pelos que têm poder e não o sabem exercer; e por aqueles a quem a verdade não importa:

para que deixem de praticar a injustiça, e procurem a retidão. Oremos.

 

4.     Pelos nossos irmãos que já partiram marcados com o sinal da mesma fé,

para que brilhe para eles a luz eterna, oremos.

 

5.     Por todos nós aqui presentes, para que a certeza do juízo final e da vida eterna

nos torne mais responsáveis pela vida presente e construtores do Reino de Deus. Oremos.

 

P- Deus nosso Pai, que fizestes de vosso Filho o Rei que manifesta o seu poder no amor e no perdão, estendei o seu reinado a todo o que sofre e chora por não ser respeitado nem amado. Por Nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Todas as nações recebeu em herança, M. Faria, NRMS 3(II)

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, este sacrifício da reconciliação humana e, pelos méritos de Cristo vosso Filho, concedei a todos os povos o dom da unidade e da paz. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

Cristo, Sacerdote e Rei do universo

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte.

Com o óleo da alegria consagrastes Sacerdote eterno e Rei do universo o vosso Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor, para que, oferecendo-Se no altar da cruz, como vítima de reconciliação, consumasse o mistério da redenção humana e, submetendo ao seu poder todas as criaturas, oferecesse à vossa infinita majestade um reino eterno e universal: reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de Justiça, de amor e de paz.

Por isso, com os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: Santo I, H. Faria, NRMS 103-104

 

Monição da Comunhão

 

“Fazer da mão um trono...” Cirilo de Jerusalém, do século IV, na sua catequese sobre a Eucaristia descreve-nos como se devem abeirar os cristãos da Eucaristia: “Quando te aproximares para receber o Corpo de Cristo, não te aproximes com as palmas das mãos estendidas, nem com os dedos separados, mas como que fazendo da tua mão esquerda um trono para a tua direita, onde se sentará o Rei. Com a cavidade da mão, recebe o Corpo de Cristo e diz «Amen».”

 

Cântico da Comunhão: Se escutais a Jesus Cristo, M. Carneiro, NRMS 92

Sl 28, 10-11

Antífona da Comunhão: O Senhor está sentado como Rei eterno; O Senhor abençoará o seu povo na paz.

 

Cântico de acção de graças: Povos, batei palmas, C. Silva, NRMS 48

 

Oração depois da Comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da imortalidade, fazei que, obedecendo com santa alegria aos mandamentos de Cristo, Rei do universo, mereçamos viver para sempre com Ele no reino celeste. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ide. Sede testemunhas de verdade. Testemunhas da Verdade que é Cristo  e é Rei no trono da Cruz!

 

Cântico final: Aleluia! Glória a Deus, F. da Silva, NRMS 92

 

 

Homilias Feriais

 

34ª SEMANA

 

2ª Feira, 26-XI: Vida eterna e desprendimento.

Ap 14, 1-3. 4-5 / Lc 21, 1-4

Viu também uma viúva pobrezinha deitar lá duas moedas. Esta viúva deitou mais do que todos.

Quem quiser ser discípulo de Jesus deve viver o desprendimento dos bens materiais: «Jesus impõe aos seus discípulos que O prefiram a todos os seus bens por causa dEle e do Evangelho» (CIC, 2544)). De facto, «são eles que seguem o Cordeiro para onde quer que Ele vá» (Leit.).

Mas este desprendimento é também necessário para entrar no reino dos Céus: «Pouco antes da sua Paixão, deu-lhes o exemplo da viúva pobre de Jerusalém que, da sua penúria, deu tudo o que tinha para viver (Ev.). O preceito do desapego das riquezas sé necessário para entrar no reino dos Céus» (CIC, 2544). Basta lembrar a respectiva bem-aventurança.

 

3ª Feira, 27-XI: Vitória do reino de Cristo.

Ap 14, 14-19 / Lc 21, 5-11

Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Mestre, por que será tudo isto? Que sinal haverá de que está para acontecer?

Jesus profetiza a destruição do Templo de Jerusalém (Ev.) Mas também se refere ao fim dos tempos: «Já chegou a plenitude dos tempos, a renovação do mundo já está irrevogavelmente adquirida e, de certo modo, encontra-se já realmente antecipada neste tempo» (CIC, 670).

Mas entretanto, o reino de Cristo «é ainda atacado pelos poderes do mal, embora  estes já tenham sido radicalmente vencidos pela Páscoa de Cristo. Por este motivo, os cristãos oram, sobretudo na Eucaristia, para que se apresse o regresso de Cristo, dizendo-lhe: 'Vem, Senhor'» (CIC, 671).

 

4ª Feira, 28-XI: Firmeza nas tribulações.

Ap 15, 1-4 / Lc 21, 12-19

Deitar-vos-ão as mãos e hão-de perseguir-vos, para vos entregarem às sinagogas e às prisões.

«Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes. A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na terra (Ev.), porá a descoberto o 'mistério da iniquidade'» (CIC, 676).

No meio dos obstáculos e dificuldades havemos de esforçar-nos por nos mantermos firmes. Esta fidelidade é possível porque se apoia em Deus «Porque só vós sois Santo, e todas as nações virão prostrar-se diante de vós» (Leit.). Pela nossa parte, procuraremos viver a fidelidade nas coisas pequenas; recomeçar quando nos desviamos, retirar os obstáculos que dificultam a união com Deus.

 

5ª Feira, 29-XI: O Juízo final e a conversão.

Ap 18, 1-2. 21-23; 19, 1-3. 9 / Lc 1, 20-28

Nessa altura verão o Filho do Homem vir numa nuvem, com grande poder e majestade.

A consumação do reino far-se-á por uma vitória de Deus sobre o último desencadear do mal: «Condenou a grande meretriz, que corrompia a Terra com a sua imoralidade e nela fez justiça ao sangue dos seus servos (Leit.).

Quando se der esta vinda gloriosa de Cristo (Ev.) terá lugar o juízo final. «A mensagem do juízo final é um apelo à conversão, enquanto Deus dá ainda aos homens o tempo favorável, o tempo da salvação» (CIC, 1041). Procuremos dar uma resposta a esta mensagem através de pequenas conversões diárias.

 

6ª Feira, 30-XI:  Sto André: Vocação e missão.

Rom 10, 9-18 / Mt 4, 18-22

 Quando viu dois irmãos: Simão, que é chamado Pedro, e seu irmão André... Eles deixaram logo as redes e seguiram-no.

Santo André foi dos primeiros a ouvir o chamamento do Senhor e a segui-lo (Ev.). Todos recebemos a vocação cristã que, ao longo da vida, se vai concretizando em novos apelos do Senhor, para nos identificarmos mais com Ele, para melhorarmos o nosso trabalho, a vida familiar, as virtudes. Precisamos levar à prática estes apelos do Senhor.

Depois da vocação, vem a missão: «A voz deles propagou-se por toda a terra, e as suas palavras até aos confins da terra» (Leit.). Santo André, segundo a tradição, pregou o Evangelho na Grécia, e morreu na Acaia, crucificado numa cruz em forma de X.

 

Sábado, 1-XII:  Vigilância e oração.

Ap 22, 1-7 / Lc 21, 34-36

O trono de Deus e do Cordeiro estará na cidade, e os seus servos irão prestar-lhe culto, irão vê-lo frente a frente.

S. João refere-se ao Céu. «Os que morrem na graça e na amizade de Deus, e estiverem perfeitamente purificados, viverão para sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, porque o verão tal como Ele é, face a face (Leit.)» (CIC, 1023).

Para preenchermos estas condições, temos que lutar durante toda a nossa vida. Esta vigilância estende-se ao campo da oração: «Velai e orai em todo o tempo» (Ev.); da mortificação, lutando contra tudo aquilo que torna pesados os nossos corações: «a intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida» (Ev.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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