33º Domingo Comum

18 de Novembro de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Chegue até vós, Senhor, F. dos Santos, NCT 213

Jer 29, 11.12.14

Antífona de entrada: Os meus pensamentos são de paz e não de desgraça, diz o Senhor. Invocar-Me-eis e atenderei o vosso clamor, e farei regressar os vossos cativos de todos os lugares da terra.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Liturgia deste Domingo, não pretende anunciar o fim do mundo, mas dizer-nos o modo Cristão de vivermos o dia a dia. A Palavra de Deus e fonte de Esperança. Somos convidados a Acolher no nosso Coração a Palavra que o Senhor Hoje nos vai anunciar e Celebrar os principais mistérios da Nossa Fé com mais intimidade.

Porque nem sempre temos vivido o Encontro com o Senhor com Esperança, numa atitude de arrependimento sincero e conversão interior, peçamos perdão a Deus e aos Irmãos.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, concedei-nos a graça de encontrar sempre a alegria no vosso serviço, porque é uma felicidade duradoira e profunda ser fiel ao autor de todos os bens. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: os Judeus viviam um momento histórico bastante difícil devido á perseguição que lhes era movida por Antíoco Epifânio, príncipe da Síria. O Povo interrogava-se sobre quando acabaria os muitos sofrimentos porque estava a passar. Perante esta situação o autor do texto, que vamos escutar procura palavras de Esperança e de Consolação.

 

Daniel 12, 1-3

1Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande chefe dos Anjos, que protege os filhos do teu povo. Será um tempo de angústia, como não terá havido até então, desde que existem nações. Mas nesse tempo, virá a salvação para o teu povo, para aqueles que estiverem inscritos no livro de Deus. 2Muitos dos que dormem no pó da terra acordarão, uns para a vida eterna, outros para a vergonha e o horror eterno. 3Os sábios resplandecerão como a luz do firmamento e os que tiverem ensinado a muitos o caminho da justiça brilharão como estrelas por toda a eternidade.

 

O texto, seleccionado em função do discurso escatológico do Evangelho, é tirado da segunda parte do livro de Daniel (7, 1 – 12, 13), que consta de quatro visões. Estamos no desenlace final das guerras que se seguem à última visão: após a derrota de Antíoco IV Epífanes, «então chegará o fim e não haverá ninguém que lhe preste auxílio» (11, 45). A partir da «angústia» das guerras da época, o autor, à maneira do estilo apocalíptico, leva-nos a dar o salto para os tempos finais e decisivos, dos quais a situação presente não é mais do que um prenúncio e um prelúdio: a salvação final virá de Deus, trazida pela mediação de Miguel, o anjo protector do povo de Israel, «o grande chefe dos Anjos», uma figura que também aparece em Dan 10, 13.20-21 e em Apoc 12, 7-9; o seu nome hebreu, «mi-ka-El», significa «quem como Deus?»; de patrono do antigo povo de Deus, passou a patrono da Igreja, o novo Israel de Deus, que lhe presta especial culto.

A salvação aparece como reservada «para aqueles que estiverem inscritos no livro de Deus», isto é, para aqueles que permaneceram fiéis a Deus. A imagem do livro da vida é corrente no Antigo Testamento, donde passa para o Novo; se fosse hoje, teríamos a imagem da base de dados. O autor sagrado situa-nos numa perspectiva nova, que representa um grande avanço relativamente à pregação dos profetas, que, ao falarem de ressurreição, visavam uma ressurreição colectiva do povo, a sua restauração (cf. Is 26, 19; Ez 37); o livro 2º dos Macabeus também fala duma ressurreição individual, que não é a pura imortalidade helénica, mas limita-se a referi-la ao caso dos mártires (2 Mac 7, 9-14.29; 12, 43-44). Dan 12, 2 fala de uma ressurreição com duas sortes opostas e definitivas: para «uns será para a vida eterna», para outros será «para a vergonha e o horror eterno» (cf. Jo 5, 29; Mt 25, 34.41.46).

 

Salmo Responsorial     Sl 15 (16), 5.8.9-10.11 (R. 1)

 

Monição: O Salmo de meditação é uma Oração de resposta á primeira Leitura. Exprime a inteira confiança e entrega a Deus, tanto do individuo como da comunidade.

 

Refrão:        Defendei-me, Senhor: Vós sois o meu refúgio.

 

Ou:               Guardai-me, Senhor, porque esperei em Vós.

 

Senhor, porção da minha herança e do meu cálice,

está nas vossas mãos o meu destino.

O Senhor está sempre na minha presença,

com Ele a meu lado não vacilarei.

 

Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta

e até o meu corpo descansa tranquilo.

Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos,

nem deixareis o vosso fiel sofrer a corrupção.

 

Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida,

alegria plena em vossa presença,

delícias eternas à vossa direita.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Toda a vida, paixão e morte de Cristo é total acto de oferta a Deus em favor da Salvação do Seu povo. Esta leitura é constituída como uma aclamação de Louvor em honra dessa oferta redentora da humanidade.

 

Hebreus 10, 11-14.18

11Todo o sacerdote da antiga aliança se apresenta cada dia para exercer o seu ministério e oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca poderão perdoar os pecados. 12Cristo, ao contrário, tendo oferecido pelos pecados um único sacrifício, sentou-Se para sempre à direita de Deus, 13esperando desde então que os seus inimigos sejam postos como escabelo dos seus pés. 14Porque, com uma única oblação, Ele tornou perfeitos para sempre os que Ele santifica. 15Onde há remissão dos pecados, já não há necessidade de oblação pelo pecado.

 

O texto é extraído da 1ª parte do capítulo 10 da Hebreus, onde se faz uma recapitulação do discurso sobre o sacerdócio de Cristo, em concreto, no que diz respeito à perfeição e eficácia do seu sacrifício (vv. 1-18).

11-14 «Cristo, ao contrário, (...) sentou-se para sempre». Esta expressão procede do Salmo 110 (109), 1; e o gesto de sentado aparece em contraposição com o gesto dos sacerdotes da Antiga Lei, que, de pé, «cada dia», oficiavam no Templo, denunciando assim a sua própria insuficiência. Mas Cristo, consumada a sua obra salvadora de uma vez para sempre, «tendo oferecido pelos pecados um único sacrifício», pôde sentar-se como quem já cumpriu a sua missão, aguardando que os frutos do seu sacrifício cheguem a todos e que os seus inimigos, que resistem a beneficiar da Redenção, sejam definitivamente sepultados no seu próprio fracasso (notar como são os inimigos a cair vencidos sob os pés de Cristo, não é Ele a desencadear um ataque avassalador). A superioridade e perfeição do sacerdócio de Cristo – sacerdote eterno – está patente em não precisar de oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios rituais (v. 11); assim, «tornou perfeitos para sempre os que Ele santifica» (v. 14).

18 A exposição doutrinal fecha-se com uma frase que diz tudo: «Onde há remissão dos pecados, já não há necessidade de oblação pelo pecado», isto é, caducou o culto levítico. É em vão que alguns se apoiaram aqui, como os protestantes, para negar o carácter sacrificial da Santa Missa, pois esta não é algo que se soma ao sacrifício da Cruz, constituindo mais outro sacrifício; ela é um sacrifício relativo, que torna presente e aplica o mesmo e único sacrifício do Calvário. Com efeito, como ensina João Paulo II, «este sacrifício é tão decisivo para a salvação do género humano que Jesus realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos como se tivéssemos estado presentes» (Ecclesia de Eucharistia, 11).

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 21, 36

 

Monição: A vigilância e a Oração serão uma segurança para permanecermos fieis á Boa Nova de Jesus Cristo e comparecermos perante Ele no fim da nossa caminhada sobre a terra.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia Gregoriano

 

Vigiai e orai em todo o tempo,

para poderdes comparecer diante do Filho do homem.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 13, 24-32

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 24«Naqueles dias, depois de uma grande aflição, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade; 25as estrelas cairão do céu e as forças que há nos céus serão abaladas. 26Então, hão-de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens, com grande poder e glória. 27Ele mandará os Anjos, para reunir os seus eleitos dos quatro pontos cardeais, da extremidade da terra à extremidade do céu. 28Aprendei a parábola da figueira: quando os seus ramos ficam tenros e brotam as folhas, sabeis que o Verão está próximo. 29Assim também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem está perto, está mesmo à porta. 30Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. 31Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão. 32Quanto a esse dia e a essa hora, ninguém os conhece: nem os Anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai».

 

Temos, a terminar o ano litúrgico, uma parte final do chamado discurso escatológico (sobre o fim dos tempos), ou apocalíptico (de revelação de coisas ocultas), comum aos três Sinópticos. É um discurso algo enigmático, o que ajuda a pôr em evidência o seu ensinamento central, que não é deprimente e catastrófico (como por vezes se entendeu), mas de apelo à esperança e à vigilância: «o Filho do homem está perto» (v. 29); «tomai cuidado, vigiai!» (v. 33; cf. vv. 9.23.35.37).

24 «Depois de uma grande aflição», isto é, a que antes foi descrita (vv. 14-20): a ruína de Jerusalém (figura do fim do mundo), ou mais provavelmente o aparecimento de falsos messias e falsos profetas (vv. 21-23).

24-25 «Sol…, Lua…, estrelas…, forças do Céu...» Jesus, servindo-se dum estilo corrente na época, o apocalíptico, apresenta o próprio cosmos a estremecer perante o Supremo Juiz; as convulsões cósmicas eram um artifício para anunciar uma próxima, decisiva e poderosa intervenção de Deus, o Senhor do Universo (cf. Joel 2, 10; 3, 3-4).

26 «O Filho do homem vir sobre as nuvens», numa alusão ao célebre texto de Daniel 7, 13. A imagem das nuvens exprime admiravelmente a majestade divina de Jesus: Ele aparecerá à vista de todos como Deus que é. Com efeito, no A. T. Deus revela-se no claro-escuro das nuvens (estas ocultam-no e revelam-no), as quais também constituem como que o seu carro (Is 19, 1; Salmo 104 (103), 3) e a sua tenda (2 Sam 22-12; Salmo 18 (17), 12).

28-31 «Aprendei…». Os discípulos de Jesus, imbuídos das ideias judaicas do tempo, estavam incapacitados para distinguir duas realidades distintas de que Jesus lhes acabava de falar: a destruição de Jerusalém (vv. 5-20) e o fim do mundo (vv. 21-27), uma vez que, sendo Jerusalém a capital messiânica de todo o mundo (cf. Is 2, 2-5), esta seria tão indestrutível como o próprio reino messiânico. Por isso, Jesus sente necessidade de ser ainda mais explícito: «não passará esta geração sem que tudo isto aconteça», a saber, o que se refere à destruição de Jerusalém; e é ainda mais enérgico ao acrescentar: «passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão». De facto, não tardou que estalasse a guerra judaica contra os Romanos, 26 anos depois, quando o procurador Floro exigiu uma grande soma tirada do próprio tesouro do Templo. Nero encarregou Vespasiano de esmagar a rebelião; mais tarde, o seu filho Tito, após cinco meses de heróica resistência judaica, conquista Jerusalém, nos finais de Agosto do ano 70. Segundo conta Flávio José, Tito queria poupar o santuário da destruição, mas quando o viu a arder, não podendo dominar o incêndio, mandou que fosse totalmente arrasado, não tendo ficado até hoje pedra sobre pedra (cf. Mc 13, 2); as muralhas que hoje restam não são as do Templo, mas as dos muros que cercavam o adro exterior (átrio dos gentios).

32 «Esse dia e essa hora ninguém os conhece... nem o Filho». Passagem que se refere ao fim do mundo; já nos profetas habitualmente era designado deste modo: «aquele dia». Em Is 8, 9; Jer 4, 23-26; Ez 32, 7-8; Joel 2, 1.11; 4, 15-16; Ag 2, 6; etc. Este dia é o momento histórico da intervenção de Deus a favor do seu povo, em que salvará os que lhe são fiéis e castigará os que se lhe opõem. Sobretudo a partir de Daniel (9, 26; 11, 27; 12-13), este «dia» passa a designar o fim do mundo, precedido de uns tempos finais. Mas como é possível que Jesus não conheça este momento? Não parece correcto dizer que Jesus o ignorava enquanto homem, uma vez que não podia ignorar o que se relacionava com a sua missão de Salvador e Juiz. A afirmação de Cristo, porém, justifica-se pelo facto de se tratar de um conhecimento que não fazia parte daquele conjunto de coisas que tinha missão de revelar: era como se não conhecesse esse dia e hora.

 

Sugestões para a homilia

 

1) Mistério e realidade constituem a perspectiva dos últimos tempos, que normalmente são representados na Sagrada Escritura segundo a linguagem apocalíptica, carregada intensamente de "tintas foscas", cuja finalidade é de despertar a atenção sobre as realidades últimas, os "Novíssimos", morte juízo, inferno e paraíso, aos quais não podemos fugir porque marcam o limite extremo da nossa condição humana.

Dos "Novíssimos" temos já uma citação no Antigo Testamento: "In omnibus operibus tuis, memorare novissima tua, et in aeternum non peccabis" - "Em todas as tuas obras lembra-te do teu fim e jamais cairás no pecado" (Eclo 7,40).

A vida humana deve ser uma continua tensão escatológica, como peregrinação para a Jerusalém celeste de tal maneira que toda a pessoa no agir é voltada ao futuro, aos Novissimos - "Memorare novissima tua - e a eternidade se torna parte essencial da vida terrena.

Jesus – nesta linha - no Evangelho segundo S. Marcos (13,24-32) nos dirige uma mensagem “forte” e quanto mais compreensível sobre o fim do mundo e da história.

O que teve inicio com a Criação (cfr. Gn 1) terá um fim: “O sol vai se escurecer, e a lua não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas” (Mc 13,24.25), não será - como poderíamos pensar - um voltar para o abismo, mas para a realidade salvadora dada por Cristo na sua glória: “Então vereis o Filho do Homem vindo nas nuvens com grande poder e glória” (Mc 13,26).

É de consolação, entre as leituras de ordem apocalíptica, meditar hoje o Salmo 15[16]

2) que nos coloca na dimensão salvífica própria de todo o contexto, infundindo esperança sobre a nossa condição futura: "Pois não haveis de me deixar entregue a morte, nem vosso amigo conhecer a corrupção" (v. 10).

Deste Salmo é relevante a exegese do biblista Card. Gianfranco Ravasi que coloca uma profunda reflexão sobre o mistério cristão, o mistério da vida, o mistério da comunhão e o mistério da história presentes nele.

Sublinha também, confirmando outros exegetas, que a antítese na qual se baseia o Salmo não é entre vida terrena e vida eterna, mas entre vida sem Deus e vida com Deus.

Outra consolação nos é dada na Carta aos Hebreus por saber que Cristo "sentado à direita de Deus. Não lhe resta mais senão esperar até que seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés" (Hb 10,12.13).

É pela vitória de Cristo, conseguida pelo sacerdócio eterno manifestado na Cruz, que nós temos a certeza na salvação: "Levou à perfeição definitiva os que Ele santifica" (Hb 10,14).

É a glória de Deus e a salvação a razão última dos últimos tempos: o Filho do Homem “reunirá os eleitos de Deus” (Mc 13,27) da diáspora neste vale de lágrimas.

Jesus nos ensina a saber discernir sobre o ponto final da História reconhecendo os sinais dos tempos que Ele nos indica.

Se esta é a realidade mais certa à qual prestamos fé pelas palavras de Jesus e também pelo senso comum, permanece mistério o momento no qual acontecerá: “Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai” (Mc 13,32): mais uma razão para preparar-se e para a vigilância.

O que importa não é a aleatoriedade do tempo, o “quando”, mas a certeza da salvação que nos é prometida: “Nesse tempo teu povo será salvo” (Dn 12,1).

Pela esperança confiamos na salvação porque Cristo “levou à perfeição definitiva os que ele santifica” (Hb 10,14) e porque nosso “destino está seguro em vossas mãos” (Sl 15[16],5).

A serenidade com a qual nos encaminhamos para os últimos tempos é dada pela força das palavras de Jesus: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão” (Mc 13,32).

 

Fala o Santo Padre

 

«A nossa meta final é o encontro com o Senhor ressuscitado.

E eu gostaria de vos perguntar: quantos de vós pensam nisto?

Haverá um dia no qual me encontrarei de cara com o Senhor.»

 

O Evangelho deste penúltimo domingo do ano litúrgico propõe uma parte do sermão de Jesus sobre os últimos acontecimentos da história humana, orientada para o pleno cumprimento do reino de Deus (cf. Mc 13, 24-32). Trata-se de um sermão que Jesus proferiu em Jerusalém, antes da sua última Páscoa. Ele contém alguns elementos apocalípticos, como guerras, carestias, catástrofes cósmicas: «o Sol escurecer-se-á e a Lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do céu e as forças que estão nos céus serão abaladas» (vv. 24-25). Contudo, estes elementos não são o aspecto mais fundamental da mensagem. O núcleo em volta do qual se centra o discurso de Jesus é Ele mesmo, o mistério da sua pessoa e da sua morte e ressurreição, a sua vinda no fim dos tempos.

A nossa meta final é o encontro com o Senhor ressuscitado. E eu gostaria de vos perguntar: quantos de vós pensam nisto? Haverá um dia no qual me encontrarei de cara com o Senhor. É esta a nossa meta: este encontro. Nós não esperamos um tempo nem um lugar, mas vamos ao encontro de uma pessoa: Jesus. Por conseguinte, o problema não é «quando» acontecerão os sinais premonitórios dos últimos tempos, mas estar preparados para o encontro. E nem sequer se trata de saber «como» estas coisas acontecerão, mas «como» nos devemos comportar, hoje, na sua expectativa. Estamos chamados a viver o presente, construindo o nosso futuro com serenidade e confiança em Deus. A parábola da figueira que germina, como sinal do Verão já próximo (cf. vv. 28-29), diz que a perspectiva do fim não nos distrai da vida presente, mas nos faz olhar para os nossos dias numa óptica de esperança. É aquela virtude tão difícil de viver: a esperança, a virtude mais pequena, mas a mais forte. E a nossa esperança tem um rosto: o rosto do Senhor ressuscitado, que vem «com grande poder na glória» (v. 26), ou seja, que manifesta o seu amor crucificado, transfigurado na ressurreição. O triunfo de Jesus no fim dos tempos será o triunfo da Cruz, a demonstração que o sacrifício de si por amor do próximo, à imitação de Cristo, é a única potência vitoriosa e o único ponto firme no meio dos abalos e das tragédias do mundo.

O Senhor Jesus não é só o ponto de chegada da peregrinação terrena, mas é uma presença constante na nossa vida: está sempre ao nosso lado, acompanha-nos sempre; por isso quando fala do futuro, e nos projecta para ele, é sempre para nos reconduzir ao presente. Ele põe-se contra os falsos profetas, contra os falsos videntes que prevêem que o fim do mundo está próximo, e contra o fatalismo. Ele está ao nosso lado, caminha connosco, ama-nos. Deseja tirar aos seus discípulos de todas as épocas a curiosidade das datas, as previsões, os horóscopos, e concentra a nossa atenção no hoje da história. E gostaria de vos perguntar — mas não respondais, cada qual responda para si — quantos de vós lêem o horóscopo do dia? Cada qual responda para si mesmo. E quando te vier vontade de ler o horóscopo, olha para Jesus, que está contigo. É melhor, far-te-á bem. Esta presença de Jesus convida-nos à expectativa e à vigilância, que excluem a impaciência, a sonolência, as fugas em frente e o permanecer aprisionados no tempo actual e na mundanidade.

Também nos nossos dias não faltam calamidades naturais e morais, nem sequer adversidades de todos os tipos. Tudo passa — recorda-nos o Senhor — só Ele, a sua Palavra permanece como luz que guia, e anima os nossos passos e nos perdoa sempre, porque está ao nosso lado. É necessário apenas olhar para ele, o qual muda o nosso coração. A Virgem Maria nos ajude a confiar em Jesus, o fundamento firme da nossa vida, e a perseverar com alegria no seu amor.

 

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 15 de Novembro de 2015

 

Oração Universal

 

Irmãos caríssimos: peçamos ao Senhor que nos dê força

para vivermos, de tal modo, neste mundo, que um dia O encontremos no seu reino,

dizendo (ou: cantando), com alegria:

R. Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

Ou: Pela vossa misericórdia, ouvi-nos, Senhor.

Ou: Ouvi, Senhor, a nossa súplica.

 

1.     Pelo nosso Bispo, pelos presbíteros e diáconos,

para que anunciem com grande sabedoria

que este mundo é passageiro, oremos.

 

2.     Pela humanidade, para que se renove na justiça,

pelos seus chefes, para que descubram que são frágeis,

e por todos os homens, para que cheguem а luz de Deus, oremos.

 

3.     Pelos fiéis, para que Cristo os santifique,

pelos que sofrem, para que Ele os alivie,

e pelos que esperam novos céus e nova terra, oremos.

 

4.     Por nós próprios e pelos cristãos que em cada tempo

esperam pela vinda do Senhor,

para que um dia tomem parte no seu reino,oremos.

 

5.     Pelos nossos irmãos que já partiram deste mundo,

para que os seus nomes estejam inscritos no Céu,

e o Senhor lhes dê sem demora a vida eterna, oremos.

 

Senhor, nosso Deus, que sois o único a saber o dia e a hora

em que vai chegar o vosso Reino, ajudai-nos a construir convosco, desde agora,

os novos céus e a nova terra que esperamos. Por Cristo Senhor nosso.

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Senhor, nós vos oferecemos, B. Salgado, NRMS 5 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, que os dons oferecidos para glória do vosso nome nos obtenham a graça de Vos servirmos fielmente e nos alcancem a posse da felicidade eterna. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. Silva, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Ao Comungarmos o Corpo e Sangue de Jesus, unamo-nos a todos aqueles nossos Irmãos que neste momento se sentem em dificuldades, anunciam a Boa Nova ou estão predispostos ao desanimo, a fim de que o Senhor lhes dê força impulsionadora para resolver todas as situações em que se encontram e sintam força para prosseguir com redobrado ânimo a sua caminhada para a consolidação do mundo novo anunciado por Jesus.

 

Cântico da Comunhão: O Corpo de Jesus é alimento, A. Caratgeno, NRMS 60

Sl 72, 28

Antífona da Comunhão: A minha alegria é estar junto de Deus, buscar no Senhor o meu refúgio.

Ou:   

Mc 11, 23.24

Tudo o que pedirdes na oração vos será concedido, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: É bom louvar-Te Senhor, M. Carneiro, NRMS 84

 

Oração depois da Comunhão: Depois de recebermos estes dons sagrados, humildemente Vos pedimos, Senhor: o sacramento que o vosso Filho nos mandou celebrar em sua memória aumente sempre a nossa caridade. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Depois de termos compreendido melhor a mensagem de Jesus, anunciada neste Domingo, partimos para a vida conscientes de que temos por missão Ser Esperança.

 

Cântico final: Louvado seja o meu Senhor, J. Santos, NRMS 30

 

 

Homilias Feriais

 

33ª SEMANA

 

2ª Feira, 19-XI: Fazer as coisas com mais amor.

Ap 1, 1-4 / Lc 18, 35-43

Que queres que eu faça? Ele respondeu: Que eu veja, Senhor!

Ao passar Jesus por Jericó, um cego pede-lhe que o cure. O Senhor louva a fé do cego: «Pois vê, a tua fé te salvou» (Ev.). Os sinais realizados por Jesus convidam a crer nEle. Aos que se lhe dirigem com fé, concede-lhes o que pedem (CIC 548).

Procuremos também 'ver', descobrir, o que não está bem no campo da caridade: «Tenho contra ti que deixaste perder a tua caridade primitiva» (Leit.). Como está o nosso empenho nas coisas que se referem a Deus? E no trabalho e na vida familiar? Não deixemos esmorecer estes amores. Peçamos a Deus que nos ajude também a 'ver' um pouco melhor o que nos falta.

 

3ª Feira, 20-XI:Arrependimento, reparação e generosidade.

Ap 3, 1-6. 14-22 / Lc 19, 1-10

Olha que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei para junto dele.

Estas palavras do Senhor (Leit) podem aplicar-se ao episódio narrado no Evangelho. À passagem por Jericó, Jesus 'bateu à porta' de Zaqueu, manifestando-lhe o desejo de se hospedar em casa dele. Jesus conseguiu ler no íntimo de Zaqueu o desejo que alimentava de conhecê-lo.

A conversão deste pecador foi muito rápida e acompanhada de uma nova forma de vida. Zaqueu deixou-nos um exemplo de arrependimento, de reparação e de generosidade. Os encontros com Cristo ajudar-nos-ão igualmente a vivermos as várias formas de conversão e a sermos mais generosos com Deus e com os demais.

 

4ª Feira, 21-XI: Apresentação de Nossa Senhora.

 Zac 2, 14-17 / Mt 12, 46-50

Exulta e alegra-te, filha de Sião, porque eu venho habitar no meio de ti.

Celebramos a dedicação, a entrega plena de Nossa Senhora a Deus. É um bom dia para a louvarmos e nos alegrarmos com Ela (Leit. e S. Resp.): «Ela foi, por pura graça, concebida sem pecado, como a mais humilde criatura, a mais capaz de acolher o dom inefável do Omnipotente. É a justo título que o Anjo Gabriel a saúda como 'filha de Sião': Avé (=Alegra-te) (CIC, 722).

Também queremos fazer parte desta família do Senhor: «Tornar-se discípulo de Jesus é aceitar o convite para pertencer à família de Deus, em conformidade com a sua maneira de viver: 'Todo aquele que fizer a vontade de meu Pai...' (Ev.)» (CIC, 2233).

 

5ª Feira, 22-XI: Fidelidade às graças de Deus.

Ap 5, 1-10 / Lc 19, 41-44

Ao ver a cidade de Jerusalém, chorou à vista dela, e disse: Se tu também soubesses os meios de alcançar a Paz!

«Jesus recorda o martírio dos Profetas que tinham sido entregues à morte em Jerusalém. Quando avista Jerusalém, chora sobre ela, e exprime uma vez mais o desejo do seu coração: «Se tu também tivesses conhecido o que te pode trazer a paz' (Ev.)» (CIC, 558). A dor de Jesus é consequência da falta de correspondência de tantos habitantes da cidade de Jerusalém.

Se correspondermos fielmente às graças de Deus atrairemos, com o nosso exemplo, muitas bênçãos do Senhor. Contamos com a sua ajuda. «Tu resgatastes para Deus, com o teu Sangue, homens de toda a tribo, povo e nação» (Leit.). É o que nos é recordado na Missa.

 

6ª Feira, 23-XI: O projecto de Deus para cada um de nós

Ap 10, 8-11 / Lc 19, 45-48

 Vai buscar o livro aberto. Pega nele e devora-o

O livro aberto «contém o plano criador e salvador de Deus, o seu projecto detalhado sobre a realidade inteira, sobre as pessoas, as coisas, os acontecimentos» (João Paulo II). Trata-se de saber qual o projecto que Deus tem para cada um de nós. Estejamos atentos ao que Ele nos disser: «Todo o povo ficava suspenso quando o ouvia» (Ev.).

Assim, da nossa alma, que é templo de Deus, procuremos expulsar tudo o que não agrada ao Senhor, tudo aquilo que não está de acordo com a sua vontade. Somos seres livres e podemos não acertar, ou não levar à prática o que Deus pede.

 

Sábado, 24-XI: O 'segredo' da ressurreição dos mortos.

Ap 11, 4-12 / Lc 20, 27-40

Na verdade já não podem morrer, pois são iguais aos Anjos e, por terem alcançado a ressurreição, tornaram-se filhos de Deus.

Os saduceus negavam a ressurreição dos mortos e apresentaram um caso complicado a Jesus. O Senhor reafirma a ressurreição e as propriedades dos corpos ressuscitados (Ev.). O mesmo se fala na Leit: «Ouviram do alto do Céu uma voz potente que lhes dizia: 'Subi para aqui'».

A Eucaristia é também o segredo da ressurreição: «Na Eucaristia recebemos a garantia da ressurreição do corpo no fim do mundo: 'Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu ressuscitá-lo-ei no último dia'. Pela Eucaristia assinala-se, por assim dizer, 'o segredo' da ressurreição» (João Paulo II, IVE, 18).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         José António Arantes

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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