Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos

2ª Missa

2 de Novembro de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nós Te rogamos Senhor, M. Luis, NRMS 19-20

cf. Esdr 2, 34-35

Antífona de entrada: Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso, nos esplendores da luz perpétua.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Deus é justo mas misericordioso. Deus é amor, mas toma a sério a vida dos homens. Ele trata-nos com amor misericordioso. A atitude cristã face ao mistério da morte é uma confiança total em Deus que leva à generosidade na prática do melhor bem. Mas nem sempre devido à fraqueza humana se atinge o ideal. Quantas imperfeições diante de Deus no fim da vida!

Daí a necessidade dos sufrágios por aqueles que nos precederam. O sufrágio pelos defuntos é um dever de caridade e de justiça.

Porque muitas vezes nos temos esquecido dos nossos falecidos e nem sempre fomos fiéis ao nosso Baptismo, peçamos perdão ao Senhor.

 

Oração colecta: Senhor, glória dos fiéis e vida dos justos, que nos salvastes pela morte e ressurreição do vosso Filho, acolhei com bondade os vossos fiéis defuntos, de modo que, tendo eles acreditado no mistério da ressurreição, mereçam alcançar as alegrias da bem-aventurança eterna. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A eficácia da oração e do sacrifício para expiar os pecados dos irmãos mortos ajuda-os a participar na glória da ressurreição final.

 

2 Macabeus 12, 43-46

Naqueles dias, 43Judas Macabeu fez uma colecta entre os seus homens de cerca de duas mil dracmas de prata e enviou-as a Jerusalém, para que se oferecesse um sacrifício de expiação pelos pecados dos que tinham morrido, praticando assim uma acção muito digna e nobre, inspirada na esperança da ressurreição. 44Porque, se ele não esperasse que os que tinham morrido haviam de ressuscitar, teria sido em vão e supérfluo orar pelos mortos. 45Além disso, pensava na magnífica recompensa que está reservada àqueles que morrem piedosamente. Era um santo e piedoso pensamento. Por isso é que ele mandou oferecer um sacrifício de expiação pelos mortos, para que fossem libertos do seu pecado.

 

Judas Macabeu é o grande herói tanto do 1º como do 2º livro dos Macabeus; seguiu o seu pai Matatias na resistência contra a helenização pagã do povo de Israel, tendo chegado, em 165, a conseguir a purificação do templo e a restauração do culto (cf. 1 Mac 4, 36-59; 2 Mac 10, 1-9). O seu título de Macabeu significa martelo ou malho, título que lhe veio da impugnação do paganismo imposto pelo soberano sírio, e das derrotas infligidas aos opressores do povo judeu (sírios e egípcios). A leitura fala duma colecta de 2.000 dracmas de prata (não 12.000 como aparecia na Vulgata, um texto que a Neovulgata corrige, de acordo com os melhores manuscritos). A moeda grega pesava cerca de 4 gramas de prata; tratava-se, pois, de cerca de oito quilos de prata.

46 «Um santo e piedoso pensamento». O sacrifício que Judas manda oferecer revela a fé numa vida além-túmulo; a aprovação formal do hagiógrafo deixa-nos ver como a oração pelos defuntos que têm faltas a expiar é uma coisa que lhes aproveita (aqueles soldados mortos no campo de batalha conservavam despojos que tinham sido ofertas aos ídolos, o que era proibido pela Lei). Daqui se deduz a existência do Purgatório, uma fase de expiação de pecados que não impedem a salvação eterna, mas, de alguma maneira, a atrasam (falando em linguagem humana de uma realidade transcendente). É sobretudo a Tradição, a vida e Magistério da Igreja que esclarecem esta doutrina revelada por Deus. Ver a bela referência ao Purgatório na Encíclica de Bento XVI, Spe salvi, nº 47 e 48.

 

Salmo Responsorial     Sl 102 (103), 8 e 10.13-14.15-16.17-18 (R. 8a ou Sl 36(37), 39a)

 

Monição: Comparável ao amor de um pai pelos seus filhos, o amor de Deus assume dimensão imensa no perdão, na misericórdia e bondade, na compaixão e na ternura, para com aqueles que se comprometem com o Seu projecto.

 

Refrão:        O Senhor é clemente e cheio de compaixão.

 

Ou:               A salvação dos justos vem do Senhor.

 

O Senhor é clemente e compassivo,

paciente e cheio de bondade.

Não nos tratou segundo os nossos pecados,

nem nos castigou segundo as nossas culpas.

 

Como um pai se compadece dos seus filhos,

assim o Senhor Se compadece dos que O temem.

Ele sabe de que somos formados

e não Se esquece que somos pó da terra.

 

Os dias do homem são como o feno:

ele desabrocha como a flor do campo

mal sopra o vento desaparece

e não mais se conhece o seu lugar.

 

A bondade do Senhor permanece eternamente

sobre aqueles que O temem

e a sua justiça sobre os filhos dos seus filhos,

sobre aqueles que guardam a sua aliança

e se lembram de cumprir os seus preceitos.

 

 

Segunda Leitura

 

Monição: No fim da vida, cada um verá o homem novo que dentro de si próprio se terá desenvolvido como uma semente. Esse dia assinalará o início da vida nova com Deus e com Cristo.

 

2 Coríntios 5, 1.6-10

1Nós sabemos que, se esta tenda, que é a nossa morada terrestre, for desfeita, recebemos nos Céus uma habitação eterna, que é obra de Deus e não é feita pela mão dos homens. 6Por isso, estamos sempre cheios de confiança, sabendo que, enquanto habitarmos neste corpo, vivemos como exilados, longe do Senhor, 7pois caminhamos à luz da fé e não da visão clara. 8E com esta confiança, preferíamos exilar-nos do corpo, para irmos habitar junto do Senhor. 9Por isso nos empenhamos em ser-Lhe agradáveis, quer continuemos a habitar no corpo, quer tenhamos de sair dele. 10Todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que receba cada qual o que tiver merecido enquanto esteve no corpo, quer o bem quer o mal.

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 11, 25a.26

 

Monição: Jesus é a ressurreição e a vida. A morte é apenas uma necessidade física. A vida plena da ressurreição já está presente naqueles que acreditam firmemente em Jesus Cristo.

 

Aleluia

 

Cântico: Az. Oliveira, NRMS 36

 

Eu sou a ressurreição e a vida, diz o Senhor.

Quem acredita em Mim nunca morrerá.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 7, 11-17

Naquele tempo, 11dirigia-Se Jesus para uma cidade chamada Naim; iam com Ele os seus discípulos e uma grande multidão. 12Quando chegou à porta da cidade, levavam um defunto a sepultar, filho único de sua mãe, que era viúva. Vinha com ela muita gente da cidade. 13Ao vê-la, o Senhor compadeceu-Se dela e disse-lhe: «Não chores». 14Jesus aproximou-Se e tocou no caixão; e os que o transportavam pararam. Disse Jesus: «Jovem, Eu te ordeno: levanta-te». 15O morto sentou-se e começou a falar; e Jesus entregou-o à sua mãe. 16Todos se encheram de temor e davam glória a Deus, dizendo: «Apareceu no meio de nós um grande profeta; Deus visitou o seu povo». 17E a fama deste acontecimento espalhou-se por toda a Judeia e pelas regiões vizinhas.

 

1 «Naim». Como também hoje, não seria propriamente uma cidade, mas uma pequena aldeia a uns 10 km a Sueste de Nazaré. É frequente que S. Lucas dê o nome da cidade a pequenas aldeias. É esta a única passagem em toda a Bíblia onde se fala desta terra, o que leva a crer que seria mesmo um lugarejo sem importância, mas isso não obstou a que Jesus fizesse ali um grande milagre. É S. Lucas o único Evangelista a contá-lo, o Evangelista que mais se detém a retratar a misericórdia do coração de Cristo; nem sequer foi preciso um pedido formal da desolada viúva para que, com uma única palavra, transformasse o seu choro na maior alegria, devolvendo-lhe o seu único filho vivo. Os funerais costumavam realizar-se no mesmo dia da morte, ao meio da tarde.

15 «E Jesus entregou-o à mãe». Santo Agostinho comenta: «Esta mãe viúva alegra-se com o filho ressuscitado. Diariamente se alegra a Mãe Igreja com os homens que ressuscitam na sua alma. Aquele estava morto quanto ao corpo; estes, quanto ao seu espírito. Aquela morte visível chora-se visivelmente; a morte invisível destes nem se chora nem se vê. Anda à busca destes mortos Aquele que os conhece, Aquele que pode fazê-los voltar à vida» (Sermão 98, 2). O mesmo Santo afirma que é um maior milagre a conversão dum pecador do que a ressurreição dum morto, embora seja menos espectacular.

 

Sugestões para a homilia

 

A eficácia da oração e do sacrifício na ajuda aos irmãos já falecidos

Jesus traz-nos a mensagem da vida nova que jamais terá fim

A fé na palavra de Jesus dá sentido à nossa oração pelos defuntos

 

A eficácia da oração e do sacrifício na ajuda aos irmãos já falecidos

 

O respeito pelos mortos é um sentimento natural do homem, que na diversidade dos tempos e dos lugares apresentam semelhanças.

Assim aconteceu na Judeia no tempo de Judas Macabeu, em que este, depois de uma batalha em que pereceram muitos judeus, resolveu fazer uma colecta entre os seus homens, a fim de ser oferecido um sacrifício de expiação pelos pecados dos que tinham morrido.

Deste modo, expressava a fé na imortalidade da alma e na ressurreição dos corpos. Esta crença, confirmada pelos ensinamentos de Jesus Cristo que nos traz a mensagem da vida nova que jamais terá fim, dá sentido à nossa oração e à esmola pelos defuntos.

 

Jesus traz-nos a mensagem da vida nova que jamais terá fim

 

Reconhecemos esta mensagem no diálogo que Jesus teve com Marta, após o quarto dia do falecimento de seu irmão, Lázaro. Pela resposta que ela dá a Jesus reconhecemos que acredita na ressurreição dos mortos. Ela está certa que no fim do mundo, o seu irmão voltará à vida, juntamente com todos os justos, e fará parte do Reino de Deus.

A fé de Marta é igual ou diferente da nossa como cristãos?

Para alguns parecerá idêntica. No entanto, é completamente diferente! O cristão não acredita numa morte e depois numa ressurreição, no fim do mundo. Acredita que o homem, remido por Cristo, não morre.

É a mensagem nova e extraordinária que Jesus anuncia a Marta. Ele diz: «Quem crê em Mim, não morre». Que quer isto dizer? Como pode não morrer uma pessoa que nós vimos expirar e transformar num cadáver?

Recorramos ao que diz um sábio para melhor entendermos esta mensagem com uma simples comparação: O que para uma lagarta é o fim do mundo, para o resto do mundo é uma borboleta. A lagarta não morre; desaparece como lagarta, mas continua a viver como borboleta. Esta é uma figura que nos ajuda a entender a vitória conquistada por Cristo sobre a morte.

A vida divina que o cristão recebe no Baptismo não pode ser vista, verificada, tocada. Para que ela se possa manifestar, é preciso que a vida material, ligada a este mundo, termine.

É por esta razão que os primeiros cristãos chamavam «dia do nascimento» ao que para os outros homens é o dia da morte. A fé na palavra de Jesus dá sentido à nossa oração pelos defuntos.

 

A fé na palavra de Jesus dá sentido à nossa oração pelos defuntos

 

Depois de ter ouvido as palavras de Jesus, Marta pronuncia uma profunda profissão de fé; reconhece que Jesus é Aquele que dá esta Vida: «Sim, Senhor, eu creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, o Salvador esperado, que devia vir ao mundo».

Nós não somos insensíveis à morte e é normal que derramemos lágrimas quando um familiar ou amigo nos deixa. Embora saibamos que não está morto, devemos estar felizes por que esteja agora com Deus, mas estamos tristes porque, por algum tempo, deveremos ficar separados daquele que tanto amámos.

Não deve ser um choro desesperado, ruidoso, dos que têm a convicção de que com a morte tudo acaba, mas um pranto sereno, digno e nobre pois, somente este, é digno de um cristão. É doloroso ser deixado por um amigo, mas seria uma atitude egoísta pretender segurá-lo sempre connosco. Seria como querer impedir uma criança de nascer. Faz todo o sentido, pois, a nossa oração por aqueles que nos deixaram, para viver a verdadeira Vida que não acaba

A nova vida, contudo, não vai nascer a partir do nada: brotará do que cada um tiver feito neste mundo.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Unidos numa mesma fé,

roguemos pelos nossos irmãos defuntos,

pela Igreja, pela paz no mundo, pela salvação de todos os homens,

a Jesus Cristo Nosso Senhor, dizendo com toda a esperança:

 

Cristo, ouvi-nos, Cristo, atendei-nos.

 

1.     Para que a Igreja, Mãe e Mestra da Verdade,

cuide sempre dos seus filhos neste mundo

e interceda por aqueles que já partiram,

 oremos, irmãos       

 

2.     Para que confirme os cristãos na unidade da fé,

e na esperança da vinda gloriosa de Cristo,

oremos, irmãos.

 

3.     Para que tenhamos toda a confiança

na palavra de Jesus Cristo,

que é Caminho, Verdade e Vida,

oremos, irmãos.

 

4.     Para que a todos nós aqui reunidos

consigamos viver uma vida terrena bem vivida

que nos conduza à Vida Nova anunciada por Cristo,

oremos, irmãos.

 

5.     Para que todos os nossos familiares defuntos,

e todos aqueles de quem já ninguém os lembra

possam contemplar a face de Deus,

oremos, irmãos.

 

6.     Para que o Senhor que é clemente e compassivo

livre todos os fiéis defuntos

do poder das trevas e da morte eterna,

oremos, irmãos.

   

Senhor Jesus Cristo que dissestes:

“Todo aquele que vive e crê em Mim não morrerá mas há-de viver”,

despertai a nossa fé e a nossa esperança,

a fim de que possamos saborear na terra

a glória a que nos chamais no Céu.

Vós que sois Deus com o Pai,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A hóstia branca do nosso altar, M. Faria, NRMS 3 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Deus de bondade infinita, que purificastes na água do Baptismo os vossos servos defuntos, purificai-os também agora no Sangue de Cristo, por este sacrifício de reconciliação. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio dos Defuntos: p. 509 [652-764] e pp. 510-513

 

Santo: F. da Silva, NRMS 14

 

Monição da Comunhão

 

A Eucaristia é o maior dom de Jesus na nossa caminhada a caminho da Vida que não acaba. Que Ele seja o alimento celeste, a força para os mais fracos e penhor de alegria, felicidade e paz.

 

Cântico da Comunhão: Eu sou o Pão vivo, C. Silva, NMRS 36

cf. Esdr 2, 35.34

Antífona da Comunhão: V. Brilhe para eles a luz perpétua. R. Vivam para sempre com os vossos Santos, porque Vós sois bom, Senhor. V. Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno, nos esplendores da luz perpétua. R. Vivam para sempre com os vossos Santos, porque Vós sois bom, Senhor.

 

 

Oração depois da Comunhão: Ao recebermos o sacramento do vosso Filho, que por nós foi imolado e ressuscitou glorioso, humildemente Vos suplicamos, Senhor, pelos vossos fiéis defuntos, para que, purificados pelo mistério pascal, alcancem a glória da ressurreição futura. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ao terminarmos esta celebração, recordemos que a nova vida não vai nascer a partir do nada: brotará do que cada um tiver feito de bem neste mundo. A vida plena da ressurreição já está presente naqueles que acreditam firmemente em Jesus Cristo.

 

Cântico final: Jerusalém do alto, M. Faria, NRMS 3 (I)

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António Elísio Portela

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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