29º Domingo Comum

D. M. das Missões

21 de Outubro de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde, Senhor, vinde em meu auxílio, A. Cartageno, NRMS 90-91

Sl 16, 6.8.9

Antífona de entrada: Respondei-me, Senhor, quando Vos invoco, ouvi a minha voz, escutai as minhas palavras. Guardai-me dos meus inimigos, Senhor. Protegei-me à sombra das vossas asas.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O Senhor veio ao mundo para o salvar.

Neste dia mundial das missões queremos agradecer-Lhe e pedir-Lhe que nos ajude a sermos bons cristãos e a darmos testemunho d’Ele para que todos O amem como Ele nos ama.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, dai-nos a graça de consagrarmos sempre ao vosso serviço a dedicação da nossa vontade e a sinceridade do nosso coração. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías revela que o Messias Salvador sofrerá e dará a vida pela salvação da humanidade.

 

Isaías 53, 10-11

10Aprouve ao Senhor esmagar o seu Servo pelo sofrimento. Mas, se oferecer a sua vida como vítima de expiação, terá uma descendência duradoira, viverá longos dias, e a obra do Senhor prosperará em suas mãos. 11Terminados os sofrimentos, verá a luz e ficará saciado. Pela sua sabedoria, o Justo, meu Servo, justificará a muitos e tomará sobre si as suas iniquidades.

 

Temos apenas 2 versículos do IV canto dos Poemas do Servo de Yahwéh (Is 52, 13 – 53, 12); de todos os quatro é o mais impressionante, o mais comentado e o mais meditado no cristianismo. Surpreende vivamente o leitor o facto de se apresentar o triunfo e glorificação do servo sofredor, precisamente por meio do seu sofrimento e humilhação; mais ainda, ele assume as nossas dores e misérias com o fim de as curar, a chamada «expiação vicária», uma concepção teológica deveras original. As tentativas de identificação deste «servo» passaram por várias fases. O judaísmo alexandrino viu nele o povo de Israel sofrendo as tribulações da diáspora, mas alentado pela esperança da sua exaltação, ao passo que o judaísmo palestino via na sua glorificação o futuro messias, mas os sofrimentos eram referidos ao castigo dos gentios; em Qumrã o texto era aplicado ao Mestre da Justiça, o provável fundador da seita. A interpretação cristã é unânime em reconhecer neste servo de Yahwéh a Jesus na sua dolorosa Paixão, Morte e Ressurreição pela salvação de todos. O texto é-nos proposto neste Domingo em função do Evangelho: «o Filho do Homem veio para servir e dar a vida pela salvação de todos» (Mc 10, 45). 

 

Salmo Responsorial     Sl 32 (33), 4-5.18-19.20.21 (R. 22)

 

Monição: A misericórdia do Senhor dá-nos coragem para vivermos segundo a Sua Palavra.

 

Refrão:        Desça sobre nós a vossa misericórdia,

                     porque em Vós esperamos, Senhor.

 

A palavra do Senhor é recta,

da fidelidade nascem as suas obras.

Ele ama a justiça e a rectidão:

a terra está cheia da bondade do Senhor.

 

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,

para os que esperam na sua bondade,

para libertar da morte as suas almas

e os alimentar no tempo da fome.

 

A nossa alma espera o Senhor:

Ele é o nosso amparo e protector.

Venha sobre nós a vossa bondade,

porque em Vós esperamos, Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: São Paulo exorta-nos a permanecermos firmes na fé, recorrendo com muita confiança ao Senhor.

 

Hebreus 4, 14-16

Irmãos: 14Tendo nós um sumo sacerdote que penetrou os Céus, Jesus, Filho de Deus, permaneçamos firmes na profissão da nossa fé. 15Na verdade, nós não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas. Pelo contrário, Ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, excepto no pecado. 15Vamos, portanto, cheios de confiança ao trono da graça, a fim de alcançarmos misericórdia e obtermos a graça de um auxílio oportuno.

 

O autor, depois de já ter proclamado a superioridade de Cristo sobre os Anjos (1, 5 – 2, 18) e sobre Moisés (3, 1 – 4, 11), começa agora a expor que Ele – Sumo Sacerdote da Nova Aliança – é superior aos sacerdotes da antiga. Já tinha apresentado este sumo sacerdote da nossa fé como sendo «digno de crédito» (3, 1.6), o que nos estimula a que «permaneçamos firmes na fé que professamos» (v. 14); agora passa a apresentar outra sua qualidade, «a misericórdia», que nos inspira a máxima confiança.  Com efeito, Jesus, ao contrário do sumo sacerdote da Lei antiga, que era uma figura distante e separada dos pecadores (recordem-se as exigências do Levítico: Lv 21); Jesus é «capaz de se compadecer das nossas fraquezas», porque Ele mesmo «foi provado em tudo como nós, excepto no pecado» (cf. 1ª leitura do IV Canto do Servo de Yahwéh).

14 «Que penetrou os Céus». Jesus – o novo Josué (o nome hebraico é o mesmo: «Yehoxúa‘») segundo a referência do v. 8 – já penetrou no descanso da nova terra prometida, os Céus, tendo-nos deixado aberta a entrada, que atingiremos, se não formos infiéis como os antigos israelitas (daí o apelo a conservar a fé, com firmeza). Por outro lado, o texto sugere uma referência ao Yom-Kipur, ou Dia da Expiação, em que o sumo sacerdote penetrava no Santo dos Santos (imagem dos Céus) através dos dois véus do santuário, a fim de expiar os pecados do povo.

16 «Trono da graça». Esta expressão parece inspirada no «trono da glória» de que se fala no A. T. (1 Sam 2, 8; Is 22, 23; Jer 14, 21; 17, 12; Sir 47, 11), o que terá influenciado a variante de dois códices da Vulgata, que registam thronum gloriæ. É interessante notar que, segundo os rabinos, Deus tinha dois tronos: o da justiça e o da misericórdia. O trono de Jesus, de que se falou em 1, 8, já não aparece como o trono de justiça do Salmo 45, 7 ali citado, mas é o da misericórdia, o «trono da graça», a que podemos recorrer «cheios de confiança».

 

 

Aclamação ao Evangelho          Mc 10, 45

 

Monição: Os Apóstolos Tiago e João pedem a Jesus para ficarem a Seu lado. Jesus responde-lhes dizendo que O devem imitar no serviço dedicado aos outros.

 

Aleluia

 

Cântico: F. Silva, NRMS 35

 

O Filho do homem veio para servir

e dar a vida pela redenção de todos.

 

 

Evangelho

 

*Forma longa: São Marcos 10, 35-45  Forma breve: São Marcos 10, 42-45

[Naquele tempo, 35Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Mestre, nós queremos que nos faças o que Te vamos pedir». 36Jesus respondeu-lhes: «Que quereis que vos faça?» 37Eles responderam: «Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua direita e outro à tua esquerda». 38Disse-lhes Jesus: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu vou beber e receber o baptismo com que Eu vou ser baptizado?» 39Eles responderam-Lhe: «Podemos». Então Jesus disse-lhes: «Bebereis o cálice que Eu vou beber e sereis baptizados com o baptismo com que Eu vou ser baptizado. 40Mas sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não Me pertence a Mim concedê-lo; é para aqueles a quem está reservado». 41Os outros dez, ouvindo isto, começaram a indignar-se contra Tiago e João.]

42esus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os que são considerados como chefes das nações exercem domínio sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder. 43Não deve ser assim entre vós: quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo, 44e quem quiser entre vós ser o primeiro, será escravo de todos; 45porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de todos».

 

Jesus vai a caminho de Jerusalém (cf. 10, 32-33). Apesar dos três anúncios da Paixão, os discípulos, embora com uma certa sensação de medo (ibid.), não deixam de pensar que muito em breve o anunciado reino de Deus se irá manifestar (cf. Lc 19, 11), pois todo o seu interesse se fixava nisto. Antes que alguém lhes passe à frente, os dois irmãos, Tiago e João (Mt fala da mãe), sem atenderem à figura ridícula que faziam e à tensão e inveja a provocar nos colegas (v. 41), atrevem-se a tentar que o Mestre se comprometa com eles, garantindo-lhes os primeiros postos no reino, que imaginam terreno. Isto vai dar lugar a que Jesus os corrija, mas sem os humilhar, e deixe um ensinamento muitíssimo importante para todos e para sempre (vv. 42-45); neste sentido ensina o Vaticano II, GS 3: «Nenhuma ambição terrena move a Igreja, mas unicamente este objectivo: continuar (…) a obra de Cristo que veio ao mundo para dar testemunho da verdade (…), para servir, e não para ser servido». Assim também fica reprovado o servir-se da Igreja, em vez de a servir. A grandeza do discípulo de Cristo é servir desinteressadamente, como fez o Mestre (cf. Jo 13, 14-17).

38-39 «Beber o cálice… receber o baptismo», neste contexto, são duas imagens do sofrimento e da morte (cf. Lc 12, 50; Is 51, 17-23; Mc 14, 36; Salm 42, 8; 69, 2-3.15-15). A generosidade e audácia dos dois agradou a Jesus, que lhes promete virem a participar do seu destino doloroso –«beber o cálice» –, mergulhados no mistério do seu sofrimento – «baptismo». De facto, Tiago foi martirizado em Jerusalém pelo ano 44 (Act 12, 2), por Herodes Agripa I; João foi preso e flagelado em Jerusalém (Act 4, 3; 5, 40-41), sofreu mais tarde o exílio na ilha de Patmos (cf. Apoc 1, 9), mas nada se sabe de seguro sobre o seu problemático martírio.

40 «Não me pertence a Mim concedê-lo». A expressão não implica inferioridade de Jesus, como pretendiam os arianos; não é que falte poder a Jesus; Ele é que, fazendo tudo o que faz o Pai e com o mesmo poder, nada faz com independência do Pai (cf. Jo 5, 17-30). Segundo a explicação habitual, os dois dirigiram-se a Jesus como o Messias ao instaurar o reino, e, enquanto tal, Ele não faz mais do que executar o projecto divino.

 

 

Sugestões para a homilia

 

Jesus é o nosso Salvador

Vivamos sempre com Jesus

Dia mundial das missões

 

Jesus é o nosso Salvador

Deus escolheu um povo no Antigo Testamento para acolher o Messias Salvador da humanidade.

Deus, através dos Profetas, transmitiu ao povo a Sua mensagem de conversão, perdão e salvação. Na Primeira Leitura desta Missa vemos o Profeta Isaías a apresentar-nos o Servo sofredor que vem ao mundo para o salvar .

Jesus preparou os Discípulos para a Sua Paixão e morte na Cruz por nosso amor. Eles continuariam a anunciar Jesus Cristo ao mundo.

Mas os Apóstolos sonhavam com um reino terreno. Por isso Tiago e João dizem a Jesus que querem ser os primeiros ( um à direita e outro à esquerda ) quando Ele instaurar esse desejado reino ( Evangelho ).

Jesus mais uma vez, com paciência divina, corrige a sua ambição, apontando-lhes o caminho de serviço. Os Apóstolos serviriam, como Ele, os cristãos.

 

 

Vivamos sempre com Jesus

Hoje o Senhor continua a apontar o caminho de serviço na Igreja. Ninguém se deve servir da Igreja para satisfação da sua vaidade pessoal mas deve servir a Igreja com toda a dedicação, como Jesus.

Viver assim é permanecermos firmes na Fé, como recomenda São Paulo na Segunda Leitura.

Se todos vivessem a Fé no Senhor Jesus que fundou a Sua Igreja, não teria acontecido a divisão entre os cristãos ( católicos, ortodoxos e protestantes ).

Se todos vivessem a Fé no Senhor Jesus, não haveria na Igreja progressistas nem conservadores, haveria sim irmãos que se amam como Ele nos ama.

Se todos vivessem a Fé no Senhor Jesus, não haveria escândalos dentro da Igreja porque o esforço pela perfeição e santidade seria a preocupação constante dos cristãos.

Se todos vivessem a Fé no Senhor Jesus, não haveria tanto mal no mundo porque os cristãos reflectiriam nele a Sua Luz.

 

Dia Mundial das Missões

Jesus foi ao encontro dos escribas e fariseus hipócritas que impunham leis severas não para eles mas para os outros cumprirem, censurando-os, na esperança da sua conversão.

Jesus foi ao encontro dos pecadores que se arrependeram e obtiveram d’Ele o perdão.

Jesus foi ao encontro das pessoas que não viviam em paz com a sua consciência, dando-lhes sempre uma palavra de conforto e esperança.

Jesus foi ao encontro dos doentes para lhes restituir a saúde.

Jesus foi ao encontro dos que faleceram para de novo os fazer voltar à vida.

Jesus não quis honras, nem privilégios nem riquezas. A Sua vida, desde a pobreza do presépio à morte na Cruz, foi um exemplo de desprendimento total dos bens deste mundo.

Jesus viveu tudo o que ensinou, podendo com verdade dizer-nos : «aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração ».

Ao longo dos séculos, quantos irmãos nossos deixaram tudo para irem, até ao fim do mundo, anunciar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo!...

Nós, cristãos do século XXI, se imitarmos o Divino Mestre, conseguiremos, com a Sua bênção, anunciá-l’O também a todos aqueles que ainda não O conhecem.

Nossa Senhora está sempre connosco para nos acompanhar nesta missão sublime. Ela é a Mãe bondosa que nos quer tornar felizes agora e sempre!

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE O PAPA FRANCISCO

PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES DE 2018

«Juntamente com os jovens, levemos o Evangelho a todos»

 

Queridos jovens, juntamente convosco desejo refletir sobre a missão que Jesus nos confiou. Apesar de me dirigir a vós, pretendo incluir todos os cristãos, que vivem na Igreja a aventura da sua existência como filhos de Deus. O que me impele a falar a todos, dialogando convosco, é a certeza de que a fé cristã permanece sempre jovem, quando se abre à missão que Cristo nos confia. «A missão revigora a fé» (Carta enc. Redemptoris missio, 2): escrevia São João Paulo II, um Papa que tanto amava os jovens e, a eles, muito se dedicou.

O Sínodo que celebraremos em Roma no próximo mês de outubro, mês missionário, dá-nos oportunidade de entender melhor, à luz da fé, aquilo que o Senhor Jesus vos quer dizer a vós, jovens, e, através de vós, às comunidades cristãs.

A vida é uma missão

Todo o homem e mulher é uma missão, e esta é a razão pela qual se encontra a viver na terra. Ser atraídos e ser enviados são os dois movimentos que o nosso coração, sobretudo quando é jovem em idade, sente como forças interiores do amor que prometem futuro e impelem a nossa existência para a frente. Ninguém, como os jovens, sente quanto irrompe a vida e atrai. Viver com alegria a própria responsabilidade pelo mundo é um grande desafio. Conheço bem as luzes e as sombras de ser jovem e, se penso na minha juventude e na minha família, recordo a intensidade da esperança por um futuro melhor. O facto de nos encontrarmos neste mundo sem ser por nossa decisão faz-nos intuir que há uma iniciativa que nos antecede e faz existir. Cada um de nós é chamado a refletir sobre esta realidade: «Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo» (Papa Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 273).

Anunciamo-vos Jesus Cristo

A Igreja, ao anunciar aquilo que gratuitamente recebeu (cf. Mt 10, 8; At 3, 6), pode partilhar convosco, queridos jovens, o caminho e a verdade que conduzem ao sentido do viver nesta terra. Jesus Cristo, morto e ressuscitado por nós, oferece-Se à nossa liberdade e desafia-a a procurar, descobrir e anunciar este sentido verdadeiro e pleno. Queridos jovens, não tenhais medo de Cristo e da sua Igreja! Neles, está o tesouro que enche a vida de alegria. Digo-vos isto por experiência: graças à fé, encontrei o fundamento dos meus sonhos e a força para os realizar. Vi muitos sofrimentos, muita pobreza desfigurar o rosto de tantos irmãos e irmãs. E todavia, para quem está com Jesus, o mal é um desafio a amar cada vez mais. Muitos homens e mulheres, muitos jovens entregaram-se generosamente, às vezes até ao martírio, por amor do Evangelho ao serviço dos irmãos. A partir da cruz de Jesus, aprendemos a lógica divina da oferta de nós mesmos (cf. 1 Cor 1, 17-25) como anúncio do Evangelho para a vida do mundo (cf. Jo 3, 16). Ser inflamados pelo amor de Cristo consome quem arde e faz crescer, ilumina e aquece a quem se ama (cf. 2 Cor 5, 14). Na escola dos santos, que nos abrem para os vastos horizontes de Deus, convido-vos a perguntar a vós mesmos em cada circunstância: «Que faria Cristo no meu lugar?»

Transmitir a fé até aos últimos confins da terra

Pelo Batismo, também vós, jovens, sois membros vivos da Igreja e, juntos, temos a missão de levar o Evangelho a todos. Estais a desabrochar para a vida. Crescer na graça da fé, que nos foi transmitida pelos sacramentos da Igreja, integra-nos num fluxo de gerações de testemunhas, onde a sabedoria daqueles que têm experiência se torna testemunho e encorajamento para quem se abre ao futuro. E, por sua vez, a novidade dos jovens torna-se apoio e esperança para aqueles que estão próximo da meta do seu caminho. Na convivência das várias idades da vida, a missão da Igreja constrói pontes intergeracionais, nas quais a fé em Deus e o amor ao próximo constituem fatores de profunda união.

Por isso, esta transmissão da fé, coração da missão da Igreja, verifica-se através do «contágio» do amor, onde a alegria e o entusiasmo expressam o sentido reencontrado e a plenitude da vida. A propagação da fé por atração requer corações abertos, dilatados pelo amor. Ao amor, não se pode colocar limites: forte como a morte é o amor (cf. Ct 8, 6). E tal expansão gera o encontro, o testemunho, o anúncio; gera a partilha na caridade com todos aqueles que, longe da fé, se mostram indiferentes e, às vezes, impugnadores e contrários à mesma. Ambientes humanos, culturais e religiosos ainda alheios ao Evangelho de Jesus e à presença sacramental da Igreja constituem as periferias extremas, os «últimos confins da terra», aos quais, desde a Páscoa de Jesus, são enviados os seus discípulos missionários, na certeza de terem sempre com eles o seu Senhor (cf. Mt 28, 20; At 1, 8). Nisto consiste o que designamos por missio ad gentes. A periferia mais desolada da humanidade carente de Cristo é a indiferença à fé ou mesmo o ódio contra a plenitude divina da vida. Toda a pobreza material e espiritual, toda a discriminação de irmãos e irmãs é sempre consequência da recusa de Deus e do seu amor.

Hoje para vós, queridos jovens, os últimos confins da terra são muito relativos e sempre facilmente «navegáveis». O mundo digital, as redes sociais, que nos envolvem e entrecruzam, diluem fronteiras, cancelam margens e distâncias, reduzem as diferenças. Tudo parece estar ao alcance da mão: tudo tão próximo e imediato... E todavia, sem o dom que inclua as nossas vidas, poderemos ter miríades de contactos, mas nunca estaremos imersos numa verdadeira comunhão de vida. A missão até aos últimos confins da terra requer o dom de nós próprios na vocação que nos foi dada por Aquele que nos colocou nesta terra (cf. Lc 9, 23-25). Atrevo-me a dizer que, para um jovem que quer seguir Cristo, o essencial é a busca e a adesão à sua vocação.

Testemunhar o amor

Agradeço a todas as realidades eclesiais que vos permitem encontrar, pessoalmente, Cristo vivo na sua Igreja: as paróquias, as associações, os movimentos, as comunidades religiosas, as mais variadas expressões de serviço missionário. Muitos jovens encontram, no voluntariado missionário, uma forma para servir os «mais pequenos» (cf. Mt 25, 40), promovendo a dignidade humana e testemunhando a alegria de amar e ser cristão. Estas experiências eclesiais fazem com que a formação de cada um não seja apenas preparação para o seu bom-êxito profissional, mas desenvolva e cuide um dom do Senhor para melhor servir aos outros. Estas louváveis formas de serviço missionário temporâneo são um começo fecundo e, no discernimento vocacional, podem ajudar-vos a decidir pelo dom total de vós mesmos como missionários.

De corações jovens, nasceram as Pontifícias Obras Missionárias, para apoiar o anúncio do Evangelho a todos os povos, contribuindo para o crescimento humano e cultural de muitas populações sedentas de Verdade. As orações e as ajudas materiais, que generosamente são dadas e distribuídas através das POMs, ajudam a Santa Sé a garantir que, quantos recebem ajuda para as suas necessidades, possam, por sua vez, ser capazes de dar testemunho no próprio ambiente. Ninguém é tão pobre que não possa dar o que tem e, ainda antes, o que é. Apraz-me repetir a exortação que dirigi aos jovens chilenos: «Nunca penses que não tens nada para dar, ou que não precisas de ninguém. Muita gente precisa de ti. Pensa nisso! Cada um de vós pense nisto no seu coração: muita gente precisa de mim» (Encontro com os jovens, Santiago – Santuário de Maipú, 17/I/2018).

Queridos jovens, o próximo mês missionário de outubro, em que terá lugar o Sínodo a vós dedicado, será mais uma oportunidade para vos tornardes discípulos missionários cada vez mais apaixonados por Jesus e pela sua missão até aos últimos confins da terra. A Maria, Rainha dos Apóstolos, ao Santos Francisco Xavier e Teresa do Menino Jesus, ao Beato Paulo Manna, peço que intercedam por todos nós e sempre nos acompanhem.

Papa Francisco, Vaticano, Solenidade de Pentecostes, 20 de Maio de 2018

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus Omnipotente

e imploremos a Sua misericórdia,

dizendo confiadamente:

Escutai, Senhor, a nossa oração.

 

1.     Para que a Santa Igreja

se mantenha sempre fiel ao Senhor,

no serviço generoso e dedicado a todas as pessoas,

oremos, irmãos.

 

2.     Para que os católicos, ortodoxos e protestantes

peçam ao Senhor o dom da unidade

a fim de que todos O conheçam e amem,

oremos, irmãos.

 

3.     Para que os Judeus, Cristãos e Muçulmanos

rezem a Deus Pai Omnipotente

pela paz e concórdia em todo o mundo,

oremos, irmãos.

 

4.     Para que os homens de boa vontade

afastem conflitos e vinganças,

promovendo a concórdia e a paz,

oremos, irmãos.   

 

5.     Para que os doentes e todos os que sofrem

ofereçam a sua cruz ao Senhor

pela salvação da humanidade,

oremos, irmãos.

 

6.     Para que os familiares e todos os que faleceram

alcancem a felicidade eterna do Céu

onde esperamos ser felizes com eles eternamente,

oremos, irmãos.

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai,

dignai-Vos atender estas súplicas

e, por intercessão da  Virgem Santa Maria,

concedei-nos o que for melhor para nós.

Por N. S. J. C. Vosso Filho que é Deus Convosco

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Levamos ao vosso altar, M. Borda, NRMS 43

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que possamos servir ao vosso altar com plena liberdade de espírito, para que estes mistérios que celebramos nos purifiquem de todo o pecado. Por Nosso Senhor...

 

Santo: Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Na Sagrada Comunhão recebemos Jesus. Se estamos devidamente preparados, recebamo-l’O com fervor e sentir-nos-emos imensamente felizes.

 

Cântico da Comunhão: Eu vim para que tenham vida, F. da Silva, NRMS 70

Sl 32, 18-19

Antífona da Comunhão: O Senhor vela sobre os seus fiéis, sobre aqueles que esperam na sua bondade, para libertar da morte as suas almas, para os alimentar no tempo da fome.

Ou:  

Mc 10, 45

O Filho do homem veio ao mundo para dar a vida pela redenção dos homens.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor, Louvai, J. Santos, NRMS 37

 

Oração depois da Comunhão: Concedei, Senhor, que a participação nos mistérios celestes nos faça progredir na santidade, nos obtenha as graças temporais e nos confirme nos bens eternos. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O Senhor dirigiu-nos a Sua Palavra. Ofereceu-se a nós na Sagrada Comunhão. Neste dia mundial das missões e em todos os outros dias envia-nos para darmos testemunho d’Ele no mundo.

Nossa Senhora vai connosco para que que tudo corra bem no nosso apostolado.

 

Cântico final: Ficai connosco, Senhor, M. Borda, NRMS 43

 

 

Homilias Feriais

 

29ª SEMANA

 

2ª Feira, 22-X: As riquezas de Deus.

Ef  2, 1-10 / Lc 12, 13-21

Depois, direi à minha alma: Ó alma, tens muitos bens em depósito para largos anos. Descansa, come, bebe e regala-te.

Este homem rico pensou ter encontrado a felicidade na acumulação de bens materiais. No entanto, «a verdadeira felicidade não reside nem na riqueza ou no bem estar, nem na glória humana ou no poder, nem em qualquer obra humana, por útil que seja, como as ciências e técnicas e as artes, nem em qualquer criatura, mas só em Deus, fonte de todo o bem e de todo o amor» (CIC 1723).

O importante é «tornar-se rico aos olhos de Deus» (Ev.). As riquezas que lhe podemos apresentar são as nossas virtudes. Aprendamos igualmente a descobrir as riquezas de Deus: «Deus é rico em misericórdia... a riqueza da graça de Deus» (Leit.).

 

3ª Feira, 23-X: Estar vigilantes.

Ef  2, 12-22 / Lc 12, 35-38

Em Cristo, qualquer construção humana bem ajustada, cresce para formar um templo santo do Senhor.

«A Igreja é também chamada muitas vezes construção de Deus. O próprio Cristo se comparou à pedra angular que os construtores rejeitaram e que se tornou pedra angular (Leit.)» (CIC, 756).

Também nós estamos integrados na construção (Leit.). Para isso precisamos estar vigilantes: «A vigilância do coração é lembrada com insistência (Ev.) em comunhão com a de Jesus. O Espírito Santo procura incessantemente despertar-nos para esta vigilância. É importante para lutarmos no momento das tentações e evitarmos qualquer tipo de pecado.

 

4ª Feira, 24-X: Como estar vigilantes.

Ef  3, 2-12 / Lc 12, 39-48

Feliz daquele servo a quem o Senhor, ao chegar, assim o achar fazendo. Em verdade vos digo que há-de pô-lo à frente de todos os seus bens.

A vigilância que o Senhor nos pede está nos pequenos combates de cada dia. Não podemos ter a mesma atitude do servo brigão, descuidado (Ev.). Devemos sim imitar o administrador fiel e prudente que faz aquilo que deve, cumprindo os seus deveres (Ev.). Se «Ele vem com amor hospedar-se na tua alma, com amor quer ser recebido» (S. João de Ávila). Pode também concretizar-se «na coragem de nos aproximarmos de Deus com toda a confiança» (Leit.).

«Por cada pequena vitória, colocamos uma pedra preciosa de glória na nossa coroa» (S. Francisco de Sales). Pela sua vida corrente em Nazaré, Nª Senhora recebeu a sua coroa de glória.

 

5ª Feira, 25-X: O Espírito Santo e a nossa transformação.

Ef  3, 14-21 / Lc 12, 49-53

Eu vim lançar fogo sobre a terra e só quero que ele se tenha ateado.

«O fogo! Simboliza a energia transformadora dos actos do Espírito Santo, aquele Espírito do qual Jesus dirá: 'Eu vim lançar fogo à terra' (Ev.) » (CIC, 696).

Peçamos a Deus que o fogo do seu amor robusteça a nossa alma: «Ele vos dará, por meio do seu Espírito, a força de vos tornardes robustos no que há de mais íntimo em vós» (Leit.). E cada um de nós há-de ser igualmente fogo para transmitir aos outros «a largura, o comprimento, a altura e a profundidade deste mistério» (Leit.). Recordemos a acção transformadora do Espírito Santo em Nª Senhora e nos Apóstolos no dia de Pentecostes.

 

6ª Feira, 26-X: Os sinais dos nossos tempos.

Ef  4, 1-6 / Lc 12, 54-59

Hipócritas, sabeis apreciar o aspecto da terra e do céu, mas este tempo, como é que não o apreciais?

Como interpretar os sinais dos tempos? «O homem esforça-se por interpretar os dados da experiência e os sinais dos tempos» (Ev.), graças à virtude da prudência, aos conselhos de pessoas sensatas e à ajuda do Espírito Santo e dos seus dons» (CIC 1788).

Um dos sinais dos nossos tempos é a unidade de todos os cristãos e de todo o género humano: «Há um único Senhor, uma única fé, um único Baptismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos e em todos se encontra» (Leit.). A Nª Senhora, Mãe da Igreja, pedimos que nos obtenha este dom da unidade.

 

Sábado, 27-X: Frutos abundantes na nossa vida.

Ef  4, 7-16 / Lc 13, 1-9

Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar fruto a essa figueira, mas não o encontrou.

O Senhor espera encontrar em nós frutos abundantes (Ev.), mas possivelmente não chegam à medida que Ele espera. Sugere-nos que deitemos adubo fertilizante, que é o símbolo do Espírito Santo, que dá a vida. Deixemo-nos orientar pela sua Lei.

Daremos igualmente mais fruto se estivermos unidos à Cabeça, que é Cristo, de quem todo o corpo recebe força para crescer (Leit.). E tenhamos presente o sim de Nª Senhora: «Graças ao seu sim' todas as nações recebem Aquele que é a própria bênção de Deus, Jesus, 'fruto bendito do vosso ventre'» (CIC, 2676).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Aurélio Araújo Ribeiro

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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